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Blog do Franco

  • Como o velho marinheiro.

    abril 6th, 2024

    Todos os dias alguma notícia tenta levantar polêmicas, intriga ou desdenhar da condução geral do atual governo e suas decisões.

    O que eles tem em comum é o vazio, não duram nem as 72 horas normais de sustentar notícias e  acabam  no mesmo dia.

    E no dia seguinte, uma nova leva de críticas infundadas ou escândalos fabricados saem da fábrica de vento da grande mídia nativa.

    Perceba, não se trata de juízo das críticas, mas a falta de conteúdo.

    Vá lá que precisam agradar patrões e justificar salários, e notícia de ontem não enche barriga, uma nova precisa preencher o noticiário.

    E o governo não ajuda, o trabalho é constante e sério, equilibrado, se faltava uma comunicação mais direta e menos reservada, menos tímida, não falta mais, a turma de ministros não sai mais das redes e publica um sem número de reuniões, declarações, inaugurações e foge das polêmicas com trabalho.

    Polêmica sempre há, não me entenda mal, os anjos habitam  os céus – dizem – e nos ministérios não tem nenhum;  a coisa pega, porque tem que pegar mesmo quando lidamos com os interesses múltiplos em uma nação-continente .

    A da semana foi sobre o presidente da Petrobras, uma meio na base de fofocas de conteúdo quase infantil, porque vaidade também é parte da vida dessa gente. Tirando isso e alguns desencontros normais de grandes empresas, o atual presidente parece seguir, alguma acomodação pode surgir, mas que inclua a permanência de sua presidência na estatal maior do Brasil .

    A arrecadação segura as pontas, os juros estratosféricos ainda cortam nosso orçamento e comprometem a saúde contábil, mas segue administrável; PIB cresce, a balança externa explode em bons números e o déficit primário cresceu  em função de pagamentos atrasados de precatórios, que mais pareceu uma desculpa do governo para injetar bilhões na economia e fora dos controles normais .

    O congresso dorme, inteiramente dominado pelas pautas governistas;  aqui e ali algumas presepadas sem arranhar o principal. Eleições seguem no radar de reeleger bancadas municipais mais progressistas sem exatamente disputar o cargo executivo principal. O objetivo é comer pelas bordas e, quem sabe, lançar novos nomes enquanto usam a velha guarda de apoio.

    Lula navega em mares nunca dantes navegados e conduz seu barco devagar.

  • Números, sempre.

    abril 5th, 2024

    O front externo continua acelerado, os preços das commodities seguem estáveis mas exportações de petróleo e derivados estão em alta, de forma inédita.

    Enquanto a safra vai sendo colhida com previsões constantemente declinantes, há quem preveja uma queda de 7% do PIB agrícola em 2024. No entanto, o pré-sal tem mantido a economia estável e a balança comercial tem registrado sucessivos recordes. E internamente o setor de serviços vai acordando e impulsiona o PIB.

    Além disso, as primeiras estimativas de arrecadação federal de março são as mais altas da série histórica para o mês, repetindo o feito do primeiro bimestre. Isso nos leva a um trimestre excelente. A discussão gira em torno se os números extraordinários serão suficientes para cumprir a meta de déficit zero no ano, mas a discussão não está apenas no âmbito do executivo, já que no congresso o compromisso com o déficit zero parece permanecer apenas na retórica, enquanto as ações vão em direção contrária. Em todo o caso, vamos adiando a revisão do déficit primário no ano, tinha gente prevendo a necessidade em janeiro, depois fevereiro e agora falam segundo semestre.

    Haddad convocou uma reunião, até agora eles têm demonstrado relutância, mas para o grupo parlamentar dominante é difícil se desvincular de seus patrocinadores no mercado, que são os principais defensores de baixo déficit . Assim, o governo conta com o apoio do mercado e pressiona o congresso, que busca soluções sem poder ignorar a pressão.

