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Blog do Franco

  • O crime eleitoral do governador de SP.

    outubro 28th, 2024

    O que pode ter levado o governador de São Paulo, o coronel do Exército Tarcísio de Freitas, a convocar uma coletiva de imprensa em meio à eleição para mentir sobre o candidato adversário, cometendo uma série de crimes eleitorais e passíveis de enquadramento penal, como injúria, difamação, abuso de poder econômico, uso de instituições para benefício próprio e disseminação de mentiras?

    Considerando que seu candidato estava bem à frente nas pesquisas e que essa liderança foi confirmada nas urnas com folga, o motivo para tal atitude me parece um mistério.

    Naquele momento, cheguei a pensar que algo não ia bem para o candidato dele, que alguma pesquisa da votação matinal havia acendido um alerta, provocando o ataque criminoso. Contudo, parece improvável que houvesse esse tipo de informação em mãos. Isso só aumenta o mistério.

    Seja qual for o motivo — e é provável que nunca saberemos —, é evidente que os bolsonaristas e seus semelhantes cometem crimes sem o menor constrangimento, confiantes na certeza da impunidade. A própria presença desinibida do chefe do grupo nas eleições, sem responder por crimes passados e notórios, mostra o tamanho do problema que enfrentamos.

    Alguém comentou que a esquerda se submete a leis eleitorais que ninguém mais cumpre, o que torna as disputas desiguais. Além disso, há a questão da liberação de verbas pré-eleitorais, que a Justiça não consegue obrigar o Legislativo a informar com clareza sobre origem e destino. São bilhões e bilhões.

    A Procuradoria-Geral da República (PGR), apesar de sua omissão em momento tão crítico até agora, parece estar se preparando para denunciar o ex-presidente em série, mantendo sua condição de inelegível e aprofundando a crise da extrema-direita, que fica definitivamente sem candidato para 2026. O centro, como já dissemos várias vezes, também não tem candidato; Tarcísio, que seria o nome mais provável, deve seguir como candidato ao governo de São Paulo e esperar 2030, se for sensato. O que, aliás, parece não ser o caso.

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  • A volta dos que não foram.

    outubro 28th, 2024

    Sempre que a brincadeira era sugerir filmes, o título acima era meu favorito.

    Isso se assemelha ao que ocorre agora, com a insistência na análise derrotista das eleições e nas previsões sobre condições políticas insuperáveis de governabilidade no Congresso. Porque a direita venceu. Sim, a mesma direita que está no governo com ministros e cargos; a mesma que acompanha o governo em 80% (ou até mais) das votações nas duas casas e, eu diria, em 100% dos projetos de maior interesse do Executivo. Ou seja, nada mudou. E por um motivo específico: eles não têm um candidato à presidência para 2026 com condições de vencer Lula. Nas palavras do presidente do PL, analisando os resultados do segundo turno, nem a extrema-direita tem candidato ou voto suficiente para vencer a eleição presidencial em 2026.

    Mais de 80% dos vereadores e prefeitos buscaram a reeleição, e 16 dos 19 candidatos à reeleição nas capitais foram reconduzidos ao cargo. A porcentagem relativa de votos mostrou crescimento numérico do PSD e do PL, embora não alcancem 10% do total nacional. Já o PT, com 5%, mostra como o lulismo é muito maior.

    É verdade que a aprovação do presidente não é lá excepcional. Desde o início, temos visto aprovação e desaprovação divididas meio a meio, apesar dos ganhos econômicos e da retomada da racionalidade na administração pública nacional. Até mesmo a modesta — porém real — recuperação do PT nas eleições municipais não empolga, embora também não desanime. Seguimos na mesma toada, com as posições relativamente estáveis e sem previsão de grandes abalos pós-eleitorais no momento.

    De certa forma, o ano já está resolvido: inflação dentro do limite da meta, em 4,5%, PIB com crescimento acima de 3%, desemprego em queda, salário médio em alta, e a discussão de cortes para cumprir o limite do arcabouço fiscal está na pauta da semana.

    Finalizar a regulamentação da reforma tributária, acertar os novos presidentes das casas e concluir o ano com essas importantes realizações é o foco atual.

    O próximo ano promete muito mais, dependendo de como o novo presidente do Banco Central agirá para destravar o crescimento e superarmos os atuais 3%.

    Sim, o ano ainda não acabou, e muito ainda pode acontecer.

    Por isso estamos aqui, atentos e tranquilos.

