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Blog do Franco

  • Desafios e promessas de integração no Sul Global: Lula busca cooperação regional

    julho 9th, 2024

    Com a ausência do presidente da Argentina, que preferiu passear em Camboriú na companhia de pares fascistas desocupados, a reunião do Bloco do Mercosul no Paraguai prosseguiu, onde a Bolívia foi definitivamente integrada ao grupo. Além da Bolívia, o Panamá solicitou ingressar no bloco, que assim vai se espalhando e fortalecendo.

    Sob muitos aspectos, a ausência da Argentina é uma lástima, como foi expressado pelo presidente do Uruguai e por Lula. A crise argentina provoca uma queda geral nas transações econômicas do bloco e seria do interesse comum buscar alternativas e melhores soluções, que parecem não interessar ao maluco que preside o país vizinho. Só com o Brasil, a queda do comércio superou 50% em junho. Apesar das lamentações, é melhor destacar as afirmações de comprometimento do bloco com o país, acima de seus líderes eventuais e passageiros.

    Lula avança nas propostas de moeda local nas transações, que não é uma moeda comum impossível. São apenas mecanismos de liquidação financeira nas trocas comerciais através de caminhos ainda por serem criados. Mas a ideia não sai de pauta, inclusive nos BRICS. O dólar segue como uma ameaça a ser neutralizada o mais rápido e indolor possível, e os avanços, mesmo que tímidos, seguem.

    Lula seguiu para a Bolívia, onde pretende firmar acordos no fornecimento de gás e promover a navegação pluvial, além de hidrelétricas nas fronteiras.

    No Sul Global, tudo parece ainda por fazer: integração das economias, acessos terrestres, pontes, estradas, viadutos e uma novidade que ouvi ontem de Lula na coletiva após o encerramento da cúpula: cultura.

    Talvez o fim esteja mesmo no início de tudo, que os povos do Sul se reconheçam como irmãos. E a troca econômica não vem antes da cultural, no mínimo simultaneamente.

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  • Caiu a ficha?

    julho 8th, 2024

    O ex-líder do desgoverno anterior, Ciro Nogueira, a reboque dos resultados das eleições europeias, sobretudo na França, reconheceu que a direita extremista não ganhará eleição no Brasil se mantiver o discurso fascista atual e apostar nas fake news e pautas morais. E dá para ver a dificuldade nas municipais que estão chegando.

    Nogueira não é dos bobos; tem história , inclusive nos governos anteriores de Lula e Dilma, além de ser o parceiro do Lira no partido do centrão, o PP.

    Nos EUA, a campanha de Trump, que andava trôpega e parecia patinar, preparava-se para desferir esse tipo de campanha, baseada no ataque pessoal, nas mentiras e escândalos, sem deixar de lado a homofobia, o ódio aos imigrantes e coisas que tais. Por conta do desempenho de Biden, claramente limitado por problemas cognitivos, mudou o foco e vai insistir na impossibilidade de Biden seguir por mais 4 anos, o que não me parece uma mentira. E além disso, parece que a coisa virou e Trump passa a ser o favorito, se o partido democrata insistir com Biden.

    Por aqui, a coisa é mais simples por um lado e mais complicada por outro, porque no impedimento da candidatura do Minto, fora seus outros problemas legais que começam a pipocar para valer, substituir o titular por um nome viável é a tarefa de todo o grupo opositor, e aí que Nogueira sinaliza que não dá pra insistir nos moldes anteriores, e talvez a falta do titular tenha papel crucial na avaliação.

    Os nomes aventados para assumir a tarefa são os conhecidos, nenhum tem estofo ou possibilidade de ameaçar a vitória de Lula, até o momento.

    Nogueira segue a máxima do centrão em seu desfile de fidelidade: acompanha o chefe até a borda do abismo, mas não no pulo. Ao se antecipar ao fim do Minto, abre as possibilidades para si e seu partido, trabalhar por um substituto do Minto ou aderir ao atual presidente. Seu partido tem votado dividido, mantendo um pé em cada barca até aqui. Talvez uma definição esteja mais próxima. Talvez depois das municipais, se confirmadas as tendências que trazem preocupação ao Ciro Nogueira.

