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Blog do Franco

  • Ninho de mafagafos cheio de mafagafinhos.

    novembro 18th, 2025

    Segundo consta, o governador Tarcísio prepara o anúncio de sua candidatura presidencial tão logo seja anunciada a prisão do chefe da milícia bolsonarista.

    Tem pedido para um encontro “o mais rápido possível” com o chefe no domicílio onde se encontra preso, de onde poderíamos imaginar sair alguma indicação de apoio para a empreitada.

    Mas, dependendo dos filhos — que afirmam o imperativo de a herança permanecer na família — e dos avisos do próprio pai, no sentido de adiar ao máximo a indicação do herdeiro, tendência que repetimos aqui à exaustão, não espere por parte do governador de SP nenhuma ousadia de voo solo, porque sabe que sem a unção do chefe ele não vai longe.

    E arrisca perder força em casa, como aliás já começou a acontecer.

    Se os filhos anunciam o imperativo de a herança eleitoral permanecer na família, a madrasta parece concordar e avisa ser ela quem melhor representa os ideais do marido. Talvez façam essa presepada para confundir, autopromoção e adiar, conforme o desejo do chefe, ao máximo uma decisão que, uma vez tomada, não tem volta — e a hipótese de ostracismo do velho é o seu provável destino, muito distante de qualquer anistia ou perdão presidencial de um herdeiro.

    Mas não só eles: Haddad parece se animar com os fatos e pode aparecer como candidato em SP. Percebe a decadência do Tarcísio enroscado na teia de indecisões do seu grupo e deve sair, no mínimo, ao Senado. A possibilidade de encarar a candidatura para o governo de SP, muitas vezes negada, aumenta a cada dia. Aproveitou para afirmar na imprensa que já entregou praticamente tudo prometido ao presidente no ministério é porque tem algum objetivo futuro na mira.

    Em Minas, Pacheco diz esperar a decisão do Lula sobre a vaga de Barroso no STF, enquanto prepara sua saída do PSD e uma candidatura para disputar com chances — aí sim — de vencer. Para o STF vem Messias, mais do que indicado pelo presidente.

    Outro que diz que muda de partido para concorrer, custe o que custar, é o velho líder das milícias ruralistas da UDR, atual governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Como dizia Lula em 2004: quando passar dos 2% a gente começa a levar ele a sério.

    José Dirceu para deputado federal; Marina e Tebet para o Senado, Tebet talvez em SP e Marina… também.

    No Rio, quem vem para o governo é o PSOL, com Braga, e Benedita para o Senado.

    Boulos não vem; mira o horizonte.

    Ciro e Aécio, perdidos no espaço.

    E depois vamos anunciando os desdobramentos desses nomes todos, quando tudo se confirmar.

    Ah, Lula para presidente, contra uma miríade de direitistas…

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  • A semana.

    novembro 17th, 2025

    Bolsonaro, Flávio, lei das facções,

    Aguardamos para a semana o trânsito em julgado do processo do chamado Núcleo 1, onde os principais golpistas foram agrupados e condenados. Os trâmites na Justiça são sempre intrincados, mas o máximo que ainda falta é uma decisão aqui e ali, sem muitas delongas.

    E não fechamos exatamente um ciclo porque, a exemplo do que ocorre no mundo, e nesse último fim de semana com manifestações violentas no México — contra uma presidenta com 70% de aprovação —, e eleição no Chile, com a esquerda competindo contra um candidato da direita, outro da extrema direita e um terceiro da extrema extrema direita, mostram o tamanho da encrenca em que estamos metidos. Mas sempre temos esperanças, como aconteceu no Equador que, também no fim de semana, rejeitou propostas do presidente extremista Noboa de instalar bases militares norte-americanas no país, além de mudanças constitucionais de interesses autoritários.

    Por aqui caminhamos razoavelmente bem, até por conta da tentativa de golpe após a derrota eleitoral, que provocou a reação institucional que deixou os extremistas acuados e sem candidato, tudo indicando uma vitória de Lula em 2026 e um Congresso de cores imprevisíveis a essa altura. Mesma coisa o Senado. Mas, no meu otimismo incorrigível, acredito que teremos boas surpresas e números melhores na correlação das casas legislativas. Até porque o centro está cada vez mais buscando alianças com a esquerda, na medida em que nos aproximamos da data eleitoral e a indefinição do candidato de oposição embaralha a decisão do grupo.

