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Blog do Franco

  • Barbas de molho e olho nas fakes.

    setembro 11th, 2023

    A tragédia causada pela passagem do ciclone no Rio Grande do Sul permitiu que os setores obscuros da política iniciassem uma ofensiva baseada em teorias imaginárias responsabilizando o governo pelas inundações, bem como criticar a ausência do Presidente Lula no estado.

    O ex-porta-voz da ditadura e dos generais alegou que as barragens construídas no RS durante os governos do PT foram intencionalmente abertas, provocando as inundações. E as notícias falsas na internet tinham como alvo principal o Presidente, com sua viagem para assumir a condução do G20 impossibilitando sua presença física na região afetada, sendo usada para disseminar mentiras sobre o governo tirar proveito da tragédia e menosprezar o grave problema. O próprio governador Leite também entrou nesse jogo, minimizando a ajuda federal, criando um sistema de transferência estadual (PIX) e insinuando que as verbas prometidas demoram demais para chegar. A resposta imediata do vice Alckmin, ao listar os recursos disponíveis na casa das centenas de milhões durante um encontro com o governador, desacreditou o discurso de Leite, que fez uma careta na hora, mas não pôde contestar. A discrepância entre a arrecadação do PIX e os milhões disponíveis tornou-o ridículo.

    No que diz respeito às notícias falsas, o governo agiu prontamente, abrindo inquéritos na Polícia Federal, e o jornalista porta-voz de ditaduras também terá que se explicar.

    Outro ponto de interesse em relação ao governo e às pressões frequentemente estranhas é a nomeação do próximo ministro do STF, para substituir Rosa Weber. Os outdoors em inglês espalhados na capital da Índia durante a reunião do G20, exigindo a nomeação de uma mulher negra para o cargo, parecem definir que tipo de adversário pretende influenciar as escolhas do nosso presidente. O constrangimento passou a ser para esses indivíduos ocultos envolvidos em arranjos internacionais obscuros, que usam causas justas para manipular a consciência nacional e manietar a presidência.

    No entanto, isso não parece funcionar, pois, mesmo que as escolhas do presidente tenham limitações devido às suas referências e indicações, sujeitas a filtros e duras experiências recentes, não podemos ignorar nem por um segundo o caráter político dessa escolha, que vai além do mero conhecimento das leis. Se existirem mulheres negras capazes de desempenhar bem o papel relevante de proteger a Constituição do Brasil, e existem, mais do que isso, a escolha passa pelo crivo da consciência pessoal e da confiança do presidente. Nesse ponto, as limitações de convivência e referências pessoais, considerando que ele é um homem de 80 anos, têm peso. No entanto, como todos nós, ele está em um processo de assumir a importância de expressar a diversidade de nosso povo em todos os sentidos e momentos. Isso não é uma desculpa, mas uma limitação. Se ele encontrar a pessoa adequada para o cargo neste momento crucial, ótimo. Se for uma mulher, excelente. Se for uma mulher negra, ainda melhor.

    Por fim, a reunião do G20 foi realmente um encontro entre gigantes, após anos de afastamento e disputas que levaram inclusive a uma guerra. O Sul global conseguiu conter a vontade das potências de isolar ainda mais a Rússia, usando a guerra como instrumento de ataque, graças aos esforços do Brasil e da Índia. O ano da presidência de Lula no G20 certamente será muito exigente nesse contexto de crescente afastamento entre as potências mundiais. Como mencionei anteriormente, o maior desafio será evitar divisões mais profundas e abrangentes.

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  • Inflação de oferta.

    setembro 10th, 2023

    Enquanto todas as atenções estão voltadas para a delação do ex-ajudante de falcatruas, Mauro Cid, o tufão no Rio Grande do Sul e a reunião do G20 na Índia, é importante reservar algum espaço na agenda desta semana para a próxima reunião do COPOM nos dias 19 e 20 de setembro.

    Uma vez que o atual presidente do BC brasileiro é alvo de muita críticas – ou herói, de acordo com a mídia nacional – torna-se crucial analisar suas decisões. É necessário retornar ao debate sobre as políticas recessivas e concentradoras de renda adotadas.

    Além disso, é preciso considerar que essas políticas parecem estar fortemente ligadas a interesses políticos que não são os atuais, mas sim os do governo anterior, que foi derrotado nas urnas.

