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Blog do Franco

  • Com quantas derrotas se constrói uma vitória?

    dezembro 1st, 2025

    Primeiro, é importante ressaltar a decisão imutável da imprensa oligopolista, familiar e golpista, de nunca atribuir sucesso a qualquer iniciativa do PT e do Lula, mas atribuir qualquer disputa, percalço ou mesmo um dissabor à sua aniquilação, sem chance de salvação.

    Dito isso, lá vamos nós, mais uma vez, discutir a atual relação do Congresso Nacional com o governo.

    Começou com a explosão do Hugo Motta, dizendo estar rompido com o líder do governo na Câmara, Lindbergh, e no dia seguinte com o líder do PL, Sóstenes. Na verdade, ele mesmo quem ficou isolado nessa história. Mas deixou escapar uma informação ou uma percepção de que Lindbergh e Sóstenes combinam até a hora de brigar entre si, uma declaração que merece atenção. Outra coisa é que Lindbergh deixa a posição de líder na volta do recesso parlamentar em fevereiro, e então o rompimento tem data de validade.

    Outro que andou soltando fogo pelas ventas foi o presidente do Senado, Alcolumbre, supostamente indignado com a indicação do Advogado-Geral da União, o famoso Messias, para a vaga do Barroso no STF. Ele segue esticando a corda, mas, a meu ver, sem base para ir mais longe nos seus ataques, que certamente têm razões desconhecidas.

    Quanto às desavenças no Senado, eu vejo mais facilidade de rearranjo rápido; na Câmara, a coisa foi mais para o lado pessoal, e como Lindbergh sai em algumas semanas, ficou conveniente manter a fama de mal por mais alguns dias, e Motta não deve recuar por enquanto.

    Enquanto isso, a imprensa vê na derrubada dos vetos no PL da devastação derrota do governo e não de todos nós; analisa as atuais desavenças entre o Congresso e o governo como fatos irreconciliáveis; vê na votação do PL do combate ao crime uma simulação da força invencível do Centrão.

    Pense no campeonato nacional de futebol , porque podemos analisar o campeão como aquele time que vence mais, mas certamente ele deve ser quem perde menos. Ou seja, ganha o campeonato, mas perde alguns jogos pelo caminho.

    Como o governo Lula.

    E atenção redobrada com a fábrica de escândalos e exageros, além das mentiras deslavadas, chamada de imprensa PIG. Fim de ano e escassez de notícias pioram anda mais a necessidade de acelerar a produção.

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  • O maior dos feitos possíveis para um governo.

    novembro 28th, 2025

    “Estudo do Ipea mostra que o Brasil alcançou, em 2024, os melhores resultados de renda, desigualdade e pobreza de toda a série histórica de pesquisas domiciliares, iniciada em 1995. Ao longo desse período, a renda familiar per capita aumentou cerca de 70%, enquanto o coeficiente de Gini caiu quase 18% e a taxa de extrema pobreza recuou de 25% para menos de 5%. O estudo informa que o maior impulso para a redução da desigualdade e da pobreza se deu entre 2003 e 2015, pela combinação de políticas públicas de renda com geração de empregos e aumento dos salários, nos primeiros governos do presidente Lula e da presidenta Dilma, alcançando o melhor resultado no ano passado.”

    O que não passa desapercebido para a população, aos poucos refazendo a trajetória de popularidade nos níveis do ano passado e na sequência importante para chegar em ótimas condições para a disputa de 2026.

    As disputas com o Congresso, seus dois presidentes mostrando insatisfação com a relação com o governo, visam encontrar espaços na disputa eleitoral. Se essa é a bússola de maior relevância nos rumos da classe na véspera dos pleitos, não se faz nada sem a sua principal referência daqui em diante.

    Que mudam como as nuvens, como sabemos… mas sempre na direção dos ventos dominantes, faço a ressalva.

    Mas o post foi para destacar o momento da economia, quando a oposição, para buscar sobrevivência, ignora o assunto e parte para pautas de segurança e agora sonegação.

    E já vimos esse filme antes, nos governos anteriores do presidente Lula, e há quem continue afirmando a sorte como sua maior aliada.

    Paciência.