  • O corte anunciado.

    julho 8th, 2024

    Como imaginado, Haddad direcionou o corte no orçamento de 2025 de 25,9 bilhões em revisões de despesas, sobretudo nos chamados BPC, que são relativos à seguridade social de quem pouco ou nada contribuiu.

    Uma explicação sobre a explosão da concessão do benefício durante a pandemia, com o afrouxamento de regras ainda em vigor, explica a escolha da passada do pente fino. Não vem ao caso entrar em detalhes aqui, a ideia é por aí.

    Na Fazenda, há quem aposte que ainda uma economia maior será alcançada, além dos 25,9 bilhões de alvo.

    Pois bem. Tudo certo, me parece razoável, até justo, que concessões passem por revisões periódicas para ajustar objetivos e alvos. E reconhecer que atualmente o Brasil paga R$ 100 bilhões anuais em BPC e é obrigatório zelar desse montante com cuidado responsável.

    O que lamento é que, apesar de justo, certo, correto, zeloso e até uma boa ideia, não deixa de retirar esse dinheiro das mãos de quem mais precisa, enquanto somente 0,5% de queda nas taxas escandalosas dos juros seria suficiente para cobrir com folga esse pagamento.

    É o que temos. Na discussão da reforma tributária e na cobrança de impostos da cesta básica, o presidente Lula tentou incluir a carne, acho que somente a de frango, para baratear e aumentar o consumo de proteína. Parece que ainda não conseguiu, mas a bancada da morte está desde já conseguindo diminuir impostos de armas e munições, a mesma que impede a redução do imposto da carne. Entendi que, segundo esses deputados, armas e munições devem estar na cesta básica dos brasileiros e carne não.

    É preciso estar sempre atento a esse tipo de discussão e anotar quem defende esse tipo de alucinação criminosa, para serem eliminados nas próximas eleições. Parece impossível, mas a eleição na Inglaterra e na França, nos mostrou esta semana que não, varreu para fora do parlamento alguns nomes que ninguém jamais imaginou. Vamos por aí, porque assim é que chegamos lá.

    A propósito, nas próximas eleições municipais, o MST concorre com 700 candidatos em todo o Brasil. Daí, e só daí, dos jovens e idealistas, que virá a mudança.

  • Vitória da Esquerda na França e Milei no Brasil.

    julho 8th, 2024

    Confirmada a vitória da esquerda na França e um provável árduo caminho para a composição do futuro governo e escolha do primeiro-ministro. O atual avisou no domingo da apuração que entregaria o cargo nas primeiras horas da segunda-feira, e foi um passo importante para a negociação adiantar. Dependendo do resultado da composição, a ressurreição de Macron pode ser completa ou incompleta, mas ele sai como um dos vitoriosos do pleito, lembrando o resultado das eleições europeias onde a direita fascista venceu e mesmo o primeiro turno da eleição naciona atual, chamada às pressas e imprevista, por um Macron acossado. O resultado do primeiro turno seguia consagrando os extremistas de direita que apontavam para vitória segura, revertida por uma coalizão inédita e inesperada reação dos franceses contra a vitória anunciada dos extremistas. Se bem que não foi a primeira vez que isso aconteceu, o inesperado no caso foi a mudança brusca logo após a vitória nas europeias que parecia indicar que venceriam dessa vez. Mas, não. E estamos muito melhores assim e eles muito mais.

    Enquanto a direita perdia a eleição na Europa, por aqui o presidente argentino fazia uma aparição em um encontro dos nossos extremistas, em Camboriú, Santa Catarina. A única coisa de interesse no tal encontro, que contava com a presença do nosso ex entre lágrimas e choros, era saber se o presidente vizinho teria a desfaçatez de repetir as ofensas e ataques ao Brasil e ao Lula. O que não ocorreu, felizmente. Represálias e medidas definitivas de distanciamento entre Brasil e Argentina devem ser evitadas ao limite – o que quase ocorreu ontem – porque presidentes são passageiros, por mais deletérios e negativos que sejam, e os países seguem vizinhos e com interesses mútuos eternamente.

