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Blog do Franco

  • O Partido da Internet.

    outubro 5th, 2025

    Não é um tema onde eu pretendo ensinar alguma coisa, mas destacar alguns aspectos enquanto vamos aprendendo.

    O fato é que estamos diante de um novo desafio na forma de fazer política, que não é exatamente inédito nem em formato desconhecido, mas que vem acontecendo de forma instantânea e de alcance inimaginável por conta das redes sociais e do WhatsApp.

    E não por acaso foi primeiro aproveitado pelos fascistas e extremistas de direita; é só agora que, no mundo inteiro, os progressistas e as esquerdas começam a batalhar para enfrentar a disputa.

    Sim, porque disputar a atenção e impor a narrativa — não perca essa palavra — é uma batalha que ultrapassa países distintos, desenvolvidos e não desenvolvidos, com maioria de pessoas cultas e outras não, todos enfrentando o desafio da disputa política nas redes.

    Há quem aponte a existência de um Partido da Internet, que despeja versões absurdas, mentiras deslavadas e ataques pessoais caluniosos e difamantes em escala industrial, e semeia, do pânico e do caos, seus lucros. Mais: ao promover o estado geral de sobressaltos e alarme, sem nenhum motivo real, tem como método manter parte das comunidades excitadas ao ponto de serem incapazes de lidar com a realidade — estado mental e social estudado e conhecido — onde elas se tornam o que chamamos de gado, abandonando a razão em troca do estado de permanente alerta falso, no qual o fascismo mantém sua influência acima de todas as realidades objetivas.

    Deixei abaixo um link de um trecho de livro que explica bem esse mecanismo, que não é novo.

    Mas o Partido da Internet, que, sim, é a novidade, faz uso desses mecanismos também a seu favor, não somente contra adversários. Quando consegue emplacar uma das infinitas realidades paralelas e teses tresloucadas que inundam as redes todos os dias — daí os robôs e os gabinetes do ódio — a elas se agarram e mantêm acesa a chama da discórdia e da pressão até onde conseguem, até que uma nova surja, e assim por diante.

    Qualquer discurso de Trump é assim, qualquer fala atual do bolsonarismo é assim.

    E da resposta das redes ao novo apelo definem-se ações e projetos — daí o improviso e tudo malfeito, para prolongar os efeitos e surfar nas ondas.

    Evidente que isso é destruição, onde eles também se aproveitam.

    Mas, quando assim agem, passam por cima das instâncias partidárias, suas lideranças, sua burocracia, sem respeito hierárquico ou qualquer coisa semelhante.

    Sim, existe o chefe, mas a maneira como agem não permite nem ao chefe controlar tudo que acontece. O exemplo do filho Eduardo nos EUA, agindo até contra a vontade do pai em alguns aspectos, abertamente, nos mostra isso.

    E como alguns dos mais proeminentes nomes do bolsonarismo se movem a favor de outras candidaturas além do chefe impedido, também.

    Os partidos progressistas começam a entender e reagir à altura, mas demoraram exatamente porque suas estruturas internas e a maneira como funciona a política — não vou usar a palavra “tradicional”, talvez “convencional” seja melhor — não permitem reagir na velocidade dos fascistas. Mas, aos poucos, a estrutura começa a se organizar e reagir, nos termos impostos pelos meios atuais, sem uso do mesmo conteúdo falsificado.

    Até porque a massificação das mentiras cobra um preço, e quem se deixa levar acaba exausto de tanto absurdo, no pouco de boa informação que consegue ultrapassar as bolhas, revelando verdades incontestáveis.

    Até onde vamos, não se sabe. Na próxima eleição ainda teremos áudios e vídeos fabricados com vozes e rostos criados por IA, com possibilidades ilimitadas de manipulação.

    Ou alguma proteção se promove sobre isso, mesmo parcial, ou teremos a mais suja campanha eleitoral de todas.

    Não quero dizer que vamos ser derrotados — acho que vamos ganhar —, mas o que vem por aí vai ser um enorme desafio.

    Fique com o link sobre a propaganda fascista e como ela age sobre as pessoas — um tema que Adorno já denunciava há mais de meio século e que, hoje, ganha contornos digitais assustadoramente precisos.

    https://books.scielo.org/id/h77ny/pdf/bueno-9786557143049-06.pdf

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  • A derrota é sua; a vitória, minha.

    outubro 4th, 2025

    Quando o governo atual consegue emplacar um projeto que faz diferença na vida das pessoas — o que, supostamente, todos os projetos dos administradores públicos deveriam mirar — percebemos o fosso onde operam aquelas pessoas e seus respectivos aparelhos de informação, que de tudo fazem para embaralhar os fatos e confundir, disfarçar e até distorcer de tal maneira a impedir o conhecimento da verdade.