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  • Balança de Poder.

    outubro 27th, 2024

    Hoje, 51 das maiores cidades brasileiras concluem a rodada eleitoral municipal em segundo turno, com a previsão de resultados semelhantes aos que temos visto até agora. O grupo de extrema-direita deve conquistar cerca de 10 prefeituras, a esquerda aproximadamente 5, e a direita centrista em torno de 35. Esses números não alteram significativamente o cenário atual, mas vale destacar o estado de São Paulo, onde o extremismo tem obtido suas maiores vitórias.

    Olhando além das eleições municipais, fica evidente que o discurso extremista e fascista tem se espalhado pelo mundo. A xenofobia e o racismo crescem em países europeus; em países latinos, a religião e o messianismo ganham força; e nos Estados Unidos, uma mistura de todos esses elementos .

    Após décadas de globalização e terceirização de mão de obra asiática, que favoreceram países como a China em detrimento de outros, como EUA e Europa, a guinada econômica atual tenta reverter esses efeitos por meio de políticas de centralização, boicotes, sanções e até o uso de força militar. Esse é o esforço do Ocidente para recuperar privilégios econômicos perdidos.

    No entanto, a eficácia das iniciativas é questionável.

    Na política, o discurso fascista surge como consequência disso. Para convencer o público de que uma mudança é necessária, é preciso apontar um inimigo da prosperidade e do emprego — ameaçado ou precarizado — fora das fronteiras. Embora haja uma dose de verdade nisso, a xenofobia, o racismo e a religião são instrumentos eficazes para criar esse “inimigo”, já que essas ideologias geralmente se fundamentam em apontar adversários a serem combatidos.

    A democracia, por sua vez, segue sendo arrastada por essa maré, pois ela permite que grupos e pessoas rompam o cerco midiático e econômico, algo que não interessa aos detentores do poder. A defesa da democracia torna-se cada vez mais uma tarefa daqueles que acreditam em um mundo inclusivo, enquanto enfrentamos uma onda de exclusão.

    O que ainda não está claro nessa disputa – sobretudo para as vítimas – é que a exclusão traz consigo destruição, desmonte, concentração de riqueza, fome e guerra. Excluir é eliminar o adversário. E com isso, vão-se o mercado consumidor, a segurança alimentar, o equilíbrio ecológico, a diversidade cultural e as políticas públicas — em última instância, até mesmo o Estado. Alguns líderes, como Milei, Trump e Bolsonaro, expressam isso abertamente, mas a maioria age em silêncio. Vamos ver até onde isso nos leva.

    Os resultados das eleições municipais, aqui e acolá, seguem esse padrão. Poucos extremistas disputam abertamente; a maioria perde, mas chega perto, o que já é suficiente para causar preocupação. O centro silencioso vence e parece demonstrar um certo cansaço com a polarização fabricada, enquanto a democracia, no Brasil e no mundo, se torna uma bandeira da esquerda e da centro-esquerda. O centro acomoda-se e observa onde seus interesses podem se encaixar. A extrema-direita quer tudo para si; a esquerda precisa da democracia para existir. E o centro espera.

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  • O Veto.

    outubro 25th, 2024

    Não é segredo, apesar da discrição, que o Brasil vetou a entrada da Venezuela nos BRICS, provocando a ira dos venezuelanos — algo previsível — e também dos setores progressistas da América Latina.

    De fato, depois da escalada de declarações do Brasil sobre o processo eleitoral no pais vizinho, conselhos duvidosos e alertas, culminando com o não reconhecimento do resultado eleitoral — desde o início, um equívoco —, chegamos ao ponto máximo de barrar o ingresso dos vizinhos nos BRICS. Essa decisão pode vir a ser um grande revés para o Sul Global, que busca alternativas para enfrentar o descontrole econômico do dólar, seu uso como arma e os boicotes e sanções impostos por impérios que ainda controlam a economia global. Ou seja, foi uma decisão muito dura do Brasil, especialmente considerando que Cuba foi aceita. Assim, os critérios de seleção do nosso governo tornam-se ainda mais misteriosos. Sim, a entrada de Cuba é algo de grande importância, um fato de enorme repercussão, embora ainda pouco destacado. Contudo, em relação à participação e contribuição econômica, é inegável que as reservas de petróleo da Venezuela são incomparáveis com os modestos recursos da ilha.

    Falta-nos compreender os motivos do veto brasileiro, pois até agora nada foi explicado oficialmente, restando apenas a especulação.

