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Blog do Franco

  • Desvendando o labirinto.

    outubro 19th, 2024

    Todos os dias me deparo com as previsões derrotistas de chamados companheiros, analistas, quintas colunas e opositores. E o quanto eles têm convergido nas opiniões sobre o resultado do primeiro turno das eleições municipais. Enquanto o objetivo do governo e da federação foi ampliar a base e conter o fascismo — relativamente bem-sucedido e com esperanças de resultados semelhantes no segundo turno —, o que se vê é que tudo que não está na conta exclusiva da federação PT-PSOL-PCdoB é considerado derrota. Mesmo que o vitorioso seja alguém da base de sustentação e o partido tenha votado 90% das vezes com as teses do governo, sobretudo nas mais importantes.

    Quem está mal das pernas e com dificuldades é exatamente quem foi o alvo principal da aliança contra o fascismo: os fascistas. Ainda não temos um balanço final, mas, como afirmei, o que se espera é que eles não consigam muitas vitórias, enquanto o centro, em alianças, segue obtendo os resultados mais importantes.

    Alguns levantamentos numéricos, como um que mostra a falta de vínculo entre vitórias municipais e nacionais, outro que observa a mínima relação entre votos municipais e deputados federais eleitos, e uma última análise que dividiu o número de votos de cada partido pelo número respectivo de candidatos, indicam que esse resultado praticamente não variou nas últimas três eleições municipais. Somado à questão do número de votos no PT — 8,9 milhões, sem lançar candidatos em São Paulo e Salvador, o que traria uns 3,5 milhões a mais para esse total —, esse cenário seria considerado um grande aumento no número de votos totais do partido. Isso, segundo alguns, me leva a manter minha avaliação de que são vários os vitoriosos e alguns derrotados nas eleições municipais, com pouca ou nenhuma vinculação com as questões nacionais, e que a estratégia do PT foi razoável, ao contrário do que muitos veem como fracasso.

    Além disso, temos o candidato francamente favorito para 2030, que vem fazendo um excelente governo e engrenando para dois anos finais de performance equilibrada, mantendo o crescimento sustentável.

    O resto é “oba-oba” de quem sempre enxerga o copo meio vazio e prefere viver de prognósticos pessimistas, por alguma razão que me escapa.

    Vida que segue, e vamos ao segundo turno.

  • Ajustes, sempre os ajustes.

    outubro 17th, 2024

    Os dados para a avaliação dos cenários chegam primeiro ao governo, certo, para que ele faça seus cálculos econômicos e políticos. Exatamente como a Prefeitura de São Paulo deveria fazer: manter a poda das árvores em dia, atender aos chamados dos moradores e, assim, evitar quedas em série, com as consequências que vemos atualmente. A condução econômica — e política — é semelhante; ao conhecer a realidade das contas e os compromissos futuros, ajustes são sempre necessários, embora nem sempre bem-vindos.

    É curioso que a discussão sobre corte no orçamento aconteça entre turnos eleitorais, com disputas apertadas ainda indefinidas. Talvez alguém tenha certeza de que as decisões nacionais influenciam pouco as eleições municipais, mas isso ainda surpreende. De qualquer forma, o debate está em andamento, a lista de ajustes está sendo preparada e não deve ser divulgada antes do segundo turno. Porém, ninguém será pego desprevenido. Os números são altos: cortes de 50 bilhões para cumprir o arcabouço fiscal. Lembrando que, em caso de descumprimento neste ano, o próximo será prejudicado. E talvez esse seja o cálculo, já que o crescimento de 2024 está assegurado, próximo de 3,5% do PIB. O ideal é pensar no futuro, mantendo o nível, corrigindo onde e quando for possível, sacrificando o mínimo necessário.

    Não devemos duvidar das intenções, mas é preocupante saber da necessidade de ajustes. Onde o “facão” vai atuar? A margem de manobra é sempre limitada, e os mais fracos costumam pagar mais.

    E onde a situação está realmente fora de controle: os juros do Banco Central, ainda com influência do bolsonarismo, continuam atuando contra nós. Felizmente, uma solução já está programada para janeiro. Depois disso, veremos para onde seguimos.

