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Blog do Franco

  • A direita politizou o povo? Que povo? Que direita?

    outubro 15th, 2024

    Cada dia que passa, o Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País) aprofunda sandices na tentativa de explicar os resultados eleitorais das municipais. Dá uma volta tremenda e cai no mesmo lugar de sempre: o PT e as esquerdas foram derrotados.

    Temos um segundo turno interessante em curso. Sim, não muda o quadro geral, mas me parece que deixa marcas perenes. Ciro voltou para o berço da direita, Boulos se afirma como um quadro competitivo, Natália Bonavides é o futuro presente, Belo Horizonte se mantém longe do extremismo no executivo, e Porto Alegre está à véspera de mudar suas vitoriosas lideranças petistas. Aliás, embora pouco valorizada, vem aí uma safra promissora para 2026 nas Assembleias de todo o Brasil.

    O que se destaca é a vitória do centro, que não se define nem como direita, nem esquerda, nem centro. Mas que não tem um nome sequer para a disputa nacional, aliás, repetindo o histórico do centro desde sempre.

    O extremismo está espalhado, ganhou capilaridade, mas quem acredita que essa turma vai progredir na política somente atacando, mentindo e difamando, não tem a menor ideia do que as pessoas realmente precisam. Elas percebem o engano e recuam.

    Ou a presidência de Bolsonaro não foi um exemplo? Fez de tudo, derramou bilhões, ameaçou com tanques fumegantes, generais batendo na mesa, fez e aconteceu, mas perdeu. Porque não tinha nada para mostrar. E perdeu por pouco porque os tempos são estranhos, podem até continuar estranhos, mas não vingou. Perdeu. E em 2026, perderão novamente e nem candidatos têm.

    O tal do Tarcísio não vai largar São Paulo, esqueçam. O tal do Zema se arrasta nesse segundo mandato inexpressivo, ainda pior que o primeiro. Marçal não cruza o Rubicão; a inelegibilidade está praticamente certa. Mesmo que não, mesmo que o TSE deixe a coisa correr, ele está longe de ter mais votos nacionais para vencer disputas.

    Sim, faltam dois anos ainda, mas o horizonte da economia é positivo e está melhorando. A questão do Banco Central está a caminho de uma solução, mesmo que paliativa. Existem questões fundamentais a corrigir, como o câmbio valorizado e os juros nas alturas, que exigem uma ação moderada. Nada demais, algo que pode ser melhorado substancialmente com uma administração mediana.

    O que resta? Apenas sugestões de “faça isso, fale aquilo”, sem nenhuma profundidade, base histórica ou legitimidade na fala. Apontam soluções hoje que esquecem amanhã, passam a promover outras queixas e buscam manter espaços onde a crítica constante é sempre valorizada, recaindo sobre o inimigo PT.

    Nenhuma avaliação honesta pode deixar de reconhecer o momento de reconstrução, sempre difícil e ameaçado de retrocessos, como sempre foi. Não podemos esquecer, ao colocar tudo na balança, que a vitória foi da base do governo, centrista, liderada por Lula, um social-democrata, esperando dos críticos e inimigos — sobretudo dos analistas da mídia oligárquica — o reconhecimento do seu papel nacional na costura de alianças vitoriosas e sua definição histórica de modelo ideal para governar o Brasil, diverso e pobre.

    Eles querem o nome para si, não a prática. Por isso deslocam Lula e o PT para a esquerda, quando na verdade estão, no máximo, na centro-esquerda. E é de lá que governam o país democraticamente, com equilíbrio fiscal que só eles conseguem, e com crescimento econômico e inclusão social, algo que, antes de Lula e do PT, todos nós julgávamos impossível.

    E descobrimos que não é.

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  • Rescaldo Eleitoral Parte 2

    outubro 14th, 2024

    Enquanto esperamos o resultado do segundo turno, que dizem poder alterar um pouco as avaliações do primeiro — seja para confirmar a liderança da centro-esquerda, o crescimento da extrema-direita ou a recuperação do PT —, faço minha própria análise.

    Não me alinho a essas perspectivas. Na minha visão, o resultado mostrou um crescimento do centro (onde está a base do governo), o isolamento da extrema-direita, apesar do crescimento, e a recuperação do PT, nessa ordem.

