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Blog do Franco

  • Argentina ladeira abaixo, como previsto.

    agosto 1st, 2025

    ” A reportagem da Sputnik Brasil revela que empresas como Mercedes-Benz, Carrefour, Clorox e Telefónica anunciaram sua saída da Argentina, o que levanta preocupações sobre um possível “êxodo” empresarial em meio ao cenário de instabilidade política e econômica sob o governo de Javier Milei.”

    A Argentina, o FMI e o castelo de cartas

    Apesar de todos os esforços — sucessivos empréstimos do FMI, bilhões e depois mais bilhões despejados —, a Argentina segue sendo o maior devedor atual do Fundo. E, ainda assim, continuam emprestando. A fundo perdido.

    Esse ciclo revela o que muitos preferem ignorar: o mercado financeiro não leva fundamentos a sério. Muito menos a inteligência alheia. Na prática, promovem políticas específicas, e quem aceita segui-las se vê forçado a abrir mão de patrimônio público construído ao longo de décadas, vendido a preço de banana, enquanto o país empurra a crise com a barriga… até a próxima explosão.

    Ainda não explodiu, é verdade. Mas apenas porque a população — argentina, brasileira, latino-americana — segue bombardeada por mentiras e ilusões. E elas, como sempre, desabam em forma de tragédias sociais.

    Mas vai.

    O tal “plano de resgate” argentino — que nem é plano, nem resgata nada — está afundando. E não porque faltou receita, mas porque o problema real do país nunca foi enfrentado: o consumo dos mais ricos. São eles os responsáveis por um déficit crônico na balança comercial, que impede a Argentina de acumular reservas em moeda estrangeira para funcionar de forma saudável.

    Em vez de atacar o cerne do desequilíbrio, opta-se por aprofundar a recessão. A estratégia? Conter a inflação destruindo o que restou da produção interna, com uma indústria já praticamente dizimada. O resultado é previsível: déficit externo ainda maior, investimentos retraídos, consumo estagnado pelo desemprego e pelo arrocho salarial.

    Enquanto isso, desmonta-se o Estado — que, gostem ou não, ainda garante empregos com salários melhores e alguma estabilidade.

    É a velha receita do FMI. Fracassada. Repetida à exaustão nas últimas décadas. E repetida por um motivo: transferir os custos do fracasso para a classe trabalhadora. Enquanto houver margem para arrocho, o jogo segue. Mas o navio vai fazendo água. E, uma hora, afunda.

    O Brasil já superou crises parecidas com uma solução simples e poderosa: melhor distribuição de renda. É o que estamos tentando repetir agora — e com resultados visíveis. Mas, para as elites, o Estado sempre será um problema, jamais parte da solução. E redistribuir riqueza, então? Nem cogitam.

    No fim, seguem empobrecendo o povo e o país. Vendem falsas soluções como vitórias, quando tudo o que têm para mostrar é pobreza e fracasso econômico.

    O mundo assiste. Compra a narrativa. Até que, de repente, como se ninguém soubesse o que estava acontecendo, o castelo de cartas desmorona. Crise. Default. Quebra.

    E no mercado internacional de hoje, quem não cuida com carinho do próprio quintal… vai entrar pelo cano.

    A Argentina, infelizmente, parece ser uma das primeiras da fila.

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  • O risco de transformar a lei em arma política.

    julho 31st, 2025

    O Caminho do Desastre: um alerta do Brasil aos EUA

    O histórico nacional não permite que assistamos calados: ao fazer uso de leis para atacar adversários políticos, como os EUA de Trump vêm fazendo, o resultado costuma ser trágico — depois de um período de desmoralização e reveses dentro do próprio sistema de Justiça.

    Refiro-me aqui à aplicação da lei Magnitsky contra o nosso ministro Alexandre de Moraes. Uma lei criada originalmente para sancionar criminosos de direitos humanos, genocidas e afins, banindo-os do sistema financeiro controlado pelos EUA.

    O curioso — e revelador — é ver que a aplicação dessa lei serve contra Moraes, mas não, por exemplo, contra Benjamin Netanyahu, de Israel. Isso por si só já revela muito sobre os propósitos do governo americano e como escolhe seus alvos.

    Quanto ao Brasil, lembro da atuação do nosso sistema de Justiça no caso do mensalão e, depois, da Lava Jato. Nem preciso relembrar os abusos nos dois episódios, que culminaram na prisão de Lula e na deposição de uma presidente honesta, Dilma Rousseff.

