Pular para o conteúdo
  • Sobre
  • Contact
  • marcelolfranco@uol.com.br

Blog do Franco

  • Sem anistia, mas com dosimetria.

    dezembro 10th, 2025

    Primeiro: dosimetria é golpe!

    O dia da votação do projeto de redução das penas dos condenados na tentativa de golpe chegou. Veio com truculência contra deputados, expulsão de jornalistas do Plenário da Câmara e votos na madrugada. Exatamente como deveria acontecer, de acordo com o retrocesso que promove — nada como relembrar tempos da ditadura. No fundo, tratou-se de mais uma mini anistia para quem tenta destruir a nossa democracia.

    A diferença desta vez é que todos foram julgados, condenados e presos. Não ficam muito: no caso de Bolsonaro, a pena foi reduzida para 13 anos, com apenas 2 anos de cadeia. Porque branco e rico não fica preso nesse Brasil — e isso não vem apenas do Legislativo, mas também da Justiça, como vemos se confirmar todos os dias.

    Além disso, aprovaram o texto do governo sobre devedores contumazes, que permite cobrar empresas e pessoas que abrem e fecham CNPJs para seguir sonegando. Um texto importante para combater esse crime grave.

    A Câmara decidiu votar a matéria da dosimetria, que não muda a condição dos condenados e não é anistia, porque havia a garantia de que iria rapidamente ao Plenário do Senado. Talvez não tão rápido quanto deseja o presidente da Casa, Alcolumbre, que falou em aprovar ainda em 2025 para “enterrar o assunto”. Mesmo assim, alguns senadores não aceitaram a pressa, embora provavelmente o mérito também passe no Senado.

    De longe, o STF deixou vazar que quem decide sobre pena de condenado é a Justiça. E, de fato, tudo deve parar lá — até porque pode ser entendido como obstrução do curso da Justiça, já que o julgamento dos golpistas ainda não acabou. Outros núcleos ainda estão sendo julgados, além do principal, onde estavam Bolsonaro e os generais. Além de que aprovar lei que individualiza tipo penal, abrindo mão da universalidade, não parece promissor.Ainda que a norma tenha sido aprovada, a redução das penas não será automática. As defesas deverão requisitar a revisão à Justiça, e no caso dos crimes relacionados ao 8 de janeiro, a execução penal permanece sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal (STF).

    No mesmo clima, o Senado — na noite das entregas de fim de ano — afrontou decisão anterior do STF e aprovou novamente o Marco Temporal, matéria que voltará ao Judiciário no próximo ano. Gilmar Mendes também vem ignorando o tema já votado e decidido pela própria Casa.

    Sobre a dosimetria, eu enxergo a votação de ontem como parte de um acordo para Flávio desistir da candidatura em favor do candidato do centrão, Tarcísio de Freitas. Como a proposta da dosimetria surgiu antes da candidatura de Flávio, portanto não resolve nada para que Bolsonaro possa se candidatar em 2026 ou 2030. O PL aceitou votar porque considera o gesto um passo rumo à liberdade — o que, de fato, será se tudo for aprovado pelo STF, o que acho improvável. Ainda assim, Bolsonaro segue fora da disputa. Mas essa minha impressão de acordo do centrão para substituir Flávio por Tarcísio, mantenho.

    Essa votação fez parte da entrega do centrão em troca do apoio para as eleições das presidências das duas Casas. Nas próximas semanas, veremos quanto isso valerá na decisão de Flávio sobre manter sua candidatura, que tenho afirmado ser irreversível. E ainda ontem, durante a votação da dosimetria, Carlos Bolsonaro voltou a atacar o centrão nas redes, mostrando que nada daquilo agradava à familícia, já que não resolve a situação de Bolsonaro. Além disso, pesquisa Ipsos/IPEC divulgada ontem já aponta Flávio com mais intenções de voto que Tarcísio para 2026.

    Concluindo: o presidente Hugo Motta mostrou-se em inteiro teor, escrevendo seu nome no hall da infâmia dos presidentes da Câmara, ao lado de Auro de Moura Andrade , que em 1964, por volta das 2h da madrugada, decretou vaga a cadeira da Presidência mesmo com João Goulart no país. Truculento e inábil, eleito para ser joguete do centrão, agiu da mesma forma para acobertar golpistas contra nossa democracia. Será esquecido em breve, e tenho dúvidas sobre a continuidade de sua presidência na Câmara. Perdeu a confiança do governo e da sociedade. O problema não é o resultado final da votação (291x 148), mas a condução dos trabalhos para chegar até ali. Motta se excedeu, alinhou-se aos piores e será processado por diversos deputados por sua truculência.

