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Blog do Franco

  • Saideira de 0,5%, na taxa Selic?

    março 21st, 2024

    O nosso Banco Central e sua diretoria mezzo mezzo – metade Bolsonaro, metade Lula – seguiram no ritual de pinga-pinga ao reduzir mais uma vez em 0,5% a taxa de juros Selic, mantendo-a como a mais alta do mundo; e, para piorar, alteraram o comunicado, substituindo o plural ‘próximas’ por ‘próxima’, anunciando uma redução de 0,5% na reunião de junho e, em seguida, recomeçarão com a ladainha de reduções de 0,5% ou 0,25%.

    Os dois diretores indicados por Lula subscrevem tanto a decisão atual quanto a futura, embarcando na nau sem rumo do bolsonarista sabotador do crescimento, Campos Neto.

    Com o mandato chegando ao fim no final do ano e sabendo que não tem a menor chance de ser reconduzido, ele faz planos para abrir uma fintech em Miami. Não sei se devo achar engraçado ou chorar.

    É isso, todos os indicadores econômicos mostram evolução, superando as previsões, exceto um: o investimento privado.

    E por viverem com os maiores juros do mundo, sem riscos, sustentados pelo povo e seus impostos, acumulados por poucos que têm dinheiro para aproveitar o maná que cai dos céus brasileiros. Note que nos últimos meses, os juros reais no Brasil estão aumentando, enquanto a inflação tem caído mais rapidamente do que o gotejamento do BC, resultando nesse desastre de pagar juros reais cada vez maiores.

    Um ultraje, uma afronta, um roubo.

    Enquanto estamos à mercê de contingenciamento de investimento produtivo de R$29 bilhões para atender às exigências do déficit fiscal primário, continuamos a pagar R$500 bilhões por ano em juros mais altos do mundo, sem nenhuma razão.

    Continuarei denunciando essa vergonha enquanto necessário, e incluo na minha indisposição o bobo do Gallipoli, que só diz ‘amém’ para essa pilhagem dos recursos suados dos brasileiros e ainda pensam em nomeá-lo para substituir o Campos Neto. Seis por meia dúzia? Inaceitável.

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  • Lava jato, 10 anos passados e uma estimativa do desastre.

    março 20th, 2024

    4,4 milhões de empregos perdidos, R$180 bilhões em investimentos perdidos e uma redução de 3,4% no PIB – tudo perdido.

    Além da entrega dos poços de petróleo maduro para empresas internacionais, com isenção de impostos de exportação, e outros ativos da empresa na bacia das almas, a destruição das grandes empresas de engenharia que disputavam concorrências internacionais com êxito, e a ascensão do fascismo no Brasil. Tudo isso é conhecido, medido e contabilizado.

    Mas é exatamente o que estamos dizendo, enquanto a imprensa internacional está fazendo outro tipo de contagem. Para eles, o Brasil, que disputava o quinto lugar no PIB em comparação com as demais economias do mundo, poderia estar, como é destacado na chamada que ilustra o post, neste momento, disputando o terceiro lugar no PIB mundial.

    É o que eles pensam, muito acima das nossas previsões e estimativas.

    Mas por quê?

    Talvez porque crescemos a taxas chinesas, com desemprego abaixo de 4%, iniciamos a exploração do Pré-Sal recém-descoberto e criamos um fundo soberano com os recursos dos royalties da exploração, à semelhança do que fez a Noruega, para financiar a educação e a saúde de todos. A primeira coisa que acabou com a “ponte para o futuro” do Temer foi o futuro dos recursos da educação e da saúde com a extinção do fundo soberano.

    Qual é a melhor estimativa, não sei. Mas fico pensando onde estaríamos hoje e, sem dúvida, estaríamos muito, mas muito melhor do que estamos e sem ter passado pelos desastres de Temer e Bolsonaro. Porque sem a Lava Jato, não teríamos a dupla destruidora e entreguista como parte de nossa história.

    A Lava Jato, por sua vez, é filha das jornadas de junho e da guerra híbrida que atingiu o Brasil. Era aquele grito de padrão FIFA para a educação, que acabou em escola cívico-militar sem nenhum pio de protesto. Mas aí é outra história.

  • A teologia do domínio.

    março 18th, 2024

    Atualmente, está na moda discutir a chamada Teologia da Dominação, supostamente inspirada no livro do Gênesis. Logo em seu início, durante a criação do homem, dos animais e da natureza, segundo o comando divino para que o homem dominasse sobre tudo.

