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Blog do Franco

  • Pautas invertidas.

    abril 1st, 2025

    O Congresso, apesar de ainda não ter votado o orçamento de 2025, não ter iniciado as discussões sobre a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e ignorar a revisão do regime 6×1 dos trabalhadores, assiste à oposição anunciar um bloqueio ao funcionamento da Casa. Para eles, a prioridade não é resolver questões essenciais para o país, mas votar a anistia para os golpistas.

    Essa tentativa, no entanto, não deve prosperar. Sem orçamento aprovado, não há liberação de emendas para deputados e senadores, o que torna o impasse insustentável. Além disso, os conservadores precisam virar a página do bolsonarismo e lançar um novo nome com tempo suficiente para consolidá-lo.

    Mas, nos bastidores, tudo não passa de encenação. Enquanto a ala extremista insiste no sonho impossível da anistia, a maioria finge aceitar a pauta apenas para herdar parte do butim eleitoral acumulado por Bolsonaro.

    A realidade é que não há apoio suficiente para a anistia — nem no Congresso, nem fora dele, nem em lugar algum. Trata-se de um jogo dos extremistas para manter sua base mobilizada e aumentar seu poder de barganha na disputa interna pela liderança da direita.

    Além disso, já está bastante consolidado o entendimento de que o Congresso não é instância revisora de decisões judiciais. Qualquer iniciativa de anistia a criminosos, além de ser uma afronta à Justiça, é inconstitucional. E todos lá sabem disso muito bem.

    Ainda assim, insistem na proposta pelos motivos já expostos.

    Outro ponto que merece atenção é o papel atual dos presidentes das Casas Legislativas. A impressão que tentam passar é a de que suas posições estão revestidas de grande poder e responsabilidade. No entanto, cada vez mais, parecem apenas líderes sindicais, movendo-se na defesa de interesses paroquiais, sem margem de manobra e reféns de maiorias furiosas ocasionais. Sobrevivem conforme os ventos políticos do momento, sem iniciativas ou liderança capaz de pautar discussões relevantes.

    Retomar o foco das discussões para o interesse do país e do seu povo é a única urgência que o Congresso não pode negligenciar.

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  • Golpe é por mais privilégios.

    abril 1st, 2025

    Não entender a tentativa de assalto ao poder por grupos derrotados na disputa democrática como uma busca desesperada por mais privilégios e pelo controle da distribuição da riqueza é ignorar a essência do que está acontecendo.

    A primeira medida de Temer, assim que Dilma foi derrubada, foi extinguir o orçamento soberano financiado pelos lucros do pré-sal. Com isso, legitimou-se para seguir sem fazer nada de relevante, ao mesmo tempo em que iniciava um período de destruição e abandono que perdurou até o fim do governo Bolsonaro.

    Bolsonaro, por sua vez, acabou contido pela pandemia e não conseguiu implementar tudo o que pretendia em termos de desmonte do Estado e falsas transformações — mudanças que, na realidade, provocariam retrocessos institucionais e até civilizatórios.

    O mesmo padrão se repete nos Estados Unidos e na Argentina: quando um grupo de ricos assume o poder sem ter nada a oferecer além da autopreservação e do favorecimento aos seus, a consequência é o colapso econômico e social. E, quando perdem o controle, saem correndo.

    Na Argentina, por exemplo, há notícias sobre crescimento econômico e certa estabilidade inflacionária. Mas a que custo? Bilhões em empréstimos do FMI e dívidas futuras que apenas prolongam a agonia da população, impondo compromissos severos e, mantidas as condições atuais, impagáveis. A pergunta que se impõe é: crescimento e estabilidade para quem? Certamente não para os desempregados e famintos.

    Nos Estados Unidos, Trump segue uma lógica semelhante. Suas “ideias transformadoras” não têm origem clara, mas têm um propósito definido: criar choques e sofrimentos inúteis, enquanto finge implementar mudanças significativas.