    Essa aprovação da isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais por mês é mais um exemplo.

    A desinformação passa por amenizar o feito, atribuir a personagens laterais, menores, atualizar o valor para parecer pouco o resultado, nomear pessoas sabidamente contrárias à aprovação e, por último, chamar a decisão de populista.

    Assim como, para os canalhas, o apelo ao patriotismo é seu último refúgio, para quem despreza o povo e um mínimo de distribuição de riqueza, tudo que se faz nessa direção não passa de populismo ou eleitoreira.

    São feitos da mesma sopa de privilégios, mesquinharia e falta de um espelho em casa.

    E seguem sem nenhuma proposta para transformar ou melhorar qualquer coisa que não seus próprios interesses.

    Por isso são chamados de conservadores: porque querem conservar tudo como está, já que, para eles, está ótimo e não precisa mudar nada.

    Ao contrário.

    Contra esses estamos todos nós, progressistas. Transformadores das realidades, e buscando, no país mais desigual do mundo — sempre é necessário lembrar — um pouco mais de dignidade para a maioria.

    A questão do Imposto de Renda praticamente cobrado no salário mínimo é só mais um exemplo da administração iníqua da riqueza e do trabalho da maioria. Porque se impõem custos a salários mínimos enquanto se poupam os salários milionários.

    Onde isso faz sentido? E qual seria o motivo de passar um governo, e outro, e outro, sem nunca enfrentar o óbvio disparate de manter a base da arrecadação nas camadas inferiores da sociedade?

    Porque, senão, os ricos vão embora?

    Para onde, se lá fora a tributação é muito maior?

    Como, se a riqueza vem do trabalho de terceiros e não do próprio? Como convém ao capitalismo.

    É sempre bom relembrar algumas coisas.

    Porque não é somente uma revolução, nem uma guerra,

    também disposição e trabalho para convencer de como compartilhar melhor a riqueza promove o bem-estar de todos — inclusive de quem não aceita as transformações.

    Nosso Brasil é o país mais injusto do mundo, com a renda concentrada no topo. Assim fomos nascidos, mas não vamos permanecer assim para sempre.

    Esse é o rumo do sucesso: não só privilegiar quem tudo tem, não só promover quem tudo pode, não só acolher quem tudo consegue.

    Não é por menos que se explicam as razões do sucesso e do acerto desses governos “populistas” do Lula e do PT, que na verdade são a verdadeira social-democracia brasileira.

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  • Paulinho da Brocha (oops, da Força).

    outubro 2nd, 2025

    O nome é Deputado Paulinho da Força, escolhido relator do projeto de anistia dos golpistas. O sobrenome político ‘Força’ veio de sua história como dirigente do sindicato criado pelos patrões, a Força Sindical, para rivalizar com a CUT do Lula. Paulinho é um pelego da antiga, acostumado a fazer o trabalho sujo dos patrões.

    Mas, dessa vez, subiu na escada e por lá ficou, porque a esquerda não quer nem ouvir falar em anistia ou dosimetria de penas, e a extrema-direita quer uma anistia ampla, geral e irrestrita — nada além de liberar todos os golpistas do passado e, segundo o projeto, incluindo os do futuro.

    E, então, ninguém quer saber de negociar meio-termo com o Paulinho, que se viu pendurado na brocha, porque tiraram a escada por onde subiu.

    O apelido nos mostra a que ponto chegou o infeliz na sua tentativa de costurar apoios para aprovar o que começou como anistia, passou a dosimetria e terminou em zombaria.

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  • Passagem para o futuro.

    outubro 2nd, 2025

    Aprovado por aclamação o projeto de lei que isenta quem ganha até 5 mil reais por mês do pagamento de imposto de renda.

    Os 3 destaques acolhidos pelo relator Lira foram mais para deixar uma marca própria, e os demais 93 destaques, de tudo quanto havia, foram devidamente ignorados.

    O fato de todos os deputados concordarem com a aprovação diz muito sobre o momento em que vivemos. Não valia o risco de desagradar, como tantas vezes fazem questão, numa matéria tão poderosa e ainda mais sabendo que iam perder de lavada.

    Até os empedernidos deputados do Partido Novo (o que há de mais velho no Brasil) se viram obrigados a acompanhar a avalanche, sob o risco de ficarem expostos a um ano das eleições.

    Sem dúvida, a pressão da aprovação da matéria no Senado, por iniciativa de Renan Calheiros, rival alagoano de Lira, mexeu com o tabuleiro ao ameaçar tirar da Câmara o mérito da aprovação.