    Hoje seguem as votações para cassar os mandatos de Zambelli e Glauber Braga — um acordo infame para perseguir o deputado incômodo do PSOL que denuncia o orçamento secreto. Dizem que Eduardo e Ramagem estão na fila, mas seriam cassados por ausência, o que permite nova candidatura no próximo pleito. É uma decisão infame da Câmara, que mostra o quanto dependemos da habilidade do governo para manter o equilíbrio no país. São 300 votos desequilibrados que dependem de vigilância e extremo cuidado para não desandarem a economia, a democracia, os direitos e a própria sanidade nacional.

    Resta o apelo de sempre: precisamos tentar eleger uma bancada maior e melhor de deputados e senadores. E até acho que vamos melhorar um pouco na próxima eleição, embora sem mudar muito a correlação desfavorável.

    No caso de Bolsonaro, ainda faltam outros julgamentos — como o das joias e o da falsificação do cartão de vacinas — que podem resultar em novas condenações e mais anos de cadeia, sem dosimetria.

    Vida que segue.

    💳 Apoie nosso trabalho: Vamos combinar assim — você que nos acompanha envia R$ 10,00 pelo Pix 30.454.964/0001-70. Ocasionalmente vou te lembrar, para mantermos nossa parceria. Somando esforços, seguimos em frente. Não deixe de contribuir: o reconhecimento vale mais que o dinheiro e mostra que estamos no caminho certo.

    💬 Curta, compartilhe e junte-se a nós.

  • Silêncios II.

    dezembro 9th, 2025

    A escolha de Flávio parece ter atingido a madrasta Micheli em cheio, segundo consta ela nem ficou sabendo com antecedência da escolha e sentiu o golpe, se retirando de todas as atividades públicas para tratamento de saúde, como avisou sua assessoria de agora.

    A curiosidade é se mantém a agenda de visitas ao marido, nas terças e quintas permitidas pelo STF, ou se interrompe, deixando a hipótese de fazê-lo antes por mero interesse pessoal.

    Se mágoa há em ter as asas cortadas, mesmo ninguém sabendo exatamente onde pretendia chegar, e precisando manter no mínimo sua pregação de submissão feminina ao marido — afinal, a escolha foi dele pelo filho — só resta mesmo recolher as asas e esperar para ver o que acontece.

    Um encontro nacional do PL Mulher aconteceria no Rio por esses dias e foi cancelado, adiado para abril, porque a principal atração saiu de cena. Acho que ela vai retomar seu fôlego e seguir os planos de tentar o Senado, apesar dos pesares, mas também ficou consciente de com quem está lidando e de como seus voos são monitorados para seguirem sempre em direção conveniente para a família.

    Ela vai topar, não ganha nada abandonando o barco com o marido preso e rompendo com seu discurso de esposa exemplar.

    Assim como Tarcísio, que não tem asas para voar longe do cavaco, vai ter que engolir sua posição e seguir em frente.

    Tudo depende do bolsonarismo refluir, e estamos falando de 2030; até lá as barbas estão de molho e as bocas abertas para morder se de fato a candidatura Flávio decepcionar.

    Não temos evidência ainda para saber, mas pesquisas e mais pesquisas estão a caminho.

    Mas não mudam mais o cenário de 2026; falar em oposição de Ratinho a Lula ou coisas assim é bobagem. Eles têm juntos muitos votos, mas estão sem rumo, está claro.

    E sem tempo.

    💳 Apoie nosso trabalho: Vamos combinar assim — você que nos acompanha envia R$ 10,00 pelo Pix 30.454.964/0001-70. Ocasionalmente vou te lembrar, para mantermos nossa parceria. Somando esforços, seguimos em frente. Não deixe de contribuir: o reconhecimento vale mais que o dinheiro e mostra que estamos no caminho certo.

    💬 Curta, compartilhe e junte-se a nós.

  • Diga ao povo que fico II.

    dezembro 9th, 2025

    Da mesma maneira que encerrei a série em que antecipava a escolha do filho Flávio como seu indicado a concorrer à presidência em 2026, pelos motivos exaustivamente explicados — manter o legado dos votos da extrema direita na família — vou aqui, pela última vez, afirmar que Flávio não vai desistir.

