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Blog do Franco

  • Vazamentos e a provável anulação .

    março 18th, 2026

    O ministro Mendonça, terrivelmente evangélico, tomou os ares do lavajatismo para si, aproximou-se da parcela de mesma inclinação da PF e iniciou as investigações do caso Master, acelerando para cima de dois de seus pares: Toffoli e Moraes.

    Acima, comemora sua indicação ao STF com louvores e pulinhos, em péssima companhia.

    E como é o relator do processo das fraudes do INSS, ou seja, dois dos mais midiáticos e controvertidos processos tramitando atualmente no STF estão nas mãos do ministro bolsonarista — ex-ministro da Justiça do Bolsonaro —, achou que ia deitar e rolar para cima de petistas e governistas, enquanto protege o centrão e o PL de todas as investigações.

    O primeiro tranco quem lhe proporcionou foi o PGR Gonet, no caso do sicário, em que a pressa e o voluntarismo em tomar decisões não contaram com a ajuda da PGR; pressa indevida, com morte dentro da cela da PF por suicídio do bandido. Dali em diante, PGR e Mendonça não se entendem, com Gonet cada vez mais avesso às investidas do relator e, a meu ver, pronto para, no momento seguinte, questionar tudo que está sendo feito — e mal — nos inquéritos.

    Essa última proibição de acesso de deputados ao arquivo do celular de Vorcaro deve ser entendida por aí: não foi somente para preservar a citação de que Flávio Bolsonaro está na agenda do banqueiro bandido, mas porque os vazamentos descontrolados estão fazendo Mendonça perder o controle do processo, e alguém já soprou no ouvido dele que nulidades em profusão estão sendo empilhadas, e os demais ministros do STF não vão deixar passar. E contam com a PGR como aliada.

    A consequência dessa lambança pode ser a de amenizar a pena de Vorcaro, por uso político da investigação. E o advogado do banqueiro está surfando na onda do lavajatismo para usar tudo isso depois, da mesma maneira que a Lava Jato original foi detonada: uso político e seletivo.

    Fachin, outro lavajatista de carteirinha, começou com essa história de ética e regras para os demais ministros da Corte e agora só fala para as paredes, porque não defende a Corte, aceita os ataques políticos e ainda alimenta a imprensa contra os pares.

    Mendonça, que já falava para as paredes e tem seu momento de glória — segundo a imprensa PIG, ele seria o futuro da Corte —, já já volta para o ostracismo por incompetência e uso político do cargo.

    E não demora.

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  • Sobre a inflação .

    março 14th, 2026

    Observamos no post anterior que a preocupação sobre a economia (inflação?) não consta entre as duas maiores preocupações dos brasileiros, com modestos 11% de menção em terceiro lugar na última pesquisa DataFolha.

    Além da constatação de que nenhum item citado na mesma pesquisa monopoliza a preocupação, num quadro disperso de citações mostrando equilíbrio e momento sereno no cenário atual no Brasil, apesar da gritaria da imprensa e da oposição.

    A inflação de fevereiro de 0,7% apontada pelo IPCA foi relativamente alta, mas, como concentrada no aumento das mensalidades escolares e inferior ao mesmo mês em 2025, segue declinante no acumulado anual, chegando a 3,81% .

    Até aqui está tudo certo!

    Mas agora estamos enfrentando uma pressão forte de aumento de combustíveis que pode provocar aumento dos custos dos transportes etc., invertendo momentaneamente a tendência anual de queda.

    O desenrolar da guerra e os problemas de circulação do petróleo no mundo não são o nosso problema, mas a aplicação de preços internacionais por refinarias privatizadas e distribuidores privatizados, que ignoram o preço congelado dos combustíveis na produção da Petrobras e aplicam esse preço internacional também no mercado brasileiro.

    Diesel o Brasil importa porque não tem produção suficiente e, por isso, o governo zerou as alíquotas de impostos para conter os aumentos, aí sim inevitáveis.