    Quanto aos demais presentes no tal encontro fascista de Camboriú, nada a declarar. Eles seguem no limbo mental e visionário das amebas, de onde nunca deveriam ter saído.

    A presença do atual governador de SP merece uma nota, mas ele aparentemente não empolga nem seus pares com seu discurso frouxo e vazio. Sua dependência do ex-chefe (atual?) me parece total e vai cobrar seu preço futuro em fiascos eleitorais. A ver, entretanto.

    Viva a França e nós também, seguimos no caminho certo.

    PS .: A notícia de agora é Macron recusando a renúncia do primeiro ministro para dificultar as negociações da formação do novo governo.

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  • Macron e Biden: União partidária em contextos eleitorais distintos

    julho 6th, 2024

    Para Biden, nada poderia ser mais significativo. Se as condições são distintas, porque não se trata exatamente de unir partidos diferentes como fizeram os franceses para derrotar o fascismo (escrevo antes das eleições que ocorrem hoje, baseado nas boas pesquisas), no caso dos democratas, a união em torno de um candidato crível é o necessário – teoricamente – para reverter a derrota certa em novembro.

    No caso, a união do seu partido, desanimado e fracionado com a perspectiva de uma derrota anunciada. É justo dizer que não por um presidente desastroso, ao menos no âmbito interno, Biden fez um bom governo. O desastre externo, as guerras, é uma visão de mundo dos EUA que independe de presidente. E aí, novamente, a força de Trump que rompe com tudo, com a democracia, com a seriedade do cargo, com a verdade e até com esse ímpeto belicista. Ele prefere o comércio, na sua visão de que foi isso, e não as baionetas e bombardeiros, que fizeram os EUA serem o que são.

    E na França, quando viram a força do apelo da direita mais radical, no continente onde o fascismo põe tudo a perder por sua desmedida loucura, a jogada de Macron pode dar certo. Mas há quem diga que a mirada dele é para mais à frente, quando daqui a três anos a sua própria sucessão estará em disputa e o pleito de agora, que só elege o primeiro-ministro, foi antecipado por sua vontade tentando ganhar tempo para si, acreditando recuperar popularidade no tempo que lhe falta. Na França, a presidência é distinta dos demais países europeus, com muito mais vigor e poder; praticamente nem falamos do primeiro-ministro, que nos demais europeus é onde identificamos o executivo principal.

    Se Macron estiver certo e a chegada ao poder dos fascistas na França for contida, mais uma vez, diga-se, fica o exemplo para Biden e seu partido democrata, tão necessitado de união nessa reta final da eleição próxima em novembro.

    Observe que aqui no Brasil a prática de unir forças entre partidos, até de programas e candidatos bem distintos, é uma prática corriqueira. É preciso observar que temos muito mais opções partidárias, tantas que nem existem no mundo opções programáticas ou ideológicas disponíveis nessa quantidade, o que provoca a sobreposição de ideias e uma confusão que o eleitor, na maioria, não quer ou não consegue distinguir. É uma desvantagem que temos e, nesses tempos obscuros, pode ser uma vantagem se bem aproveitada. Como Lula costuma fazer, costurando apoios e construindo maiorias nessa confusão partidária nacional.

    As novas regras de funcionamento de partido com cláusulas de barreira de desempenho eleitoral aqui no Brasil, têm melhorado o quadro geral de opções, com aqueles nanicos de aluguel perdendo as condições de sobreviver, e aos poucos vamos diminuindo a quantidade exagerada de partidos. Um número ainda maior do que observamos por aí afora permanece, o que às vezes é uma vantagem, como observei.

    Viva a França. Que as pesquisas se confirmem e os fascistas, apesar de crescerem ainda mais, continuem fora do poder maior.