    Temos a informação de que o PT elegeu 222 vice-prefeitos, além de ter mostrado crescimento em várias disputas. Numericamente, o partido deixou de somar votos em São Paulo e Salvador, o que, para alguns, poderia sinalizar uma recuperação incontestável no número de votos. Seriam cerca de 3 milhões a mais, totalizando aproximadamente 12 milhões, o dobro de 2020.

    No entanto, o que estamos presenciando, sem ainda entender completamente, é uma sequência de declarações de dirigentes de diversos partidos. Alguns reivindicam mais espaço, outros lamentam os resultados, e o PT não ficou de fora.

    Destaco algumas dessas declarações.

    Contarato, que provavelmente será o candidato do PT ao governo do Espírito Santo, chamou atenção para as mudanças no mundo do trabalho, com destaque para o empreendedorismo, e sugeriu que o discurso do partido se ajuste a essa nova realidade.

    O deputado Reginaldo fez uma observação semelhante, mas de forma menos clara.

    O candidato à prefeitura de Belo Horizonte, vítima do voto útil em Fuad, anda um pouco contrariado. Sugiro que ele se mantenha mais tranquilo por enquanto, e ajude a derrotar o extremismo na cidade neste segundo turno. Mas entendo suas razões para estar aborrecido.

    Por fim, o líder Gonçalves fez uma reflexão sobre o caminho até essas eleições. Reconheceu o crescimento, apresentou os números corretos — que já discutimos aqui — e deixou claro que a discussão mais aprofundada deve ocorrer após os resultados finais. A meu ver, essa é a abordagem correta.

    Dizem que Lula não ficou satisfeito com o resultado, pedindo também uma reflexão sobre as mudanças na classe trabalhadora — algo que Contarato mencionou mais tarde. Quanto a se ele gostou ou não dos resultados, imagino que ele sempre queira mais, pois não chegou onde chegou sem ambição.

    Vamos para o segundo turno, que parece reservar algumas surpresas e disputas mais acirradas do que o previsto. Mas, como sugere Guimarães, o melhor é esperar os resultados finais para uma avaliação mais completa.

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  • Apagão de vergonha.

    outubro 13th, 2024

    Pouco ou nada tenho com a cidade de São Paulo, gosto de ir lá passear, participar de feiras de construção e jantar nos restaurantes. Mas a frequência dos apagões na cidade provoca reflexão.

    E deixa evidente por sua gravidade o padrão de serviços das grandes empresas públicas privatizadas.

    Começam demitindo os mais experientes, a substituição é insuficiente e por novatos sem experiência. E o mais grave é que abandonam a manutenção.

    A falta de poda nas árvores é evidente, quando um vendaval como o de ontem ocorre – e ele foi excepcional – o desastre estava contratado de véspera, com galhos e troncos pedindo para cair. E caem, em cima de tudo, sobretudo dos fios de energia dos postes, rompendo as ligações.

    A falta de manutenção atinge também os equipamentos do tipo transformadores, que não tem mais sua vida útil observada e a troca antecipada para evitar transtornos, como interrupção prolongada no fornecimento de energia. Fora as explosões quando estragam de vez. O critério dessas empresas agora é esperar o transformador explodir mesmo, para só depois substituir. Assim eles vão acumulando receita, economizando na mão de obra e na manutenção, apresentam bons resultados nos balanços e deixam os investidores satisfeitos. Falta apenas combinar com os clientes, obrigados a aturar monopólio com tal nível de serviços.

    Os paulistanos saibam que não estão passando por nenhuma novidade, para convencer o Brasil da necessidade de privatizar as “incompetentes e corruptas” estatais, FHC e seu moribundo PSDB – não por acaso- iniciaram a estratégia de deixar tudo sucatear para depois vender, e assim chegamos onde estamos.

    Venderam e a coisa só piora.

    O acerto com esse tipo de serviço porco e mal intencionado desde sua concepção, planejamento e execução com objetivos de lucros e nada mais, seria por exemplo, no dia seguinte a um apagão como este que acontece em São Paulo. As multas e indenizações não seriam compensadas pelos abusos, caso os prefeitos e vereadores depois não cancelassem todas elas no momento seguinte. E assim a roda gira em sua imutabilidade.

    E o prefeito é reeleito assim mesmo.

    Até quando?