    Vale a pena recordar que, no início do governo anterior, o BC brasileiro reduziu drasticamente as taxas de juros, praticando até juros negativos, com o objetivo de valorizar o câmbio e atrair investimentos estrangeiros e privatizações. Na época, a variável inflação parecia não importar, desde que se seguisse a cartilha do governo. O resultado dessa estratégia foi uma alta do dólar, conforme planejado, mas o esperado influxo de divisas e investimento estrangeiro não se concretizou. O então Ministro da Fazenda, Paulo Guedes, chegou a afirmar publicamente que “agora seriam juros baixos e dólar alto” o motor do crescimento nacional. Essa estratégia falhou miseravelmente, levando a uma inflação de dois dígitos.

    Mais tarde, quando a inflação se tornou um problema global devido às perturbações nas cadeias de suprimento causadas pela pandemia, o BC mudou drasticamente de rumo, novamente pelos motivos errados e sem sucesso. Enquanto outros países desenvolvidos aumentaram as taxas de juros para financiar suas dívidas públicas pós-pandemia, o Brasil manteve o discurso de combate à inflação, ocultando, na realidade, o objetivo de prejudicar o crescimento econômico e manter o governo atual em apuros fiscais.

    O cenário internacional continua com juros elevados nos países desenvolvidos, com os EUA buscando atrair investimentos globais para financiar sua dívida e ganhar tempo antes das eleições. Isso afetou negativamente as bolsas de valores dos países emergentes, uma vez que investir em títulos americanos se tornou uma opção mais segura.

    Diante desse contexto, a discussão sobre as taxas de juros no Brasil deve ganhar destaque na próxima semana, especialmente com o discreto aumento do PIB no segundo trimestre. O BC parece ter perdido a pouca timidez que lhe restava e pode voltar a sugerir uma redução de 0,5% na taxa, quando se espera uma queda de 0,75%.

    A situação global mostra que a inflação decorrente de problemas nas cadeias de suprimento está diminuindo, e as preocupações com a produção e gargalos estão sendo superadas. Os embarques e desembarques de insumos e alimentos estão retornando aos níveis normais, reduzindo as pressões sobre os preços. Em breve, a discussão pode se voltar para a deflação, possivelmente devido a uma recessão global.

    No entanto, o BC brasileiro parece não estar participando desse debate, pois suas motivações parecem estar ligadas a objetivos políticos e não apenas à política monetária. A recente nomeação de dois novos diretores aliviou um pouco a situação, já que o “inimigo interno” foi exposto e teve que ser mais flexível para manter sua posição. No entanto, ainda existe uma intenção inacreditável para manter uma postura que prejudique o crescimento econômico do Brasil.

    Nos próximos meses, a discussão sobre as taxas de juros continuará sendo crucial para o Brasil. O crescimento econômico do país depende de taxas de juros justas e responsáveis, e não se pode aceitar a convivência com as mais altas taxas de juros do mundo sem um motivo válido. O desafio de enfrentar as taxas de juros de até 400% no crédito rotativo é um sinal claro de que é necessário superar os ciclos econômicos frustrados e aprender com as lições passadas. O caminho a ser percorrido é conhecido por todos, mas sua concretização permanece incerta.

    Portanto, a questão essencial é se o Brasil continuará acelerando seu crescimento, o que também é fundamental para o sucesso de uma nova âncora fiscal, ou se retrocederá para um cenário adverso. A única saída viável parece ser o crescimento da economia brasileira.

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  • E o G20?

    setembro 8th, 2023

    Pela primeira vez, assumindo a Presidência do G20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, o Brasil, com Lula, inicia sua viagem à Índia hoje.

    Na agenda, destacam-se o combate à fome e desigualdade, mudanças na governança mundial – ONU – e a agenda ambiental ligada ao pleno desenvolvimento humano. Enfrentamos enormes desafios em um mundo cada vez mais dividido.

    Propor o combate à fome e dar prioridade ao meio ambiente parecem ser propostas amplas e passíveis de apoio global. Na realidade, os governos muitas vezes agem de forma oposta à retórica desses encontros, e o desafio é encontrar maneiras eficazes de combater esses problemas.