    A fala de ontem, quando disse ter um preço para desistir, pode ser enquadrada em mais uma das inúmeras besteiras que essa familícia fala todos os dias. No caso, a repercussão foi enorme e explorada pelos viúvos do Tarcísio, escanteado e humilhado.

    O silêncio do governador paulista, a meu ver, nem tem razão na disputa de 2026, que, como lembrou Flávio, foi descartada inúmeras vezes pelo governador de SP quando afirmava não concorrer ao Planalto, e sim somente ao Palácio dos Bandeirantes; mas no futuro do legado bolsonarista, que fica com a familia.

    As notícias de fragmentação da direita, insatisfação, até boicotes — essas sim não duram. Já a candidatura de Flávio vai até 2026, sem tréguas.

    E aí mora o desespero do centrão, da imprensa PIG e da Faria Lima.

    A resposta desses descontentes poderia ser lançar um candidato contra Lula e Flávio. Por que não? Lancem um nome: Tarcísio? E vamos para a disputa.

    Só que não, porque quem tem os votos é a familícia, e não eles todos.

    E digo mais.

    Tarcísio e os descontentes com Flávio que abram o olho: se insistirem na catimba e não entrarem logo no barco bolsonarista, correm o risco de ficarem de fora.

    A resposta do bolsonarismo pode ser lançar outros nomes para o governo de SP e outros estados e deixar os insatisfeitos no porto, sem lenço, sem documentos e sem eleitores.

    Ou não?

    O fato de Tarcísio ter rompido o silêncio e se apresentado com ambiguidades, falando em “ver como fica” e que Flávio poderia contar com ele, tudo numa mesma frase, serviu para manter a ilusão viva na cabeça de alguns. Sobretudo na Faria Lima e no mercado, normalmente nervosos em dezembro, mês de fechamento de posições, remessas de lucros e já esticados nas máximas, era uma chance de realizar lucros — e o anúncio de Flávio caiu como uma luva. Primeiro porque, de fato, era uma grande decepção para o mercado; segundo, porque esperavam uma razão para a realização. Juntando tudo, foi uma queda da bolsa perigosa e um dólar subindo 10 centavos, também muito.

    Ontem, com o silêncio de Tarcísio, a coisa melhorou um pouco: dólar caindo e bolsa subindo, com as conversas em torno de Tarcísio não ter desistido ainda publicamente. E como ainda na noite de ontem se apresentou cheio de ambiguidades, isso pode seguir ajudando na recuperação da bolsa e na queda do dólar no dia de hoje, restabelecendo uma posição melhor para evitar disparadas e perigos inflacionários.

    Passado dezembro e no retorno das férias, a coisa decanta naturalmente e a vida segue.

    💳 Apoie nosso trabalho: Vamos combinar assim — você que nos acompanha envia R$ 10,00 pelo Pix 30.454.964/0001-70. Ocasionalmente vou te lembrar, para mantermos nossa parceria. Somando esforços, seguimos em frente. Não deixe de contribuir: o reconhecimento vale mais que o dinheiro e mostra que estamos no caminho certo.

    💬 Curta, compartilhe e junte-se a nós.

  • “Tem uma condição para eu desistir!”

    dezembro 8th, 2025

    O candidatíssimo Flávio deu uma declaração domingo de manhã de que, por uma condição — que só anunciaria nessa segunda-feira — ele desistiria de sua decisão de concorrer à presidência em 2026.

    Depois, segundo o portal UOL, deu a entender que a condição seria a anistia ao pai.

    Ou seja, fez uma provocação e manteve o plano intacto de concorrer.

    O jornal O Globo, inconformado com a manutenção do bolsonarismo com um Bolsonaro, porque queria um bolsonarismo sem Bolsonaros, distorceu as palavras de Flávio — coisa que fazem o tempo todo com desafetos ou interesses — e a fala distorcida se espalhou como se houvesse alguma negociação possível para a desistência do filho 01.

    Há, por óbvio, uma impossível anistia e queda da inelegibilidade do pai.

    Tudo uma imensa bobagem, mas serve para irmos nos preparando para a sequência de disparates que mais uma candidatura Bolsonaro certamente nos brindará no ano inteiro à frente.

