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Blog do Franco

  • Sim, polarizados. E do lado certo

    dezembro 22nd, 2025

    Não se trata de Tarcísio e Plano “T”, nem ratinhos, zemas ou caiados. Estamos tratando de bolsonaros e da polarização da extrema direita contra a esquerda e o centro-esquerda. E de um centro dividido e sem candidato.

    O esforço para inviabilizar a candidatura de Flávio permanece em alta e deve seguir por aí até meados do próximo ano, quando desistem e passam a apoiar a tese da “escolha difícil” entre Lula e seu opositor.

    Nas pesquisas, o favoritismo do atual presidente segue firme, precisando conquistar pouco mais de 1% para sacramentar a vitória no primeiro turno. Como as abstenções têm aumentado a cada pleito, podemos imaginar o quanto isso pode favorecer quem está na frente, e pode estar aí a chave para a vitória de início. Porque, embora 1% pareça ser pouco para ser conquistado, e se por um lado Lula mostra liderança firme, também parece atingir um teto de votos que vem desde 2022, quando obteve cerca de 48,5% dos votos no primeiro turno.

    E como aparenta seguir na mesma quantidade atualmente, apesar de colher um sucesso importante nesse fim de ano — não somente econômico, mas social e internacional — praticamente nada refletiu na popularidade, até provocando, por parte do presidente, queixas aos ministros, exigindo maior visibilidade, divulgação de feitos e participação no esforço de mostrar aos indecisos a importância de seguirmos com o projeto atual.

    Corretamente, atribui a dificuldade ao ambiente de divisão social, que, se por um lado permite assegurar a vitória, deixa margem para a eleição de um Congresso muito dividido, para dizer o mínimo. Porque, se aprovam os principais projetos do governo — e acolheram — seguem nas pautas populistas da direita, contra o meio ambiente e minorias, e sustentam os discursos de ódio.

    O quanto é importante para uma disputa escolher seu projeto e ter um adversário contrário e bem identificado, o que facilita a definição do eleitor. Quando tentam jogar com nomes pouco conhecidos e nas sombras da indefinição, podem colher ventos inesperados e de difícil contenção, como tantas vezes assistimos no passado.

    Por isso a resistência ao nome do Flávio e ao sobrenome, por isso um certo desespero da direita com a disputa onde a preferência está marcada. Sim, preferência não é resultado, mas encaminha uma série de acordos partidários que refletem essas expectativas e equilibram a disputa no Congresso, onde precisamos melhorar a representação.

    Fechamos o ano em bom momento, confiantes, otimistas sem exagero e mais espertos.

    Foram tantas bolas nas costas com os meios digitais, as mentiras e os discursos de ódio, que parece que melhoramos muito na lida com esse embate e sua divulgação instantânea e perigosíssima.

    Vamos para uma disputa duríssima, mas confiantes e mais preparados.

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  • O significado político da entrevista do ex-presidente na prisão.

    dezembro 20th, 2025

    No próximo dia 23 está agendada uma entrevista com o ex-presidente Bolsonaro, agora preso, com o site de notícias Metrópoles, quando se espera que, entre bravatas e mentiras contumazes, ocorra a confirmação, de viva voz, da escolha do filho Flávio 01 como seu indicado para concorrer à Presidência.

    Para desespero de muita gente que está fazendo de tudo para, no mínimo, adiar, senão desagendar de vez, a tal entrevista.

    E repare que entre aqueles que querem o adiamento está a esposa Michelle, a mesma que, semana passada, quando Flávio anunciou sua candidatura, antecipou apoio imediatamente.

    A esposa alega momento de fragilidade que pode comprometer a imagem do marido, se exposto, mas falta combinar com os filhos, por exemplo o Carlos, que semana passada publicou foto do pai dormindo e soluçando sem parar, e o outro, Eduardo, lá dos EUA, que fala que o pai está para morrer todos os dias.

    E finge ignorar o histórico das inúmeras internações que insistiram em compartilhar com todos, com imagens, vídeos, todos constrangedores, ridículos e visando manipular.