    Acredito que algum meio-termo será alcançado. Estamos falando da medida provisória que visa reonerar os municípios em suas obrigações com a previdência, medida que Pachecão retirou sem avaliar as consequências. Caso seja judicializado, é provável que o governo ganhe facilmente no STF, pois a matéria previdenciária é assegurada pela constituição e não pode ter sua arrecadação alterada. No entanto, Lula parece estar disposto a negociar, o que é promissor.

    O saldo de serviços com o exterior continua negativo, já que gastamos muito com compras de manufaturados e enviamos grande parte do dinheiro para as matrizes. Embora o resultado comercial compense, essa ainda é nossa fragilidade, que precisa ser abordada com a retomada da indústria, que já está em andamento.

    A inflação está controlada, a tomada de empréstimos bancários aumentou 18% no bimestre, apesar dos juros de 45% ao ano, o que é uma loucura em um país com inflação anual de apenas 4%.

    Para este ano, ainda temos a frente equatorial para explorar petróleo e consolidar nossa posição como exportadores de óleo e derivados. As reservas provadas e prováveis atuais estão em 50 bilhões de barris, e a cada avaliação elas crescem. Embora os números da frente equatorial sejam desconhecidos, a intensificação da atividade na região mostra que é promissora.

    Portanto, estamos no caminho certo, conforme esperado.

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  • Guinada ao centro?

    abril 4th, 2024

    As críticas do governo brasileiro ao processo eleitoral na Venezuela levantaram questões que precisamos enfrentar, no que diz respeito à atual percepção que temos sobre os fundamentos que guiam o atual mandato do presidente Lula.

    Quanto aos processos eleitorais em si, um ponto de controvérsias obscuras que atinge todos os países, ou quase todos. Vamos lembrar que na Bolívia, o ex-presidente Morales está afastado das disputas por motivos desconhecidos, Lula estava recentemente preso e impedido por uma justiça parcial e corrupta, nos EUA o candidato independente Kennedy não consegue a inscrição em vários estados e não se sabe exatamente o motivo.

    Ou seja, as circunstâncias que regem as disputas eleitorais nem sempre são claras. Eventos estranhos, regras volúveis e juízes desonestos influenciam na disputa e nem sempre é possível perceber e relacionar os fatos adequadamente para compreender. Sobretudo quando ocorrem em outros países. Se internamente já é difícil de acompanhar…

    Pois bem, o que deveria prevalecer nesse momento de avaliação de pleitos estrangeiros seria uma moderação respeitosa, cuidado e cautela, evitando julgar precipitadamente os processos eleitorais sem que se tenha completa clareza e convicção do que estamos tratando. O que muitas vezes é difícil ou impossível, como tentei explicar.

    Mas talvez algo mais esteja de fato ocorrendo no seio do governo Lula atual. Como precisam avançar em suas propostas internas e sem maioria parlamentar para impor ritmo ou mesmo aprovação de suas pautas, a negociação e a condução da política passam por pragmatismos sutis, mas que sacrificam condutas e princípios relevantes da visão que a esquerda tem ou deveria ter. No caso da Venezuela, o autodeterminação dos povos e suas decisões soberanas.

    Percebo um congresso bem perdido, as futuras novas presidências das casas e a disputa interna, além da eleição municipal próxima e tudo somado à inelegibilidade do único opositor que tem votos, paralisou o congresso e deixou apenas projetos irrelevantes nas pautas.

    O governo Lula quietou nas polêmicas e faz um movimento de deixar a economia em franca ascensão impor a realidade para os próximos meses e anos. Nesse aspecto essencial, a coisa caminha bem, as críticas ficam arranhando aqui e ali, mas o mais importante para todos segue em bom caminho e pavimenta o futuro.

    Enquanto isso, uma postura mais de centro e equidistante dos maiores polemicas parece ser a orientação geral. Prefiro pensar que estamos na encruzilhada política, aguardando os resultados e acumulando energia para avançar. As eleições vão dar nessa orientação para a segunda metade do mandato, a economia vai segurar as pontas e o front externo segue na pauta, temos G20 em novembro e as guerras estão todas aí, sem que o governo do Brasil tenha mudado suas posições que corretamente assumiu desde o início dos conflitos.