  • Desmistificando a Relação entre Lula, Câmbio e Mercado Financeiro em 2024

    julho 5th, 2024

    Na semana de muitas confusões, pressões, ilações, mentiras deslavadas e fake news a rodo, quando todo o arsenal do mercado financeiro e sua mídia associada, financiada e comprada, o ministro Haddad anunciou que no orçamento de 2025 algo próximo de R$ 25,9 bilhões seriam cortados. Não se sabe ainda onde.

    Mesmo sendo feriado nos EUA – o 4 de julho – a bolsa brasileira subiu e o dólar, que apesar de subir no mundo inteiro, mas subir aqui no Brasil ainda mais, deu mais um refresco e segue em queda.

    Fácil seria dizer que a fala de Haddad e o fato de Lula não comentar sobre câmbio e BC foram o motivo da queda do dólar, mas não é assim que acontece.

    Pesquisando um pouco a trajetória do câmbio em 2024, dá para perceber que, em abril, se tentou elevar o câmbio, porque, mesmo com os juros dos EUA nas alturas para os padrões de lá, o câmbio por aqui vinha comportado, e os operadores se queixavam das poucas oportunidades de ganho. Eles só ganham se o câmbio variar; quanto mais, melhor.

    Na minha avaliação, o gatilho sempre esteve puxado, aguardando oportunidade para o ataque. Oportunidade que surgiu em maio, com o BC claramente provocando o governo e Campos Neto na sequência de críticas ao orçamento e aos gastos do governo, desculpas que usou para interromper a queda de juros no Brasil. De lá para cá, a retórica foi crescente, o exterior não ajudou e as condições de ataque contra a nossa moeda estavam postas, e foi o que aconteceu.

    Esticaram a corda até onde nem eles imaginavam; só os estrangeiros estavam comprados em 80 bilhões de dólares. Um conjunto de fatores alinhados que, para se justificar, usou as entrevistas de Lula nas rádios como biombo para seguir lucrando.

    Na última sexta-feira, Lula esteve em SP na casa de Haddad para um jantar, onde trataram de vários assuntos, entre eles a dificuldade, tendo em vista a pouca confiabilidade da imprensa brasileira, suas limitações e o péssimo serviço que presta na informação. Podiam era vazar desse jantar que eles acham que a imprensa oligopolizada e financista – quase toda ela pertencente a bancos, financeiras e fintechs – faz sempre o trabalho do mercado financeiro, ao mesmo tempo tentando segurar as taxas de juros mais altas e lucrativas do mundo, avançar ganhos no câmbio e boicotar a economia no Brasil e o governo. Mas o que todos concordaram não é que as falas de Lula provocam aumento do dólar, assunto que nem trataram conforme Belluzzo, que estava lá presente, mas a avalanche de má vontade, mentiras, falsidades e distorções que fazem este serviço sujo.

    Nesse sentido, a equipe econômica, ai sim, vazou a ideia de Mantega – que estava no jantar – de que um aumento do IOF seria uma boa ideia para conter a especulação. Haddad completou o serviço ao reafirmar o compromisso com aquilo que já estava compromissado – o arcabouço fiscal recém-aprovado -, foi outra iniciativa e, aos poucos, a especulação – ao menos até agora – dá uma parada para realizar lucros e descobrir que não existe nenhum motivo para o Brasil ter moeda desvalorizando nesse momento. Não enquanto obter superávit de R$ 100 bilhões e arrecadação crescendo mês a mês.

    A verdade é que não existe entre o mercado financeiro e o governo Lula um acordo permanente, cada um vai se esgueirando nas frestas do outro e convivendo em meio a turbulências eventuais.

    Quem me acompanha sabe que eu sempre defendo o novo arcabouço fiscal, porque ele só tem uma razão de ser: ou a economia cresce e o governo obtém os recursos para o investimento ou ele trava o país na recessão e nos cortes orçamentários.