    A ida seguinte ao Senado é protocolar e rapidamente o assunto estará resolvido.

    Sabedores de que nem atualizar a tabela do IR tipos como FHC, Temer, Collor e o inominável nunca conseguiram fazer, o tamanho da conquista está por ser conhecido, mas é extraordinário, por significar, na prática, a conquista de um décimo quarto salário.

    Também a cobrança de Imposto de Renda sobre dividendos e lucros, nunca realizada, mesmo com alíquotas modestas de 10%, é outro marco de justiça tributária que somente um governo do povo e para o povo — o verdadeiro sentido da democracia — é capaz de fazer.

    Não foi pouco o que aconteceu ontem.

    E a estratégia de chamar Arthur Lira para relatar e deixar para votar na data mais próxima das eleições que a legislação permitia — porque imposto precisa ser votado em um ano para passar a valer somente no próximo — deixa o rastro de mestres da política.

    O caminho de 2026, que já parecia pavimentado, toma a partir de agora ares de formalidade. Quem sabe Lula consegue se despedir de seu último mandato com uma vitória no primeiro turno?

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  • Por uns dólares a mais.

    outubro 1st, 2025

    Ontem, a desvalorização do peso argentino em 6% e o governo vendendo dólares desabaladamente para segurar o câmbio provocaram, no fim da tarde, a viagem do presidente Milei para os EUA, onde pretende que as promessas por mais dinheiro se efetivem antes das eleições e do provável desastre.

    Na província de Buenos Aires, onde o atual governo perdeu nas municipais semanas atrás, as pesquisas para a eleição nacional em outubro agora mostram o mesmo cenário de enorme vantagem da oposição, com 14% de diferença.

    Confirmadas as pesquisas, a maioria parlamentar do governo Milei virará pó.

    Quanto à desabalada carreira aos EUA em súplicas por mais empréstimos, me faz recordar a reeleição de FHC no Brasil quando, igualmente quebrado como a Argentina de Milei, recorreu a Clinton, garantiu o câmbio congelado até vencer e depois desvalorizou — e nunca mais conseguiu fazer nada que prestasse no governo.

    Nem isso Milei parece obter, além de promessas. A Argentina é o maior devedor mundial do FMI; há quem diga que nunca vai conseguir pagar o empréstimo e esperar mais socorro na véspera de uma derrota eleitoral que parece certa é improvável.

    Nessa altura, os EUA devem estar conversando com os próximos ocupantes da Casa Rosada.

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  • Perigo, perigo!

    setembro 30th, 2025

    Como parece que na próxima quarta teremos — finalmente — a votação da isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais mensais, toda a atenção está voltada para essa importante pauta.

    Uma das principais promessas de campanha do atual presidente.

    Considerando que nem a atualização de alíquotas os dois desgovernos anteriores fizeram — a rigor, só as administrações do PT a realizaram —, uma aprovação dessa monta tem lugar marcado na história.

    Mas nem só os contribuintes estão de olho. Mais de 50 destaques aguardam a votação para tentar retirar suas “cascas” e até, no limite, inviabilizar a aprovação.

    O relator Arthur Lira não deve apresentar nada de anormal. O que está no horizonte já é conhecido: isenção e compensação para rendas maiores.

    Mas do plenário se pode esperar de tudo.

    A matéria deve passar por aclamação, com todos posando para as fotos. Depois, começa a disputa verdadeira nos destaques.

    E ninguém tem a menor ideia do que vem.

    Por isso, a condução e os acordos formados são decisivos: ou se faz um pacto que possa ser cumprido pela maioria, ou teremos uma quarta-feira de disputas acirradas.

    O ambiente é de acordo, mas pode mudar de uma votação para outra, dependendo das surpresas.

    Duas coisas permitem certo otimismo: primeiro, a vigilância cerrada da população sobre a votação e o momento, digamos, pouco feliz dos congressistas acuados; segundo, a posição do Senado, que não vai deixar passar nenhum abuso e já tem um projeto bem costurado e aprovado para qualquer eventualidade.

    Pontos como a progressividade na cobrança — quem ganha mais paga alíquotas maiores — e a tributação de dividendos são relevantes para um projeto digno e sustentável. E são os pontos a serem observados.

    Haddad tem reiterado a justiça do relatório negociado na Fazenda com o relator Lira. Lira tem fama de cumprir acordos, embora nunca se saiba exatamente com quem ele os fez.

