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Blog do Franco

  • Arca do Noé e o Governo Lula.

    outubro 9th, 2024

    A avaliação do resultado da eleição municipal — ainda em pleno desenvolvimento — suscitou debates e análises acaloradas, com todos tentando decifrar o desfecho.

    Fiz minhas próprias tentativas, nas quais procurei quantificar os resultados, apurar razões, apontar vencedores e vencidos, e descrever cenários futuros. Ainda assim, sinto que o tema não foi esgotado, nem de longe.

    Hoje, me ocorreu refletir sobre a natureza do atual governo, sua política de alianças, seus objetivos e metas, tanto imediatos quanto futuros. Nessa análise, a eleição municipal apresenta uma importância desbalanceada, no sentido de que temos diferentes tipos de disputas.

    Deixando de lado os aspectos numéricos, como a quantidade de cidades, bancadas de vereadores, estados ou regiões, tudo conta em um emaranhado de resultados que alimentam especulações — todas elas parciais.

    Como já fizemos nossa avaliação, quero destacar o caráter do governo Lula. Aliás, essa característica não se manifesta apenas neste governo, mas faz parte de sua principal marca pessoal e política: Lula é um negociador incomparável.

    Não se pode analisar os resultados separando aliados como se fossem inimigos. A questão da sobrevivência política individual e a influência nas respectivas bases, onde disputam ferozmente entre si, não se confundem com a união dos vencedores em torno de um propósito maior: o governo federal.

    É de onde saem os recursos, os cargos e o poder, exercido em conformidade com acordos pessoais e partidários, em programas mínimos acordados. Apesar de todas as disputas e influências, esses acordos fazem parte do programa vitorioso nas eleições presidenciais, onde escolhemos o presidente, que escolhe seus ministros, faz suas alianças e depois governa conforme o rumo traçado, ajustando a rota conforme as circunstâncias.

    É razoável imaginar que teremos alguma acomodação nos ministérios em razão dos resultados das eleições municipais? É provável, mas acredito que o impacto será mínimo, se é que ocorrerá. A necessidade de acomodar deputados e senadores nas disputas pelas presidências das duas casas legislativas — inclusive os atuais presidentes, que vão sair — parece ser mais urgente do que uma mudança ministerial por causa das eleições municipais.

    Até porque a composição interna das casas não sofreu nenhum abalo. Curiosamente, os deputados e senadores que arriscaram disputar as eleições municipais foram praticamente todos derrotados.

    Se nada muda na composição interna das casas, exceto pelas presidências, o barco segue no mesmo rumo.

    Veja, já houve movimentação no Congresso esta semana, com a aprovação do novo presidente do Banco Central no Senado, sem grandes surpresas. Além disso, a regulamentação da reforma tributária está em andamento.

    Ou seja, apesar da retórica sobre quem ganhou ou perdeu, tudo segue praticamente como antes. E vale lembrar que ainda há disputas acirradas no segundo turno em 50 das principais cidades do Brasil, com fogos e trovoadas prontos para explodir.

    Eu, até, achei que, com exceção da situação crítica em São Paulo e de alguns outros locais onde ocorreram episódios violentos, a eleição transcorreu de maneira mais tranquila do que o habitual. A regulamentação eleitoral funcionou melhor nas ruas, enquanto a batalha se concentrou nas redes sociais. A briga agora é virtual, e descamba menos para o mundo real — mais essa.

    Então, seguimos em frente com o governo e sua base de apoio. Com exceção do PL e de parte do PP, praticamente todos que supostamente venceram as eleições continuam firmes no barco governista. Claro que fazendo contas, reivindicando mais ou menos, e sempre negociando, enquanto as incansáveis nuvens da política continuam a se mover.

    Às vezes, dizem que tudo é novidade, tudo é exasperado, tudo é definitivo, tudo é preocupante… Em parte, sim; em parte, não. O leme segue firme nas mãos do comandante Lula, o capitão Haddad continua trabalhando, e os resultados no horizonte visível.

    Se alguma coisa mudou, foi para ficar na mesma.