    Por um lado, as desconfianças são grandes quanto à capacidade de derrubar as maiores taxas de juros do mundo e de interromper a transferência de 800 bilhões para os bolsos dos ricos e especuladores, a maioria deles parasitas. Essa questão também está em pauta, e até a ideia, aventada no início do atual governo e depois descartada, de aumentar a meta de inflação de 3% para 4%, voltou a ser discutida. Já concordei com esse aumento no passado e reforço meu apoio. Sim, é possível que a indexação de custos aumente ao acompanhar uma meta mais ampla, mas aposto na economia de bilhões, pois, assim, abrimos espaço para uma queda significativa da Selic, o que compensaria o risco. Há grandes nomes defendendo a ideia, e desta vez eu apenas acompanho.

    Então, aguardemos o anúncio do ajuste. Ninguém vai gostar, mas devemos lembrar que 2024 já está praticamente ganho, e os olhos estão voltados para 2025 e, principalmente, 2026.

    Atualização : saiu agora IGPM-10 e IPC, ambos altos. Mais um incentivo para “agir”.

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  • Impasse no acordo das emendas mostra grave situação.

    outubro 16th, 2024

    A impossibilidade do Legislativo em cumprir a determinação do STF para abrir a autoria e o destino das emendas parlamentares passadas, apesar de reiterados e adiados pedidos, culminou com o bloqueio de novas liberações até o cumprimento total da decisão. Isso revela um quadro de grave situação, provavelmente com deputados e senadores incapazes de cumprir o mandato sem, digamos, produzir provas contra si mesmos em eventuais delitos e crimes. Temos desconfianças, mas faltam as provas que eles se recusam a fornecer.

    E eles devem ter suas razões.

    Após várias reuniões, tratativas, prazos, adiamentos e negociações, a questão simplesmente não avança. E Dino continua bloqueando novas liberações, o que tem provocado a ira dos congressistas.

    Lira, que enrolou o quanto pôde, chegou a soltar a “matilha” na CCJ para ameaçar o STF com a PEC “do fim do mundo”, que visava manietar o tribunal. Depois desistiu, mas voltou à carga com a cantilena de intervenção do STF no Poder Legislativo, algo que é frequentemente invocado, mas sem resultados práticos.

    A verdade é que não querem, ou não podem, dar a necessária publicidade e transparência aos atos passados.

    Vamos ver como isso se desenrola: Lira está no fim do mandato, a sucessão está à porta, e seu candidato está mal das pernas. A questão mais negociada com os fascistas gira em torno da votação da anistia aos golpistas – algo improvável e, em todo caso, inconstitucional. Isso atrapalha seus planos de pressão, e o tempo não corre a seu favor.

    Vamos ver onde isso vai parar. Penso que, em casos assim, não há como contornar indefinidamente, e alguma solução acabará surgindo. E dificilmente isso ocorrerá sem que alguns dos mais afoitos sejam pegos para a degola.

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  • Buscando os culpados do apagão. No lugar errado.

    outubro 16th, 2024
    Mapa SP. Em vermelho locais de pedido de poda não atendido.

    O que seria uma coisa óbvia e direta – buscar na omissão da prefeitura as falhas de cobrança e a falta de uma rotina eficaz no trato com o distribuidor de energia na maior capital do Brasil – se transformou em um exercício de yoga, daqueles bem avançados, onde o mestre atinge um nível de contorcionismo circense. Com a ajuda do TCU e do ministro Nardes, foi possível incluir o Ministério de Minas e Energia, a ANEEL (essa sim) e, indiretamente, o governo federal no rol dos culpados . Só faltou incluir o Lula.

    Nardes é uma figura carimbada, mas mostrou uma ousadia extrema ao proteger o atual prefeito na véspera do segundo turno. Ele foi figura central na avaliação das manobras contábeis do governo Dilma, que chamou de pedaladas, e que resultaram no que todos vimos. Aguardamos uma resposta urgente do ministro, no mínimo, ‘desancando’ esse operador da direita, incumbido de ocultar os responsáveis e evitar danos eleitorais, talvez já impossíveis a essa altura. Não sei se suficientes para derrubar o atual prefeito, como os galhos da cidade foram derrubados, mas certamente haverá uma rachadura, diminuindo a enorme vantagem sobre o oponente Guilherme Boulos. Daí a urgência da correria e a insensatez das falas de Nunes.