    Mas quem mais está desesperado com a entrevista, por ela significar o tiro de misericórdia na já moribunda candidatura de Tarcísio de Freitas, o tal do Plano “T” do Centrão e da Faria Lima, é a imprensa golpista, o famoso PIG.

    Um enxame de analistas, colunistas e chamadas em portais, jornais e Tvs , insistem em tentar adiar o anúncio que se avizinha com a entrevista, alegando toda sorte de dificuldades e fragilidades.

    Até o momento não temos nenhum indicativo de que terão sucesso, e a Flávio e a quem o indicou, até onde se sabe, interessa afirmar, reafirmar e confirmar, para a maior quantidade possível de pessoas e o mais rápido possível, a escolha, para que seja definitiva.

    Porque, de fato, ela é.

    A tentativa de manipular o preso e sua vontade é a batalha de vida e morte dos viúvos da candidatura Tarcísio, que tem dia marcado para morrer.

    A ver como isso acontece. Ou não acontece, com distintas leituras.

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  • Cuidados com a criminalização da política.

    dezembro 19th, 2025

    Uma coisa é uma coisa e outra coisa etc.

    Acordamos com mais uma operação da PF contra deputados federais envolvidos com roubo de recursos públicos. Não faz sentido chamar de desvios o que é roubo. No caso de hoje, entre uma sequência das últimas semanas, envolve o líder do partido PL, Sóstenes Cavalcante, que, além de tudo, representa a ala dos religiosos evangélicos do fascismo no bolsonarismo. E é o porta-voz, para não dizer o amarra-cachorro, do líder evangélico Silas Malafaia.

    Não por acaso deixaram para a véspera do recesso parlamentar mexer nesse vespeiro. Não por acaso divulgaram foto de dinheiro vivo encontrado na residência de Sóstenes: cerca de R$ 500.000,00, o que dispensa explicações.

    A investigação tem um ano, iniciou com os auxiliares do deputado Sóstenes, até chegarem à busca e apreensão de hoje.

    Então é preciso duas coisas de nossa parte daqui para frente.

    Fica claro que todo o apavoro dos deputados nos últimos meses com as investigações do ministro Dino e as notícias de que dezenas de deputados estão sendo investigados por falcatruas na liberação de emendas parlamentares são fundamentados. De fato, motivos para preocupações não faltam e não faltarão.

    Outra coisa é adotar uma postura de desconfiança geral nos acontecimentos da política e das instituições.

    Vou exemplificar.

    A partir da fala do bolsonarista senador Alessandro Vieira, de que um acordo do STF com o governo permitiu a aprovação da dosimetria, desencadeou-se um movimento de revolta contra o governo e contra o ministro Moraes. Mesmo com ambos negando que tenham feito qualquer acordo nesse sentido, a coisa segue. A posição de Jaques Wagner, de admitir acordo para incluir na pauta a votação da dosimetria — e ele votou contra, enquanto Alessandro Vieira votou a favor — não quer dizer que estivessem apoiando a aprovação, como a votação posterior não só confirmou seu voto contrário como mostrou ampla maioria adversária à dosimetria.

    O pragmatismo pode custar caro, sem dúvidas, mas em algum momento a dosimetria seria votada no Senado, como foi na Câmara, e, na hipótese de simplesmente ficar na posição de negação, isso não iria resolver nada diante da maioria adversária. E ainda ficaríamos sem os R$ 20 bilhões dos impostos sobre bets e fintechs, que foram aprovados na mesma pauta.

    Sobre o futuro da dosimetria, eu já escrevi em posts anteriores. Mas sobre a criminalização da política é sempre bom alertar, porque, como em todas as atividades, existem os bons e os maus. E é sempre importante separar uns dos outros.

    No caso do presidente Lula dizer que não teve e não tem acordo para aprovar a dosimetria, eu acredito.

    No caso do ministro Moraes dizer que não aceita a dosimetria, eu acredito nele.

    Lula vai vetar, o Congresso disse que vai derrubar o veto, e tudo depois vai para o STF decidir.

    E essa dosimetria vai morrer.