  • A Quadrilha do Boletim Focus.

    outubro 12th, 2024

    Gravíssima é a nova denúncia de que o relatório Focus, do Banco Central (BC), está sendo manipulado pelos agentes do mercado financeiro. Foi o próprio gestor de um desses fundos, Pedro Cerize, da Skopos, quem apontou a fraude. É o mercado que comanda o BC “autônomo”. Trata-se de um crime que precisa ser investigado. — Gleisi Hoffmann (@gleisi.bsky.social), 11 de outubro de 2024, às 14h13.

    Ele explica, em detalhes, quem são os envolvidos, onde e por que os agentes selecionados pelo mercado, em conjunto com o Banco Central do Brasil, agem para manipular a taxa de juros e promover uma derrama de dinheiro público para os cofres privados. Essa prática bilionária mantém o Brasil no topo da lista dos países mais desiguais do mundo. Não é pouca coisa, nem coincidência. Sem a cobertura institucional do BC — fiscal das práticas dos agentes financeiros — seria impossível realizar e muito menos sustentar essa operação.

    Este é o segundo caso público em que a manipulação do relatório Focus, aquele elaborado por agentes escolhidos do mercado e que serve de referência para as decisões do Banco Central, sobretudo na definição da taxa Selic, é denunciada. Até agora, sem qualquer consequência.

    Quem me acompanha sabe que este é meu tema principal dos últimos tempos. As ações do atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, e sua diretoria têm sido escandalosas desde o início. A situação piorou após a eleição do presidente Lula, e desde então, o Banco Central assumiu um projeto de boicote. Como nos revela Pedro Cerize, da Skopos, em sua palestra, trata-se de um roubo escancarado, disfarçado de combate à inflação.

    É importante destacar que, sem a colaboração da imprensa, seria impossível mentir tão descaradamente. Esse conluio de interesses criminosos para suprimir o dinheiro dos brasileiros precisa ser promovido com todas as forças, com todas as palavras, e com todos os disfarces. E em tudo isso, Campos Neto e sua “bandidagem” contaram e continuam contando com a cobertura da mídia. Por que a indignação da presidenta do PT não aparece em nenhuma capa de jornal ou revista? Fica contida, escondida entre notícias de infinita irrelevância, quando não em disfarces descarados.

    Não existem palavras para o que está acontecendo. Duvido de qualquer investigação, e volto minha atenção para o futuro do Banco Central e sua nova diretoria, que assume em janeiro.

    Será que eles serão capazes de devolver ao BC a primazia dos interesses nacionais? Serão capazes de conduzir a política monetária com a firmeza necessária para promover justiça e desenvolvimento?

    Tenho minhas dúvidas.

    Link do resumo da palestra : https://convexresearch.com.br/blog/economia/banco-central-brasileiro-perdeu-a-credibilidade/

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  • Violência no Período Eleitoral.

    outubro 11th, 2024

    (Vereadora e candidata à reeleição no Rio de Janeiro, Tainá de Paula (PT), sofreu dois atentados em 2024. – Eduardo Barreto/Câmara Municipal do Rio de Janeiro)

    Vamos corrigir a minha falsa impressão de que o primeiro turno foi tranquilo. Reproduzo abaixo integralmente a reportagem do BRASIL DE FATO e o link, que dispensam maiores comentários.

    https://www.brasildefato.com.br/2024/10/10/brasil-teve-pelo-menos-373-casos-de-violencia-politica-no-1-turno-aponta-pesquisa

    “O Brasil teve pelo menos 373 casos de violência política no primeiro turno, intervalo oficialmente situado entre os dias 16 de agosto e o último domingo (6), data do pleito. Publicizados nesta quinta (10), os novos dados mostram que houve sete casos por dia no primeiro turno, ocasião em que eleitores de 5.569 cidades do país foram às urnas.

    O dado corresponde a uma atualização de pesquisa que vem sendo desenvolvida pelas organizações não governamentais (ONGs) Terra de Direitos e Justiça Global, já divulgada parcialmente na última semana, quando as entidades indicaram um salto de 130% nas ocorrências em um período de quatro anos.

    Segundo a pesquisa, 99 dos 373 casos verificados no primeiro turno se deram nos seis primeiros dias, configurando uma média de 16 ao dia, o que demonstra o nível de exacerbação da violência na largada da corrida eleitoral deste ano. Intitulado “Violência Política e Eleitoral no Brasil”, o estudo está em sua terceira edição e contabiliza ainda 518 ocorrências em 2024 até 6 de outubro. É o maior registrado da série histórica, que começou a ser computada pelas duas organizações em janeiro de 2016.