    Foi um pouco decepcionante perceber o tamanho do empenho dos fundamentalistas religiosos e de seus detratores em um embate sobre palavras tão simples. Nem vou entrar no mérito da crença em mitos de milhares de anos; só a disposição para debater sobre esses termos desanima qualquer um.

    Inicialmente, o ponto básico de refutar usando uma tradução diferente da palavra hebraica para “dominar”, ou uma interpretação melhor, pareceu-me ser o mesmo uso equivocado dos argumentos furados dos fundamentalistas, só com os papéis invertidos. E não refuta nada; apenas consolida a base frágil da discussão e entra no jogo.

    A meu ver, o que resolve a questão foi a posição assumida pela presidente do PT, Gleisi Hoffman, que não se envolve no campo minado da religião e coloca o debate em seu devido lugar: não estamos discutindo com religiosos, mas sim com um campo social. Ou seja, não importa no que se crê, mas sim no que se faz.

    E, entre nós, se fosse para invocar a inspiração divina para a guerra, há muitas histórias sobre Javé, o deus líder do panteão politeísta dos povos de Edom, pré-árabe, que conquistou a região que hoje chamamos de Israel (e Judá na época) pela espada. Mas parece que nem Javé serve mais; o ideal atual seria Davi, Paulo e Jesus, que estão esquecidos nas atuais necessidades dos pastores-políticos-empresários.

    O fundamento doutrinário dessa tal Teologia da Dominação é raso, tão raso que dispensa esforço e não pode ser levado a sério. Tem tudo para ser esquecido por falta de substância.

    Já o esforço para dominar usando a religião como escudo, para enriquecer, fazer política partidária, etc., aí sim, esses tantos merecem o confronto como sujeitos sociais, e o falso uso das escrituras pode e deve ser denunciado. O limite de aproximação com esses tipos foi mostrado ontem no discurso do presidente Lula; sua genuína dúvida sobre valer a pena gastar tempo com essa turma é sempre evidente. Eu também penso que seria perda de tempo, melhor seguir governando e anunciando os bons feitos, deixando que o milagre aconteça do lado de lá.

    O desenho que ilustra o post de hoje é Iavé, a figura sentada sua esposa Asserá.

  • Fora,  Dilma!

    março 18th, 2024

    O gráfico que ilustra o post é talvez a prova mais contundente do golpe que derrubou Dilma; onde a motivação  de parte do empresariado fica evidente. E não era econômico, como a linha praticamente reta da parcela do ganho empresarial mostra o equilíbrio ao longo de tantos anos. Já a linha de ganhos dos trabalhadores , seguia ascendente. O estudo deixa claro que o ganho de um não se deu a custa de perda de outro. E como a derrubada da presidenta Dilma mudou o quadro : dali em diante a perda referentes aos ganhos do trabalho passa a ser entregue aos patrões.

    Porque a estabilidade não interessava, e não era uma estabilidade estéril, como o PIB crescia para todos o que se mostrava estável era também ganho. Sim, os trabalhadores ganhavam duas vezes, na maior participação no resultado e também no crescimento do PIB.

    Como estamos tratando do país mais injusto do mundo, onde a parcela do 1% mais rico é dona de metade da riqueza nacional, coisa que em nenhum outro lugar do mundo acontece, o que estávamos vivendo era um acerto total nas decisões políticas e econômicas.

    O golpe recolocou em pratica os  séculos anteriores, de acumulação sobre a parcela do trabalho, anulando em parte os ganhos do período. Isso em relação a parte do trabalho, observe que o índice do empresário permaneceu alta até recentemente.

    Eu sempre disse que a derrubada da Dilma foi em função do conflito distributiva da seu segundo mandato. Ela iniciou fazendo ajustes e renunciando a receitas – que até hoje não conseguimos reaver – mas fomos chegando a um ponto onde alguém precisaria começar a perder para o país seguir crescendo. Os empresários e a classe política sabendo disso se anteciparam e não esperavam as decisões que certamente não seriam do agrado, impondo com o golpe o peso do ajuste nas costas do trabalho.

    A questão do petróleo foi  o bônus ao estrangeiro em troca do apoio necessário a costuras bilionárias com o exterior.