    E a política segue como nossa única maneira de convivência pacífica, onde prestar muita atenção em quem é quem, onde nos colocamos nesse debate e, sobretudo, na nossa crença.

  • Acordo para aprovar dosimetria?

    dezembro 18th, 2025

    Não houve acordo para aprovar a dosimetria, mas sim para incluir na pauta de votação — a última do ano — a cobrança de impostos sobre Bets e Fintechs, arrecadando cerca de R$ 20 bilhões para fechar o orçamento de 2026.

    A fala do senador e líder do governo, Jaques Wagner, assumindo o acordo para a pauta, deu-se em reação ao esperneio de Renan, inconformado com o encaminhamento da votação. O que Renan queria era adiar o assunto, mas o resultado mostrou uma maioria firme para apoiar a matéria e virar a página, porque foi exatamente isso que fizeram, tanto a Câmara quanto o Senado.

    Sentar em cima da matéria só prolongaria a discussão, que agora se desloca para o veto do presidente Lula e para mais um enorme desgaste dos congressistas que irão — porque já avisaram — derrubar o veto, assumindo, em ano eleitoral, uma disposição de afronta à maioria da população. Se bem que cerca de 40% apoiam a anistia, e é para esse público que essas iniciativas são dirigidas.

    Se a manobra do senador Wagner está sendo usada para atacar Lula, o PT e o governo, mesmo com toda a bancada do partido votando contra, como mostra a ilustração, isso faz parte do início das dores eleitorais e das distorções que a esquerda costuma engolir. O resultado na CCJ foi de 17 a 7 e, depois, no plenário, de 48 a 25. Ou seja, ampla maioria para aprovar a matéria, apesar do chororô de quem achava que dava para segurar.

    Isso não foi votado antes porque havia uma queda de braço do centrão com Bolsonaro: um não indicava o sucessor, e o outro prometia, mas não votava a redução das penas ou a anistia.

    Ficamos nisso por meses.

    Até que Senado e Câmara resolveram colocar fim na história. Sabendo que a anistia era inconstitucional, o jeito foi tentar essa dosimetria — que também me parece inconstitucional — e virar a página.

    Se há dedo de ministro do STF na lei, como andam propagando alguns senadores, não sei, mas do ministro Moraes acho improvável. E, do jeito que a lei foi formulada e depois modificada no Senado, tudo de forma ilegal, é difícil imaginar o STF nesse rolo.

    Agora é esperar para ver como ficamos. O PT recorre imediatamente do rito no Senado, que, ao modificar a lei, deveria tê-la enviado de volta à Câmara para aceitação, o que não foi feito e pode, de início, ser contestado na Justiça, como será.

    Eu preferia que se acionasse o STF na questão do mérito da lei, porque o Congresso não pode aprovar norma contra a democracia e o Estado de Direito. Não poderia amenizar a condenação de golpistas. Para termos uma ideia da gravidade, a Lei da Anistia de 1979 nunca chegou a ser julgada no STF. Deixaram a coisa para lá e viraram de costas, o que hoje será impossível de fazer.

    Então, se não agora — porque se contesta o rito e não o mérito —, depois do veto do presidente Lula vai-se contestar o mérito do que foi aprovado nas duas Casas, e o prognóstico não é favorável a manter essa Lei da Dosimetria em hipótese nenhuma.

    E, com a eleição pegando fogo, quem vai dar a cara para defender golpista, senão o bolsonarismo raiz?

    Não temos aí um cenário favorável?

    Ou deliro?

    O tempo dirá.

    Até lá, vamos ver quem será sorteado no STF para analisar essa questão do rito e se aí já não existe um gancho para o STF mandar tudo de volta ao Senado. Nesse caso, sem entrar no mérito da lei e sem promover mais confusão sobre prerrogativas entre os Poderes.

    Pode ser a saída conveniente para todos os envolvidos.

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  • Era vidro e se quebrou.

    dezembro 17th, 2025

    Ainda estamos por ver se o resultado da pesquisa Quaest de ontem, mostrando Flávio com 23% e Tarcísio com 10% das intenções de voto no primeiro turno, contra Lula com 41%, terá os efeitos prováveis de fazer Tarcísio desistir da disputa.

