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Blog do Franco

  • O Plano do Centrão ( do governo e do STF ).

    setembro 18th, 2025

    Vamos aos fatos.

    A justificativa do deputado Jilmar Tatto, do PT de SP, para votar a favor da chamada PEC da Imunidade — aquela que blinda os congressistas de processos na Justiça sem autorização prévia das casas legislativas — inclui “garantir a governabilidade e buscar o diálogo”. Ele foi um dos 12 votos do PT para aprovação da PEC das Prerrogativas. No dia, a votação secreta nesses casos de autorização ou não de abertura de processos, até de prisão, não foi aprovada e exigiu manobra regimental provavelmente ilegal (a ver o que o STF dirá) para aprovação na manhã seguinte (ontem).

    Jilmar Tatto não falou só isso. Contou também do desespero do presidente Motta para não segurar sozinho o apetite do Centrão sobre a matéria por conta da aliança com os extremistas do PL, com maioria inclusive para aprovar a anistia geral e irrestrita.

    Antes dessa votação, ouvimos a ministra Gleisi anunciar ser favorável a uma redução das penas dos “bagrinhos” presos pela depredação na Praça dos Três Poderes, dia 08/01, por motivos humanitários.

    E até o presidente Lula apareceu com a mesma concessão sobre o tema, lembrando até do seu duro período na cadeia como argumento.

    Após as manifestações públicas das principais autoridades do Executivo, começamos a ver o rolo compressor passar no plenário da Câmara. Votação da PEC da Blindagem aprovada por amplíssima maioria, inclusive com votos dos petistas. E aqui um parêntese: aprovaram a Medida Provisória da Tarifa Social de Energia Elétrica, que vencia na terça-feira e favorece 17 milhões de pessoas com isenção de pagamento de contas de luz. Depois anunciaram a votação da urgência da anistia. Pegaram um projeto anterior do Crivella, totalmente golpista, não entraram no mérito da matéria, como combinado, e devem anunciar um novo relator ainda hoje, provavelmente o deputado Paulinho da Força, que vai reescrever tudo, focando exclusivamente na redução das penas — inclusive dos núcleos golpistas — e não vai incluir perdão para ninguém.

    Então vamos ao acordo.

    O Centrão queria se proteger do STF. A ideia inicial de derrubar o foro privilegiado tinha a vantagem de não atrair a fúria da população, mas o perigo das ações caírem nas mãos dos milhares de juízes federais Brasil afora, certamente loucos por protagonismo tipo Moro e Bretas. Sobrou reviver a decisão da Constituição de 1988, que valeu até 2001, de que os congressistas só podem ser investigados e presos após autorização da Casa. Falta ainda sabermos se teremos ou não reação popular à decisão, coisa que eu duvido.

    A inclusão do voto secreto, feita a fórceps e através de manobra regimental duvidosa, como informei, a meu ver é o boi de piranha, o elefante na loja, o bode na sala, o jabuti na árvore — colocado exatamente para atrair toda a fúria e ser retirado, até pelo STF mesmo, mostrando zelo, mas na verdade cumprindo plano previamente combinado.

    Exagero?

    Semana que vem vamos saber, porque a história ainda não acabou e há sim riscos no caminho. O ano eleitoral começou e os milhões de votos do Bolsonaro — que ninguém cogita voltar à disputa — estão voando, e todos querem um pedaço.

    O novo relator vai ser escolhido, vai redigir o novo projeto de anistia e vamos saber o que vem, e depois, no plenário, acompanhar o resultado final.

    Até aqui, a coisa funcionou exatamente como planejado. É um plano sofisticado e de autoria desconhecida — se foi do Motta, me surpreende.

    Quanto às prerrogativas parlamentares, é preciso considerar a correlação de forças, sim, não tem outra explicação. E que tenhamos juízo para escolher congressistas diferentes dos que escolhemos. No Congresso, quando o Centrão se junta para um dos lados, a coisa se decide e pronto. E a quem compete governar, a aprovação da MP da energia de graça no dia do vencimento — senão perderia validade — mostra que nem sempre é fácil carimbar todos os deputados de bandidos e ladrões.

    Entrar mais uma vez na histeria da antipolítica, atribuindo a ladrões as decisões do Congresso, é exatamente a coisa que nos levou onde estamos hoje.

    Não convém reeditar. É preciso olhar para os interesses de quem precisa de energia elétrica em casa. É preciso governar com minoria e seguir obtendo aprovações. É preciso votar e aprovar a isenção do IR para quem ganha até 5 mil e regulamentar a reforma tributária.

    E eleger Lula com bancada mais favorável.

