• Sobre
  • Contact
  • marcelolfranco@uol.com.br

Blog do Franco

  • É preciso atacar os privilégios ou o Brasil não dará conta das aposentadorias futuras.

    agosto 12th, 2024

    Eu copiei o título acima da coluna de hoje de um dos mais renomados analistas de economia conservadores no Brasil, Celso Ming.

    Fui atraído pelo surpreendente título, na ilusão de ler uma análise realista que correspondesse à expectativa criada pela chamada.

    Nem de longe.

    Na matéria, podemos encontrar aquelas projeções de sempre, com números crescentes ano após ano e as estimativas de envelhecimento da população, ingresso de aposentados do tipo BPC — que recebem um salário mínimo — e o aumento do salário mínimo, base do reajuste anual de todas as aposentadorias.

    Nada sobre o ingresso de novos trabalhadores no mercado formal, nada sobre o aumento salarial atualmente em curso, nada sobre o crescimento da economia para servir de lastro ao aumento do salário mínimo, sendo esse atrelado ao crescimento PIB e à inflação, como sabemos.

    Faz o alarde de sempre e chama de privilégio aposentar-se com 62/65 anos e receber o BPC de um salário mínimo, assim como os reajustes do mesmo.

    E não mostra de onde vem o rombo; apenas cita, sem apresentar números, a previdência dos militares, do Judiciário e, em menor proporção, do Legislativo. As regras de tetos salariais não se aplicam para estes, e no caso dos militares, o descompasso entre o que contribuem para a previdência e o que recebem é totalmente desequilibrado, entre outras omissões.

    E, para finalizar, falta comparar o que pagamos para todos os aposentados no Brasil e o que pagamos de juros no financiamento da dívida pública. Um levantamento desses números nos últimos 30 anos, por exemplo, mostraria um resultado tão escandaloso que provavelmente estaríamos todos aposentados e ricos com os recursos pagos a especuladores e bancos.

    Ou seja, não foi uma análise, mas mais uma distorção da informação e um ataque contra um mínimo de contrapartida aos aposentados brasileiros.

    A discussão do envelhecimento da população e as regras de contratação de mão de obra atuais, exigem sempre cuidado e revisões nas projeções do custo da aposentadoria em todo o mundo. Mas sem apontar onde estão os verdadeiros problemas e privilégios, onde está a verdadeira sangria dos recursos públicos e sem assumir responsabilidade social diante dos mais pobres, a discussão é falsa e imprestável. Para não dizer que não é séria ou desonesta.

  • História de Sucesso.

    agosto 11th, 2024

    Ilustro o post com um gráfico do economista-chefe de bancos mundiais, Robin Brooks, um neoliberal radical que exige o estrangulamento da economia da Rússia um dia sim e no outro dia também. E tem nosso Banco Central em alta conta, pelos motivos totalmente equivocados que expliquei várias vezes por aqui.

    Mas uma coisa que Brooks não faz é brigar com os fatos. E, sempre que pode, destaca a força do comércio externo do Brasil e seu crescente desempenho. E ele ainda nem reparou que nos números recentes, duas coisas importantes são relevantes para nós.

    A primeira e mais evidente é que aumentamos nossas importações — mesmo assim seguimos com superávits crescentes — porque estamos voltando a consumir no exterior, apesar do câmbio, e comprando bens de capital, que são máquinas, equipamentos e tecnologia que, em um futuro breve, serão usados para promover nosso crescimento interno de maior qualidade.

    A segunda coisa que descobrimos, agora a analisar as exportações, é que não estamos vendendo apenas os produtos do “fazendão”, somados a derivados de petróleo — bem-vindos e insubstituíveis — mas também crescemos na venda de produtos manufaturados, que representam indústria e empregos de melhor qualidade e remuneração.

    Ainda estamos longe de equilibrar nosso balanço de serviços, turismo e remessa de lucros. Aqui ainda perdemos muito: US$ 50 bilhões vão embora todo ano do Brasil nessa conta corrente com o exterior, compensados pelos US$ 90 bilhões do comércio externo.