    Amanhã ele deve explicar melhor e desfazer as falsas impressões, e vida que segue.

    Nenhuma novidade e anistia nem pensar.

    O Globo vai seguir mais um tempo tentando desconstruir a candidatura e depois passa a pregar que a escolha será difícil, na linha do Estadão quando Haddad disputou com o presidiário.

    Segue o silêncio do Tarcísio, do Kassab; durante a semana vamos ver se aparecem.

    Não podem ficar mais assim porque daqui a pouco chateiam de vez o caudilho preso, e ele manda substituir, e a reeleição de SP vai para outro nome.

    Alguém tem dúvidas de quem pertencem os votos da direita em SP?

    Do Tarcísio é que não são.

    Ps.:

    1. Meu texto foi escrito domingo à noite pra sair segunda cedinho, como costumo. Flávio se antecipou e no domingo à noite confirmou que desiste com a condição do nome do pai na urna.
    2. Mesmo assim, OGlobo insiste na desistência e continua distorcendo a fala do filho 01. Inconformados com a decisão. Reproduzi, para ilustrar este post, a manchete de agora no portal do jornal.
    3. Segunda vez que Flávio fala de Tarcísio e nada do governador responder.

    💳 Apoie nosso trabalho: Vamos combinar assim — você que nos acompanha envia R$ 10,00 pelo Pix 30.454.964/0001-70. Ocasionalmente vou te lembrar, para mantermos nossa parceria. Somando esforços, seguimos em frente. Não deixe de contribuir: o reconhecimento vale mais que o dinheiro e mostra que estamos no caminho certo.

    💬 Curta, compartilhe e junte-se a nós.

  • Silêncios.

    dezembro 7th, 2025

    A escolha de Flávio como o candidato do bolsonarismo não suscitou fogos e artifícios, senão silêncios.

    O que nos provoca reflexões.

    O maior silêncio é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ex-preferência do poder financeiro, da imprensa corporativa e do centrão. Mas como todos dependiam dos votos do miliciano preso, estavam esperando a decisão enquanto tentavam criar um ambiente de fato consumado para cercar a familícia e deixá-los sem opção.

    Observe como a falsa iniciativa de anistia entra nesse quadro de fingimentos. Um centrão que aprova tudo quando quer era incapaz de aprovar sequer a redução das penas, claramente a moeda de troca nessa relação.

    Nem Bolsonaro indicava o sucessor, nem o centrão entregava a redução das penas.

    Ficamos nessa praticamente o ano inteiro, certamente na dependência da prisão do capo fascista — e mesmo aí tudo já era encenação, porque o ex-mito tinha sobre si a inelegibilidade.

    Tarcísio seguiu firme no roteiro aguardando o seu dia, talvez até negociando a vice com Micheli. Nunca acreditei nela como candidata, mas de vice pode ser que aceitasse. Embora nunca tenha visto Tarcísio e Micheli juntos para essa chapa futura, parecia que corriam disputando entre si, enquanto os filhos corriam por fora.

    E tudo mostrou-se ilusão, porque o chefe fez o gesto esperado para preservar seus interesses e explodiu tudo o mais à sua volta.

    O silêncio de Tarcísio, Kassab, a reação praticamente de desistência do União Brasil, dos Republicanos reclamando de nada saberem antecipadamente, do pastor chamando a direita de incapaz, outros nomes em silêncio ou apontando outras prioridades, voltando a falar de anistia e coisas para tentar desfazer o anúncio definitivo.

    Esqueçam, não tem volta.

    E Eduardo avisou ontem mesmo que não sabiam com quem estavam lidando.

    Sabiam sim, mas estavam naquela negação que costuma sair caro.

    E saiu.

    A perplexidade de acordos jogados na lata do lixo — imaginem. O que Tarcísio faz, sumido, é tentar reconstruir a confiança que derreteu, como a bolsa de valores, certos da derrota no próximo ano contra o inimigo de classe.

    Não estão em silêncio porque não concordam; não têm como discordar. Lambem as feridas da humilhação, da falta de consideração, dos planos arruinados.

    E não duvido que faziam tudo com orientação do chefe do clã, para seduzir os gananciosos dos votos alheios.

    Devem cair na real, porque sumir assim vai deixar o clã desconfortável, e quem arrisca ficar no alento são esses que agora calam.