    É evidente que o atual governo de Lula deu, ou está dando, uma guinada nas suas relações internacionais. Até o acordo Mercosul-UE, tantas vezes adiado e dado como morto e enterrado, segue como um objetivo reiteradamente anunciado pelo governo. A retirada do embaixador na Nicarágua também deve ser entendida nesse contexto.

    Embora ainda seja cedo para afirmar, é possível perceber que Lula se distanciou dos BRICS. Sua ausência forçada na última reunião ilustrou esse afastamento. Nos destaques da imprensa russa sobre as declarações dos líderes que participaram do encontro, não houve menção a nenhuma fala do nosso presidente, que, é preciso reconhecer, foram mais protocolares do que o habitual.

    Podemos especular, e eu me inclino a crer que nosso presidente busca manter distância do delicado momento vivido pela Rússia, envolvida em guerra, e das disputas comerciais intensas da China, optando por um pragmatismo fino enquanto aguarda o desfecho dessas disputas. Não que elas acabem um dia, mas talvez superemos a fase mais aguda. Outra atitude que me parece nova foi o alinhamento do Brasil com os EUA, mais evidente durante a crise eleitoral na Venezuela. Desde então, estamos mais próximos das políticas externas dos EUA no que se refere às Américas. No que diz respeito ao apoio à Ucrânia e a Israel, Lula quer manter distância, apesar das pressões.

    O que Lula pretende com essa estratégia ainda não está claro. Talvez ele esteja tentando isolar os radicais de ambos os países, já que eles enfrentam eleições indefinidas nas próximas semanas, enquanto nós teremos uma nova rodada daqui a dois anos. Dois anos que serão difíceis, e, se Trump vencer, muito mais desafiadores.

    Se essa posição pragmática não for permanente, parece ao menos uma tentativa de reduzir tensões enquanto aguardamos um horizonte menos turbulento. É importante lembrar que isso tem um custo, embora recaia, até o momento, sobre os venezuelanos. Não acredito que o endurecimento vá além do ponto atual, mas isso, a meu ver, depende do resultado eleitoral nos EUA. Se Trump for o vitorioso, Lula parece disposto a manter relações diplomáticas e evitar problemas futuros, mesmo que isso implique sacrificar aliados. Temos algumas semanas pela frente, e o resultado eleitoral nos EUA será decisivo. Muito, ou quase tudo que está ocorrendo, me parece vinculado a essa expectativa.

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  • Dilma, Dama dos BRICS.

    outubro 24th, 2024

    A reunião dos BRICS, que termina hoje, começou com o encontro público entre o presidente russo, Vladimir Putin, e a presidente do Banco dos BRICS, Dilma Rousseff. A sinalização foi claríssima, e os elogios foram muito além dos protocolos na sequência, com declarações de apoio à continuidade de Dilma à frente da instituição com um renovado mandato — o atual vence em abril de 2025. Isso não deixa dúvidas sobre as intenções do anfitrião da atual rodada do encontro deste grupo de países, cada vez mais relevante.

    Embora claras, essas intenções atendem a múltiplos interesses. O primeiro é coroar o trabalho de Dilma, agradar o presidente Lula, que ainda está um pouco distante do grupo, e preservar a atual direção do banco, que busca implantar um novo canal de pagamentos entre os países sem o uso do dólar. Além disso, é importante assegurar a continuidade dos crescentes financiamentos do banco e, quem sabe, superar as severas restrições impostas pelos bloqueios dos EUA ao acesso da Rússia a crédito mundial.

    Ouvi dizer que Dilma não tem interesse em continuar, preferindo passar seus próximos anos no Brasil, mais próxima da família. Dilma tem 75 anos e pode escolher seu caminho, mas também pode acabar aceitando um novo mandato. Veremos.

    A entrada de 13 novos membros está encaminhada, dependendo de reuniões e acordos futuros que estão em andamento.

    A Venezuela ficou de fora, por enquanto, assim como a Nicarágua. A ambos são atribuídos vetos do Brasil, embora não explícitos. Isso confirma a nova postura da política externa brasileira, muito, mas muito mais pragmática e pró-Ocidente.

    Essa escolha externa acompanha, a meu ver, o cenário interno, com o atual governo cada vez mais social-democrata e menos à esquerda. Lula parece estar conduzindo uma transição que considero inevitável para o futuro do PT, dada a ausência de seu grande líder.

