De volta a Brasília!

A cena política de Brasília recomeça, como previsto, com as mesmas temperaturas e pressões. Quem andou falando mais do que o normal, talvez entusiasmado com o resultado da votação de seu partido, o PSD, foi Gilberto Kassab. Ele fez uma declaração na segunda-feira dizendo que Tarcísio não deveria concorrer contra Lula em 2026, já que o petista é o favorito. No entanto, na terça-feira, Kassab relativizou a previsão, deixando a decisão para Tarcísio e sugerindo Ratinho Junior como candidato alternativo do seu partido. Hoje, ele já não falou coisa com coisa, e amanhã só Deus sabe o que dirá. Segundo alguns, Kassab é mais eficaz em silêncio, agindo nas sombras e nas brechas. O entusiasmo atual deve passar, e ele voltará ao normal em breve, afirmam.

Mas, enquanto Kassab fala, aproveitamos para ouvir suas opiniões, pois ele não está tratando apenas dos futuros candidatos à presidência da república, mas também da disputa atual pela presidência das duas casas legislativas. E, ao falar, enviou recados e confirmou algumas impressões que já sugerimos em posts anteriores.

Primeiro, ele deixou claro que o equilíbrio entre os poderes executivo e legislativo não mudou; os resultados das eleições municipais não afetaram essa relação. Segundo, ele manifestou sua intenção de atrair o governo para eleger seu candidato à presidência da Câmara, que concorre contra o escolhido do atual presidente, Arthur Lira. Dizem que a Câmara está dividida entre os candidatos, e o fiel da balança será o PT. Imagine!

Kassab não escondeu que está tentando atrair o PT para o seu lado, ao atribuir, por exemplo, as votações na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) que buscam limitar o STF. Segundo ele, essas votações vão, sim, para o plenário, e são patrocinadas por Lira, que está em campanha para eleger seu sucessor e faz acenos para a grande bancada do PL.

Para completar, Kassab não crava nem a tão falada vitória de Alcolumbre na outra casa legislativa, o Senado, deixando tudo sempre no ar, pendente de negociações – sua especialidade.

O que lhe falta para voos maiores é a total ausência de carisma e simpatia. Ele é um grande quadro da política, mas é bom exatamente naquilo que faz: articular nos bastidores. Kassab é como um Renan Calheiros, mas com base em São Paulo, o que lhe confere potencial influência sobre uma vasta base parlamentar. Não que a domine, mas sabe usar e expandir sua influência, liderando um partido que, aos poucos, substitui o MDB nas principais jogadas nacionais e engole o PSDB, que está em vias de extinção.

Quanto a disputar a presidência, apesar de oscilar nas entrevistas, Kassab parece confirmar o plano de guardar Tarcísio para 2030, no pós-Lula.

Perceba que Kassab e Bolsonaro não se dão bem. Enquanto Bolsonaro tem aversão à negociação política, Kassab é um dos mestres nesse campo. Mesmo assim, ele quer Tarcísio para si.

Brasília retoma sua rotina, todos aguardando os resultados do segundo turno, mas com os olhos já voltados para 2026. Kassab colhe os louros e se apresenta como vitorioso, tentando emplacar seu candidato na presidência da Câmara, contra Lira, com o apoio do PT.

Em todo caso, essas PECs contra o STF são a moeda de troca de Lira com os fascistas, e Kassab as exibe como quem diz: “eu sou diferente”.

Sobre as PECs, são duas completamente distintas: uma limita decisões monocráticas que impedem iniciativas dos presidentes dos demais poderes – com a qual concordo inteiramente. A outra é apenas mais uma afronta dos fascistas, querendo revisar decisões do STF – uma ideia característica do fascismo e nada mais, sem chance de prosperar.

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