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Blog do Franco

  • A revolta das cadeiras e os EUA .

    setembro 30th, 2024
    Protesto com cadeiras em SP.

    Na reta final das eleições municipais, a expectativa é de derrota do extremismo. Hoje, a Folha trouxe uma reportagem com um resumo das maiores cidades brasileiras, aquelas com mais de 200 mil eleitores e previsão de segundo turno. A reportagem estima uma vitória parcial do bolsonarismo em 20 cidades e de candidatos apoiados por Lula em 11. Se estiverem corretos, restam mais de 80 cidades a serem divididas entre partidos de centro. Isso confirma a impressão inicial que observamos, e podemos destacar o PSD de Kassab como o atual MDB de outros tempos, um partido “bonde” onde cabem todos e cada um segue por si só.

    Esse cenário sugere um pós-eleitoral em que há espaço para todos saírem relativamente satisfeitos, e os próximos dois anos do governo Lula não deverão sofrer grandes abalos. Pelo menos por aqui. A seguir, teremos a eleição dos novos presidentes das casas legislativas, que costumam provocar maiores tremores do que as eleições municipais. Mas falaremos sobre isso depois.

    Nos EUA, a democrata Kamala Harris segue na frente. Trump recuperou um pouco do terreno perdido, embolando a reta final da disputa. Os melhores analistas, no entanto, continuam apostando na vitória democrata, o que, segundo o próprio Trump, encerraria sua carreira política.

    O fascismo, que veio para ficar, ainda não consegue reunir forças em países que governou recentemente, mostrando sua incompetência administrativa, causada pelo total desinteresse pela coisa pública. Trata-se de uma frente de interesses específicos, excludentes, composta por liberais exacerbados e fixados em costumes conservadores para angariar votos. É uma receita que funcionou por um tempo, mas aparentemente está em declínio. Manter tanta gente furiosa por tanto tempo é algo difícil, e eventualmente essa força vai se dissipando.

    Aqui no Brasil, algo semelhante está acontecendo. Embora a extrema direita ainda consiga eleger candidatos, ela já não tem aquele discurso alucinado de antes. Vive de alguns espasmos delirantes para sacudir os mais radicais, mas claramente acena para o centro político para sobreviver. Continua no jogo, mas sem a eficácia anterior. Uma última observação é que o fascismo como força politica está normalizado no Brasil e no mundo, por força das mídias novas e a da velha imprensa, e passa a ser adversário a ser sempre combatido.

    Alguns até tentaram ultrapassar a retórica extremada do bolsonarismo, mas acabaram desmoralizados por cadeiradas. A sobrevivência desse tipo de discurso parece ameaçada.

    Vamos aos votos.

  • Prévia eleitoral.

    setembro 29th, 2024

    Neste imenso país, é difícil, senão impossível, prever resultados eleitorais antecipados, sobretudo em 5.569 municípios.

    O que temos afirmado é que, de maneira geral, a expectativa do campo progressista é recuperar o terreno perdido para a extrema-direita, não obter hegemonia.

    Até aqui, podemos arriscar prever um relativo sucesso nessa empreitada, com a extrema-direita ou dividida, ou mesmo derrotada nos principais confrontos.

    É certo que a direita tradicional pode até recuperar mais espaço, reproduzindo a divisão anterior ao golpe que derrubou Dilma. Repare como esse evento é um divisor de águas, como ainda estamos vivendo um pós-golpe e tentando retroceder ao período anterior. Em todos os aspectos, insisto, nos índices econômicos, a referência nunca é o período de 2014 até 2023/2024. Foram dez anos de retrocessos, estatisticamente perdidos. Somente daqui em diante, retomando as políticas vigentes daquela época, vamos recuperar empregos, renda, inclusão social e crescimento econômico, após uma década perdida.

    Na política, segue a mesma lógica: a tendência de recuperação gradativa do espaço pelos progressivos e o recuo da extrema-direita.

