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Blog do Franco

  • Brasil registra a maior redução da desigualdade social em anos, aponta estudo da FGV

    abril 23rd, 2025

    ‘Renda do trabalho dos mais pobres cresceu 10,7% em 2024, ritmo 50% maior do que o verificado entre os mais ricos, que também cresceu cerca de 6%.

    Houve prosperidade do trabalhador brasileiro, com 7,1% de crescimento. E uma redução da desigualdade que vale por 2,9 pontos no índice Gini, o que fez com que o bem-estar dos brasileiros crescesse a 10,2%.’

    ( Estudo FGV social, Marcelo Neri)

    O mesmo pesquisador, Marcelo Neri, observando os mesmos critérios e fontes em 2018, obteve resultados exatamente opostos: com maior concentração de renda e aumento da pobreza.

    O que nos obriga a refletir sobre os motivos — e o porquê — de nossa imprensa não divulgar, com o devido destaque e importância, resultados tão expressivos como os mais recentes.

    A resposta está na chamada “última década”, o período da sequência Temer e Bolsonaro. Porque, atualmente, não se pode comparar nenhum índice social com o desastre da dupla, sendo necessário sempre buscar dados na década anterior para se ter resultados tão negativos quanto os daquele período.

    É exatamente o que estamos vendo acontecer na Argentina e nos EUA atualmente, quando desastres sociais e solavancos irresponsáveis na condução econômica são tratados como “ajustes” — sem jamais dizer em cima de quem esses ajustes são feitos. Os resultados são apresentados sem crítica, sem contexto, recheados de intenções e com quase nenhum número da economia real, que segue piorando.

    O estudo da Fundação Getúlio Vargas destaca a importância do colchão social do Bolsa Família, da inserção dos beneficiários no mercado de trabalho — hoje caminhando para o pleno emprego — e da melhora no nível educacional como pilares da elevação da renda nacional.

    Ou seja, exatamente tudo ao contrário do que a imprensa oligárquica e seus porta-vozes costumam pregar — como agora, por exemplo, ao propor seis anos de congelamento do salário mínimo. Ignorar as melhorias nas condições de vida faz parte da estratégia de apagar boas políticas.

    Eu sempre desafio a comparação de números. Aos poucos estamos retornando aos patamares da “década” e deixando o período Temer-Bolsonaro para trás — um período em que todos os indicadores sociais retrocederam, e que só agora voltam a apresentar resultados positivos.

    Mais do que isso: os avanços atingem todas as faixas de renda, com destaque para os mais pobres, que mostram os melhores números. E aqui está a questão central: o que importa é reduzir a desigualdade no país mais desigual do mundo.

    O resto é conversa fiada e proteção de privilégios.

    A propósito: as pesquisas de opinião sumiram — o que sugere uma melhora na aprovação do presidente Lula e de seu governo.

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  • Bolsonarismo católico.

    abril 22nd, 2025

    Nos atos bolsonaristas, o microfone é evangélico, mas a força mobilizadora vem dos católicos.

    Rodrigo Toniol 

    Professor de antropologia da UFRJ, membro da Academia Brasileira de Ciências

    Ao contrário do que muitos imaginam, o bolsonarista que vai às ruas não é majoritariamente evangélico, mas católico. Segundo dados do Monitor Político, desde 7 de setembro de 2021 até o ato do último domingo (16), nota-se uma tendência clara nas manifestações bolsonaristas: a presença católica supera a evangélica e se consolida ao longo dos anos.

    Em 2021, a divisão era quase equilibrada. No ano seguinte, os católicos já representavam metade do público, enquanto os evangélicos encolhiam para um quarto. Desde então, essa predominância católica se mantém. No ato recente em Copacaba, no Rio de Janeiro, os manifestantes eram 45% católicos e 31% evangélicos.

  • Jornalismo declaratório e a falta de vergonha.

    abril 21st, 2025

    Assistir ao embate do presidente norte-americano com o presidente do Banco Central é até divertido. Porque nos lembra da batalha que Lula precisou travar com o bolsonarista Campos Neto, no nosso próprio Banco Central — enquanto toda a imprensa tradicional, firme e unida, condenava a atitude legítima de um governo eleito, insatisfeito com a condução econômica herdada de uma administração fracassada e derrotada nas urnas.

    Agora, com Trump, a história é outra: a mesma imprensa simplesmente informa, sem emitir juízo de valor, sem avaliar, sem opinar — apenas repete as palavras do presidente norte-americano. E tudo bem.

