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Blog do Franco

  • Sinais.

    fevereiro 13th, 2025

    Quem me acompanha aqui sabe do interesse com que sigo os sinais da economia, as decisões e suas implicações, os desdobramentos e consequências.

    Durante os últimos dois anos, o bolsonarista ex-presidente do Banco Central fez de tudo para criar as condições em que sua fala e sua atuação diante da autoridade monetária causassem danos ao país, com a intenção, nunca escondida, de atrapalhar o desempenho econômico do presidente Lula e sua equipe.

    Não foram poucos os momentos de embates e disputas, tendo a taxa de juros no centro das discussões, e a maneira rasteira como seu comportamento belicoso e falsamente desinteressado conduziu o final de 2024 para provocar crises, finalmente conseguindo, com o discurso de problemas fiscais e ajuda da insegurança global com as ameaças de Trump .

    O saldo de sua atuação são R$ 1 trilhão de serviços da dívida a serem pagos em 2025, e a tal crise fiscal só tem motivo exatamente nos maiores juros do mundo, que pagamos sem nenhuma razão para isso.

    Agora, o discurso vai sendo ajustado com a nova diretoria do Bacen, embora, penso, lentamente demais, porque usam a metáfora do transatlântico que não pode ser conduzida aos sobressaltos… depende, porque, se avistar um iceberg, é bom desviar rápido, do jeito que for possível, para evitar o pior.

    Estamos à véspera de mais um aumento programado da taxa Selic, em março, dentro do rumo traçado pelo bolsonarista e até agora sendo mantido por uma presidência do Banco Central que parece não ter entendido ainda a urgência e a responsabilidade que carrega.

    Seguir acumulando juros não é a resposta para o Brasil.

    Acho que eles sabem muito mais do que nós a esse respeito, e estão preparando um pouso suave…

    Mas não só as taxas inflacionárias começam a cair, como a atividade econômica também.

    Consequência inevitável dos maiores juros do mundo, que anulam qualquer ímpeto de investimento e provocam a maior concentração de renda do mundo, como se já não fôssemos campeões mundiais nessa modalidade.

    Não renovo votos de confiança, mas aguardo, preocupado, as decisões futuras do novo Banco Central. Como afirmei no post anterior, se a decisão de março confirmar mais 1% de aumento na Selic, pode estar definindo um ano medíocre de crescimento na economia e a decisão do governo de priorizar 2026.

    Não tenho resposta para isso, mas espero que estejam certos.

  • Apaga tudo! (?)

    fevereiro 13th, 2025

    Ontem, escrevi mais um post reafirmando minha convicção de que a elevação da taxa Selic em março seria menor que 1%.

    Mas o presidente do Banco Central, Galipolo, concedeu uma entrevista onde praticamente cravou esse aumento, deixando sinais de que ainda mais elevações podem estar a caminho.

    Não dá para brigar com os fatos. É meu dever tentar acompanhar, com honestidade, aquilo que vejo e leio. Nesse caso, a decisão de Galipolo — e provavelmente de toda a atual diretoria do Banco Central — deve mesmo seguir o rumo já sinalizado na última ata, embora eu tenha tentado encontrar ali sinais de alguma alternativa.

    Em minha defesa, reafirmo minha visão: a atividade econômica está desacelerando, o dólar continua em queda, e as promessas de uma safra melhor, com impactos positivos nos custos de produção de alimentos, seguem conforme anunciei.

    Contudo, economistas — e aqui incluo o Banco Central — não se convenceram da queda do IPCA em janeiro. Isso porque o índice foi puxado para baixo por uma redução acentuada e sazonal no custo da energia elétrica, enquanto quase todas as demais atividades seguem rodando em níveis considerados elevados. Para eles, a previsão de uma taxa anual de 6% em junho continua sendo a principal aposta.

    Ok, não adianta dar murros em pontas de faca ou brigar com os números.

    O que nos preocupa agora é a desaceleração da atividade econômica. Tivemos dois meses seguidos de queda no setor de serviços — o mais importante para a composição do PIB. Se fevereiro repetir um número negativo, podemos entrar em recessão técnica no setor, com três meses consecutivos de retração.

    Na mesma fala em que reafirma a necessidade de juros mais altos no curto prazo, Galipolo também admite que a atividade econômica começou a ceder, o que seria o efeito desejado para conter a inflação.