    Como visto, falta muito para alcançarmos resultados expressivos na corrente de serviços, mas o rumo está mudando e, quem sabe, chegamos lá também?

    Bom dia dos pais, onde me incluo.

  • Mistérios  do Norte.

    agosto 10th, 2024

    Ontem, tanto Kamala quanto Trump realizaram comícios no estilo norte americano, dentro de ginásios ou galpões. Trump confrontado com grandes audiências de Kamala, lotando seus espaços enormes, foi pra um estado Republicano raiz provocando surpresa por decidir pregar para convertidos, mas ficou clara intenção de tentar mostrar uma foto onde pudesse competir em números de público com a democrata. E nem assim conseguiu, seu comício foi desanimado e mesmo recheado de todo tipo de discurso escatológico corriqueiro das suas apresentações, não empolgou e nem criou as marolas costumeiras. Que fazem parte do show fascista – para chocar e atrair atenção –  onde quer que estejam, inclusive em outros países, como o nosso. Basta ver como foi o debate entre os candidatos a prefeito de SP.

    E nem tudo que Trump falou é pra jogar fora, confesso, quando ele diz que vai mandar no Banco central de lá, o FED, porque o presidente eleito tem o direito de intervir em tudo, inclusive na taxa de juros – palavras dele – eu fico com inveja aqui.

    Mas só isso….o resto do discurso é aquela sopa de lixo.

    O que destaco, além dos comícios distintos, é também a forma como a cobertura jornalística dos EUA vai mudando o foco. Não somente no aspecto quantitativo, uma vez que Kamala inverteu a liderança para si em todas as pesquisas,além de escolher um vice que somou apoios a sua campanha. Mas também a cobertura da qualidade dos destaques escolhidos nas mídias sobre o que fazem e o que dizem os candidatos.

    E me refiro a Trump.

    Porque gradativamente seus discursos ganham rótulos de o quanto ridículos eles são, como está perdido nos assustos, como não fala coisa com coisa, como são absurdas as suas teses.

    E não foi trump quem  mudou, a cobertura embarca no mote da campanha de kamala que definiu por carimbar o adversário e seu vice de ” estranhos, esquisitos” ,  o que de fato eles sempre foram – até por escolha, diga-se.

    E a coisa está pegando e as esquisitices ganhando cada vez mais destaque por aquilo que de fato são : bizarrices ridículas e imprestáveis.

    Quando a imprensa sente-se inteiramente livre para assim tratar e mostrar um candidato a presidente nos EUA , que até semana passada liderava todas as pesquisas, não é somente porque a adversária democrata passou na frente ou os veículos entraram na sua campanha pra apoiar. Me parece alguma coisa a mais, o ridículo dos extremistas parece caminhar por um processo de saturação, cansaço, falta de material, e quando as pessoas encontram uma opção de escolha, elas o fazem com gosto.

    Não é pouca coisa e o bolsonarismo no Brasil apresenta as mesmas características de fadiga e cansaço, além das incertezas da escolha do substituto.

    Sim, eles ainda são muitos e ficarão por aí muitos anos.

    Mas não temam a nossa sorte nessa guerra. Eles são muitos, mas não podem voar.

    Ao menos, não mais.

  • Faz de conta no BC?

    agosto 9th, 2024

    Uma vez que o líder do governo no Senado, o Senador Jacques Wagner, expressou a “vontade de todos” de indicar com antecedência o nome do futuro presidente do Banco Central, é importante insistirmos no tema, até porque estamos na reta final da decisão independente de antecipar ou não.

    E o único nome em pauta é o de sempre: Gabriel Galípolo.

    Após a última reunião do COPOM, que confirmou nossa taxa de juros como a mais alta do mundo, e cujas justificativas no boletim não explicaram as razões para tamanha insensatez, Galípolo começou a falar em seminários e aparições públicas, devidamente exploradas na mídia. Nesse caso, não sabemos quem usa quem: se Galípolo usa a mídia ou vice-versa. O mais provável é que ambos se sirvam mutuamente.

