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Blog do Franco

  • Virando a página dos juros?

    maio 28th, 2025

    Vocês são testemunhas do quanto combati a alta seguida de juros no Brasil, iniciadas ainda na administração do Banco Central nas mãos do bolsonarista Campos Neto e mantida integralmente com o atual presidente Gabriel Galípolo.

    Durante todo esse tempo, minha crítica não foi somente na falta de imaginação no combate à inflação do câmbio — a meu ver, a maior responsável pela inflação atual — porque o efeito sobre o dinamismo da economia era perigoso e poderia afetar nosso crescimento e arrecadação, níveis de emprego e renda, enfim, toda a cadeia de virtudes acumuladas nos dois primeiros anos do atual mandato do Lula. E um risco para sua reeleição contra os fascistas em 2026.

    Pois bem, apesar de tudo e até contra a vontade manifesta do BC— porque a privada a gente não sabe — a economia brasileira resistiu aos seguidos aumentos dos juros e o câmbio está reequilibrado, sobrevivendo às turbulências das maluquices dos EUA de Trump, e assim nossa inflação acompanha o movimento e também se mantém equilibrada, ambos com tendência de queda.

    Subitamente, após conhecermos o IPCA-15 de maio, comportado e abaixo das expectativas de números mais elevados, e melhor, com aumentos concentrados em energia e medicamentos que não se repetem, com os demais itens apurados mais comportados e em queda.

    E depois desse aumento do IOF, ainda sendo discutido no Congresso, ficamos sabendo de mais um instrumento de ajuste fiscal que pode trazer mais benefícios além de ajudar na arrecadação: substitui o aumento da Selic sem aumentar a dívida pública. Sim é restritivo, mas se a intenção é essa me parece menos danoso que juros.

    E esse tipo de medidas, digamos, fora da caixa, que estava tanto clamando. Não é possível que somente juros e mais juros sejam capazes de segurar câmbio e inflação no Brasil.

    Volto a pensar nos contratos indexados, a cobrança de impostos, aluguéis, etc… tudo indexado no Brasil e, em algum momento, vamos precisar tratar disso.

    E, me parece, que o pior passou. A curva de juros futuros estacionou e está em queda, a inflação acomodando para 5% ao ano, talvez menos, câmbio entre 5,6 e 5,7, PIB sendo revisado para cima e economia funcionando sem pressões e reagindo a tudo positivamente.

    Então, o Banco Central está passando na prova. Se de fato as previsões vingarem como os novos humores indicam, podemos entrar 2026 com tudo alinhado — inclusive para a queda das taxas de juros. O que daria a Galípolo a razão de ter aguentado até aqui todas as críticas. Mas, mantenho aquelas que cobram outros instrumentos no combate à inflação, senão através dos juros. Mas vamos ver como segue o ano e o próximo. De certa forma, a coisa mudou de lado e podemos estar próximos de uma virada positiva.

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  • Tiro no pé.

    maio 27th, 2025

    É o nome técnico usado para descrever a sequência de declarações e iniciativas do deputado Eduardo Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas, no sentido de obter dos aloprados do norte sanções pessoais contra um ministro da nossa Suprema Corte de Justiça, possivelmente incluindo alguns familiares, tudo para pressionar e constranger a autoridade no exercício de suas funções constitucionais no julgamento do pai, acusado de inúmeros e graves crimes.

    Exatamente esse tipo de constrangimento contra um magistrado durante um julgamento é enquadrado como crime e, no caso específico de deputado, conspirar com um país estrangeiro agrava o delito.

    Eduardo possivelmente sabe de tudo isso e, como é ainda deputado licenciado, percebeu que manter essa posição piora o quadro, porque não pode um deputado tentar jogar um país estrangeiro contra o seu, e disse pensar em abrir mão do mandato. Não muda nada, uma vez que o crime já foi cometido e provocou declarações públicas do vice-presidente dos EUA, Vance, quem anunciou as tratativas internas para as prováveis sanções contra o ministro Moraes.

