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Blog do Franco

  • Para além de PIB temos melhora na distribuição da renda.

    maio 16th, 2025

    Chegamos praticamente no meio de 2025 e estamos convivendo com o mesmo dilema da taxa de juros desde o final de 2024, com pouca coisa mudando, considerando o esforço com taxas exorbitantes.

    Rever a meta de 3%, claramente inviável para um país como o nosso, que precisa crescer, nem aparece mais no horizonte das discussões. A tentativa de alongar o período a ser observado é um paliativo que serve mais para acomodar expectativas do que realizar o milagre do enquadramento da inflação no nível almejado.

    Enquanto isso, vamos acumulando bilhões em dívidas, o que é insuportável.

    Haddad anda falando em crescimento de 2,5% em 2025, um número razoável, e a previsão para 2026 volta aos 3%.

    O que estamos percebendo é que, além do crescimento moderado, alguma distribuição de renda está acontecendo — essa sim, uma conquista praticamente exclusiva das administrações petistas na nossa sofrida história. Feito que encontra pouco espaço de divulgação, mas é marca exclusiva do PT e do Lula, porque crescimento do PIB tivemos em outros períodos da nossa história, inclusive na ditadura, mas nunca com distribuição de renda. O moto da ditadura era que o bolo precisava crescer para depois distribuir e, se dependesse deles ou da turma de sempre, o bolo estaria sem distribuir até hoje, não importando o quanto tivesse crescido.

    Diria até que importa mais distribuir a riqueza do que crescer a qualquer custo.

    Estamos condescendendo com o Banco Central há meses, na esperança de que, no momento seguinte, a coisa tome outro rumo, porque, sem dúvidas, o cenário futuro dos juros está se ajustando em níveis menores, próximos de 13%, e pode cair muito mais. Apesar da previsão de mais 0,25% no próximo Copom — quando aí sim deve iniciar o período de espera sem alterações na taxa.

    Contar com exterior racional e sem “incertezas”, como gostam de citar nas atas, é ilusão. A coisa lá fora vai seguir confusa, porque confuso é o timoneiro da maior economia do mundo.

    Mas muita coisa por aqui podia ser feita, como, por exemplo, desarmar a especulação com dólar futuro — coisa que não vimos nada acontecer ainda. Alguma coisa sobre acordo com o Banco Central chinês sobre swap para conter especulação foi assinada, mas ainda não foi inteiramente compreendido como vai funcionar. O anúncio do acordo destacou o objetivo de conter especulação, e vamos tentar entender melhor como vai funcionar.

    O caminho é esse, porque nossa inflação de serviços está em queda — ainda resiliente, mas em queda — e a inflação do dólar também.

    Então, para os próximos meses, é segurar mais o câmbio do que sacrificar mais os serviços, comprometendo o crescimento geral, até que outros mecanismos de controle inflacionário ou a discussão sobre a meta reapareçam.

    Enquanto isso, vamos valorizando o crescimento do salário médio e a queda do desemprego, além de apoiar o fim da escala 6×1, onde uma mexida pontual pode sim fazer diferença.

    PS.: Para surpresa nossa, assim que escrevi esse Post saiu a notícia que o FED nos EUA vai iniciar discussão para avaliar as metas de inflação e emprego, que utilizam para suas decisões. Não tenho pedido nada além da mesma coisa aqui no Brasil. Quem sabe o nosso BC agora copia alguma coisa que presta?

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  • Matar meio mundo.

    maio 16th, 2025

    Ontem ouvimos o áudio do agente da PF Wladimir Soares, onde afirma fazer parte de grupo armado e pronto para matar os ministros do STF — ministro Moraes à frente — e mais “meio mundo” que aparecesse na sua frente. Mas Bolsonaro deu para trás porque os generais se venderam para o PT, seguiu dizendo.

    Mais uma besta-fera capturada nos seus delírios assassinos, que ninguém duvida que poderiam ter se tornado realidade, quando o golpe, entranhado sobretudo nas forças policiais do Estado e em alguma coisa não muito definida nos grupos armados de “calcs”, liberaria a violência política e a perseguição contra os alvos — e contra qualquer um que se colocasse à frente deles.