    Se por um lado o custo dos combustíveis aumenta, por outro o câmbio oscila e temos fundadas expectativas de queda, mesmo no caso de a agressão contra o Irã se prolongar.

    Analistas percebem que o Brasil não só é autossuficiente como exportador do precioso óleo negro, o que o coloca em posição privilegiada nesse cenário truncado.

    A tendência, segue a análise, é perceberem os fatos ao longo das semanas e nosso câmbio seguir valorizando.

    A ver.

    Nesse caso, a inflação por um lado segue pressionada pelo aumento dos combustíveis (a ver se as medidas do governo e as ameaças de fiscalização rigorosa fazem efeito e os preços do diesel cedem). Por outro lado, se o câmbio voltar a valorizar o real, pode haver aí compensação nas pressões inflacionárias e certo equilíbrio nos componentes que formam os preços, mantendo a inflação comportada.

    Sim, tem gente falando em aumento para 5% no acumulado anual por conta do combustível.

    Os próximos dias e semanas dirão.

    E temos Banco Central e Selic na próxima semana!!

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  • O que preocupa o brasileiro.

    março 13th, 2026

    Olhando um pouco além dos números apresentados na última pesquisa Datafolha sobre o pleito eleitoral, e nos escopo da pesquisa, me chamou a atenção o quadro que ilustra o post, onde as preocupações dos brasileiros são listadas em ordem crescente de prioridades.

    De cara me parece evidente a dispersão dos problemas; nenhuma pauta específica monopoliza, no sentido negativo, a atenção.

    Um número de 19% de destaque para segurança me parece pra lá de razoável, perdendo para saúde, com 21%.

    A posição dos temores relacionados à economia, em terceiro, com discretos 11%, mostra como estamos conscientes dos progressos no combate à inflação, desemprego e todos os infinitos e complexos ângulos para uma saudável política sustentável na nossa economia. Aqui, particularmente, em certo sentido, todo esse aspecto da pesquisa situa oposição e governo nos principais pontos a serem abordados na disputa permanente dos corações e das mentes nacionais. E não deixa muita margem para ataques consistentes e calcados na realidade, por parte da oposição. Sobra as mentiras e fake news, onde são mestres.

    O fato relevante, repito, é que a dispersão dos pontos elencados pela pesquisa pode ser resumida em uma afirmação importante: que, nesse momento, no Brasil, nenhum problema específico, apesar dos constantes ataques tentando emplacar uma crise econômica ou na Segurança, nem esse tema e nem outro domina a pauta da sociedade, que responde apontando problemas dispersos, todos relevantes, mas que mostram equilíbrio e bom momento da administração central nacional.

    Reconhecido, a meu ver, nesse cenário apontado pelo Datafolha.

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  • Lavajatismo retorna , agora como tragédia.

    março 12th, 2026

    Invertendo a máxima, o lavajatismo que tenta ressuscitar da farsa anterior o faz de forma trágica.

    Porque, se são os mesmos personagens — a mídia dita profissional, parte da Polícia Federal, o ministro Fachin, agora somado ao terrivelmente evangélico ministro André Mendonça — não perdem uma oportunidade de fazer lambança e atacam aqui e ali com renovado empenho. Deixam um rabo de imperícia e, de tão afoitos, passam por cima de procedimentos elementares, que a PGR e os demais ministros não terão nenhuma dificuldade de anular rapidamente quando a coisa chegar nas turmas.

    O afastamento público pessoal de Gonet das decisões temerárias do ministro Mendonça está não somente definido, mas acompanhado de críticas do açodamento e acusações de pressa infundada e ilegal. O que quer dizer que tudo não tem futuro nenhum no que chamamos de curso do processo legal.

    Parte da Polícia Federal tem vazado seletivamente para atacar os demais ministros do STF, Toffoli e Moraes, e não esperar por parte desses reação — direcionada não à PF, mas ao promotor desse desatino, o ministro Mendonça — é não conhecer nada de como funciona a Corte nesse Brasil.