    Porque os Bolsonaros mostraram que não estão nem aí para nada além do interesse de preservar o legado na família.

    “Não gostaram? Que venham.” Pensam e agem abertamente.

    E nunca agiram de forma diferente.

    Acho que vão quebrar a cara, perder eleição, diminuir a influência, sem desaparecer contudo.

    Tarcísio, dependendo do que fizer daqui em diante, poderia tentar depois — o que ele e todos já veem impossível no momento.

    Por isso o desespero.

    Acabou para a direita a hipótese de compor com o bolsonarismo sem Bolsonaro. É engolir o pacote completo ou tentar a sorte.

    O que, ao menos até onde a vista alcança, eles não têm a menor chance de fazer.

    Queriam descartar a familícia e foram descartados.

    A ver o que sobra.

    Porque o que se fechou não foi a porta de 2026 para um candidato do centrão, uma candidatura de Tarcísio. Fechou-se a porta para o futuro dessa gente toda, porque Flávio vem agora e vem depois e depois, até isso se resolver, se dissipar — ou não.

    Ocorreu uma disputa de poder dentro da facção e os Bolsonaros ganharam.

    Quem quiser engolir, que engula.

    Os sonhos acabaram para Tarcísio e afins, e o silêncio é o que resta para reflexão.

    Refazer contas, beijar a mão, desistir dos sonhos e planos futuros.

    Eis a questão.

    PS.: E neste domingo Tarcísio acabou de romper o silêncio sem tocar no assunto Flávio.

    Foi rezar.

    💳 Apoie nosso trabalho: Vamos combinar assim — você que nos acompanha envia R$ 10,00 pelo Pix 30.454.964/0001-70. Ocasionalmente vou te lembrar, para mantermos nossa parceria. Somando esforços, seguimos em frente. Não deixe de contribuir: o reconhecimento vale mais que o dinheiro e mostra que estamos no caminho certo.

    💬 Curta, compartilhe e junte-se a nós.

  • O anúncio que derrubou a bolsa e disparou o dólar.

    dezembro 6th, 2025

    Como temos explicado, ontem confirmou-se a escolha do filho Flávio para a disputa presidencial do próximo ano. A notícia começou a correr logo após o almoço, com uma nota do Metrópoles, e foi se espalhando até que Flávio publicasse a confirmação em suas contas.

    A surpresa do anúncio não foi o nome em si, previsto por nós, mas a antecipação. Parecia que Bolsonaro iria usar a estratégia do Lula de escrever o nome no TSE para a disputa presidencial, esperar a negativa e só depois anunciar o sucessor. E assim se manteria em evidência. Por algum motivo, antecipou — e aí moram algumas dúvidas. Pode ter sido a movimentação da esposa, Michelle, atrapalhando acordos nos estados, como fez no Ceará com Ciro e como ameaçava Eduardo Paes no Rio, na sequência. Pode ser porque Tarcísio tentava intensificar sua presença, e uma chapa dele com Michelle de vice começou a circular. Ou pode ter sido o cálculo de que os fatos estão colocados e, quanto mais cedo surgir um nome da oposição — até agora não tinham esse nome —, melhor para o início da campanha.

    Pode ter sido uma soma dos fatos, mas isso por parte de quem queria a vaga. Na familícia nunca foi assunto e, com o provável impedimento legal de Eduardo, sobrou Flávio para o sacrifício, como eles mesmos falam sobre a candidatura.

    Sim, sacrifício, porque vai para perder, como expliquei várias vezes anteriormente. Vai pelo legado, pela herança, para que não caia em outras mãos. E depois, derrotado, vê-se como fica.

    E aí está a questão central dos fatos desta sexta-feira. Com a queda impressionante da bolsa de valores e disparada do câmbio/dólar: o anúncio da candidatura de Flávio.

    Mas não exatamente por causa dele, e sim por causa do Lula.

    É curiosa a incapacidade de perceber os fatos.

    Durante esta última semana, a bolsa disparou e o dólar foi caindo, caindo — e esse movimento começou após a pesquisa que mostrava empate técnico entre Lula e Tarcísio no segundo turno.

    O anúncio de hoje vem acompanhado da certeza de que Flávio não é páreo para Lula e, nesse caso, a frustração da bolsa precificou o que a vitória de Lula significa para a Faria Lima em 2026, em números auditáveis…

    Claro que teremos todo o ano de 2026 para repor o estrago; é evidente que a taxa Selic segue atraindo investimentos e dólares para manter o câmbio comportado daqui a alguns dias.