    Parece que reuniões desse tipo começam a perder sentido. Lula foi um dos principais presidentes a expandir o G7, mas agora até o G20 mostra sinais de desgaste e a necessidade de renovação ou expansão.

    O presidente chinês não estará presente, devido a disputas de fronteira com a Índia, e Putin também está ausente devido à guerra.

    Sánchez, da Espanha, testou positivo para a COVID-19 e também não participará.

    O encontro também serve para reafirmar o novo poder emergente da Índia, e há evidências de algum desconforto por parte da China.

    O Brasil navega habilmente por essas áreas minadas, o que é uma tradição de nossa diplomacia, exceto pelo desastre dos últimos anos. Além do histórico nacional, o carisma do nosso Presidente e sua visão corajosa de um mundo multipolar também desempenham um papel importante.

    À medida que as divisões no mundo atual se aprofundam, os fóruns de representação comum estão se esvaziando. A Presidência do G20 enfrenta um desafio significativo para o próximo ano. O Brasil certamente fará esforços no sentido do diálogo e acordos de interesse comum. Resolver todos os problemas é pouco provável, mas a maior tarefa pode ser evitar que os problemas se agravem em um ano tão desafiador pela frente.

    “No G20, Lula, Biden e Modi vão lançar aliança global do etanol
    Eles rejeitam o epíteto de “Opep do etanol” porque a intenção, dizem, não é controlar preço, mas induzir a descarbonização do mercado de combustíveis com a criação de uma “commodity sustentável”.” ( Valor)

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  • Chutou o balde.

    setembro 6th, 2023
    Foto por Vitaly Gorbachev em Pexels.com

    Nosso valente Ministro Dias Toffoli decidiu tornar inutilizáveis todas as delações e acordos do caso Odebrecht. Ele afirmou ainda que a prisão do Presidente Lula foi um dos maiores erros da história do judiciário brasileiro.

    Toffoli resolveu animar a semana da pátria com suas declarações explosivas.

    Bem, entre nós, parece-me uma daquelas ações no estilo Barrichello: intempestiva, populista e covarde.

    Mas necessária.

    Imagine que, em relação a esses acordos com a empreiteira, um ex-presidente peruano se suicidou, e no Equador o assunto Lava Jato continua a influenciar a disputa política interna do país. E eles terão eleições nas próximas semanas.

    A Lava Jato foi isso, um golpe grotesco com pessoas da pior espécie, impulsionado pela mídia venal e anti-patriótica.

    Além do ministro, há muitas pessoas por aí que devem desculpas, reconhecimento e pedidos de perdão. Depois do fim das pedaladas, enterrar a Lava Jato e seus últimos resquícios parece ser uma tarefa urgente e verdadeira, que está acontecendo no judiciário. A imprensa e seus seguidores continuam impassíveis.

    O ex-juiz e futuro ex-senador Moro, está meio desaparecido por medo de sua anunciada cassação, pasmem, por abuso de poder econômico. Ainda falta apurar os abusos de seu tempo como juiz, e sugiro até ser oferecido um acordo de delação premiada, pois tem muitos segredos para revelar. Além das conexões internacionais.

    Toffoli resolveu aceitar o novo rumo da história. Apesar de ter agido covardemente, sua nova decisão não apaga sua imagem; antes, ela confirma a pusilanimidade daqueles que se aproximam do poder e fazem escolhas acomodadas.

    Tanto faz, no pacote da infâmia, ele está devidamente acomodado também.

    Para a história, é importante que a verdade seja proclamada dos telhados; é o lugar dela, para o bem ou para o mal.

    Mais uma vez, a verdade encontrou seu caminho.

  • Os três poderes.

    setembro 6th, 2023
    Foto por RDNE Stock project em Pexels.com

    Na semana supostamente calma, com feriado nacional e aquela emendada básica, para quem pode, o Presidente Lula provocou uma discussão, que pode ter sido para distrair o distinto público enquanto faria logo mais a sua pequena reforma ministerial, entregando algumas pastas intermediárias ao centrão, PP e Republicanos.

    Mas a discussão veio, e a reforma não.

    Suspeito que quem promoveu a cortina de fumaça foi mais a imprensa sem assunto do que alguma intenção oculta no comentário do Lula.