    Ela (a extrema-direita) não deixa de existir porque nunca deixou de existir, apenas estava acuada, rosnando. Encontrou força e espaço para retornar com o desatino do golpe que derrubou Dilma e com a nova força das mídias sociais, capazes de fomentar o ódio e os medos que alimentam esse tipo de política. Ainda estamos aprendendo a lidar com essa terrível novidade.

    De certo modo, o desgaste do ex-mito e o cansaço das pautas extremistas estão deixando estas eleições municipais com mais cara de eleições municipais, quando as discussões giram em torno das realidades locais, com as grandes questões nacionais em segundo plano. Isso não é ruim, perceba. É importante saber lidar com a vida real das pessoas em suas localidades. Confundir grandes questões nacionais com coleta de lixo, asfalto nas ruas, iluminação e segurança nos bairros não costuma resultar em algo positivo. E isso vale para todos os lados.

    Claro que tudo entra no debate, mas alguns temas e nomes permanecem específicos e assim devem continuar.

    O resultado geral teremos na próxima semana, e poderemos avaliar melhor os cenários, mas sem cair na velha armadilha de misturar, sem maiores cuidados, os resultados eleitorais municipais com projeções para o cenário nacional. Costuma ser uma colcha de retalhos indecifrável, e agora provavelmente será o mesmo.

    E, também, isso é um sinal de melhora: sem hospitais para invadir, sem novas bandeiras de escandalosa repercussão e com um discurso já desgastado, a extrema-direita deve ganhar espaço em pequenas localidades, mas perder nas grandes.

    Sim, o centro deve sair vencedor.

  • Falso Xamã dos juros.

    setembro 28th, 2024
    Foto por Leonardo Capitanio em Pexels.com

    Na Carta Capital desta semana – cuja leitura recomendo – Gonzaga Belluzzo escreve um artigo sobre a natureza do cálculo da taxa de juros Selic praticado no Brasil. Ele não estendeu, a meu ver, a análise para outros países, embora cite James Galbraith em um contexto temporal distinto.

    Não vou reproduzir o artigo, mas o resumo está na citação: “Para o economista James Galbraith, o regime de metas de inflação não passa de xamanismo.” Por extensão, Belluzzo critica a política de juros que pretende impor disciplina.

    Belluzzo explica que o regime de metas de inflação funciona como uma espécie de “xamã indutor”, criador de um futuro que se impõe com decisões presentes.

    No entanto, ele deixou de abordar a elevação dos juros nos bancos centrais de outros países, que estão de fato enfrentando problemas relacionados à demanda, dificuldades logísticas e o aumento nos preços de commodities provocados pela COVID-19. É importante lembrar que esses países aumentaram seus juros, não exatamente para combater a inflação de custo, mas para lidar com a inflação resultante da expansão monetária necessária para manter as economias líquidas durante as quarentenas, além de financiar despesas públicas excepcionais emitindo títulos atrativos, evitando assim uma crise ainda maior. Movimento que agora invertem, todos reduzindo juros atualmente.

    Aqui no Brasil, não tivemos nada disso. Durante a pandemia, nosso governo manteve-se inerte, não financiou quase nada, só comprou vacinas após a CPI e concedeu o auxílio de R$ 600 a contragosto. O Banco Central subia e baixava juros conforme as necessidades de manipulação do câmbio, tentando atrair investimento externo, o que acabou em fracasso. Como explicamos em outras ocasiões.

    Esse mesmo Banco Central, que antes agia de acordo com a política econômica do governo anterior, agora parece abraçar o “xamanismo” de boicote, antevendo um futuro com inflação alta e crescente que não se reflete na realidade. Mesmo que os fatos não confirmem suas previsões, o BC muda o foco e ataca a política fiscal, com o apoio da imprensa financeira. De um lado, temos quem busca lucro com aplicações financeiras, e do outro, quem deseja boicotar o atual governo e o crescimento econômico.

