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Blog do Franco

  • A culpa era do mordomo?

    setembro 11th, 2025

    Todos fomos surpreendidos com a interminável ladainha do voto do Fux, que havia indicado retomar a questão vencida do foro no STF e do julgamento na primeira turma. Era sabido, mesmo que tenha gasto intermináveis horas para insistir em temas já superados.

    O que ele fez em seguida — inocentar a todos os acusados de tentativa de abolição do Estado de Direito, menos o ajudante de ordens da turma, o coronel Mauro Cid e o Gen Braga Neto— me pareceu uma punição justamente àquele que, com a delação e os dados recolhidos do seu celular, permitiu à PF e à PGR seguir as provas dos crimes cometidos por todos os acusados. O General entra na roda por outro motivo.

    Pior é que Fux participou de mais de mil julgamentos dos bagrinhos furiosos que depredaram a Praça dos Três Poderes no fatídico 08/01, sem contestar foro e acompanhando o voto de condenação na turma.

    Quando chega a hora de julgar os verdadeiros responsáveis pelos crimes, todos, decide condenar somente o ajudante de ordens do chefe da gangue.

    O que dizer?

    Seguimos com os votos de Cármen Lúcia e de Zanin, que selam o destino dos criminosos.

    Quanto ao voto de Fux, vai se somando à sua participação no julgamento da Lava Jato, onde posou de punitivista, mas que, diante de suas decisões de ontem, entendemos que toda sua fúria tem alvo: pobres coitados, ajudantes de ordens e petistas.

    Lembrando que o mesmo Fux, garantista extremista de hoje — que vê crime na conduta do ajudante de ordens, mas não em quem deu as ordens — condenou o ex-presidente Lula por atos indeterminados!

    E veja: condenou um ajudante de ordens por tentativa de abolição do Estado de Direito. Com que poder? Para benefício próprio?

    O fato de condenar o general Heleno por financiar a tentativa de assassinato no plano conhecido como “punhal verde e amarelo” só confirma sua intenção pusilânime: concorda em punir o general apenas para agradar (ou não desgraçar de vez) sua relação inter compus, ou seja, manda o general Braga Netto às favas para preservar um mínimo de espaço interno na corte, e nada mais que isso.

    Tudo que fez fica registrado no livro da infâmia nacional.

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  • In Fux we trust.

    setembro 10th, 2025

    A máxima definição sobre Fux ficamos sabendo através dos vazamentos das conversas entre os procuradores da Lava Jato, quando faziam suas interlocuções para antecipar a posição de cada um dos ministros nos julgamentos futuros dos inúmeros processos.

    Que foram feitos naquela base que todos conhecemos, com o resultado final desastroso, igualmente conhecido e sabido.

    Havia quem, durante aquela inquisição, já antecipava o destino trágico daquela montanha de crimes praticados pelos lava-jatistas. A posição do ministro Teori , cujo desaparecimento abriu as portas para os crimes da turma, e Lewandowski, que nunca se dobrou à fúria dos manipuladores criminosos da Lava Jato.

    E não foi por acaso que Dallagnol sai da conversa com Fux exultante e informa aos colegas sua impressão: o ministro Fux é um punitivista por princípio, daqueles que atira primeiro e pergunta depois.

    De todos os ministros da Suprema Corte, é disparado o que não concede habeas corpus para nada e ninguém. Quando seu nome aparece no “sorteio” de pedidos assim, o pobre requerente pode jogar suas esperanças no lixo.

    Então, o que se anuncia para daqui a pouco é uma presepada sobre o local de foro, porque queria mandar o processo do Bolsonaro para instâncias inferiores, uma vez que deixou o cargo — tese vencida na Corte —, e vai repetir a ladainha sobre julgamento na turma e não no plenário — outra ladainha vencida.

    E, quanto às acusações, vai seguir o relator e condenar.

    E depois vai discutir sem parar na hora da dosimetria dos crimes para reduzir.

    Por quê?

    Só pode ser saudades do Mickey. Ou do Pateta? Que, segundo o ministro Dino, anda aparecendo muito mais ultimamente?

    Decidam. Cartas para a redação.