    Sim, isso é um tema para outra ocasião, mas o bloco está em movimento.

    Quanto ao pragmatismo que envolve a atual relação com os EUA, muito amistosa, essa relação depende da eleição americana e de como o futuro presidente dos EUA enxergará o Brasil. As opções, que atualmente parecem distintas, podem não ser tão diferentes depois de resolvido o pleito. Isso depende deles e de nós. Vejo Lula se acomodando para enfrentar qualquer resultado que venha do norte. Nenhuma aresta, nenhum conflito, tudo em paz e diálogo, até acima da média histórica. Há um enorme cuidado entre as duas partes, vale notar. Que continue assim, apesar do risco de um governo Trump. Difícil? Pode até ser, mas não impossível.

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  • Chutou a porta ou foi convidado?

    outubro 23rd, 2024

    Estamos falando da surpresa com a presença do presidente Nicolás Maduro na reunião dos BRICS, que acontece na Rússia. Nosso presidente não pôde comparecer presencialmente e combinou com seus pares de participar por videoconferência da reunião principal, agendada para a madrugada no Brasil – o que provocou alegria em Putin – momento em que serão decididos os países que vão ingressar no grupo, mesmo que a partir de agora com um status reduzido em relação aos atuais membros.

    Na lista dos 13 novos países membros, entraram Cuba e Colômbia, enquanto Venezuela e Nicaragua ficaram de fora. Isso não foi por acaso, já que foram bloqueadas pela diplomacia brasileira, que a princípio não o fazia de forma explícita.

    Sobre as novas atitudes do governo brasileiro em relação a antigos parceiros do continente, como Venezuela e Nicaragua, a mudança tem sido notável, e a especulação sobre os motivos começa a provocar na mídia mundial tentativas de explicação, que, a meu ver, ainda não obtiveram sucesso.

    Até porque, internamente, pouco se tem falado sobre o tema, enquanto a mudança de atitude vai ficando cada vez mais explícita, culminando com a retirada do embaixador brasileiro da Nicaragua e o não reconhecimento do resultado eleitoral na Venezuela. Os motivos ainda não estão totalmente compreendidos nem aqui e muito menos no exterior.

    No entanto, começa a se delinear uma visão pragmática das relações bilaterais brasileiras, com maior proximidade dos EUA. É preciso reconhecer a mudança , ao menos nos EUA de Biden e Kamala, que com Trump, se for o caso no futuro, a situação me parece ainda mais incerta.

    O que mudou para o Lula atual em relação aos EUA, sem dúvida, foi a atitude proativa de Biden no enfrentamento das ameaças golpistas do bolsonarismo civil e militar, com os EUA fazendo nossas Forças Armadas recuarem dos riscos de uma aventura. Mesmo sem sabermos os detalhes, o reconhecimento imediato da vitória de Lula pelos EUA de Biden sem dúvida desestimulou qualquer tentativa de golpe e botou os militares na defensiva. No mínimo.

    O quanto isso afeta as decisões atuais do presidente Lula? Os fatos relacionados aos acontecimentos na Venezuela e Nicaragua e a reação inédita do Brasil falam por si, embora ainda não tenhamos total conhecimento dos fundamentos dessa nova posição e do que ela pode significar para o futuro.

    Enquanto ainda tateamos , Maduro resolveu aparecer na reunião dos BRICS na Rússia, onde parecia certo o ingresso da Venezuela no grupo, algo que ele anunciou várias vezes e que, sem dúvida, tiraria seu país do isolamento decorrente da falta de reconhecimento de sua vitória eleitoral.

    Com a ausência de Lula, é difícil não imaginar que a presença de Maduro tenha sido combinada com o anfitrião da vez, a Rússia de Putin, o que nos faz pensar sobre o que estão tentando. Seria uma jogada para forçar o ingresso da Venezuela nos BRICS? Uma tentativa de abrir diálogo? Uma compensação para Maduro, em vista do duro revés proporcionado pelo Brasil? Ainda não sabemos. O que é razoável imaginar é que Maduro não deve sair de mãos abanando; no mínimo, ele conseguirá as fotos que tanto precisa para exibir ao seu público interno.

    O encontro dos BRICS vai até quinta-feira e vamos aguardar mais acontecimentos.

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  • Nos EUA, embolou.

    outubro 22nd, 2024

    Se nas pesquisas nacionais Kamala mantém 3% de vantagem, no colégio eleitoral a situação nos EUA — a jaboticaba dos EUA — está empatada, com uma leve vantagem para Trump.