    Sim, é disso que se trata.

    O protesto é necessário. Saber que jogo estamos jogando também.

    Me perdoe se te conto que Papai Noel não existe.

  • Fim da anistia, porque a todos convém.

    setembro 16th, 2025

    Ontem de manhã, o governador de SP desistiu de ir a Brasília, onde faria mais contatos visando fazer andar na Câmara a tal anistia pretendida pelos bolsonaristas. Gleisi informou que entende o pleito de diminuir as penas dos bagrinhos do 08/01, condenados pela baderna. Gilmar Mendes detona ao vivo e a cores o voto do colega Fux no julgamento dos líderes da tentativa de golpe. Valdemar, em entrevista, reconhece que tentaram sim dar um golpe, mas fracassaram. E, por fim, o presidente da Câmara se movimenta inclusive nas tratativas com o STF para reduzir em comum acordo as penas, conforme Gleisi anunciou que topava.

    O que todos esses movimentos têm em comum é o enterro da anistia ampla, geral e irrestrita para os golpistas. Convém a todos eles — inclusive Valdemar e Tarcísio — virar essa página do bolsonarismo e jogar todos ao mar, inclusive os filhos.

    A imprensa, no fim de semana, só faltou pegar o Centrão pelo pescoço, sobretudo o Estadão, exigindo de todos virar essa página bolsonarista e arrumar logo um candidato para enfrentar Lula, que sobe nas pesquisas e apavora os donos do jornal.

    O governo tenta fazer a pauta do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil andar, acionando Renan Calheiros para redigir um novo projeto, uma vez que Lira e Centrão usam a matéria paralisada para seguir chantageando o governo. Não por acaso Renan foi acionado: assim como Lira, é candidato à reeleição ao Senado e tem como adversário — embora os dois provavelmente se elejam em Alagoas — o mesmo pleito. Pra vocês verem como o jogo é bruto: se você não quer fazer andar o projeto, tem quem queira. E imagina o apelo eleitoral para o redator dessa matéria na eleição do ano que vem?

    Essas e outras pautas estão a passo de tartaruga, enquanto se esperava a conclusão da decisão no STF sobre o núcleo dos líderes. Lembrando que ainda temos mais 4 por receber sentenças, e está na hora de voltar à rotina, com as disputas abertas no lado da direita sem candidato, enquanto Lula segue firme.

    A conclusão nesta terça-feira, em uma semana que mal começou, é que o barco da anistia soçobrou sem que ninguém lamentasse.

    Mas nem tudo são flores. Em compensação, vamos ter que engolir a relativa blindagem dos congressistas, que voltam a ter o direito de liberar investigação — ou não —, com prazo para decidir e algumas limitações. É o preço negociado também com o STF para enterrar o bolsonarismo.

    Não sai barato, mas é vida que segue — e Dino não está dando moleza na fiscalização do uso do dinheiro público, se serve de consolo.

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  • A notícia ruim é que está bom.

    setembro 16th, 2025

    📊 PNAD Contínua 2025 – Mercado de Trabalho

    André Perfeito


    🔹 Desocupação

    • 5,6% — menor desde 2012
    • ↓ em relação ao trimestre anterior: 6,6%
    • ↓ em relação ao mesmo período de 2024: 6,8%

    💰 Rendimentos

    • Rendimento Médio Real Habitual: R$ 3.484 (recorde histórico) ↑ 1,3%
    • Massa Salarial Real: R$ 352,3 bilhões (recorde histórico)

    💡 Salários altos pressionam custos de serviços → limita corte de juros pelo Banco Central


    👥 Subutilização e Ocupação

    • Subutilização: 14,1% — menor da série
    • População desocupada: ~6,118 milhões
      • ↓ 14,2% no trimestre
      • ↓ 16% em 12 meses
    • População ocupada: ~102,4 milhões (recorde)
      • ↑ 1,2% no trimestre
      • ↑ 2,4% no ano

    🔹 Informalidade

    • 37,8% dos ocupados (38,8 milhões) estão em empregos informais

    ⚠️ Resumo

    • Mercado de trabalho robusto
    • Rendimentos e massa salarial em níveis recordes
    • Juros difíceis de cortar cedo → a notícia ruim é que está bom 😉
    • Redução de juros só deve vir por fatores externos, como o dólar ou queda dos juros nos EUA.

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  • Inflação no caminho da meta.

    setembro 16th, 2025

    Aos poucos, como previu o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a inflação no Brasil caminha para a meta de 3% (± 1,5%) em 2025. Considerando que iniciamos com 10% e disparadas nos preços de alimentos, é um feito digno de ser comemorado.