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  • O caminho para a pacificação do Brasil. ( segundo eles)

    setembro 9th, 2025

    Vou me valer de uma cena do filme “Missing” (1982), do diretor Costa-Gavras, quando o pai do jornalista norte-americano “desaparecido” durante o golpe de Estado de Pinochet, no Chile, confronta o embaixador de seu país pelo apoio ao regime que se instala. Olhando através da janela para o jardim imenso do terreno cercado da embaixada e não vendo uma alma viva, volta-se na direção do embaixador e pergunta: “Se isso vale a pena?”. O embaixador entende o que ele quis dizer e responde: “Não se pode ter as duas coisas”.

    Sempre ouvi Lula explicar que democracia não é um pacto de silêncio, mas exatamente o oposto. Quem insiste em pacificação, na maioria das vezes, só pretende silenciar um dos lados — obviamente, o de quem reivindica e luta por mudanças.

    Não existe isso de pacificar e silenciar, obviamente dentro das regras e dos limites impostos pelas leis, sobretudo a Constituição. Respeitados os direitos de todos, o livre direito à manifestação e a luta por mudanças são o motor da sociedade que avança, e o conflito é necessário e indispensável.

    Guardados os limites constitucionais, repito.

    Então, os bolsonaristas podem ter seu lado na disputa, e quando ultrapassarem as regras, devem e serão enquadrados, na força e na proporção do dano que ocasionam. Nem mais, nem menos.

    Nesse sentido, o julgamento histórico da semana é nosso maior exemplo de como esses limites, pela primeira vez, começam a valer para todos.

    Enquanto isso, os arautos da terceira via insistem na pacificação como um objetivo necessário, que tentei mostrar que não é e nunca foi. O ruído é necessário, e quem propaga o silêncio pretende obter para si o mando, impor falsos ideais e forçar a presença de uma falsa solução para manter tudo exatamente como está, porque lhe é favorável.

    Respondendo ao título: pacificar é enfrentar as injustiças, distribuir riqueza, cuidar do meio ambiente e das pessoas, começando pelo mais desfavorecido.

    O resto é silêncio — a paz dos jardins de embaixadas de golpistas assassinos.

    A imagem que ilustra o Post reproduz no filme os presos políticos do regime de Pinochet, levados a força para as arquibancadas do Estádio Nacional por ser o único lugar onde cabiam todos eles.

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  • Do Beija-Mão ao Golpe de 1964: Lições que Insistimos em Esquecer.

    setembro 9th, 2025

    A imagem que ilustra o post é do deputado Otávio Mangabeiras beijando a mão do então general Dwight Eisenhower, que mais tarde seria eleito presidente dos EUA. O fato se deu quando da visita do general ao Brasil, em 1946.

    Nem é preciso explicar o que essa expressão de um colonizado mental significou para a nossa história: exemplo de submissão de uma certa parcela da nossa classe dirigente, que culminou, anos depois, no apoio dos EUA a um golpe militar assassino que nos atrasou como povo e país.

    Lembrei desse fato ao ver a bandeira dos EUA carregada por dezenas de bolsonaristas na Avenida Paulista, em São Paulo, no dia da comemoração de nossa Independência. Supõem, exatamente, a renovação de um certo tipo de submissão colonial que a data deveria nos lembrar de evitar para sempre.

    Como parece que, entre nós, ainda há quem prefira beijar as mãos de salvadores estrangeiros, que continuam a nos oferecer espelhos em troca de ouro, vale a pena registrar essa nova vergonha histórica.

    E quanto à bandeira na avenida, é preciso descobrir quem pagou, quem levou e onde ela está guardada. Pode existir, por trás dessa empreitada, um novo “beija-mão”. Porque, de improviso e burrice, o fato não tem nada.

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  • A derrota anunciada.

    setembro 8th, 2025

    O sete de setembro bolsonarista foi um abandono das ilusões e atos desesperados, sabedores de que o chefe da quadrilha está no fim e o novo ungido não apareceu.

    Não se deixem enganar pelas aparências nem pelo discurso golpista, autoritário e criminoso do governador de SP, Tarcísio de Freitas. Apesar de abraçar publicamente as teses da família e se lançar na frente do golpismo, não convence ninguém do lado de lá e segue como um traidor em busca do voto alheio. Assim é considerado pela maioria dos que comparecem nos atos em SP e ignorado nas demais cidades onde promoveram suas tradicionais micaretas golpistas.