    Faço esse registro porque as injustiças de então — mesmo que muitos tenham recuado no caso de Lula (já que, quanto a Dilma, nada mais poderia ser feito) — agora se voltam contra nossos juízes da Suprema Corte. Alguém tem alguma dúvida do fio da história que une a derrubada do PT à ascensão da extrema-direita no Brasil, partindo justamente da atuação política do Judiciário?

    Agora, são eles os atacados. É a história retornando contra quem a desequilibrou.

    Não falo em vingança. Releia o parágrafo inicial. O que faço é advertir os EUA: essas aventuras não saem de graça. E, sim, eles também precisarão passar pela mobilização e pelos desastres que nós vivemos, para que seu povo e seus juízes sejam forçados a refletir sobre o que fizeram — e sobre as consequências.

    Foi o que aconteceu conosco. Quando nos deparamos com o fascismo e suas nefastas iniciativas, a única possibilidade de enfrentamento estava presa e amordaçada. E a salvação de todos — como vimos — foi libertar o nosso salvador.

    Que eles estão no caminho do desastre, disso não há dúvida. Mesmo que compreendamos as motivações econômicas por trás das aparentemente alucinadas decisões de Trump — reindustrializar seu país e reduzir o déficit comercial com o mundo —, seus métodos antidemocráticos e imperiais afastam aliados. O mundo vê nele um parceiro infiável e perigoso.

    Os EUA não sairão melhores depois. O baque inflacionário interno está dado. E o que se aproxima é uma espécie de Argentina armada com bombas nucleares — um cenário que pode agravar as frustrações trumpistas e gerar decisões ainda mais temerárias no futuro.

    Se, para eles, o futuro parece sombrio, para nós — e para o resto do mundo — o caminho é seguir no esforço de isolar cada vez mais o gigante do norte e consolidar parcerias multilaterais.

    Quando a crise explodir de vez e o povo americano finalmente abrir os olhos, estaremos mais preparados para viver em um mundo melhor e mais equilibrado.

    Eles, não. Primeiro, virá o furacão. E, sim, ele continuará atingindo a todos. Nossas respostas precisam ser firmes e eficazes, para que possamos nos proteger.

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  • Tarifalso, Tarifraco e Tarifake.

    julho 31st, 2025

    Café, carnes e frutas: o que ficou de fora do tarifaço dos EUA?

    Em meio ao alvoroço causado pelo decreto que impôs tarifas sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, passou quase despercebida uma fala importante do secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, feita ainda na terça-feira (29/7), antes do anúncio oficial.

    Segundo Lutnick:

    “Carne, frutas e café não entraram na lista de exceções. Mas o governo Trump considera aplicar tarifa zero para alimentos que não são produzidos no país, como café, manga, abacaxi e cacau.”

    Ou seja, embora esses produtos não apareçam na lista de exceções publicada no decreto, a sinalização é clara: café, carnes e frutas brasileiras não devem ser afetadas nem pelos 10% de tarifa geral, nem pelos 40% adicionais aplicados a outros setores.

    Um novo decreto?

    A declaração sugere que um novo decreto de caráter geral ainda pode ser publicado para formalizar a isenção desses itens — o que beneficiaria não apenas o Brasil, mas todos os parceiros comerciais dos EUA. Por ora, seguimos aguardando a confirmação oficial.

    Segurança alimentar e proteção ao consumidor

    A decisão, ao menos no que diz respeito aos alimentos, parece buscar o equilíbrio entre os interesses comerciais e a segurança alimentar americana. Leis específicas protegem o mercado interno de medidas que possam colocar em risco o abastecimento ou causar impacto excessivo nos preços pagos pelos consumidores.

    Apesar das tensões políticas e do desrespeito a certos protocolos internacionais, há mecanismos legais nos EUA que limitam o poder do Executivo nessas decisões — e o decreto faz menção a essas normas.

    O impacto no Brasil (e o que ainda está em aberto)

    Mesmo com café, carnes e frutas temporariamente poupados, outros setores brasileiros sentirão os efeitos do tarifaço. O governo brasileiro já sinalizou que pretende apoiar os segmentos atingidos, sem escalar a crise ou falar em retaliação.