    Enquanto acompanhamos a fala do líder do PT na Câmara, Lindembergh Farias, que, sobre a briga entre Flávio e Tarcísio pela vaga da direita na eleição contra Lula, afirmou que “estamos torcendo pela briga”, não nos surpreendemos com o resultado que coloca Flávio à frente nessa disputa interna e sepulta a candidatura de Tarcísio.

    O chamado plano “T” foi abatido pela decisão do ex-presidente ao indicar o filho.

    As razões da escolha pelo filho foram exaustivamente debatidas aqui no blog, mas lembramos que se trata de manter o legado do bolsonarismo com a família.

    Da mesma forma, a escolha preferencial pelo filho que carrega o sobrenome, mostrada na pesquisa em enorme vantagem sobre o atual governador de SP, era igualmente previsível; faltava apenas ser expressa em números, o que a pesquisa da Quaest providenciou.

    Outro ponto que a pesquisa mostra — e aqui não somente esta última — é que Lula permanece com chances crescentes de vitória no primeiro turno, com intenções de votos válidos muito próximas dos 50% necessários para definir de cara a disputa.

    Seria um reconhecimento do Brasil ao seu maior presidente de todos os tempos, uma homenagem ao seu último período na Presidência.

    Mas não é uma questão de torcida, nem de previsões, e sim de ir para a disputa com tudo e com todos e definir, de maneira objetiva, nossa melhor alternativa disparada para os próximos quatro anos.

    Sempre lembrando do imperativo de escolher, entre os candidatos da base, deputados e senadores em número suficiente para sustentar esse próximo período.

    Também aqui, nada de novo.

    Mas, factível?

    Nosso tema preferencial em 2026.

    Enquanto não chegamos lá, resta ver o que Tarcísio fará, lembrando que ele sempre negou sua candidatura a presidente; quem fazia isso eram aliados, a imprensa corporativa, o PIG e os mercadores da Faria Lima, todos decepcionadíssimos com essa pesquisa da Quaest. Tarcísio, entretanto, basta manter a fala e sair de fininho.

    Sem esquecer — ou aí alguém lhe alertar — que 2030 também foi para o beleléu, porque a familícia não abre mão, agora nem no futuro, de manter em suas mãos a herança dos votos. Isso ninguém destaca, e é, a meu ver, a maior consequência da decisão interna do bolsonarismo: perder agora e depois seguir perdendo, até definhar, sem fazer algum tipo de concessão à direita que se julga limpinha.

    Assim como a pesquisa da Quaest terá consequências imediatas no rumo da próxima eleição, a decisão do bolsonarismo de seguir sozinho terá efeitos nas próximas eleições.

    Em todos os casos, a notícia é terrível para as pretensões presidenciais desse grupo político que gravita na Faria Lima, na imprensa e na direita tradicional. Estão no pó da rabiola eleitoral e no pó permanecerão.

    Ou, como sugere a capa histórica da revista Veja sobre o futuro do PT, publicada em 2005 e que reproduzi para ilustrar o post: quem era de vidro e se quebrou foi a direita tradicional. E não há conserto para os próximos anos.

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  • Copom de agosto de 2024.

    dezembro 16th, 2025

    Resumo Copom em agosto de 2024 :

    “O cenário de política fiscal expansionista e falta de credibilidade no ajuste dificulta o trabalho da política monetária para trazer a inflação para o centro da meta, resultando em juros maiores por mais tempo. Nas projeções de inflação do Copom, a inflação fechará 2024 em 4,2% e irá para 3,6% em 2025. Em um cenário alternativo, no qual a taxa Selic é mantida constante ao longo do horizonte relevante, que é o primeiro trimestre de 2026, as projeções de inflação situam-se em 4,2% para 2024 e 3,4% para 2025.”

    Fazer esse tipo de viagem no tempo, relembrando previsões de autoridades e economistas, é o tipo de constatação que mostra o quanto expectativas são desmentidas pelos fatos seguintes — o que, aliás, nenhum economista nega; assumem ser esse o destino da maioria das suas previsões.