    O modelo tarifário nacional foi feito para proteger os interesses privados e garantir segurança para o investidor que compra estatais, como é o caso de São Paulo neste exato momento. A distribuidora compra a energia a preço fixo, sem produzi-la, sendo apenas intermediária. A tarifa é fixa na compra e a tarifa ao consumidor é altamente controlada, o que sobra para aumentar os lucros é a redução da mão de obra e a limitação da manutenção. Com isso, os lucros são turbinados, enquanto a cidade fica à mercê de qualquer evento. No caso, uma ventania que derrubou árvores sem poda, galhos sem poda, equipamentos sem manutenção e trocas programadas. O desastre não foi por acaso.

    Enfim, o que Nardes tenta fazer é ocultar responsabilidade pelas nomeações na agência reguladora ANEEL, todas feitas no desgoverno anterior. E ele vai além, tentando responsabilizar a privatização, contra a qual o governo anterior sempre se posicionou, sobretudo em relação à água e à energia elétrica. Ele inova espetacularmente ao tentar isentar o município e seu prefeito da responsabilidade direta e intransferível de cuidar bem dos interesses básicos da população na cidade. Fornecimento de energia e água, recentemente privatizada, não interessam às pessoas que vivem em São Paulo? Elas podem viver sem esses serviços? O atual prefeito teria coragem de perguntar aos moradores da sua cidade o que eles estão achando do ocorrido?

    Quanto a Nardes, suas atitudes não são de hoje. Além de ter sido filiado, no passado, ao partido da ditadura, a Arena, ele tem um mandato fixo e irremovível. No entanto, passar por mais essa situação sem uma resposta contundente e definitiva do governo é inadmissível.

    Por fim, a informação de que a poda é responsabilidade da prefeitura, que, além de realizar o serviço para outras finalidades, é quem indica à distribuidora de energia os locais onde o serviço é requisitado pelos moradores do município. Na imagem que ilustra o post, em vermelho, estão os locais onde a poda solicitada não foi realizada. Observe que, nas regiões periféricas de São Paulo, onde a ventania causou mais estragos, a falta de energia ainda não foi resolvida, passadas mais de 74 horas do evento. Não por acaso.

    Ficamos no aguardo da resposta do governo ao Nardes e do povo de São Paulo ao prefeito Nunes. Enquanto isso, nossa gloriosa imprensa cobre reuniões entre o governador e o prefeito de São Paulo, indignados, na companhia do indefectível Nardes,

    É isso. Cai quem quer.

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  • A direita politizou o povo? Que povo? Que direita?

    outubro 15th, 2024

    Cada dia que passa, o Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País) aprofunda sandices na tentativa de explicar os resultados eleitorais das municipais. Dá uma volta tremenda e cai no mesmo lugar de sempre: o PT e as esquerdas foram derrotados.

    Temos um segundo turno interessante em curso. Sim, não muda o quadro geral, mas me parece que deixa marcas perenes. Ciro voltou para o berço da direita, Boulos se afirma como um quadro competitivo, Natália Bonavides é o futuro presente, Belo Horizonte se mantém longe do extremismo no executivo, e Porto Alegre está à véspera de mudar suas vitoriosas lideranças petistas. Aliás, embora pouco valorizada, vem aí uma safra promissora para 2026 nas Assembleias de todo o Brasil.

    O que se destaca é a vitória do centro, que não se define nem como direita, nem esquerda, nem centro. Mas que não tem um nome sequer para a disputa nacional, aliás, repetindo o histórico do centro desde sempre.

    O extremismo está espalhado, ganhou capilaridade, mas quem acredita que essa turma vai progredir na política somente atacando, mentindo e difamando, não tem a menor ideia do que as pessoas realmente precisam. Elas percebem o engano e recuam.

    Ou a presidência de Bolsonaro não foi um exemplo? Fez de tudo, derramou bilhões, ameaçou com tanques fumegantes, generais batendo na mesa, fez e aconteceu, mas perdeu. Porque não tinha nada para mostrar. E perdeu por pouco porque os tempos são estranhos, podem até continuar estranhos, mas não vingou. Perdeu. E em 2026, perderão novamente e nem candidatos têm.

    O tal do Tarcísio não vai largar São Paulo, esqueçam. O tal do Zema se arrasta nesse segundo mandato inexpressivo, ainda pior que o primeiro. Marçal não cruza o Rubicão; a inelegibilidade está praticamente certa. Mesmo que não, mesmo que o TSE deixe a coisa correr, ele está longe de ter mais votos nacionais para vencer disputas.