    Em entrevistas nos EUA, durante a reunião da ONU, Lula lembrou das previsões de mercado e do Banco Central sobre o crescimento do PIB em 2023, que estavam completamente erradas. Previram 0,8%, enquanto o resultado real foi de 2,9%. E, ao que tudo indica, vão errar novamente em 2024, possivelmente em mais de 100%. No entanto, para definir a taxa de juros com base em análises futuras – aí entra o “xamanismo de resultados” – o BC mantém uma atitude arrogante e terrivelmente prejudicial, custando bilhões, quando deveria agir com extrema prudência.

    Estamos todos aguardando janeiro, quando, ao que tudo indica, uma mudança na direção do Banco Central poderá finalmente trazer algum alívio na cobrança de juros.

    Sei não… para não dizer que duvido.

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  • Na ONU, sem tirar os sapatos.

    setembro 27th, 2024

    O que nós, brasileiros, estamos começando a perceber, ainda que sem entender inteiramente, é como, aos poucos, a agenda internacional vai entrando em nossas vidas.

    E o quanto isso incomoda os acometidos pela incurável “síndrome de vira-lata”, sobretudo aqueles que entendem política externa como sendo apenas Washington, Nova York, Paris e nada mais.

    A história da integração latino-americana reflete-se em nossa indiferença quanto aos destinos dos nossos vizinhos de continente. Questões geográficas e distâncias também contribuem, já que nossa presença física entre os países que fazem fronteira conosco é irrisória, mas isso não explica tudo. Assim como entre os povos do continente africano, a política colonial de “dividir para conquistar”, fomentando falsas rivalidades ou até ódios, é fundamental.

    Nós, brasileiros, sempre nos imaginamos rivais dos argentinos, recebendo reciprocidade. Dos chilenos, bolivianos e venezuelanos, nada sabíamos. O Uruguai era sinônimo de churrasco, e o Paraguai, de muamba. E nada mais. Do resto do mundo nem preciso falar, com exceção da Europa e dos turistas ricos que poderiam passear por lá, mas sem saber nada além das fofocas sobre os antigos monarcas.

    Assim vivíamos até o operário assumir e nos mostrar um mundo diferente, desafiador e convidativo. Para comércio, viagens, parcerias, erros e acertos. O que não existe mais é a indiferença, pois agora também nos procuram e querem saber de nós.

    A primeira investida de Lula no Conselho de Segurança da ONU foi, internamente, tratada como piada, assim como praticamente todas as iniciativas do operário. De lá para cá, a história mostra quem tinha razão, pois agora quem pede nossa entrada são potências mundiais e membros do atual conselho. E quem nos impede são aqueles que sempre tentaram frear nosso crescimento.

    A diferença é que agora tudo é debatido, não sussurrado. Estamos em todos os lugares, opinando, influenciando, negociando e, cada vez mais, assumindo protagonismo com palavras e gestos. Sim, alguns equivocados.

    De repente, o mundo está diante de nós, e estamos apenas começando.

  • Cartas na Manga?.

    setembro 26th, 2024

    Estamos em época de eleições municipais, e o presidente do Brasil está fora do país em mais uma missão. Ele parece estar mais perto de colher frutos do que continuar plantando. O acordo com a Europa está quase pronto para ser assinado. Apesar das discordâncias em relação ao tratado, é preciso reconhecer a estratégia de aproximação com a Europa, o que pode fortalecer os Brics.

    O Brasil tem o apoio da França para entrar no Conselho de Segurança da ONU, um desejo antigo do presidente Lula. Japão e Alemanha também foram indicados para este novo formato. Ainda assim, tentam evitar a China, o que me parece impossível em futuras ações da ONU.

    A situação da Palestina continua crítica e é alvo de duras críticas internacionais. Rússia e Ucrânia seguem em guerra, com a retórica aumentando e até ameaças de uso de armas nucleares – uma catástrofe que deve ser evitada a todo custo.