    Um dos argumentos da defesa dos golpistas é exatamente afirmar que não haviam armas envolvidas nas suas tramas e que, portanto, não havia, nas suas conversas, risco de golpe, porque não envolviam efetivamente a violência necessária para concretizar. Áudios como esse último, e outros de ações canceladas no último momento — até por motivos fortuitos — não deixam dúvidas de que estavam prontos e dispostos a tudo, mas faltou o estopim para acontecer.

    Se lembramos de 1964, o início do golpe se deu meio na avacalhação, com o general Olímpio Mourão — o “vaca sagrada” — saindo com suas tropas loucamente nas estradas e, por sua atitude irresponsável, desencadeou o motim militar que acabou por afetar o presidente Goulart. A reação de Goulart, em não reagir e sair do país, selou a sorte na ocasião. Preferiu evitar derramamento de sangue e planos alucinados de dividir o país.

    Não é o caso da situação atual, quando, apesar de pipocarem alguns estalos de golpe — tipo tentativa de bombas no aeroporto, derrubada de torres de transmissão e o ataque aos poderes em Brasília — a coisa não estourou porque, além de tudo, era uma trupe de bufões e covardes que estava à frente do plano.

    Tanto que estão aí todos com o rabo entre as pernas e esperando a cadeia.

    Falar em anistia seria estimular uma próxima tentativa em breve, e, apesar das decisões na Câmara com maioria de 300 votos, o que se faz ali nem é exatamente proteger os golpistas, mas a si mesmos. Os golpistas vão a reboque.

  • O bufão.

    maio 13th, 2025

    O gráfico que ilustra o post mostra a condução errática da relação comercial dos EUA com a China e a marcha das tarifas.

    A imprensa internacional já desistiu de tentar encontrar sentido ou método na aplicação das tarifas, com tudo funcionando na base da improvisação. Uma negociação de buteco entre bêbados, se me entendem.

    A última decisão é de protelar por 90 dias as altas tarifas e aplicar uma de 30% sobre produtos chineses comprados pelos EUA. Não vai fazer diferença nenhuma — e muito menos aumentar arrecadação. Somente o aumento de custo para consumidores é certo.

    Se tal política tivesse intenções futuras no sentido de fomentar o setor industrial interno, Trump poderia utilizar as tarifas para estimular seus empresários a investir e substituir importações. Alguém entende ser possível fazer planejamento nessa confusão de vai e vem que ele promove? E abrir fábricas para substituir produtos chineses, muito menos. Até procurar um outro fornecedor fora da China, em um país menos visado pelas tarifas, é arriscado: de um dia para o outro, a coisa vira do avesso e qualquer previsibilidade é impossível.

    Não tem a menor possibilidade de dar certo.

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  • Meditação.

    maio 13th, 2025

    O mordomo de vampiro conhecido como Michael Temer anda dizendo por aí que está organizando a terceira via, sugerindo a Lula meditar se convém disputar a reeleição, e usando os governadores sem direito à reeleição — Ratinho, Zema e Caiado — como iscas.

    Quem eles querem mesmo é o Tarcísio. Como esse pode tentar reeleição, onde parece ser favorito, faz cálculos, até onde se sabe, para o pós-Lula.

    Mas Temer tenta se reerguer depois do golpe contra Dilma, e tenta a tal terceira via porque sabe que garante apoio da mídia corporativa, mesmo ninguém acreditando em nada.

    Verdade que Bolsonaro já era, e brigar por seu testamento é o que resta pra turma fazer. Problema é que ele não vai largar o osso e, quando for obrigado, vai entregar pra alguém da família — e olhe lá. Então, esperar até o fim do ano quando a prisão acontecer, pode ser fatal para pretensões presidenciais de terceiros, ainda mais enfrentando o Lula, e tentam de tudo para antecipar a substituição.

    Provavelmente vão ficar nessa, empacados e tentando ouvir conselho de vampiro aposentado — o que não deixa de ser uma imagem da situação da turma.

    O governador do Rio Grande do Sul trocou o PSDB pelo PSD e deve vir candidato a presidente também, para ser mais um figurante na disputa.

    Convenhamos que dar bola para Temer é perder tempo — e me desculpem os eventuais leitores.