    Sim, faltam dois anos ainda, mas o horizonte da economia é positivo e está melhorando. A questão do Banco Central está a caminho de uma solução, mesmo que paliativa. Existem questões fundamentais a corrigir, como o câmbio valorizado e os juros nas alturas, que exigem uma ação moderada. Nada demais, algo que pode ser melhorado substancialmente com uma administração mediana.

    O que resta? Apenas sugestões de “faça isso, fale aquilo”, sem nenhuma profundidade, base histórica ou legitimidade na fala. Apontam soluções hoje que esquecem amanhã, passam a promover outras queixas e buscam manter espaços onde a crítica constante é sempre valorizada, recaindo sobre o inimigo PT.

    Nenhuma avaliação honesta pode deixar de reconhecer o momento de reconstrução, sempre difícil e ameaçado de retrocessos, como sempre foi. Não podemos esquecer, ao colocar tudo na balança, que a vitória foi da base do governo, centrista, liderada por Lula, um social-democrata, esperando dos críticos e inimigos — sobretudo dos analistas da mídia oligárquica — o reconhecimento do seu papel nacional na costura de alianças vitoriosas e sua definição histórica de modelo ideal para governar o Brasil, diverso e pobre.

    Eles querem o nome para si, não a prática. Por isso deslocam Lula e o PT para a esquerda, quando na verdade estão, no máximo, na centro-esquerda. E é de lá que governam o país democraticamente, com equilíbrio fiscal que só eles conseguem, e com crescimento econômico e inclusão social, algo que, antes de Lula e do PT, todos nós julgávamos impossível.

    E descobrimos que não é.

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  • Rescaldo Eleitoral Parte 2

    outubro 14th, 2024

    Enquanto esperamos o resultado do segundo turno, que dizem poder alterar um pouco as avaliações do primeiro — seja para confirmar a liderança da centro-esquerda, o crescimento da extrema-direita ou a recuperação do PT —, faço minha própria análise.

    Não me alinho a essas perspectivas. Na minha visão, o resultado mostrou um crescimento do centro (onde está a base do governo), o isolamento da extrema-direita, apesar do crescimento, e a recuperação do PT, nessa ordem.

    Temos a informação de que o PT elegeu 222 vice-prefeitos, além de ter mostrado crescimento em várias disputas. Numericamente, o partido deixou de somar votos em São Paulo e Salvador, o que, para alguns, poderia sinalizar uma recuperação incontestável no número de votos. Seriam cerca de 3 milhões a mais, totalizando aproximadamente 12 milhões, o dobro de 2020.

    No entanto, o que estamos presenciando, sem ainda entender completamente, é uma sequência de declarações de dirigentes de diversos partidos. Alguns reivindicam mais espaço, outros lamentam os resultados, e o PT não ficou de fora.

    Destaco algumas dessas declarações.

    Contarato, que provavelmente será o candidato do PT ao governo do Espírito Santo, chamou atenção para as mudanças no mundo do trabalho, com destaque para o empreendedorismo, e sugeriu que o discurso do partido se ajuste a essa nova realidade.

    O deputado Reginaldo fez uma observação semelhante, mas de forma menos clara.

    O candidato à prefeitura de Belo Horizonte, vítima do voto útil em Fuad, anda um pouco contrariado. Sugiro que ele se mantenha mais tranquilo por enquanto, e ajude a derrotar o extremismo na cidade neste segundo turno. Mas entendo suas razões para estar aborrecido.

    Por fim, o líder Gonçalves fez uma reflexão sobre o caminho até essas eleições. Reconheceu o crescimento, apresentou os números corretos — que já discutimos aqui — e deixou claro que a discussão mais aprofundada deve ocorrer após os resultados finais. A meu ver, essa é a abordagem correta.

    Dizem que Lula não ficou satisfeito com o resultado, pedindo também uma reflexão sobre as mudanças na classe trabalhadora — algo que Contarato mencionou mais tarde. Quanto a se ele gostou ou não dos resultados, imagino que ele sempre queira mais, pois não chegou onde chegou sem ambição.

    Vamos para o segundo turno, que parece reservar algumas surpresas e disputas mais acirradas do que o previsto. Mas, como sugere Guimarães, o melhor é esperar os resultados finais para uma avaliação mais completa.