    Porque até a herança de FHC eu tive que ler esses dias, porque segundo a pessoa a questão fiscal vai assombrar o próximo presidente a partir de 2026.

    Se você reparar vai ver que cada vez mais a crise fiscal vai se distanciando: seria em 2025, depois adiada para 2026 e agora falam em 2030. Nesse ritmo, até o fim do século temos encontro marcado com a crise fiscal.

    E afinal, para que serve um governo, senão para cuidar de seu povo?

    Releia o primeiro parágrafo.

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  • Direita tenta romper a polarização.

    novembro 27th, 2025

    O presidente da Câmara começou a tomar medidas estranhas de uns tempos para cá, afrontando abertamente os projetos do governo, culminando com a escolha do secretário de SP do governador Tarcísio, o ex-comandante do Bope, Derrite, para relatar o projeto das facções, enviado como uma tentativa do governo de fazer presença na pauta de segurança.

    Que é a pauta escolhida pela direita como um todo para a disputa eleitoral do próximo ano.

    Estava clara a tentativa de disputar a pauta com o governo, mas, ao incluir Derrite para se apresentar em nome de Tarcísio, sem prestigiar os inúmeros candidatos a protagonistas disponíveis para a questão da segurança, Motta mostrou o jogo da centro-direita: tentar romper a polarização que favorece eleitoralmente PT e PL.

    Alcolumbre parece ter entrado no jogo, inventando discórdia sobre indicação de ministro do STF, atribuição exclusiva do Executivo e garantia de estabilidade política nesse Brasil.

    E para hoje prometem derrubar os vetos do governo no PL da Devastação, adiados por causa da COP30 — porque ficava mal perante o mundo destruir a proteção das matas e nascentes na véspera do encontro mundial sobre o tema.

    E aqui estão cumprindo acordos com setores do agronegócio e setores da mineração , financiadores de campanhas eleitorais. Sem falar na composição do Congresso, apinhado de ruralistas.

    Não tem o que lamentar: enquanto uns cuidam das pessoas, outros cuidam dos negócios, passando por cima de tudo. Cabe a nós manter, com as escolhas, esse jogo equilibrado. Atualmente não está — e se não fosse o Lula teriam desandado de vez.

    Todo esse movimento, inclusive as desavenças, faz parte do jogo eleitoral, porque o centrão sonha com candidato próprio, sem um Bolsonaro. E precisam construir esse caminho porque, sem os votos do mito, não chegam longe. Para isso contam com a imprensa e a farsa da terceira via, que buscam desde 2018 (ou após o fim do PSDB querido) sem sucesso.

    Me parece que vão fracassar novamente porque esse nome não existe. De Tarcísio a Ratinho, não conseguem sem a unção do presidiário golpista.

    Mas esperneiam, até caírem na real. Coisa, por exemplo, que Arthur Lira acabou de fazer, ontem, apoiando a reeleição de Lula na cerimônia da assinatura da isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil. Lira precisa ganhar espaço para tentar o Senado, e sem Lula ele não consegue.

    O que tenho dito sobre todos da Bahia para cima — e estou quase incluindo MG nessa lista. Sem falar no Rio Grande do Sul, onde teremos mais uma disputa acirrada e podemos colher agradáveis notícias.

    Então sobra pouco espaço para o centrão, espremido entre PT e PL, para reeleger bancadas sem o apoio de um dos dois.

    Esse é o drama sem solução, e caminhamos para a polarização mais uma vez.

    Apesar do esforço da mídia e do centrão.

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  • “Eles combinam até o dia de brigar!“

    novembro 26th, 2025

    O presidente da Câmara, Hugo Motta, informou que rompeu relações com o líder do PT na Casa em um dia e, no outro, com o líder do PL.

    Respectivamente, Lindbergh e Sóstenes.

    E começou a correr aquele boato de que iriam aproveitar a briga de Motta com Lindbergh, que foi noticiada há alguns dias, para retomar a discussão da anistia aos presos da tentativa de golpe de Estado.

    E parece que, com esse de hoje, em que o rompimento foi amplo, geral e irrestrito, a coisa morre antes de recomeçar.

    Ainda bem.

    Os motivos dos rompimentos estão nas discussões de líderes anteriores às votações de plenário, em torno da lei de facções. Ela teve várias versões antes da aprovação e agora terá outras mais no Senado.

