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Blog do Franco

  • Houve algum resultado nas negociações com os EUA?

    julho 25th, 2025

    Lula: ‘Se abaixar a cabeça, eles colocam uma cangalha e a gente não levanta mais’

    Surgiram versões por parte do secretário de Comércio dos EUA sobre interesse em minas de terras raras, que estão no centro das negociações entre China e EUA e são vistas como estratégicas para o futuro, como o petróleo sempre foi.

    Alckmin, por sua vez, também tem afirmado manter conversas mais sigilosas e, a partir de segunda-feira, dia 28, o comitê montado pelo governo e presidido pelo vice vai promover rodadas diárias de coletivas com a imprensa para atualizar o status das conversas e informar, até o prazo fatal de 1º de agosto, todos os esforços empregados na direção de negociar as tarifas impostas.

    Enquanto isso, a embaixada dos EUA aqui no Brasil ataca diariamente o STF, e particularmente o ministro Moraes, e uma vez ultrapassada a data limite, sem nenhuma dúvida, alguma coisa muito séria deverá ser feita com relação às seguidas loucuras promovidas pela embaixada estrangeira.

    Lula ontem afirmou aguardar o jogo do presidente e se diz disposto a gritar “seis”, em referência ao jogo (truco) que jogam.

    Governadores e empresários estão muito preocupados e algumas consequências começam a aparecer, com safra de laranja a perder, ferro-gusa que não embarca, queda na venda de carnes etc… e, aqui no ES, o setor de pedras ornamentais vive praticamente de exportar para os EUA sua produção das exóticas.

    Sem dúvida, a curto prazo as notícias não são nada boas, e uma vez confirmadas as tarifas, muitos danos à economia serão feitos, com consequências na nossa balança comercial e nos empregos que as várias atividades atingidas representam.

    Mas é preciso um olhar para o futuro sobre essa crise e aí também não restam dúvidas de que, uma vez contabilizados, os danos são relativamente pequenos e perfeitamente superáveis em todos os seus aspectos. Tanto podemos, gradativamente, recolocar os nossos produtos em outros mercados, como podemos passar a buscar os produtos dos EUA — que a reciprocidade nas tarifas vai tornar impeditivos — com outros fornecedores no mundo.

    Há muito os EUA não são mais nosso principal parceiro comercial. Nossas economias não são complementares — e por isso nosso comércio com a China cresce e cresceu tanto — e são economias, em muitos aspectos, concorrentes, sobretudo entre produtos do agronegócio.

    Finalmente, o notável economista Paul Krugman confirma a nossa pouca dependência econômica com os EUA e aconselha agir com firmeza diante de negociadores que só reconhecem e respeitam a força.

    A popularidade de Trump está em franca decadência, a apenas 6 meses do mandato. Sua figura agressiva e desrespeitosa não é privilégio conosco e, a partir do dia 1º de agosto, se ele não recuar, como tem feito seguidamente, o início das tarifas será mundial, e o custo inflacionário interno nos EUA será imenso — talvez insuportável.

    E aí, veremos.

    Por aqui, Lula caminha para disputar 2026 sem um adversário definido. A extrema-direita, perdida e sem a bandeira do patriotismo para exibir — muito menos a da soberania —, vê os grupos de apoio do agro e da indústria se sentirem traídos e perplexos com a loucura bolsonarista. E agora ainda insinuam avançar sobre nossas riquezas minerais em troca de ameaças, o que nos permite reafirmar a defesa de nossos interesses e abrir mais uma frente de confronto com entreguistas e traidores entre nós.

    Cada vez mais, a posição nacionalista e equilibrada de Lula e seu governo se torna a única certeza diante desses ataques imperialistas e agressivos, tornando a vitória em 2026 um caminho natural para a defesa de nossos interesses

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  • Pacto de silêncio e prisão preventiva, na prática.

    julho 24th, 2025

    Sextas-feiras são geralmente as preferidas para as prisões espetaculares, então tudo que disser aqui fica suspenso até amanhã.

    O silêncio obsequioso do ex-presidente após a decisão dura de Moraes contra o circo em sua volta, turbinado pelo frenesi das tarifas e do filho nos EUA, que chegou a um ponto insuportável partindo de um réu acusado de tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado de Direito e assassinato — do próprio juiz, do atual presidente e do vice em exercício. Uma acusação desse montante de crimes bastaria para jogar qualquer um na cadeia antecipadamente, mas os tempos são estranhos, e seguir o rito queimando o bandido e seu bando em fogo baixo tem funcionado.

    Não no caso presente, de ataque por potência estrangeira contra nossa economia, com ameaças reiteradas e sem canais de diálogo. Pior, os senadores que viajam em comitiva para os EUA, na tentativa de romper o bloqueio, são boicotados abertamente pelos traidores — o que merece resposta pronta e imediata.