    Tudo seria ridículo — e, de fato, é — não fossem os EUA um parceiro econômico importante e uma potência militar, trazendo ao quadro uma possível e inevitável resposta do nosso governo, no caso de efetivadas as sanções ao ministro. Escalada de tensões que nosso governo até aqui conseguiu evitar na relação sempre tumultuada com o atual governo dos EUA, que procura manter com todos os países relações estressadas, seja através de ameaças de invasão, aumento de tarifas e absurdos seguidos de mais absurdos mundo afora.

    Conseguimos nos manter fora do radar dos aloprados do norte até aqui, e no caso em questão é impossível ignorar um ataque a uma instituição e a um servidor de tamanha relevância nesse momento especialmente importante. E mesmo sendo inócuas as sanções ao ministro, não ficarão sem resposta — e isso não é bom, mesmo que inevitável.

    Quanto a Eduardo, entrou pelo cano e seu crime não tem defesa, com condenação líquida e certa em curto prazo de tempo. E ainda arrasta o pai para mais um crime, sendo ele o beneficiário das presepadas do filho e quem o sustenta, como publicamente admitiu.

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  • O gato, o rato — e vice-versa.

    maio 26th, 2025

    Cada analista prevê uma data para a prisão do Bolsonaro. Se no início do trabalho do PGR se falava em meados de 2026, até alguns meses avançando no ano, agora sugerem – ou desejam? – o mês de julho próximo como provável.

    Não faço ideia. A certeza da condenação está dada, o prazo depende de muitas variáveis.

    Mas, enquanto o centro e a imprensa partidária opositora torcem desesperadamente pela conclusão do julgamento, a movimentação dos pretensos herdeiros do bolsonarismo se agita, e Tarcísio parece estar fazendo sua aposta mais ousada até aqui ao aparecer em encontro público onde se formalizou a filiação do seu secretário Derrite no PSD – e não no PL! – e se falou de tudo, menos no Bolsonaro, na ocasião.

    Estivemos até aqui assistindo a um vai e vem na presença de Tarcísio: ora afirmando ser candidato à reeleição, ora jurando lealdade ao chefe, ora sugerindo fim de sua carreira política após mais um termo no governo de São Paulo – e agora essa aparição mais, digamos, destemida.

    Não tínhamos muitas dúvidas com relação a 2026. Os nomes de Caiado e Ratinho estarão na disputa, Zema talvez tentando a vice de alguém, um Bolsonaro na chapa – mas mais provável de vice. E se o nome de Tarcísio me parecia duvidoso, ao menos ele vai tentar emplacar seu nome até o prazo final, e, se até aqui ele preferia andar na sombra temendo perder o apoio do chefe, aos poucos insinua que, daqui em diante, pretende mostrar que o chefe e ele têm mútuos interesses, com a tendência da força do governador crescer e do presidiário diminuir, invertendo o jogo das influências.

    Nesse jogo do governador Tarcísio e do ex-presidente Bolsonaro, está cada vez mais difícil saber quem é o gato e quem é o rato, e quem caça quem. Talvez porque as posições mudam, e eles mesmos parecem se perder nos personagens.

    O temor de Tarcísio é ser abandonado pelo chefe, de humor sabidamente inconstante, e ficar pelo caminho. Ele sabe que ganhar do Lula, nas máximas condições disponíveis, já é uma tarefa indigesta. Perder o apoio dos extremistas será, para ele, fatal. Por isso, tantos cuidados.

    A presepada do Temer e dos governadores sonhando em disputar a presidência, é para fazer a bancada – e olhe lá – e quem sabe forçar um segundo turno e negociar, ponto.

    Tarcísio me parece com dúvidas sinceras, mas vai sendo cada vez mais engolido pelos interesses e pode acabar arriscando a sorte na candidatura presidencial, mesmo a contragosto. E a nova aposta dos grupos de pressão interessados na sua candidatura parece menos preocupada em desagradar o bolsonarismo, talvez imaginando não restar outro barco para a turma extremista na reta final, obrigando uma composição forçada entre todos eles. Pode até ser – não fosse o chefe um aloprado que não confia em nada além do espelho e pode pôr tudo a perder escolhendo seu candidato entre um de seus parentes, sem negociar.