    Dessa vez, micaretas antipatrióticas, porque a bandeira do Brasil está nas mãos do governo Lula e lhes restou abraçar a dos EUA. Maior demonstração de aniquilação cultural e rompimento com a história, sem falar na falta de patriotismo no dia da nossa independência, mostra que os seguidores de Mickey e Pateta são caso perdido. O que, de minha parte, nunca duvidei.

    Mas em termos práticos não ficamos na mesma. A retomada dos valores nacionais pelas mãos de quem de fato sempre os defendeu, a esquerda nacionalista, terá consequências eleitorais, somando valores e votos aos candidatos realmente empenhados em melhorar o Brasil, e não os EUA. E o discurso golpista atacando as instituições, que seria a exigência a Tarcísio por parte da milícia bolsonarista, se a ele pouco acrescenta, muito retira, porque isola o governador de SP no nicho radical fascista de onde precisaria escapar para ter alguma chance eleitoral nacional. Além de perder a interlocução institucional com o STF, onde fingia tentar dialogar. E vai ser tratado como um criminoso em potencial, porque nem é preciso puxar tanto da memória para lembrarmos que Bolsonaro mesmo começou seu desatino em comícios de 7 de setembro e está onde está. Tarcísio perigosamente ultrapassa limites que o colocam na mesma direção do chefe do bando criminoso — e isso já lhe foi dito pelo ministro Gilmar ainda ontem, logo após a manifestação.

    Mas eles que se virem com a sequência de crimes que promovem, porque nada têm a oferecer além de ameaças , roubo, crises econômicas e pobreza para a maioria.

    Perceba que o exemplo Milei, consagrado nos jornais da mídia nativa e na visão turva dessa gente, daqui em diante desaparece como se nunca tivesse existido. A derrota eleitoral do doidão argentino em Buenos Aires ontem e os prognósticos de derrotas na sequência em outubro fazem da proximidade com o fracasso uma péssima companhia para essa turma.

    E, não tenham dúvidas, Bolsonaro, mesmo condenado, não abrirá mão de inscrever seu nome no TSE no ano que vem, e ainda deve colocar de vice a mulher ou um dos filhos. Flávio, porque o Eduardo, se botar os pés por aqui, vai preso.

    E penso que até em SP a reeleição de Tarcísio começa a naufragar, porque seu flanco pode ser acossado por nomes como Alckmin ou Haddad, e a hipótese de lançar a alternativa Kassab ao cargo é arriscadíssima para eles.

    Observe como existe uma possibilidade crescente de os partidos populares recuperarem, se não os executivos estaduais, ao menos recompor em melhores números as bancadas na Câmara e no Senado, melhorando a correlação de forças para o próximo mandato do presidente Lula.

    O sete de setembro foi uma importante vitória, em simbolismo, discurso e sinais para o futuro. A direita sem candidato e sem rumo se desespera e, sem nada a oferecer, caminha para a derrota.

    Vamos ver a imprensa minimizar a fala de Tarcísio e apostar em arranjos mirabolantes de acordos entre bolsonaristas e centrão. Sonham com acordos inexistentes e em normalizar golpistas desesperados e sem votos como personalidades legítimas e não ratos, como os próprios filhos do chefe os chamaram.

    Há quem prefira os ratos, mas para perder — e quanto a isso não fazemos objeções.

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  • A Argentina quebrou. E levou o seu povo junto.

    setembro 6th, 2025

    Vou apenas deixar o link, sem mais comentários .

    https://www.pagina12.com.ar/855468-el-plan-economico-mas-loco-del-mundo

  • O avesso do avesso do avesso.

    setembro 5th, 2025

    A movimentação na semana do julgamento do governador de SP, Tarcísio de Freitas, agitando a bandeira da anistia para golpistas, foi e continua sendo uma iniciativa eleitoral, muito mais que qualquer outra coisa.

    Que eles têm números na Câmara para aprovar tal insanidade não é bom duvidar. A atual Câmara ainda é o retrato do golpe de 2018 seguido do bolsonarismo, e ali se tenta prolongar ao máximo certas tendências que começam a mofar.

    Tem muitas personagens girando sobre o tema que, embora concorrendo com a pauta do julgamento, conseguem atrair atenções.