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  • Apagão de vergonha.

    outubro 13th, 2024

    Pouco ou nada tenho com a cidade de São Paulo, gosto de ir lá passear, participar de feiras de construção e jantar nos restaurantes. Mas a frequência dos apagões na cidade provoca reflexão.

    E deixa evidente por sua gravidade o padrão de serviços das grandes empresas públicas privatizadas.

    Começam demitindo os mais experientes, a substituição é insuficiente e por novatos sem experiência. E o mais grave é que abandonam a manutenção.

    A falta de poda nas árvores é evidente, quando um vendaval como o de ontem ocorre – e ele foi excepcional – o desastre estava contratado de véspera, com galhos e troncos pedindo para cair. E caem, em cima de tudo, sobretudo dos fios de energia dos postes, rompendo as ligações.

    A falta de manutenção atinge também os equipamentos do tipo transformadores, que não tem mais sua vida útil observada e a troca antecipada para evitar transtornos, como interrupção prolongada no fornecimento de energia. Fora as explosões quando estragam de vez. O critério dessas empresas agora é esperar o transformador explodir mesmo, para só depois substituir. Assim eles vão acumulando receita, economizando na mão de obra e na manutenção, apresentam bons resultados nos balanços e deixam os investidores satisfeitos. Falta apenas combinar com os clientes, obrigados a aturar monopólio com tal nível de serviços.

    Os paulistanos saibam que não estão passando por nenhuma novidade, para convencer o Brasil da necessidade de privatizar as “incompetentes e corruptas” estatais, FHC e seu moribundo PSDB – não por acaso- iniciaram a estratégia de deixar tudo sucatear para depois vender, e assim chegamos onde estamos.

    Venderam e a coisa só piora.

    O acerto com esse tipo de serviço porco e mal intencionado desde sua concepção, planejamento e execução com objetivos de lucros e nada mais, seria por exemplo, no dia seguinte a um apagão como este que acontece em São Paulo. As multas e indenizações não seriam compensadas pelos abusos, caso os prefeitos e vereadores depois não cancelassem todas elas no momento seguinte. E assim a roda gira em sua imutabilidade.

    E o prefeito é reeleito assim mesmo.

    Até quando?

  • A Quadrilha do Boletim Focus.

    outubro 12th, 2024

    Gravíssima é a nova denúncia de que o relatório Focus, do Banco Central (BC), está sendo manipulado pelos agentes do mercado financeiro. Foi o próprio gestor de um desses fundos, Pedro Cerize, da Skopos, quem apontou a fraude. É o mercado que comanda o BC “autônomo”. Trata-se de um crime que precisa ser investigado. — Gleisi Hoffmann (@gleisi.bsky.social), 11 de outubro de 2024, às 14h13.

    Ele explica, em detalhes, quem são os envolvidos, onde e por que os agentes selecionados pelo mercado, em conjunto com o Banco Central do Brasil, agem para manipular a taxa de juros e promover uma derrama de dinheiro público para os cofres privados. Essa prática bilionária mantém o Brasil no topo da lista dos países mais desiguais do mundo. Não é pouca coisa, nem coincidência. Sem a cobertura institucional do BC — fiscal das práticas dos agentes financeiros — seria impossível realizar e muito menos sustentar essa operação.

    Este é o segundo caso público em que a manipulação do relatório Focus, aquele elaborado por agentes escolhidos do mercado e que serve de referência para as decisões do Banco Central, sobretudo na definição da taxa Selic, é denunciada. Até agora, sem qualquer consequência.

    Quem me acompanha sabe que este é meu tema principal dos últimos tempos. As ações do atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, e sua diretoria têm sido escandalosas desde o início. A situação piorou após a eleição do presidente Lula, e desde então, o Banco Central assumiu um projeto de boicote. Como nos revela Pedro Cerize, da Skopos, em sua palestra, trata-se de um roubo escancarado, disfarçado de combate à inflação.

    É importante destacar que, sem a colaboração da imprensa, seria impossível mentir tão descaradamente. Esse conluio de interesses criminosos para suprimir o dinheiro dos brasileiros precisa ser promovido com todas as forças, com todas as palavras, e com todos os disfarces. E em tudo isso, Campos Neto e sua “bandidagem” contaram e continuam contando com a cobertura da mídia. Por que a indignação da presidenta do PT não aparece em nenhuma capa de jornal ou revista? Fica contida, escondida entre notícias de infinita irrelevância, quando não em disfarces descarados.