    Lula está ocupado com uma agenda relevante. Ele voltará ao Brasil e logo irá ao México para a posse da presidenta eleita. No entanto, sinto falta de suas críticas à política monetária no Brasil, ainda sob controle de Roberto Campos Neto. Fernando Haddad, por sua vez, adia comentários sobre o tema, protegendo seu escolhido para assumir o Banco Central (BC), que continua apoiando decisões questionáveis, incluindo a recente alta de juros.

    Alguns acreditam que estamos esperando janeiro chegar para mudar a política monetária, enquanto outros pensam que estamos evitando agitação até a aprovação do novo presidente do BC pelo Senado.

    Eu, ouvindo Lula falar sobre previsibilidade na economia, imagino um BC alinhado com essa visão atual, talvez com um discurso renovado, mas mantendo os juros altos ao longo de 2025, com uma redução muito lenta.

    Veremos o que acontece.

    Creio que o preço que nossa democracia paga para ser aceita pelas elites financeiras, é como uma tributação colonial, o custo da nossa estabilidade política, uma maneira das elites controlarem o país.

    Sim, estamos melhorando, mas é sempre importante manter o foco no objetivo final: nosso dinheiro deve acumular riquezas que se traduzam em investimentos, empregos e renda. Muito ainda precisa ser feito, e somente uma mudança profunda na política monetária nos permitirá transformar o país de verdade. Até lá, todo esforço é bem-vindo e merece reconhecimento, mas é bom lembrar que ainda é parcial.

  • Prisão de fugitivos das Bets revogada.

    setembro 25th, 2024

    Não tenho ideia das provas que justificaram a prisão de vários donos de sites e apps de apostas online, que aconteceram recentemente. Suponho que sejam convincentes, principalmente por causa do risco de fuga dos suspeitos, como eventos posteriores confirmaram.

    A história da festa em um iate na Grécia, com quase todo o grupo investigado e alguns já com mandado de prisão na ocasião, além da presença do governador Caiado e do Ministro do STF Kassio Nunes, não surpreende, mas é preocupante. Uma nova classe de criminosos poderosos está emergindo, adotando um estilo de vida aceito publicamente, diferente dos bicheiros e traficantes marginalizados do passado. Esses novos milionários parecem interagir com autoridades sem problemas.

    O final desta história ainda está distante, mas o enredo já mostra sinais de impunidade no horizonte. O cancelamento dos mandados de prisão para os fugitivos não deixa dúvidas sobre o que estamos presenciando.

    É desanimador e alarmante. A relação próxima entre autoridades, agora exposta publicamente, é um passo significativo para a desordem social e confirma que apenas certos tipos de pessoas acabam na prisão no Brasil.

    Quanto às fugas, os vazamentos das operações dão aos acusados a chance de planejar seus movimentos com antecedência, o que depois é legitimado por um sistema de justiça que falha em atingir seus objetivos.

    Parece que a justiça só sabe perseguir os pobres.

  • Na Lama.

    setembro 24th, 2024

    O nível dos debates entre os candidatos à prefeitura de São Paulo tem declinado desde o primeiro, atingindo ontem um ponto que exige reflexão.

    A presença do “Coach da Lama” nunca pareceu visar a vitória. Ele sempre aparentou ter outros objetivos, com alguns sugerindo que almeja a presidência em 2026, substituindo o titular do fascismo nacional, que será impedido de seguir na carreira pela ação da justiça eleitoral. E ainda há inúmeros outros processos penais contra ele que inexplicavelmente ficaram para depois das eleições.

    Enquanto a imprensa prossegue na tarefa de normalizar a presença de fascistas violentos nas discussões políticas públicas, sem obrigação legal para isso, lembremos que o candidato em questão não se intimida e espalha sua lama para todos os lados, sem poupar nada nem ninguém. Sobretudo, ataca ideias, projetos e o próprio objetivo do debate, perdido em meio a xingamentos, violência e baixaria extremas. Talvez a busca por audiência e espetáculo oriente alguns pensamentos, o que não é propriamente um erro. No entanto, incluir a violência no debate é um erro inaceitável e deve ser evitado nos próximos encontros.