    Dos 373 casos ocorridos no primeiro turno, as entidades contabilizaram dez assassinatos, cem atentados, 138 casos de ameaças, 54 agressões, 51 ofensas, 13 criminalizações e ainda sete invasões. A violência política mais que dobrou nesse intervalo se comparada aos meses pré-eleitorais, quando houve 145 ocorrências. As organizações chamam atenção ainda para outro ponto: a frequência dos casos saltou de 2022 para 2024. No primeiro ano, houve uma média de dois casos ao dia, enquanto agora o país foi palco de ao menos sete ocorrências a cada 24 horas.

    Para computar os dados, os pesquisadores se baseiam em materiais selecionados a partir de busca ativa de notícias em veículos jornalísticos, buscadores de internet, redes sociais e ainda de rastreamento automatizado de notícias. O estudo levou em conta somente ocorrências nas quais havia indícios de motivação política. “Ao longo da série histórica, temos observado uma tendência de maior violência nas eleições municipais, onde há um acirramento dentro das cidades que evidenciam as disputas locais. As notícias mostram também situações de intervenção de organizações criminosas no pleito eleitoral, que representa uma ameaça preocupante à democracia”, comenta a diretora-executiva da Justiça Global, Glaucia Marinho.

    A coordenadora de incidência política da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, ressalta que vê o país atingir “um limite em termos de violência política”. “Registramos muitas ameaças, muitos casos de assassinatos, mas inclusive um caso de estupro, que era uma ameaça muito frequente a mulheres parlamentares e que, tristemente, a gente viu se concretizar neste primeiro turno. Isso tem mais a ver com a naturalização dessa violência, com a falta de medidas sérias pra enfrentar o problema do que com a polarização, porque a gente viu um crescimento muito grande do número de eleitos e eleitas de partidos do centrão e até mesmo a redução de eleitos de partidos de esquerda”, afirma a especialista, acrescentando que o problema resulta da ausência de respostas estatais que possam prevenir a violência sexual e de gênero na política.

    O caso de estupro em questão ocorreu com uma candidata de Porto Velho (RO) que denunciou publicamente o caso nas vésperas da eleição. O crime foi computado na pesquisa entre as estatísticas de “violência física” porque, segundo as organizações, o estudo não tem uma categoria específica para violência sexual. Ainda de acordo com as entidades, a pesquisa será novamente atualizada após o segundo turno.”

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  • De volta a Brasília!

    outubro 10th, 2024

    A cena política de Brasília recomeça, como previsto, com as mesmas temperaturas e pressões. Quem andou falando mais do que o normal, talvez entusiasmado com o resultado da votação de seu partido, o PSD, foi Gilberto Kassab. Ele fez uma declaração na segunda-feira dizendo que Tarcísio não deveria concorrer contra Lula em 2026, já que o petista é o favorito. No entanto, na terça-feira, Kassab relativizou a previsão, deixando a decisão para Tarcísio e sugerindo Ratinho Junior como candidato alternativo do seu partido. Hoje, ele já não falou coisa com coisa, e amanhã só Deus sabe o que dirá. Segundo alguns, Kassab é mais eficaz em silêncio, agindo nas sombras e nas brechas. O entusiasmo atual deve passar, e ele voltará ao normal em breve, afirmam.

    Mas, enquanto Kassab fala, aproveitamos para ouvir suas opiniões, pois ele não está tratando apenas dos futuros candidatos à presidência da república, mas também da disputa atual pela presidência das duas casas legislativas. E, ao falar, enviou recados e confirmou algumas impressões que já sugerimos em posts anteriores.

    Primeiro, ele deixou claro que o equilíbrio entre os poderes executivo e legislativo não mudou; os resultados das eleições municipais não afetaram essa relação. Segundo, ele manifestou sua intenção de atrair o governo para eleger seu candidato à presidência da Câmara, que concorre contra o escolhido do atual presidente, Arthur Lira. Dizem que a Câmara está dividida entre os candidatos, e o fiel da balança será o PT. Imagine!

    Kassab não escondeu que está tentando atrair o PT para o seu lado, ao atribuir, por exemplo, as votações na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) que buscam limitar o STF. Segundo ele, essas votações vão, sim, para o plenário, e são patrocinadas por Lira, que está em campanha para eleger seu sucessor e faz acenos para a grande bancada do PL.