    Indecisão mais ou menos, porque me parece cada vez mais claro que o nome do Flávio será o escolhido, enquanto Tarcísio, que de tudo tentou para ser o ungido, vai cada vez se queimando mais com o bolsonarismo raiz. E, segundo tenho observado, começa a perder espaço também entre os moderados por conta de seu alinhamento canino. Ou seja, sua subserviência não convence os radicais e afasta os moderados, e suas chances de vencer a reeleição em SP, apesar de muito altas ainda, vão diminuindo.

    Com sinal invertido do cenário nacional, porque falta a esquerda definir o candidato em SP para enfrentar Tarcísio e aglutinar forças, para aí sim sabermos a quantas estamos.

    Toda essa confusão na aprovação das leis das facções pode ser explicada pela tentativa do Tarcísio de se aproximar do centrão — todo enrolado com desvios nas emendas parlamentares, investigações na Operação Carbono (com rumores de delações premiadas a caminho) — e tentar escapar da Justiça. Mas o derretido Derrite deixou mostra de enorme incapacidade e incompetência: ao tentar aprovar uma nova lei de segurança para afastar a PF de suas obrigações, entre outros absurdos, mostrou que não passa de uma besta — assassina? — e sempre olhei para o lixo que produziu no mesmo descaminho da anistia nas mãos do Paulinho sem força.

    Boa semana para todos, aqui ninguém morre de tédio.

    PS.: Saiu a notícia que Tarcísio só esperava prisão do Bolsonaro para lançar sua candidatura a presidente. Mas…Neste domingo (16), após Flávio e Eduardo Bolsonaro (PL) anunciaram que o clã Bolsonaro quer a “cabeça de chapa”.

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  • Oposição sem rumo mira nos juros.

    novembro 15th, 2025

    A vocação de seguir mirando nos próprios pés segue orientando as decisões da oposição no Brasil.

    A rigor, neste ano de 2025 eles só acertaram uma.

    Nos dois primeiros anos do atual governo conseguiram manter pressão sobretudo na Câmara dos Deputados, quando Lira comandava. E o fazia na base das ameaças e conchavos, enquanto controlava o fluxo de liberação de emendas, mantendo o esquema do desgoverno anterior e os bilhões.

    E mesmo assim os principais projetos de interesse do governo Lula foram aprovados e, aos poucos, os acertos dos conhecidos programas sociais e de investimentos públicos foram retornando, trazendo resultados conhecidos e esperados. Faltava trocar o presidente do Banco Central, Campos Neto, para que sua retórica explosiva fosse afastada. Com esse sujeito a oposição conseguiu seu maior feito, quando a falsa pregação do descontrole fiscal, a partir da avaliação oposicionista engajada do presidente da autoridade monetária, jogou o dólar para a estratosfera e a inflação.

    A entrada de Gabriel Galípolo mudou tudo: com silêncio, serenidade e administração das expectativas, e aumento das taxas de juros, mudou a trajetória da inflação e estamos próximos de fechar o ano dentro do teto da meta de 4,5%.

    Uma conquista pra lá de importante e decisiva.

    A curva de recuperação da popularidade do governo e da aprovação pessoal do presidente Lula é inversamente proporcional à queda da inflação. Quanto mais a inflação cede, mais a popularidade cresce.

    Pode ser que no momento estejamos no teto da aprovação, até porque, como temos tantas vezes afirmado, o desinteresse acompanha parte da população com a eleição ainda distante— que não é desprezível e pode decidir uma eleição de véspera.

    A oposição conseguiu emplacar um ataque com a chacina no Rio; a discussão sobre a segurança ganhou as manchetes e a popularidade, que vinha crescente, estabilizou. Havia previsões de catástrofe para o governo que não se confirmaram, até porque a reação equilibrada não afrontou o sentimento majoritário da população com relação a esse grave problema nacional.

    Que segue em disputa.

    Na semana observamos mais uma frente de ataques da oposição, e aqui me parece onde eles, no desespero, seguem tentando emplacar novas frentes de desgaste. Ao atacarem os juros do BC e seu presidente Gabriel Galípolo — nos discursos de plenário observamos esse movimento — tentam atingir o local onde a maior vitória do governo, a derrota da inflação, se consolida nas próximas semanas.