    Perceba que aqui só tem uma saída, e aí está o segredo do arcabouço fiscal e a sua existência: o Brasil ou cresce ou o governo fracassa.

    O cálculo é cristalino e reconhece a realidade como ela se encontra; para o governo Lula só o crescimento interessa, quando os gatilhos da âncora fiscal permitem manter os investimentos e o crescimento sustentável. Para o governo Lula, não existe a hipótese de queda de arrecadação ou pouco crescimento, ou nenhum, isso significaria administrar miséria e pobreza, coisa que absolutamente o presidente Lula não quer e não vai permitir.

    O lado de lá sabe dessas coisas todas, faz de tudo para atrapalhar e impedir o sucesso e o crescimento, para que as travas imaginárias do arcabouço sejam reais.

    Elas foram colocadas lá para nunca serem necessárias, eis a questão. O que só o crescimento contínuo pode garantir.

    A coisa segue bem, a arrecadação de acordo, o câmbio voltando ao normal, a economia crescendo e o desemprego caindo, renda crescendo. Tudo de acordo com o necessário.

    O próximo ano pode ser o melhor de todos, se seguirmos assim e temos tudo para seguir. Ah, e quanto aos cortes do Haddad, vamos ver, mexe daqui e mexe dali e fica tudo do mesmo jeito, é o que eu percebo.

  • Pressão sobre Biden: Efeitos da Idade na Reeleição e a Posição da Imprensa.

    julho 4th, 2024

    A capa da The Economist é mais uma de outras importantes publicações e editoriais de jornais pressionando o presidente Biden a desistir de sua reeleição.

    Os apelos não são sutis, sobretudo quando se trata da cadeira mais poderosa do mundo, mesmo nesse mundo mais diverso e complexo, com outras superpotências ameaçando cada vez mais a supremacia norte-americana.

    Quem acompanha a campanha nos EUA não tem dúvidas de que a idade pesou para Biden, como ele próprio reconhece.

    Até aqui, ele conseguiu segurar as críticas e apelos; uma reunião de emergência com governadores do partido Democrata convocada acabou por endossar a corrida pela reeleição, até onde sabemos.

    O problema, a meu ver, é olhar para os próximos quatro anos e imaginar onde a senilidade de Biden vai estar. Uma resposta honesta não encontra saída senão fazer coro pela desistência aqui e agora.

    Que Biden insiste em negar.

    Não dá pra cravar o fim da história, talvez substituir um presidente na campanha de reeleição não seja uma tarefa possível. Biden falou em uma semana para uma decisão, melhor, convencimento.

    No que nos diz respeito, eu penso que para nós tanto faz Biden ou Trump, talvez em alguns aspectos Trump seja até mais pragmático, com relação a guerras sobretudo, que ele condena. O massacre palestino, que nunca foi guerra, encontra em ambos nenhuma saída; a guerra na Ucrânia Trump prometeu encerrar rapidamente. Sim, o fascismo cresce, bolsonaristas se assanham, mas tudo continua dependendo de nós mesmos; com Biden ou Trump, a resposta está aqui dentro.

    Mas o post não é pra falar só dos EUA; o que me motivou a escrever este foi reparar no início do mesmo movimento etarista dos EUA aqui, com a imprensa brasileira bradando as bandeiras da idade avançada do Lula, mirando 2026 e o embate da reeleição. Repare. O próprio ex-presidente começou a falar em loucura.

    Ninguém diga que eu não avisei: não vai colar.

    Quando chegarmos lá eu explico, mas acho que vocês mesmos vão saber.

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  • Milei vs. Lula: Retórica Agressiva e Impacto Social na Argentina

    julho 4th, 2024

    O desastre é tão disseminado que não cabe em uma imagem. Fica aí registrado o estado da Argentina, com tendência de piorar em todas as áreas destacadas.

    Nenhuma novidade: planos de recessão seguidos de desastres sociais e econômicos são velhos conhecidos.