    Mas o desapontamento foi o gatilho para a realização dos lucros e para observar o cenário com Lula reeleito.

    Flávio, por enquanto, dividiu a direita, que está perplexa com a decisão. Esperavam enterrar Bolsonaro vivo e ainda levar seus votos, mas ele não entrou no jogo e mostrou as cartas.

    O momento é de “barata voa” na direita, e cada um deve cuidar de sua vida daqui até a eleição — e Flávio que se vire.

    Sozinho, bem entendido.

    A propósito: até a hora em que escrevo, não vi nenhuma manifestação de Tarcísio.

    Que, a meu ver, passa até a correr riscos na sua reeleição se seguir passando esse recibo de insatisfação ao eleitorado bolsonarista que o elegeu da primeira vez.

    E isso vale para todo o centrão e os queixosos com o lançamento de Flávio: onde estão seus candidatos para a disputa presidencial do próximo ano? Onde estão seus votos para ganhar do Lula?

    Pois é, não têm.

    Ontem foi o mercado chorando as pitangas com a vitória do Lula. Não se engane: o problema para eles é Lula continuar fazendo o Brasil crescer com distribuição de renda e investimentos.

    Aliás, Lula ontem mandou um recado para o agronegócio que derrubou as leis ambientais no Congresso recentemente: quando a China e a Europa pararem de comprar sua soja, por devastação e uso de agrotóxicos, vocês vão me procurar novamente.

    É isso que dói nessa gente: a verdade.

    💳 Apoie nosso trabalho: Vamos combinar assim — você que nos acompanha envia R$ 10,00 pelo Pix 30.454.964/0001-70. Ocasionalmente vou te lembrar, para mantermos nossa parceria. Somando esforços, seguimos em frente. Não deixe de contribuir: o reconhecimento vale mais que o dinheiro e mostra que estamos no caminho certo.

    💬 Curta, compartilhe e junte-se a nós.

  • Apostas na mesa: vem aí a queda dos juros.

    dezembro 5th, 2025

    80% dos operadores no mercado brasileiro apostam na redução dos juros SELIC em 0,25% a partir de janeiro próximo, com nosso BC iniciando a esperada curva de queda até atingir algo próximo a 12% no fim de 2026.

    Com a reunião no Fed, nos EUA, no início da próxima semana, e a expectativa de mais um corte de 0,25% nas taxas de juros por lá, a segunda seguida, e com índices recentes de atividade econômica praticamente parada por aqui, é bem provável que, de fato, a redução ocorra, a ver quando.

    Mas tem um senão.

    Mês de dezembro, quando normalmente a pressão cambial aumenta demais por posições de fechamento contábil e envio dos lucros para as matrizes das empresas estrangeiras, somado aos movimentos antecipados de proteção por conta da discussão e depois da aprovação da cobrança de impostos sobre dividendos a partir de 2026, com reflexos atenuados quando decidiram parcelar até 2028 o pagamento. Não fosse isso, a corrida contra o real nesse fim de ano seria perigosa e poderia colocar o câmbio mais uma vez em posição altista, comprometendo todo o esforço do ano para conter o dólar e segurar a inflação.

    O que foi feito com sucesso, com a inflação de alimentos em 2025 próxima de 1,3% anual!

    Fora a inflação total, que está mais próxima de 4% no ano, quando ninguém esperava.

    Seria o caso de o BC dar uma encerrada no ano anunciando alívio para o próximo, na reunião da próxima semana, mas não devem fazê-lo, seguindo na estratégia de apontar dificuldades e desafios, esperando esse dezembro perigoso passar, para aí sim, provavelmente, começar a nova trajetória dos juros, com quedas de 0,25% graduais, ao estilo Galípolo.

    Devagar e sempre, porque o pior, por enquanto, passou.

    Tem algumas questões referentes a expectativas eleitorais nessa queda do dólar e na subida da bolsa que vou analisar mais para a frente, porque quando o mercado recebe pesquisas com a disputa acirrada, se anima, e na direção de vitória de Lula ele desanima. Mas, além desse movimento óbvio de preferências, alguma coisa a mais começa a se mover na direção de acomodação quanto à reeleição do atual presidente, com parte do mercado se conformando e aproveitando a onda ao invés de apostar contra.