    Para quem não viu, Lula sugeriu que os votos individuais dos Ministros do STF fiquem secretos, divulgando somente o resultado final da votação.

    Uma ideia, pessoalmente discordo, e em tempos de sociedade Big Brother, STF como uma espécie de novela online de grande audiência, duvido muito que os ministros cogitem implantar semelhante rotina.

    Talvez o alvo nem tenha sido exatamente a divulgação do voto individual, de grande interesse da sociedade, mas a sua transmissão exagerada, alçando os ministros a fama indevida e expostos pessoalmente à fúria de insatisfeitos como tem ocorrido.

    Provavelmente não farão nem uma coisa nem outra, as celebridades de toga parecem gostar do cenário, mesmo eventualmente correndo alguns riscos.

    Na Câmara a coisa acontece igual, Lira percebeu que passou meses aprovando tudo de interesse do governo, enquanto falava que faria tudo ao contrário, e levantou algumas bandeiras vencidas pelo tempo e o espaço, Reforma Administrativa e algumas daquelas presepadas morais.

    As CPIs estão sem gás, começaram como palco para desfile de egos, caminham para final previsível e sem sucesso de público. E a necessidade de renovar as pressões sobre o governo e agradar interesses esquecidos, inspirou o presidente da Câmara.

    A impressão é que a sociedade de espetáculo venceu de lavada a disputa com todo o recato e figurino de cargos e posturas, ninguém parece escapar ao deslumbramento e egos inflados.

    Talvez tenha sido sempre assim, provável.

    Políticos necessitados de votos, estávamos acostumados, Presidente ficava mais na moita esperando época de eleições, mas essas de 4 em 4 anos estão no horizonte distante demais para a dinâmica atual, exigindo presença constante e disputa diária da pauta nacional.

    Uma canseira, que veio para ficar.

    Agora, Ministros do STF todo dia na mídia é dose para leão. E também não vão mudar.

    É isso, amanhã Lula assume a Presidência do G20 e teremos assunto melhor para tratar.

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  • Voltamos ao normal ou ao anormal?

    setembro 5th, 2023
    Foto por Craig Adderley em Pexels.com

    A propósito do meu POST anterior (“Desistindo da desistência”), ocorreu-me incluir que estaríamos voltando ao normal, com respeito às práticas democráticas, crescimento econômico COM distribuição de renda e agora respeito e preservação ecológica ampla.

    Mas será que isso é verdade?

    Porque o nosso normal, sobretudo para quem tem mais de 50 anos, não é bem nada disso aí não. É exatamente o oposto, infelizmente.

    A nossa América Latina segue em busca de ridículos tiranos, que afrontam todas as conquistas da civilização, enquanto promovem, através da violência, a exclusão social e o aumento da desigualdade.

    Uma coisa que muito me surpreendeu nesses últimos 7 anos foi o silêncio da chamada sociedade organizada. A resignação do nosso povo. Uma vez ouvi Lula falar que quem tem fome e sofre violência só reage em último caso, prefere suportar até o limite a adversidade. Os ricos e poderosos desse mundo sabem disso, não por nada fazem da violência contra os pobres o cerne de suas políticas, não à toa preferem manter o povo na miséria e na dependência.

    É uma longa história.

    Mas vale a observação de que também, quanto à prática de democracia e crescimento com distribuição de renda, não é o normal na nossa história, apesar de 15 anos de um governo empenhado e comprometido com boas ações nessa direção. É necessário reparar na oportunidade renovada de tornar o atual momento algo normal em nossas vidas. Que tudo seja compreendido e prorrogado através da escolha consciente das pessoas capazes de seguir com a bandeira hoje e no futuro.

    Não é trivial, veja a nossa vizinha Argentina, que apesar da grave crise que passam, pensam em escolher algo ainda pior. Pensam, talvez, em assim punir os responsáveis pelas crises, mas acabam por infligir danos ainda maiores a si mesmos.

    O exemplo brasileiro de um governo fascista e irresponsável deveria servir de alerta. Não sei se servirá.

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  • Desistindo da desistência.

    setembro 5th, 2023
    Foto por Guilherme Rossi em Pexels.com

    Percebo que estou numa fase bem pró governo, mas é importante pontuar alguns movimentos – e estes estão abundantes – porque estamos num momento de virada e captar e valorizar determinados sinais nos ajuda a entender os rumos futuros da nossa economia.