    Mas leva a oposição para o ringue das conquistas econômicas, onde o sucesso do governo é grande e com perspectivas de continuarem.

    Talvez a necessidade de enfrentar o governo na sua zona de mais conforto seja um imperativo estratégico; se não conseguirem fazer estragos o mais rápido possível na economia, não vão conseguir na véspera da eleição.

    Como é pouco provável que consigam — o estrago no câmbio já foi e está sendo resolvido, o mercado assimilando ganhos na bolsa e nos juros e não só acomodando como passando da precificação de nova vitória de Lula em 2026 (que nunca foi um desejo) para a aceitação e entendendo melhor como aproveitar a nova onda de desenvolvimento, em vez de insistir em ignorar e perder oportunidades.

    Ao fazer o ataque na economia, especificamente nos juros, tentam de alguma forma provocar alguma reação negativa que influenciaria a trajetória do câmbio e a inflação.

    Pouco provável, e mais um sinal da desorientação geral e da falta de rumos, enquanto esperam o chefe condenado e a caminho da prisão indicar o sucessor: o filho Flávio.

    Para perder, bem entendido.

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  • A razão da minha fé .

    novembro 14th, 2025
  • Tarifas e julgamentos.

    novembro 14th, 2025

    Nesse dia 14 de novembro podem coincidir alguns eventos que iniciaram para uma determinada direção e acabaram por chegar a lugar oposto do inicial.

    Naturalmente, supondo verdadeiros os motivos alegados para as primeiras decisões.

    Estamos falando das tarifas impostas pelos EUA sobre os produtos que o Brasil exporta para lá, as mais altas do mundo até então — excluídas as idas e vindas com os chineses.

    O motivo alegado foi uma perseguição judicial contra Bolsonaro e que deveria acabar. Na sequência, ministros do STF foram enquadrados em leis antiterroristas adaptadas para perseguição política e ideológica mundo afora, excluindo pessoas do sistema financeiro mundial. O que, aliás, suscitou intenso debate por aqui sobre de que forma isso seria aplicado aos ministros na relação com bancos brasileiros — e o assunto sumiu da pauta.

    Quanto ao dia de hoje, temos então três eventos interligados: o fim do prazo dos recursos do Bolsonaro no STF, que pode anunciar o trânsito em julgado da sua ação; o início do julgamento do Eduardo Bolsonaro no STF, por tentar interferir no curso da ação penal do seu pai; e o anúncio dos EUA de aumento da lista inicial de produtos sancionados pelas tarifas, provavelmente frutas, café e talvez carnes.

    Há quem diga que podemos ter surpresas além disso, mas acho improvável.

    A lógica dos anúncios sobre tarifas por lá está ligada a declarações de vitória; no caso brasileiro ficou difícil em virtude da condenação de Bolsonaro e do início do julgamento do filho, que está lá nos EUA conspirando e é um dos promotores das tarifas. Então a justificativa deverá ser por acordos em terras raras e combate à inflação, com menor ênfase na inflação e mais nas terras raras.

    Uma vitória total e fim das tarifas e das sanções aos ministros do STF não devem ser esperados.

    Mas é uma vitória da diplomacia brasileira, que corre contra o tempo e o início de uma provável escaramuça dos EUA na Venezuela — não penso em guerra, mas ataques, e daí em diante veremos o que veremos.

    O Brasil se manteve distante do conflito e de Maduro. Lula esteve neste último fim de semana na Colômbia, na reunião da Celac, alertando para a necessária paz na América Latina, e daqui em diante ninguém sabe o que pode acontecer.

    Essa sexta-feira merece atenção.

    Semana que vem voltamos à Lei das Facções — ou não. O mais provável são outros adiamentos e o governo mais forte para impor seu ponto de vista.

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  • A Esquerda Eletrocardiograma.

    novembro 13th, 2025

    Sem mais comentários.

  • Sobre pesquisas.

    novembro 13th, 2025

    Tenho adotado o ensino de Marcos Coimbra sobre pesquisas tão distantes da eleição: parte relevante do eleitorado não se interessa por uma definição, cerca de 15% praticamente na boca da urna.