    Lula disse e repetiu que não voltou para fazer igual, mas fazer mais. Eu acredito nisso e espero um 2025 muito mais agressivo em termos de realizações, aí sim com decisões mais ousadas. Se é verdade que no Brasil investir em educação e saúde é uma grande ousadia, eu percebo essas realizações naquilo que “Lula já fez”, então aguardo para ver o “que ele ainda não fez e fará”.

    O atual momento é passagem.

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  • Galipolo na marca do pênalti .

    abril 4th, 2024

    Finalmente, a omissão vergonhosa do atual diretor do Banco Central, indicado por Lula, Galipolo, começou a chamar a atenção exatamente por sua inação. Ou faz, assinando sem contestar todos os disparates do atual presidente do Banco Central dos maiores juros do mundo, sem justificativa.

    O dano causado por essa política de juros suicidas chega a trilhões, somando os juros pagos em 2022, 800 bilhões, em 2023, 600 bilhões, e mais uns 500 em 2024. É um montante tão absurdo de dinheiro doado aos ricos pelos pobres que a única justificativa que encontro é que a turma do dinheiro só aceita a democracia como regime de governo se pagarmos o pedágio bilionário para eles. Um resgate continuado.

    Mas o barco da nomeação do Galipolo à presidência parece que estancou; setores do PT estão incomodados com as seguidas omissões do diretor e veem sua futura nomeação para comandar o BC sob suspeitas. Finalmente.

    Mas mesmo essas notícias vazadas na imprensa podem fazer o jogo para alavancar a nomeação do zumbizinho. Ao apontar a ala mais radical do PT como insatisfeita com Galipolo, no fundo faz o jogo casado com o atual presidente Campos Neto, que do nada apareceu dizendo que seria bom antecipar o debate de sua sucessão, que só acontece no fim do ano. Para quê? E Haddad, patrocinador da indicação, o que pensa?

    Em todo o caso, sendo mal intencionados e a favor de Galipolo ou não, os vazamentos mostram que um mal-estar com o seu nome na presidência do BC tomou corpo.

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  • O Art.142 e a República .

    abril 3rd, 2024

    Muito, senão todo, do modo como as Forças Armadas no Brasil se veem pode ser encontrado nas origens da nossa república. Ela não foi outra coisa senão uma quartelada contra o imperador D. Pedro II. Entre os motivos invocados estava a insatisfação dos fazendeiros que perderam sua mão de obra escrava sem receber uma indenização. Por aí, podemos entender o que estava por vir.

    Na virada para o século XX, a grande preocupação da república era ‘branquear’ a população, devido ao imenso número de negros e mestiços resultantes dos 300 anos de escravidão. Não é o caso de destacar apenas aspectos negativos do início da república, mas de perceber as raízes dos problemas que permaneceram e de onde a mentalidade militar construiu sua consciência.

    A questão da tutela sobre os civis era e é tão profunda na alma militar que não abriram mão de mantê-la na Constituição de 1988, mesmo desmoralizados pelo regime ditatorial que estava acabando – e conseguiram.

    O mesmo acontece agora, apesar de apenas 4 anos de governo na companhia do lixo bolsonarista. Deu para relembrar o desastre da administração fracassada do período militar anterior. Sem conseguir impor suas vontades pela força, são rapidamente enxotados por incompetência. De novo.

    E chegamos à decisão de ontem do STF, que sobre o artigo 142 da Constituição afirmou não ser possível utilizá-lo para uma intervenção militar com a desculpa de impor uma ordem, muito menos para desrespeitar a própria Constituição. Ok, não será uma decisão do STF que impedirá futuros desmandos e golpes, mas a posição está marcada na história, algo que nunca fizeram antes.

    Mas isso não é suficiente. Sem uma revisão do conteúdo disciplinar das Forças e uma discussão ampla, geral e irrestrita sobre o papel institucional dos quartéis, essa turma de alucinados e indisciplinados, antidemocráticos, voltará a carga .