  • A herança dos liberais para o Brasil.

    maio 12th, 2025

    Em uma conversa com amigo de mesma idade e testemunha dos anos FHC, me admirei porque ele — bem informado — não lembrava da capa da Veja e do homem calango, vítimas dos planos econômicos de então e obrigados a comer lagartos para sobreviver.

    Por isso, achei bom deixar registrado aqui entre nós a manchete do horror mais recente, onde a administração dita liberal da economia brasileira deixa suas marcas de destruição e fome.

    É interessante refletir sobre esses gênios da administração pública, nesses tempos em que todas as teorias liberais e a globalização defendida por décadas foram jogadas no lixo com as decisões cada vez mais cambaleantes do ícone maior do capitalismo liberal mundial, que são os EUA.

    Se, por um lado, as loucuras de Trump desmoralizam os liberais no mundo e suas pregações, os efeitos de empobrecimento e anulação de renda permanecem os mesmos, porque são, sem as teorias furadas e as planilhas falsificadas, o único e verdadeiro alvo dessa gente e de seus ensinamentos e práticas: garantir o butim e manter a patuleia ocupada com baboseiras que a imprensa corporativa fornece sem nenhum contexto ou avaliação crítica das decisões erráticas e contraditórias tomadas ano após ano.

    Ou seja, mudam para permanecerem os mesmos e colherem seus interesses, sempre.

    E nós precisamos sempre nos lembrar de quem eles são e das variadas formas que manipulam para manterem as coisas sempre desequilibradas ao próprio favor.

  • Viagem condenada…cumã?

    maio 12th, 2025

    Seguindo sempre no mesmo diapasão, a imprensa corporativa condenou a ida do presidente Lula a Moscou, para participar da comemoração dos 80 anos da derrota nazista pelo Exército Vermelho.

    Curioso foi o argumento, ao afirmarem estar nosso presidente prestigiando ditadores.

    Inverter valores tem sido a principal estratégia da direita mundial: acusar os adversários daquilo que fazem. E quem levou essa prática a níveis institucionais foram exatamente os nazistas, com seu aparato de comunicação estatal.

    Porque entre nosso presidente Lula, conhecido por ser um dos maiores adversários da ditadura militar no Brasil, e os proprietários da imprensa que o ataca, conhecidos por apoiarem por todos os meios a ditadura brasileira — inclusive materialmente, além do apoio editorial engajado —, fica a certeza de que esses não respeitam a história, nem a nacional e menos ainda a mundial. Porque a comemoração da memória da derrota nazista é uma conquista mundial que todos deveriam agradecer e reconhecer, e diferenciar, entre nós brasileiros, quem apoia ditadura e quem não apoia e nunca apoiou deveria ser uma obrigação e exercício básico de honestidade.

    Coisa que essa gente passa longe.

    Então, os ditadores são aqueles que não acompanham o modo ocidental de ser, quem, por sua história própria, desenvolveu suas práticas políticas de maneira distinta. Sem aqui afirmar uma posição pessoal, apenas reconhecendo o tempo histórico de cada povo e a legitimidade institucional de cada realidade distinta, sem poder apontar um único caminho.

    Até porque não é disso que tratamos com nossos editoriais do PIG, porque até Bolsonaro engoliram com gosto — e nunca foi seu pendor autoritário motivo de condenação por eles. Como, aliás, repetem em tempos de Trump, cada vez mais empenhado em rasgar os direitos civis e constitucionais nos EUA, sob o silêncio de todos eles.

    Então ficamos assim: entre nazistas e russos, ficamos com os últimos; entre os “democratas” da grande mídia e Lula, ficamos com o sapo barbudo.

    E eles que se cocem.

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  • Voo de galinha dos golpistas.

    maio 9th, 2025

    Era previsível que o futuro da lei aprovada de forma expressa nessa última quarta-feira na Câmara dos Deputados, trancando o andamento dos processos contra os golpistas, não seria longevo.

    Mas não durou 48 horas, e hoje o STF enterra a manobra, com a Primeira Turma devidamente convocada pelo presidente Zanin após pedido do ministro Moraes, para uma sessão tão expressa quanto foi a que aprovou a Câmara.