    Por aqui, foi tratado como um escândalo nacional a simples crítica de Lula ao Banco Central. Como se questionar uma política suicida fosse sinal de autoritarismo. Tinha que engolir calado.

    E o exemplo vale para quase toda a política econômica que Trump tenta impor, principalmente no enterro da ordem neoliberal globalizante — aquela que os próprios EUA criaram, sustentaram e promoveram por décadas. Agora, abandonam essa mesma lógica simplesmente porque não serve mais aos seus interesses.

    E veja bem: Trump não está errado em querer recuperar a indústria norte-americana, perdida para os países asiáticos durante a era da globalização que eles mesmos fomentaram. O problema está na forma: sem planejamento, sem negociação, na marra, e sem critérios. E quem vai pagar a conta serão os próprios americanos: com inflação e queda da atividade econômica.

    Essa instabilidade já provoca reflexos. O FMI acaba de revisar para baixo o crescimento global, sem saber ao certo como ou quanto as novas tarifas vão impactar as economias.

    No fundo, Trump legitima com suas palavras críticas históricas da esquerda mundial, que sempre denunciaram o desmonte da indústria local, o desemprego e os efeitos nocivos de abrir mão da proteção à economia nacional. Aqui no Brasil, essa crítica foi varrida da imprensa por anos, especialmente pelo PSDB e seus porta-vozes: a Globo, a GloboNews, a CBN, com seus economistas de um único viés, analistas de uma só visão, editores e jornalistas com a missão de repetir o mantra da globalização. Décadas de um discurso que agora eles mesmos jogam no lixo — e, junto com ele, a relevância do PSDB e da própria Globo.

    O PSDB deve anunciar seu fim nas próximas semanas. A Globo, por sua vez, vai definhando a olhos vistos, perdendo espaço para as novas mídias e alternativas de comunicação — inclusive, muitas delas progressistas.

    E com isso, a era do jornalismo declaratório vai morrendo. Morre porque muitas vezes se limitou a repetir discursos sem análise. E, quando passou a criticar, perdeu o equilíbrio. A credibilidade se esvai. E já vai tarde.

    Há quem diga que entramos na era da “sem-vergonhice”. Se for verdade, devemos à velha imprensa o pioneirismo.

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  • Queda livre do consumo…na Argentina.

    abril 18th, 2025
    "Em março, os gastos das famílias despencaram 5,4% em relação ao ano anterior, em comparação a março de 2024, quando já haviam caído 7,4%. Milei quebra recorde: nunca na história um presidente acumulou quase um ano e meio de vendas quebradas. O aumento inflacionário pós-desvalorização ameaça os números de curto prazo."

    Traduzi o primeiro parágrafo da matéria (link no final do texto, para quem quiser acompanhar). Estamos falando de 15 meses seguidos de queda no consumo na Argentina, como consequência direta do desmonte que eles chamam de “ajuste” — e que, segundo o próprio governo, já mostra sinais de sucesso. Mas a pergunta segue no ar: sucesso para quem?

    Nesta semana, o governo Milei conseguiu firmar novo acordo com o FMI, garantindo mais 20 bilhões de dólares para sobreviver mais alguns meses nessa ilusão. Depois, naturalmente, a conta cairá sobre o conjunto da sociedade. O empréstimo, como é comum nesse tipo de acordo, veio com as já conhecidas condições: mais recessão, mais cortes, uma desvalorização do peso de 10% — ainda considerada modesta, mas que pressiona ainda mais a inflação, que segue subindo.

    Além disso, o acordo oferece uma janela de oportunidade para quem apostou no governo Milei: os dólares disponíveis agora servem para proteger os investimentos mais arriscados de quem pode se salvar. E, no fim das contas, é para isso que servem esses empréstimos: garantir a fuga dos endinheirados enquanto a conta sobra, como sempre, para os mais pobres.

    Quinze meses de queda no consumo não é pouca coisa. A retórica estatística desmorona diante desse desastre e mostra a realidade por trás de números que vêm sendo divulgados por aí — números que falam em recuperação econômica, crescimento do PIB e até redução da miséria. Me pergunto: até que ponto as estatísticas desse governo são confiáveis, depois da publicação de um informe tão devastador?