    Mas se o pretenso futuro presidente do BC destaca, em suas declarações, as votações unânimes das últimas decisões do COPOM, ao mesmo tempo inaugura uma “lavagem pública de mãos”, atribuindo as mazelas dos juros altos a uma decisão do Conselho Monetário Nacional ao fixar a meta de inflação em 3% ao ano.

    Esquece de dizer que o tal conselho, composto por três pessoas – sendo uma o ministro Haddad, outra o presidente do BC, e a terceira a ministra Simone Tebet – discutiu o assunto no início do atual governo, sem chegar a nenhuma conclusão. Mas a inflação, de lá para cá, diminuiu e está dentro da margem de bandas por meses seguidos, com tendência de manter o atual comportamento. Ou seja, levantar a discussão não acrescenta nada ao debate atual, servindo apenas para atribuir responsabilidades a terceiros, e desconhecendo o valor importante das bandas que evitam cairmos nas mãos de conceitos ainda mais rígidos, que Galípolo aparentemente abraça com entusiasmo.

    Um desastre, considerando que a ideia de tanta falação deveria ter tido outro tipo de motivação: reforçar sua posição como único candidato.

    O fato é que esse tipo de pensamento e comportamento fez dele não apenas o único candidato, mas um nome praticamente aceito não só no Senado, mas também no mercado, onde a questão de manter os juros nas alturas é de sobrevivência para bancos e empresas que vivem mais da entrada desses recursos das aplicações financeiras do que da produção ou do trabalho.

    Isso amarra o Brasil a um crescimento medíocre de 3% – e olhe lá – e mesmo assim, quando Lula assume e investe tudo o que pode. Os demais nem isso fazem, mas ganham todos os elogios porque pagam juros sem reclamar, e o Brasil patina sem sair do lugar.

    É fato que banco não é coisa para brincadeira, e Banco Central não é lugar para guerra ideológica. Mas, sendo assim, basta manter uma posição imutável, sem nenhuma criatividade ou inovação? O que dá certo é pagar bovinamente os mais altos juros do mundo e achar que isso é sempre o correto a fazer? O correto é lamentar um país com bons índices e rumo ao pleno emprego, salários crescentes, e comércio e serviços funcionando ? O que essa gente sugere? Pagar juros altos e manter o país dos dois salários mínimos na pobreza para sempre? Não há nada a acrescentar nesse roteiro suado e imutável?

    Claro que não vai ser um banqueiro ou um burocrata do Estado quem vai resolver essa equação que muito ultrapassa a capacidade e a atribuição de um presidente do Banco Central. O que se exige deles é que trabalhem em conjunto com o programa do governo eleito e não que tenham uma agenda própria ou uma visão desconectada dos objetivos do governo a que deveriam servir.

    Quando o Banco Central age, não o faz em seu nome nem no do mercado, mas em nome de um programa de governo. E se age em discordância, quem paga no fim nunca é o banqueiro, que sempre terá as portas abertas para a sequência de seu trabalho. Quem paga é o governo que o indica; quem paga é o fracasso da economia, que deveria ser o carro-chefe dos objetivos de qualquer administração.

    Chega a ser simplório o debate sobre o tema, e quando alguém afirma que a unanimidade das atas é uma tática para evitar marolas quando os indicados por Lula estão em minoria até o fim do ano, Galípolo vem e destrói o argumento com uma posição que me parece muito mais coerente do que imaginar um comportamento omisso esperando a redenção em 2025. Pior do que concordar com uma política monetária suicida seria fingir para, quando chegar o seu momento, dar uma guinada na direção contrária. Ora, se tem uma coisa que não combina com Banco Central é uma guinada, seja em que direção for.

    Concluindo, estamos caminhando para um mandato presidencial de Lula semelhante ao seu primeiro mandato com Palocci na Fazenda e Meirelles no Banco Central. Não é ruim, é sim uma reestruturação do Estado, uma obra que estava paralisada e precisava ser reiniciada, um trem descarrilado, uma jamanta sem combustível, um transatlântico abandonado. Que, em qualquer um dos casos, demanda um imenso trabalho para voltar à plena atividade.