    A retórica descontrolada e agressiva do Milei, seguida de ofensas e ataques sem sentido dirigidas ao presidente Lula, é parte desse show. E se voltarmos alguns meses, era o nosso próprio maluquinho que ocupava a presidência quem proferia ofensas aos argentinos, quando governados pelo peronismo.

    Dizia que era ruim, que a Argentina não crescia, que a inflação subia etc. e tal.

    Trocaram por esse doidão e tudo foi para o espaço; em questão de meses a situação degringolou e, como sabemos, vai continuar ladeira abaixo.

    É interessante observar os que dizem que não, que elogiam as medidas, que apoiam o desmonte liberal e fascista no vizinho. Sim, eles fazem isso lá e fazem aqui também, e os resultados são sempre os mostrados nos quadros que ilustram o post. Números que representam vidas, empregos, sonhos e perspectivas indo embora.

    Mas percebo uma ligeira mudança nos planos na Argentina: algum reajuste de salários e pensões, retomada de obras públicas abandonadas, tentativas de diálogo com a oposição. Talvez repitam o que aconteceu no Brasil: terceirizam o governo para ao menos alguma coisa funcionar e seguem na patifaria, na galhofa e na palhaçada, tentando sobreviver politicamente. Não vai dar certo; na próxima rodada vão perder e sumir do mapa. Exatamente o que está acontecendo por aqui.

    E, se não abaixarem a bola, o Brasil promete providências duras com relação aos ataques . No que tem meu maior apoio.

  • O debate aconteceu em 2022 e Lula ganhou.

    julho 3rd, 2024

    Não há bate-boca na praça entre Lula e um quase ex-presidente do Banco Central.

    O que temos é a disputa entre o presidente da República, eleito com um projeto que defende os interesses do crescimento econômico sustentável do país, e um bolsonarista assumido, que está boicotando, com a ajuda do mercado e da imprensa oligárquica, a política monetária neste momento específico, quando todas as moedas no mundo perdem valor em relação ao dólar devido à necessidade interna de financiar a dívida dos EUA. E nós perdemos ainda mais valor, exatamente porque não temos quem nos defenda do ataque especulativo contra a nossa moeda. Pior ainda, quem deveria providenciar os meios para amenizar os efeitos ruins da subida momentânea do dólar faz o contrário e estimula a especulação.

    Senão, vejamos:

    Está tudo no Google, basta uma pesquisa. Em 2019, Paulo Guedes anunciava a política monetária de juros baixos e câmbio alto, para baratear as empresas e a mão de obra , assim aumentando o investimento externo no Brasil, segundo ele. O que não aconteceu porque faltou coragem para investir naquele Brasil de Guedes/Bolsonaro. Mas o BC de então entrou no jogo e os juros foram para 2% até o fim de 2021, e a inflação foi a 10%, sem que o BC esboçasse incômodo. Quem deu o grito foi Paulo Guedes, invertendo a matriz porque a inflação alta ameaçava a reeleição do chefe. E o que fez o BC? Subiu os juros de 2% para mais de 13%, atendendo ao apelo desesperado do chefe.

    Atente que a questão não é subir ou descer juros em função disso ou daquilo, mas a resposta coordenada do BC, do Campos Neto, aos ditames do governo Bolsonaro, com quem atuava afinadíssimo. Exatamente o oposto do que faz hoje, inventando mil desculpas e mil motivos para ignorar a necessidade de diminuir juros para uma inflação atual de 4% e segurar a cotação do dólar em pleno ataque especulativo.

    Faltam seis meses de agonia. O governo pode aumentar o IOF para encarecer a aposta dos especuladores, mas negou que o faria.

    Em resumo, o bolsonarista do Banco Central concorda e aceita trabalhar em conjunto com o programa de governo dos fascistas, mesmo com o programa derrotado, e a atual orientação na direção contrária ele boicota, despreza, critica e trabalha contra.

    Tem meses que trato do assunto, cada vez piora a situação e alguma coisa precisa acontecer para amenizar o estrago.