    E, afinal de contas, não era para conter a inflação que tudo isso estava sendo feito? Para controlar os déficits, que só aumentam? Para reduzir a dívida, que não para de crescer?

    https://www.pagina12.com.ar/818742-el-cumpleanos-de-15-de-la-caida-del-consumo?utm_source=Página12+-+Socios+%28Unite+A+Página%7C12%29+2024&utm_campaign=8a661b205a-EMAIL_CAMPAIGN_2025_04_17_03_06&utm_medium=email&utm_term=0_-8a661b205a-452919008

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  • China compra super volume de soja brasileira em apenas 4 dias

    abril 17th, 2025

    “Uma quantidade atípica de soja brasileira foi comprada pela China nos primeiros dias desta semana em meio à escalada das tensões comerciais entre o gigante asiático e os Estados Unidos, mostra reportagem da Bloomberg. 

    Ao menos 40 cargas do grão foram adquiridas, o equivalente a mais de 2,4 milhões de toneladas – quase um terço do volume médio que os chineses costumam processar por mês – com entregas programadas, em sua maioria, para maio, junho e julho.” ( Canal Rural.com.br)

    O fato reflete as primeiras consequências da guerra econômica entre EUA e China. O que, à primeira vista, parece ser uma boa notícia e oportunidade — e, de fato, é no momento — pode se transformar em um problema mundial em pouco tempo. Afinal, não é possível imaginar um cenário positivo quando as maiores potências mundiais entram em conflito. Mais ainda: será que essa disputa permanecerá apenas no campo econômico ou avançará para o bélico?​

    Enquanto o pior ainda não se vislumbra, algumas observações são importantes no que diz respeito à posição do Brasil e dos EUA no agronegócio mundial. A decisão chinesa de substituir parte de suas encomendas de soja evidencia as posições: Brasil e EUA são concorrentes não apenas em soja, mas também em carne, algodão e milho. O Brasil não concorre em setores tecnológicos e de serviços, mas no agronegócio, sim. O mesmo ocorre com a Argentina e os EUA. É bom frisar esse ponto porque Trump e seus enviados já estão na Argentina cobrando o afastamento do país dos chineses, até agora sem propor nada em troca, senão subserviência. A cobrança deve chegar ao Brasil, afinal somos, segundo o velho pensamento dos EUA, e agora revivido, o quintal e nada mais.​

    Por enquanto, as vendas de soja e outros produtos do agronegócio devem levar vantagem — e sem afetar o preço das commodities em ambiente de crise mundial, pois há tendência de queda. Mas, no momento seguinte, pode desandar por política agressiva dos EUA conosco, sem falar no risco de quebra de cadeia de suprimentos e inflação de volta nas commodities, como vimos durante a pandemia e até hoje ainda em processo de recuperação.​

    Concluindo, em um mundo conflagrado, é bom saber que ninguém leva vantagem, e os pequenos e médios países sofrem ainda mais.​

    Entramos em um momento delicado e incerto.

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  • O Bolsa Família é culpado pela dificuldade das empresas em contratar?

    abril 16th, 2025

    O Bolsa Família é culpado pela dificuldade das empresas em contratar?

    Nada a acrescentar aqui, leia o texto no link abaixo.

    https://www.bbc.com/portuguese/articles/cj45n2qzrkqo

  • Escapando da prisão?

    abril 16th, 2025

    É curioso observar uma certa alegria na cara deslavada do ex-presidente que acaba de sair de uma cirurgia de 12 horas de duração.

    Também chama atenção a diferença de estratégias entre a esposa e o filho responsável pelas redes sociais. Enquanto a esposa afirma que Jair ficará na UTI apenas por um dia, o filho diz que não há previsão de alta. E, nesse caso, o filho falou a verdade.

    Seguindo a linha do filho, o pai divulgou um vídeo chocante, com detalhes da operação, assumindo mais uma vez o papel da maior vítima de injustiças do mundo.

    Enquanto uma tenta vender a imagem do super-homem, o outro mantém a tradicional estratégia da vitimização. Os motivos do filho são evidentes. Os da esposa, salvo por ignorância total, me escapam. Mas o pai é o pai.

    A alegria, no entanto, tem endereço certo: daqui em diante, laudos, pareceres e exames não faltarão para afirmar, reafirmar e carimbar que Jair Bolsonaro não pode ficar numa prisão, mas deve cumprir eventual pena em casa. E também não faltarão profissionais dispostos a assinar essas conclusões.