    Tarcísio quer os votos do chefe. Atacado pelos filhos e chamado de rato, precisou apelar para afrontar o STF e a Constituição, a fim de agradar os milicianos. Certamente combinados entre si e com a bancada, fizeram barulho e receberam, em troca, manifestações negativas por parte do Senado e do STF, além do anunciado veto do presidente Lula. Todos, em seus respectivos mandatos, avisam que a coisa não vai. Na Câmara, apesar da aparente maioria para aprovar, Mota faz jogo para ganhar tempo enquanto ouve a proposta ser bombardeada de todos os lados, na expectativa de que, mais uma vez, o balão caia por terra.

    É o que provavelmente vai acontecer. Mesmo que o trauma das duras condenações provoque reação nas fileiras dos fascistas, que se sintam chamados a dar uma resposta, a impossibilidade de sucesso sugere intenções além das tentativas sabidamente inviáveis, porque miram a eleição e o apoio dos votos do Bolsonaro.

    Talvez Tarcísio, além da esperança nacional, esteja percebendo crescentes dificuldades na base do estado. Sem lutar como faz agora pelo chefe, pode estar perdendo muito mais que uma possível candidatura nacional; até a reeleição em SP passaria a correr riscos sem os votos dos extremistas. O que o obrigou a sair a campo e promover o teatro da anistia.

    Quando vi essa montagem que ilustra o post, pensei que as posições de Bolsonaro e Tarcísio, na verdade, estariam invertidas: o governador tentando manipular o chefe para receber reconhecimento e os votos. Mas o mais verdadeiro é imaginar que ambos manipulam o cenário, porque, na hipótese provável de Tarcísio fracassar em obter a anistia, qual será a reação do Bolsonaro? Vai ungir a tentativa fracassada ou acionar o filho para manter o sobrenome vivo e os votos?

    Enquanto um tenta a anistia da prisão, mas mantendo a inelegibilidade, o outro promete apoio — mas nada garante que cumprirá.

    As pesquisas mostram que a disputa em segundo turno será apertada em qualquer hipótese, embora Lula siga favorito em todas elas. E, nesse caso, o que interessa ao centrão e às bancadas fascistas é disputar para assegurar números suficientes e manter a relevância.

    A pancada que será a condenação dos golpistas ainda está por ser conhecida. É natural que, no primeiro momento do revés, a tendência seja reagrupar a tropa duramente atingida. Mas, com o tempo, a razão de alguns pode trazer a realidade, e a tendência é a dispersão.

    E não esquecer que o julgamento do crime de tentativa de golpe de Estado é o primeiro. Ainda faltam os crimes na pandemia, o roubo das joias, a falsificação de cartão de vacina etc. A porteira está apenas sendo aberta.

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  • Acordo UE e Mercosul no Forno.

    setembro 4th, 2025

    Após mais de 20 anos, Comissão Europeia valida acordo com Mercosul; texto agora vai para países- membros

    Expectativa é que aprovação final, que precisa de maioria simples, saia até o fim do ano. França sinaliza apoio após inclusão de salvaguardas agrícolas

    Gastamos muitos textos sobre esse acordo que nunca chegou ao ponto de aprovação, como parece ter chegado. Tem muita gente boa crítica ao acordo, por motivos importantes, como a abertura de nosso mercado para concorrência com grandes empresas europeias e o risco às posições de nossas empresas industriais, em troca de produtos nacionais de menor valor agregado, como commodities. Vamos guardar o texto final do acordo, que ainda está sendo costurado, mas temos a destacar outros pontos, sobretudo nessa quadra do comércio internacional.

    O ataque de Trump ao Brasil nos obriga a buscar compensações e reforçar os BRICS, com China, Rússia, Índia, África do Sul e demais países. Esse movimento é nossa saída histórica, com potencial de mudanças estruturais definitivas na nossa indústria e produção agrícola sustentável, porque os BRICS têm sido um espaço de discussão de avanços bilaterais e não somente uma troca comercial. Economia sustentável e interesses mútuos, multilaterais, são expressões e objetivos abandonados pelos EUA e exigidos de seus parceiros na mesma proporção.

    Em que pese as críticas ao acordo com a UE, não resta dúvida de que os europeus não fecham os olhos e nem os bolsos para nenhuma dessas pautas progressistas — nem ecológicas, nem sustentáveis, nem verdes, nem bilaterais. Se andam fazendo concessões aos EUA é porque, além destes, outros interesses movem os acordos, inclusive de defesa e produção de armas.