    Outro aspecto relevante que surgiu com a notícia do altíssimo número de reeleitos, atribuído aos recursos bilionários das emendas PIX, é fundamental para entender o momento atual e suas lições para o futuro. Se as emendas produziram efeitos positivos nas administrações municipais, não podem ser criticadas apenas pelo aspecto financeiro, que provoca uma certa concorrência desleal entre concorrentes fora e dentro dos cargos. Uma vez sanada essa vergonha de segredos e falta de prestação de contas adequadas, me parece que as emendas precisam ser encaradas com outros olhos. Parece que os moradores das cidades agraciadas gostaram, e não se pode desprezá-las, mas sim corrigir exageros e distorções.

    Outro ponto importante foi destacado pela nota do PT sobre os resultados até agora. Excluídos os votos da cidade de São Paulo e Salvador, onde o PT não lançou candidatos para compor alianças, o número de votos que poderia ser somado aos 8,9 milhões apurados em todo o Brasil poderia chegar a mais 3 milhões! Ou seja, o PT sai da eleição de 2022 com um potencial de votos totais de 12 milhões, e, se assim fosse, todas as críticas e levantamentos numéricos apocalípticos estariam reduzidos a pó.

    Sim, não é bem assim que funciona, mas mostra o raso de certas avaliações.

  • E o fato?

    outubro 8th, 2024

    Me acostumei a ler, por anos e anos, o jornalista Mino Carta e sua Carta Capital — que está comemorando 30 anos por esses dias —, sempre reafirmando seu compromisso com os fatos.

    Lembrei de Mino porque estamos enfrentando uma avalanche de mentiras, espalhadas pelas redes sociais, que vão muito além da desinformação e manipulação. Trata-se de um projeto cuidadosamente conduzido, mas que não é inédito. A grande mudança atual está em seu alcance, abrangência e disseminação instantânea.

    Mentira e manipulação não são coisas novas. Há quem diga que, em certos jornais — quando ainda eram lidos em formato impresso —, a única coisa verdadeira era a data. Todo o resto era manipulação, assessoria de imprensa, propaganda, viés político, ocultação e mentiras.

    O jornalista Roberto Marinho, fundador da Globo, costumava dizer que, tão importante quanto noticiar, é não noticiar.

    Ao nos depararmos com o bolsonarismo, que repete os métodos fraudulentos desenvolvidos nos EUA e testados, com sucesso, em guerras de manipulação por todo o mundo — iniciadas nas Primaveras Árabes e no Brexit —, fica impossível olhar para o futuro sem preocupação. Com Trump, com o próprio Bolsonaro e sua trupe de desajustados, vemos que, apesar de já conhecermos relativamente bem o cenário, ainda estamos longe de uma resposta eficaz para essa avalanche.

    O que tem sido possível fazer é entrar no jogo, desfazendo as mentiras, o que implica em se submeter às pautas impostas pelos falsificadores.

    Além disso, há uma certa infantilização na atuação política. Para equilibrar o jogo, há uma exposição excessiva: uma dancinha aqui, um pulinho ali, sorrisos demais. Tudo bem, somos todos humanos e mostrar um pouco mais de si, ainda mais para quem vive uma vida pública, não é algo tão grave. Talvez, mas a impressão que fica é que isso aprofunda a manipulação, em vez de trazer mais transparência.

    Os políticos mais jovens lidam melhor com essa situação. Mostram namorados, festas, viagens, casamentos. Promovem-se como quem vende xampu e, aos poucos, vão passando suas mensagens. O inimigo, por sua vez, rosna, mostra os dentes e, eventualmente, morde. E quando morde, faz ainda mais sucesso.

    Estamos vivendo um BBB em tempo real, onde cada um disponibiliza as imagens que lhe interessam, e a imprensa acompanha de forma acrítica, sem deixar de manter seu interesse em destacar os aspectos negativos de uns e poupar outros.

    E o resultado é este que estamos enfrentando.

    Não posso terminar sem lembrar que nosso presidente tem 78 anos e é o favorito para vencer a próxima eleição. Temos sorte por isso, apesar de tudo. Ou talvez porque a realidade ainda consiga encontrar seu caminho até a verdade, e a maioria consiga distinguir o que é melhor para escolher conscientemente?