    Aos poucos a curva está se mexendo novamente, e de novo o salário e renda crescem mais que o geral, que também cresce, como vimos antes e estamos revendo  agora.

    O mal estar do Shopping cheio de pobres, as filas do aeroporto e a filha do porteiro na Disney, também motivos ocultos do golpe, estarão em alguns meses de volta.

    Depende de nós sustentar esse modelo, ninguém perde, quem precisa ganhar mais, ganha. O Brasil vira um país de classe média baixa, mas a pobreza mesmo desaparece. Onde isso é ruim?

  • Trânsito em julgado.

    março 17th, 2024

    Estamos todos acompanhando os depoimentos dos generais sobre a movimentação criminosa do grupo encastelado no planalto. O que mais surpreende é que praticamente tudo que dizem não é surpresa nenhuma. Aqui e ali um detalhe, quem concordou e como reagiu, quem não concordou mas ficou por ali pra ver no que ia dar. O roteiro principal e as ações dos protagonistas não tem nada de novo. Alguns podem dizer que o sumiço do ex-presidente após o resultado, largamente noticiado, quando comparado com a sequência de reuniões e conversas que estamos vendo agora, foi uma novidade. Em termos, porque todas as aparições da gang no pós eleitoral em público, sem nunca reconhecer o resultado das urnas, foi na direção do que agora estamos vendo em detalhes.

    No que isso importa?

    Ora, o sujeito retoma seu estilo de confronto, volta aos palanques para repetir a mesma pregação, mesmo quando eventualmente terceiriza os ataques principais. Nesse caso, o crime continuado e com tendência de agravar, na medida que a data da eleição municipal se aproxime; me parece clamar por uma intervenção rigorosa, antecipando ritos que devem ser deixados para tempos normais.

    Lá nos EUA o Trump percebendo a eleição escapar, aos poucos Biden inicia um discurso ambíguo  em relação a Israel e deixa Ucrânia mais para os europeus, assim recuperando parte do leitor. O que faz Trump? Volta a falar em banho de sangue caso não vença as eleições em novembro próximo. Para mim e no caso dele, rescinde em crime de incitação e violência e precisa de um freio. Que parece que não tem por lá.

    Já aqui, nosso Jair, mesmo inelegível, insiste em provocar, incitar, infringir e tratar as instituições como lixo. E também ele reincidente, já condenado.

    Os depoimentos dos generais, percebam, apesar de todos passíveis de crimes de prevaricação, longe de atitudes heróicas, antes uns covardes, são mais do que suficientes para decretar a prisão preventiva do ex-presidente. Para que o curso da eleição e o futuro debate constitucional e democrático, siga seu curso sem esse agente provocador criminoso.

    Acho até que o desespero faz mais mal ao momento, incita ainda mais aventuras, promove apostas temerarias e deixa em risco vidas inocentes. Um freio de arrumação é urgente, o ex-presidente pode ser levado a prisão por crimes continuados de incitação de golpe de estado, e que seus herdeiros que lutem pelo legado nefasto do presidiário.

    E vão ficar por aí para sempre? Vão desaparecer? Só Deus sabe, mas que o exemplo de Trump mostra como é difícil superar nomes em curto prazo e retornam sempre os mesmos. O que nos deixa a impressão que o afastamento do líder fascista pode ser sim um golpe fatal nessa trupe de energúmenos.

    Por hora, a prisão do ex-presidente é urgente e necessária. E inadiável, como  cumprir ritos  nesse caso de crimes em sequência e continuados? Nada mudou na prática criminosa do meliante, que mudemos nós então.

  • Golpe para quê?

    março 16th, 2024

    A essa altura das notícias não tem uma alma que duvide das intenções golpistas do tresloucado ex-presidente. E sua sandice de reviver o regime militar de 1964, que completa 60 anos de seu início no próximo 1⁰ de abril .

    E não existe essa de envolvimento de militares no golpe, o desgoverno incapaz e derrotado era uma suscia entre militares e milicianos, acolhidos pelo agronegócio monopolista e setores médios ignorantes e ressentidos da população. E oportunistas, se não todos, a maioria.

    Desse conjunto de cretinos conseguiram executar um governo de desastre, incompetente, corrupto e fracassado. O fato de perder a eleição por pouco não apaga o ineditismo da derrota de um grupo no poder.