    De sua parte, sabe que vender a anistia fará parte do roteiro de qualquer um deles – e tanto faz quem levará essa bandeira adiante, porque todos tentarão pescar nas mesmas águas.

    Então, o jogo momentâneo entre eles está armado e quase todos querem o desfecho o mais rápido possível – menos o Bolsonaro – para colocarem os blocos nas ruas.

    (Para perder, bem entendido.)

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  • De onde veio e para onde vai.

    maio 25th, 2025

    Nosso presidente Lula vai iniciar sua campanha para reeleição em 2026 no próximo mês, quando informou retorno às viagens pelo Brasil e dedicação maior à política.

    É cada vez mais raro, para não dizer quase exclusivo, quando um político, no caso um dos verdadeiros, anuncia sua disposição para exercício de sua principal tarefa.

    Sim, porque conversar e encontrar caminhos e propósitos comuns, viáveis e indispensáveis, é a tarefa da política quando exercida sem peias e disfarces.

    No caso, a disposição é necessário porque enquanto os adversários tentam encontrar substituto para o Bolsonaro a caminho da cadeia, talvez Tarcísio, seguramente com algum Bolsonaro a reboque, o governo não tem esse dilema e pode, a partir de agora, retomar a dianteira – que nunca perdeu – e lançar as bases de mais 4 e decisivos anos na presidência.

    Serão os 4 anos derradeiros do maior e mais eficaz político de nossa história, nascido na pobreza e na fome, distribuiu riqueza e fartura por todos os anos em que administrou o Brasil.

    E administrou com sua inteligência e capacidade única, através do exercício da política, da negociação em dos acordos. A única maneira de evitar conflitos e pagar o preço da democracia, que não é barata, não é trivial, mas é a nossa saída para enfrentar a violência das ditaduras e dos autoritários, com seus planos exclusivos de manter privilégios e a gente simples na miséria.

    Ano que vem estaremos juntos, novamente.

    Tem sido assim e assim permaneceremos.

    Depois de 2030 quando nosso guerreiro se aposentar vamos ver como ficamos, até lá, aproveitem e prosperem.

  • Década imbatível.

    maio 23rd, 2025

    Tenho ouvido muitas críticas quanto à condução da economia, que estão particularmente acirradas depois dos cortes nas despesas anunciados ontem pelo ministro Haddad no sentido do cumprimento da meta fiscal.

    Primeiro, a observação do Haddad: estamos no terceiro ano do novo arcabouço fiscal, e dúvidas quanto ao compromisso assumido com a nova âncora já deveriam estar sanadas. Não se trata de concordar, mas de constatar o compromisso com as metas ali previstas e cumpridas com rigor até o momento.

    Segundo, que ontem não foi anunciado nenhum corte, mas acerto de contas de uma posição para outra, tendo em vista o crescimento das despesas com previdência e BPC. Retira-se dinheiro de um lugar e leva-se para cobrir essas despesas maiores, sem, no entanto, diminuir o total de gasto previsto no arcabouço, de aumento de 2,5% sobre o gasto de 2024 mais o reajuste da inflação. Então, ninguém cortou despesa nem deixou de injetar dinheiro para economizar, senão realocou nas mesmas bases anteriores.

    Terceiro, que o momento da nossa economia é bom. Mesmo com os juros elevados, continuamos crescendo e a inflação estabilizou, ainda em patamares de 5%, e exige esforço para assim permanecer. Sobretudo no câmbio, onde as atenções estão voltadas tanto no lado externo quanto interno, sendo a inflação do câmbio, junto a certos setores ainda indexados, os causadores da inflação. Sendo bom o momento, não é hora de descumprir metas fiscais duramente negociadas e tentar manter o câmbio em queda, como assistimos.

    E ainda, aumento no IOF, que prevê arrecadar R$ 60 bilhões em dois anos e sofreu rapidamente uma mudança ainda ontem porque abriu flanco para taxar investimentos em dólares no exterior, e isso iria, sim, atrapalhar a queda. Foi percebido e rapidamente cancelada a cobrança, ficando para uma outra oportunidade.