    Mas parece que ficaram feridas abertas nos bastidores que não foram superadas, provocando os rompimentos públicos.

    Ou algum outra razão desconhecida.

    O curioso nessa história foi um comentário de Motta, sugerindo o interesse dos líderes dos maiores partidos antagônicos nas brigas. Sim, tanto Lindbergh quanto Sóstenes brigam praticamente em todas as votações, atacam as decisões, mas mantêm amizade entre si. Sim, são amigos notórios no Parlamento, amizade que vem de antes, nas caminhadas políticas no Rio de Janeiro.

    Motta sugere que eles “combinam até o dia de brigar” para depois irem para a imprensa falada, escrita e televisada. Sugere uma manobra para se manterem em evidência, às custas da popularidade da Câmara e de seu presidente, atacados sistematicamente pela dupla.

    Para além do pitoresco, há aí um fundo importante na convivência entre esses dois personagens: são operadores da polarização, que não a conduzem, mas são conduzidos por ela.

    Ou seja, a realidade impõe o comportamento de todos. Sobrevivem — e ano que vem tem eleição — enquanto conseguem surfar nas ondas da opinião pública, da vontade popular e das reações dos eleitores. Para depois, como artistas de uma grande peça teatral, seguirem o roteiro previamente escrito.

    Não é impressionante?

    Ou apenas a realidade.

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  • Direita imobilizada, à espera.

    novembro 25th, 2025

    Vou voltar a esse assunto uma vez, e espero retornar apenas depois de alguma definição oficial da candidatura da direita para o pleito de 2026.

    O quadro permanece inalterado, ficamos dando voltas sobre o mesmo tema sem avançar, porque a definição está dada: Bolsonaro escolhe um filho — sobrou o Flávio — e faz uma escolha dura, sacrificial, porque sabe que vai perder. As chances de anistia sem o comando do Executivo são ínfimas, para não dizer inexistentes. Mas, ao escolher o filho, preserva o capital, mesmo que reduzido, mas importante, dos votos da extrema direita, que segue sob o comando de mais um Bolsonaro por mais um tempo imprevisível.

    Pessoalmente, não vejo em Flávio capacidade de conduzir extremistas como o pai; ele, apesar de tudo, não tem o mesmo perfil tresloucado. Quando o faz, apenas repete os excessos que aprendeu, sem acrescentar nada de novo.

    A originalidade do pai está perdida para a direita, e eles sabem disso.

    Lançar um nome mais ao centro, supostamente Tarcísio, poderia criar maiores dificuldades eleitorais para o governo em 2026, mas, mesmo assim, as chances de reeleição permanecendo maiores colocam o prêmio não na eleição em si, mas no pós-eleitoral, com o ungido, mesmo derrotado, alçado a líder da direita na sequência.

    Os Bolsonaros também sabem disso e não abrem mão, sendo essa, na verdade, a razão das disputas internas entre eles e da indefinição — na verdade falsa — porque os Bolsonaros estão decididos a empurrar a decisão com a barriga e afastar a concorrência, que precisa de tempo para consolidar nacionalmente um nome.

    Ao negar tempo para uma campanha nacional efetiva, porque o sobrenome Bolsonaro dispensa esse imperativo por ser nacionalmente reconhecido, o que a família faz é avisar que eles vêm, não importa o que aconteça.

    Não decidir é uma forma de fazê-lo, e a imprensa toda reage contra tentando afogar o bolsonarismo para que o outro possa surgir, sem sucesso.

    Os filhos choram, oram e não largam o osso; a vitimização é a exigência do momento, usando o emocional fragilizado dos apoiadores como sustento nessa hora crítica, porque decisiva.

    Jamais uma mulher virá como representante da extrema direita; Michele segue no papel da esposa e tentando manter o cabresto evangélico, para um dos pilares do fascismo não dispersar.

    Alguma coisa vai se perdendo pelo caminho; até 2026 muita coisa pode acontecer. A imagem da prisão definitiva e a necessidade de mostrar-se frágil e doente, para obter benefícios futuros como uma prisão domiciliar, é o que resta para o chefe entregar a coroa.

    Eles sabem que vão perder em 2026 e disputam o próprio legado; apostam nas bancadas para manter a força e a influência e o futuro a Deus pertence.

