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Blog do Franco

  • Ofensiva de Trump contra o Brics deixa mercados em alerta.( Valor)

    agosto 7th, 2025

    🌐 Trump pressiona os Brics com tarifas e aumenta a tensão nos mercados globais

    Política tarifária do governo americano afeta moedas emergentes e intensifica instabilidade internacional em 2025

    Por Victor Rezende e Arthur Cagliari
    Adaptado para o Blog do Franco



    O mês de julho de 2025 foi marcado por mais uma investida tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que reacendeu a volatilidade nos mercados globais. E os principais alvos? Os países do bloco dos Brics — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

    As reações nos mercados de câmbio mostram que, embora o real brasileiro tenha se sustentado com relativo equilíbrio graças ao alto diferencial de juros, outras moedas emergentes não tiveram a mesma sorte. A rúpia indiana, por exemplo, acumula desvalorização de 2,55% frente ao dólar no ano, enquanto o rand sul-africano segue trajetória semelhante ao índice de moedas emergentes da MSCI.

    💬 “No caso brasileiro, a motivação política foi evidente. Já a África do Sul também enfrentou retaliações com base em acusações políticas de Trump”, aponta Volkmar Baur, estrategista do Commerzbank.

    As novas tarifas impuseram taxas de até 50% sobre produtos brasileiros e indianos, além de 30% sobre produtos da África do Sul. Mesmo com a trégua parcial entre China e EUA, Pequim segue como alvo recorrente — especialmente após os chineses manterem relações comerciais com a Rússia, foco constante de sanções ocidentais.

    A movimentação de Trump sugere uma estratégia ampla, mirando a China de forma indireta ao atingir seus parceiros comerciais. Para Baur, trata-se de uma ação com forte motivação política e não meramente econômica:

    💬 “Mais uma vez, os objetivos são políticos, e não relacionados a déficits comerciais”, ressalta.

    O real, apesar da pressão, se mostrou mais resiliente. A combinação de instituições brasileiras que não cedem a pressões externas e a taxa de juros interna ainda elevada tem ajudado a manter a atratividade da moeda.

    Mas o alerta permanece: há risco de escalada. A depender da continuidade dos embates, novas sanções e tarifas ainda mais altas — com até 100% sobre produtos brasileiros — não estão descartadas.


    🧭 O que esperar a seguir?

    Para Chris Turner, do banco ING, o ponto central é a evolução da relação comercial entre EUA e China. Com um novo prazo de negociação se aproximando (12 de agosto), a dúvida é se a trégua se manterá ou se Trump abrirá uma nova fase de ataques diretos aos Brics.

    Enquanto isso, o mercado cambial segue atento. As consequências dessa guerra tarifária são imprevisíveis — e podem atingir em cheio o próprio dólar.

    💬 “É difícil ver qualquer cenário em que essas mudanças sejam positivas para o dólar americano”, conclui Baur.

  • Assim é, se lhe parece.

    agosto 7th, 2025

    Fim da presepada bolsonarista na Câmara

    Acabou, enfim, a presepada bolsonarista promovida pelo partido dos fascistas, o PL. Depois de dois dias de tentativas de tumulto e bloqueio, o presidente da Câmara, Hugo Motta, reassumiu o controle do plenário e encerrou a farsa.

    Foram dias de cena grotesca. Teve de tudo. O destaque vai para a deputada Zanatta, que usou a própria filha de quatro meses como escudo humano para não ser retirada da cadeira da presidência. Uma imagem que chocou — e que, com razão, levou o presidente da Comissão de Direitos Humanos a denunciá-la ao Conselho Tutelar. Ela agora responderá por expor a filha recém-nascida dessa forma.

    O que vimos foi mais um capítulo do esperneio bolsonarista. Um movimento desesperado de um grupo em vias de extinção. E veja: isso não significa que o extremismo de direita vá desaparecer com Bolsonaro preso. Ao contrário, pode até se tornar mais radical e barulhento. Mas será menor. Sem força real.

    Menor — sem dúvida. E à espreita. De boca escancarada, cheia de dentes, esperando a chance de nos engolir. Mas hoje não. E em 2026 também não. Depois de 2030, quem sabe. Até lá, seguimos atentos. Combinado?

    A tarefa agora é clara: reeleger Lula e ampliar a bancada progressista. Sem ilusões de maioria, mas com tamanho suficiente para aprovar, com menos esforço, as pautas mais urgentes e importantes. E, especialmente, ficar de olho no Senado. Ali, o cenário parece mais favorável. O governo deve lançar nomes fortes para garantir uma presença sólida e evitar surpresas.