    Ok, vamos aguardar os números e seguir perseverando na necessidade de rever essa política de juros tão altos, que está comprometendo o crescimento econômico e o futuro do atual governo.

    Fazer prognósticos de sacrifícios agora, com a promessa de alívio em 2026, ano eleitoral, é um risco grande. E não deveria ser assim. Vale lembrar que foi o próprio Haddad quem reduziu a meta de inflação de 3,5% para 3%, impondo sacrifícios talvez excessivos.

    A ver. Quem sabe os números de fevereiro tragam uma surpresa positiva, e o Copom se veja obrigado a calibrar melhor a Selic?

    Eu ainda aposto nisso, apesar das esperanças momentaneamente despedaçadas.

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  • Inflação de janeiro.

    fevereiro 12th, 2025

    O IBGE divulgou o IPCA de 0,16% em janeiro, o mais baixo para o mês na série histórica do Real desde 1994.

    Esse número extraordinário suscitou debates sobre o comportamento futuro da inflação no Brasil. Pelas informações que observei de fontes que considero sérias e honestas, parece haver um consenso de que continuamos em tendência de alta, com uma possível máxima próxima de 6% em junho.

    Até onde consigo enxergar, vejo a questão de modo oposto. Com o dólar em queda, o petróleo estável, a energia elétrica com bandeira verde, a safra prevista superior à do ano passado e a atividade econômica relativamente estável, acredito que não estamos em um ciclo de alta inflacionária, mas sim em um momento de estabilidade.

    Prever o comportamento do setor de serviços — responsável por grande parte do PIB e, por consequência, dos números da inflação — não é simples. O mais viável é observar os dados passados, buscar tendências e, a partir disso, arriscar previsões.( saiu agora o índice de dezembro e aponta queda de 0,5%, após queda de 0,9% em novembro)

    Por essa razão, imagino um cenário diferente. Tento captar o momento atual, e não me prender apenas ao passado. O que vejo é equilíbrio e até uma possível tendência de queda, jamais de aumento.

    Agora, precisamos aguardar os próximos levantamentos para termos certeza. A preocupação é grande porque, mantidos os números de janeiro, aumenta a possibilidade de não haver um novo reajuste de 1% na taxa Selic em março. Essa reunião será decisiva para os rumos da atividade econômica no primeiro semestre. Uma sinalização de juros menores ou de altas mais moderadas é fundamental para estimular o investimento e manter o crescimento do PIB, salvando o segundo semestre, que é crucial para que o país siga no melhor caminho.

    Por enquanto, seguimos aguardando. E mantenho minha previsão: em março, não veremos um aumento de 1% na Selic, como muitos ainda apontam.

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  • Hugo Motta Caçando likes.

    fevereiro 8th, 2025

    O recém-eleito presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, agitou os ânimos na noite de sexta-feira ao conceder declarações, no mínimo, cretinas.

    Disse que o vandalismo de 8 de janeiro não foi um ato golpista, defendeu o semipresidencialismo e ainda achou exagerado o período de oito anos de inelegibilidade para os condenados pela Lei da Ficha Limpa.

    Um combo digno de Arthur Lira, cuja água certamente bebeu.

    Mas, sendo essa a origem da contaminação, pergunto: qual dessas propostas mirabolantes o recém-apeado titular do cargo conseguiu aprovar?

    Nenhuma.

    Exatamente o mesmo número de sucessos que o atual presidente da Câmara deve conquistar com essas pautas.

    Por que insistem nessas propostas afrontosas? A quem servem? Ou melhor, a quem interessam?

    A eles mesmos. É puro espetáculo para manter a retórica escandalosa e chamar atenção. Satisfaz a necessidade de sacudir os ânimos: uns no ataque, outros na defesa, e todos cumprindo seus papéis.

    Na prática, nada.

    Qual o sentido de juntar anistia a golpistas com semipresidencialismo? Primeiro, salva o pescoço dos golpistas; depois, corta fora. Tira a expectativa futura das disputas presidenciais? Anula os puxadores de votos nas eleições federais? E os governos estaduais, como ficariam? Um Executivo federal sem poder, mas com governadores estaduais fortalecidos?

    Pior: seria possível eleger um primeiro-ministro com, digamos, 200 mil votos? Quanto tempo duraria um arranjo mambembe desse tipo no Brasil? Nem uma semana.