    É o que penso.

    Ou será que, no fundo, nada mudou, e aqueles que precisam continuam escolhendo seus próprios interesses com clareza?

    A eleição municipal, em sua grande maioria, foi uma escolha paroquial, como quase sempre. As grandes questões nacionais ficaram em segundo plano, como de costume. A quantidade de “cacarecos” aumentou, os políticos estão ficando mais jovens, e há uma nova tendência em concentrar votos em celebridades das redes sociais, e não mais da TV.

    As coisas mudam, mas acabam praticamente na mesma.

    Porém, está mais perigoso, sem dúvida. Até que nos reacostumemos.

  • Rescaldo preliminar.

    outubro 7th, 2024

    Diante de uma avalanche de informações em processo de filtragem e com metade das maiores cidades do Brasil pendentes de decisão em segundo turno, inclino-me a manter a previsão de que, neste país-continente, não se pode exatamente apontar um vencedor nas eleições municipais.

    De certa forma, temos alguns vencedores e alguns derrotados. No plural.

    A vitória do PSD e também do MDB — sim, ele mesmo, aquele de sempre — se destaca, com o PSD trocando de lugar com o MDB na liderança do número total de prefeituras, deixando o antigo campeão em segundo lugar. Essa mudança fortalece Kassab no nicho que antes era dominado pelo MDB: o de forjar alianças de governabilidade. Ambos continuam a desempenhar esse papel, sem, no entanto, reunir condições de disputar a presidência da república. Isso ocorre porque falta substância a esses agrupamentos, sem identidade clara. O PSD e o MDB, em maior medida, mas também partidos como o Podemos, o PP, o Cidadania, entre outros que compõem o chamado “Centrão”, formam uma espécie de lugar indefinido, um biombo institucional para a política pragmática, focada em interesses particulares variáveis, disponível para negociações, cargos e para dialogar com quem de fato detém o poder.

    O PL e o PT são um caso à parte.

    O PL conquistou mais de 500 prefeituras e 15,7 milhões de votos. O PT 250 prefeituras com total de 8,9 milhões de votos. Contudo, ambos cresceram, embora com uma distinção importante entre eles. Enquanto PL em capitais e grandes cidades e PT mais homogêneo. PL com muitas candidaturas, PT com números modestos de candidatos.

    Antes, é preciso destacar que ainda teremos o segundo turno em metade das maiores cidades do Brasil. Das pouco mais de 100 cidades onde há segundo turno, porque têm mais de 200 mil eleitores, metade ainda não escolheu um vencedor. O PL estará presente em cerca de 20 disputas, e o PT e seus aliados em 15. Dependendo dos resultados, isso pode alterar o cenário. Porém, em parte, o grande palco já está montado.

    Concordo com quem enxerga as eleições municipais como distintas das disputas nacionais, mas também devemos observar que algo a mais começou a influenciar as eleições no Brasil — e não é uma coisa boa. Uma gente violenta e incapaz, utilizando escândalos e mentiras, por meio das redes sociais e de uma imprensa acrítica, consegue romper barreiras de comunicação e impor uma agenda que conduz uma tropa de cretinos e cretinas com enorme poder destrutivo e ameaçador. Teremos Abílio, Éder Mauro e Engler disputando o segundo turno, onde devem todos perder, mas o fato de terem chegado até aqui é muito ruim.

    É a antipolítica que os conduz, mas uma de destruição — algo ainda em gestação. Acredito que estão no auge; tinham pretensões muito maiores, estão entre os vencedores, mas ainda não têm a força necessária para retomar o cenário nacional, como pretendiam. Inclusive, o plano de alavancar futuras candidaturas ao Senado em 2026 não foi bem-sucedido agora. Estamos falando de cerca de 20% do eleitorado, o que é muito, mas não é majoritário.

    O PT vai disputar o segundo turno em 15 cidades, na maioria coligado, mas me parece que não vencerá em muitas delas. Ainda assim, foi, junto com o PL, um dos vitoriosos na eleição, aumentando suas bancadas de vereadores e prefeitos. Há uma distinção importante: o PT está renovando e rejuvenescendo seus eleitos, com muitos dos novos quadros sendo impulsionados pelos velhos caciques, que parecem estar na reta final de suas vitoriosas carreiras.