    Mas, sinceramente, isso é o de menos. O que importa mesmo são os julgamentos que se aproximam — inéditos e imprescindíveis — envolvendo militares das mais altas patentes e civis, todos acusados de tentativa de golpe de Estado. Isso sim é uma questão fundamental para o nosso presente e para o nosso futuro.

    Se Bolsonaro cumprir pena em casa, será, sim, uma frustração. Penso o mesmo. Mas, se for condenado pela tentativa de golpe, junto com os demais réus, já será um marco histórico. Um consolo importante, e uma resposta firme do Estado Democrático de Direito.

    Se ele vai para casa ou para a cadeia? Não cabe a mim decidir. Isso é questão para médicos e suas consciências, e para juízes que, ao que tudo indica, não estão para brincadeira.

    Fica a lição para todos que pensarem em colocar em risco a sorte deles — e a nossa — com golpes de Estado, atentados e terrorismo.

    É esperar para ver

  • Salário mínimo seis anos congelados. Mais seis?

    abril 15th, 2025

    “O problema fiscal está diretamente associado à taxa básica de juros,uma das mais altas do planeta. Cada ponto percentual da Selic representa dezenas de bilhões a mais transferidos para os rentistas em um sistema que alimenta a concentração de renda e drena o Estado”

    “ O fato é que o congelamento em termos reais do salário mínimo não parece ser capaz, isoladamente, de encaminhar o reequilíbrio das contas públicas. O salário mínimo só foi reajustado pela inflação de 2017 a 2022, ao longo dos governos Temer e Bolsonaro, sem que tenha sido capaz de estancar o avanço da dívida pública.

    Nesse período, a dívida pública bruta saiu de 74% do PIB, em 2017, para 71,7% em 2022, com pico de 86,9%, em 2020, ano do ápice da pandemia, e chegando a 77% do PIB, em 2021. Com reajustes reais do mínimo — e elevação nas taxas básicas de juros (taxa Selic) –, retomados por Lula em seu terceiro mandato, a dívida bruta subiu para 76%, em 2024.”

    Mas é a solução proposta pelo economista ( na verdade o banqueiro) Arminio Fraga, tucano ( o que ainda é isso?) de quatro costados, congelar o salário mínimo por seis anos. Lembrando que entre aqueles que disputam a autoria das maiores taxas selic da história mundial, Arminio está entre os campeões. Quem esquece os 20% de juros reais anuais, para fracassar no combate à inflação? Pois essa foi a política do economista Arminio, depois transformado em banqueiro bilionário a exemplo de vários de seus pares.

    E ainda folgueis por aí, um arauto do fracasso economico e da disposição sempre renovada de transferir o custo do estado para os mais pobres, exatamente quando estamos discutindo IR sobre rendas elevadas e no breve futuro imposto sobre dividendos e coisas que tal. Não por acaso volta para assombrar e propor as mesmas discussões que transformaram o Brasil no país mais desigual e injusto socialmente do mundo, exatamente por causa de políticas e propostas assim.

    ( O primeiro parágrafo copiei do Attuch do 247 l, o segundo e terceiro do Kupfer do UOL. A conclusão é minha)

  • Fraude eleitoral no Equador.

    abril 14th, 2025

    Acima, a boca de urna no dia da votação em segundo turno.

    Todas as preocupações sobre tentativas de fraude no segundo turno da eleição no Equador — disputado entre o extremista Daniel Noboa e a candidata do correísmo, Luiza Gonzales — se concretizaram. E a fraude venceu.

    Em nota, a oposição denunciou, ainda no dia da eleição e antes da divulgação dos resultados, um conjunto grave de irregularidades. São seis pontos principais:

    1. Mudanças de última hora em 18 locais de votação;
    2. Uso abusivo de cadeias nacionais durante o período de silêncio eleitoral;
    3. Proibição da entrada de observadores internacionais;
    4. Uso da máquina pública com fins eleitorais;
    5. Estado de exceção em sete províncias onde Noboa teve baixo desempenho;
    6. Exclusão da votação de equatorianos na Venezuela.

    Milhares de eleitores foram impedidos de votar, e a candidata da oposição obteve, no segundo turno, menos votos do que no primeiro — mesmo com as pesquisas indicando vitória de Luiza Gonzales. O resultado final apontou uma diferença de 11 pontos para Noboa. A oposição não reconheceu o resultado e exige recontagem dos votos e abertura das urnas.