    E vão contar com a PGR de Gonet na empreitada, porque, de todos eles, é quem mais tem demonstrado crescente irritação, insatisfação e, em breve, reação aos desatinos do ministro Mendonça.

    A Lava Jato que morreu tenta ressuscitar para, mais uma vez, tentar derrotar o projeto popular, inclusivo e nacionalista do PT e do Lula. E nosso!

    Como não enganam mais ninguém, rapidamente serão desmascarados e toda essa fumaça se dissipará, para vergonha e derrota dessa gente.

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  • Cartas marcadas.

    fevereiro 28th, 2026

    Presidente Lula agenda almoço com Alckmim e Haddad para a próxima semana, no cardápio as definições do futuro de ambos na próxima disputa eleitoral.

    Um amigo me lembrou da velha máxima da política em essência : reunião só se marca depois de tudo combinado e decidido.

    Alckmim anda chateado, avisou que sem a presença na chapa da presidência não concorre a mais nada e sai da vida pública. Penso, e já afirmei aqui algumas vezes, que a hipótese de substituí-lo por alguém do MDB era mais uma carta sobre a mesa para promover diálogos e não deixar o partido livre para escolher a oposição. Alckmim nunca seria trocado, reafirmo.

    Já a posição de Haddad era outra, mais preocupada com o único propósito que lhe interessa: candidatura a presidente pelo PT em 2030 e acossado pelo protagonismo de outros nomes dentro ou influente na base do PT a incluir na bolsa de apostas para o pós Lula outros nomes, como Flávio Dino por ex.

    Haddad percebeu seu momento para negociar o que chama de sacrifico disputar o governo de São Paulo, lembrando da sequência de suas derrotas anteriores e reconhecendo o favoritismo no momento para a reeleição de Tarcísio. Impôs. Ao que parece, impôs um preço para a disputa : a vaga de candidato para 2030 de presidente pelo partido, apostando todas as suas fichas.

    Quem não nasceu ontem sabe que promessas com tantos anos de antecedência são sonhos e ilusões, mas compromissos também são encarados como limites e projetos pessoais que devem ser respeitadas, na medida do possível.

    De certa forma Ciro Gomes embarcou em canoa semelhante no seu passado de compromissos com Lula e Pt. E não perdoou o que parece não ter sido cumprido ou nem

    tão amarrado e certo como julgava. O certo é que afastou e não quer mais papo.

    Espero que Haddad saia como candidato ao governo acompanhado de forte chama de Tebet e Marina Silva nas disputas para as duas vagas no Senado. E podemos ter surpresas nessa reeleição considerada certa de Tarcísio no atual momento. Quem sabe ao menos um segundo turno mais animado e dividindo os preciosos votos dos paulistas?

    Então, para a tal reunião futura é caprichar nas ditos porque a costura já está pronta.

  • O vice do Lula 2.

    fevereiro 12th, 2026

    Depois do meu último post tratando desse tema sobre a escolha do vice na chapa presidencial com Lula, uma enxurrada de notícias e declarações surgiu e me obriga a voltar a ele.

    Começo reafirmando ser Alckmin o nome que vai compor a chapa para a reeleição.

    E digo isso fundamentado em alguns aspectos relevantes que provocaram essa discussão e que não estão devidamente esclarecidos.

    O primeiro ponto, e o principal: de onde partiu essa ideia de substituir Alckmin?

    Talvez do próprio Lula ou do PT. Se foi o Lula, o fez na rotina normal de consultas para estratégias eleitorais, que não poupam ninguém, nem o próprio Lula. E, se foi o PT, é porque estão preocupados com a sucessão em 2030 e, quem sabe, até com a condução do próximo mandato, comandado por um homem forte e saudável, mas de 80 anos.

    E, ainda dentro do PT, um personagem cujas ações estão muito estranhas: Fernando Haddad, que anuncia saída do ministério para trabalhar no programa do próximo mandato, diz não querer disputar nenhuma eleição e não confessa sua única ambição: ser presidente. E, sendo vice agora, pavimentaria seu caminho.