    E, para além das tarifas, o cenário continua tenso. Os ataques à Justiça brasileira, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes, devem ser enfrentados por meio de recursos no próprio sistema judiciário americano — onde há boas chances de reversão, dada a natureza da medida.

    E ainda vem mais por aí…

    Na próxima semana, outro tema delicado deve ganhar força: as relações comerciais com a Rússia. Há rumores de novas sanções em preparação, o que pode trazer desdobramentos adicionais para o comércio exterior brasileiro.

    Por ora, seguimos acompanhando. E, claro, aguardando o prometido decreto que pode selar a isenção para três dos nossos produtos mais emblemáticos.

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  • TACO?

    julho 30th, 2025

    Quem leu nosso blog pela manhã estava informado da possibilidade de tarifas reduzidas, exatamente porque são produtos raros no disputado mercado internacional, primários, e caso sofressem aumento, quem iria pagar seria o consumidor norte-americano. E elevar preços de alimentos não é boa política nem para um sujeito descompensado como Trump. Mas burro, não é.

    Agora vamos acalmar e baixar a bola, porque semana que vem ainda tem a questão das sanções contra a Rússia e com os países que negociam com Moscou. E é uma coisa mais séria, não vem das mãos afoitas de Trump, mas do Congresso dos EUA, e aí sim a coisa pode complicar.

    O ataque a Moraes e as referências aos nomes de Figueiredo no texto oficial das sanções foi uma maneira política de Trump e seu entorno de satisfazer os egos dos traidores enquanto pulavam fora e aplicavam tarifas muito abaixo das expectativas anteriores, e que nem de longe comprometem a economia brasileira.

    Mas não deve ficar sem resposta — não em forma de revides ou tarifas de volta, mas de aprofundar as negociações e avançar, superando esse ataque afrontoso e ignóbil.

    E seguir fazendo exatamente o que estava antes, sobretudo com os BRICs.

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  • A disputa do verde e amarelo.

    julho 30th, 2025

    Para situar a antipatia da esquerda com o uso do verde e amarelo quando das manifestações públicas de preferências políticas, e mesmo nas campanhas eleitorais, é preciso afastar o olhar do passado bolsonarista recente e voltarmos à década de 70, quando o regime militar usava o símbolo nacional e suas cores para si e seus propósitos autoritários, sugerindo aos incomodados a deixarem o país com sua pregação de “Ame-o ou deixe-o!”. Sim, eram nestes termos que a questão do amor à pátria e seus símbolos estava colocada.

    Então não é difícil entender que aqueles incomodados rejeitassem tanto os ditadores quanto seus sinais de falso patriotismo, e o verde e amarelo foi, aos poucos, abandonado.

    Não por acaso o bolsonarismo lança mão dos mesmos maniqueísmos da ditadura, até porque, na relação de trocas estabelecidas com os militares – uns querendo impor à força seus ideais fascistas e os outros saudosistas de poder e influência, buscando uma nova aventura para redimir fracassos anteriores –, na simbiose que foi esse desgoverno Bolsonaro que acabou derrotado, apesar de tudo, e tentou (e ainda tenta) retornar, custe o que custar.

    O recente ataque dos EUA contra as nossas instituições e decisões soberanas comezinhas do funcionamento de um país livre e autônomo provocou, na esquerda, nos jovens e nas pessoas de bom senso, uma maneira de reagir e mostrar de que lado estão nessa disputa: a de recuperar os símbolos e as cores nacionais.

    Até nisso a direita se perdeu. E vem de longe, sendo então um movimento de décadas.

    Eles perderam a alma (vazia, mas era o que eles tinham).

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  • Negociação? Parece que sim.

    julho 30th, 2025

    Hoje vou arriscar um novo aspecto da crise das tarifas. Por falas recentes, estamos imaginando um cenário menos adverso no próximo dia 1º. O secretário responsável por conduzir as negociações entre os EUA e todos os demais países andou falando em tarifas zero para café e mangas — usadas como exemplo de produtos não produzidos internamente — e sugerindo que outros primários com o mesmo status não sofram incidência das novas tarifas. Trump também afirmou continuar em negociação até a data limite, e disse que, no máximo, serão cobrados de 20% a 25%, bem abaixo dos 50% previstos para o Brasil.