    O militarismo nunca foi uma parte do governo, mas o governo mesmo em si. Milhares de cargos civis eram ocupados por militares da reserva e da ativa, todos acumulando remuneração e rompendo o teto constitucional que não vale mais para nada e faz tempo. Por falar nisso, onde anda essa gente toda?

    Derrotados foram todos eles, a súcia evangélica extremista, os empresários  monopolistas, civis oportunistas e o braço forte armado no Brasil. Que só se levanta para dar golpes de tempos em tempos, inúteis para qualquer outra tarefa.

    Esse golpe chinfrim de agora, tão medíocre como foi o inteiro teor e orientação do governo fracassado que dirigiam, era da mesma turma, exército e demais malcomunados, liderados pelo Jair,  seu vive general Braga Neto e o espião que anotava tudo manuscrito na caderneta, o General Heleno.

    Se agora assistimos a entrega de bandeja de antigos aliados das forçar armadas para as autoridades julgarem, é porque o golpe nunca foi a intenção da tropa, o golpe é permanecer no comando e influenciando.

    Ou seja, para os grupos das forças o golpe clássico não interessava mais, a proximidade com o poder e seu exercício durante o desgoverno derrotado abriu muitas portas e oportunidades, sobretudo financeira. Um monte de gente desclassificada e incompetente está por aí fazendo negócios das arábias, milionários, e não querem e não queriam colocar tudo em risco na aventura do ex – capitão maluquinho .

    Golpe dá muito  trabalho e arrisca o bom andamento dos negócios. E eles ficaram com os negócios, os cargos, a influência e tentam no silêncio salvar a reputação perdida. Não porque fracassou a quartelada mais uma  vez, mas porque mostraram   a incompetência incomparável quando são chamados a executar qualquer tarefa civil .

    O golpe seria dado para eles mesmos, e só teriam a perder. Sem golpe , todos, todos, manteriam suas posições e prestígios inabaláveis. O furo na barreira de interesse que estamos assistindo, vazando delações sobre generais é uma excessão, causada por ressentimentos e porque a turma excedeu seu papel e colocou todos em risco.

    A hora de entregar alguns anéis é parte da cultura militar e será perdoada, o grupo segue sem mudanças e volta ao anonimato sem maiores consequências. Não digo que tentarão outras quarteladas, no fundo sabem que isso não presta, não serve para seus interesses, seguir cretinos loucos não é uma boa estratégia.  Vão jogar os mais gulosos no mar e  garantir a continuidade do butim.

    Para nós, no momento, está de bom tamanho, entendemos a questão dos avanços sucessivos e uma força militar profissional é  por diante um objetivo estratégico nacional. Vida que segue.

    O golpe fracassou porque não era necessário, foi só uma gulodice de alguns, que vão ser expurgados .

  • Seis anos e uma novidade importante.

    março 15th, 2024

    Com a decisão do STJ divulgada ontem à noite, de enviar a investigação para apreciação do STF, estamos falando do assassinato da vereadora Marielle e seu motorista. O que o STJ está dizendo é que um nome investigado detém atualmente foro privilegiado e o processo sobe para a mais alta corte.

    O nome ainda está sob sigilo, mas o fato de possuir foro federal indica que no STJ apenas os de foro estadual são julgados, e lá o suspeito conhecido seria Brazão, que é ministro do TC do Rio de Janeiro. Agora, o suspeito pode ser um deputado federal ou um senador, os outros casos de foro estão descartados neste caso de Marielle.

    Um fato notável é que ninguém arrisca nomes, algo que farei, pois vazou a informação de que o suspeito seria, em 2018, deputado estadual e atualmente deputado federal ou senador. O nome de Brazão, que justificou o processo no STJ todos esses anos, parece agora ter cumprido o papel de biombo para esconder os verdadeiros alvos das investigações. Quem pensa que a polícia e o judiciário não conseguem encontrar quando procuram, não sabe de nada. E é por isso que há tanta revolta justificada quando eles não encontram, pois na verdade não estão procurando.

    Enfim, o nome está agora no STF, com a relatoria do ministro Moraes, que, apesar de dizerem que foi escolhido por sorteio, é sempre o indicado para crimes de assassinato no STF. Em todo caso, foi feito um daqueles sorteios do tipo “mandrake” e deu Moraes na cabeça. Uma maneira de acomodar os vigilantes, imagino.