    Vamos acompanhar as decisões importantes do segundo turno que ainda estão pendentes. Além das bancadas de vereadores já definidas — o que nos ajudará a avaliar melhor o resultado —, temos então mais uma referência importante para a análise do pós-eleições municipais.

    O que mais chama a atenção e segue como maior preocupação para o futuro é desvendar esses caminhos tortuosos do fascismo, que continuam a superar a razão objetiva e a impor pautas fantasmas, sem uma resposta à altura. Não é um problema exclusivo do Brasil; trata-se de um fenômeno mundial, que ainda evolui de forma perigosa. E esse é o grande desafio, porque, com ou sem Bolsonaro, ele continua.

    Ah, o PSDB o grande derrotado, em vias de extinção.

    O Republicanos dobrou o número de prefeituras e há quem os veja mais consistentes e orgânicos que os demais partidos de direita. Vamos ver, porque o que eles tem de orgânico tem de divisão interna e tudo para explodir – no mau sentido – no correr dos anos.

  • O Coach da Lama.

    outubro 5th, 2024

    Amanhecemos em polvorosa, desmentindo uma grosseira falsificação na véspera da eleição. O autor da fraude não é outro senão aquele candidato à prefeitura de São Paulo, o mais destacado representante do fascismo bolsonarista. Tanto que é renegado até pelo próprio Bolsonaro, tamanha é a sua exagerada desfaçatez.

    Publicou um falso laudo médico, assinado por um CRM cancelado porque o profissional faleceu, impresso na clínica de um apoiador e parceiro já condenado anteriormente por falsificação. Um combo de picaretagem que só não faz estrago total porque temos as redes sociais para desmentir. Tanto que o criminoso recua e apaga as publicações rapidamente.

    Se fazem efeito, não sei dizer. Talvez o desmentido vigoroso tenha um impacto ainda maior. Mas o que deveria acontecer, e não ocorre, talvez por omissão ou lentidão, é a convivência com esse tipo de crime. Crimes previsíveis, cometidos na véspera, deveriam ser antecipados, com plantão e resposta vigorosa, imediata e proporcional.

    Aplicar multas que milionários podem pagar me parece um deboche com a democracia. Prender? Um exagero, só depois do trânsito em julgado, daqui a anos. Mas impedir que o delinquente continue participando do pleito? Isso sim seria a resposta proporcional e didática, colocando um ponto final nesse tipo de aventura criminosa e estabelecendo limites intransponíveis para uma vida democrática equilibrada.

    É o que eu penso. E acredito que essa presepada vai custar ao candidato seu lugar no segundo turno e processos intermináveis depois. E o maior favorecido será o atual prefeito.

    Em resumo, se a campanha desse criminoso foi, o tempo todo, marcada por desrespeito, ataques, mentiras e delinquência, por que não dobrar a aposta na véspera? O raciocínio dele é cristalino e coerente. A resposta, até agora, é que não é.

  • Porque hoje é sexta-feira!

    outubro 4th, 2024

    Mas não é uma qualquer, se é que existe uma. Estamos na véspera das eleições municipais, e as decisões, muitas vezes apressadas e impensadas, afetam cada vez mais nossas vidas.

    A escolha do presidente anterior revelou-se uma fatalidade histórica. Ninguém sabia que logo depois enfrentaríamos uma pandemia mortal terrível, e ficaríamos dependentes das iniciativas de um incapaz, negacionista, cercado por alucinados religiosos e militares medíocres. Foi uma escolha trágica, que custou a vida de muitos e o atraso de todos.

    Muitos dos atuais prefeitos, alguns tentando a reeleição, foram eleitos na onda negacionista, invadindo hospitais e desprezando vacinas. Faziam chacota com as vacinas chinesas. A verdade é que a maioria esconde o passado inflamado e faz cara de paisagem, tentando ocultar sua origem política e a escada do fascismo que usaram para ascender. Alguns ainda permanecem na mesma linha, prometendo combater o aborto ou proibir drogas, mentindo e sugerindo que o poder municipal tem alcance sobre essas pautas. E seguem em disputas importantes, sem nenhuma proposta, nenhum projeto, nada para ninguém além de seus grupos de interesse pessoal e restrito.