    Não vamos nos arrebentar nem bombar; a economia vai seguir crescendo de maneira segura e constante, e a vida vai melhorar de forma gradual.

    Fica a sensação de que poderíamos fazer mais. E conformar-se com isso não é bom; apoio, cobrança e reconhecimento crítico seguem sendo a melhor atitude para, quem sabe, podermos fazer ainda mais.

  • O TCU e as Joias.

    agosto 8th, 2024

    Quase nada sabemos sobre o TCU, apesar de ser tão antigo quanto a República brasileira, mas que presentes caros não podem ser aceitos por autoridades e, mesmo os aceitos precisam ser declarados para apreciação legal, e jamais podem ser vendidos, todos sabemos. E a eventual posse é coisa vigiada quando autorizada.

    Os motivos para tamanho cuidado são evidentes: nenhum presente é dado a uma autoridade, mas sim ao cargo — e à influência — eventualmente exercido. Além disso, o fato de serem cargos eventuais, de curta duração, com prazo de vencimento, é fator decisivo para tamanho cuidado. Ninguém é presidente, ministro ou diretor de coisa alguma, mas está nessa ou naquela indicação ou eleição.

    A presença do TCU e seus ministros na vida nacional está relacionada à influência do Congresso, de seus interesses e políticas, nem sempre caminhando com as leis e práticas que norteiam os cidadãos comuns.

    Então, quando o TCU e algum de seus ministros aponta alguma direção, isso deve ser entendido como uma posição política, jamais como um indicativo ou juízo legal.

    Quando o TCU libera para o presidente Lula presentes caros para seu uso, no contexto atual, o faz para livrar a cara do ex-presidente Bolsonaro, que recebeu presentes milionários, escondeu e vendeu. A lei que trata explicitamente dessas práticas criminosas veio depois desse presente — um relógio Cartier — que Lula ganhou e guarda, raramente usando.

    A decisão do TCU incomodou o presidente Lula, que, assim como todos nós, interpretou a decisão como uma tentativa de salvar Bolsonaro das práticas criminais conhecidas. E diz querer devolver o Cartier o mais breve possível, mesmo sem necessidade ou ordem legal para tal.

    Destaco uma característica da defesa de Bolsonaro e seus advogados: como são afoitos e precipitados. Mal a decisão do TCU foi anunciada e eles já entraram com recursos na Justiça pedindo a anulação de todos os crimes imputados. Ora, sabemos que os movimentos do ex-presidente nunca foram guiados por uma lógica racional, mas por efeitos escandalosos e tentativas de se manter sempre à frente das pautas adversas. Mas o recurso, que neste instante serve para propaganda pré-eleitoral, é ainda mais provável que o revés da iniciativa, também para breve, ocorra na véspera das municipais, provocando efeito contrário ao pretendido. O STF vai anular a presepada de pronto.

    Tudo é política no TCU, e a cada iniciativa como essa, ele se torna cada vez menor e mais desacreditado.

    Uma vez
    Mensal
    Anualmente

    Apoie e divulgue o BlogdoFranco.blog
    Se preferir, PIX 49071890600

    Faça uma doação mensal

    Apoie e divulgue o BlogdoFranco.blog.
    Se preferir, PIX 49071890600

    Escolha um valor

    R$5,00
    R$15,00
    R$100,00
    R$5,00
    R$15,00
    R$100,00
    R$5,00
    R$15,00
    R$100,00

    Ou insira uma quantia personalizada

    R$

    Agradecemos sua contribuição.

    Agradecemos sua contribuição.

    Agradecemos sua contribuição.

    Faça uma doaçãoDoar mensalmenteDoar anualmente
  • O vai e vem no Câmbio.

    agosto 7th, 2024

    José Kupfer, veterano analista da economia brasileira, escreveu em sua coluna – citando o economista e professor Gonzaga Belluzzo – que no comportamento esquizofrênico do câmbio no Brasil: “o rabo abana o cachorro”!

    Ele explica.