    Comparo o governo Macri na Argentina ao de Trump nos EUA, pois ambos foram administrados por plutocratas sem experiência real em políticas públicas. São gestores de negócios bilionários que usam o aparato estatal apenas para legitimar escolhas voltadas aos interesses de seus grupos, sem qualquer compromisso com políticas eficazes ou benéficas para a sociedade. O que fazem é destruir e vender, ao mesmo tempo em que tentam convencer a população de que estão promovendo progresso.

    O saldo dessa destruição é sempre o mesmo: escombros, derrotas, humilhação e fome. Por isso, acabam derrotados. Mas sempre retornam, porque reconstruir um país é uma tarefa árdua, demorada e, por vezes, frustrante. Esse cenário de desgaste abre espaço para os mesmos grupos voltarem ao jogo com novas promessas vazias, apenas para repetir o ciclo de destruição.

    O verdadeiro objetivo desse projeto é empobrecer a maioria, enquanto enriquecem cada vez mais. E, ironicamente, utilizam o próprio Estado como ferramenta para sua destruição.

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  • Os golpista trapalhões.

    março 31st, 2025

    É verdade que toda tentativa fracassada de golpe de estado é uma trapalhada. E não foi diferente dessa vez no Brasil, onde cada revelação dos tratos e planejamentos, assistidos em retrospectiva e na perspectiva de inquéritos policiais, onde podemos conhecer as armações de todos os envolvidos através das próprias palavras em áudios e prints das conversa, só faz confirmar o ridículo e patético de seus autores .

    Mas vamos também entendendo melhor a quantidade de envolvidos, seus altos cargos e posições na estrutura militar e civil eleita ou indicados, e o quanto eles estiveram próximos de obter a vitória .

    Porque houve empenho de anos, planejamento de anos, gente disposta em conseguir destruir a nossa democracia e impor – novamente – um regime autoritário à força.

    O general Mourão a quem se atribui o estopim do golpe de 1964 ficou conhecido por “ vaca fardada”, saiu para as estradas com seus tanques e tropas no dia 1º de abril ( que depois mudaram para 31 de março por motivos óbvios) e a sua loucura desprezada por ridícula, inaugurou as trevas de décadas no nosso Brasil.

    E dessa vez não foi diferente, com os cretinos nas portas do quartéis e as cabeleireiras manchando estátuas com batom.

    Mas eles tentaram e agora quando relembramos, como a tendência de destacar o ridículo prevalece porque vencemos, e nosso temor é dissolvido no desprezo aos golpistas vencidos, e ao nosso estilo, o humor faz parte cultural do processo de consciência.

    Não é o caso de entender ou explicar pormenores da cultura ou psicologia nacional, mas não afastar o significado dos fatos que vamos expurgando enquanto revisamos tudo nos julgamentos de dezenas de chefes, generais e ex presidente que vamos acompanhar nas próximas semanas.

    Se sorrir faz parte do nosso estilo, mais que tudo é importante compreender e situar os fatos em sua importância e cuidar de bem saber como chegamos onde chegamos.

    Não foi por pouco, faltou aos golpistas quase tudo, mas também não foi nada. Uma tentativa perigosa e contundente, fracassada , mas relevante e tentar sempre prevenir e cuidar para outras não irrompam é também a tarefa do momento.

    Condenar os generais é tão importante, se não ainda mais, quanto condenar Bolsonaro e os civis envolvidos, de forma a deixar um sinal para o futuro de que não pode ser ultrapassado os limites impostos pela democracia e o jogo da política, onde a vitória eleitoral é o único acesso ao poder que deve ser aceito .

    Condenar os generais e deixar um legado que as gerações anteriores não lograram deixar.

    É o fecho da geração de 64 golpeada. É a volta do cipó de aroeira.

  • Obstrução na Câmara e a falta de votos para a anistia.

    março 28th, 2025

    Antes da eleição dos atuais presidentes das casas legislativas, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, substituindo Lira e Pacheco, o partido do ex-presidente (PL) impôs uma condição explícita — ao menos publicamente — para apoiar a nova composição: colocar em votação a anistia aos golpistas.