  • 30 Anos do Plano Real: Sucesso e Controvérsias na Economia Brasileira

    julho 2nd, 2024

    Sem outra realização para mostrar, de um partido moribundo e atualmente apoiando fascistas, mas contando com uma mídia fiel e parceira de todas as aventuras fracassadas, o PSDB comemora os 30 anos do Plano Real, que supostamente acabou com a inflação para sempre no Brasil.

    O “para sempre” é evidentemente uma provocação minha, a Argentina aqui ao lado não me deixa mentir.

    E nossos vizinhos servem para sabermos exatamente, ou muito proximamente, onde estaríamos se, depois de quebrar o Brasil duas vezes e sobreviver à custa de recessão e empréstimos do FMI, como faz a Argentina atualmente, o Brasil não fosse governado pelo PT e Lula/Dilma e seus vieses nacionalista e desenvolvimentista. Tudo o que o PSDB e seu Plano Real nunca foram e continuam não sendo.

    Um aspecto do Plano Real que desaparece das comemorações e que me parece o mais relevante – mais até do que a URV, que nunca entendi para que servia – é a participação decisiva e impositiva do FMI e do Banco Mundial, a meu ver os verdadeiros autores do Plano.

    Se não, vejamos.

    Toda a América Latina padecia do mesmo mal, inflação alta e gastos públicos sem lastro, de uma época em que fomos todos governados por ditadores incompetentes que endividaram todos os países e, para manter as contas em dia, imprimiam dinheiro sem controle orçamentário correspondente, provocando a inflação. O que o FMI e o Banco Mundial fizeram, a grosso modo, e com todos os países sob sua influência, Brasil incluído, foi acabar com a farra monetária, trazendo critérios e controles na emissão desenfreada de moeda. O verdadeiro Plano deveria chamar Lei de Responsabilidade Fiscal. O custo seria recessão, fome, desemprego e venda de empresas públicas, que substituiriam a falta de recursos para o funcionamento do estado com queda de arrecadação da crise geral que provocavam.

    De novo, observe o que acontece na Argentina, ninguém fala na queda da arrecadação, que deve ser dramática, mas falam toda hora de novos empréstimos do FMI, da China, e da necessidade de vender as últimas estatais e recursos minerais que sobraram por lá. É exatamente o que aconteceu aqui, e que estaríamos novamente enfrentando não fosse o Lula e o PT.

    Porque dos 30 anos que dizem comemorar, a metade passamos sob administração do PT, fazendo o oposto do que os arautos da mídia sugerem e os políticos do PSDB defendem até hoje. E, sem contar que o primeiro mandato do FHC, em pleno vigor do Plano Real, já deixava a economia quebrada, precisando de empréstimos bilionários do FMI, com a ajuda do governo Clinton de então, para garantir a sobrevida do Plano e a reeleição do FHC. Mas que acabou por comprometer seu segundo mandato e passamos 4 anos de governo com o Brasil se arrastando, com o povo na miséria, na fome e no desemprego. Dessa época conhecemos os homens e mulheres calango, que comiam lagartixa para sobreviver.

    Ainda hoje li o ex-ministro Malan dizendo que para completar o Plano Real falta fazer o ajuste fiscal no Brasil. Não, ministro, falta muito mais, falta vender a Petrobras e entregar o pré-sal, vender os bancos públicos e o BNDES, privatizar o BC, gastar as reservas em nada, manter os juros em 20% reais ao ano e desempregar uns milhões para tudo ficar do jeito que vocês pensam. Sem Bolsa Família, sem salário mínimo e sem aposentadoria, que a essa altura nas mãos de gente como você não valeriam mais nada. Sem saúde e sem educação, evidente.

    Poderia ficar aqui o dia inteiro comemorando os 30 anos do Plano Real, mas acho que deu pra entender aonde estaríamos nas mãos dessa turma, que soubemos trocar na hora certa e atualmente ninguém quer saber deles.

    Olho na Argentina, repito, o Plano Real está lá agora, vivíssimo, acabando com a inflação e com o país.

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