    A hora é boa para iniciar um expurgo, para iniciar um debate, para mudanças mais profundas na visão de mundo e no lugar dessa turma das baionetas. A hermenêutica das baionetas nunca prestou para nada e deve ser banida de nossa história. E quando falamos das Forças Armadas, não podemos esquecer das Polícias Militares, outro setor da vida nacional totalmente descontrolado e politizado, necessitando de uma reforma igualmente urgente e rigorosa.

    Estamos longe de tudo isso, mas já vejo sinais. E são positivos.

  • Pacto de silêncio.

    abril 2nd, 2024

    O governo de São Paulo, liderado por um ex-militar formado pelo General Heleno, que se tornou político e agora governador, nomeou para secretário de segurança um ex-comandante das tropas de choque da PM. O primeiro resultado foi o aumento exponencial das mortes decorrentes da nova atuação da polícia em São Paulo. Isso parece ter provocado uma reação interna dos comandos, provavelmente resistentes ao modelo violento, visto que a dupla governador-secretário de segurança está decidida a aposentar os resistentes – nas PMs se diz mandar para a reserva – 40% dos atuais comandantes dos batalhões.

    Um expurgo interno na força policial que só encontra paralelo no regime militar.

    Mas sabe o que me incomoda? A falta de reação. Nesse regime antidemocrático, sem transparência, que decide criminosamente confrontar e matar sem cerimônia e ainda afastar a resistência dos comandos, pode fazer tudo isso sem que os próprios policiais militares se manifestem. Penso nos cuidados que o presidente Lula, por exemplo, tem ao lidar com comandantes e como vigia sua relação com os militares, mantendo a todo custo os ouvidos abertos. E os olhos.

    O que não ocorre no caso de um governo autoritário; ele age e continua sem enfrentar oposição.

    Por quê?

    Porque a natureza desses grupos é invocar a autoridade? Quem pode manda e quem obedece tem juízo? Ou algo mais acontece com a democracia e suas práticas que parecem insuficientes para enquadrar certos grupos dentro das instituições?

    Ou talvez não seja nada disso, mas a própria essência da democracia e de seu oposto.

    Enquanto um é silencioso, opaco, imposto, excludente, cruel, frio, acumulador, feio e triste, o outro é tudo o oposto. O que um pressupõe de acordo o outro discorda, o que um exige de unidade o outro de disputa, o que um só concebe força o outro concorda.

    O que dá muito mais trabalho, enquanto o outro é apenas atalhos que não levam a lugar nenhum.

    Um promove a morte e o outro a vida.

    Um fala e o outro escuta.

    Um ou o outro.

    Essa é a questão. Ou melhor, a escolha a fazer.

  • QUÁÁC!

    abril 1st, 2024

    Um personagem de tamanho ridículo seria inimaginável e inviável sem a cobertura da mídia tendenciosa. Reportagens, séries, filmes e livros em profusão, em escala industrial, tudo sem o menor senso crítico ou jornalístico, tudo uma ilusão do tipo “Collor, o Caçador de Marajás”, ele mesmo o maior de todos os marajás disponíveis.

    O “marreco de Maringá” era isso, um juiz de quinta categoria, ignorante, provinciano, iletrado, inculto, engajado politicamente e ideologicamente, um aparelho de guerra contra o Brasil com formação nos EUA. E talvez seja algo ainda pior, que falta confirmar.

    O Russo da Vaza Jato, alguém que criava suas próprias leis, usadas apenas contra alvos pré-selecionados e escolhidos a dedo.

    Ah, mas havia corrupção nas empreiteiras. Meu amigo, existe corrupção em empreiteiras desde que construíram as pirâmides, e desde então, um estado democrático e uma justiça competente tratam de vigiar e punir sem prejudicar o próprio estado. A punição para os corruptos deve permitir que a empresa continue sua vida. A terra arrasada foi uma decisão que veio de fora, uma missão que os cretinos da Lava Jato, juízes e promotores, assumiram não sem antes obter para si mesmos as maiores regalias e proveitos legais e ilegais.