    Enterrar a âncora do golpe foi mais do que uma vingança simbólica, também foi, mas foi sobretudo apontar para um princípio renovador e estimulador de investimentos públicos, ao propor um ajuste baseado na arrecadação além do mero controle de gastos, como é usual.

    Aprovar a Reforma Tributária parecia impossível, o que de fato foi nas fracassadas tentativas em décadas passadas. E está sendo proposta de tal maneira a poupar os agentes e profissionais, as estruturas estatais de controle e arrecadação, projetando décadas de acomodação e aprendizado na implementação. E promete simplificar e promover maior justiça na aplicação do modelo novo, além de distribuir renda, com as devoluções em dinheiro nos casos de alimentos, outra revolução em se tratando de arrecadação.

    Mais um importante sinal foi dado na semana, com a desistência de desistir – explico – do grupo responsável pela administração privada do importante aeroporto de Viracopos, arrematado nos leilões de 2012 e recentemente devolvido pelo concessionário por conta do fracasso de retorno previsto nos últimos anos. A concessão de 2012 seria por 30 anos, prazo usual nesse tipo de arranjo, mas desistiram porque estavam descrentes do futuro. E não foi nada com a pandemia, porque o horizonte de 30 anos seria prazo suficiente para superar os graves problemas econômicos do setor durante aqueles anos perdidos. Devolveram a concessão porque não acreditavam na recuperação do setor no Brasil. Ponto.

    Em 2012, os aeroportos eram chamados de rodoviária pelos insatisfeitos com o progresso do Brasil, tanto fizeram que conseguiram rever seus aeroportos do jeito que sempre foi e era tão apreciado por uma espécie de gente. Mas os que investiram nos aeroportos-rodoviárias não gostaram nada de descobrir o que agradava o gosto daquela turma, porque para o investidor aquilo não presta.

    Em todo o caso, os desistentes desistiram da desistência e entraram com um pedido de cancelamento da desistência. Parece aquele ninho de mafagafos. E o governo sinalizou que vai aceitar.

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  • Fique em casa!

    setembro 4th, 2023

    Não, não estou falando de quarentena ou coisa semelhante, repito o novo slogan do fascismo para o próximo 7 de setembro.

    Não deixa de ser um alívio, depois de anos seguidos de desfile de ódio e baixarias, incitamento de golpes e ataques contra a democracia e as eleições, os patriotas de fancaria se dizem chateados com o Exército – que não deu o golpe – e assim não vão participar do desfile anual de comemoração da nossa Independência.

    Muito do atual estado deplorável de popularidade do nosso exército, pasmem, está exatamente aqui, na raiva dos fascistas que viram frustrados os desejos de tomar o poder à força. Talvez também o recato atual das Forças Armadas tenha a ver com isso, não sobrou ninguém do lado de fora dos quartéis disposto a defendê-los. Talvez tenha sobrado o Ministro da Defesa, Múcio.

    O filho senador do ex-presidente tentou incluir um viés no estilo conhecido, sugerindo que a data serviria para doação de sangue. Ficou na sugestão, mas coisas assim não podem mais ser aceitas, até porque podem provocar um lobo solitário a agir, por exemplo. A mesma coisa acontece com certos pastores que ainda não viram que a banda deles passou, provocam e incitam violência, são irresponsáveis e pescadores de águas turvas. Isso está ficando cada vez mais claro, felizmente.

    O governo promete resgatar as cores da bandeira e deve fazer aqueles desfiles chatíssimos, mas entendo que devemos ter paciência com festas comemorativas, pois fazem parte da vida de muita gente. E a programação inclui eixos temáticos sobre a Amazônia, preservação ambiental e valorização da vacinação, entre outros, desbolsonarizando a festa e promovendo retorno a normalidade.

    Dizem que 17 mil soldados e a Força Nacional estão mobilizados para qualquer eventualidade. Acho um exagero, mas como gato escaldado tem medo de água fria, que fiquem então prevenidos.

    Bom 7 de setembro para todos.