    Com um pouco de boa vontade, dá para perceber que erram, mas não tanto assim, se pensarmos em termos da memória nacional sobre inflação e em uma certa tolerância para discrepâncias de 1% a mais ou a menos não fazerem diferença. Ou seja, se estão prevendo 4% para a inflação anual e ela chega a 5%, estamos todos perdoados. Assim tem sido.

    O problema, no nosso caso, não é esse, mas o teor dos comunicados da época do presidente do BC, Campos Neto. Observe, nos gráficos que adicionei, que do início do desgoverno federal anterior ele derrubou as taxas nos dois primeiros anos e, nos dois seguintes, subiu vertiginosamente. Após Lula assumir, fez novamente cair e depois começa a escalada de juros até chegarmos a este dezembro de 2025 com juros em 15%.

    E a inflação, que seria o objetivo de toda essa movimentação? Releia o trecho que anexei no primeiro parágrafo do comunicado do Copom em agosto do ano passado: a previsão de inflação para 2024 é menor que a atual em 2025, quando todas as apostas futuras apontam para queda da taxa, e não sua elevação.

    Perceba o quanto essa diferença de prognósticos e ações embute visões de mercado e de governo muito mais do que análise de inflação ou câmbio.

    Porque, mesmo a partir de agosto do ano passado, os juros começaram sua escalada e não colheram resultado algum até passar quase um ano, quando aí sim, por volta de junho deste ano, a trajetória da inflação verdadeiramente começou a cair a partir dos efeitos na taxa de câmbio.

    Porque as razões destacadas no boletim de 2024 e nos meses seguintes do comando do BC de Campos Neto nada fizeram além de desacreditar o arcabouço fiscal, os investimentos públicos e a trajetória da dívida pública, provocando no mercado a sensação de descontrole fiscal que jamais ocorreu. E nem foi neste governo atual do Lula — nunca ocorreu em nenhum de seus governos anteriores, e estamos vendo a mesma coisa agora. A previsibilidade do compromisso fiscal é absoluta, cumprida. Ponto.

    Mas Campos Neto pegou aí o mote para discursar, e o fez dia e noite, enquanto os juros subiam mesmo com as previsões inflacionárias abaixo das atuais.

    Quem procurar meus textos da época vai ver que sempre atribuí a esse sujeito todo o mal cambial do início deste ano, que obrigou o atual presidente do BC , Gabriel Galipolo, a manter a política monetária restritiva. E o quanto ele trabalhou alinhado com os objetivos de Paulo Guedes, e como passou a contradizer tudo de Haddad, depois.A questão fiscal desapareceu no horizonte e o foco no câmbio foi assumindo o lugar de onde nunca deveria ter saído e sido negligenciado: se o dólar sobe, sobe a inflação.

    O resultado foi a queda do crescimento do PIB em 2025, que ainda se sustentou pela extraordinária força do mercado de serviços, crescimento da massa salarial, exportações e pleno emprego.

    Tudo o que Campos Neto imaginava ser deletério não era; o que imaginava não ser, era — e não por incompetência, senão propósito.

    Era o discurso do boicote, do ataque especulativo, do freio ao governo que investe e acredita na força da sua gente.

    E funciona, para desespero dessa gente que gosta de desemprego, de fome e miséria.

    Terminamos 2025 muito melhores do que começamos 2024 — mas muito, muito melhores. Foi um ano para ajustarmos os estragos de um banco central de viés oposto ao programa de governo eleito. Lembrem que convivemos dois anos com Campos Neto boicotando a política econômica.

    E os resultados de agora só podem ser obtidos depois de um ano inteiro de sacrifício em forma de juros na lua. É um presidente do BC que trabalha a favor, e não contra, o Brasil.

    Com os investimentos segurando, as entregas do governo não cessaram, os programas sociais não pararam. Observe que a variável que faltava não falta mais: um BC honesto nas intenções e na prática.

    E 2026 segue melhorando, em tudo — inclusive porque os juros vão cair.