    A avaliação que começa a se afirmar é que os produtos primários que o Brasil exporta são commodities, na base da cadeia produtiva, e insubstituíveis. A aplicação de tarifas sobre eles provocará inflação de alimentos nos EUA — uma consequência fatal para a popularidade de qualquer administração. Os produtos manufaturados que são enviados, além dos aviões, não gozam da mesma exclusividade e podem ser atingidos, mas não afetam a nossa economia como um todo.

    Importante observar que a retórica agressiva de Trump e essa bomba de 50% atirada sobre a nossa economia tinham — e têm — o objetivo de nos enquadrar no quintal de onde não se deve sair. Mas a reação equilibrada, serena e incluindo setores atingidos para diálogo interno e negociação de saídas em comum acabam por fortalecer a posição do nosso governo na negociação e na geopolítica mundial — efeitos indesejados, e que interessam aos EUA concluir o impasse e diminuir o prejuízo da aposta quase perdida e a caminho da derrota.

    Lula, ao não aceitar o jogo da submissão — onde caíram Japão, UE e outros até aqui — escapou da cilada e vai para a mesa negociar em condições muito melhores do que esses 50% amalucados e injustos.

    Quanto à família Bolsonaro, será jogada ao mar — tanto lá fora quanto aqui — e a direita vem em frangalhos para 2026.

    É o que vejo agora.

    Observar com atenção o comportamento da bolsa e do câmbio hoje: como a equipe de Trump está usando informação interna para especular e lucrar, e ontem tanto câmbio, bolsa e juros futuros andaram a favor do Brasil, pode ser uma evidência poderosa de que algum tipo de acordo está, sim, acontecendo.

    Pois é, até uma manipulação desse nível nos serve de referência quando estamos lidando com gângsters e piratas.

    A ver.

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  • Os Kids Pretos.

    julho 29th, 2025

    ‘”O STF interrogou ontem os integrantes do núcleo 3 da trama golpista. O grupo é formado por militares da ativa e da reserva do Exército, os “kids pretos”, além de um agente da Polícia Federal. Segundo a PF, o grupo elaborou plano que previa o assassinato do presidente Lula da Silva.

    Em interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do processo da trama golpista, o coronel do Exército Bernardo Romão Correa Netto afirmou que uma reunião entre os militares do Batalhão de Forças Especiais, conhecidos como “kids pretos”, em 22 de novembro de 2022, foi apenas um “encontro de amigos”.

    Com os trabalhos de ontem, o STF concluiu a etapa de ouvir os acusados e aguarda a decisão da PGR quanto ao enquadramento nos respectivos crimes cometidos e às penas correspondentes.

    O núcleo 4 havia sido ouvido anteriormente, invertendo a ordem numérica, e todos os acusados do crime de tentativa de golpe de Estado, entre outros graves delitos, estão com seus dias de liberdade contados.

    É bom deixarmos registrado esse momento, que se aparenta normalidade para alguns — saibam que de normal não tem nada. Um império se levanta contra essa investigação, e se antes os ares históricos estavam restritos a eventos nacionais, agora incluem os internacionais, situando as futuras decisões em ordem de grandeza inédita, por conta dos interesses envolvidos.

    Claro que o interesse dos EUA e suas ameaças pouco têm a ver com o destino dessa trupe. E vale ressaltar o nível baixíssimo dos personagens: a citação de uma das defesas de um coronel, que inclui no início do texto — e que não foi exceção, mas a regra das defesas de todos eles — mostra o fundo do poço onde estão situados os nossos defensores da pátria profissionais, impondo como tarefa futura e inadiável uma discussão sobre o que essa gente anda aprendendo e ensinando nas escolas militares.

    O núcleo número um, que inclui o ex-presidente e seus generais mais próximos, tem previsão de conclusão do julgamento para setembro, no mais tardar em outubro.

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  • “mais uma vez..”

    julho 28th, 2025

    Brasil não está mais no Mapa da Fome. O anúncio foi feito pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU) nesta segunda-feira (28.07) em Adis Abeba, Etiópia. O resultado reflete a média trienal 2022/2023/2024, que colocou o país abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente. A conquista foi alcançada em apenas dois anos, tendo em vista que 2022 foi um período considerado crítico para a fome no Brasil.