    O compromisso assumido, porém, não era garantir a aprovação da medida, mas apenas levá-la a plenário para que a oposição tentasse reunir os votos necessários. Esse acordo era mais evidente na Câmara do que no Senado, onde Alcolumbre pareceu manter maior distância desse tema.

    Claro que estamos falando do que veio a público — o que se discute nos bastidores, ninguém sabe ao certo.

    A oposição pretendia realizar a votação ainda sob o comando de Lira, antes da eleição do novo presidente da Câmara, mas não conseguiu. Para ganhar tempo, driblar a pressão e, ao mesmo tempo, assegurar votos para seu candidato, Lira criou uma comissão para “discutir” a anistia antes de qualquer encaminhamento ao plenário.

    A estratégia era evidente: postergar a decisão, ganhar tempo e aparentar uma solução. Ou, simplesmente, não havia votos suficientes para aprovar a medida, e a comissão serviu para manter as aparências e facilitar a eleição de Motta. Mas a comissão nunca foi criada.

    Com a proximidade do julgamento que tornaria Bolsonaro e seus principais assessores réus, a oposição voltou à carga e passou a pressionar para que a anistia dos golpistas fosse votada.

    Motta, que estava em viagem com o presidente Lula na Ásia, não deu sinais de apoio à proposta. Durante a semana, voltou-se a falar na possibilidade de criar a tal comissão, e tudo ficou à espera do retorno do presidente da Câmara na próxima semana.

    Para aumentar a pressão, o PL anunciou ontem (quinta)que entrará em obstrução, dificultando os trabalhos na Casa ao esvaziar o quórum e exigir maior mobilização para aprovação de projetos. No entanto, com cerca de 90 deputados e, no máximo, 130 contando apoios de outros partidos ( há quem afirme 200, longe ainda dos 270 necessários), a legenda não tem força suficiente para paralisar completamente o funcionamento do Congresso.

    Assim, a semana começa, na virada de abril, com algumas possibilidades para o semestre:

    1. Os trabalhos na Câmara podem se tornar mais difíceis, o que pode resultar no isolamento definitivo do grupo bolsonarista — um desfecho nada ruim.
    2. Será interessante observar o comportamento dos partidos que orbitam o bolsonarismo. Pensando na própria sobrevivência e acompanhando a evolução do processo no STF, a fidelidade ao ex-presidente pode se enfraquecer, principalmente com a troca de acusações entre os próprios membros da organização.
    3. No STF, a anistia não passa. O discurso para a plateia está ficando cada vez menos viável, à medida que novas denúncias surgem na imprensa e pode surgir uma delação premiada entre os envolvidos. A condenação do líder do movimento, ao fim desse processo, parece cada vez mais certa.

    Observe que não incluo a aprovação da anistia nas minhas possibilidades.

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  • Salve-se quem puder.

    março 27th, 2025

    A novidade de ontem, durante o julgamento na Primeira Turma do STF, foi a estratégia adotada pelas defesas dos acusados na primeira leva de golpistas. Nenhum deles negou os terríveis fatos pelos quais são acusados, até porque um vídeo, exibido durante a leitura do voto do ministro Alexandre de Moraes, deixou clara a gravidade do que ocorreu.

    Se não negam os fatos, qual será então a estratégia para salvar seus clientes? A resposta parece evidente: negar a autoria e atribuir a culpa a terceiros.

    Considerando que estamos lidando com militares — generais da mais alta patente das Forças Armadas, recém-saídos do governo, incluindo o ex-presidente — e observando a inclinação clara das defesas, fica evidente mais uma característica desses “bravos soldados”: salve-se quem puder.

    A suposta irmandade, o companheirismo e o sacrifício pelos “irmãos de armas” só parecem valer na hora de dividir os privilégios e aproveitar a vida sossegada que sempre tiveram.

    Não que eu esperasse algo diferente, mas, se essa será a linha de defesa, o próximo passo será tentar jogar toda a culpa em um único alvo: Jair Bolsonaro.

    Se ainda havia alguma dúvida sobre o tipo de gente com quem estávamos lidando, agora não há mais.