    E também nos dias atuais, como sempre, os principais problemas do Brasil não são tratados. O esquema da imprensa é um fio condutor contra o Brasil, e falar do “marreco” sem lembrar de seus verdadeiros patrocinadores é tratar sem seriedade o mal que agora estamos em parte exorcizando. Já o exorcismo da imprensa nem sabemos quando começa.

    Hoje inicia o julgamento do ex-juiz de Curitiba, sem esquecer a conveniência da data escolhida. O prognóstico é de cassação do seu mandato de senador, a esposa até mudou seu domicílio eleitoral de SP de volta ao Paraná, provavelmente para tentar recuperar o lugar perdido na eleição que deve ocorrer simultânea às municipais para a escolha de um novo senador.

    A trajetória do bufão, apesar de tudo, é uma história trágica, de um tolo que se deixou usar por tudo e por todos, achando que conduzia seu destino enquanto perseguia o maior político brasileiro de todos os tempos.

    Não estamos atrás de vingança, mas de justiça, que quem deveria promover não o fez. E, ainda estamos nos limites dos tribunais eleitorais, mas os crimes da turma precisam ser apreciados nos tribunais penais. Pode ser que cheguemos lá, na dúvida, vamos depenando o “marreco” e deixar o ostracismo fazer seu trabalho de esquecimento inexorável. A última notícia é que o STJ concluiu o levantamento dos procedimentos na Vara 13 de Curitiba, aquela do Moro. Dizem que está tudo lá, incluindo juízes, promotores e o TRF4. Esperar para ver.

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  • Maio de 1968 e a coragem de mentir.

    março 31st, 2024

    Lembrei da ida da ministra Dilma Rousseff ao senado em maio de 2008, convocada para falar sobre as obras do PAC.

    Na sua resposta ao senador fuinha Agripino Maia, uma espécie de Magno Malta sem o malte e a bíblia, Dilma selou seu nome na disputa para a vaga do candidato do Lula na sucessão. Ao comparar a coragem de mentir sob tortura, ela que aos 19 anos foi presa e torturada e cumpriu 3 anos nas cadeias, com o imperativo  de falar a verdade nas democracias.

    Alem desse dia, uma imagem da jovem Dilma altiva diante de juízes fardados escondendo o rosto da história, formam o curriculum extraordinário dessa extraordinária mulher.

    E , para os dias atuais, ainda continua servido de contraste com os covardes generais recusando responder as perguntas de seus atos diante da justiça. Preferem o silêncio, quando não continuar mentindo.

    Nada mais que isso, enquanto a menina torturada mentia para salvar as vidas de seus companheiros perseguidos pela violência dos ditadores, os algozes do passado agora revividos fazem silêncio na democracia para salvarem a própria pele. A honra, essa, jogam na lama sem a menor cerimônia .

    E se dizem valentes.

  • Good cop, bad cop.

    março 31st, 2024

    A natureza antidemocrática e golpista das forças armadas, encontrou um personagem capaz de vencer a eleição, nas condições de temperatura e pressão ideais  na sequência da derrubada ilegal de Dilma e a prisão do Lula.

    Os auto nomeados guardiães da república, tentaram mais uma vez assumir o comando do país, somando mais um capítulo na história de infâmia sequencial das intervenções militares no Brasil.

    Escolados dos longos anos de ditadura dos anos 60,70 e 80, quando sabedores que iniciaram a aventura apoiados por empresários, imprensa, setores da população e de igrejas, e terminaram abandonados por praticamente todos no final,  que os obrigou a deixar o poder com o rabo entre as pernas, não quiseram mais assumir a frente de mais um novo período autoritário, preferindo aguardar que as provocações e o gado furioso incentivado por manipulações e mentiras, descontrolado e destruidor , obrigasse o lado civil, seja ele quem fosse, de chamar a intervenção para restaurar a ordem. Que eles mesmos se encarregaram de destruir e que se apresentariam para recompor.