    Enquanto isso, a imprensa tenta ressuscitar Tarcísio — abalado politicamente pelas tarifas de Trump. Mas o que se vê é um Tarcísio desanimado. Pediu ao STF autorização para visitar o chefe preso em casa, e deve conseguir. Vai implorar por um gesto de apoio, mas não vai conseguir. A estratégia kamikaze do bolsonarismo segue. O deputado nos EUA não volta mais (até o fim do mandato de Trump), e o irmão Eduardo foi parar no pronto-socorro com a notícia da domiciliar do pai.

    No fim, continuam valentes apenas na internet.

    No Congresso, apelaram e perderam. Quem mais comemorou a retomada da presidência da Câmara foi o Centrão — o que escancara o isolamento da bancada bolsonarista. A tentativa de empurrar a tal anistia, no tudo ou nada dos últimos dois dias, terminou no nada.

    E sobre a imagem que ilustra este post? A estética nazista não é coincidência. Nem foi a primeira vez.

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  • 2026: inflação na meta, PIB em alta, desemprego nas mínimas, salários nas máximas… e ainda superávit fiscal!?

    agosto 6th, 2025

    Previsões para 2026: o ciclo já começou

    No título, já antecipei algumas das minhas previsões para 2026 — e elas certamente estarão no centro das análises econômicas e políticas nos próximos meses.

    Agosto pode surpreender com uma inflação muito baixa — quem sabe até uma deflação. Há também quem projete que os próximos meses mantenham esse mesmo ritmo, o que pode consolidar uma tendência positiva.

    No caso das tarifas, apesar dos prejuízos inevitáveis para alguns setores exportadores, o efeito sobre a oferta interna pode ser relevante. Dependendo das medidas que ainda devem ser anunciadas hoje para mitigar os impactos, a tendência é de que haja um reforço na disponibilidade de produtos no mercado interno. E, convenhamos, nada é mais desinflacionário do que o aumento de oferta.

    Quanto às previsões que destaquei, vale reler com atenção e guardar: são análises fundamentadas. Algumas já estão em curso — como o crescimento do PIB, a elevação do salário médio e a taxa mínima de desemprego. Para completar esse ciclo virtuoso, falta apenas a esperada queda da inflação para a meta, que deve puxar, na sequência, a redução da taxa Selic.

    É importante lembrar que essa desaceleração da inflação tem custo — estamos, sim, comprando essa trajetória. Mas pior seria se pagássemos caro e não houvesse retorno. Não é o caso: o dólar se mantém estável mesmo em dias tensos como o de hoje, e as bolsas reagem em alta. Como ensina o manual: especula-se na véspera, e colhe-se o lucro no dia.

    A vida segue. Não há necessidade de alongar mais. Deixo aqui essas previsões para reflexão — especialmente quanto aos efeitos eleitorais e à retomada do apoio popular às boas políticas, que podem muito bem reconduzir este projeto a um novo mandato.

  • E a resposta do Trump, saiu?

    agosto 6th, 2025

    Tem, sim, alguns nomes conhecidos no STF com medo de perder o passaporte para a Disney, mas não farão diferença na hora da decisão.

    E enquanto a bancada do PL, sem a companhia do centrão, partiu para o tudo ou nada, como havíamos imaginado, a dos EUA não trouxe nenhuma reprimenda nem mais tarifas. Ao contrário, o diálogo está fluindo cada vez mais e podemos, sim, ter surpresas antes do prazo final — inclusive sobre café e carne.

    Sim, ameaçaram as mesmas sanções para quem apoiar a decisão de Moraes de prender o ex-presidente, e sim, alguns — como foi dito — refugam com o perigo de perder a Disney. Mas até agora ficou nisso, e parece que nisso ficará.

    A data fatídica chegou e vamos ver o que de fato vai acontecer no mundo. Nenhuma hipótese pode ser descartada.

    As ameaças à Rússia terminam na próxima sexta e, também aqui, mais prazos e mais negociações são o provável. O estilo brucutu de Trump começa a ser desvendado e cada vez menos levado a sério. Se no início é necessário compor para evitar mudanças bruscas nas relações econômicas, para o futuro ninguém tem a menor dúvida de que o parceiro menos confiável de todos são os EUA — e devem ser evitados, quando possível.

    O que não é o caso do presente.