    Num certo sentido, todos os olhares estão voltados para 2030, quando, sem Lula, a verdade é que tudo pode acontecer.

    Até lá, é aproveitar o melhor governo da nossa história.

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  • G20,COP30 e Tarifas. O strike do Brasil.

    novembro 24th, 2025

    A semana foi particularmente proveitosa, com a política externa colhendo êxitos em distintos locais, públicos, agendas, interesses e comerciais.

    A COP30 de Belém, se não foi inteiramente um sucesso — sempre ameaçada por interesses dos produtores de petróleo, entre eles nós mesmos —, conseguiu produzir acordos suficientes para uma conclusão honrosa e, sobretudo, manteve os temas da preservação, emissão de gases e transição energética no centro da pauta mundial, algo que, no início, era visto como improvável diante das pressões internacionais.
    Além disso, o encontro consolidou Belém como referência global em debates climáticos e ampliou compromissos sobre financiamento climático, mecanismos de perdas e danos e responsabilidades compartilhadas, com destaque para a cobrança feita pelo Brasil por maior ambição das nações ricas, historicamente responsáveis pela maior parte das emissões.

    Teremos: os principais acordos da #COP30 incluem o esforço liderado pelo Brasil para um roadmap de transição para longe dos combustíveis fósseis e do desmatamento; recursos ampliados para financiamento de adaptação; o acelerador de implementação para manter 1,5 °C vivo; e um novo mecanismo estruturado para fortalecer a transição justa, especialmente para países em desenvolvimento.
    A conferência ainda reforçou a necessidade de que os compromissos de 2030 e 2035 sejam atualizados com maior urgência, o que coloca o Brasil em posição de liderança moral e técnica no debate.

    O G20 na África do Sul — meio a reboque das pautas ambientais e diante da tentativa de virada unilateral dos EUA, que não compareceram nem a Belém, nem a Joanesburgo — também produziu avanços.
    O documento final menciona explicitamente “mudanças climáticas”, termo negado pelo presidente americano em recentes pronunciamentos, e reafirma o multilateralismo como princípio central. A cúpula celebrou o “desfecho bem-sucedido” da COP30, mesmo enquanto a reunião em Belém ainda estava em curso, e reforçou compromissos sobre financiamento climático, reforma da governança global e estímulos ao desenvolvimento sustentável, temas alinhados às reivindicações brasileiras.

    Por fim, ainda não inteiramente concluída, a derrubada das tarifas de 40% sobre produtos da agroindústria — carne, café e outros — aponta para a normalização do nosso comércio com os EUA. Ainda faltam retirar sanções contra autoridades e tarifas sobre produtos industriais para superarmos todos os equívocos cometidos.
    Mesmo a prisão de Bolsonaro, motivo alegado inicialmente para as tarifas, não voltou a ser mencionada entre as partes nas negociações, que seguem em curso de maneira pragmática.

    A Venezuela segue na pauta diplomática para evitar o conflito, como Lula anuncia para breve um novo contato com o presidente norte-americano.

    Podemos afirmar que o anúncio da assinatura do acordo entre a Comunidade Europeia e o Mercosul, prevista para 20 de dezembro, nos coloca próximos de um ano praticamente perfeito de amadurecimento do papel imprescindível do Brasil — e de seu presidente — na condução do mundo multipolar, tão desafiado pelas iniciativas unilaterais do império norte-americano.

    Pelas bordas e dentro de suas limitações, seguimos fazendo diferença: multipolar, solidário e disposto ao diálogo, diante de um mundo pressionado a ser unilateral, distante e indiferente.

    Se depender do Brasil, não.

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  • Desdobramentos esperados.

    novembro 23rd, 2025

    A prisão do ex-presidente — porque dali ele não sai mais — aguardada ansiosamente por grupos de interesses distintos, aconteceu.

    E agora?

    Como esperado, quem deu o primeiro bote foi a imprensa golpista, há muito pregando o imperativo do bolsonarismo sem Bolsonaro, os mesmos da desejada terceira via de tantos fracassos.