    E quanto a Bolsonaro? Se alguém pensa que ele enfrentará as consequências e aceitará o destino, está enganado. Ele não vai se sacrificar por ninguém. Ele vai fugir. Porque é isso que os covardes fazem. E não será o único — aqueles que tiverem meios e oportunidade seguirão o mesmo caminho.

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  • Menos dois.

    março 27th, 2025

    Aquele primo de Carlos Bolsonaro, Léo Índio, que acaba de ser indiciado como um dos golpistas do dia 08/01, fugiu para a Argentina. Depois de Eduardo, agora são dois membros do núcleo familiar que tentam escapar das consequências de seus crimes.

    É verdade que a Justiça ainda não alcançou Eduardo, e sua movimentação pode indicar três possibilidades: uma aventura empresarial altamente suspeita, um arranjo internacional para articular algo no Brasil em 2026 ou, simplesmente, que foi na frente para preparar a fuga do pai.

    Portanto, é bom ficarmos atentos a Bolsonaro, porque minha expectativa é que ele também tentará fugir.

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  • Fadiga de material.

    março 26th, 2025

    Estamos começando a perceber que o estoque de mentiras, memes e ataques—sem falar nas pautas morais com apelos cada vez mais escandalosos—mostra que a extrema direita vem perdendo espaço. Sem novidades e repetindo a mesma ladainha de 2018/2022, esse discurso parece já não chamar tanta atenção.

    Mesmo as grandes causas do bolsonarismo, como a suposta fraude eleitoral e agora a “ditadura do Judiciário”, não despertam grande apelo popular, como ficou demonstrado na manifestação fracassada no Rio de Janeiro e na próxima, em São Paulo, que deve confirmar essa tendência.

    A abertura do processo no STF, tornando Bolsonaro réu, pode servir para mais uma tentativa de se vitimizar—uma das estratégias favoritas da trupe fascista, que tem sido útil para manter mobilizada sua base de apoio.

    E todos miram 2026, inclusive o STF. O cronograma inicial, que previa o fim do julgamento para o final do ano, já se desloca rapidamente para junho ou julho, o que demonstra o empenho da política institucional em se livrar de Bolsonaro.

    Do bolsonarismo, no entanto, será mais difícil nos livrarmos. De alguma maneira, esse grupo permanecerá e precisa do nome de Bolsonaro como bandeira para sustentar seu projeto político, onde uma bancada numerosa no Congresso é uma questão vital.

    O que estamos percebendo é o quanto a decisão do STF será determinante para essa corrida eleitoral de 2026. Assim que o nome de Bolsonaro estiver definitivamente fora do páreo—o que, na prática, já acontece, mas ainda sem uma condenação criminal pelo peso de uma tentativa de golpe de Estado e uma possível pena de 28 anos—, os apelos por anistia podem ganhar força.

    Nos próximos meses, estaremos definindo a eleição de 2026, e os nomes já estão se colocando. Basta observar a desenvoltura atual da ministra Simone Tebet, que não recusa um convite para entrevistas e declarações na imprensa. Até o vice-presidente, Geraldo Alckmin, tem se mostrado mais ativo, tentando emplacar novas ideias com frequência. Estão em campanha? Para quem e para quê? Certamente seguem a recente orientação do presidente Lula para que seus ministros apareçam mais. Mas, como sempre, essas movimentações começam e nunca sabemos exatamente como terminam.

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  • Começou o maior julgamento da história.

    março 25th, 2025

    E não se trata de Bolsonaro—como disse o ex-chanceler, ele virou um personagem menor—, mas sim do julgamento dos generais golpistas. Esse, sim, é um fato relevante e, talvez, decisivo para o futuro da nossa história.

    O que vimos recentemente foram militares e outros agentes do Estado—assalariados e empregados pelo próprio governo, a quem deveriam proteger—articulando golpes e promovendo terrorismo. Ou haveria outro nome para quem derruba torres de transmissão de energia, coloca bombas em aeroportos lotados e invade a Praça dos Três Poderes para depredar e ameaçar? Sem esquecer o plano ” Punhal Verde e Amarelo”, que tinha como objetivo o assassinato do presidente eleito, de seu vice e de um ministro do STF. Não consigo imaginar crime mais grave, perigoso e destrutivo do que esse, ainda mais quando tramado por militares de alta patente, em conluio com políticos, empresários e setores da mídia.