    Fizemos algumas considerações anteriores sobre os motivos da iniciativa parlamentar e a participação do presidente da Casa, Hugo Motta. Esquecemos de citar o afastamento do deputado Gilvan da Federal por falta de decoro por iniciativa do próprio Motta. Então, tem também na votação expressa de quarta uma compensação para os bolsonaristas diretamente atingidos e intimidados com a punição ao tresloucado deputado capixaba.

    O número de 300 deputados aprovando a matéria, completamente ilegal, de trancar ação penal e de tamanha gravidade, deve ser colocado nessa perspectiva. Se, por um lado, é uma afronta do Legislativo em sua maioria, por outro, tem diversas camadas — e uma delas deixa claro a manobra política de compensar, satisfazer instintos primitivos, provocar, ameaçar, sendo o número 300 não indicativo de coisa alguma, mas prova da enorme capacidade de trabalho e competência do governo em navegar por mares tão turbulentos.

    Vida que segue e página virada, choros e ranger de dentes fazem parte do show. De horrores dos fascistas.

    Que a cada dia perde mais sua eficácia.

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  • O apoio à anistia acabou, apesar da Câmara.

    maio 8th, 2025

    Enquanto Bolsonaro tentava sustentar o apoio à anistia dos golpistas nas ruas, em mais uma manifestação — dessa vez em Brasília e novamente fracassada —, a Câmara aprovava, a toque de caixa, um projeto meia-boca e combinado com o STF que preserva prerrogativas de deputados no exercício do mandato em investigações criminais, e a necessidade de liberação parlamentar prévia.

    O fato de terem deixado a coisa solta no que foi aprovado ontem — dando margem para inclusão de todos os golpistas, inclusive Bolsonaro — e sob a falsa intenção de salvar o deputado Ramagem (acusado de crimes cometidos antes de assumir o mandato e, portanto, não incluído na lei que preserva deputados em exercício), foi mais uma daquelas presepadas sem futuro, todas visando efeitos eleitorais e a excitação do gado deprimido. Como mostrou a fraca manifestação em Brasília ontem, mais uma vez, com sua parca audiência de 4 mil testemunhas.

    É verdade que a aprovação de ontem, de projeto com esse teor — que suspenderia o processo em andamento contra Ramagem, acusado, entre tantos outros, de tentativa de golpe de Estado — é uma afronta ao STF e uma provocação. Dessa vez (ou novamente), em torno da disputa das emendas secretas que insistem em manter, enquanto decisões do ministro Dino vão impedindo, para trazer a devida transparência e honestidade a essa prática bilionária.

    Foi mais um round, sem maiores consequências, senão a troca de chumbo — e todos os envolvidos, de certa forma, saem com alguma coisa nas mãos.

    A Câmara, porque diz reafirmar seu espaço de poder; agrada à parcela bolsonarista que vai bater bumbo por mais algumas semanas, enquanto aguarda a cadeia do ex-chefe. O STF, que não muda uma vírgula no andamento dos processos. E o governo, que, apesar de lhe atribuírem derrota nesse tipo de coisa, não tem nada com isso e não está nem aí. Reage por reagir, até para manter o apoio ao STF, que a ala bolsonarista da Câmara quer enfrentar.

    Segue tudo na mesma, apesar da gritaria. Na Câmara, digo — porque nas ruas a coisa desandou de vez para os fascistas.

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  • O dia da vitória: 8 de maio.

    maio 8th, 2025

    Apesar dos incontáveis filmes de guerras que produziram e continuam produzindo, quem comemora os 80 anos da vitória sobre os nazistas são os russos. Os EUA e a OTAN — que, aliás, inclui a Alemanha derrotada pelo Exército Vermelho — ficam de fora das comemorações e meio sem jeito com o fato histórico incontestável: quem derrotou os nazistas foram os russos.

    Os EUA ganharam a guerra no Pacífico, contra os japoneses, e com bombas nucleares.

    O presidente Lula está lá na Rússia participando dos festejos. O momento no mundo é fundamental: reafirmar a luta e a vitória contra fascismos do tipo nazista. Depois, segue para encontros na China. Talvez a viagem mais importante da longa história diplomática ativa e altiva do nosso presidente.