    Naturalmente, quando esse tipo de especulação começa a circular abertamente, um monte de candidato aparece. E, nesse caso, penso que Lula não coloca um ponto final nessa história porque, de alguma maneira, ela o beneficia, atrai interesses e abre portas para conversas, além de revelar pessoas e estratégias que ficariam camufladas e precisam vir à tona para tentar ganhar o cargo.

    Acho normal especular sobre vice, como ocorrem inúmeras especulações sobre candidaturas e, depois, sobre ministros e etc., nesse espiral infinito da política.

    Se Lula deixa a coisa seguir, é porque está bom assim.

    Mas ele vai confirmar Alckmin, até porque trocar um vice de São Paulo por um de Alagoas ou Pará, convenhamos, não é bom negócio. E o MDB vem dividido, não importa o que decidam em convenções.

    Fora o histórico anterior e recente com o vampiro Temer.

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  • O vice do Lula.

    fevereiro 9th, 2026

    Eu fico observando o tamanho da cara de pau de alguns jornalistas e seus patrões, à medida que avança o período eleitoral e, na falta de assunto, a disposição sempre crescente de plantar intrigas e divisões no governo Lula vai se mantendo constante e crescente, com a eleição cada vez mais próxima.

    A tentativa atual gira em torno de especulações sobre quem será o candidato a vice-presidente na chapa do governo; na impossibilidade de especular a ausência do Lula, sobra para o pobre Alckmin as tentativas de boicote e traições.

    Absolutamente infundadas.

    Depois de sugerirem a Alckmin concorrer por São Paulo, diante da recusa (?) do ministro Haddad, passaram a falar em alguém do MDB, agora Kassab do PSD e até uma conversa com o Aécio, não se sabe exatamente para quê.

    A verdade nessa história é o oposto. O centrão, sem lenço e sem documento e antecipando a vitória do Lula, tem cada vez mais tentado abrir negociação e aumento de influência. Não tem nada mais atrativo que candidato com pinta de vencedor.

    E político em eleição é bicho no mato caçando a sobrevivência, não brinca com coisa séria e não vacila.

    Mas vamos por partes.

    Lula escolheu seu parceiro há três anos atrás, que, aliás, nunca lhe faltou, e não tem nenhum motivo nem pessoal nem político para mudança.

    Alckmin é o seu vice para a reeleição.

    A especulação acontece porque cada um tenta se destacar na disputa por espaços e planta notícias aqui e ali na mídia, porque assim funciona a coisa.

    Acreditar no que dizem é uma coisa completamente distinta.

    O mais provável de os partidos do centrão fazerem é o que sempre fazem: lançam um candidato, no caso o PSD coligado com outros, e depois liberam o voto em função dos acordos regionais e cada um por si. O pobre do candidato oficial que se vire.

    O que seria ideal para essa turma do centrão seria que Flávio entrasse pelo cano completamente e fracassasse miseravelmente, o que, dada a rejeição de 45% do Lula, é improvável. Se isso ocorresse, uma votação tipo a da vitória da centro-esquerda em Portugal, de 66 a 33, seria o ponto de partida para eles suplantarem o bolsonarismo em 2030 e aí sim disputarem com chances a presidência.

    Mas não podem fazer, porque precisam dos votos do bolsonarismo e apostam em uma transição, na medida em que vão discretamente, mas sem vacilo, abandonando o Flávio Bolsonaro.

    E vamos falar muito disso até o pleito.

    Se a eleição presidencial do Lula está indo bem e Lula ensaia alguns passos em vista do futuro, do próximo mandato e até do PT, o seu sonho parece ser o de deslocar cada vez mais o partido para a centro-esquerda, uma social-democracia de fato, transformando a política nacional, com os extremistas em um nicho de onde não conseguem vitórias e atraindo a centro-direita para alianças perenes, como legado para a estabilidade nacional e algumas décadas de liderança.