    O Brasil vai se proteger das tarifas com medidas de acomodação e compensação internas. Nada de combater com tarifas recíprocas — vai apostar no médio prazo e nas novas relações comerciais construídas e as por construir.

    O bolsonarismo furioso vai adernar nas suas loucuras e tentativas de paralisar. Não tem mais o poder de vetar — faz suas reações e depois a vida segue. O que acontece no Congresso é esperneio de desesperados e não dura.

    Confirmadas as negociações entre Brasil e EUA — mesmo com as tarifas em vigor — vai desarmar a trupe de vez. A tendência é Trump concentrar seus ataques aos ministros do STF, como anunciou. É uma afronta, e fica essa pendência para acertos futuros. Mas, cá entre nós: dos males, o menor. E, concluindo, lá no STF tem gente precisando pagar alguma penitência dos pecados anteriores….

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  • Mirando à frente.

    agosto 5th, 2025

    O dilema paralisante do PL: entre o bolsonarismo e a sobrevivência eleitoral

    O PL vive hoje um impasse que paralisa sua estratégia para 2026. Dividido entre o bolsonarismo e o centrão tradicional, o partido sabe que precisa lançar um candidato à presidência — mas também sabe que o bolsonarismo, embora ainda arraste votos para o legislativo, já não vence eleição majoritária.

    Se o nome for alguém com o sobrenome Bolsonaro, a legenda corre o risco de se isolar, empurrando seus próprios candidatos para a marginalidade política. Salva os dedos, mas entrega os anéis. E, pior: corre o risco de encolher sua bancada.

    Por outro lado, se o partido romper com Bolsonaro, perde de imediato o apoio da família e da parcela mais fiel do eleitorado — o que também compromete os resultados nas urnas. Um beco estreito, sem luz e sem saída clara.

    No último domingo, o bolsonarismo tentou mostrar força. Mas, sem a presença de governadores que preferiram manter distância da nova guinada radical, o movimento revelou mais desorientação do que vigor. A desistência de disputar a presidência foi anunciada com discurso de que só uma intervenção externa salvaria o país — uma confissão pública de que, internamente, já se veem derrotados.

    O saldo: a prisão do líder do movimento e o desmonte precoce da tentativa. Resultado imediato: direção partidária desnorteada e sem rumo.

    Esse vácuo afeta diretamente o centrão, especialmente em meio às negociações de coligações para as próximas eleições. Com Lula consolidado como favorito — sustentado por índices sólidos de aprovação pessoal e de governo —, cresce o risco de migração em massa de bancadas rumo à base governista. Sem um nome competitivo para enfrentá-lo, até os caciques tradicionais começam a temer pela própria reeleição.

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  • Fuga para as montanhas.

    agosto 5th, 2025

    Nota do PL expõe o impasse da direita brasileira

    A nota oficial do partido de Jair Bolsonaro parece piada — mas não é. Ela revela algo muito mais profundo: a paralisia da direita no Brasil, encurralada e com o bolsonarismo retornando ao modo “golpe”, agora com apoio vindo do exterior.

    Para quem acompanhou os atos de 8 de janeiro, o clima atual é familiar: o mesmo tom perdido, sem direção, e com propostas inviáveis, mesmo com as ameaças econômicas de Donald Trump ecoando ao fundo. As manifestações do último domingo deixaram isso claro. O bolsonarismo raiz abandonou qualquer pretensão de disputar eleições presidenciais legitimamente. Sabem que não têm chance — e desistiram. A aposta agora é outra: ou golpe com os EUA ou nada.

    Os americanos, por sua vez, ainda podem escalar os ataques. Resta saber se mirarão no STF ou na economia, com novas tarifas. Até aqui, as reações dos filhos de Bolsonaro à decretação de prisão foram mais lamúrias do que ameaças. Nenhum sinal de articulação com as autoridades norte-americanas para retomar a ofensiva.

    ( E saiu a resposta do Departamento de Estado norte americano ontem a noite, mirou em mais sanções contra magistrados e nada disse sobre tarifas.)

    Pode ser o primeiro indício de que o jogo acabou. Depois de afrontarem instituições, tensionarem ao limite e ameaçarem o tempo todo, a corda arrebenta. E o que sobra é o que sempre esteve reservado: cadeia, sem anistia, sem acordo, sem saída.

    Agora, só nos resta acompanhar o que mais pode vir dos EUA — talvez outra decisão estapafúrdia. Se houver mais sanções, nossa capacidade de resposta econômica se reduz a quase nada. E as consequências, como sempre, recaem sobre todos.