    O que está claro é que as eleições nos EUA estão cada vez mais desorganizadas, inseguras, instáveis, desonestas, antidemocráticas e, agora, dominadas pela ilegalidade. Ou a compra declarada de votos, com o sorteio de eleitores inscritos, oferecendo US$ 1 milhão por semana, realizada pelo fascista Elon Musk — principal apoiador de Trump — tem outro nome? Parece coisa do Brasil dos coronéis, com o famoso “voto de cabresto”, onde se prometia uma parte antes das eleições e o restante depois, caso o candidato fosse eleito. Inacreditável.

    O eleitorado de Kamala parece desanimar no momento, enquanto Trump avança nos estados decisivos. Mesmo com um cenário de empate, ele pode ser considerado o favorito no dia de hoje. Há quem diga que existe um voto envergonhado a favor de Trump, mas, entre a equipe de campanha de Kamala, ninguém perde o ânimo, e todos continuam firmes na tentativa de retomar a liderança.

    Falta pouco, o empate parece consolidado, e, na hipótese de Kamala vencer, a confusão estará armada e retornará com força. É verdade que Trump já não dispõe mais das forças institucionais que tentou usar na eleição anterior, mas sua determinação em contestar e rejeitar os resultados dobrou.

    Isso nos dá a certeza de que haverá muita confusão, especialmente nas semanas de apuração.

    Fica a dúvida se a ONU, a Comunidade Europeia e até mesmo o Brasil reconhecerão a vitória do vencedor diante das atuais condições de compra ilegal de votos. Sem falar na tentativa de golpe no fim do mandato do Trump, que, a meu ver, deveriam impedi-lo de tentar agora livremente uma nova oportunidade.Pelo menos, deveríamos exigir e verificar as atas de votação.

    Ou não?

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  • Cumprir a meta fiscal e seguir em frente.

    outubro 22nd, 2024

    Nada mais improdutivo do que rediscutir as bases em que foram assentados os limites do Arcabouço Fiscal e os prêmios e castigos estabelecidos no cumprimento ou não das metas.

    Relembrando que, para 2024, o limite de déficit é de 0,25% do PIB, e estamos agora, em outubro, segundo Haddad, com um déficit de 1%.

    Para 2024, o teto do limite é de 2,5% de crescimento real da despesa. No entanto, se o montante ampliado da despesa, calculado dessa forma, for maior que 70% do crescimento real da receita primária efetivamente realizada em 2024, a diferença será debitada do limite para o exercício de 2025. Caso o resultado primário fique abaixo do limite mínimo da banda, o crescimento das despesas para o ano seguinte cai de 70% para 50% do crescimento da receita. Essa mudança, no entanto, só valerá a partir de 2025.

    Então, estamos na véspera de fechar o ano com um déficit de 1% ou 0,25%, dependendo mais de segurar despesas do que de aumentar a arrecadação, nessa altura do campeonato. E apesar de seguidos recordes na arrecadação, que acabamos de repetir em setembro.

    E, observe, precisamos segurar cerca de R$5 bilhões agora, cumprindo a meta do Arcabouço, para liberar cerca de R$ 50 bilhões a mais em 2025.

    É importante destacar que, em 2024, asseguramos um crescimento de mais de 3% do PIB, talvez um pouco mais. Assim, podemos afirmar que o ano de 2024 está ganho, e a prioridade é assegurar o mesmo crescimento em 2025. Os R$ 100 bilhões a mais serão imprescindíveis para essa nova conquista.

    Tudo certo e explicado, mas agora falta saber onde será feito o corte. E não pode ser na despesa obrigatória; os juros astronômicos e em crescimento por conta do Banco Central nem entram no cálculo do déficit primário, por conveniência do financismo e vergonha nossa.

    Esses são os fatos. O anúncio ficou para depois das eleições, por motivos óbvios, e a faca vai para cima do BPC e do seguro-desemprego, aparentemente.

    Pode até ser que haja gordura aí para queimar — até acho que tem. Mas é preciso reconhecer que só estamos conseguindo cortar do lado mais fraco, enquanto se anuncia imposto de renda para bilionários no futuro.

    É isso. As eleições municipais não afetaram a correlação de forças, mas fizeram o Centrão sonhar, o que não ajuda em nada na promoção de justiça fiscal e social no Brasil.

    Reclamar pode, só não pode esconder ou ignorar a realidade.