    Esse o discurso de ontem e a sinalização de que ele vai com tudo pessoalmente para a disputa, consciente de ser maior que o próprio PT e da baixaria política que, segundo afirmou, está podre.

    Mais uma vez aponta o rumo e seria bom conseguirmos fazer. Pode ser que num primeiro momento a costura em torno do Lula se desfaça na sua ausência, mas, se for forte o suficiente, pode resistir ao desafio do tempo.

    Ele sabe e nós deveríamos entender que o importante é isolar o fascismo e afastar essa gente de qualquer expectativa de poder.

    Começou, porque Lulinha não mais teremos em 2030.

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  • Julgamento no Tribunal Militar.

    fevereiro 4th, 2026

    Os tais deveres e princípios descumpridos pelo núcleo militar principal da trama golpista, Bolsonaro incluído, me deixaram com uma sensação de falta de contundência e de acusações fracas. Talvez falte ao código militar tipificar coisas como tentativa de golpe de Estado e rasgar a Constituição.

    Uma leitura menos rigorosa talvez ajude a observar que não faltam acusações graves, e os pedidos de expulsão de todos não deixa dúvida da gravidade dos crimes cometidos.

    Dependendo da gradação e da contundência, podemos acreditar que estão ali incluídos os elementos necessários para cumprir o dever inadiável de afastar essa gente das Forças Armadas.

    O fato de ter chegado até aqui, depois das condenações no STF — ali sim, com todas as letras e palavras explícitas dos crimes cometidos — não pode deixar de ser comemorado. E, quem sabe, uma expulsão dessa monta e ineditismo possa até constranger deputados e senadores a derrubar o veto do presidente Lula à anistia da dosimetria. No mínimo, ao avalizar a decisão do STF, a Justiça Militar reforça também o inevitável julgamento de inconstitucionalidade que deve seguir, caso derrubem o veto dessa abominável dosimetria.

    Outra possibilidade seria que, sem votar, ao julgar a constitucionalidade, o STF anule os efeitos dessa dosimetria, apenas reanalisando caso a caso das condenações e faça pequenos ajustes nas penas.

    Ambas as possibilidades estão na mesa, considerando que, após o Carnaval e por obrigação regimental, a apreciação do veto pelo Congresso é inevitável.

    Parece que os Poderes começam o ano mais preocupados com questões práticas e de efeito eleitoral; as rusgas do ano passado parecem incômodos que todos pretendem deixar para trás. A proximidade entre Legislativo e Executivo é, sem dúvida, fruto da reeleição de Lula estar cada vez mais evidente. Mesmo numa possível disputa acirrada, a expectativa de poder é a vitamina da política e a razão de todos os acordos. Ainda mais por se tratar de um segundo e último mandato, o que deixa a sensação de que, uma vez resolvido 2026, todos podem começar a sonhar com 2030.

    É provável que Lula, então, se coloque cada vez mais acima das disputas futuras, porque esse sonho de espaço no futuro pode estimular tentativas de voos alucinados, inclusive de alguns mais conscientes. Mas isso fica lá, bem mais para frente.

    Precisamos superar 2026.

    Primeiro.

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  • Haddad.

    fevereiro 3rd, 2026

    Algumas reflexões sobre a recusa do ministro Haddad em disputar eleições em 2026.

    A primeira coisa que me vem à cabeça sobre a decisão é a tentativa do ministro de negociar com as alas refratárias do PT a vaga na chapa presidencial para 2026. Sentindo crescerem outros nomes, como Flávio Dino, por exemplo, Haddad antecipa a disputa interna e usa seu capital político, cobiçado em 2026 em SP, necessário para Lula pessoalmente e para o partido fazer bancada, como uma forma de convencer seus adversários internos de ser ele o melhor nome para a disputa presidencial em 2030 e quer deixar isso resolvido agora, antes de ir para mais um sacrifício eleitoral. Tarcísio segue o favorito à reeleição, e mais uma derrota na conta do ministro tem sido seu argumento para negociar.