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  • A virada de mesa.

    dezembro 15th, 2025

    Iniciamos o ano de 2025 com algumas mudanças pontuais no ministério de Lula, mas fundamentais. A principal foi a troca de Padilha por Gleisi na pasta de Relações Institucionais.

    Também houve uma mudança na liderança da Câmara dos Deputados, quando o PT trocou a liderança de Guimarães por Lindbergh.

    Vale ressaltar que tanto Padilha quanto Guimarães são quadros extraordinários e continuam trabalhando firme: Padilha no Ministério da Saúde e Guimarães na Câmara dos Deputados.

    No entanto, a mudança de ambos foi um sinal do novo perfil combativo das lideranças, já que o prazo de acomodação negociada tinha chegado a um limite.

    Lembrando que começamos o atual mandato de Lula com Arthur Lira na presidência da Câmara, propondo o semipresidencialismo, com um primeiro-ministro escolhido entre os congressistas. E não faltaram apoios à proposta que afastava o presidente Lula do exercício do poder.

    Chegamos ao início desse ano com realidades políticas completamente diferentes daquelas do início do mandato, com pautas importantes do governo já aprovadas e resultados iniciais das políticas públicas, que estamos conseguindo apurar com clareza agora.

    Esses resultados devolveram ao país tempos melhores, e a popularidade do presidente, em números, antecipa um favoritismo eleitoral em um momento crucial.

    Portanto, o tipo de embate que estamos vendo acontecer na Câmara seria impensável dois anos atrás. Mas o PT e Lula anteciparam esse cenário ao fazerem mudanças cruciais nos líderes e ministros, se preparando para o enfrentamento que estamos presenciando.

    O rompimento de Lindbergh com Motta, por exemplo, não é algo ideal, mas pouco tem atrapalhado, pois, na casa legislativa, agora, o imperativo é que cada um busque seu espaço para a reeleição, com ações coletivas sob o crivo dos acordos locais e pessoais.

    E até nisso há cálculo, pois a briga tem prazo para acabar no início do próximo ano, com o rodízio de líderes no PT, e Lindbergh cedendo seu lugar.

    A disputa dentro da Câmara saltou para as ruas, antes com a derrota do projeto da blindagem no Senado e, novamente, com a votação da dosimetria na condenação dos golpistas.

    Vale lembrar o papel de Gleisi na Casa Civil, onde permanece, ao menos até a data limite, pois também deve ser candidata à reeleição na Câmara. Com um perfil igualmente combativo, ela mantém a pressão para as pautas do governo e participa de forma contundente na disputa nas redes sociais, onde sempre se destacou.

    Ao antecipar o cenário de 2025, o governo Lula se preparou para o embate que agora estamos vendo, ao trocar o perfil conciliador de alguns líderes por outros combativos, sem entrar no mérito de quem é mais ou menos. Cada um com sua personalidade, na hora certa e na necessidade política condizente.

    Entramos no ano eleitoral com as ruas mudando de mãos, com a presença da militância pronta para enfrentar o período eleitoral. Com resultados contundentes na vida das pessoas e muito o que defender e mostrar.

    Sem medo de ser feliz.

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  • Foi bom.

    dezembro 15th, 2025

    Nas manifestações chamadas pelo PT em cima da hora para pressionar o Senado na votação da dosimetria benevolente para golpistas, promessa de campanha de Motta e Alcolumbre para a direita, estimo presença semelhante à última, quando evitamos nas ruas a votação da PEC da blindagem.

    Em SP, um número menor; nas demais localidades, mais de 40. Repetimos a dose.

    A repercussão desses atos, dessa vez aparentemente menor, vamos saber durante a semana, até porque o que vai acontecer no Senado na quarta-feira vai medir o pulso dos senadores e a resposta que estão dispostos a dar.

    Diferente da votação da PEC da blindagem, engavetada no Senado, penso ver disposição na Casa para avançar e votar, mas ainda sem sabermos exatamente o teor.