    Ou seja, tudo não passa de show. Uma tentativa de parecerem mais fortes do que realmente são.

    Aliás, bem ao estilo Trump, que agora se lança como quem pretende governar o mundo, quando mal e porcamente tenta mandar no país que o elegeu.

    O estranho é entrarmos nessas discussões como se essa turma falasse sério.

    Nada disso. Eles não podem e não vão impor mudanças desse tipo, simplesmente porque não deixaremos. Ponto final.

    E se for o caso, um processo por crime de responsabilidade logo de cara cairia bem para confrontar presidentes de poder que não levam o cargo a sério. Talvez nem cheguemos a isso, mas vale mostrar que não é refresco para ninguém — nem para eles, nem para nós.

    Um pouco mais de seriedade deve ser cobrada, para garantir.

    Mais massa crítica e menos sustinhos da nossa parte.

  • Réquiem.

    fevereiro 7th, 2025

    Mais alguns dias e teremos o anúncio do fim do PSDB, partido nascido de uma dissidência autodenominada moderna e social-democrata, oriunda do MDB da época da ditadura militar, que agora retorna ao ninho. Ou não, caso opte pelo PSD de Kassab.

    A trajetória do partido está umbilicalmente ligada à Rede Globo, marcando a passagem desta de arauto da ditadura para símbolo de uma transição democrática “por cima”, sem a menor consideração pelas mazelas ou pelo reconhecimento do passado. O PSDB foi usado pela Globo e também a usou para sobreviver e eleger presidentes e governadores. A crise do partido nasce de uma absoluta falta de personalidade e de rumos claros entre seus líderes, que nunca conseguiram assimilar as derrotas para Lula e o PT — culminando na emblemática vitória de Dilma sobre Aécio, que jogou o partido no golpismo e preparou sua derrocada.

    Os verdadeiros sociais-democratas no Brasil seriam o PDT de Brizola, um partido mais desorganizado e muito dependente da figura do próprio Brizola, e o PT. Apesar de igualmente muito ligado a Lula, o PT soube conviver com dissidências e tendências internas que oxigenam o partido. O que faltou para Brizola sobra em Lula: a capacidade de assimilar essas divergências. Não que Brizola não soubesse agregar, mas ele o fazia de fora, sem tolerância para quem o contestasse internamente.

    O PSDB se afastou cada vez mais das ruas, das pautas e até da realidade, mantendo sua interlocução centrada na mídia — especialmente na Globo. Agora, parece que seu tempo chegou ao fim.

    A Globo também não é mais a mesma e já não consegue mais falar sozinha. Há outros concorrentes, muitos ainda piores, fomentando a extrema-direita, enquanto canais progressistas combatem as mentiras, mostrando a realidade e limitando o alcance das manipulações tradicionais — algo que foi fatal para o PSDB.

    Essas manipulações, antes sutis, hoje se tornaram extremadas e deslavadas. Não que o PSDB não tivesse apetite por esse tipo de prática — o caso do “atentado” com a bolinha de papel contra Serra foi um precursor das fake news —, mas o partido encontrou o extremo ocupado e perdeu, de vez, seu rumo.

    Não deixa saudades.

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  • 25 propostas de Haddad para 2025.

    fevereiro 5th, 2025

    Eis abaixo as 25 medidas da agenda econômica do governo Lula para 2025 e 2026:

    Política fiscal e justiça tributária

    • Fortalecimento do arcabouço fiscal, para assegurar expansão sustentável do PIB, desemprego e inflação baixos e estabilidade da dívida;
    • Início da implantação da reforma tributária sobre o consumo;
    • Regulamentação (projeto de lei complementar 108 de 2024) da reforma tributária: Lei de Gestão e Administração do IBS, Fundos e Imposto Seletivo;
    • Reforma tributária sobre a renda com isenção para quem ganha até R$ 5 mil e tributação sobre milionários;
    • Limitação dos supersalários;
    • Reforma da previdência dos militares;
    • Projeto de lei da conformidade tributária e aduaneira, com valorização do bom contribuinte e responsabilização do devedor contumaz

    Ambiente de negócios

    • Nova Lei de Falências;
    • Fortalecimento da proteção a investidores no mercado de capitais;
    • Consolidação legal das infraestruturas do mercado financeiro;
    • Resolução bancária;
    • Mercado de crédito: execução extrajudicial, consignado do E-Social, uso de pagamentos eletrônicos como garantia para empresas e ampliação de garantias em operações de crédito (open asset);
    • Regulamentação econômica das big techs;
    • Modernização do marco legal de preços de medicamentos;
    • Pé-de-Meia: permissão ao aluno investir em poupança ou títulos do Tesouro;
    • Modernização do regime de concessão e permissões de prestação de serviços públicos e das parcerias público-privadas.