    Para completar, Kassab não crava nem a tão falada vitória de Alcolumbre na outra casa legislativa, o Senado, deixando tudo sempre no ar, pendente de negociações – sua especialidade.

    O que lhe falta para voos maiores é a total ausência de carisma e simpatia. Ele é um grande quadro da política, mas é bom exatamente naquilo que faz: articular nos bastidores. Kassab é como um Renan Calheiros, mas com base em São Paulo, o que lhe confere potencial influência sobre uma vasta base parlamentar. Não que a domine, mas sabe usar e expandir sua influência, liderando um partido que, aos poucos, substitui o MDB nas principais jogadas nacionais e engole o PSDB, que está em vias de extinção.

    Quanto a disputar a presidência, apesar de oscilar nas entrevistas, Kassab parece confirmar o plano de guardar Tarcísio para 2030, no pós-Lula.

    Perceba que Kassab e Bolsonaro não se dão bem. Enquanto Bolsonaro tem aversão à negociação política, Kassab é um dos mestres nesse campo. Mesmo assim, ele quer Tarcísio para si.

    Brasília retoma sua rotina, todos aguardando os resultados do segundo turno, mas com os olhos já voltados para 2026. Kassab colhe os louros e se apresenta como vitorioso, tentando emplacar seu candidato na presidência da Câmara, contra Lira, com o apoio do PT.

    Em todo caso, essas PECs contra o STF são a moeda de troca de Lira com os fascistas, e Kassab as exibe como quem diz: “eu sou diferente”.

    Sobre as PECs, são duas completamente distintas: uma limita decisões monocráticas que impedem iniciativas dos presidentes dos demais poderes – com a qual concordo inteiramente. A outra é apenas mais uma afronta dos fascistas, querendo revisar decisões do STF – uma ideia característica do fascismo e nada mais, sem chance de prosperar.

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  • Arca do Noé e o Governo Lula.

    outubro 9th, 2024

    A avaliação do resultado da eleição municipal — ainda em pleno desenvolvimento — suscitou debates e análises acaloradas, com todos tentando decifrar o desfecho.

    Fiz minhas próprias tentativas, nas quais procurei quantificar os resultados, apurar razões, apontar vencedores e vencidos, e descrever cenários futuros. Ainda assim, sinto que o tema não foi esgotado, nem de longe.

    Hoje, me ocorreu refletir sobre a natureza do atual governo, sua política de alianças, seus objetivos e metas, tanto imediatos quanto futuros. Nessa análise, a eleição municipal apresenta uma importância desbalanceada, no sentido de que temos diferentes tipos de disputas.

    Deixando de lado os aspectos numéricos, como a quantidade de cidades, bancadas de vereadores, estados ou regiões, tudo conta em um emaranhado de resultados que alimentam especulações — todas elas parciais.

    Como já fizemos nossa avaliação, quero destacar o caráter do governo Lula. Aliás, essa característica não se manifesta apenas neste governo, mas faz parte de sua principal marca pessoal e política: Lula é um negociador incomparável.

    Não se pode analisar os resultados separando aliados como se fossem inimigos. A questão da sobrevivência política individual e a influência nas respectivas bases, onde disputam ferozmente entre si, não se confundem com a união dos vencedores em torno de um propósito maior: o governo federal.

    É de onde saem os recursos, os cargos e o poder, exercido em conformidade com acordos pessoais e partidários, em programas mínimos acordados. Apesar de todas as disputas e influências, esses acordos fazem parte do programa vitorioso nas eleições presidenciais, onde escolhemos o presidente, que escolhe seus ministros, faz suas alianças e depois governa conforme o rumo traçado, ajustando a rota conforme as circunstâncias.

    É razoável imaginar que teremos alguma acomodação nos ministérios em razão dos resultados das eleições municipais? É provável, mas acredito que o impacto será mínimo, se é que ocorrerá. A necessidade de acomodar deputados e senadores nas disputas pelas presidências das duas casas legislativas — inclusive os atuais presidentes, que vão sair — parece ser mais urgente do que uma mudança ministerial por causa das eleições municipais.

    Até porque a composição interna das casas não sofreu nenhum abalo. Curiosamente, os deputados e senadores que arriscaram disputar as eleições municipais foram praticamente todos derrotados.