    Ainda está no início esse movimento, e vamos esperar as quedas da Selic para observar sobretudo o câmbio e depois tirar conclusões.

    E, pessoalmente, vejo a queda nas taxas a partir de março. O alvo são 3% e não 4%.

    Mas fica o sinal.


    💳 Apoie nosso trabalho: Vamos combinar assim — você que nos acompanha envia R$ 10,00 pelo Pix 30.454.964/0001-70. Ocasionalmente vou te lembrar, para mantermos nossa parceria. Somando esforços, seguimos em frente. Não deixe de contribuir: o reconhecimento vale mais que o dinheiro e mostra que estamos no caminho certo.

    💬 Curta, compartilhe e junte-se a nós.

  • Gilmar troca chumbo com o Senado.

    dezembro 4th, 2025

    Vocês devem conhecer bem essa história de colocar o bode na sala: é aquele recurso de criar uma situação impossível (colocando um bode na sala de uma casa) e depois retomar a condição anterior (retirando o bode da sala), mas obtendo ganhos.

    Porque, ao criar a condição intolerável, provoca reações que cessam ao recuar, tornando algum incômodo, queixa ou disputa anterior menor ou esquecida.

    Me pareceu essa a intenção do ministro Gilmar Mendes ao decidir ontem criar barreiras para pedidos de impeachment de ministros do STF, quando antes qualquer cidadão poderia fazê-lo, passando agora para exclusividade da PGR. Mais: na hipótese de pedido feito, somente com 2/3 do Senado a favor daria sequência ao processo, quando a lei atual fala em maioria simples.

    Na sua decisão, gastou 71 páginas para praticamente argumentar “não vem que não tem” aos interessados em impichar ministros do STF, o que provocou um bafafá dos maiores entre senadores, que prometem raios e trovões.

    E votar algumas medidas, entre elas o Marco Temporal — que o STF já decidiu a favor, mas que Gilmar anda querendo alterar — e o fim de decisões monocráticas na Corte Suprema em temas que envolvem outros poderes.

    Sobre limitar decisões monocráticas: é tema que defendemos aqui e que até estava esquecido, porque nem polêmica há mais sobre a questão, que passou da hora de ser aprovada no Senado.

    Quem reagiu de pronto, porque foi consultado oficialmente pelo ministro Gilmar, foi a AGU do Messias. E respondeu ontem mesmo, pedindo anulação das limitações quanto à autoria de pedidos de impeachment mas, e aqui me pareceu o objetivo de toda essa nova confusão, adimite o quórum de 2/3 dos senadores para abertura do processo.

    O que me pareceu a intenção do Gilmar desde o início.

    Um bode, digamos, atualizado, porque acaba por provocar alguma mudança, sim.

    E, no caso, relevante, porque protege os ministros do STF de pequenas maiorias eventuais no Senado, um dos principais objetivos dos bolsonaristas para as próximas eleições.

    Teremos choros e ranger de dentes nos próximos dias e veremos se Gilmar consegue emplacar a mudança.

    Eu acho que sim.

    Ah, e a presença de Messias nessa história ainda pode trazer dividendos para sua aprovação entre senadores. Foi rápido no gatilho e buscou solução intermediária, tão ao gosto da política.

    💬 Curta, compartilhe e junte-se a nós na construção de um jornalismo sem filtros.
    💳 Apoie nosso trabalho: Pix 30454964/0001-70

  • Os dias seguintes.

    dezembro 3rd, 2025

    Um aspecto importante a ser lembrado nesse imbróglio do Senado com a indicação do Messias para o STF é que temos sempre a tendência de fulanizar, no caso Alcolumbre x Lula. Quando essa disputa pessoal não se sustenta nos fatos.

    A decisão de Alcolumbre de agendar em cima da hora, sem deixar tempo para Messias se articular na beija-mão com os senadores, para depois recuar sem definir data, não se sustenta nas queixas públicas.

    Então, onde está o problema?

    Talvez na nova tendência do presidente Lula na escolha de nomes para o STF, lembrando que, na hipótese de vencer em 2026, terá mais duas indicações por direito: Fux em 2028 e Cármen em 2029, além de Gilmar em dezembro de 2030, mas aí não vejo tempo para fazê-lo.