    Plano de Transformação Ecológica

    • Nova emissão de títulos sustentáveis, trazendo recursos ao Fundo Clima;
    • Avanço na implantação do mercado de carbono (governança e decreto regulamentador);
    • Novos leilões do EcoInvest;
    • Compra pública com conteúdo nacional e programa de desafios tecnológicos para a transformação ecológica;
    • Estruturação do Fundo Internacional de Florestas;
    • Conclusão da taxonomia sustentável brasileira;
    • Política de atração de datacenter e marco legal da inteligência artificial;
    • Plano Safra e Renovagro: aprimoramento dos critérios de sustentabilidade;
    • Concluir o índice de investimento sustentável nas BIP (Plataformas de Investimentos para a Transformação Ecológica no Brasil).

  • Proposta” ridícula e absurda “!

    fevereiro 5th, 2025

    Quem melhor definiu o resultado do encontro entre Netanyahu e Trump — e a declaração final de que os EUA assumiriam o controle da Faixa de Gaza, promovendo o deslocamento da população palestina para outros locais — foi o Hamas, ao dizer que a ideia era “ridícula e absurda”.

    Abrimos aqui um parêntese para situar a posição do Hamas em meio à turbulência que tem sido esse início de desgoverno Trump.

    Cada vez mais, estamos percebendo a retórica agressiva dessas figuras de extrema direita, primeiro como um discurso ensaiado e, segundo, como uma demonstração do que eles não são, não fazem e nem farão, simplesmente porque não são capazes.

    A retórica do choque serve para provocar comoção, ocupar a pauta e neutralizar respostas racionais diante de uma enxurrada de impropérios e propostas irrealizáveis. O que fazem é exatamente isso: paralisar a racionalidade e a objetividade, ocupando os meios de comunicação com debates inúteis, fantasias e delírios. Nada disso é para valer, nada é verdade. Não que eles não queiram — eles até querem —, mas não têm a força que dizem ter para realizar o que prometem.

    E aqui está a questão: eles não conseguem porque nós não deixamos. Não deixamos porque reagimos. Tudo o que tentam fazer é nos convencer de que não podemos reagir porque eles têm a força. Só que eles não têm, e sabem disso. Talvez nos falte a mesma convicção.

    Enquanto isso, ficamos nesse vai e vem de tarifas, de países a serem invadidos, de políticas públicas abandonadas e de leis e regulamentos jogados fora como se fossem imprestáveis. Quando, na verdade, o que é imprestável é a retórica vazia da destruição.

    Aqui no Brasil, a direita extremista é cada vez mais um mulambo, com nomes ventilados nas pesquisas que mais parecem candidatos a programas de auditório, sem o menor peso político verdadeiro.

    É evidente que sociedades bombardeadas por retórica fascista, como as nossas, estão fragilizadas e distantes de respostas eficazes para bloquear o acesso ao poder desse grupo. Mas o ponto é: eles também têm limites intransponíveis, mesmo quando alçados aos maiores cargos.

    Quanto mais gritam para dizer que não, mais importante é saber que sim, eles têm limites.

    As sociedades não estão indefesas. O melhor caminho é derrotá-los nas urnas, antes que um fato consumado os coloque no poder. Mas, mesmo no caso de uma derrota eleitoral — que não é o nosso caso para os próximos anos —, ninguém é obrigado a engolir as loucuras fascistas que tentam implantar.

    À luta.

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  • O Brasil dos brasileiros.

    fevereiro 5th, 2025

    A nova investida publicitária do governo provocou desconforto — tanto na esquerda quanto na direita — por motivos distintos.

    A direita porque alegou que o governo estaria provocando os EUA.
    A esquerda porque considerou o slogan excludente.

    O incômodo, a meu ver, prova a eficácia da ação, mostrando um início promissor do novo ministro da Comunicação. Muitas outras atitudes de membros do governo mudaram, inclusive o presidente Lula, que está de volta aos holofotes, com todos dando nome aos bois nas críticas à oposição.