    O roteiro era de uma filme B, daqueles repleto de canastrões e escrito por autor sem talento ou inspiração. Mas como destruir e bagunçar são artes dominadas e praticadas a larga nos quartéis e quejandos, impor às ruas seus esquemas através dos patriotas foi relativamente fácil.

    O ex-presidente passou seus 4 anos agitando o coreto, cercado de toda os comandantes e oficiais, além de milhares de cargos ocupados por militares dobrando o soldo somados ao salário do cargo civil que ocupava.

    Foi uma farra sem data para acabar.

    As ilegalidades do dia da eleição, conhecidos e ainda sob investigação, não foram suficientes para reeleger a trupe incompetente e incapaz, apesar de tudo que foi tentado.

    Com o resultado adverso a crise que seguiu no interior das forças armadas nunca foi entre aqueles que apoiavam o desastre fascista e não o apoiavam. Mas entre aqueles que reconheciam o resultado da vontade popular e aqueles que não reconheciam.

    E uma divisão inédita no seio da família militar transbordou para o conhecimento público, entre cobranças, ameaças e xingamentos, além de promessas de perseguição até dos parentes dos que negavam apoio a uma virada de mesa .

    Dessa vez alguns dos piores entre eles – os bons ainda está difícil de descobrir –  vão pagar por mais uma afronta a constituição e a soberania popular. E com condenação por tentativa de golpe de estado, além de outras sérias acusações .

    E outras decisões sobre conter  participação de militares na política deve seguir, como aquela que impõem a reserva aos mais inclinados a política do que a vida militar.

    Entre tantos alucinados e ferozes guerreiro contra seu proprio povo, existiram aqueles que barreiraram a quartelada mais por preguiça do que por convicção. O único pensamento capaz de impedir a total adesão foi saber o trabalhão que teriam para sustentar um golpe militar nesse século 21.

    Não sei dizer se foi a covardia, a preguiça, ou a forte reação contrária que evitou a loucura. Eu sempre penso na imensa incompetência, improvisação e burrice. Um golpe que dependia de uma decisão dos golpeados  – no caso ao chamar a GLO – não pode ser levado a sério. Mas mostra que mesmo na divisão interna das forças havia aqui uma expectativa comum : dependendo do que acontecer a gente segue no poder.

    Deu tudo errado, depois de 4 anos de um governo terrível e incompetente, a quartelada fracassou e as força armadas mais uma vez estão desmoralizada. E tanto que concordam em sacrificar uns anéis para manter um resto de dignidade.

    Eu não faço ideia de como resolver essa questão, e parece que ninguém sabe. Um dia e de alguma forma a caserna deverá ser confrontada por seu pendor autoritário e seu péssimo serviço ao país. E uma solução calçada no profissionalismo, eliminar  para sempre  golpistas do interior das tropas. É uma exigência de país civilizado.

  • Democracia de fachada.

    março 30th, 2024

    Um atentado às boas práticas democráticas parece passar desapercebido por nossa imprensa atenta e vigilante .

    Imagine vocês que um candidato independente de oposição não consegue inscrição para sua presença nas eleições, e seu nome não constará na cédula eleitoral por subterfúgios e falsas alegações. E o sujeito é conhecidíssimo, de sobrenome de alcance mundial e tradicional. Mesmo assim totalmente ignorado pelo órgão de controle estadual onde tenta sua inscrição.

    Pior, nesse mesmo país a vitória eleitoral por maioria dos votos não assegura a vitória do postulante, uma obscura contagem de algumas poucas centenas de delegados substituiu a vontade popular majoritária, manipula o resultando podendo eleger o segundo colocado na eleição .

    Onde isso? Na Venezuela? Não, nos EUA .

    O candidato que não consegue sua inscrição é um Kennedy, o candidato que ganhou a eleição eleitoral no voto dos delegados e perdeu na soma total dos eleitores foi Trump, em 2016. E não foi a primeira vez que isso aconteceu.

    Durmam com um barulho desse. Como? É verdade, não tem barulho nenhum.

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