    O julgamento terá três sessões para cumprir seu rito, de forma relativamente rápida. Mas vale lembrar que estamos apenas no início: trata-se da etapa de aceitação das denúncias apresentadas pelo procurador-geral da República. Só depois disso virão as investigações mais aprofundadas—embora, na prática, os fatos já sejam amplamente conhecidos e públicos.

    A expectativa é que tudo se resolva rapidamente. A fase de investigação, segundo dizem, está bem adiantada, e as previsões iniciais de conclusão para o fim do ano já foram revistas: agora, fala-se em encerrar tudo até julho de 2025.

    Acompanhar o destino dos generais é meu maior interesse. Quanto ao ex-presidente, o ideal seria colocá-lo em uma cela o mais rápido possível—antes que fuja.

    O ex-presidente, a propósito, esta sentado nesse momento na primeira fila do auditório do STF, aguardando o início do julgamento. Conhecendo a peça, imagino que ele queira assim intimidar alguém. Não passa de leão desdentado e vai descobrir isso de maneira dramática nos próximos dias e horas.

  • Uma no cravo: + 1% Selic. Outra no ferradura : consignado para CLT.

    março 25th, 2025

    O Banco Central, além de indicar no resumo da decisão que seu próximo passo será um aumento menor da Selic, mencionou os efeitos defasados do aperto monetário. Para alguns economistas, essa foi uma sinalização de que as altas dos juros estão chegando ao fim, pois sugere o entendimento de que a política monetária, já bastante restritiva, terá impacto sobre a inflação.

    Mais de 40 milhões de trabalhadores realizaram a simulação do novo crédito consignado para empregados da iniciativa privada entre sexta-feira (21) e as 18h de domingo (23), segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. (Agência Brasil)

    Um dado importante sobre a prioridade das redes e dos interesses de quem divulga e promove notícias é a comparação entre o alcance do noticiário sobre o julgamento de Carla Zambelli, a fuga de Eduardo Bolsonaro para os EUA e a decisão do governo de enviar para aprovação o projeto de isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil. Os dois primeiros assuntos, de menor interesse pessoal, são amplamente divulgados, enquanto o projeto de isenção — que impacta praticamente todos os trabalhadores do Brasil, representando na prática um “14º salário” — recebe menos atenção.

    Só essa medida pode impulsionar o PIB do Brasil em até 3%.

    Crédito consignado CLT: o governo espera que os empréstimos com garantia do FGTS superem R$ 100 bilhões em três meses, segundo o secretário-executivo do Ministério do Trabalho. Governo e bancos preveem que os trabalhadores substituirão linhas de crédito mais caras, como o CDC ou o cheque especial. (G1)

    O que tentei expressar neste post é que há consenso no governo, incluindo o ministro da Fazenda, de que a inflação no Brasil é causada, sobretudo, pelo dólar alto — e não por excesso de consumo. No entanto, quem lê os comentários da mídia pode considerar contraditórias as decisões de, por um lado, aumentar juros e, por outro, promover empréstimos a taxas mais baixas. Mas essa é a estratégia viável para combater a inflação sem comprometer o crescimento econômico — que, por sua vez, é fundamental para manter a estabilidade orçamentária e evitar que as finanças do governo sejam engolidas pelos juros altos e pela queda do PIB.

    Ou seja, trata-se de uma engenharia econômica sofisticada.

    Mesmo assim, impõe sacrifícios. Afinal, antecipar o uso de recursos próprios do FGTS com custo adicional de juros — ou seja, pagar para ter acesso ao próprio dinheiro antes — é uma forma de atravessar 2025, priorizando o controle inflacionário.