    Quem é o suspeito?

    Além do filho do ex-presidente, Flávio, que se encaixa no perfil que vazou, ele era deputado estadual em 2018 e depois foi eleito senador, cargo que exerce atualmente. O que lhe daria o foro privilegiado, obrigando a investigação contra ele a ser realizada no STF.

    Mas dizem que outro nome se encaixa no roteiro, e que teria sido até ex-ministro do “coiso”. Não imagino quem possa ser, tenho pouco conhecimento da política e dos nomes do Rio de Janeiro. Mas esse nome vai aparecer hoje.

    Parece que agora vai.

    PS.: Apareceu o nome : Chiquinho Brazão. Que era deputado estadual em 2018 e atualmente Deputado Federal, do RJ. E a trama continua na família Brazão.

  • Discurso democrático para consumo interno?

    março 14th, 2024

    Ultimamente, tenho mais perguntas do que respostas. Penso que uma boa dúvida e uma boa pergunta podem nos ajudar a entender.

    Uma coisa irritante que sempre acompanhamos nos discursos de todos os presidentes dos EUA, pelo menos até onde consigo me recordar, é a constante afirmação do valor da democracia. O que mais irritava era quando o discurso era acompanhado de alguma intervenção militar, decretação de sanções ou bloqueios, ou simplesmente bombardeios.

    Não havia um discurso nos EUA sem a presença de uma bandeira, o hino e a fala exaltando a democracia.

    E então, a terra do Norte elege Trump. Pior, ameaçam reelegê-lo.

    Se há algo que Trump não é, nunca foi e nunca será, e seus eleitores também não são, é democratas. E não me refiro ao partido.

    Há quem diga que, se olhássemos para o gosto político dos norte-americanos antes da Segunda Guerra Mundial, seria possível encontrar uma inclinação muito grande para o fascismo. Nem convém lembrar do genocídio indígena, a tomada das terras dos mexicanos, a guerra civil, as KKK, etc. Aquela gente sempre foi complicada, acho até que conseguiram resolver muita de sua agressividade interna canalizando-a para adversários inventados em outros países. Além de justificar as intervenções que traziam lucro, serviam para liberar as tensões internas, provenientes do ódio que essa gente consegue acumular.

    A derrota do fascismo nazista deixou a turma desamparada e sem rumo. Sem dúvida, o distanciamento histórico da tragédia da guerra está reanimando o zumbi.

    Os zumbis sempre estão presentes em suas séries e filmes, não por acaso. Um mal parece sempre espreitar aquela gente insensível ao sofrimento alheio.

    O que queria destacar é que os discursos seguidos ao longo das décadas, enaltecendo a democracia e seus valores superiores, não eram dirigidos a nós, vítimas da democracia de ocasião e sujeitos a golpes e autoritarismo. O que os presidentes de lá sabiam, e nós não, é que estavam falando para seu público interno, que de democrata não tem nada. Gostam mesmo é da gasolina barata e do McDonald’s, o resto que exploda.

    A hora da verdade está para chegar. A vitória de Trump vai desafiar o roteiro desgastado deles e depois vamos ver o que vai sobrar.

    Ainda estou achando que Biden vai vencer, também porque encara a imagem ilusória de democracia que eles preservam enquanto bombardeiam o resto do mundo. O show deve continuar, ninguém faz e sabe isso melhor do que eles.

  • A direita democrática acabou no Brasil?

    março 14th, 2024

    Na sequência da vitória da direita democrática em Portugal e do crescimento da extrema direita no mundo, também em Portugal, estamos conhecendo, através de entrevistas sucessivas do ex-primeiro ministro português, José Sócrates, os fatos anteriores que levaram à derrocada do Partido Socialista, que governou o país por oito anos.

    Ele nos conta sobre o “lawfare”, que o afeta pessoalmente há 10 anos, sendo perseguido por procuradores anteriormente filiados a partidos políticos conservadores, ele mesmo sendo um quadro dos socialistas portugueses. O “lawfare” também vitimou, há poucos meses, o primeiro ministro socialista, com falsas acusações de corrupção que provocaram sua renúncia, desestabilizando o partido e a sociedade, que reagiu elegendo seus adversários e uma representação de fascistas racistas inédita.

    Nada disso é desconhecido para nós, já que sabemos como funciona por experiência própria.