    Vida que segue. Soberania não se discute.

    Quanto à nota do PL, o recado está dado: querem virar a página. Não é covardia — é cálculo político.

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  • Chegou a hora.

    agosto 4th, 2025

    Às vésperas do veredito: o fim da linha para o bolsonarismo raiz

    Chegamos às vésperas das decisões do STF sobre a trama golpista de 8 de janeiro — e do anúncio oficial do destino dos criminosos envolvidos. A reta final do julgamento não encerra apenas um capítulo da história recente: inaugura também a exposição de novos personagens da mesma trama, agora flagrados em crimes graves contra a economia nacional, em aliança com potências estrangeiras. A cena política revive, com isso, os fantasmas de traidores históricos — e assim também serão lembrados.

    Na mais recente (e provavelmente última) manifestação do bolsonarismo raiz, chamou atenção a ausência de lideranças. Nem governadores, nem figuras de expressão do grupo apareceram. A aposta, agora escancarada, é outra: a intervenção externa. Os apoiadores mais fiéis não acreditam mais em vitória eleitoral — até porque, no momento, nem candidato têm. E enxergam na pressão internacional a única chance de reverter os reveses que se acumulam.

    Antes, ainda havia confiança na força interna — nos militares simpáticos à causa e em alguma chance eleitoral. Hoje, isso ficou para trás. Mesmo que a retórica de guerra ainda sirva para manter a tropa animada, a verdade é que essa nova ilusão é também a última. Depois dela, virá apenas o desalento e a desistência.

    Cientes desse roteiro, os governadores bolsonaristas — que ainda tentavam colher os frutos finais do extremismo — agora recuam. E não por acaso. Fazem a escolha racional de se afastar e esperar. Porque, diante do enfraquecimento do bolsonarismo, o que resta ao eleitorado de direita é o velho voto antipetista. A “barca” bolsonarista, que antes atraía, agora afasta:

    Apoiar anistia? 61% dos entrevistados do DataFolha dizem que não votarão de jeito nenhum em candidatos que prometem livrar Bolsonaro da cadeia.

    🟥 61% Não votaria de jeito nenhum

    🟨 14% Talvez votaria

    🟩 19% Votaria com certeza

    ⬛️ 06% NS/NR

    Há também outro fator em jogo: o bolso. Os grupos que financiam essa elite política dependem da visibilidade nos noticiários tradicionais (o chamado PIG), do dinheiro do agronegócio e da indústria, da elite econômica. E, quando os prejuízos começarem a bater na porta, será justamente essa politica que será cobrada — e pressionada a se afastar do radicalismo.

    E eles já começaram a obedecer.

    Do lado dos democratas, também é hora de virar a página. O momento exige urgência para que os processos contra os golpistas cheguem ao fim — e, ao mesmo tempo, estratégia politica para fechar os acordos necessários. Não apenas para vencer as eleições de 2026, mas para governar com mais qualidade no Congresso. Sobretudo no Senado, onde o bolsonarismo ainda mantém presença desproporcional.

    Não deveria ser uma escolha difícil.

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  • O Nosso Pré-Sal!

    agosto 4th, 2025

    A BP, gigante britânica do setor de petróleo, anunciou com entusiasmo a maior descoberta da companhia nos últimos 25 anos.

    O detalhe que salta aos olhos: o poço gigantesco está localizado no nosso pré-sal, na Bacia de Santos.

    E mais — esse ativo foi vendido para a BP em 2022, com 100% dos direitos de exploração assegurados.

    Temos, então, uma equação simples de montar: pré-sal, ano de 2022 e entrega total da exploração. O resultado? Temer e Bolsonaro.

    Essa fórmula ajuda a entender a disposição desse grupo em entregar nossas riquezas, abrir mão da soberania e seguir em um projeto de espoliação — porque compensa. Compensa para eles e para os que, dentro do país, aceitam vender o que é de todos.

    Não é preciso estender a explicação. Está cada vez mais claro que temos uma escolha direta diante de nós: defender nossos interesses, crescer e progredir de forma soberana ou continuar nos entregando e afundando na miséria.

    Não deveria ser uma escolha difícil.

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  • O último sopro do bolsonarismo na manifestação com palanque vazio.

    agosto 4th, 2025

    A cada dia a gente foi tirando um Morumbi de pessoas da insegurança alimentar. É alguém que amanhece o dia e não tem café, pão, leite para a criança. Isso nós encontramos em 33 milhões de pessoas em 2023”, disse o ministro.