    O relator, Esperidião Amin, com enormes dificuldades de reeleição e ainda tem que enfrentar o filho Carlos 03, que abandonou a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro e foi para Florianópolis disputar vaga no Senado. Carol De Toni, aquela bolsonarista meio atrapalhada, deve assegurar uma das duas vagas em disputa, junto com Carlos, ao menos as pesquisas atuais mostram, deixando Amin de fora. Devemos ver a atuação do relator nesse contexto, de tentar aparecer mais bolsonarista que seus concorrentes, de onde compreendemos as falas até aqui. Mas o texto mesmo a ser analisado passa por escrutínio pesado na Casa, e até pedidos de vista podem atrasar a análise, jogando tudo para o próximo ano.

    A decisão de Flávio de se lançar a presidente, com a benção do pai, meio que embolou a estratégia do centrão de virar a página do bolsonarismo — o que teremos que confirmar depois nas urnas. Ao votar dosimetria e não anistia, agradou os candidatos de direita, mas não o bolsonarismo raiz, que sonhava com Bolsonaro livre.

    O que, cá entre nós, ninguém do centrão sequer imagina ou quer.

    Mas, ao alijar Tarcísio da disputa, deixou a manobra de agradar os radicais e atrair os votos dos extremistas via dosimetria capenga, sem certeza quanto ao resultado final da manobra visando efeitos eleitorais junto a essa parcela importante da população, sem rumo até então.

    Flávio candidato faz a dosimetria capengar, anula o objetivo eleitoral de carrear votos para o candidato do centrão e ainda promove enorme desgaste junto à opinião pública.

    E concluo com essa reflexão: a manifestação de ontem, se não provocou temores maiores, deixa seu recado e, nas novas circunstâncias descritas que tentei montar, pode não valer ser enfrentada e provocar maiores ondas de indignação na hipótese de aprovarem a dosimetria.

    Depois tem o veto do presidente e mais uma rodada de votações no plenário para derrubar o veto; então há um tempo até a coisa virar realidade, entramos em 2026 e a disposição da política de enfrentar multidões fica cada vez menor.

    Esse é o cálculo.

    A ver.

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  • Pesquisas e o velho Ibope de volta.

    dezembro 13th, 2025

    Durante décadas, a parceria Rede Globo e Ibope dominou a opinião pública brasileira, alcançando o auge com a vitória de FHC à presidência no primeiro turno e sua reeleição nas mesmas condições.

    Ficaram tão vidrados nesse período de sucesso que nunca mais foram capazes de abandonar a parceria com o PSDB e aquilo que chamavam de centro. E, por fim, chegamos a hoje sem PSDB e sem Ibope, e com a Globo muito, mas muito menor em sua capacidade de influenciar a sociedade.

    O fim do PSDB e do Ibope abriu oportunidades para o bolsonarismo e, até agora, a vaga de oráculo da direita estava vaga. Não está mais. O comandante da pesquisa Quaest, Felipe Nunes, que realiza pesquisas a mil, financiadas pelo Banco Genial, parece querer assumir o posto. Ao menos é isso que se depreende da notícia saída do insuspeito jornal O Globo sobre o entusiasmo do chefe da Quaest com a candidatura Ratinho, em dobradinha com Zema.

    Sim, na falta de Tarcísio, o pesquisador sugere, para derrotar Lula, a união de um nome novo com MG.

    Isso aí parece receita para derrota em primeiro turno, mas sobre isso vamos conversar no próximo ano, quando as candidaturas deixarem de ser apostas e promessas e entraremos para valer na disputa.

    Mas o entusiasmo do pesquisador não podemos deixar passar em branco. O fato de ser financiado por um banco não deixaria margem a dúvidas sobre para qual senhor se inclinam as aptidões do rapaz. Mas, quando ele se aventura por indicações de políticas públicas e decide participar do jogo político nacional não como pesquisador, mas como parte interessada, a credibilidade de suas pesquisas sai por outra porta.

    E não volta.

    O Ibope que o diga.

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  • Seguir construindo.

    dezembro 12th, 2025

    A fala de agora do presidente Lula, afirmando que se estivesse na Presidência 80% dos brasileiros mortos na COVID teriam sobrevivido, deixa um sabor amargo de verdade e dor absoluta.