    O mercado futuro de dólar na bolsa brasileira está entre os três maiores do mundo, enquanto o volume de negócios em ações na mesma bolsa não fica nem entre os 20 maiores do mundo.

    E, evidentemente, o dinheiro à vista que movimenta esse mercado futuro do dólar, composto por cobras e lagartos – nacionais e estrangeiros – é infinitamente superior ao Bovespa.

    Dinheiro à vista, ressalte-se, com as posições de compra e venda liquidadas no mesmo instante, ao sabor do freguês.

    Tamanho volume de recursos acaba condicionando a taxa de câmbio, quando o normal, e o que acontece em todo o mundo, seria o contrário: a taxa de hoje condicionar a futura e não a futura condicionar a presente.

    O fenômeno provoca uma variação que coloca a moeda brasileira sempre entre as que mais caem no mundo em momentos de stress, e depois é aquela que mais valoriza no instante seguinte.

    E nós, ficamos à mercê dessas flutuações.

    Então, aqui temos mais uma tarefa para o futuro Banco Central do Brasil – porque do atual eu já desisti: atuar no sentido de evitar tamanha flutuação no nosso câmbio, que só favorece a especulação sem nenhum outro ganho ou benefício para o país.

  • STF e Marco Temporal : A Comissão da Farsa?

    agosto 6th, 2024

    O STF já havia decidido por 9×2 em 2023 contra o marco temporal, mas ficou pendente a questão das resoluções quanto à implementação da decisão. Gilmar Mendes, relator do caso, resolveu inovar e, numa revisão repentina do decidido, criou uma comissão para analisar e discutir alternativas. No entanto, não está claro exatamente o que se pretende com essa comissão, que parece propor um acordo de escambo com terras indígenas.

    Gilmar Mendes, que já havia votado a favor do marco temporal – a tese na qual só as terras que estivessem de posse de indígenas a partir de 1988 seriam consideradas legítimas –, ignora as décadas de expulsão dos indígenas de suas terras, legitimando invasões, ataques, confiscos, grilagem e as tentativas genocidas patrocinadas durante a ditadura militar, sempre contra a vida, a cultura e as terras das populações indígenas.

    Quando a ditadura terminou no Brasil, haviam apenas 300 mil indígenas vivos. Após esse período de holocausto, as populações vieram gradativamente se recuperando e hoje são 1,7 milhão.

    A comissão criada pelo STF é composta por seis representantes indicados pela Articulação dos Povos Indígenas (Apib), seis pelo Congresso, quatro pelo governo federal, dois pelos Estados e um pelos municípios. Representando a Câmara dos Deputados, o presidente Arthur Lira (PP-AL) indicou os deputados Pedro Lupion (PP-PR) e Bia Kicis (PL-DF), ambos favoráveis à tese do marco temporal e representando a bancada ruralista.

    Lupion é o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Ele defende que áreas ocupadas por não-indígenas na data da promulgação da Constituição não podem ser requeridas como terras indígenas.

    A deputada indígena Célia Xakriabá (Psol-MG) será suplente de Kicis, enquanto o deputado Lucio Mosquini (MDB-RO) substituirá Lupion quando ele não puder estar presente nas audiências.

    No Senado, o presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG) decidiu manter um equilíbrio na indicação e escolheu os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Teresa Cristina (PP-MS).

    A Apib exigiu na primeira reunião o cumprimento imediato da decisão do STF de 2023 contra o Marco Temporal para então iniciar a discussão de sua aplicação. Não conseguiu e ameaçou abandonar a comissão, mas o juiz encarregado do STF fez pouco caso e afirmou que seguiriam sem eles. Eles decidirão se retornam para a mesa até a próxima reunião dia 28 de agosto.

    Pode ser que alguma correção de rumo aconteça, mas é improvável. A comissão, que se suspeitava integrar um ataque às terras indígenas, é uma recomposição de teses coloniais como escambo entre desiguais. Pode significar uma terrível ameaça e consolidar a tese rejeitada , que tenta preservar o mínimo dos interesses ancestrais da cultura indígena no Brasil.