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  • Que jogo é esse?

    setembro 3rd, 2023

    Fiz uma rápida leituras de alguns textos de poucos meses atrás. Cá entre nós, me pareceu que andei acertando mais que errando nas previsões. Em todo o caso seguimos, porque não é adivinhação, mas tirar consequências dos atos e dos fatos.

    E, como esses nunca cessam, nós também não .

    Bem, um texto do fim de maio, “Baile se máscaras”, fiz as contas dos distintos grupos de Deputados e dos desafios para o governo aprovar as medidas de interesse.

    Em outro parágrafo, falei de uma entrevista do Ministro Dino, que repercutia as disputas daquele momento, quando a agenda ambiental era incerta e enfrentava grave resistência na Câmara dos Deputados .

    Sem falar no todo, nenhum projeto importante havia sido votado, o orçamento secreto era questão de tudo ou nada, a agenda conservadora respirava ameaçadoramente.

    Mas na ocasião a disputa estava aberta, sem que algum grupo dominasse a pauta na divisão de terços entre governo, oposição e centrão .

    Pois bem, embora aqui e ali a agenda conservadora respire, até porque é legítimo que assim o faça, não restam dúvidas de que os terços de votos divididos em maio, estão muito distintos agora, diria que pulverizados , permitindo ao governo negociar seus projetos e avançar.

    A maioria dos congressistas, mesmo quando se diz conservador, joga no cenário pragmático, onde a sobrevivência vem antes .

    E governo popular, com aprovação importante e crescendo, é um parceiro seguro nas travessias eleitorais.

    Fora a economia sofrida, maltratada , abandonada a má sorte, que vai aos poucos se recuperando.

    A comparação entre os resultados práticos da vida das pessoas , olhando para o desgoverno anterior e o atual, escancara as diferenças abissais, relembrando o quanto uma boa administração facilita a vida de todos.

    A inelegibilidade do chefe fascista, seus escândalos rasteiros de roubos e a mediocridade de seu entorno, fazem o trabalho de liberar espaços políticos que não ficarão por muito tempo disponíveis. Mas mesmo os que pretendem herdar o espólio do fascista, moderam o discurso, enquanto elogiam o ex-chefe, pouco ou nada fazem menção a agenda fracassada desse. Ficou indefensável e perigoso atacar a democracia e ignorar as demandas sociais e econômicas necessárias para nosso novo ciclo de crescimento.

    Daqui para a frente, após alguns ajustes no ministério, mesmo na Caixa Econômica Federal, distribuição de cargos e encargos, tudo normal e necessário. A expectativa nunca é de uma Congresso submisso, mas acessível, permeável, propenso a dialogar. E estamos nesse caminho.

    De junho para cá, tanta coisa mudou que parece que muitos anos passaram.

    Uma acomodação, um pouco de paz, democracia na integridade, podem nos trazer um tempo sereno, mais calmo, quando uma rotina equilibrada e previsível poderá ajudar numa qualidade de vida melhor, enquanto a economia cresce naturalmente a custa de trabalho coletivo estimulado e crível .

    O jogo de fundo é o do poder, tanto chacoalhar nos primeiros meses do ano, foram de acomodação e expectativas por cumprir. Enquanto o novo governo entrega compromissos e crescimento econômico, agenda equilibrada e segura, a liderança fica inconteste e as disputas se voltam para um campo mais sereno.

    Aqui e ali a perturbação nunca cessam, faz parte do jogo a intriga e ataques.

    Mas observe como o Presidente Lula aos poucos vai se colocando acima delas.

    E, assim, pode governar de cima, de fora, agindo no momento melhor, atuando para decidir e resolver conflitos, aceito e reconhecido por todos .

    Foi assim no seus dois mandatos anteriores, apesar de todos os ataques da justiça e da imprensa, governou acima de todos eles e foi aclamado.

    Esta fazendo novamente.

    Sim, ele não vai resolver todos os problemas do Brasil, só vai ajudar. O que parece pouco, mas só ele consegue.

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  • Quem avisa, amigo é.

    setembro 2nd, 2023

    Iniciado o novo governo, as expectativas dos agentes econômicos – praticamente todos eleitores do fascista derrotado – e a mídia oligopolista e antidemocrática – idem –, eram todas de que o novo governo seria incapaz de administrar o país, cumprir suas promessas de crescimento do PIB, todas as outras promessas de combate à fome e inclusão do pobre no orçamento. E, importante, inclusão do rico no imposto de renda.