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  • O Encontro.

    setembro 29th, 2025

    Não se deixe enganar pelas aparências: se de fato o encontro casual entre Trump e Lula não passou de uma coreografia ensaiada por ambos, uma vez que estavam previamente combinados, informados e preparados por suas assessorias, o relativo silêncio das atuais negociações para o encontro definitivo entre ambos os líderes não significa que a coisa não andou.

    Hoje o secretário de Comércio, Howard Lutnick, soltou uma das pérolas dos extremistas de lá, dizendo que “é preciso consertar o Brasil para que o país deixe de prejudicar os EUA”, o que para ele significa abrir a nossa economia. A disputa da decisão de Trump sobre o Brasil não foi até aqui somente comercial, a pauta política esteve sempre à frente. E o secretário Howard Lutnick, juntamente com Marco Rubio, são os principais interlocutores do bolsonarismo e da visão colonial da América Latina, que Lula enfrenta.

    O fato de Trump procurar ou, no mínimo, aceitar o diálogo modificou o cenário, ao menos na expectativa, e a fala agressiva de hoje mostra que os extremistas de lá não se dão por vencidos e seguem tentando induzir a questão para que a supremacia política supere a comercial.

    Trump balança nessas correntes, enquanto vê sua popularidade ir embora e a economia de seu país nem de longe apontar para seus objetivos, o que lhe sugere acertos na rota.

    Sobre Bolsonaro não se ouve mais nenhuma palavra. A questão serviu e parece não servir mais. Também por lá, um bolsonarismo sem Bolsonaro soa como música, mas pragmaticamente vai se consolidando o cenário de reeleição, e não é possível manter ilusões de anistia ou derrota de Lula, o que impõe a negociação.

    Como estava agendado para a semana até um encontro entre os dois chefes de Estado, no mínimo podemos esperar algum anúncio de uma data futura. Se de fato o encontro for realizado, deve ser por conferência eletrônica, o que também não deixa de ser um avanço.

    Para nós, no curto prazo, importa reconstruir o comércio bilateral, enquanto buscamos outros compradores mundo afora, o que Lula fez e faz continuamente. Para eles, importa evitar a maior proximidade do Brasil com a China, o alvo real de tudo o quanto andam aprontando mundo afora.

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  • Corrida da isenção .

    setembro 29th, 2025

    Corrida da Isenção

    Depois de passarmos praticamente todo o ano esperando o relator Arthur Lira concluir seu trabalho, finalmente uma das principais promessas de campanha de 2022 deve ser cumprida ainda nesta semana: a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais.

    O impacto é grande. O projeto deve beneficiar cerca de 16 milhões de pessoas.

    Produção legislativa travada

    Este ano foi marcado por baixa produção legislativa. O clima político ficou contaminado pelas incertezas eleitorais da oposição e pelas ilusões em torno da anistia.

    Chegamos, portanto, à véspera da votação sem conhecer o relatório final de Lira. Ele segue a linha desejada pelo governo, mas ainda não está claro de onde virá a compensação pela queda de arrecadação.

    Os rumores vão de medidas simbólicas contra quem pouco contribui até cortes em áreas sensíveis como saúde e educação.

    A pressão do Senado

    Outro fator decisivo foi a movimentação no Senado. O projeto de Renan Calheiros, rival alagoano de Lira, parece ter acelerado os trabalhos na Câmara.

    A pressão é forte. O Parlamento precisa virar a página das últimas iniciativas mal recebidas e nada melhor que uma votação popular para recuperar credibilidade.

    Expectativa e riscos

    A expectativa é de aprovação unânime. Mas o ponto central continua sendo: de onde virá a compensação?

    Ao mesmo tempo, os sucessivos adiamentos da anistia mostram que não há consenso nem mesmo entre os defensores do projeto.

    As notícias de hoje indicam que surpresas podem aparecer justamente na hora da votação. O temor é de que parte da conta seja empurrada para o orçamento, aliviando os mais ricos.

    E depois?

    O tema é de enorme repercussão e dificilmente passará sem resistência. Até porque o Senado já sinaliza que não vai deixar barato.

    No caso da anistia, o texto até aqui aponta para a redução das penas dos chamados “bagrinhos” do 8 de janeiro. Mas essa discussão só deve avançar após a entrega da isenção.

    Concluída essa etapa, o jogo muda de fase. Aí, sim, entramos de vez na disputa eleitoral.

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  • Vendedor de sabão…do bom.

    setembro 28th, 2025

    Lula 2026, Milei e o Debate Sobre Popularidade

    Algumas unanimidades despontam no horizonte: uma, que assume o favoritismo de Lula para 2026, e a outra, que reconhece o fracasso do plano motosserra da Argentina de Milei.