    Nem desprezível, nem relevante: o que foi o ato bolsonarista em SP?

    Quarenta mil pessoas reunidas em São Paulo não é algo para se ignorar, especialmente considerando as ausências notáveis de governadores — inclusive Tarcísio de Freitas — que, atentos ao desgaste do bolsonarismo, preferiram seguir pescando votos do inelegível à distância.

    Mas se o número não é desprezível, também está longe de ser politicamente relevante. O que foi, então?

    Foi, antes de tudo, uma reação dos bolsominios ao vácuo político criado com a prisão do ex-presidente e de sua gangue — majoritariamente composta por militares — que, agora, se sentiram empoderados por uma superpotência militar e econômica com interesses próprios no Brasil. Essa mesma potência parece empenhada em usar o espaço que os fascistas abriram por aqui para operar contra nós.

    No meio disso, os fiéis seguidores compareceram com o discurso cada vez mais delirante de que apenas uma intervenção estrangeira salvaria o país. Para eles, já não há força interna capaz de conter o avanço de Lula e do PT. A ideia de soberania nacional foi trocada pela ilusão de salvação imperial.

    Talvez por esse viés abertamente entreguista, governadores de oposição e bolsonaristas de ocasião avaliaram que estariam melhor longe dessa manifestação. Com uma adesão modesta, havia mais a perder do que a ganhar ao se expor ao lado de tamanho desatino — antipatriótico, para dizer o mínimo.

    O esvaziamento de lideranças só reforçou o discurso vazio de que Bolsonaro seria insubstituível — uma fantasia que tentam sustentar apesar de todos os fatos apontarem em direção oposta.

    Em contraste direto com esse cenário sem rumo, destaquei no início do texto a fala do ministro Wellington. Enquanto o bolsonarismo patina sem direção, o Brasil e seu governo atual seguem avançando com velocidade e clareza de propósito.

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  • A tarifa das blusinhas.

    agosto 3rd, 2025

    É curioso como encaramos a nova onda de tarifas impostas pela administração Trump. Apesar do discurso oficial, quem vai sentir no bolso não são os exportadores estrangeiros — mas o próprio povo americano. Os aumentos absurdos nos custos de importação não vão parar na alfândega. Eles vão direto para as prateleiras dos supermercados.

    Na prática, qualquer consumidor nos Estados Unidos que for comprar café, roupas ou itens do dia a dia já na próxima semana, vai perceber a diferença. E, considerando que as novas tarifas atingem praticamente todos os produtos importados pelo maior mercado do mundo, o objetivo de reduzir o déficit comercial recai, em última instância, sobre quem vive lá.

    Aqui no Brasil, passamos por algo semelhante recentemente. A chamada “taxa das blusinhas” — decisão do ministro da Fazenda de taxar compras de até 50 dólares feitas em sites estrangeiros — gerou forte reação. A medida foi chamada de tudo, menos de “tarifa”, e ninguém minimizou o impacto nos preços. Ao contrário: ficou claro desde o início que o consumidor final seria o mais prejudicado.

    É exatamente esse o ponto. Quando governos impõem impostos pesados sobre produtos de consumo popular, o resultado direto é inflação interna e escassez dos bens mais comuns da rotina. No caso dos EUA, a aposta de Trump vai além da arrecadação: ele quer reverter décadas de desindustrialização provocadas pela agenda neoliberal que enriqueceu a China e outros tigres asiáticos — e deixou seu país mais vulnerável.

    Algo parecido tentaram fazer no Brasil, com algum sucesso. Ainda temos empresas públicas estratégicas e nichos industriais que resistiram. Mas a queda da participação da indústria no nosso PIB é histórica e difícil de reverter diante da concorrência chinesa.

    Mas isso é outro assunto.

    O que me intriga é saber como Trump vai lidar com os próximos meses — e talvez anos — de inflação interna. Será que os EUA conseguirão mesmo impulsionar uma reindustrialização? Tenho minhas dúvidas. Primeiro, porque será preciso atravessar o teste inicial: conviver com preços altos e desabastecimento. E é aí que mora o perigo para a política trumpista.

    Sem esquecer que a inflação foi, também, um dos maiores calcanhares de Aquiles de Biden. Ele acabou derrotado por uma soma de fatores — mas o aumento do custo de vida teve papel central.

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