    O Congresso que saía das urnas, segundo os tais agentes, era ingovernável, conservador – para não dizer reacionário – e hostil ao novo governo. Portanto, inacessível e um foco perene de crises e obstáculos aos planos do novo governo.

    A nomeação de Haddad para a fazenda foi recebida como uma piada, uma afronta, um sinal inequívoco do fracasso que estava contratado.

    Eram essas as expectativas, crescimento no máximo de 0,7% em 2023, alguma coisa próxima de nada em 2024 e déficits orçamentários impagáveis. E inflação de 10% com juros de 13,7% com viés de alta.

    No Congresso, o assunto preferido era abrir um debate sobre o presidencialismo híbrido, com Lula virando a Rainha da Inglaterra e Lira o Primeiro Ministro. As verbas do orçamento secreto seriam intocáveis, e o governo nem deveria sonhar em tocar na administração e na distribuição dos recursos.

    Tem muito mais previsão furada por aí, ficaremos nestas e vamos salientar as do governo.

    Lula dizia que o FMI estava errado nas previsões de crescimento baixo do PIB, nomeou ministros para coordenar a liberação das verbas no Congresso, organizou sua base na Câmara dos Deputados, contou com um presidente do Senado muito mais cooperativo, apostou no Haddad e ganhou.

    É claro que estamos apenas no início do governo, e enviaram ontem para o Congresso o primeiro orçamento elaborado pelo atual governo; o anterior foi feito na marra, com Bolsonaro presidente e Lira controlando as votações.

    E o novo orçamento tem algumas características importantes, e algumas provocações, como tentarei explicar.

    Lembrando que iniciamos o ano com previsão de déficit de R$ 150 bilhões no primário, baixou para R$ 135 e agora fixado em R$ 115, como Haddad havia antecipado no início do ano e ninguém acreditou. E isso depois de R$ 1 trilhão de déficit do governo anterior.

    No novo orçamento, estão previstas uma série de medidas para obtenção de novos recursos, porque o orçamento de 2024 foi elaborado no contexto da nova âncora fiscal, que pretende fazer os ajustes na economia também através do aumento de arrecadação e não somente no corte das despesas, como sempre foi feito.

    As novas medidas para aumentar a arrecadação estão disponíveis na imprensa, basicamente a retomada do voto de qualidade do CARF, taxação de investimentos bilionários no exterior, taxação de jogos de azar, falam no IR em dividendos, etc. Mas não é isso que quero explorar.

    O ponto central no aspecto político, além do econômico, é que no novo orçamento não constam reajustes no salário do funcionalismo federal e nem para o Bolsa Família. O que me pareceu mais uma provocação do que uma medida de economia.

    E o Presidente Lula vocalizou a provocação, chamando os sindicatos e todos os grupos de pressão social para a arena, dizendo que estão todos muito quietos e engolindo tudo que aparece pela frente. E não é de hoje, durante o golpe na Dilma ainda vimos alguma resistência, mas depois, durante os governos Temer e Bolsonaro, todos saíram de cena e aceitaram calados todas as medidas absurdas que foram tomadas. Inclusive, 7 anos sem reajuste salarial do funcionalismo.

    Pois bem, águas passadas.

    O sentido da provocação do Lula – seria uma convocação? – é que o governo e seu orçamento lidam com grupos de pressão poderosos, Lira já avisou que a cobrança de impostos nos investimentos dos bilionários não será aprovada. E, se existe uma força que consegue barrar as iniciativas do governo pela direita, é preciso que uma força de esquerda apareça com força suficiente para contrabalançar.

    Me parece claro o recado, democracia não é pacto de silêncio, muito antes, seu exato contrário.

    Fora o fato importante de que nessas lutas, nos sindicatos e nos grupos sociais, novas lideranças são forjadas, amadurecidas e despontam, reforçando e renovando quadros políticos. Ninguém mais do que Lula sabe disso.

    Então fica a dica, se não estão satisfeitos com as iniciativas do centrão no congresso, querem aumento salarial e reajuste no Bolsa Família? Pois vão à luta!

    Não sou eu quem está dizendo, mas o Presidente.

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