    E vai ser, assim que for atingido — e tudo leva a crer que no máximo no início de 2026, talvez ainda no fim de 2025.

    O preço para a convergência da inflação anual para a meta não é pequeno: nos custa R$ 1 bilhão por ano. Mas é preciso observar um ponto essencial: o custo da cesta básica.

    Porque, de um lado, temos os rentistas satisfeitos, mas do outro, a maioria da população observando queda no preço dos alimentos, o que, em última instância, é o principal objetivo das políticas públicas: preservar o poder de compra da moeda da maioria da população.

    Mesmo quando o crescimento do PIB tropeça, como estamos vendo, estimando pouco mais de 2% de crescimento para o ano, vale o esforço. Porque, se estamos com níveis de desemprego historicamente baixos, salários médios em máximas e déficit fiscal rigorosamente na meta, era hora de combater o mal inflacionário — e, para isso, era preciso conter a disparada do dólar, que indexa os preços das mercadorias internas e externas, que chegou a R$ 6,30 e agora caiu para R$ 5,30, e continua caindo.

    Aliás, a maior queda da moeda americana é no Brasil, o que suscita outros comentários.

    Porque se bastasse aumentar os juros — coisa que Argentina e Turquia, por exemplo, fazem sem alcançar o sucesso do Brasil…

    É evidente que outras influências trabalham conjuntamente para fazer a âncora no dólar funcionar, e isso passa pela credibilidade da presidência do país, dos seus ministros, da sua balança comercial superavitária, do compromisso crível com as metas inflacionárias e com o fiscal e, cá entre nós, das erráticas decisões do gigante laranja do norte, que enfia cada vez mais os pés na jaca e faz do Brasil um oásis de investimentos, apesar das ameaças tarifárias, que sim atrapalham, mas nem tanto.

    O resumo apresenta uma fotografia de cenário em movimento, que engloba também a estabilidade política, a duras penas conquistada, e o julgamento do fascismo.

    De vez em quando a gente lia a explicação de as bolsas subirem porque Lula aparecia em desvantagem nas pesquisas eleitorais que abundavam no primeiro semestre. Mas, no atual momento, o petista se recupera e assume o favoritismo, e as bolsas batem seus recordes históricos, enquanto o dólar segue caindo. O que nos leva a entender o quanto valem essas previsões e o quanto um governo seguro e previsível inspira investimento e ignora falsas premissas.

    Amanhã sai o índice IGP-10 de inflação de setembro, e tudo leva a crer que seguimos no melhor dos caminhos.

    Sobre crescimento e queda da Selic: confirmada amanhã a queda dos juros nos EUA, a essa altura fava contada, abre-se o espaço para iniciarmos queda por aqui também, quem sabe ainda em 2025?

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  • Queimando a largada na disputa presidencial de 2026.

    setembro 15th, 2025

    “Antecipar a candidatura de Tarcísio de Freitas expôs a fragmentação da direita e criou obstáculos para alianças nacionais, enquanto Lula vê viés de alta nas pesquisas.

    A aprovação, que é aquela pergunta que não tem meio termo, aprova ou desaprova, o governo foi de 46 para 48, uma variação dentro da margem, mas é o valor mais alto que ele tem nesse ano.”

    Destaco esse comentário do Roberto Toledo, do UOL, porque observou corretamente o movimento desesperado do Tarcísio de Freitas na sua tentativa de se colocar como herdeiro dos votos do fascismo nacional.

    No que não tem, até agora, aprovação pública do chefe e muito menos dos filhos que, esses sim, abertamente condenam a movimentação eleitoreira do governador de São Paulo.

    O comentarista do UOL chama a atenção para dois aspectos cruciais do momento atual a influenciar os acordos para a disputa eleitoral de 2026: a popularidade ascendente de Lula e a divisão das forças opositoras.

    Todos os dias somos brindados com declarações de Caiado, de Zema, do Eduardo Bolsonaro, do Eduardo Leite e até do Ratinho. Cada um busca pescar no aquário bolsonarista e afirma e reafirma a disposição de manter candidaturas à Presidência no próximo ano em qualquer hipótese ou circunstância.

    E aqui agem igualmente com três objetivos gerais, sem considerarmos os pessoais: primeiro, manter o nome na disputa; segundo, formar bancadas próprias e partidárias; e, por último, dividir o eleitorado e evitar a vitória de Lula no primeiro turno.

    Ao dividir o eleitorado nacional, dividem o próprio eleitorado. Se, por um lado, atraem votos para suas bancadas, por outro permitem a Lula se isolar na liderança e, com números que mesmo hoje, longe da disputa, deixam em aberto a possibilidade de crescimento para uma vitória de primeiro turno ou próxima disso.