    Mas há também um retorno no ar: câmaras destruídas podem começar a repor vereadores comprometidos, antenados, capazes de preparar mudanças futuras. Acredito nisso. Em muitos lugares, o movimento de voto útil em andamento vai barrar muitas figuras conhecidas do fascismo e impedir que outras entrem no barco da política institucional. Claro que, aqui e ali, muitos seguirão infernizando, e isso não é privilégio nosso, mas do mundo em que vivemos e seus desafios.

    Mas hoje é sexta-feira, e um ambiente relaxado sugerido pelo poeta nos serve, favorece e inspira.

    A luta é contra os fascistas. Depois, vamos juntando os cacos e seguimos.

    OBS.: Continuamos na dependência de seu apoio e divulgação.

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  • Otoridade Monetária.

    outubro 3rd, 2024

    O intragável Campos Neto, pinçado da tesouraria do Santander para a presidência do Banco Central, onde, com gosto, denodo e entusiasmo, obedecia a todas as diretrizes do antigo regime, sem dar um pio, resolveu seguir na falação desenfreada, sem sentido, sem propósito, sem razão. E vem superando-se em cretinice a cada nova rodada de impropérios.

    Ontem, assumiu uma posição reveladora ao afirmar que a taxa de juros no Brasil tem que ser mais alta do que em outros países. E foi isso que esse sujeito passou os últimos dois anos fazendo, sem nenhuma razão objetiva — seja por inflação crescente ou um falso descontrole orçamentário. Repare que, a cada mês, a desculpa mudava. Ele seguiu alimentando, ora a especulação, ora a própria taxa de juros, sempre no sentido inverso da realidade e contrário às decisões do governo eleito e seu programa de crescimento econômico.

    Ou seja, em sua verborragia intolerável, o tesoureiro assume sua disfunção publicamente, mas faltou explicar seus motivos.

    E é isso que eu faço aqui.

    Há tempos — tanto que nem sei dizer quando começou — que nossas empresas, todas, vivem mais da tesouraria e da aplicação financeira do que dos resultados de suas atividades. Ou seja, até uma empresa de prestação de serviços de saúde, uma escola privada, uma fábrica de sabão, ganha mais aplicando dinheiro nos maiores juros do mundo do que em suas atividades próprias.

    Isso nos leva a imaginar como e quanto faturam bancos e financeiras em suas atividades. Essas sim ganham em cima da movimentação de dinheiro na economia.

    E ganham muito. Demais. Completamente fora da realidade. E isso em um mercado quase monopolizado, com pouquíssimas opções de bancos no nosso mercado. Ou seja, para eles o monopólio serve; para eles, a concorrência com bancos estrangeiros não serve. Verdade que, recentemente, a concorrência aumentou, com o aparecimento de fintechs, bancos digitais e cartões de crédito, mas que — saiba — tratam seus funcionários não como bancários, mas como digitadores, atendentes de call center, fazendo isso para não pagar os acordos salariais dos sindicatos dos bancos, nem cumprir com a evolução da carreira dos bancários, que têm uma história de lutas sindicais importantes. Resumindo: são ainda piores que os bancos tradicionais e precisam de enquadramento, que é mais uma das responsabilidades que o atual Banco Central não cumpre.

    Esse janeiro que não chega logo para nos livrarmos deste encosto no Banco Central… E o próximo presidente, Galipolo, que avalizou quase todas as presepadas da atual diretoria e concordou — até com explicações e argumentos — com todas as loucuras do Campos Neto. Ao assumir suas intenções maléficas, Campos Neto joga o boboca do Galipolo no fogo, que é quem vai precisar se explicar daqui pra frente.

    Coragem, menino, vai precisar.

    OBS.: Continuamos na dependência de seu apoio e divulgação.