    Mal a tornozeleira saiu da canela do miliciano e todos fazem coro sobre a dificuldade de emplacar um sobrenome Bolsonaro em 2026. De fato, por enquanto, sobraram apelos humanitários em torno de um pretenso doente — patéticos, vindo da boca de apreciadores de torturadores. É a estratégia para um pedido de prisão domiciliar por motivo de saúde, o mais breve possível. Mas, como apelo eleitoral, é desastroso.

    E o centrão, que finge não ter nada com isso, ensaia seus nomes — Ratinho e Tarcísio — com Leite correndo por fora.

    Tarcísio preferiu mergulhar, aliás, todos eles. Em suas manifestações até aqui protocolares, fazem referência a apelos humanitários e à suposta inocência do mito encarcerado.

    E não devem passar disso, porque as cenas de Bolsonaro com a responsável pela tornozeleira, com o mito falando baixinho sobre sua tentativa de rompê-la com ferro de solda… bem… ficam para a história como uma imagem definitiva de despedida de um personagem menor, ilusionista, falso, patético e covarde. Uma vergonha para si e para os seus.

    As previsões de declínio seguem aceleradas; não é possível imaginar outra coisa. Até onde cairá, vamos saber em breve — e quem pode ser o beneficiário da derrocada eleitoral do falso mito.

    Afetar Flávio já afetou. Manter sua fraquíssima vigília na porta da casa do pai em Brasília, com ele já na PF — vigília minguada que durou apenas duas horas, esvaziada e sem razão — serviu mais para tentar disfarçar objetivos anteriores. A meu ver, a tentativa de fuga não pode ser descartada. Lembrando que a esposa e a filha convenientemente não estavam em casa, talvez para afastar suspeitas de cumplicidade.

    A entrevista de Trump logo após a prisão de Bolsonaro — que ele desconhecia ao começar a responder aos repórteres —, quando perguntado pelo ex do Brasil, começou dizendo ter falado com ele “ontem” e que “se veriam em breve”. Em seguida, informado dos fatos e sem esconder surpresa, respondeu apenas “too bad”. Isso me deixou intrigado, e não consigo separar essa fala do que aconteceu aqui, com essa tentativa de romper a tornozeleira.

    A reação da embaixada dos EUA ainda ontem, atacando Moraes e ignorando a violação de segurança, pareceu demonstração de frustração e inaceitável inação — talvez de alguém que teve planos frustrados. Tal como receber um exilado perseguido pela Justiça…

    No mínimo, há uma história aí a ser apurada.

    A tendência é, sim, o bolsonarismo se isolar. A liderança da extrema direita no Brasil segue em aberto. Continuo apostando em Flávio — cada vez menor — e com o centrão tentando de tudo para emplacar um nome.

    Mas está difícil para eles.

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  • Interesses distintos, por enquanto?

    novembro 21st, 2025

    Claramente uma cisão aconteceu entre a Câmara dos Deputados e o governo, ainda cedo para saber a duraçao..

    O envio do projeto de segurança sobre facções, iniciativa do governo, foi recebido com forte reação, a ponto de o presidente da Casa, Hugo Motta, nomear relator um sujeito desqualificado, mas alinhado com interesses de Tarcísio e, de maneira geral, cuidando de afastar a intromissão do governo na pauta cara aos conservadores: a segurança pública.

    De lado a lado estão mantidas, até o momento, rispidez e troca de acusações. O líder do governo, Lindbergh, admite o desconforto, e Hugo Motta, por sua vez, insiste em cobrar explicações públicas do governo por manter veto à proposta da Câmara aprovada.

    Na sexta versão, depois de muitos vetos a pontos inaceitáveis e uma conclusão insatisfatória.

    Poderia ser muito pior, não fosse a inaptidão do relator “derretido”, Derrite, que foi testado e desaprovado para a tarefa. Conseguiu chegar a cabo com um projeto que o Senado já avisou que não segue como está.

    Mas o importante dos fatos é entender a motivação, a disputa da pauta e seus desdobramentos.

    Me parece claro que Congresso e governo iniciam voos distintos com relação a 2026. O ideal seria que isso acontecesse mais adiante, mas a questão do nome ainda por definir, após a prisão de Bolsonaro, para ser o candidato da oposição na disputa presidencial, provocou disputas entre os grupos da direita, que se atropelam para ver quem consegue a vaga.