    Aprofundar a unidade dos BRICS, romper o cerco à Rússia e ainda reafirmar compromissos com os chineses é tudo que o Brasil precisa fazer, enquanto ouve, da parte dos EUA de Trump, que a América Latina deve voltar a ser o seu quintal.

    Sim, porque já foi.

    É preciso lembrar que o Brasil do Lula não força a barra de maneira imprudente e unilateral. Alimenta negociações com os EUA — Haddad esteve essa semana negociando tarifas com o secretário norte-americano — e insiste no acordo Mercosul–Europa. Ou seja, não promove questões ideológicas que travem as negociações, mas reafirma o interesse brasileiro no comércio mundial plural e o mais amplo possível.

    Por isso, o Brasil segue progredindo, apesar de tantas dificuldades no mundo, longe de colher bons resultados “por sorte”.

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  • Invadir e conquistar.

    maio 7th, 2025

    Esqueça as 12 tribos, o povo de Israel — o de 3 mil anos atrás e não o atual — foi formado por cananeus, abraamitas e tribos árabes, no processo natural e comum a todos os povos do mundo: miscigenados.

    No período identificado pelo reinado de Salomão, atribuem domínio territorial que mais ou menos pretendem atualmente reconstituir, ignorando que a faixa litorânea dos filisteus, que hoje conhecemos como Palestina, nunca foi parte desse território mítico.

    Mas seguimos na história.

    O território pós-Salomão foi dividido em dois, com Israel ao norte e Judéia ao sul. Com a invasão de Israel pela Babilônia e a consequente destruição do chamado Reino do Norte, um grande contingente fugiu para o sul, na Judéia, dando início a um grande amálgama de tradições religiosas distintas que foram devidamente fundidas no Antigo Testamento, sem apagar os vestígios desse processo inteiramente — apesar das tentativas.

    Mas Babilônia cai para os Persas e, dessa vez, a Judéia foi conquistada e sua elite política, econômica e religiosa levada para o exílio. O retorno, décadas depois, trouxe consigo as ideias que encerraram o período dos reis e inauguraram o domínio dos sacerdotes, que concentraram a prática religiosa no Templo de Jerusalém, dominaram os camponeses e implantaram o monoteísmo que, até então, não existia nem por lá e nem em lugar nenhum.

    Depois vieram os gregos, e depois os romanos, os mestres no tempo da aparição de Jesus.

    A destruição de Jerusalém pelos romanos, em 135 d.C., não foi um novo êxodo, em hipótese nenhuma. Atingiu somente a cidade-estado de Jerusalém e seu foco político rebelde situado no Templo. A Judéia como um todo não foi afetada e o êxodo judeu absoluto jamais ocorreu. E nem poderia, dadas as limitações da época.

    Imagine atualmente a quantidade de bombas que Israel joga sobre os palestinos — e sua imensa maioria permanece no local.

    Carroças de refugiados fugindo da destruição não poderiam, no ano de 135, fazer um serviço sequer próximo do atual. E mesmo assim, os palestinos ainda estão lá.

    A formação do atual povo de Israel e a criação do pais — onde nem todos são judeus, que é uma classificação de religião e não de etnia — remonta ao pós-Segunda Guerra Mundial, e é uma soma de poloneses, alemães, russos e outros da mesma região, atingidos pela destruição da Segunda Guerra.

    Então, de forma resumida, tento mostrar que os palestinos que estão sendo destruídos são, na realidade, o povo que permaneceu na região nos últimos milênios — evidentemente no mesmo padrão de miscigenação ao longo de sua história.

    Mas, comparados com os que se dizem herdeiros da terra, são infinitamente mais autênticos — até fisicamente — do que estrangeiros loiros recém-chegados do norte da Europa, fugindo da miséria.

    A tragédia da Palestina atual é uma farsa moderna e um ode à hipocrisia humana, encoberta por mentiras messiânicas aproveitadas por interesses seculares e políticos — inclusive por pessoas que não acreditam em um milímetro dessas promessas bíblicas ou da Torá.

    Não tenho um objetivo com esse texto, só faço um apanhado de memória para quem quiser aprofundar.

    Quanto aos palestinos, não tenho mais nem palavras, nem lágrimas — e a indignação nada tem resolvido.

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