    Novo PIX 30454964/0001-70

  • A hora do Voto útil.

    outubro 3rd, 2024

    Quem vai com raiva, frustração e ressentimento para a cabine de votação, imaginando protestar contra tudo o que está aí, geralmente o faz sem antes dar uma olhada no espelho. Não é difícil perceber o quanto a existência de um inimigo – real ou imaginário – agrega grupos heterogêneos e direciona a rejeição. Tudo é relativizado; importa mais derrotar do que vencer.

    Além das questões psicológicas, temos as objetivas e práticas. Esta é aquela semana em que a reflexão sobre a viabilidade de nossas preferências bate forte e nos exige uma decisão.

    O tempo urge.

    E, por motivos diversos – às vezes porque o candidato se dividiu, não comunicou bem, era realmente ruim ou pouco conhecido –, nossa escolha do coração não vingou. Agora, uma ou outra opção aceitável pode impedir um desastre maior.

    Sim, estou falando do doloroso voto útil, aquele que a gente vota e sai correndo.

    Chegou a hora. Há lugares em que a tomada de decisão nesse sentido é exigida, mas não vou sugerir nada. Porque o voto consciente já percebeu e não precisa de orientação – talvez de consolo.

    Vida que segue. Feliz é quem tem candidatos viáveis na disputa, quem consegue fazer uma escolha com boas chances de vitória.

    Aos demais, resta seguir em paz e evitar o mal maior.

    Antes de nós, quando nem sequer havia eleição de fato, muito menos pesquisas de opinião, existia o sentimento de “perder o voto” se o escolhido não vencesse. Ou seja, ninguém gosta de perder. A responsabilidade hoje é muito maior, porque sabemos bem o que esperar da urna – salvo as surpresas –, o que nos exige cuidado para não deixar passar justamente aqueles indesejados.

  • 51% aprovam e 45% desaprovam.

    outubro 2nd, 2024

    Embora a variação da aprovação do Presidente Lula oscile dentro da margem de erro, não deixa de surpreender a dificuldade em conquistar números melhores, sobretudo considerando a tendência de repetir seus governos anteriores, quando números próximos de 85% de aprovação eram corriqueiros.

    O que aconteceu?

    Se Lula pouco mudou e sua administração renova suas façanhas econômicas anteriores, onde está o problema?

    Sem dúvida, uma parte importante da opinião pública segue envenenada pelas acusações da operação Lava Jato. Mesmo com aqueles falsos justiceiros desmoralizados e a operação contando seus últimos dias inglórios, as consequências de tantos anos de ataques causaram um estrago de difícil reversão.

    Aos poucos, a aprovação vem melhorando. Comparado ao ex-presidente, em franca decadência e perto da prisão, a aprovação de Lula pode até ser considerada razoável. Os primeiros anos de governo são difíceis, com tantas coisas para arrumar, e sem perder de vista o seu programa, ele vem abrindo caminho em um país dividido, com um Congresso oposicionista no início e uma imprensa da pior espécie possível. Ele vai indo.

    Sinto falta também de destacar a opção “Razoável” nas enquetes; faz muita diferença e consegue captar melhor as movimentações na opinião pública com mais precisão. Essa ausência favorece um ambiente de radicalização, onde a nossa imprensa prefere atuar nos últimos tempos. Senão, vejamos, na mesma pesquisa : Positiva: 32% (eram 36%); Negativa: 31% (eram 30%); Regular: 33% (eram 30%) e Não sabem/Não responderam: 4% (eram 4%). Observe como o delocamento dos extremos para “Razoável”, ameniza a avaliação da pesquisa, podendo afirmar que 65% aprovam o governo.

    No fim das contas, a maioria segue aprovando, e essas queimadas recentes, que tentaram jogar no colo de quem faz de tudo para evitá-las e combatê-las, influenciaram negativamente os números atuais.

  • Grau de Investimento.

    outubro 2nd, 2024

    A agência de classificação de risco Moody’s elevou nesta terça-feira (1º) a nota de crédito do Brasil de Ba2 para Ba1, com perspectiva positiva. Agora, o país está a um passo do chamado grau de investimento, um selo de bom pagador concedido pelas agências, que assegura aos investidores um menor risco de calotes.