    Nessas entrevistas, o ex-primeiro ministro Sócrates faz uma observação sobre a política brasileira, que diz acompanhar com interesse. Para ele, a direita democrática brasileira acabou. Não existe mais. Diferente daquela que foi eleita lá em Portugal, segundo ele, e que de fato declarou não aceitar a inclusão dos fascistas na composição do futuro governo que estão montando.

    Aqui, como sabemos, a direita foi engolida pelo fascismo bolsonarista e foi para os ministérios governar. Mas podemos dizer que ela acabou?

    Se olharmos para a movimentação de seus quadros atuais, por exemplo, o Beto Richa, um tucano de quatro costados, que vai concorrer à prefeitura de Curitiba pelo PL do ex-presidente, segundo nos anunciam hoje, nada mais evidente do que essas movimentações para configurar o quadro de desespero da direita brasileira na busca por espaço político.

    Até agora, estamos assistindo a coisas semelhantes em vários municípios, mas o grupo conservador majoritário no Brasil não é exatamente de direita; ele se diz de centro e faz o pêndulo trabalhar a favor de seus interesses paroquiais, apoiando os governos nas grandes questões em troca de cargos e verbas.

    Talvez no Brasil a questão seja mais complicada do que pensa nosso amigo português, e é verdade que no Brasil a direita democrática foi engolida pela extrema direita, mas o bloco conservador fisiológico permanece onde sempre esteve, sobrevivendo das migalhas do poder.

    Para uma mente cartesiana, como costumam ser a dos irmãos portugueses, talvez seja difícil pensar na política em termos fisiológicos. Conservadores sim, mas adaptáveis a qualquer governo, e pensar esse tipo de arranjo como viável. Eu prefiro dizer que sim, ele existe como um exemplo da nossa maleabilidade, da nossa capacidade de sobrevivência, tanto das elites econômicas e sociais como dos pobres, de certa forma, no nosso país, sem uma dose de maleabilidade é difícil segurar o rojão.

    Não defendo, apenas faço a leitura, e discordo do ex-primeiro ministro Sócrates. Se ele enxergou corretamente a decadência da nossa direita democrática, faltou-lhe enxergar, até porque exige realmente um estômago de elefante, as camadas ocultas da política nacional, que são como as nuvens.

    Respondendo a pergunta, talvez tenhamos que refletir se ela existiu.

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  • O inimigo, o adversário .

    março 13th, 2024

    Quem te afasta da terra dos seus ancestrais, divide a família na necessidade da imigração, mata covardemente gente inocente e indefesa.

    No livro, isso é personificado em um nome: Satan.

    Que virou um anjo caído, misturando as tramas no estilo de pincelar passagens distintas de livros distintos para forçar uma ideia que acaba virando dogma.

    Mas Satan é uma atitude, de separação e confronto, de guerra, aquilo que provoca a dor e poderia ser evitado.

    Pode ser qualquer um de nós, uma cultura, um país, uma decisão em algum momento que cumpre o papel de destruir pessoas e famílias, culturas, raças ou lugares.

    Satan é o nome do provocador, do saqueador, do ladrão que rouba coisas e esperanças.

    Não tem um rosto, mas a presença em todas as maldades.

    Não tem vontade, mas é a sombra da vaidade, do consumismo, do engano, dos assassinos, traficantes e torturadores.

    Não existe por si, somente na atitude de negar, surrupiar, esconder o outro, esquecê-lo, ignorar ou desprezar.

    Por isso está em todos os lugares e em lugar nenhum, por isso está em todos nós que lutamos contra esse mal-estar interior, que precisamos superar correndo na direção contrária de tudo isso que ele representa.

    Pode ser um país, de onde ele veio não foi assim entendido, seria somente o contrário do deus que faria somente o bem, servindo para justificar a presença do mal.

    Evoluiu, virou país, virou cultura, ameaça e desculpas. Se não tinha asas, agora tem. E muitos, muitos seguidores. Que seguem seu próprio espelho, e quando apontam suas armas que dizem obter de Deus para fazer o trabalho do diabo.

    Diabolum, o outro nome de Satan que também quer dizer sinal, sinal de separação, de distância, de isolamento e solidão.

    Se exorcismo resolvesse, estava até bom. Mas não resolve, essa raça de demônios só muito jejum e oração. Ora e ação. Falar e agir. Eis a questão.

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