    Aqui, gostaria de sublinhar que o objetivo da atual campanha é atingir o outro lado, não com provocações, mas usando a mesma linguagem à qual esse público foi habituado para entender mensagens, até então, restritas à comunicação da direita. Agora não. O incômodo mostrou que a campanha atingiu o alvo, obrigando-os a romper a estratégia de ignorar e evitando polêmicas que só fortalecem a visibilidade das iniciativas do governo.

    A esquerda, portanto, precisa entender que não foi o alvo dessa campanha. Nem a linguagem nem a mensagem foram feitas para esse público — como de fato não fizeram sentido para ele.

    Porque não era para fazer mesmo, tá ok?

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  • BC : “ em se confirmando”!

    fevereiro 5th, 2025

    O estilo da Ata do Copom não é dos melhores, mas a mensagem é clara: mais um aumento de 1% nas maiores taxas de juros do mundo só ocorrerá se o cenário negativo previsto em dezembro se confirmar em março, na próxima reunião do Banco Central.

    A atual ata do BC, que explica esse último aumento, não agradou. Não porque confirmou o aumento previsto em dezembro, ainda sob o comando de Campos Neto — na verdade, seria um total de 3%, escalonado entre dezembro, março e maio. O atual mandato de Galípolo parece indicar que essa alta subiu no telhado. O mercado finge que o aumento de março está consolidado e já direciona a discussão para maio, mantendo uma aparência de preocupação constante.

    Está escrito: se mantidas as condições.

    Quais?

    O principal motivo da histeria no fim do ano foi um suposto descalabro fiscal, que não só não ocorreu, como a previsão fiscal de dois anos atrás foi confirmada. O discurso alarmista do presidente anterior do Banco Central foi substituído pelo silêncio sóbrio do atual, que mantém a seriedade indispensável para uma função tão sensível quanto a de dirigir o banco dos bancos, responsável pela guarda e saúde da economia inflacionária dentro dos parâmetros definidos pelo Conselho Monetário Nacional.

    Sobriedade, seriedade, responsabilidade, compromisso. Tudo o que faltava na condução do Banco Central agora não falta mais. E para quem sabe ler, o dólar já não viaja mais para as estrelas.

    Reafirmo minha percepção sobre o BC em março: não vai subir mais 1%.

    Por quê? Porque o terrorismo retórico acabou, o dólar está caindo, a safra é generosa, os preços dos alimentos estão diminuindo e a previsão de chuvas está mais equilibrada.

    Os sinais de queda da inflação, em uma atividade econômica restrita pela sequência de notícias falsas, já apareceram. Espero uma recuperação no segundo semestre, com um Banco Central mais honesto em seus compromissos.

    Aqui e ali, os intérpretes da ata do Copom concordam com essa previsão, mas fingem que não, apenas para manter a pressão constante.

    Não afirmo que não haverá aumento da Selic em março, mas percebo que será menor que os 1% contratados pelo antigo comandante, já aposentado de seu papel alarmista.

    É isso. Aguardar para ver.

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  • Positivo e Operante.

    fevereiro 4th, 2025

    Mal terminou a votação que consagrou os novos líderes da Câmara e do Senado, respectivamente Hugo Motta e Davi Alcolumbre, e Lula recebeu ambos para uma reunião no Palácio do Planalto, em um encontro a três.

    Na saída, as declarações de Motta foram de que estaria “100% à disposição”, enquanto Alcolumbre afirmou que apoiaria “a agenda do governo”.

    Considerando que, dois anos atrás, na reeleição do presidente Lira, o discurso praticamente de posse foi de que votariam para implantar o semipresidencialismo, transformando Lula na “rainha da Inglaterra” brasileira…

    Considerando que as principais votações na Câmara e no Senado já ocorreram em 2024, restando agora finalizar a reforma tributária da renda, isentando do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil mensais…

    Considerando a pesquisa da Quaest desta segunda-feira, que coloca Lula liderando todos os cenários para a presidência em 2026, mesmo em um momento de ataques e recém-retornando de licença para tratar as consequências de sua queda, incluindo uma cirurgia…

    Penso que 2025 amanhece animado. A economia segue forte, as praias estavam lotados, agora as ruas de fevereiro também estão… Concluo que o mundo não acabou e que o Brasil segue seu caminho.

    Sigamos juntos.

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