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Blog do Franco

  • A Carta dos Militares Golpistas.

    agosto 28th, 2024

    “Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro”

    “O manifesto foi assinado por 37 militares e recebido pelo então ajudante de ordens do presidente Jair Bolsonaro tenente-coronel Mauro Cid, na noite de 28 de novembro de 2022 —véspera da publicação. Agora, 26 deles, que já receberam punições disciplinares, responderão a um Inquérito Policial Militar (IPM) por que foi detectado que há “indícios de crime”. O IPM terá 30 dias, prorrogáveis por mais 30, para ser concluído.

    A carta foi encontrada no celular de Mauro Cid durante as investigações da Polícia Federal, após o depoimento do ex-comandante da Força general Marco Antônio Freire Gomes, que revelou a existência do documento. Segundo ele, o objetivo era pressioná-lo a aderir ao golpe tentado, no dia 8 de janeiro de 2023

    A carta teria sido articulada por militares nos dias logo depois do segundo turno, quando as conspirações a favor de um golpe aumentavam, e o texto dizia que “covardia e injustiça são as qualificações mais abominadas por soldados de verdade”.

    Participação de 12 coronéis, nove tenentes-coronéis, um major, três tenentes e um sargento. Dos quatro que redigiram o documento – que os demais assinaram -, dois são coronéis da ativa – Alexandre Castilho Bitencourt da Silva e Anderson Lima de Moura – e dois estão na reserva – Carlos Giovani Delevati Pasini e José Otávio Machado Rezo Cardoso.”

    Os trechos acima foram copiados de uma reportagem no Estadão, que aproveita a oportunidade do fato ter voltado à baila e conclui isentando o Alto Comando Militar de responsabilidade.

    Isso, no entanto, não corresponde à verdade.

    Com a questão sobre a atuação do Alto Comando das Forças Armadas ainda em banho-maria, os bobocas que nada faziam ao assinar e divulgar tal carta golpista — senão tentar agradar aos chefes — acabam enfrentando as consequências que deveriam ser atribuídas a quem de fato comandava a tentativa de golpear nossa democracia.

    E nem seria a primeira vez.

    De qualquer forma, após meses de espera, os bobocas estão com os nomes expostos e carreiras manchadas, no mínimo. Se algo mais acontecerá, vamos aguardar, porque se ficar apenas na esfera militar, sem manifestação da PGR civil, provavelmente não passará disso.

    Até agora, os bobocas se juntam àqueles outros otários que invadiram e depredaram a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro. Os verdadeiros mandantes e financiadores continuam soltos e disputando eleições.

    Vamos ver até quando.

    Vale mencionar que circula uma história de que Bolsonaro estaria negociando o fim das investigações sobre a venda das joias em troca de não comparecer ao próximo 7 de setembro com Malafaia, quando mais uma vez pediriam a cabeça do ministro Moraes.

    Bobagem. Se nem quando era presidente as ameaças funcionavam, agora…

  • Primeiras Impressões nas Municipais.

    agosto 27th, 2024

    O Brasil possui 5.569 municípios.

    Em 2020, foram 58.192 vagas de vereador em disputa.

    Este ano, 87 deputados federais e 4 senadores vão disputar as eleições municipais.

    162 candidatos usam o nome de Lula, e 75 utilizam o nome de Bolsonaro em suas campanhas.

    As eleições municipais contam com 459.038 candidatos, sendo 15.440 para prefeito. Além disso, foram registradas 45.366 candidaturas à reeleição.

    Houve uma queda de 20% nas candidaturas que usam o nome de pastor ou fazem menção à religião, e os candidatos declarados das forças de segurança diminuíram 23%. Aqui vale fazermos algumas reflexões.

    A queda de ambos os tipos de candidatura, ligados ao fascismo que venceu em 2020, é importante. Embora não indique uma tendência geral ainda, por ser um dado único, mostra um declínio das bases bolsonaristas.