    Bem próximo.

    O que, por gravidade, atrai apoios de todos os lados, desidratando a oposição. Porque sabemos o quanto um candidato na frente da disputa vale nos acordos eleitorais.

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  • Boa Semana e….Repara.

    setembro 15th, 2025

    Cecília Meireles

    Repara na canção tardia

    Repara na canção tardia
    que timidamente se eleva,
    num arrulho de fonte fria.

    O orvalho treme sobre a treva
    e o sonho da noite procura
    a voz que o vento abraça e leva.

    Repara na canção tardia
    que oferece a um mundo desfeito
    sua flor de melancolia.

    É tão triste, mas tão perfeito,
    o movimento em que murmura,
    como o do coração no peito.

    Repara na canção tardia
    que por sobre o teu nome, apenas,
    desenha a sua melodia.

    E nessas letras tão pequenas
    o universo inteiro perdura.
    E o tempo suspira na altura
    por eternidades serenas.


    📖 Fonte: Viagem, Editora Ocidente, 1942.
    🖋️ Publicação original: Viagem, 1939.

  • Não fez falta.

    setembro 15th, 2025

    Brasil encerrou agosto com um superávit comercial de US$ 6,1 bilhões, mesmo após a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “É uma vitória para o Brasil. Não estamos pessimistas quanto ao dia de amanhã”, disse o presidente da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Jorge Viana, em entrevista ao UOL.

    Segundo Viana, o resultado demonstra a capacidade do país em enfrentar obstáculos externos e reforça a estratégia de diversificação de mercados. Ele explicou que a Apex e o governo brasileiro intensificaram os esforços para ampliar parcerias internacionais, com foco não apenas na China e na União Europeia, mas também em novas frentes, como a Índia, considerada por ele “o maior potencial que temos para exportar”. Na entrevista, ele ressaltou que a articulação internacional tem sido fundamental para sustentar o comércio exterior, destacando o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin nesse processo.

    Todos os dias lemos ou ouvimos alguém lá da América do Norte levantar esse dilema: o Brasil precisa escolher entre os EUA ou a China.

    Hoje foi um senador republicano de quem eu nunca havia ouvido falar, mas é tema constante por lá desde que Trump assumiu e começou essa guerra comercial com a China.

    E tudo o que faz com a Rússia é para tentar evitar a proximidade entre eles e a China, proporcionada pelos BRICS.

    Conosco tem o agravante histórico, porque fomos quintal dos EUA por muito tempo e até hoje há quem prefira continuar assim. O que não é o caso da maioria, como todas as pesquisas mostram exaustivamente.

    O fato de insistirem em nos retaliar, alegando perseguição política ao ex-presidente derrotado nas urnas, é mais uma das mentiras que propagam. O ser dessa gente é a mentira e a manipulação, que sustenta o poder que obtêm em eleições sempre marcadas por absurdas acusações e falsidades. Tem funcionado, e assim seguem fazendo estrago.

    Nem o fato de um ativista a favor de armas, assassinado dentro de uma universidade enquanto palestrava (universidade que permite o porte de armas dentro de seu espaço físico), muda o pensamento dessa gente. Pior: estimula. Exatamente o clima de guerra interna e externa com inimigos imaginários e alvos escolhidos sustenta todo o discurso e a viabilidade eleitoral, porque nada mais têm a oferecer além de medo e ameaças.

    Quanto às escolhas do Brasil, é preciso deixar claro que não temos obrigação nem necessidade de aceitar imposição de ninguém. Escolhemos o que nos apraz e, no momento, escolhemos tanto EUA quanto China. Se os EUA preferem se afastar, a escolha é deles e não nossa.

    E tanto faz. Apesar dos prejuízos atuais, que demandam algum tempo para serem superados.

    E serão.

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  • O maior derrotado não foi Bolsonaro.

    setembro 14th, 2025

    Foram as Forças Armadas, esclarecer logo de início.

    Bolsonaro não esteve em 1964 nem nos anos de chumbo seguintes, senão como um estorvo, inclusive para seus chefes da caserna, de onde foi expulso.

    Não esteve quando os militares saíram correndo com o rabo entre as pernas, com o último general saindo pelas portas dos fundos para não entregar a faixa presidencial a um civil. E aí sim, 40 anos depois, Bolsonaro repetiu a cena covarde dos derrotados ao não participar da cerimônia de entrega da faixa. No que, cá entre nós, foi até melhor não ter a indigesta presença notada naquele dia de festa.