    “Sair do Mapa da Fome era o objetivo primeiro do presidente Lula ao iniciar o seu mandato em janeiro de 2023. A meta era fazer isso até o fim de 2026”, lembrou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias. “Mostramos que, com o Plano Brasil Sem Fome, muito trabalho duro e políticas públicas robustas, foi possível alcançar esse objetivo em apenas dois anos. Não há soberania sem justiça alimentar. E não há justiça social sem democracia”, completou.

    Não há soberania sem justiça alimentar. E não há justiça social sem democracia”

    ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias

    Os dados constam no Relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025 – SOFI 2025 – lançado pela FAO durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU (UNFSS+4). O encontro ocorre até 29 de julho na capital da Etiópia.

    Brasil Sem Fome

    A saída do Brasil do Mapa da Fome é resultado de decisões políticas do governo brasileiro que priorizaram a redução da pobreza, o estímulo à geração de emprego e renda, o apoio à agricultura familiar, o fortalecimento da alimentação escolar e o acesso à alimentação saudável.

    Esta é a segunda vez que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva retira o país dessa condição: a primeira foi em 2014, após 11 anos de políticas consistentes. No entanto, a partir de 2018, o desmonte de programas sociais fez o Brasil retroceder e retornar ao Mapa da Fome no triênio 2018/2019/2020.

    Em dois anos de governo, o Brasil teve reduções históricas da insegurança alimentar grave e da pobreza. Os números nacionais da fome, captados por meio da aplicação da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) nas pesquisas do IBGE, mostraram que, até o final de 2023, o país retirou cerca de 24 milhões de pessoas da insegurança alimentar grave.

    Redução da pobreza

    Foto: Roberta Aline / MDS

    Foto: Roberta Aline / MDSAlém disso, em 2023, o país reduziu a pobreza extrema a 4,4%, um mínimo histórico, refletindo a retirada de quase 10 milhões de pessoas dessa condição em relação a 2021. Em 2024, a taxa de desemprego chegou a 6,6%, a menor desde 2012, o rendimento mensal domiciliar per capita bateu recorde, chegando a R$ 2.020, e o índice de Gini, que mede a desigualdade, recuou para 0,506 — menor resultado da série histórica.

    A queda da desigualdade reflete a dinâmica do mercado de trabalho, com a recuperação gradual do emprego e o aumento da formalização. Em 2024, a renda do trabalho dos 10% mais pobres do Brasil cresceu 10,7%. E o ritmo desse crescimento foi 50% maior do que o verificado entre os 10% mais ricos. A renda do trabalho subiu, em média, 7,1% no ano.

    Além disso, de acordo com informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), das 1,7 milhão de vagas com carteira assinada criadas no Brasil em 2024, 98,8% foram ocupadas por pessoas cadastradas no Cadastro Único do Governo Federal. Entre os contratados, 1,27 milhão (75,5%) eram beneficiários do Bolsa Família.

    Com aumento de renda ao conquistar um emprego estável ou uma melhor condição financeira como empreendedores, cerca de um milhão de famílias superaram a pobreza e deixaram de receber o benefício do Bolsa Família em julho de 2025.

    Sair novamente do Mapa da Fome da ONU – no tempo recorde de dois anos -, com a população tendo mais acesso a alimentos saudáveis, reflete o efeito das políticas sociais do Governo Federal, que tem transformado a realidade de milhões de brasileiros com acesso à renda, ao emprego e à dignidade.

    “Essa vitória é fruto de políticas públicas eficazes, como o Plano Brasil Sem Fome que engloba o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Cozinha Solidária, a valorização do salário mínimo, crédito para a produção de alimentos pela agricultura familiar (PRONAF), incentivo à qualificação profissional, ao emprego e ao empreendedorismo, além do incremento da alimentação escolar. Todas as políticas sociais trabalhando juntas para ter um Brasil sem fome e soberano”, afirmou Wellington Dias.

    Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza

    Foto: Ricardo Stuckert/ PR

    Foto: Ricardo Stuckert/ PRProposta pelo Governo do Brasil durante a presidência do G20, em 2024, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza tem o objetivo de unir esforços de países, organizações internacionais e instituições financeiras para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com foco na erradicação da fome e da pobreza até 2030. Atualmente, a Aliança conta com mais de 100 países membros, além de diversas fundações, instituições e organizações.

    A ideia é fortalecer a cooperação internacional e atrair recursos e conhecimentos para implementação de políticas públicas e tecnologias sociais eficazes na redução da fome e pobreza por todo o mundo.