    Além dos números, a conduta geral dos postulantes não repete o comportamento abusivo dos candidatos de 2020. Alguns que atualmente tentam a reeleição não estavam, até agora, no padrão de invadir hospitais para denunciar a “farsa” do COVID, como vimos então. A disputa se encaminhava mais para ver quem levaria os votos do centro, com os polos de direita e esquerda mantendo-se em posições mais equilibradas e menos polêmicas.

    Até que surgiu o picareta do Marçal em São Paulo, contestando a liderança decadente de Bolsonaro e se posicionando de forma ainda mais agressiva e contundente. Ele parece mais inspirado no padrão Milei, totalmente escrachado e anti-sistema. Seu aparecimento repentino, que conquistou um grande espaço , pode provocar outros pelo Brasil afora a repetirem seu padrão. A candidatura Marçal não deve prosperar, mas seu estilo deve trazer muita baixaria, pois nas disputas por vagas nas câmaras municipais, um número relativamente pequeno faz um vereador.

    Eu acho que esse tipo de conduta extremada não vinga no momento atual da política nacional. O exemplo maior, no governo federal e do governo Lula, de equilíbrio e sucesso econômico inclusivo mostra resultados que nem a maior má vontade consegue ignorar. O desvio para pautas morais e de segurança tem seus seguidores fiéis e deve conseguir algum sucesso, que imagino declinante, mais de acordo com seus números históricos de 25%. Os votos de centro não vão para lá desta vez, não integralmente como no passado recente. Por isso, o comportamento comedido dos candidatos até aqui.

    A disputa ainda está muito no seu início e teremos altos e baixos em função das disputas mais acirradas e das necessidades relativas, tudo bem. Mas, de maneira geral, podemos esperar um ambiente menos agressivo, sobretudo para quem tenta a reeleição.

  • Venezuela.

    agosto 25th, 2024

    Com a decisão do Tribunal Superior de Justiça, após conferir as atas dos órgãos eleitorais e confrontá-las com as em posse dos demais candidatos – com exceção do principal opositor, Edmundo, e Corina, que não as forneceram – a Venezuela conclui seu processo eleitoral interno.

    Quanto ao reconhecimento internacional, o Ocidente prefere continuar na farsa de nomear presidentes paralelos, e Edmundo nem parece muito inclinado a esse papel.

    Sobre a posição do Brasil, permanecemos exigindo a publicação das atas eleitorais. Estamos isolados e perdendo credibilidade, apesar de, nesta altura dos fatos, a decisão brasileira de esperar por Godot acabar favorecendo a Venezuela. No entanto, essa não é uma posição adequada, pois coloca todas as instituições venezuelanas sob suspeita. Continuar exigindo de outro país a publicação de documentos após a decisão de seu corpo de justiça superior torna a posição brasileira ainda pior.

    Desde o início, me pareceu que a eleição venezuelana tinha um caráter plebiscitário, um termômetro que oposição e chavismo esperavam usar para medir o pulso do país. A fervura amena após o resultado – e nem afirmo que Maduro venceu numericamente – deixou claro que a insatisfação não teria força suficiente para alterar a composição de poder vigente.

    A estratégia do chavismo nem foi, ou é, exclusiva, se foi o caso. Não teria Trump tentado algo parecido nos EUA, ao recusar-se a reconhecer resultados, incitar militares e hordas fascistas às ruas, e ameaçar os órgãos estatais responsáveis pela apuração?

    Não foi essa a estratégia do bolsonarismo no Brasil, anos e anos desconhecendo a eficácia das urnas eleitorais, ameaçando com motins e guerras, utilizando militares e aparatos estatais de espionagem? Não tivemos torres de energia derrubadas, a Praça dos Três Poderes em Brasília depredada, todo o comando da PM de Brasília preso? Não tivemos tentativas de abortar a posse administrativa do presidente Lula? Bombas no aeroporto? Barreiras para impedir eleitores nas estradas do Nordeste? O que tentavam, senão desconhecer e suplantar a vontade das urnas?