    Como não temos nada disso — ao menos por enquanto, e que assim permaneça —, ao Brasil interessa romper o cerco isolacionista que os EUA tentam impor, inclusive abrindo grandes mercados para substituir as perdas recentes no comércio impostas pelas tarifas.

    Então, nosso acordo com a Europa muda de tom e importância, inclusive para os europeus que, ao movimentar acordos bilaterais, mantêm acesa a chama do comércio internacional e olham para um futuro não tão distante, onde Trump terá passado.

    Os acordos desse tipo ultrapassam barreiras de todos os tipos: ideológicos, materiais e culturais. E, no momento atual do mundo, são uma afirmação do diálogo e da parceria, contra o isolacionismo e a ganância predatória, irresponsável e destruidora.

    Vem em boa hora e é uma vitória da nossa diplomacia e do governo Lula.

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  • Federação de araque?

    setembro 3rd, 2025

    Ontem, PP e União Brasil anunciaram o desembarque do governo Lula, de onde nunca entraram e não saíram.

    Explico.

    Como todos os demais partidos do centrão, menos o PL que é bolsonarista, eles vivem de caciques e interesses regionais para eleger bancadas e precisam sempre estar associados a um nome nacional, aqui e ali, sempre — não necessariamente o mesmo.

    Explico.

    Em um estado apoiam o Lula e, no outro, o seu adversário. E vice-versa.

    E vão elegendo bancadas para manter o poder de fogo nas decisões legislativas e no rateio das emendas.

    Além de ministérios e cargos nos segundos e terceiros escalões da República.

    E sempre foram e sempre serão assim.

    Quem, na verdade, anunciou rompimento foram os líderes Rueda e Nogueira, dando 30 dias para ministros entregarem os cargos, sem que os mesmos tenham dito nada até agora.

    O mesmo com o cacique Arthur Lira, do PP, que tem entre indicados o presidente da Caixa.

    A ministra Gleisi reagiu à decisão ensinando: joga o jogo, fica quem quer e sai quem quiser. E vida que segue.

    As apostas andam se inclinando cada vez mais para a reeleição de Lula, e pular do barco precipitadamente pode ser fatal.

    Ninguém mais que o centrão sabe disso.

    Toda essa movimentação, inclusive da mais nova tentativa de anistia na pauta, é fruto do estresse do julgamento e do interesse na herança do Bolsonaro.

    Com um problema: não existe herança para defunto vivo.

    Olho vivo, Rueda e Nogueira!

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  • O (outro) golpe (em vão) da anistia.

    setembro 3rd, 2025

    A movimentação do Centrão e do governador Tarcisio de Freitas para pautar a anistia durante o julgamento dos golpistas é chorume das eleições do golpe contra Dilma, da vitória de Bolsonaro em 2018 e do próprio Centrão no Congresso em 2022. Muitos ali foram eleitos na base da mentira, das propostas infames e do ressentimento típico dos fascistas.

    Mas a movimentação do governador de SP envolve a condição de unção do ex-presidente para ser o candidato da direita, e isso assanhou muitos que andavam cabisbaixos e perdidos, sem saber para onde ir em 2026.

    O mais provável é que tudo não passe de uma jogada política sem futuro: não existe hipótese de prosperar a anistia de uma condenação que nem sequer foi declarada. No Senado pode ser que encontrem mais resistências para conseguir aprovar. Sem falar no veto do Lula depois e da declaração de inconstitucionalidade do STF por fim.

    Se o centrão tem urgência de buscar a desmoralização completa de seus integrantes, o STF e o governo tem na direção contrária: afirmar sua autoridade e fazer cumprir a Constituição.

    Claro que tudo aumenta a temperatura do país e provoca mais confrontações, mas seria ingênuo esperar menos dessa gente, enquanto fazemos a história do Brasil avançar.

    Eles são os que puxam para trás, nós para a frente.

    Por agora não convêm sobressaltos nem temores. Quem tem o poder e a responsabilidade de manter o curso nessa quadra, e diante desse Legislativo contaminado pelo fascismo, é o Executivo e o STF. E podemos confiar que farão valer a decisão que, no próximo dia 12, manda toda essa corja golpista para as grades.

    Eles temem o próprio futuro, é por isso que lutam pelo pior.

    Nós acreditamos no melhor, por isso enfrentamos todos eles.

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