    “O exemplo brasileiro pode ser adaptado em muitos países ao redor do globo. No Brasil, sair do Mapa da Fome é só o começo. Queremos justiça alimentar, soberania e bem-estar para todos”, destacou o ministro.

    O titular do MDS afirmou ainda que, por meio das políticas públicas internas e de iniciativas como a Aliança Global, o Governo do Brasil tem reafirmado seu compromisso com a erradicação da fome e com a construção de um mundo mais justo e igualitário, garantindo que seja possível atingir os ODS da Agenda 2030.

  • As violations of international law by the US and Israel mount, the message appears clear: “Only the weak follow the rules.” 

    julho 28th, 2025

    Acordo com os EUA é ‘dia sombrio’ para a União Europeia, diz primeiro-ministro da França.
    De acordo com François Bayrou, a UE se resignou à submissão em acerto anunciado neste domingo em encontro entre Donald Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (AFP).

    Every Trump trade “deal” is a defeat for the US. They all cost US consumers money unnecessarily. None will bring real benefits to the US. All will slow our economic growth and undercut our competitiveness. All weaken the global trading system. Many include impossible promises. Economic malpractice.

    O que estamos vendo — até aqui unânime — é rechaço ao acordo por parte de líderes europeus, e os EUA de Trump comemorando.
    Se imaginarmos a coerência retórica e mesmo nos acordos, quando a persona Trump está envolvida, é razoável supor que o acordo não terá vida longa. Mesmo com o Japão — supostamente acordado com as imposições dos EUA e recém-anunciado — não caminha nada bem.
    E, enquanto afirmava firmar com a UE, Trump colocava em dúvida os 10% que acabara de formar com a Inglaterra.
    E o prazo de 90 dias que deu para a Rússia terminar a guerra com a Ucrânia diminuiu 50.

    Os fatos mostram que nenhuma garantia de nada pode ser retirada dos tais anúncios de acordos, até porque ninguém assinou nada e, sabemos, é aí que mora o diabo.

    Quanto a nós, nenhuma sinalização — e todos concordam que as imposições são impossíveis de aceitar — nos deixando na obrigação de olhar adiante e buscar novas parcerias. O que, aliás, temos feito e com sucesso.

    É até provável que os EUA endureçam ainda mais a retaliação contra nós, com dificuldades imensas até para acessos a sistemas mundiais de pagamentos.
    E temos fundadas preocupações de que até as nossas reservas em títulos dos EUA possam estar ameaçadas.

    Nada que Rússia e China não estejam enfrentando.
    E se é verdade que a China é grande e poderosa, a Rússia e nós temos economias equivalentes — e eles sobrevivem, e bem.

    Com uma diferença: lá não tem PL e bolsonaristas, e a mídia não pode enfrentar as decisões soberanas ou ameaças à segurança interna.
    Por aqui, estamos com cerca de 1/3 de traidores, e a imprensa oligopolista é golpista, é contra os interesses nacionais — e não é de hoje, sempre foi.
    O que fragiliza nossa posição de defesa intransigente dos nossos interesses e o enfrentamento, do jeito que for preciso, dessa ameaça e afronta.

    Vida que segue, firmes na luta e sem medo. Vamos precisar — até porque, como destacado no título, atualmente “só os fracos seguem as regras”.

    Complicado, até triste — mas se assim é, assim será.

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  • E se as tarifas são inevitáveis?.

    julho 28th, 2025

    Na véspera do início da cobrança das tarifas que, na prática, irão bloquear os produtos brasileiros para os consumidores norte-americanos, não temos visto, em números, as consequências econômicas para nós.

    Os mais recentes estudos disponíveis falam em queda do PIB, sem apontar, entretanto, um número. Apenas o governador de São Paulo sapecou, nesta semana, um exagerado 2,7% de queda do PIB no seu estado, sem explicar de onde saiu a estimativa.

    Quanto ao desemprego, o mesmo cenário: novamente apenas Tarcísio chutou em 120 mil a perda de postos de trabalho no estado que governa.

    Poucos estados brasileiros têm nos EUA seu principal cliente. E, sem dúvidas, SP, por exportar produtos manufaturados, além de frutas, seria o mais prejudicado. No Nordeste, seriam frutas e pescados; e no ES, as atividades portuárias ligadas à extração mineral, aos siderúrgicos e às pedras naturais.