    Ambos, Trump e Bolsonaro, não conseguiram anular os resultados porque lhes faltaram os meios.

    O que não parece faltar ao chavismo.

    Então, proponho para o futuro o modelo de quem pode mais fica com tudo?

    É evidente que não, mas tento mostrar a hipocrisia de isolar o caso venezuelano como algo inédito e próprio do chavismo. Não é, e por pouco não estamos em um regime político autoritário no Brasil e nos EUA.

    Por que, sim, o regime chavista é autoritário e perigosamente próximo de militares, além de milícias populares. E, por conta da especificidade do processo venezuelano, não é simples julgar as decisões que os levaram a isso e para onde vão. Falta no nosso continente uma experiência socialista do tipo cubano, atualizada e financiada por petróleo. E, independentemente das vontades alheias, os bloqueios e tentativas sucessivas de intervenção, estão cada vez mais levando a Venezuela a fechar seu regime, e agora penso que decidiram de uma vez acelerar processos nessa direção.

    Pensemos na Rússia e na China. Não são democracias, mas regimes conduzidos por processos políticos que desconhecemos e que seriam impossíveis de vingar no nosso país, até onde consigo enxergar. São processos históricos revolucionários próprios, que não constam na nossa história. Sem entrar no mérito do conceito de democracias e autoritarismos, mas de processos históricos próprios, independentes de nossa opinião ou posição.

    A Venezuela inaugurou uma nova etapa em seu processo, assim enxergo o resultado. Se vai prosseguir e vingar, não faço ideia, e nem proponho que sigam por esse caminho que escolheram, apenas estou constatando os fatos.

    PS.: E o Brasil falou, assim que conclui o Post : publiquem as Atas.

  • Ainda não, mas a caminho.

    agosto 24th, 2024

    Não estamos em céu de brigadeiro. As pendências do período Temer/Bolsonaro vão nos custar alguns anos à frente, especialmente na relação com o Congresso e suas prerrogativas orçamentárias extrapoladas, assim como na disputa política com as pautas do fascismo.

    A troca e a briga entre os fascistas continuam, e os candidatos à prefeitura de São Paulo, no campo da extrema-direita, mostram a fratura exposta e a falta de liderança entre eles. É verdade que disputam entre si a baixaria, e o alcance e a repercussão ainda elevados nos mostram como é difícil superar essa gente. Eles estão enraizados em nossa vida, e recolocá-los na lixeira será difícil, se não impossível. O objetivo no curto prazo é mantê-los no corner e avaliar o real tamanho para calibrar 2026, quando a grande disputa vai acontecer.

    O que está a caminho é o nosso crescimento econômico. A essa altura, ninguém está desavisado do sucesso e da condução segura da nossa economia. Sabemos por experiência que isso não basta, até porque melhorias de 3% ao ano são um número importante, mas são sentidos lentamente, precisando acumular de 12 a 15 para todos perceberem alguma diferença, e isso precisa de alguns anos sequenciais para acontecer.

    Contando o último ano do fascista, com seus 3% da derrama de dinheiro para tentar a reeleição, somados aos 3% de 2023 e mais 3% agora em 2024, estamos com mais de 10% e seguindo até 2026 na mesma batida – e temos tudo para continuar assim. Aí sim, é possível prever que todos poderão sentir na própria vida a diferença.

    Para quem acompanha mais de perto e observa os grandes números, o futuro já começou, e o caminho está se transformando em seguro e previsível. Desde sempre, a solução para um país como o nosso foi crescer ou permanecer em crise. A escolha do atual governo sempre foi pelo crescimento, e os resultados certamente viriam.

    Podemos acreditar que resultados eleitorais e a crescente aprovação do governo vão ajudar a transformar o ambiente político em algo menos tóxico, deixando os extremistas falando para audiências cada vez menores, embora presentes e radicalizadas.