    Não são inúteis, porque servem de referência para as estratégias dos futuros candidatos e as expectativas de bancadas. Nesse sentido, os acertos e acordos partidários precisam ser fechados com antecedência, e pesquisas são os principais referenciais.

    Como tivemos um recente episódio da chacina no Rio de Janeiro e a disputa da pauta segue acirrada em torno de leis no Congresso Nacional — e como o apoio a essas operações tem respaldo enorme na sociedade —, exigem do governo muito cuidado no trato da grave questão da segurança pública.

    Ao mesmo tempo, essa mesma maioria apoia outro tipo de abordagem, com mais emprego de inteligência e menos violência.

    O que abre oportunidades de propostas e, portanto, a atual disputa na Câmara sobre a lei das facções reflete o que falam as pesquisas.

    Acabou de sair uma pesquisa Quaest sobre as preferências presidenciais e praticamente nada mudou, com Lula seguindo favorito para 2026. A oscilação permanece dentro das margens de erro, e tendências só devemos levar a sério lá para julho do próximo ano.

    Até lá, serve para vender notícia e debates — e nos distrair.

    E os profissionais que façam as suas apostas.

    De minha parte, a eleição permanece nas mãos do presidente Lula, salvo alguma tragédia negativa.

    E a possibilidade de primeiro turno segue no meu radar.

    Quanto ao projeto das facções, me parece seguir o mesmo caminho da lei da anistia: vai para a gaveta.

    A ver.

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  • Sujeito Oculto.

    novembro 12th, 2025

    O dia de ontem foi inundado com as idas e vindas do relator da Lei das Facções, um tal de deputado Derrite, policial do Bope, que só considera policial de verdade aqueles que mataram no mínimo uns cinco, e foi conduzido pelo presidente da Câmara para a relatoria de um projeto do governo federal. Poucas horas depois de nomeado relator, apresentou um parecer tenebroso — mantendo a máxima da cavalaria de tudo muito rápido e mal feito — e foi bombardeado por todos os lados pelo péssimo serviço. Na verdade, tentou ressuscitar a anterior e rejeitada pelo Senado PEC da Impunidade, e acabou voltando ao projeto original governista, com mudanças nos nomes dos tipos penais para dizer que fez alguma coisa.

    E todo esse rolo seria para abrir caminho de Tarcísio com o centrão em busca de apoio eleitoral nacional, apesar da indicação do chefe Bolsonaro permanecer negada.

    Hoje tentam votar a lei, e vamos ver o que vem por aí.

    Mas a manchete do dia — talvez do ano — foi a queda da inflação de outubro para número de 27 anos atrás: 0,09%.

    E para o menor índice acumulado de um presidente nos três primeiros anos de governo desde o Plano Real.

    E sabe o curioso do feito? O governo, ao menos no dia de ontem, praticamente não comemorou.

    Há quem diga que a inflação caiu por sorte ou por acaso. Mas sabemos que não é assim que funciona.

    No mesmo instante em que isso ocorre, o Brasil vive pleno emprego, recorde de nível salarial médio e investimentos estrangeiros e nacionais a pleno vapor.

    Sim, podem e devem aumentar muito nos próximos anos, mas considerando os números atuais de investimentos e a inflação em baixa e em queda — onde está o milagre?

    Porque isso não é trivial, nem aqui, nem na China, e muito menos na Argentina.

    A resposta está no câmbio, comprimido pelas altas taxas de juros que atraem fluxo de dólar, permitindo acomodar a demanda nacional a ponto de permitir a queda.

    A velha lei da oferta e procura: se sobra oferta, o preço cai.

    O custo para nós é o crescimento da dívida pública, que deve chegar a 80% do PIB em 2025. Nada de assustador, e com a queda prevista das taxas a partir de 2026, retoma trajetória sustentável nos próximos anos.

    O custo é alto para a façanha — eu costumo chamar de pedágio que o brasileiro paga para ter equilíbrio geral, econômico e político, evitando trapaças e golpes das forças econômicas hegemônicas. Sim, eles ganham muito nas aplicações e dão sossego para um governo inclusivo trabalhar; de outra maneira, é golpe, instabilidade e confusão.

    Esse é o resumo de nossa história, ou não?

    Enquanto enchem os bolsos de dinheiro, eles acalmam e permitem estabilidade para o país se desenvolver, crescer e até distribuir renda — outra façanha que só o nosso Lula consegue realizar.