    Se nada muda na composição interna das casas, exceto pelas presidências, o barco segue no mesmo rumo.

    Veja, já houve movimentação no Congresso esta semana, com a aprovação do novo presidente do Banco Central no Senado, sem grandes surpresas. Além disso, a regulamentação da reforma tributária está em andamento.

    Ou seja, apesar da retórica sobre quem ganhou ou perdeu, tudo segue praticamente como antes. E vale lembrar que ainda há disputas acirradas no segundo turno em 50 das principais cidades do Brasil, com fogos e trovoadas prontos para explodir.

    Eu, até, achei que, com exceção da situação crítica em São Paulo e de alguns outros locais onde ocorreram episódios violentos, a eleição transcorreu de maneira mais tranquila do que o habitual. A regulamentação eleitoral funcionou melhor nas ruas, enquanto a batalha se concentrou nas redes sociais. A briga agora é virtual, e descamba menos para o mundo real — mais essa.

    Então, seguimos em frente com o governo e sua base de apoio. Com exceção do PL e de parte do PP, praticamente todos que supostamente venceram as eleições continuam firmes no barco governista. Claro que fazendo contas, reivindicando mais ou menos, e sempre negociando, enquanto as incansáveis nuvens da política continuam a se mover.

    Às vezes, dizem que tudo é novidade, tudo é exasperado, tudo é definitivo, tudo é preocupante… Em parte, sim; em parte, não. O leme segue firme nas mãos do comandante Lula, o capitão Haddad continua trabalhando, e os resultados no horizonte visível.

    Se alguma coisa mudou, foi para ficar na mesma.

    Outro aspecto relevante que surgiu com a notícia do altíssimo número de reeleitos, atribuído aos recursos bilionários das emendas PIX, é fundamental para entender o momento atual e suas lições para o futuro. Se as emendas produziram efeitos positivos nas administrações municipais, não podem ser criticadas apenas pelo aspecto financeiro, que provoca uma certa concorrência desleal entre concorrentes fora e dentro dos cargos. Uma vez sanada essa vergonha de segredos e falta de prestação de contas adequadas, me parece que as emendas precisam ser encaradas com outros olhos. Parece que os moradores das cidades agraciadas gostaram, e não se pode desprezá-las, mas sim corrigir exageros e distorções.

    Outro ponto importante foi destacado pela nota do PT sobre os resultados até agora. Excluídos os votos da cidade de São Paulo e Salvador, onde o PT não lançou candidatos para compor alianças, o número de votos que poderia ser somado aos 8,9 milhões apurados em todo o Brasil poderia chegar a mais 3 milhões! Ou seja, o PT sai da eleição de 2022 com um potencial de votos totais de 12 milhões, e, se assim fosse, todas as críticas e levantamentos numéricos apocalípticos estariam reduzidos a pó.

    Sim, não é bem assim que funciona, mas mostra o raso de certas avaliações.

  • E o fato?

    outubro 8th, 2024

    Me acostumei a ler, por anos e anos, o jornalista Mino Carta e sua Carta Capital — que está comemorando 30 anos por esses dias —, sempre reafirmando seu compromisso com os fatos.

    Lembrei de Mino porque estamos enfrentando uma avalanche de mentiras, espalhadas pelas redes sociais, que vão muito além da desinformação e manipulação. Trata-se de um projeto cuidadosamente conduzido, mas que não é inédito. A grande mudança atual está em seu alcance, abrangência e disseminação instantânea.

    Mentira e manipulação não são coisas novas. Há quem diga que, em certos jornais — quando ainda eram lidos em formato impresso —, a única coisa verdadeira era a data. Todo o resto era manipulação, assessoria de imprensa, propaganda, viés político, ocultação e mentiras.

    O jornalista Roberto Marinho, fundador da Globo, costumava dizer que, tão importante quanto noticiar, é não noticiar.

    Ao nos depararmos com o bolsonarismo, que repete os métodos fraudulentos desenvolvidos nos EUA e testados, com sucesso, em guerras de manipulação por todo o mundo — iniciadas nas Primaveras Árabes e no Brexit —, fica impossível olhar para o futuro sem preocupação. Com Trump, com o próprio Bolsonaro e sua trupe de desajustados, vemos que, apesar de já conhecermos relativamente bem o cenário, ainda estamos longe de uma resposta eficaz para essa avalanche.