    É o que percebo, e daqui para frente vou me dedicar menos a divulgar dados econômicos e trabalhar mais na política e eleição. O avanço está impossível de ser escondido, e nossa atenção agora se volta para a disputa eleitoral e suas consequências.

    Acompanhe você também os dados positivos; de vez em quando voltamos a destacar algum.

  • Primeiras impressões nas municipais.

    agosto 23rd, 2024

    O início da campanha eleitoral em São Paulo foi marcado por uma reviravolta inesperada, com a ascensão do coach picareta, que praticamente trocou de lugar com o atual prefeito Nunes, enquanto Boulos aparece ligeiramente à frente de todos, no limite da margem de erro.

    O coach está desempenhando aquele papel que antes era reservado para figuras como Datena e Russomano em pleitos anteriores: o “cavalo paraguaio” que dispara na frente, toma bordoadas de todos os lados e desaparece na reta final por falta de fôlego. Parece que esse será o destino do coach, mas vamos aguardar para confirmar.

    O que já não está mais em dúvida é o papel de Bolsonaro em seu ocaso. A percepção de que seu eleitorado nunca foi realmente dele, mas sim uma franja fascista, antipetista, de ressentidos, anti-sistema e outros, segue no seu descaminho independente da escolha do pretenso chefe fascista. Na verdade, esses grupos antecedem o aparecimento do ex-paraquedista e permanecerão no cenário após o seu desaparecimento, programado para ainda este ano.

    O cenário paulista deu uma tremida, com Boulos dando um tempo e esperando a definição do adversário. Pode ser que precise mais do que corações daqui a pouco, mas faz bem em esperar. Para ele, o coach seria um adversário melhor, porque tem a maior rejeição de todos na disputa.

    As pesquisas captam movimentos distintos, porque de fato o cenário está pantanoso por lá e sujeito a mudanças bruscas.

    É alvissareira a guerra interna na extrema-direita, algo que já era esperado e que certamente se repetirá na disputa de 2026, com o impedimento do titular.

    Não há uma aposta certa na eleição paulista; tudo pode acontecer, sim, mas a extrema-direita rachada é um fato, o crescimento da centro-esquerda é outro, e o Lulismo segue angariando apoios. Um cenário mais equilibrado deve emergir após o pleito municipal.

    A única ameaça seria esse coach do apocalipse, mesmo que Nunes, daqui para frente, se veja obrigado a abraçar o ex-presidente para fortalecer o flanco direito, forçando Boulos a uma posição proporcional no flanco oposto. Tudo isso pode ser apenas passageiro, e em algumas semanas ambos podem retornar à disputa principal.

    Veja que esse cenário nem é o melhor para Boulos; a disputa com o coach de enxofre seria melhor para ele, enquanto com Nunes ele sai em desvantagem no segundo turno. A questão que levanto é sobre a presença de um “cão raivoso” disputando um segundo turno na capital paulista.

    E, imagina, se ganha?

    No Rio, Paes. Em BH, embolado, mas vai ter segundo turno. Em Vitória, Coser luta por segundo turno com o atual bolsonarista envergonhado.

  • Lá vamos nós…de novo!

    agosto 21st, 2024

    “RECORDE: Número de imóveis vendidos no 2º trimestre deste ano é o maior da história, resultado impulsionado pela disparada nas vendas do Minha Casa, Minha Vida.

    As vendas do Minha Casa, Minha Vida aumentaram 46% no período, alavancando o setor de habitação, que cresceu 17,9%.

    Os lançamentos do Minha Casa, Minha Vida cresceram 87% no período.

    42% dos imóveis vendidos 2º trimestre deste ano são do Minha Casa, Minha Vida.”


    Puxei algumas notas da imprensa sobre o efeito do relançamento do Minha Casa Minha Vida no mercado imobiliário.

