
Vou me valer de uma cena do filme “Missing” (1982), do diretor Costa-Gavras, quando o pai do jornalista norte-americano “desaparecido” durante o golpe de Estado de Pinochet, no Chile, confronta o embaixador de seu país pelo apoio ao regime que se instala. Olhando através da janela para o jardim imenso do terreno cercado da embaixada e não vendo uma alma viva, volta-se na direção do embaixador e pergunta: “Se isso vale a pena?”. O embaixador entende o que ele quis dizer e responde: “Não se pode ter as duas coisas”.
Sempre ouvi Lula explicar que democracia não é um pacto de silêncio, mas exatamente o oposto. Quem insiste em pacificação, na maioria das vezes, só pretende silenciar um dos lados — obviamente, o de quem reivindica e luta por mudanças.
Não existe isso de pacificar e silenciar, obviamente dentro das regras e dos limites impostos pelas leis, sobretudo a Constituição. Respeitados os direitos de todos, o livre direito à manifestação e a luta por mudanças são o motor da sociedade que avança, e o conflito é necessário e indispensável.
Guardados os limites constitucionais, repito.
Então, os bolsonaristas podem ter seu lado na disputa, e quando ultrapassarem as regras, devem e serão enquadrados, na força e na proporção do dano que ocasionam. Nem mais, nem menos.
Nesse sentido, o julgamento histórico da semana é nosso maior exemplo de como esses limites, pela primeira vez, começam a valer para todos.
Enquanto isso, os arautos da terceira via insistem na pacificação como um objetivo necessário, que tentei mostrar que não é e nunca foi. O ruído é necessário, e quem propaga o silêncio pretende obter para si o mando, impor falsos ideais e forçar a presença de uma falsa solução para manter tudo exatamente como está, porque lhe é favorável.
Respondendo ao título: pacificar é enfrentar as injustiças, distribuir riqueza, cuidar do meio ambiente e das pessoas, começando pelo mais desfavorecido.
O resto é silêncio — a paz dos jardins de embaixadas de golpistas assassinos.
A imagem que ilustra o Post reproduz no filme os presos políticos do regime de Pinochet, levados a força para as arquibancadas do Estádio Nacional por ser o único lugar onde cabiam todos eles.
OBS.: O alcance do nosso Blog tem se mantido constante, mas as contribuições andam menores. Se você valoriza nosso trabalho, não deixe de contribuir.
💬 Comente e curta os posts.
📢 Divulgue, se lhe convém.
💳 Apoie, se puder: PIX 30454964/0001-70