    Mais uma vez, a democracia amarga um golpe travestido de processo eleitoral. E não se trata apenas de uma questão localizada ou de um problema do sul global. O que está em marcha é uma ofensiva extremista e antidemocrática, que se espalha pelo mundo e conquista vitórias não pela força do voto legítimo, mas pela manipulação de regras, uso do aparato estatal e sabotagem da vontade popular.

    Ou Bolsonaro não tentou? Trump não tentou?

    Em países menores como o Equador, com instituições mais frágeis e vulneráveis à pressão autoritária, a intimidação e o controle são ainda mais difíceis de conter. O resultado está aí, e sem nenhuma perspectiva de reversão.

    Pior: a decisão já lança o país no limbo político e institucional, obrigando a busca de alinhamento automático com os EUA de Trump. Um exemplo simbólico disso é a autorização prévia da instalação de uma base militar estrangeira no país — em violação direta à constituição equatoriana, que corre o risco de ser simplesmente rasgada nas próximas semanas.

    A democracia e as eleições livres estão se tornando artigos raros no mundo. A extrema direita avança, atropela a lei e, como neste caso, impõe resultados na marra, à revelia da maioria.

    Resta aguardar a posição do Brasil. Mas, a exemplo do que ocorreu no caso da Venezuela, é pouco provável que o governo brasileiro reconheça o resultado como legítimo. E assim vamos somando mais um foco de instabilidade e ruptura no nosso continente.

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  • PIB em crescimento moderado, inflação sob controle e câmbio maluco: e ai?

    abril 11th, 2025

    Fevereiro mostrou sinais positivos com a recuperação nos índices de crescimento dos setores de serviços e varejo. O primeiro vinha de três quedas mensais seguidas, e o segundo de quatro. A retomada de ambos foi importante — e, para variar, inesperada.

    A previsão do governo para o crescimento do PIB em 2025 segue em 2,4%, acima de todas as demais previsões que acompanhei. E isso, mais uma vez, cumprindo a meta fiscal do ano.

    Mas uma questão importante vem me incomodando: com o país crescendo num ritmo razoável — dentro dos níveis ideais apontados pelos modelos mais conservadores, para não pressionar a inflação — a discussão sobre os juros altos volta à pauta. O argumento atual é que eles servem para conter a inflação vinda do câmbio, não da demanda interna.

    Só que o mercado cambial está completamente alucinado, oscilando de maneira extrema, sem nenhum critério previsível. A política monetária anterior parece ter perdido o efeito. Até mesmo o princípio de prevenção já não faz tanto sentido — estamos diante de um novo tipo de problema, que exige novas respostas.

    O aumento dos juros no fim de dezembro até agora teve o claro objetivo de conter o câmbio — o que, por sua vez, provocou aumento no déficit e na dívida pública, que já se aproxima de 80% do PIB. E pior: continua crescendo acima da nossa capacidade de absorção no médio prazo. Ou seja, a trajetória da dívida pública, com os atuais níveis de Selic, é um problema sério e crescente.

    A necessidade de juros altos surgiu no contexto de uma inflação cambial. E agora, mais do que nunca, precisamos avaliar se a Selic está surtindo o efeito desejado — e, no momento, certamente não está. Talvez nem venha a surtir. Se for assim, o peso do crescimento da dívida pública passa a ser, na minha opinião, um fator mais relevante que o próprio câmbio.

    Está cada vez mais difícil pensar em cenários consistentes quando tudo muda da manhã para a tarde. Se o caos constante virou o novo normal, qual é a saída?

    Claro, quem conduz a política monetária precisa agir com cautela e responsabilidade. Mas insistir em velhas fórmulas, sem dialogar com as novas demandas, pode não ser suficiente para assegurar resultados. O câmbio voltou a ficar descontrolado, mesmo com uma Selic altíssima. A dívida pública segue uma trajetória insustentável. O resultado: uma política de combate à inflação ineficaz — a um custo insuportável.

    Se não estamos diante de um novo mundo, no mínimo enfrentamos uma crise longa, de duração incerta. E as respostas não podem continuar sendo sempre as mesmas.

    É urgente abrir o debate. Pensar. Discutir. Gerar ideias. Não necessariamente para aplicá-las imediatamente, mas para preparar saídas para um momento que pode se prolongar e comprometer todo o esforço feito até agora.

    (Sem contar que ninguém parece considerar nos cálculos a indexação ainda presente em muitos contratos, taxas e impostos — uma herança que o Brasil ainda carrega e que precisa ser enfrentada para nos livrarmos, de fato, da inflação.)

    Mãos à obra

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