    Naturalmente, desabou na Câmara mais do que no Senado, e obrigou que máscaras caíssem antes da hora.

    Seria melhor se permanecessem nas caras, até porque ficarmos divididos com a Câmara ainda a um ano da eleição não é bom. Por isso imagino que mais à frente teremos espaço para retornar ao diálogo, que interesse a todos.

    Como estamos nessa etapa de definições de candidaturas e cursos pré-eleitorais, já teríamos por aí algum estresse; somado à indefinição do nome da direita e à prisão de Bolsonaro, ferveu antes da hora, e interessa acalmar os ânimos para todos definirem posições.

    O fato de o governo manter alta a aprovação e o favoritismo eleitoral obriga a classe política à moderação e a manter pontes abertas.

    O oposto no bolsonarismo, com Tarcísio e os filhos brigando pela herança a céu aberto.

    Kassab deu declaração afirmando estimar em 45% a votação de qualquer nome da direita no segundo turno. Observe que ele está falando que Lula ganha com 55%. E pode ser um sinal de que desistem, por enquanto, da presidência e vão focar no Legislativo? Ciro Nogueira foi mais explícito e afirmou exatamente isso: “fazer bancada, porque desunidos como estamos vamos perder”.

    Acredito ser esse o cenário.

    E sobre a nomeação de Messias para o Supremo abrir mais uma frente de batalha, dessa vez com o Senado, aí me parece mais uma disputa de espaço entre Legislativo e Executivo do que entre Alcolumbre e Lula. A escolha de ministro do STF é exclusiva do presidente da República, mas o Senado, com essa postura mais agressiva de Alcolumbre, ensaia mais um avanço das prerrogativas sobre o presidencialismo, com desdobramentos futuros cada vez mais pendentes para o enrijecimento do regime presidencialista no Brasil. Assunto mais para o futuro, embora cada vez mais presente. Importa agora esperar alguma retaliação do Senado, marcando posição — e não deve passar disso — diferente da expectativa com a Câmara, onde a cisão foi mais profunda e imagino que este ano não se conserta.

    Resta esperar o recesso de Natal e, no próximo ano, ver como a coisa retorna, provavelmente com diálogo restabelecido.

    A popularidade do presidente e suas chances de reeleição seguem como o lastro do governo para manter o poder nas mãos; sem isso, os lobos o teriam devorado.

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  • O print é eterno.

    novembro 19th, 2025

    A primeira ilustração se refere ao editorial recente, sobre o local de prisão de Bolsonaro, ainda não divulgado.

    Mas não deve demorar.

    A segunda ilustração se refere à prisão do Lula na PF de Curitiba.

    Dispensa comentários e deixa, mais uma vez, à mostra com que tipo de gente, controlando as mídias tradicionais, estamos lidando.

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  • No Senado, a batalha pela sétima versão do PL da Segurança.

    novembro 19th, 2025

    A união do Centrão e do bolsonarismo na Câmara aprova a sexta versão do projeto do derretido Derrite, que não foi o desastre da primeira versão, mas também ficou longe do original do governo.

    O estrago foi minimizado; Derrite, apesar da aprovação, deixou a pior das impressões, e a relação do governo com Hugo Motta saiu trincada.

    Mas a aposta se volta para a sétima versão, aquela que vai ser votada no Senado, ainda em 2025 segundo se afirma, onde as mudanças que retiram recursos da PF deverão retornar.

    Sobre a integralidade do projeto original, não parecem haver muitas esperanças de aprovação.

    O governo sobreviveu aos anos anteriores negociando com o Congresso nas principais matérias de interesse, com sucesso. Sobre segurança, foi muito difícil, partindo da escolha de Derrite para relator e sua absoluta recusa e incompetência para negociar, ignorando o ministro Lewandowski nas tratativas e a ministra Gleisi, que chegou a anunciar encontro depois cancelado pelo bolsonarista/tarcisista. Seguramente motivados por prejudicar a atuação da PF e usando a pauta de segurança como cortina. Restou ao governo firmar posição, afastar as mudanças inaceitáveis e engolir os jabutis de ontem.

    Vida que segue: o desastre total foi evitado, a nova PEC da impunidade foi evitada e é ver o que pode ser melhorado no Senado

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