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  • A guerra no Banco central.

    outubro 21st, 2024

    Vou começar comentando um texto que circula em sites especializados em economia e finanças, onde o autor prevê Gabriel Galípolo na presidência do Banco Central mantendo a atual política contracionista. Isso porque o mandato dele só dura quatro anos, e, depois, ele vai precisar seguir sua carreira. Se ele se queimar com o mercado e não cumprir o “script” de manter os mais altos juros do mundo, terá dificuldades em sua trajetória profissional, explica o sujeito.

    Uma ameaça mais explícita do que essa, desconheço.

    Mas vale o registro.

    De fato, no novo Banco Central, travar-se-á a grande batalha dos próximos dois anos. Não há ajuste fiscal que dê jeito para segurar a trajetória da dívida pública pagando os mais altos juros do mundo. Enquanto o governo revisa o BPC, corta investimentos e praticamente paralisa o orçamento para cumprir sua meta — não sem um objetivo, que explico em outro post — economizando, nesse esforço tremendo, uns R$ 25 bilhões, uma queda de 0,25% na taxa Selic realiza o mesmo trabalho sem nenhum esforço adicional ou maiores consequências.

    Ou, melhor dizendo, com uma importante consequência: o câmbio.

    Não é segurando o investimento com juros altos que o boicote do atual Banco Central tem afetado o programa do governo. Sim, os juros atrasam investimentos, mas, a curto prazo, serviriam para segurar o câmbio, ajudando no combate à inflação.

    Mas o câmbio está totalmente descontrolado. Não está explosivo, pois não há nenhum motivo para isso, mas está estranhamente volátil, com variações bruscas e alto demais para o estágio atual da nossa economia, mesmo com ingressos de moeda estrangeira sobrando e não faltando.

    O mal maior do atual Banco Central, além da Selic, é deixar o mercado financeiro manipular os juros futuros de forma livre, puxando as taxas atuais para valores irreais e especulativos, prejudicando o combate à inflação, que o BC deveria promover, não boicotar.

    A nomeação de Galípolo ameaça esse jogo especulativo alucinado. Ao menos, espera-se maior racionalidade de Galípolo em relação ao BC atual, o que provoca calafrios e obriga os arautos do financismo a ameaçarem publicamente, sem nenhum receio, o futuro presidente do BC.

    Veremos o que veremos.

    Mas não coloco minha mão no fogo, quero ver o resultado e crer.

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  • Semana dos Brics

    outubro 21st, 2024

    “Neste encontro, que será o primeiro com a participação dos novos membros, os chefes de Estado devem debater pautas como a entrada de “países parceiros”, a crise no Oriente Médio e a cooperação política e financeira entre as nações do bloco, conforme informações do Itamaraty. A presidência do Brasil, que deveria ocorrer em 2024, foi adiada em um ano devido ao comando do país no G20, também realizado neste ano. Em 2024, a presidência ficou a cargo da Rússia, e o Brasil retomará o comando em 2025.” ( Fonte : Brasil247)

    Naquele que seria o maior encontro do Sul Global das últimas décadas, segundo alguns, o nosso presidente terá que participar por videoconferência, porque sofreu um acidente doméstico que o impediu de comparecer fisicamente.

    Outros temas importantes, já anunciados, também são aguardados com expectativa. Um deles trata do novo sistema mundial de pagamentos em substituição ao SWIFT dos EUA entre os membros do BRICS, com a consequente liquidação em moedas nacionais, eliminando a mediação do dólar. Além disso, discute-se o ingresso da Venezuela como membro parceiro.

    Dilma participará como presidente do banco do grupo, que, sob sua gestão, recebeu cuidados especiais. A atualização dos programas e investimentos realizados revela, com destacada importância, o estágio de crescente integração.

    O BRICS não é uma OTAN, não é um bloco econômico autônomo, nem uma ONU paralela, mas sim a voz do Sul Global, que cresce e caminha para conquistar protagonismo no mundo real, ainda em busca de um espaço proporcional nas decisões mundiais.

    O Brasil, sob o governo de Lula, faz sua parte no processo de integração. As recentes dificuldades com Venezuela e Argentina impediram o restabelecimento de uma maior integração em nosso continente, mas isso pode ser compensado com o fortalecimento dos BRICS, o que parece ser o caminho a curto prazo.

    Lamentamos a ausência de Lula. Ele estaria à vontade no encontro, e certamente sua falta será sentida.

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