    Quanto a tudo o mais, onde estão os números negativos que preocupam? Se alguém tem algum número preocupante sobre a nossa economia, eu gostaria de saber, porque estamos rapidamente recuperando os números de uma década perdida em incompetências e administrações que preferem privilegiar privilegiados e concentrar riqueza — no que fracassam sempre e mesmo assim têm apoio das camadas favorecidas e conseguem sempre retornar com essas iniciativas.

    Mas vamos remando: eles contra, e nós a favor.

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  • O brigadeiro.

    maio 22nd, 2025

    Quem se preocupou com o andamento do processo contra o golpe de Estado, que tem Bolsonaro como o principal réu, vislumbrou alguma dificuldade para a acusação provar as teses após o depoimento do ex-ministro do Exército Freire Gomes. Ele não aliviou, a meu ver, exatamente para Bolsonaro, pois confirmou as reuniões e o teor golpista do que estava sendo tratado. No entanto, buscou abrandar para seus colegas de farda, numa nova versão amenizada dos fatos narrados anteriormente à Polícia Federal. Tanto que obrigou o ministro Moraes, do STF, a intervir em sua fala para perguntar onde ele havia mentido — se para o STF ou anteriormente à PF. Isso acabou por obrigar o general a confirmar as declarações anteriores dadas à PF, mesmo a contragosto.

    O mesmo não ocorreu com o brigadeiro Baptista Júnior , ex-ministro da Aeronáutica, que não só confirmou as reuniões de cunho golpista e a adesão do ministro da Marinha, oferecendo tropas, como também relatou o aviso dado a Bolsonaro para que não seguisse nas tentativas, pois estaria cometendo crimes e poderia ser preso.

    O depoimento enterrou qualquer chance de interpretação distinta — ou, como gostam de dizer, de alguma “narrativa” — que não significasse o empenho de Bolsonaro no golpe de Estado e no impedimento de Lula subir a rampa para assumir seu mandato.

    Se ontem algum lampejo de esperança surgiu nas hostes bolsonaristas, mesmo que sem nenhum fundamento, o depoimento de hoje recoloca os pingos nos “is”, e a acusação toma rumo certo para uma condenação dura pelos graves crimes cometidos.

    Tudo inédito, histórico e, sobretudo, didático.

    Que as forças de segurança, em todas as suas instâncias, aprendam a respeitar a democracia, porque agora a pena de prisão é certa.

    Os depoimentos prestados pelo general Marco Antônio Freire Gomes e pelo tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior ao STF enterram de vez qualquer tentativa de Jair Bolsonaro (PL) de negar seu envolvimento em uma conspiração para impedir a posse de Lula após as eleições de 2022.

    “Com base em tudo o que estava acontecendo, perguntei: ‘O documento prevê a não assunção no dia 1º de janeiro do presidente eleito [Lula]?’ Ele [Paulo Sérgio Nogueira] disse: ‘Sim’. Eu disse que não aceitava nem receber esse documento. Me levantei e fui embora”, contou o militar da Aeronáutica em seu depoimento.

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  • A estratégia das expectativas nos juros.

    maio 21st, 2025

    Vocês sabem do meu desespero com a questão das taxas Selic mais altas do mundo praticadas no Brasil. Diversas vezes comentamos a questão ainda no período Campos Neto e de como sua atuação projetou um dilema que ainda estamos precisando administrar.

    Verdade que acho faltar, no atual presidente do BC, Galípoli, ousadia e alguma novidade na condução das taxas — se bem que, até agora, ele vem trabalhando mais nas expectativas do que qualquer outra coisa. E as declarações do ex-ministro Mantega no BoaNoite247, explicando a manutenção das taxas por um período mais longo, vão nessa direção.

    Primeiro que, ao afirmar que vai manter as taxas, informa ao distinto público que parou de aumentar. Segundo que, uma vez atingido o efeito das taxas no câmbio — e, diretamente, na inflação de câmbio — a coisa pode mudar de uma hora para outra facilmente. E, quem sabe, essa parece a intenção das declarações: desarmar posições especulativas e deixar as taxas de juros agirem.