    Mas o ex-capitão não governou sozinho: empoleirou milhares e milhares de militares nos cargos civis do Executivo, supostamente para servir ao país. E repetiram o tempo de incompetência e inaptidão para a coisa pública , exatamente como vimos na ditadura, quando deixaram para nós um país arrasado e empobrecido. Eles não empobreceram: duplicaram salários, afrontaram as leis de limites de salários e mostraram mais uma vez que não podemos contar com eles nem durante uma pandemia mundial, ao participarem do esforço de negar a vacina ao seu próprio povo. Imagina essa gente nos defendendo em uma guerra? Não por acaso, qualquer governo civil no Brasil tem o juízo de nem pensar em guerra ou coisa semelhante — não duraríamos uma semana. E também não é por acaso que temos os melhores embaixadores para nos livrar de qualquer ameaça ou risco de cair nas mãos desses covardes.

    Não exagero: basta olhar para a história e entender que mais uma vez eles tentaram, além das inúmeras e inúmeras vezes anteriores .Se o fizeram dessa vez meio disfarçado, terceirizando o golpe para aloprados e mascarando a intenção, o fato é que perderam nas urnas, não reconheceram e tramaram de tudo — até assassinatos.

    O julgamento que selou o destino de Bolsonaro foi acompanhado de generais, um brigadeiro e um almirante. E Bolsonaro, apesar de péssimo militar, fez sua carreira política dentro dos quartéis. Sua vitória sempre foi dividida entre ele e os maiores chefes militares de então: foram parceiros antes, durante e tentaram mesmo depois da derrota eleitoral. Seu vice na Presidência era um general; seu vice na derrota era outro, que está entre os condenados a dezenas de anos na prisão.

    Quem perdeu, na verdade, foi essa mentalidade belicosa, que enxerga seu próprio povo como inimigo, se acha patriota enquanto abre bandeira de outro país no dia em que deveríamos comemorar nossa independência, e usa potência estrangeira para ameaçar as instituições que reagem contra o arbítrio e a infâmia.

    E gostam mesmo é de aproveitar o caos e a baderna que causam para lucrar e enriquecer. Vendem nossas riquezas para assumirem diretorias, moram em outros países mas mantêm explorado o povo que os sustenta.

    E foram derrotados.

    E no ano que vem retornam para tentar novamente. Ou vocês esqueceram que Tarcísio de Freitas, o governador de SP e provável candidato, é militar e seguiu o general Heleno a vida toda? Quem sabe até às grades, se continuar atacando as instituições como o ex-chefe tantas vezes fez.

    Então, não é página virada, mas mais uma batalha na nossa história — e devemos saber pelo que lutamos e contra quem.

    Mas agora é comemorar e mostrar o quanto valorizamos a vitória e, no ano que vem, durante a campanha eleitoral, não esquecer onde estamos e para onde queremos e podemos seguir.

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  • Nunca Mais.

    setembro 12th, 2025

    Do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles:

    “Pelos caminhos do mundo,
    nenhum destino se perde:
    Há os grandes sonhos dos homens,
    e a surda força dos vermes.”

  • Brasil enfrenta golpistas e envia recado ao mundo.

    setembro 11th, 2025

    Não por caso e distração ou loucura, que os EUA de Trump reagem com cada vez mais furia aos desdobramentos do julgamento dos golpistas brasileiros.

    Trump é um também um golpista , fracassado como os nossos, que escapou da condenação e conseguiu reeleger-se , lhe permitindo tomar a iniciativa de passar a borracha – literalmente – sobre seus crimes e os demais por ele inspirados mundo afora.

    Que não são poucos .

    O fato do Brasil conseguir superar os golpistas no sentido de julga-los pelos crimes cometidos, e quem pode assistir viu que não deixaram nada passar, e daqui a algumas horas saberemos os numeros de decadas em que todos deverao cumprir suas penas, apavora todos os fascsitas do mundo, que reagem, Trump a frente.

    No nosso caso alem dos civis condenados , temos a inclusão de generais no julgamento e dividindo o mesmo destino de cadeias , tudo didatico e fica marcado na historia que podem as intituições reagir as agressões, o que sem a menor duvida vai desestimular futuras aventuras e obrigar a quem planeje coisas medonhas a pesar os riscos. Incluindo a possibilidade de ter que pagar caro por seus crimes.

    O olhar do mundo esta sobre nós e eles farão seus movimentos externos e internos para seguir na intimidação e nos planos de impor a excessão e o autoritarismo sobre a sociedade.

    Pela primeira vez no brasil podemos afimar : que não passarão!

    Porque , de fato, agora, não passaram.

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