    Isso pode ser um ataque decisivo e encerrar o ciclo de aculturação e desprezo pelos povos ancestrais e durante um período democrático na nossa história.

  • Ainda o fiscal.

    agosto 6th, 2024

    Depois de um dia de apavoro – com as bolsas do mundo em queda – e recuperação no dia de hoje, os analistas tentam explicar o mal-estar geral nas economias mundiais e parecem convergir para apontar os altos juros como o principal vilão.

    E olha que eles não pagam taxas nem metade das nossas.

    O consenso atual é que o FED nos EUA demorou muito para começar a diminuir seus juros e contaminou a economia mundial, impondo custos altíssimos que, em algum momento, teriam que ser honrados.

    Como quem imprime dólar tem menos problemas do que quem não imprime, os EUA conseguem empurrar suas crises e equívocos para os demais, manipulando suas taxas de juros e atraindo a quantidade de dinheiro que lhes interessa.

    Aqui no Brasil, sofremos por antecipação, meses e meses discutindo uma inflação declinante e depois ajustes fiscais, esquecendo que são exatamente os juros altos que nos impelem para os déficits fiscais e dívidas crescentes.

    E nem foi o caso, como mostra o gráfico que ilustra o post. Com muito esforço na arrecadação e apostando no crescimento da economia, estamos conseguindo conter e, em alguma medida, diminuir nosso comprometimento de dívidas.

    E, como se sabe, reduzindo a carga de impostos para números menores que nas administrações anteriores.

    E que nem são novidades, quando tratamos da visão econômica do presidente Lula e seus ministros, que se repetem.

    A mágica acontece quando o país cresce acima das expectativas, diminui o desemprego e aumenta a massa salarial com consequente consumo. É até curioso constatar a dificuldade de entenderem o mecanismo relativamente simples no aspecto conceitual, mas extremamente custoso no político porque desconcentra renda, enche aeroportos, universidades e a Disney, e isso é insuportável para uma determinada classe de pessoas.

    Mas não importa, o fato é que estamos repetindo um roteiro conhecido, anunciado e programado para acontecer, e acontece.

    Falta sairmos da armadilha dos juros altos e acompanharmos a onda de baixa geral dos juros nos países desenvolvidos e melhora dinâmica interna de suas economias. Podemos todos aproveitar um melhor momento a partir daí.

  • Pra não dizer que não falei das flores.

    agosto 5th, 2024

    Escrevo com a notícia da medalha de ouro da Rebeca no solo, uma consagração mais do que merecida e anunciada. Até por sua maior adversária. E vimos as demais concorrentes acompanhando o solo vencedor com entusiasmo e espanto. Como nós.

    A participação do Brasil, no geral, acompanha de perto as previsões dos especialistas e segue uma evolução discreta a cada olimpíada.

    Quase todos os atletas recebem dinheiro do governo, no Bolsa-Atleta, com valores proporcionais ao ranking e à expectativa de desempenho nas disputas mundiais.

    Também esse investimento nos atletas foi interrompido pelo golpista Temer e na sequência do desgoverno Bolsonaro. Não por acaso essa gente quer destruir a cultura e o esporte, para manter a cabeça baixa dos pobres, que são os nossos medalhistas como podemos ver.

    Nos anos 80 e 90 do século passado, a gente torcia por medalhas no iatismo e hipismo, modalidades sem apoio do governo por motivos óbvios. Do início do Bolsa-Atleta para cá, muito mudou no nosso desempenho nas olimpíadas, claro que necessitando de décadas de formação de atletas, técnicos, conhecimento e disputas internacionais para a adequada preparação de atletas mundiais.

    A interrupção a partir do golpista Temer afetou o desempenho agora em Paris. Ninguém e nada passam impunes a desgovernos.

    Mas agora teremos alguns bons anos para retornar e não partimos do zero. O que foi conquistado fica na memória dos atletas e treinadores, quando capazes de trabalhar, a flor renasce como quando uma chuva cai no deserto.