    Porque, tão altas, só podemos esperar a chegada de investidores em dólares.

    De certa forma, a ideia — se verdadeira a interpretação — situa melhor a posição do Galípoli. Se não age mais fortemente e abaixa na marra os juros, é porque lá fora a coisa não anda boa. E aqui, como a economia resiste e continua crescendo, ganha tempo para pensar em tempos melhores no futuro próximo.

    Falta, a meu ver, uma estratégia para desindexar nossa economia e rediscutir a meta de inflação de 3%, dificílima de cumprir.

    Mas tudo me parece deixado para ser pensado – resolvido? – no próximo mandato do Lula.

    Vida que segue.

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  • Falsas Cassandras.

    maio 20th, 2025

    Ao contrário da clássica, as Cassandras atuais, emboletadas na imprensa corporativa e nos especuladores da Faria Lima, são tidas como confiáveis, mas não acertam uma.

    O raro seria apontar uma previsão correta — e, mesmo assim, repetem o mantra da surpresa.

    Estamos muito, mas muito além de equívocos. São previsões com alvo específico: desarmar expectativas positivas. Insistem no erro porque querem ver a economia desandar. Lembrando que quem ganha especulando, tanto faz se a economia cresce ou não. Sim, até certo ponto, mas, de maneira geral, funciona assim.

    A destacar, nessas seguidas surpresas, o histórico de quando liberais assumem a economia — e as previsões continuam errando, mas na direção contrária: preveem seguidas melhoras que nunca acontecem.

    Basta acompanhar a economia da vizinha Argentina, que afunda dia sim e no outro também, e arrumaram mais um empréstimo para ganhar eleições — e foi por um triz —, o que fez da Argentina o maior devedor do FMI no mundo. Sem previsão de pagar, bem entendido. Mas as previsões sobre a economia de lá são as melhores — sempre fazemos a ressalva: melhores para quem!?

    Vida que segue. De surpresa em surpresa, vamos chegar lá novamente. Sem nenhuma surpresa.

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  • O dia do General( e mais 81 nos próximos dias)

    maio 20th, 2025

    Ontem tivemos o depoimento do general Gomes Freire, aquele que negou a Bolsonaro a adesão ao golpe de Estado e mencionou a possibilidade de cadeia, caso insistisse na proposta.

    Além dele, nos próximos 20 dias, 81 depoimentos serão tomados no STF, preparando a inevitável e previsível condenação de todos os envolvidos na tentativa de abolição da democracia no Brasil.

    Feito inédito e, quem sabe, definitivo.

    Foram ouvidas as testemunhas do grupo batizado pela PGR de “crucial” nas ações e desenvolvimento do golpe. São oito réus:

    • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
    • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
    • Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;
    • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;
    • General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
    • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência;
    • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e
    • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.

    Nesta segunda-feira, foram ouvidas as seguintes testemunhas arroladas pela PGR e por outros réus:

    • Éder Lindsay Magalhães Balbino: empresário que ajudou a formatar o falso dossiê com fraudes nas urnas eletrônicas. Ele foi sócio-proprietário da Gaio Innotech Ltda., empresa subcontratada pelo presidente do Instituto Voto Legal, Carlos Rocha. É testemunha da PGR e de Braga Netto;
    • Clebson Ferreira de Paula Vieira: analista de inteligência do Ministério da Justiça, responsável por elaborar levantamento com municípios em que Lula e Bolsonaro concentraram votação superior a 75% no primeiro turno da eleição presidencial de 2022. Clebson demonstrou perplexidade diante dos pedidos de Marília Alencar, então diretora de inteligência do Ministério da Justiça e Segurança Pública, para elaborar o documento;
    • Adiel Pereira Alcântara: foi coordenador de Análise de Inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em 2022. Segundo a PGR, teria atuado para dificultar o deslocamento de eleitores no segundo turno, nos pontos em que Lula teria mais votos. Alcântara teria dito a um colega que o então diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, foi impróprio nas reuniões de gestão, em especial, notando o “policiamento direcionado”; e
    • Marco Antônio Freire Gomes: general do Exército e comandante do Exército no final do governo de Bolsonaro. Freire Gomes teria sido oposição à tentativa de golpe. Também é testemunha de Mauro Cid, Almir Garnier dos Santos, Jair Bolsonaro e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