    Uma questão pouco debatida no Brasil é a nossa cultura de indexação, que, a meu ver, impede a inflação de cair abaixo de 4% ao ano, mesmo com todos os esforços. Isso ocorre porque praticamente todos os contratos, tarifas, taxas, impostos, aluguéis e recebíveis embutem reajustes com base na inflação passada. Embora proteja quem recebe, essa prática perpetua a memória inflacionária do país.

    Talvez seja o momento de discutir uma desindexação ampla e irrestrita para tentar, enfim, quebrar esse ciclo e reduzir estruturalmente os índices inflacionários.

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  • 100% de improbidade.

    março 24th, 2025

    Bolsonaro tentou comprar sua reeleição com dinheiro público. Durante seu último ano de governo, atuou com “100% de improbidade”, como afirmou o ministro Haddad.

    Todos sabemos o tipo de gente que assumiu o poder em 2018: um deputado do pior estilo, acusado de todas as práticas de rachadinhas possíveis—e ainda das que ele próprio inventou e ensinou. Nunca teve sequer um projeto aprovado, não participou de nenhuma liderança na Câmara, nem integrou comissões relevantes. Ainda assim, foi escolhido pela mídia e pelos nossos generais para comandar—junto com eles—este imenso país.

    Deu no que deu. Há quem diga que ainda dará, mas eu duvido.

    Mas, para além da vida de rachadinhas e da centena de imóveis próprios, não há registros de nenhuma investigação criminal efetiva, antes dos atuais processos, multa ou sequer uma fiscalização relevante sobre a vida financeira do deputado Bolsonaro e seus filhos. O sujeito compra uma centena de imóveis sem renda compatível, todo mundo sabe e… fica por isso mesmo.

    Mais do que isso, no último ano de seu mandato, despejou centenas de bilhões para tentar se reeleger, e nenhum órgão de controle apareceu para condená-lo, como aconteceu com supostas pedaladas fiscais no passado. Foi um vale-tudo diante de todos nós e, mais uma vez, ficou por isso mesmo. A ponto de o atual ministro da Fazenda nos lembrar do orçamento caótico e da completa falta de planejamento que encontrou ao assumir. Descalabro que Bolsonaro não provocou só.

    Poderíamos passar horas listando outros fatos envolvendo essa figura e seu entorno e, da mesma forma, registrando a omissão dos órgãos de controle, que ficaram absolutamente ausentes durante esse recente período. E como gostam de aparecer quando um governo decente resolve administrar nosso dinheiro e prestar contas devidamente.

    A atual disposição do Congresso em controlar uma parte relevante do orçamento através das emendas vem justamente desse caldo do governo anterior. O fato de que não prestavam contas e continuam resistindo a fazê-lo é um resquício mal removido do descalabro. Mas perceba que um ministro resolveu acabar com a festa. Não reduziu ainda o volume de dinheiro disponível—não chegamos lá—, mas impôs transparência e prestação de contas. E, se não fosse o ministro Dino, sem dúvida, ainda estaríamos assistindo a toda sorte de desmandos na liberação dessa fortuna.

    Repito aqui uma observação que fiz na época das eleições municipais: os recursos das emendas valorizaram os prefeitos e permitiram que a grande maioria se reelegesse. Isso indica, contra o pensamento geral, que, na percepção dos eleitores, os recursos foram bem aplicados. Uma coisa é a falta de transparência e a possibilidade de desvios e corrupção. Outra é o eleitor perceber melhorias em sua cidade com esses investimentos.

    Evidentemente, existe uma maneira correta de fazer isso acontecer. Mas não podemos ignorar o impacto positivo da alocação de recursos nos municípios, algo que o Estado historicamente falha em realizar.

    Não defendo o orçamento nas mãos dos deputados, nem as emendas secretas. Mas fica evidente o quanto é difícil, burocrático e travado o processo de destinação de recursos para os municípios. Então, o caminho está aberto para uma solução mais adequada.

    Quanto a Bolsonaro, apesar dos pesares—e, sobretudo, porque perdeu a eleição que tentou comprar—, ele vai pagar por seus crimes.

    Mas… e se tivesse vencido? Melhor nem pensar.

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