    Temos muito o que colher ainda nessa olimpíada em Paris, e esperar que nossas flores continuem recebendo a quantidade justa de apoio e reconhecimento para florescer mais e ainda melhor.

  • Volta da Rotina.

    agosto 5th, 2024

    A semana (e o mês de agosto) começa com tambores de guerra anunciando o início do conflito geral no Líbano. Não por acaso, o país mais frágil da região foi escolhido por Israel para a sequência de expansão colonial sionista. Com o apoio do Ocidente, desestabilizando a região e, quem sabe, arrastando o Irã para a guerra.

    As demais guerras na Ucrânia e o genocídio palestino continuam sem nenhum sinal de cessar, com o mundo amanhecendo ainda mais sofrido se confirmadas as previsões.

    O Congresso brasileiro retorna com as atividades. Uma será a reforma tributária no Senado e a outra azucrinar o STF porque cortou a grana das emendas secretas e ainda mandou fazer auditoria que remonta à época do governo anterior. E aí, eventual leitor(a), a coisa pega e uma reação será tentada, com poucas chances de sucesso. O ministro Dino e o STF deram vários alertas para a coisa parar e ninguém deu ouvidos.

    Também no STF, a primeira rodada da comissão criada por Gilmar Mendes – relator – sobre o Marco Temporal acontece na semana. Se, de fato, os componentes da mesa serão diversos e alguma discussão pode ocorrer, vamos aguardar os resultados que têm previsão até o fim do ano. Existe uma crítica preocupada com uma certa tendência de se estabelecer o que chamaram de escambo, uma troca, com os indígenas e suas posses. Nenhuma novidade nisso, me parece a prática inaugurada pelos portugueses em 1500, com os resultados conhecidos. Então, todo cuidado agora é pouco.

    Os prazos dos inquéritos do ex-presidente voltam a correr, com o fim do recesso do Judiciário, e alguma manifestação do PGR é aguardada, apesar da aparente intenção de empurrar qualquer coisa para o pós-período eleitoral. O que eles imaginam assim evitar politizar a decisão, quando na verdade não oferecer a denúncia é politizar ainda mais, postergando uma decisão clara e certa para quando seu efeito, para certos interesses, for supostamente menor. Inaceitável.

    O prazo da Venezuela para entrega das atas ainda não findou, a pressão segue alta, mas me parece em declínio. Quem tinha que fazer já fez, quem diz que vai esperar vai esperar e o fato consumado vai se impondo. Os protestos da oposição no fim de semana foram fracos, as praias estavam cheias e as ruas vazias. Sanções serão anunciadas e a vida segue como antes, com Guaidó 2 e tudo o mais visto tantas vezes anteriormente. A expectativa da oposição frustrada age por lá como a tentativa fracassada de Bolsonaro aqui: desanima e desmobiliza.

    E alguém acorda o Campos Neto e o Banco Central do Brasil, porque o mercado asiático derreteu e ele precisa segurar o câmbio hoje.

    Vamos em frente.

    Uma vez
    Mensal
    Anualmente

    Apoie e divulgue o BlogdoFranco.blog
    Se preferir, PIX 49071890600

    Faça uma doação mensal

    Faça uma doação anual

    Escolha um valor

    R$5,00
    R$15,00
    R$100,00
    R$5,00
    R$15,00
    R$100,00
    R$5,00
    R$15,00
    R$100,00

    Ou insira uma quantia personalizada

    R$

    Agradecemos sua contribuição.

    Agradecemos sua contribuição.

    Agradecemos sua contribuição.

    Faça uma doaçãoDoar mensalmenteDoar anualmente
←Página anterior
1 … 48 49 50 51 52 … 155
Próxima Página→

Blog no WordPress.com.

 

Carregando comentários...
 

    • Assinar Assinado
      • Blog do Franco
      • Junte-se a 28 outros assinantes
      • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
      • Blog do Franco
      • Assinar Assinado
      • Registre-se
      • Fazer login
      • Denunciar este conteúdo
      • Visualizar site no Leitor
      • Gerenciar assinaturas
      • Esconder esta barra