    Durante o primeiro governo Lula/Dilma, houve um boom de vendas de imóveis. Em todas as cidades do Brasil, era possível ver incontáveis edifícios residenciais sendo construídos, de todos os níveis. A parcela correspondente aos imóveis do programa representava 80% daquele mercado em alta velocidade. Ou seja, no auge, o programa chegou a significar a maior parte do total de edificações.

    Os números atuais são modestos em comparação com o passado recente e ainda são contidos por juros e custos de construção altos.

    O prognóstico para o futuro pode significar uma repetição do que já foi visto, mas a parcela de 20% correspondente ao mercado, longe dos números de 2012, vai depender inteiramente da queda dos juros. No nível atual, isso não vai acontecer, o que só destaca ainda mais a iniciativa do governo em enfrentar essa limitação e fazer, mais uma vez, sua parte insubstituível.

    Vamos ver como será no próximo ano. O Minha Casa Minha Vida arrancou e vai seguir de um jeito ou de outro. Os lançamentos privados, por sua vez, ficam na espera de juros mais baixos.

    Em todas as matérias sobre o tema, faltou incluir o “de novo”, porque o filme é repetido.

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  • O lobo fingindo de cordeiro.

    agosto 20th, 2024

    Vocês sabem que um dos meus assuntos preferidos sempre foi a política de juros criminosa praticada no Brasil, totalmente desvinculada da realidade econômica e dos atuais projetos vencedores na última eleição. Essa política estava 100% alinhada com o comando do Ministério de Guedes.

    Agora estamos na reta final desse crápula, cujo legado deverá ser desfeito no próximo período, assim como Haddad está desmantelando tudo o que Guedes idealizou para nossa economia. Haddad está recolocando o Brasil no caminho de um crescimento sustentável e com inclusão social, tudo o que o banqueiro do fascismo era incapaz de sequer imaginar como fazer.

    Mas tivemos que aguentar dois anos de um Banco Central boicotando nossa economia, apesar dos apelos e críticas veementes de todo o atual governo, especialmente de Lula e Gleisi, que jamais se conformaram ou aceitaram os maiores juros do mundo e o pagamento de R$ 800 bilhões anuais para rolar a dívida interna. Sem nenhuma razão para isso, como exaustivamente tentamos mostrar durante meses.

    Diante de seu fim, o lobo da corte agora se sente, digamos, injustiçado, incapaz de responder por sua incapacidade, incompetência e imperícia. E quanto à sua honestidade, vamos aguardar as apurações sobre seus fundos em dólares no exterior. O lobo se mostra sentimental, até triste, alegando estar magoado por questões menores.

    Como se votar no último dia com a camisa do Brasil não significasse muito na ocasião, ele finge ignorar. E como se participar de grupos de compartilhamento pré-eleitoral – o grupo interno do governo anterior responsável por avaliar pesquisas e chances de reeleição, no qual ele, Campos Neto, era o responsável por agregar os resultados e apresentar uma média para os demais – fosse algo trivial. A isso ele chama de isenção e condução profissional de sua atuação. Fora as dezenas de reuniões com o ex-presidente e nenhuma com o atual.

    Fica o registro do boboca, de sua tentativa de mostrar seus sentimentos e fragilidade na saída. Diante da falta de resultados, a vitimização era esperada, mas é inútil neste caso.

    Que volte para a tesouraria do Santander, de onde nunca deveria ter saído.

    E que os novos responsáveis pelo Banco Central mudem radicalmente a orientação do banco, de forma responsável e segura, e deixem o Brasil crescer além dos atuais medíocres 3% ao ano.

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  • Municipais.

    agosto 19th, 2024

    À primeira impressão, talvez pela divisão atual da sociedade – que pode ser bem antiga, mas cuja visibilidade foi ampliada pelas redes sociais – somos levados a pensar nas eleições municipais sob o domínio de pautas nacionais.