    E eu não perdi ninguém próximo na pandemia, mas vi de perto a dor de muitos.

    O bolsonarismo, após perder a eleição de 2022 e fracassar na tentativa de golpe, planejando o assassinato do presidente eleito, o vice-presidente eleito e um ministro do STF, não se conformou com a derrota e, aliado ao Centrão, tentou de todas as maneiras evitar o sucesso do governo.

    Não conseguiram, porque nas matérias relevantes o Legislativo acompanhou as principais iniciativas e aprovou.

    O custo da relação atinge níveis inéditos, com metade do orçamento nas mãos dos deputados e senadores, que podem utilizar recursos inéditos para uma política pulverizada, populista e abrir espaço para desvios.

    É importante destacar o quanto esses recursos têm feito diferença nas médias e pequenas cidades — como comprovamos nas últimas eleições municipais, em que 80% dos prefeitos foram reeleitos. Não é por aí que devemos fazer a crítica a essa distribuição de bilhões: eles de fato atendem demandas municipais, nas condições citadas, mas retiram recursos de ações abrangentes e muito mais relevantes, onde tanto dinheiro poderia ter melhor finalidade.
    A questão dos desvios, eu sempre lembro, é assunto para a polícia e a Justiça — o que de fato tem ocorrido — e pode no futuro permitir ao menos uma utilização, se não melhor, ao menos mais honesta possível.

    Enquanto se trabalha para diminuir esses valores, sem sucesso — porque sem manobrar esse interesse particular dos congressistas pouca coisa avança em termos legislativos — usa-se a arma e a coisa avança.

    Durante o ano sempre procuramos acompanhar as inúmeras iniciativas de sucesso do governo, que levam à maior massa salarial da história, 2 milhões de novos empregos com carteira, inflação no teto da meta e diminuição histórica da fome e dos níveis de miséria.

    Índices que perdemos todos durante o desgoverno anterior e que precisaram de praticamente 3 anos de trabalho duro para retornarmos aos números de 2013/2014.

    Não por acaso, frequentemente as manchetes usam 2013 e 2014 como referência para comparar o atual momento do país.

    Mas precisaríamos destacar o que aconteceu entre 2014 e 2022 para retornarmos ao mapa da fome, termos tantos desempregados e miseráveis novamente.

    A resposta todos sabemos.

    As iniciativas dos bolsonaristas no Brasil — nas câmaras federais, estaduais e municipais — têm em comum a inutilidade, a busca de privilégios e a exclusão: por raça, por posição social, por sexo. Propostas para melhorar a vida do povo não entram no cálculo limitado dessa gente.

    Só entram projetos inúteis, de apelo moral, religioso e de exclusão.

    Então, a questão de aprovar dosimetria para reduzir as penas de golpistas faz parte dessa lógica eleitoral de quem não tem nada para propor, além de manter agitado um capital eleitoral — a meu ver — decadente, que tentam segurar na base de desesperadas iniciativas.

    E esse absurdo tem tudo para avançar no Senado, a depender das manifestações do próximo domingo, dia 14, quando me parece provável ocorrer uma grande manifestação de repúdio a essas iniciativas do bolsonarismo parlamentar e do Centrão, que tenta abrir espaço na herança de votos dos extremistas e até convencer Flávio Bolsonaro a desistir de sua candidatura a favor de Tarcísio.

    O que não vai acontecer. E aposto que Flávio vai crescer nas pesquisas e afastar essa disposição de quem imagina poder tirá-lo da disputa.

    Que vai perder — como temos insistido — porque para ele interessa o dia seguinte eleitoral: manter o legado do pai.

    Então, enquanto a direita insiste em destruir para manter posições e convencer apoiadores de sua disposição intacta de nada acrescentar ao Brasil, existem muitos outros empenhados na direção oposta: de inclusão, independência internacional e crescimento econômico com distribuição de renda.

    A escolha é sempre nossa.

    Vamos às ruas no domingo. A eleição de 2026 começou.

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