    Na história, o único período em que o país obteve selo de bom pagador foi entre os anos 2008 e 2015. A entrada ou saída do grau de investimento é definida pelas agências de risco a partir de fatores como o nível das reservas internacionais, cenário fiscal e estabilidade política.

    Alguns fundos de pensão internacionais, de países da Europa ou Estados Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de países que estejam classificados com grau de investimento por agências internacionais.

    Empresas privadas também se beneficiam da classificação, permitindo acesso com menores custos a financiamento internacional.

    Enquanto digladia com o boicote do nosso Banco Central e paga R$880 bilhões de juros nos últimos 12 meses, sem escandalizar a nossa imprensa, confrontada com anúncios dessa natureza que ameniza ou disfarça dividindo louros com as administrações desastradas anteriores e aquelas reformas destruidoras.

    Sempre observo o fato de que os consumidores desse tipo de jornalismo nunca sabe o que acontece no Brasil e muito menos no mundo. Fica perdido sem entender esse tipo de notícia, sem desfrutar do momento perdendo tempo e oportunidades. Pesquisas recentes mostram número imenso de pessoas que conseguem ver a economia do Brasil piorando, apesar de incapazes de citar um único fato nessa direção.

    Então, uma notícia excelente e em boa hora, para enquadrar a realidade e permitir melhor avaliação do eleitor no próximo domingo. Sim, prefeito e vereador tem pouco a ver com economia, mas tudo com a política e o cenário que se abre a caminho de 2026.

  • Reta final

    outubro 1st, 2024

    Vamos observar algumas cidades: BH, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.

    Em BH, a divisão entre Correia e Duda, à esquerda, permitiu que o centro e a extrema direita disputassem a vaga. Embora o número de indecisos esteja muito alto e os resultados das pesquisas sejam contraditórios entre diferentes institutos, em todos eles a divisão da esquerda foi fatal.

    Em Porto Alegre, a divisão pode permitir que o atual e péssimo prefeito vença no primeiro turno. Ao contrário de BH, não vemos tanta discrepância entre as pesquisas, mas a quantidade de levantamentos é pequena e a frequência muito espaçada.

    São Paulo, por outro lado, tem uma pesquisa quase todos os dias, mostrando variações dentro da margem entre os candidatos, que se alternam na liderança dependendo do instituto. Parece-me que Boulos segue na frente, com Marçal e Nunes disputando a outra vaga. Apesar dos pesares, a ida de Marçal ao segundo turno pode significar a vitória de Boulos, ao contrário do cenário em que Nunes avance. A rejeição a Marçal é enorme e crescente.

    No Rio de Janeiro, desde as primeiras sondagens, Paes aparece com chances de vencer no primeiro turno. Esse ainda parece ser o cenário mais provável, mas sem os números altíssimos que surgiram no início da corrida. Se ganhar no primeiro turno, será por uma margem apertada.

    No Nordeste, a notícia é que a centro-esquerda, o PT e aliados começaram a reagir e a assumir a liderança.

    Estamos quase lá e, de maneira geral, mesmo sem conquistar o Executivo, os números dos candidatos de centro-esquerda, somados, parecem indicar uma recuperação importante. A meu ver, esse é o objetivo do momento.

    Na Folha de SP de hoje. “Há quatro anos, o PT saiu das urnas com 183 prefeitos, pior desempenho desde 1996, mas cresceu por meio de migrações partidárias após a eleição de Lula, chegando 286 prefeitos. A legenda não definiu uma meta, mas quer “um resultado bem melhor” comparado a 2020, afirma Humberto Costa (PT-PE), coordenador do Grupo de Tática Eleitoral do PT.

    Ao todo, o PT lançou 29.912 candidatos a prefeito, vice e vereador nessas eleições, das quais 4.594 disputaram as eleições de 2020 em outras legendas. Os que disputaram apenas o pleito de 2022 e migraram para a sigla foram 64, totalizando 4.658 nos dois anos. No cômputo geral, a maioria dos novos integrantes veio do PSD (470), PP (468) e PDT (458).”

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