    Que, por sinal, é o grande responsável por mais esse feito, novamente, seguindo seus mandatos anteriores e, dessa vez, com a ajuda determinada do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

    O silêncio nas comemorações da inflação no topo da meta em 2025, em algum momento, deve acabar, penso. Parece que, tantas críticas à condução do BC na busca do cumprimento das metas de inflação com o necessário emprego de taxas de juros exorbitantes inibem o reconhecimento do feito e suas consequências, como o aumento da aprovação do governo e do presidente.

    Sim, porque a inflação de alimentos no primeiro semestre do ano foi o motivo da queda da aprovação do governo, retomando a alta na exata medida inversa em que a inflação caía.

    Esperamos o reconhecimento do esforço do BC, que mostrou o imperativo de domar a inflação — porque é a variável mais importante de uma economia periférica como a nossa — e, daqui para frente, abrir espaço para reduções da taxa SELIC sem comprometer os ganhos, tanto no câmbio quanto nos seus reflexos inflacionários.

    E que o sujeito oculto da façanha tenha seus méritos reconhecidos, na condução serena, mas determinada, e com alvo implacável.

    Gabriel Galípolo é mais um daqueles acertos decisivos do Lula.

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  • Delírio Extremista.

    novembro 11th, 2025

    Seguindo o roteiro da tentativa anterior de blindar o andar de cima – e a classe política ameaçada pelas investigações do destino dos milhões em emendas secretas –, o projeto Derrite e Motta (e Tarcísio de Freitas) propõe engessar a PF e o MP Federal em investigações, que passariam a ser provocadas pelos governadores de Estado.

    Tentam votar ainda nesta terça na Câmara.

    Não faço ideia de a quantas anda o Senado dessa vez, porque foram eles que enterraram a iniciativa anterior, com a tentativa da PEC da Blindagem e vamos aguardar, porque a disposição na Câmara é de aprovar a toque de caixa novamente essa aberração.

    E é provável que consigam.

    Em desesperada reincidência.

    A fumaça que se esconde na mentira de equiparar facções a grupos terroristas é o disfarce para encobrir mais essa tentativa de limitar o trabalho da Polícia Federal, do MP e do STF, com o ministro Dino à frente, no encalço do dinheiro desviado nas emendas parlamentares dos últimos anos.

    O esforço e a desfaçatez deixam claro o tamanho do rabo exposto que tentam, mais uma vez, encobrir.

    As mudanças cosméticas realizadas no texto nas últimas horas não mudaram em nada o caráter deletério da proposta, que segue com o mesmo objetivo de impunidade das tentativas anteriores.

    É bem provável que passe na correria para diminuir o desgaste ao máximo. A dupla Tarcísio e Derrite faz o aceno definitivo ao Centrão, certamente para tentar colher eleitoralmente, na saga da candidatura à Presidência que diz não querer.

    E o bolsonarismo também não quer.

    Depois veremos como fica no Senado e, na sequência, se houver, de vetos e derrubada de vetos, a inconstitucionalidade flagrante que todos sabem evidente nesse tipo de coisa.

    O que importa é fazer os gestos e promover alianças, mesmo tentando passar por cima da lei, da justiça e favorecendo bandidos — os de colarinho branco, bem entendido.

    Para isso querem o poder.

    Lembrando que a PGR já fez a denúncia de três deputados do PL sobre desvio de emendas, e o STF deve julgar nos próximos dias se aceita. E considerando o relator Derrite, secretário de Segurança de SP, é policial que diz admirar parceiros que tenham no currículo ao menos três mortes.

    Esse tipo é o verdadeiro terror, não os pobres coitados nos morros, meros ladrões de galinhas usados como alvo para encobrir os grandes e verdadeiros criminosos.

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  • Aos costumes.

    novembro 9th, 2025

    A pauta da segurança pública entrou na ordem do dia, da pior maneira possível, como convém a esse tipo de desafio: uma chacina no Rio de Janeiro sem nenhuma explicação até agora.

    Acionou o Congresso ávido por vitrines de véspera eleitoral, com deputados e senadores ansiosos para mostrar serviço e garantir reeleição.

    Por baixo dos panos, é preciso tentar identificar a movimentação dos personagens, de todas as matizes, porque todos dependem da escolha das urnas para seguirem participando do jogo.