    Vamos tratar do nosso e deixar os hermanos para outro dia.


    O que disse Antônio Lavareda

    Essa semana o pesquisador Antônio Lavareda, em entrevista ao jornal GGN do Luiz Nassif, discorreu nos elementos que, a seu ver, mudaram os patamares de aprovação do presidente e o alçaram à condição de favorito à reeleição.

    Ele lembrou da mudança da comunicação do governo, com a entrada do ministro e publicitário Sidônio. A queda dos preços dos alimentos e a disputa com os EUA. Esses fatores somados estão levantando a popularidade e o reconhecimento do atual governo, agora com números acima de 50% da população.

    Bem, gostaria de lembrar que os números atuais não são superiores aos do final do ano passado, por enquanto.


    Recuperação, não crescimento

    Até agora, estamos tratando não exatamente de crescimento de popularidade, mas de recuperação. Consequentemente, a posição do presidente na corrida sucessória não mudou. A rigor, permaneceu ao longo do mandato praticamente na mesma posição após um tropeço.

    E aí mora, a meu ver, o ponto — tantas e tantas vezes destacado pelo outro analista de pesquisas, Marcos Coimbra.

    Segundo ele, existe um desinteresse enorme nas camadas majoritárias da população nos períodos entre eleições, que afastam o eleitor do dia a dia da política. Os reflexos nas pesquisas são enormes. Sem manifestar preferências, como avaliar o desejo das pessoas?


    O padrão das pesquisas eleitorais

    A queda de popularidade de governos no segundo ano de mandato, que costuma seguir no terceiro, tende a ser recuperada no último, na medida em que as eleições se aproximam.

    É conhecida a frequência com que presidentes são reeleitos, com uma única e compreensível exceção: Bolsonaro.


    O negócio da política fora de época

    No fundo, o que essa gente passa é que, nessa entressafra que dura anos, precisam vender opiniões, manter a atenção, atrair patrocinadores, criar expectativas, provocar e até tentar emplacar nomes.

    Porque PT e Lula não são e nunca foram os preferidos dessa turma.

    Passamos meses e anos nesse lenga-lenga, discutindo porcentagens para cima e para baixo, buscando explicações e razões. E, na falta, inventam para não perderem a iniciativa, sempre interessados em tentar alguma novidade.

    Geralmente chamada de terceira via.


    A velha “terceira via”

    Essa história de terceira via já rolava na época da disputa entre PSDB e PT. Agora, o mote é que existem extremos e se busca uma opção de centro.

    É bem verdade que a disputa se acirrou, mas os métodos do bolsonarismo, turbinados pelas novidades tecnológicas de divulgação, não são em si inovações.

    Quem primeiro inventou mentiras deslavadas em campanha eleitoral foi José Serra, com o atentado de bolinha de papel na cabeça, que virou ida de helicóptero para o hospital e exame tomográfico na sequência, além das calúnias sobre aborto.

    Depois, quem primeiro desafiou o resultado eleitoral e as urnas eletrônicas foi Aécio Neves, quando perdeu para Dilma, não reconhecendo o resultado e pedindo recontagem. Além de dizer que iria boicotar e derrubar o governo recém-reeleito.


    Popularidade e produto

    Concluindo sobre o atual momento de popularidade: percebo que todas as avaliações sobre seu crescimento tratam de aspectos verdadeiros, mas escondem o fundamental — o produto.

    Sim, porque, por melhor que sejam as propagandas, por mais equivocados que sejam os erros dos adversários, por mais sorte que tenha o político, se ele não tem méritos e realizações para exibir e comparar com seus adversários, bem, nada — mas nada — nesse mundo faz dele um ganhador de eleições.

    Muito menos de uma, duas, três e… quatro.


    Reflexão final

    Quando vai ser o trabalho, a competência, o critério para reconhecer a vitória do Lula nas eleições e na condução de seguidos e relevantes governos?

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  • Fim das ilusões.

    setembro 27th, 2025

    Para quem estiver interessado em saber mais sobre os motivos do genocídio em Gaza, vou deixar o link de uma palestra com legendas em português do professor e historiador Shelomo Sand, que foi dividida em algumas partes e pode ser acessada sem dificuldade.

    Além disso, ele escreveu 4 livros sobre o tema, de grande impacto, e vou sugerir os dois primeiros:

    https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Inven%C3%A7%C3%A3o_do_Povo_Judeu

    https://leitura.com.br/a-invencao-da-terra-de-israel-L999-9788582400975

    Com essa leitura você esgota as raízes das causas que nos trouxeram até esse desastre humanitário e ético onde estamos.

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