    Parece que a decisiva característica para indicar, além da trajetória ilibada e do conhecimento jurídico notório, será a altíssima confiabilidade pessoal do presidente Lula, fazendo do STF — e, na sequência das últimas indicações, Zanin, Dino e Messias — um trio respeitável de personalidades ligadíssimas ao direito, sérias e, aqui a questão, leais.

    Considerando Messias aprovado e mais duas no forno a partir de 2026, o presidente Lula deixa um legado perene nos rumos futuros do STF.

    E com maioria.

    Eis a questão.

    A reação de Alcolumbre é o espanto dos Senadores com os rumos do STF.

    Mais uma razão para votarmos com extrema atenção em 2026 em senadores progressistas e evitar problemas futuros nas indicações para o STF.

    E lembrando que a dificuldade não é exclusiva de Lula, como acontece agora com Messias. O terrivelmente evangélico Mendonça demorou 4 meses entre a indicação e aprovação.

    💬 Curta, compartilhe e junte-se a nós na construção de um jornalismo sem filtros.
    💳 Apoie nosso trabalho: Pix 30454964/0001-70

  • Avenidas abertas, mas ninguém da direita passa.

    dezembro 2nd, 2025

    Toda essa confusão entre Michele e os filhos do Bolsonaro, que nunca foram novidade mas entornaram para o ambiente público e sem a contenção do pai e marido na prisão, e apesar de servir para o interesse da mídia PIG no sentido de se livrarem do bolsonarismo para uso eleitoral com Tarcísio, mostra a desorientação geral da extrema direita.

    Vivem o dilema da previsível derrota eleitoral e suas consequências.

    Vejamos. A única coisa que interessa ao patriarca preso é sair da cadeia; a essa altura somente um perdão presidencial alcançaria o feito, e mesmo assim abrindo uma crise sem precedentes com o STF, porque não existe previsão legal de perdão para o tipo de crime praticado por Bolsonaro e sua gangue de golpistas.

    Mas é o que eles pretendem, se ganharem a eleição.

    Como a eleição está perdida, na minha opinião — e parece que na opinião deles também — não faz sentido apoiarem Tarcísio para perder, porque perdem a eleição mas também, e estou pensando aqui na perspectiva da familícia, perdem o comando da extrema direita para o governador paulista.

    Por isso Flávio agora, e Eduardo antes dele, falam em sacrifício: disputar uma eleição presidencial para perder, mas com o objetivo claro de manter a liderança do movimento que julgam exclusividade bolsonarista.

    Cada dia que passa, a disputa interna da extrema direita — e da direita sem votos — gira mais em torno de fazer bancadas e apropriar-se da herança bolsonarista visando embates futuros. E para Tarcísio o pensamento é o mesmo dos filhos do ex-presidente: vai para a disputa presidencial para perder porque garante seu espaço na liderança do movimento em disputa. Por isso insiste na vaga, mas somente se não tiver que enfrentar os Bolsonaros, de quem depende a indicação para fazer valer seu interesse futuro.

    A aparição de Michele se dá no contexto da vice-presidência, com ela garantindo o sobrenome Bolsonaro nas urnas, junto a Tarcísio, e pleiteando para si o movimento extremista.

    E os filhos não vão aceitar de jeito nenhum, como estão fazendo há tempos e vão continuar a fazer.

    Sem garantia de vitória de um nome da direita, eles não topam perder a hegemonia — que não trocariam de mãos em caso de vitória e perdão do pai presidiário.

    Tudo improvável e incerto. Não vão arriscar a herança e vão dividir a direita e a extrema direita, custe o que custar.

    Me parece esse o cenário, e não acho que muda, com a liderança de Lula nas pesquisas a cada dia mais próximo da eleição.

    💬 Curta, compartilhe e junte-se a nós na construção de um jornalismo sem filtros.
    💳 Apoie nosso trabalho: Pix 30454964/0001-70

←Página anterior
1 … 7 8 9 10 11 … 161
Próxima Página→

Blog no WordPress.com.

Carregando comentários...

    • Assinar Assinado
      • Blog do Franco
      • Junte-se a 27 outros assinantes
      • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
      • Blog do Franco
      • Assinar Assinado
      • Registre-se
      • Fazer login
      • Denunciar este conteúdo
      • Visualizar site no Leitor
      • Gerenciar assinaturas
      • Esconder esta barra