    E uma das mais sofisticadas manobras do poder consiste em não somente vencer o adversário, mas escolher contra qual adversário disputar, para vencer.

    O que acontece com mais frequência do que se imagina.

    E nem vamos lá atrás, na disputa PT/PSDB — vamos focar em 2026.

    Há poucas semanas, o Centrão se assanhava com nomes não somente para disputar 2026, mas imaginavam, para além de seus parcos apoios, incluir o bolsonarismo sem Bolsonaro. A moeda de troca seria a promessa de anistia para o capo, vencidas as eleições presidenciais.

    Zema, Caiado, Ratinho, Tarcísio — todos tornaram público o compromisso de abrir caminho entre o fascismo sem chapa e moribundo.

    Mas a chacina reacendeu o grupo extremista, com o vigor renovado da pauta escolhida antecipadamente para fazer frente ao governo federal, uma vez que, na economia, não encontram discurso convincente, nem mesmo um descontrole fiscal fictício que tentam emplacar. Porque, apesar dos juros altos, também no déficit fiscal o Brasil tem trajetória sustentável, considerando o horizonte de início de queda das taxas Selic a partir de março do próximo ano.

    Se não têm economia e nem corrupção do governo para alavancar discursos da oposição, o grave problema da segurança pública seria — e será — o foco da oposição para a disputa de 2026.

    Temos insistido nesse ponto.

    Mas um elemento que às vezes esquecemos é o quanto isso interessa ao governo Lula — não somente disputar a pauta, como está fazendo, mas dividir a cena com a extrema direita, alienando o centro da discussão e da vitrine — e como isso interessa aos dois principais antagonistas.

    Porque, na verdade, quem oferece maiores e imprevisíveis riscos eleitorais não é a extrema direita, que agora tem no nome de Flávio Bolsonaro um candidato para apresentar. O risco para Lula sempre foi o centro — com Ratinho, Leite, um nome não testado e que arrastaria o antipetismo, além de imprevisíveis outros votos do centro político.

    Já a extrema direita tem uma característica essencial para ser escolhida como adversário: perde.

    Os movimentos da Câmara e do Senado, com CPIs e votação de PECs, teses de fazer das facções criminosas terroristas, para agradar a direita trumpista e alinhar discursos — tudo entra em disputa com o governo, talvez de forma inédita, pronto para enfrentar o debate sobre o tema segurança e mostrando disposição para atuar com decisões diferentes e discursos renovados, reconhecendo a urgência do debate e seu momento de ser enfrentado com coragem.

    A chacina em si não está mais em discussão; fala-se em cassar o governador do Rio por abuso de poder econômico na eleição — veremos se acontece. E o STF abre investigação sobre ações criminosas com elos na política, empreendidas no estado, o que é uma necessidade, mas me deixou a impressão de, assim fazendo, desviar o foco das investigações sobre a chacina e seus responsáveis.

    A ver.

    Tudo leva a crer que vão colocar tudo na conta do governador Castro, e cada um vai seguir seus objetivos sem entrar no mérito dos crimes cometidos no Rio de Janeiro.

    Porque tem, e reconheça-se, aprovação da maioria das pessoas. Que, também em sua maioria, condena o excesso de violência, mas quer uma solução para o descalabro da violência e da insegurança.

    A resposta da política é, então, usar a realidade da exigência popular para si — cada um fazendo uso da maneira que pode e interessa.

    Uns, na repetição de mais rigor; outros, com discurso renovado, intercalando investigação, alvos de inteligência policial e estrangulamento econômico das facções. Mas todos envolvidos na pauta.

    Porque ela está aí para ser disputada.

    O assunto é delicado, o momento é decisivo para as escolhas em 2026 e o pêndulo das possibilidades está oscilando — e todo cuidado é pouco.

    Foi, sim, um ganho para a extrema direita, que volta para o jogo. Quanto ao governo Lula, temos na semana uma pesquisa Quaest para saber a quantas anda. Rumores de estabilidade na aprovação circulam, e vamos aguardar a confirmação na próxima quarta.

    O quadro geral não deve mudar, com a disputa aberta entre a direita e o PT, o antipetismo buscando definir seu voto e a porta se fechando definitivamente para o centro.

    Cenário de 2018.

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