    O que tem sido possível fazer é entrar no jogo, desfazendo as mentiras, o que implica em se submeter às pautas impostas pelos falsificadores.

    Além disso, há uma certa infantilização na atuação política. Para equilibrar o jogo, há uma exposição excessiva: uma dancinha aqui, um pulinho ali, sorrisos demais. Tudo bem, somos todos humanos e mostrar um pouco mais de si, ainda mais para quem vive uma vida pública, não é algo tão grave. Talvez, mas a impressão que fica é que isso aprofunda a manipulação, em vez de trazer mais transparência.

    Os políticos mais jovens lidam melhor com essa situação. Mostram namorados, festas, viagens, casamentos. Promovem-se como quem vende xampu e, aos poucos, vão passando suas mensagens. O inimigo, por sua vez, rosna, mostra os dentes e, eventualmente, morde. E quando morde, faz ainda mais sucesso.

    Estamos vivendo um BBB em tempo real, onde cada um disponibiliza as imagens que lhe interessam, e a imprensa acompanha de forma acrítica, sem deixar de manter seu interesse em destacar os aspectos negativos de uns e poupar outros.

    E o resultado é este que estamos enfrentando.

    Não posso terminar sem lembrar que nosso presidente tem 78 anos e é o favorito para vencer a próxima eleição. Temos sorte por isso, apesar de tudo. Ou talvez porque a realidade ainda consiga encontrar seu caminho até a verdade, e a maioria consiga distinguir o que é melhor para escolher conscientemente?

    É o que penso.

    Ou será que, no fundo, nada mudou, e aqueles que precisam continuam escolhendo seus próprios interesses com clareza?

    A eleição municipal, em sua grande maioria, foi uma escolha paroquial, como quase sempre. As grandes questões nacionais ficaram em segundo plano, como de costume. A quantidade de “cacarecos” aumentou, os políticos estão ficando mais jovens, e há uma nova tendência em concentrar votos em celebridades das redes sociais, e não mais da TV.

    As coisas mudam, mas acabam praticamente na mesma.

    Porém, está mais perigoso, sem dúvida. Até que nos reacostumemos.

  • Rescaldo preliminar.

    outubro 7th, 2024

    Diante de uma avalanche de informações em processo de filtragem e com metade das maiores cidades do Brasil pendentes de decisão em segundo turno, inclino-me a manter a previsão de que, neste país-continente, não se pode exatamente apontar um vencedor nas eleições municipais.

    De certa forma, temos alguns vencedores e alguns derrotados. No plural.

    A vitória do PSD e também do MDB — sim, ele mesmo, aquele de sempre — se destaca, com o PSD trocando de lugar com o MDB na liderança do número total de prefeituras, deixando o antigo campeão em segundo lugar. Essa mudança fortalece Kassab no nicho que antes era dominado pelo MDB: o de forjar alianças de governabilidade. Ambos continuam a desempenhar esse papel, sem, no entanto, reunir condições de disputar a presidência da república. Isso ocorre porque falta substância a esses agrupamentos, sem identidade clara. O PSD e o MDB, em maior medida, mas também partidos como o Podemos, o PP, o Cidadania, entre outros que compõem o chamado “Centrão”, formam uma espécie de lugar indefinido, um biombo institucional para a política pragmática, focada em interesses particulares variáveis, disponível para negociações, cargos e para dialogar com quem de fato detém o poder.

    O PL e o PT são um caso à parte.

    O PL conquistou mais de 500 prefeituras e 15,7 milhões de votos. O PT 250 prefeituras com total de 8,9 milhões de votos. Contudo, ambos cresceram, embora com uma distinção importante entre eles. Enquanto PL em capitais e grandes cidades e PT mais homogêneo. PL com muitas candidaturas, PT com números modestos de candidatos.

    Antes, é preciso destacar que ainda teremos o segundo turno em metade das maiores cidades do Brasil. Das pouco mais de 100 cidades onde há segundo turno, porque têm mais de 200 mil eleitores, metade ainda não escolheu um vencedor. O PL estará presente em cerca de 20 disputas, e o PT e seus aliados em 15. Dependendo dos resultados, isso pode alterar o cenário. Porém, em parte, o grande palco já está montado.