    Sem tempo de TV, com suas redes bloqueadas pela justiça eleitoral e ignorado pelos concorrentes após agressões gratuitas e constantes, restou ao “Lamaçal” apelar de vez, ultrapassando regras que ele nunca escondeu desprezar.

    Brigas e socos não deveriam surpreender, e foi isso que encerrou o triste espetáculo de ontem, com agressões entre assessores dos candidatos de direita.

    Dizem que as atitudes do extremista favorecem Nunes, pois, em comparação com o delinquente, sua posição ideológica de direita parece mais moderada. Não sei dizer se isso é verdade, mas o fato é que Nunes está recuperando o espaço perdido justamente para o extremista, que agora parece definhar e ficar de fora do segundo turno.

    Em termos numéricos, para Boulos, a disputa com o “Lamaçal” seria mais favorável, com pesquisas mostrando vitória no segundo turno. O mesmo não ocorre no confronto com o atual prefeito Nunes, onde Boulos perde por larga vantagem no segundo turno. O que realmente preocupa é a presença do “Lamaçal” na disputa, degradando a política nacional em sua maior e mais rica metrópole, sinalizando os tempos obscuros, iniciados com o golpe contra Dilma e a sequência tenebrosa de Temer e Bolsonaro.

    O Estadão de hoje prevê uma derrota acachapante do PT e de Lula nas municipais, mostrando mais uma vez o motivo pelo qual suas previsões e compreensão do Brasil são tão equivocadas. PT e Lula não estão disputando estas municipais para vencer a todo custo, mas para derrotar o fascismo, com alianças e apoios variados, devolvendo a política a um caminho mais saudável. O objetivo é afastar o extremismo do tipo “Lamaçal” e Bolsonaro, devolver um mínimo de civilidade, e sim, pavimentar o caminho para 2026, quando Lula disputará e vencerá sua última eleição.

  • Microfone Cortado?

    setembro 23rd, 2024

    De fato, o microfone do presidente Lula foi cortado durante sua fala na ONU, onde ele esteve para defender e assinar o compromisso com o futuro. O nome escolhido sinaliza uma série de ideias sobre como o mundo deveria se comportar e como as políticas nacionais deveriam ser incorporadas no que diz respeito ao combate à fome, preservação do meio ambiente e até cuidados com as mentiras e ataques contra a democracia, frequentemente apoiados por grandes empresas da internet.

    O que faltou explicar ao distinto público é que o tempo disponibilizado para todos os oradores do evento foi de cinco minutos, exatamente o tempo em que o microfone de Lula permaneceu ligado. Mas, quem conhece Lula sabe que, apesar de respeitar convenções, ele não conseguiu – ou não quis – limitar-se aos parcos cinco minutos e completou seu breve discurso logo em seguida, não sem antes concluir seu raciocínio e dar seus recados. Por sinal, bem aceitos, como já estamos acostumados.

    O documento não foi assinado pela Rússia, por motivos que não foram bem explicados – ou que, ao menos, eu não entendi. Mas o aceite dos termos do acordo foi praticamente unânime.

    Sabemos que os acordos na ONU costumam ter boa repercussão, mas uma aplicação efetiva limitada. Este provavelmente não será diferente.

    Lembrei-me da presença do ex-presidente em uma ocasião semelhante, no contexto das queimadas que atingiam o Brasil inteiro, com fumaça cobrindo estados e cidades. O ex-presidente teve a audácia de culpar os indígenas e pequenos proprietários de terras pelos incêndios. Nem é preciso destacar o alívio que sentimos ao nos livrarmos desse traste, e, de certa forma, o mundo parece compartilhar esse sentimento.