    Não há dúvidas de que o impulso inicial para as municipais vem do embate nacional, até porque não se vê e nem se fala em outra coisa. E os arranjos visando as próximas eleições nacionais prevalecem e impõem a lógica.

    Mas, ao meu ver, isso ocorre apenas superficialmente, sob a ótica e interesses daqueles que manipulam partidos e verbas. A realidade municipal pode ser bem diferente.

    Existe, sim, a expectativa de que, desta vez, como nunca antes, a pauta nacional se imponha nas eleições municipais, o que veremos. Ou não.

    Pessoalmente, mais uma vez, percebo uma disposição local nessas eleições, com nomes e propostas locais dominando as escolhas na maioria das cidades. Mesmo quando um candidato majoritário se apresenta com um discurso nacional ou repete questões nacionais, se ele não conseguir alinhar seu discurso às expectativas locais, não terá sucesso. As pesquisas até agora mostram isso, mas só saberemos com certeza no dia da eleição.

    Quanto aos candidatos, o PT e o PL dominam as indicações, o MDB ressuscita em candidaturas, enquanto PP, PSDB e PDT definham; Novo e PSOL tentam ganhar mais visibilidade.

    Sem dúvida, espero um crescimento do PT, e sem dúvida o PL está se enraizando no Brasil.

    Nas próximas semanas, ninguém da classe política fará outra coisa além de política. E assim todos os assuntos precisam ser entendidos. Inclusive a questão da disputa do orçamento secreto, que visa moralizar e equilibrar a próxima eleição dos presidentes das casas legislativas, até agora totalmente dominadas por quem comanda e consegue enfrentar o governo, impondo sua vontade no controle do orçamento público. Sem os bilhões das emendas disponíveis, o próximo presidente das casas precisa ser alguém mais alinhado com o governo e suas lideranças, e não um adversário antagonista e furioso, como têm sido os últimos. As municipais entram na história por dois motivos: mantêm a influência dos bilhões na disputa municipal e seguram numericamente as bancadas que serão avaliadas no pós-eleitoral, estabelecendo estratégias para 2026, quando a situação se renova, ou não.

    E, faltam poucos dias para todos mergulharem de vez na eleição e campanhas.

  • Eu vivo sempre no mundo da lua.

    agosto 18th, 2024

    Tenho essa impressão desde que comecei a ler a imprensa do nosso Brasil e fui salvo por uma promoção da Revista Senhor, quando foi lançada por Mino Carta em 1978. Precisando de circulação inicial, a revista aceitava assinatura de graça. Ali comecei e nunca mais parei, mas sempre selecionando as fontes e tendo Mino e suas futuras publicações como norte.

    O jornalista Roberto Marinho ensinou e obrigou sua televisão, jornais, revistas e rádios a seguir o lema “tão importante quanto noticiar é não noticiar”, e os problemas do Brasil iam sendo jogados para baixo dos tapetes enquanto uma visão mentirosa e distorcida ganhava manchetes e destaques.

    Sempre foi assim. Nos dias de hoje, a impressão de que mentem e inventam notícias e calúnias absurdas é somente isso mesmo: uma impressão. Evidentemente, a disseminação é extraordinária atualmente, residindo aí o diferencial. Mentiras sempre tivemos, aos montes.

    Lembrei-me disso hoje porque a tentativa bisonha de Glenn e da Folha de S.Paulo de atacar a reputação do ministro Moraes, fabricando um escândalo, foi tão falsa e ridícula que caiu no esquecimento em horas. Mas serviu para aquele famoso “apito de cachorro”, que somente alguns ouvidos escutam, promovendo um enxame de cretinos nas redes sociais, também no exterior, em realidades paralelas e falsas conclusões, com objetivos políticos a serem atingidos, sobretudo na véspera de eleições municipais onde a extrema-direita estava encurralada e perdendo força. E nos EUA ocorre a mesma coisa, por razões distintas, como o impacto de um novo oponente contra um decadente Trump.