    Concordo com quem enxerga as eleições municipais como distintas das disputas nacionais, mas também devemos observar que algo a mais começou a influenciar as eleições no Brasil — e não é uma coisa boa. Uma gente violenta e incapaz, utilizando escândalos e mentiras, por meio das redes sociais e de uma imprensa acrítica, consegue romper barreiras de comunicação e impor uma agenda que conduz uma tropa de cretinos e cretinas com enorme poder destrutivo e ameaçador. Teremos Abílio, Éder Mauro e Engler disputando o segundo turno, onde devem todos perder, mas o fato de terem chegado até aqui é muito ruim.

    É a antipolítica que os conduz, mas uma de destruição — algo ainda em gestação. Acredito que estão no auge; tinham pretensões muito maiores, estão entre os vencedores, mas ainda não têm a força necessária para retomar o cenário nacional, como pretendiam. Inclusive, o plano de alavancar futuras candidaturas ao Senado em 2026 não foi bem-sucedido agora. Estamos falando de cerca de 20% do eleitorado, o que é muito, mas não é majoritário.

    O PT vai disputar o segundo turno em 15 cidades, na maioria coligado, mas me parece que não vencerá em muitas delas. Ainda assim, foi, junto com o PL, um dos vitoriosos na eleição, aumentando suas bancadas de vereadores e prefeitos. Há uma distinção importante: o PT está renovando e rejuvenescendo seus eleitos, com muitos dos novos quadros sendo impulsionados pelos velhos caciques, que parecem estar na reta final de suas vitoriosas carreiras.

    Vamos acompanhar as decisões importantes do segundo turno que ainda estão pendentes. Além das bancadas de vereadores já definidas — o que nos ajudará a avaliar melhor o resultado —, temos então mais uma referência importante para a análise do pós-eleições municipais.

    O que mais chama a atenção e segue como maior preocupação para o futuro é desvendar esses caminhos tortuosos do fascismo, que continuam a superar a razão objetiva e a impor pautas fantasmas, sem uma resposta à altura. Não é um problema exclusivo do Brasil; trata-se de um fenômeno mundial, que ainda evolui de forma perigosa. E esse é o grande desafio, porque, com ou sem Bolsonaro, ele continua.

    Ah, o PSDB o grande derrotado, em vias de extinção.

    O Republicanos dobrou o número de prefeituras e há quem os veja mais consistentes e orgânicos que os demais partidos de direita. Vamos ver, porque o que eles tem de orgânico tem de divisão interna e tudo para explodir – no mau sentido – no correr dos anos.

  • O Coach da Lama.

    outubro 5th, 2024

    Amanhecemos em polvorosa, desmentindo uma grosseira falsificação na véspera da eleição. O autor da fraude não é outro senão aquele candidato à prefeitura de São Paulo, o mais destacado representante do fascismo bolsonarista. Tanto que é renegado até pelo próprio Bolsonaro, tamanha é a sua exagerada desfaçatez.

    Publicou um falso laudo médico, assinado por um CRM cancelado porque o profissional faleceu, impresso na clínica de um apoiador e parceiro já condenado anteriormente por falsificação. Um combo de picaretagem que só não faz estrago total porque temos as redes sociais para desmentir. Tanto que o criminoso recua e apaga as publicações rapidamente.

    Se fazem efeito, não sei dizer. Talvez o desmentido vigoroso tenha um impacto ainda maior. Mas o que deveria acontecer, e não ocorre, talvez por omissão ou lentidão, é a convivência com esse tipo de crime. Crimes previsíveis, cometidos na véspera, deveriam ser antecipados, com plantão e resposta vigorosa, imediata e proporcional.

    Aplicar multas que milionários podem pagar me parece um deboche com a democracia. Prender? Um exagero, só depois do trânsito em julgado, daqui a anos. Mas impedir que o delinquente continue participando do pleito? Isso sim seria a resposta proporcional e didática, colocando um ponto final nesse tipo de aventura criminosa e estabelecendo limites intransponíveis para uma vida democrática equilibrada.

    É o que eu penso. E acredito que essa presepada vai custar ao candidato seu lugar no segundo turno e processos intermináveis depois. E o maior favorecido será o atual prefeito.

    Em resumo, se a campanha desse criminoso foi, o tempo todo, marcada por desrespeito, ataques, mentiras e delinquência, por que não dobrar a aposta na véspera? O raciocínio dele é cristalino e coerente. A resposta, até agora, é que não é.

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