    A única surpresa veio do depoimento do general, tentando atenuar as falas anteriores na PF, quando deixou exposto o plano golpista do ex-presidente e de seus colegas de armas, sobretudo a adesão do então ministro da Marinha. Foi imediatamente chamado de mentiroso pelo ministro Moraes e, a contragosto, reafirmou as graves declarações anteriores com algumas ressalvas que não prejudicam a acusação e o entendimento dos fatos.

    Não era previsto a covardia do general e sua patética tentativa de atenuar as declarações anteriores, tentando livrar um pouco a culpa de seus colegas de armas. Mas é mais uma amostra vergonhosa do tipo de gente que constitui nossas Forças Armadas — e a quem é que servem. Em todo o caso, ao passar mais uma vergonha histórica ao vivo e a cores, teve que confirmar suas declarações anteriores e manteve a gravidade dos fatos que presenciou.

    E os demais declarantes de ontem confirmaram versões anteriores, sobretudo naquela tentativa de bloquear eleitores do Lula no Nordeste, confirmando a ação e as intenções dos acusados.


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  • Sem os intermediários.

    maio 19th, 2025

    Depois da mal sucedida aventura golpista militar, chegou a vez dos pastores tentarem sua sorte em uma candidatura própria à presidência. A se acreditar nas conversas vazadas entre o estrategista e advogado do clã do ex-presidente, Wajngarten, e o indefectível Cid, o nome de Michele como substituta no pleito no lugar do marido e futuro detento da Papuda não vinga. Os motivos eles elencam nas suas conversas, e são todas as conhecidas mazelas da ex-primeira-dama, com requintes de deboche.

    Mas nessas elucubrações fica clara a divisão entre as forças bolsonaristas. Sem o nome do chefe, a tendência anunciada de dispersão se mostra avassaladora. Portanto, o mordomo de vampiro Temer se assanha com governadores e tenta emplacar, pela enésima vez, uma terceira via improvável — e além disso tudo, por fora o nome do pastor Malafaia surge das sombras.

    Não vou perder muito tempo com isso, porque Malafaia não tem a menor chance de concorrer com chances de vitória. Se é verdade que não faz outra coisa além de futricas políticas há muito tempo — no que é acompanhado por uma penca de outros da mesma estirpe —, mais verdade ainda é o quanto os evangélicos são desunidos, e um nome de um de seus líderes jamais vai conseguir angariar apoio unânime entre eles. Esqueçam isso.

    Vem aí um Bolsonaro — qual, ainda por saber —, vem para perder, mas segurar alguma bancada para eles.

    E tem Tarcísio, o atual governador de SP, que, diferente dos supostamente demais governadores atuando por uma terceira via — se bem que Temer mira mesmo é uma bancada para seguir influenciando —, Tarcísio pode tentar reeleição. Parece ser o favorito atualmente, e eu acredito nele quando afirma e reafirma não querer disputar a presidência e perder para Lula. Eu pensava que preferia se guardar para o pós-Lula em 2030, mas anda circulando outra informação: que vai mesmo é sair da vida pública e cuidar de interesses privados após mais um turno no governo de SP.

    E eu, repito, acredito nele.

    Faço só uma ressalva: que sua ameaça possa ser um recado para os Bolsonaros — como quem diz “se não for agora com apoio de vocês, eu não vou depois”. Pode ser, sim, uma chantagem e, se for, aí ninguém vai acreditar — e muito menos os Bolsonaros. E ele se ferra duplamente.

    Digo que acredito porque militar como Tarcísio não é lá muito afeito à política, não. De golpe e ditaduras eles gostam; disputar e enfrentar as vicissitudes da vida pública não é muito com eles, não — sem falar no trabalho que dá. E nem ganha lá muito, comparado com as oportunidades que surgem no seu entorno e, livre de amarras legais do cargo de governador, podem ser aproveitadas.

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