    Pois bem, ontem tanto oposição quanto situação fizeram suas passeatas em Bogotá, com a oposição na expectativa de promover passeatas mundiais. A coisa foi tão fraca por lá que nem o Edmundo, supostamente o líder da oposição e candidato eleito, apareceu. Ficou tudo com a Corina, que faz caras e bocas, mas afundou de vez. O apoio a Maduro nas ruas foi infinitamente superior. E não estou entrando no mérito do resultado eleitoral, mas anotando que o fato está consumado e o que teremos será, no máximo, um Guaidó 2.0. E olhe que, depois da farsa, costuma vir a tragédia.

    Mas a divulgação do Estadão, por exemplo, diz exatamente o oposto dos fatos, atribuindo aos números dos protestos da oposição uma quantidade inexistente e completamente inventada.

    Vida que segue. Desde minhas leituras da Revista Senhor, anos e anos passados, percebi o quanto essas pessoas vivem enganadas, numa realidade inexistente e incapazes de entender a realidade e os fatos. Percebi que preferem assim, reafirmar seus preconceitos e visão rasa e inculta da realidade, seguramente complexa demais para caber em apenas preto ou branco para explicar qualquer coisa.

    Esse cometa não presta.

  • Choro e Ranger de Dentes.

    agosto 17th, 2024

    A reação previsível da Câmara e seu líder, Arthur Lira, tem duas frentes distintas.

    A primeira é a criação de um mecanismo, que considero boa, para evitar que decisões monocráticas incorretas ou politicamente motivadas influenciem a vida nacional antes de serem apreciadas pelo plenário do STF, seja à direita ou à esquerda. Vale notar que isso já vem acontecendo na prática há tempos, com o STF levando sempre e rapidamente ao plenário as decisões impactantes.

    A segunda iniciativa, que busca votar uma PEC atribuindo poderes ao Congresso para anular decisões do STF, é uma ideia golpista, antidemocrática, medieval e absolutamente inconstitucional. E não deve prosperar.

    A repercussão dessas iniciativas foi negativa, obrigando Lira e seus aliados a divulgarem que a decisão de encaminhamento de ambas foi tomada antes da decisão do Ministro Dino. O fato de tentarem esconder a clara retaliação foi um sinal de que erraram na estratégia, e a votação unânime do STF a favor da decisão de Dino, que acabou com as emendas secretas, mostrou que o tribunal está unido nessa questão tão importante.

    As emendas secretas, uma prática crescente e ilegal de 10 anos, permitiam que deputados não prestassem contas de bilhões do orçamento sem origem ou destino, tornando esses recursos irrastreáveis. Isso envia uma mensagem extremamente negativa sobre o funcionamento institucional e perpetua uma atitude que se estende às assembleias legislativas estaduais e câmaras municipais, consolidando um legislativo superdimensionado, contrário ao planejamento e ao executivo. O Legislativo não dispõe dos instrumentos para executar grandes orçamentos de forma eficaz, nem de critérios de aplicação e controle, muito menos de cobranças quanto aos resultados. Isso criou um maná de bilhões disponíveis para todo tipo de desvio e corrupção.

    Por isso, essa prática floresceu durante o período de escuridão, inaugurado com o golpe contra Dilma, firmando-se nas mãos de figuras como o ex-presidente, mas agora encontra seu ocaso no cenário de reconstrução que estamos vivendo.

    Essa reconstrução não é pacífica, linear ou garantida, e depende de iniciativas dessa magnitude para ocorrer e se consolidar.

    Alguma negociação está em andamento. Do jeito que estava, não fica mais, e por isso a revolta dos deputados e senadores. Vamos aguardar o que virá.

    Quanto ao futuro, os planos dos fascistas incluem ocupar o Senado a partir de 2026 e obter maioria para enfrentar abertamente o STF. Acho improvável, mas é um assunto para depois.

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