    Não existem palavras para o que está acontecendo. Duvido de qualquer investigação, e volto minha atenção para o futuro do Banco Central e sua nova diretoria, que assume em janeiro.

    Será que eles serão capazes de devolver ao BC a primazia dos interesses nacionais? Serão capazes de conduzir a política monetária com a firmeza necessária para promover justiça e desenvolvimento?

    Tenho minhas dúvidas.

    Link do resumo da palestra : https://convexresearch.com.br/blog/economia/banco-central-brasileiro-perdeu-a-credibilidade/

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  • Violência no Período Eleitoral.

    outubro 11th, 2024

    (Vereadora e candidata à reeleição no Rio de Janeiro, Tainá de Paula (PT), sofreu dois atentados em 2024. – Eduardo Barreto/Câmara Municipal do Rio de Janeiro)

    Vamos corrigir a minha falsa impressão de que o primeiro turno foi tranquilo. Reproduzo abaixo integralmente a reportagem do BRASIL DE FATO e o link, que dispensam maiores comentários.

    https://www.brasildefato.com.br/2024/10/10/brasil-teve-pelo-menos-373-casos-de-violencia-politica-no-1-turno-aponta-pesquisa

    “O Brasil teve pelo menos 373 casos de violência política no primeiro turno, intervalo oficialmente situado entre os dias 16 de agosto e o último domingo (6), data do pleito. Publicizados nesta quinta (10), os novos dados mostram que houve sete casos por dia no primeiro turno, ocasião em que eleitores de 5.569 cidades do país foram às urnas.

    O dado corresponde a uma atualização de pesquisa que vem sendo desenvolvida pelas organizações não governamentais (ONGs) Terra de Direitos e Justiça Global, já divulgada parcialmente na última semana, quando as entidades indicaram um salto de 130% nas ocorrências em um período de quatro anos.

    Segundo a pesquisa, 99 dos 373 casos verificados no primeiro turno se deram nos seis primeiros dias, configurando uma média de 16 ao dia, o que demonstra o nível de exacerbação da violência na largada da corrida eleitoral deste ano. Intitulado “Violência Política e Eleitoral no Brasil”, o estudo está em sua terceira edição e contabiliza ainda 518 ocorrências em 2024 até 6 de outubro. É o maior registrado da série histórica, que começou a ser computada pelas duas organizações em janeiro de 2016.

    Dos 373 casos ocorridos no primeiro turno, as entidades contabilizaram dez assassinatos, cem atentados, 138 casos de ameaças, 54 agressões, 51 ofensas, 13 criminalizações e ainda sete invasões. A violência política mais que dobrou nesse intervalo se comparada aos meses pré-eleitorais, quando houve 145 ocorrências. As organizações chamam atenção ainda para outro ponto: a frequência dos casos saltou de 2022 para 2024. No primeiro ano, houve uma média de dois casos ao dia, enquanto agora o país foi palco de ao menos sete ocorrências a cada 24 horas.

    Para computar os dados, os pesquisadores se baseiam em materiais selecionados a partir de busca ativa de notícias em veículos jornalísticos, buscadores de internet, redes sociais e ainda de rastreamento automatizado de notícias. O estudo levou em conta somente ocorrências nas quais havia indícios de motivação política. “Ao longo da série histórica, temos observado uma tendência de maior violência nas eleições municipais, onde há um acirramento dentro das cidades que evidenciam as disputas locais. As notícias mostram também situações de intervenção de organizações criminosas no pleito eleitoral, que representa uma ameaça preocupante à democracia”, comenta a diretora-executiva da Justiça Global, Glaucia Marinho.

    A coordenadora de incidência política da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, ressalta que vê o país atingir “um limite em termos de violência política”. “Registramos muitas ameaças, muitos casos de assassinatos, mas inclusive um caso de estupro, que era uma ameaça muito frequente a mulheres parlamentares e que, tristemente, a gente viu se concretizar neste primeiro turno. Isso tem mais a ver com a naturalização dessa violência, com a falta de medidas sérias pra enfrentar o problema do que com a polarização, porque a gente viu um crescimento muito grande do número de eleitos e eleitas de partidos do centrão e até mesmo a redução de eleitos de partidos de esquerda”, afirma a especialista, acrescentando que o problema resulta da ausência de respostas estatais que possam prevenir a violência sexual e de gênero na política.