    Mas se estamos falando de queda no PIB e desemprego, a consequência interna pode ser de queda da inflação, sem dúvida. E um ponto relevante é que estamos com os maiores juros do mundo, com perspectiva de queda — exatamente porque nosso Banco Central iniciou o ano com números inflacionários crescentes, e a alta no preço dos alimentos caminhava para níveis insuportáveis.

    É curioso como todas as críticas e análises sobre os efeitos negativos na nossa economia — sem dúvida prováveis e esperados — ignoram o efeito desinflacionário do ataque à nossa soberania. Curiosamente, a desgraça, em termos de menor atividade econômica, pode significar queda da inflação.

    Um ponto-chave seria o comportamento do câmbio — num primeiro momento tendendo a subir, o que já acontece — e, sendo uma variável decisiva na influência dos preços, é preciso evitar que ele seja contaminado pela crise das tarifas. E aqui entra a política interna de Trump, pressionando o banco central de seu país para derrubar os juros (ele falou em 1% ao ano). Isso pode ser o elemento decisivo para conter a escalada do dólar e decidir a parada contra a inflação no Brasil — a nosso favor.

    É uma lógica torta o que estou fazendo, sei muito bem. Buscar aspectos positivos em queda de exportação e consequências sobre níveis de emprego e PIB é um exercício para lá de indesejável.

    Sim, é.

    Mas o ponto é que esse é exatamente o tipo de análise que vemos todos os dias, quando tratamos de inflação e da atuação do Banco Central perseguindo a meta inflacionária estabelecida pelo Conselho Monetário. Quando os números crescentes do Caged são divulgados, quando os números ascendentes do PIB saem, a atividade — sobretudo de serviços — “pressionando”, o crescimento da massa salarial… todos os aspectos positivos da economia são, para certa gente, sinais de preocupação com indícios de inflação que precisa ser contida — e tome juros na lua.

    Minto?

    Se as tarifas de Trump vão fazer o serviço que a Selic não conseguiu fazer até agora — de enquadrar a inflação na meta — quem sabe a crise com os EUA consegue?

    Não é isso que os elogios e loas à condução da economia na Argentina destacam? Que no país a inflação está caindo, apesar de o povo todo estar se lascando?

    Por aqui, alguns nacos de crescimento serão tirados, o desemprego vai aumentar, a atividade econômica — sobretudo ligada aos setores que exportam aos EUA — vai se lascar. E a inflação?

    Vai cair. Talvez não agora, com o dólar pressionado, mas na sequência — com a acomodação e o aumento da oferta de produtos internos, alimentos sobretudo — os efeitos desinflacionários não podem ser negligenciados.

    E não faço ironia, nem imagino cenário melhor com queda no comércio e perda do maior mercado do mundo. Longe disso.

    Mas não deixa de ser surpreendente perceber a ironia da coisa, quando Trump, com seu desarranjo, pode ser eficaz em alguns aspectos: concluir o serviço do nosso Banco Central no combate à inflação e ainda ajudar no reequilíbrio do câmbio ao jogar nas mínimas as taxas de juros nos EUA.

    Ilusão?

    Talvez. Porque tem custo político, dependendo do desenrolar da crise. Mas, sobre a inflação, se a expectativa é de queda do PIB e aumento da oferta interna de alimentos, a chance de queda está dada.

    Finalmente: a tarifação e o bloqueio do comércio com os EUA — que nos é deficitário —, se efetivamente provocarem queda na inflação como consequência de menor atividade e mais desemprego, é pior do que pagarmos R$ 1 trilhão anual no serviço da dívida interna? Quantos bilhões seriam poupados se nossa taxa interna de juros cair por conta dessa crise? Se é esse o tipo de pensamento que domina o cenário da nossa economia, por que não incluir entre as hipóteses para discussão?

    Até porque, enquanto Trump anuncia acordos por aí, alguns importantes como o de ontem com a União Europeia, o que negociam, apesar de abusos e imposições imperiais, está dentro das possibilidades dos envolvidos e no restrito interesse comercial. O que não é o nosso caso, o que nos exige é impossível de aceitar, tornando nosso acordo inviável e as tarifas inevitáveis. Então, o que fazer, senão enfrentar e extrair o possível ?

    OBS.: Não deixe de comentar e curtir os posts, se for o caso.
    Não esqueça de divulgar, se lhe convém.

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