    Uma segunda hipótese seria que Haddad fala a verdade, não quer mesmo disputar eleições, julga que entregou tudo que pretendia no ministério e agora prefere trabalhar para influenciar o futuro programa do próximo mandato, o que não deixa de ser também uma maneira de seguir na frente das articulações para 2030.

    Essa segunda hipótese tem um porém: a data escolhida para sair do ministério, exatamente na época em que todos os demais ministros estão negociando suas candidaturas e espaços eleitorais. Mais: será um dos primeiros a sair, por agora em fevereiro, deixando tempo até abril, quando encerram as datas de definição das candidaturas oficialmente.

    Espaço e tempo suficientes para exaurir todo tipo de acordos. Mais, sai antes e chama mais atenção do que todos os demais, atrai todas as atenções e fica difícil imaginar outra intenção além dessa. Para quem nada quer, bastava esperar a poeira das trocas de ministros candidatos e os prazos eleitorais abaixar para depois, aí sim, anunciar sua saída do ministério.

    Então, conclui-se que Haddad tem, sim, uma agenda eleitoral definida para 2030 e a está usando como barganha para 2026. E podemos aguardar desdobramentos em ambas as ocasiões, agora e para o futuro, não necessariamente segundo as vontades do ministro.

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  • 2026.

    fevereiro 2nd, 2026

    Ano de eleição é ano de ler e ouvir repetidamente o quanto ele é decisivo. De fato, é, enquanto temos fundadas esperanças de vitória, porquanto Lula é o favorito para vencer. O mesmo não se aplica ao Congresso Nacional, onde o risco segue enorme, apesar da provável diminuição das bancadas radicais do PL, substituídas por PSD e até discreto aumento da bancada petista. O enrosco está mais no Senado e temos bastante tempo para especularmos como isso fica até o dia do pleito.

    O título “Viúva Porcina” fica com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aquele que “foi sem nunca ter sido” candidato a presidente, e que teve fechadas as portas para suas pretensões agora e no futuro.

    O Legislativo retorna a partir de hoje, completo o recesso, e as pautas começam a pipocar, com a volta da derrubada do veto do presidente Lula ao projeto de dosimetria. Embora pareça ter perdido força durante esse recesso, segue como o objetivo de constrangimento ao Executivo programado para acontecer. Bem como o destino de ajuste no STF, onde vai, caso a caso, enquadrar os golpistas condenados, e essa ladainha seguir por mais um bom tempo.

    O contexto é que rico não fica preso no Brasil, muito menos general, e assim devemos encarar o desafio, que não é um caso isolado na nossa história, mas o padrão imutável da nossa justiça.

    Nas próximas semanas, até abril, quando terminam os prazos para inscrição de candidaturas, vamos observar quem vai para a disputa e para quê. Tem muita especulação e gente escondendo o jogo ainda, sem falar naqueles que estão negociando pleitos futuros ao negar participar do atual. Tem de tudo e vamos acompanhar com lupa.

    A disputa presidencial tem um tempero especial e um perigo para a oposição: Lula vencer no primeiro turno, numa espécie de plebiscito por falta de bons nomes. A oposição precisa apresentar mais alguns nomes para tentar levar a disputa ao segundo turno, e quanto mais candidatos conseguirem para a disputa, melhor. Não por acaso até Temer anda se apresentando, no que, para meu gosto, me parece desespero escancarado.

    Voltaremos a esse e aos outros assuntos.

    Finalmente, dizem que a eleição será disputada sobre debate de segurança, e não sobre economia, inflação, emprego e renda. Sendo evidentemente a vontade da oposição e da imprensa PIG, sem motivos para querer debater economia, onde o governo obtém seu maior êxito. No máximo, encaram críticas ao balanço fiscal, com pressões sobre o orçamento por conta dos juros do BC e o giro da dívida pública por conta dessa despesa estratosférica. O governo não precisa aceitar esse jogo e não vai, enquanto se prepara para enfrentar o debate sobre segurança pública, outro assunto preferido do PIG e do Flávio Bolsonaro.

    Então, vamos em frente.

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