    O caso de estupro em questão ocorreu com uma candidata de Porto Velho (RO) que denunciou publicamente o caso nas vésperas da eleição. O crime foi computado na pesquisa entre as estatísticas de “violência física” porque, segundo as organizações, o estudo não tem uma categoria específica para violência sexual. Ainda de acordo com as entidades, a pesquisa será novamente atualizada após o segundo turno.”

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  • De volta a Brasília!

    outubro 10th, 2024

    A cena política de Brasília recomeça, como previsto, com as mesmas temperaturas e pressões. Quem andou falando mais do que o normal, talvez entusiasmado com o resultado da votação de seu partido, o PSD, foi Gilberto Kassab. Ele fez uma declaração na segunda-feira dizendo que Tarcísio não deveria concorrer contra Lula em 2026, já que o petista é o favorito. No entanto, na terça-feira, Kassab relativizou a previsão, deixando a decisão para Tarcísio e sugerindo Ratinho Junior como candidato alternativo do seu partido. Hoje, ele já não falou coisa com coisa, e amanhã só Deus sabe o que dirá. Segundo alguns, Kassab é mais eficaz em silêncio, agindo nas sombras e nas brechas. O entusiasmo atual deve passar, e ele voltará ao normal em breve, afirmam.

    Mas, enquanto Kassab fala, aproveitamos para ouvir suas opiniões, pois ele não está tratando apenas dos futuros candidatos à presidência da república, mas também da disputa atual pela presidência das duas casas legislativas. E, ao falar, enviou recados e confirmou algumas impressões que já sugerimos em posts anteriores.

    Primeiro, ele deixou claro que o equilíbrio entre os poderes executivo e legislativo não mudou; os resultados das eleições municipais não afetaram essa relação. Segundo, ele manifestou sua intenção de atrair o governo para eleger seu candidato à presidência da Câmara, que concorre contra o escolhido do atual presidente, Arthur Lira. Dizem que a Câmara está dividida entre os candidatos, e o fiel da balança será o PT. Imagine!

    Kassab não escondeu que está tentando atrair o PT para o seu lado, ao atribuir, por exemplo, as votações na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) que buscam limitar o STF. Segundo ele, essas votações vão, sim, para o plenário, e são patrocinadas por Lira, que está em campanha para eleger seu sucessor e faz acenos para a grande bancada do PL.

    Para completar, Kassab não crava nem a tão falada vitória de Alcolumbre na outra casa legislativa, o Senado, deixando tudo sempre no ar, pendente de negociações – sua especialidade.

    O que lhe falta para voos maiores é a total ausência de carisma e simpatia. Ele é um grande quadro da política, mas é bom exatamente naquilo que faz: articular nos bastidores. Kassab é como um Renan Calheiros, mas com base em São Paulo, o que lhe confere potencial influência sobre uma vasta base parlamentar. Não que a domine, mas sabe usar e expandir sua influência, liderando um partido que, aos poucos, substitui o MDB nas principais jogadas nacionais e engole o PSDB, que está em vias de extinção.

    Quanto a disputar a presidência, apesar de oscilar nas entrevistas, Kassab parece confirmar o plano de guardar Tarcísio para 2030, no pós-Lula.

    Perceba que Kassab e Bolsonaro não se dão bem. Enquanto Bolsonaro tem aversão à negociação política, Kassab é um dos mestres nesse campo. Mesmo assim, ele quer Tarcísio para si.

    Brasília retoma sua rotina, todos aguardando os resultados do segundo turno, mas com os olhos já voltados para 2026. Kassab colhe os louros e se apresenta como vitorioso, tentando emplacar seu candidato na presidência da Câmara, contra Lira, com o apoio do PT.

    Em todo caso, essas PECs contra o STF são a moeda de troca de Lira com os fascistas, e Kassab as exibe como quem diz: “eu sou diferente”.

    Sobre as PECs, são duas completamente distintas: uma limita decisões monocráticas que impedem iniciativas dos presidentes dos demais poderes – com a qual concordo inteiramente. A outra é apenas mais uma afronta dos fascistas, querendo revisar decisões do STF – uma ideia característica do fascismo e nada mais, sem chance de prosperar.

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