    Quanto ao microfone cortado, vi muitas discussões sobre isso, sem distinção de credo ou corrente política. Penso que entender os fatos com mais clareza pode nos ajudar a enfrentar as dificuldades do mundo e aqueles que tentam nos manipular.

    Ouvi pouco sobre as queimadas no Brasil por parte dos participantes do encontro da ONU, nem houve cobrança internacional ao nosso presidente. A questão parece mais interna, e a oposição, que antes negava vacinas e atribuía os incêndios aos indígenas, agora cobra e responsabiliza o atual governo. De fato, é um problema grave e de difícil solução, se é que ela existe. Mas, honestamente, prefiro uma oposição cobrando esse tipo de coisa do que negando vacinas, invadindo hospitais ou atribuindo incêndios às vítimas.

  • Terrorismo de Estado.

    setembro 20th, 2024

    Muito além da ênfase colocada no inédito instrumento de ataque massivo contra pessoas aleatórias e indefesas, o fato mais relevante e negligenciado é o Estado de Israel empregar métodos terroristas para atacar adversários.

    Os alvos não estavam em guerra declarada, e nem poderiam ser escolhidos de forma tão aleatória. Imagine aviões, comerciantes, shoppings, escolas, residências ou outros locais explodindo do nada.

    Foi o que aconteceu.

    Embora ainda haja especulações sobre o que exatamente ocorreu, o alvo seria o grupo Hezbollah, no Líbano. O resultado foi devastador, com dezenas de mortos e centenas de feridos.

    Israel infiltrou espiões no fornecimento de suprimentos do grupo Hezbollah, o que sugere corrupção e uma vulnerabilidade extrema. Vale lembrar que, recentemente, uma bomba explodiu dentro da residência de um oficial de alto escalão, que estava esperando o alvo por semanas ou meses.

    Eu não entendo nada de guerras, erro todas as previsões e não consigo entrar na lógica de matar.

    Faço este registro para tentar colocar as coisas em seu devido lugar: quando uma guerra é declarada, tudo pode acontecer na troca de hostilidades. No entanto, plantar bombas atingindo alvos aleatórios, sem vínculo definido, é um ato terrorista. E, quando cometido por um país, é o mais torpe dos atos.

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  • Favas Contadas?

    setembro 19th, 2024

    É inevitável continuar refletindo sobre a decisão do Banco Central de aumentar a nossa taxa de juros Selic, mirando não apenas o “leite derramado” do bolsonarista que boicota oficialmente a economia nacional. O que preocupa, sobretudo, é o que temos pela frente.

    Estamos aguardando o teor completo do boletim que acompanha as decisões do Copom e que explica as razões para tal. No resumo inicial, observamos um texto ríspido e além da própria decisão. A rigor, os 25 pontos foram poucos, em comparação com a dureza do texto divulgado.

    E já se espera um aumento de 50 pontos na próxima reunião, a última da atual diretoria, em sua maioria indicada pelo governo fascista.

    É depois que a coisa complica.

    Li uma comparação sobre a participação atual do próximo presidente nomeado por Lula — Galípolo — com um mafioso que precisa descarregar seu revólver no cadáver apresentado pelos comparsas, como um ritual de iniciação e aceitação na gangue. Porque é isso que Galípolo tem feito, não apenas agora, mas nas sucessivas omissões anteriores, e agora ao concordar com o primeiro aumento de juros na gestão Lula. De fato, ele “descarregou a arma” em nós.

    Se for assim, como ficamos em relação ao próximo Banco Central? Pessoalmente, não tenho dúvidas: eles irão continuar a atual política contracionista e o boicote ao crescimento do Brasil, porque a visão distorcida e desequilibrada da nossa realidade parece definir claramente as decisões tomadas até aqui, sinalizando uma manutenção futura dessa postura.

    Qualquer coisa diferente disso será uma completa surpresa.

    Infelizmente.

    E, daqui a algumas semanas, mais 50 pontos na taxa sacramentando a administração RCN e inaugurando a próxima de Galípolo.

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