    Mas chegamos às vésperas do início das tarifas em 1º de agosto, previstas para praticamente todos os países do mundo, e esperar alguns dias para prender o ex-presidente não faz mal nenhum. A Justiça contemporiza e faz cálculos o tempo todo, e uns dias a mais não fazem diferença — sobretudo se, na prática, o ex-presidente está cumprindo silêncio e a prisão domiciliar a que foi conduzido.

    Após o dia 1º de agosto e Trump cumprindo suas ameaças de tarifas proibitivas, e na sequência normal do processo prevendo a prisão para setembro ou outubro, uma vez cumpridas as determinações da domiciliar, é razoável manter a situação sob controle, apesar dos desaforos dos bolsonaristas desesperados.

    Uma vez iniciadas as tarifas de 50%, aumentar para 100% ou 200% não faz diferença. E, se nós perdemos o mercado, o consumidor dos EUA é quem paga o novo imposto — e não devemos negligenciar os efeitos inflacionários da decisão. Mas eles que se virem, porque por aqui recolocar nossos produtos no mundo não é trivial e demanda tempo, que se paga em queda de exportações e empregos.

    Fora que outras sanções podem ser anunciadas — imprevisíveis e sempre perigosas — em se tratando de um governo descontrolado e sedento de impor vontades imperiais.

    Faltam poucos dias para sabermos, e a questão Bolsonaro é carta marcada nesse jogo, e não tem mais volta para o destino que ele mesmo escolheu para si e seus seguidores próximos.

    Quanto a nós, e às soluções para o comércio com os EUA, o tempo vai dizer. O mais certo é imaginar que piora ainda mais, antes de melhorar.

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  • Dia da prisão.

    julho 22nd, 2025

    Não acredito na hipótese de forçar a prisão e provocar maiores reações do Laranjão do Norte. Bolsonaro é um covarde, mas provocador, e vive nos limites da legalidade — onde fez sua carreira política surfar e afundar, como provavelmente veremos de hoje para amanhã.

    A decisão do ministro Fux de não seguir a decisão da maioria da Turma, confirmando as restrições, me surpreendeu, por sua total falta de discernimento e espírito de corpo, mas foi coerente com sua visão personalista e interesseira do mundo. Prevaleceu seu sossego e o visto dos EUA para si e familiares. Talvez as netas pensem em Disneylandia nas próximas férias. Sob o ponto de vista prático, não faz diferença e pode até servir para mostrar isenção e liberdade da Corte — a quem possa interessar.

    O dia de ontem, quando o ministro Moraes advertiu Bolsonaro em sua estratégia de aumentar exposição com entrevistas e publicações pagas na internet, foi para interromper o ciclo de ataques e afrontas. O filho que o país sustenta nos EUA, com apoio da campanha de arrecadação dos aliados, passou a ser conluio contra os interesses do Brasil — ameaçado sem nenhuma razão econômica por tarifas dos EUA de Trump. Quem imagina ser possível aceitar passivamente um ataque frontal aos interesses nacionais, como estamos assistindo, perdeu a noção de valores e propósitos pessoais e coletivos relacionados à própria sobrevivência material do país onde vive. Em todo o caso, a maioria entende como impossível aceitar a conduta criminosa e reconhece o direito e a necessidade de interromper o fluxo criminoso onde e como for possível.

    E, no nosso caso, estamos falando do ex-presidente e seu filho nos EUA servindo de aríetes contra o Brasil, no alvo de Trump por todos os motivos relacionados aos BRICS — e nada aos dessabores do ex-presidente.

    Enfim, o caldo entorna e os abusos estão no fim. Eduardo, com salários e bens bloqueados e sem chance de alguém aqui no Brasil inventar cargo em secretaria de Estado para ele. Quem fizer isso substitui o pai no comando da operação de sustentar os ataques ao país. Você imagina algum governador disposto a isso? Os salários do deputado Eduardo da Câmara também estão congelados, assim como suas contas, restando para seu sustento contar com a rede de apoio lá nos EUA. Aqui no Brasil, a vigilância certamente impedirá envio de recursos.

    O cerco se fecha. Bolsonaro, ao afrontar a decisão de Moraes ontem, assumiu, a seu jeito, o risco de prisão — e vai, a contragosto, para a cadeia. O filho Eduardo, assim que botar os pés por aqui, também. E ele se esquece que Trump não será presidente para sempre e nem pode se candidatar novamente, segundo as leis nos EUA — que podem até mudar, mas trariam como adversário o ex-presidente Obama para a disputa! — e sua batata fica a fogo baixo, assando.

    Esperar para ver. Mas, quando o dia chega, ele chega. E para Bolsonaro, e sua aventura alucinada e doentia, chegou.

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  • Os ventos do norte não sopram moinhos.

    julho 21st, 2025

    No que depender de nós, ter paz com todos.

    Uma das maiores críticas dirigidas à administração agressiva de Trump é que não conseguiu finalizar acordos comerciais. Apesar da estratégia alucinada e de seguidos anúncios de sucessos, a verdade é que está ficando com a fama de correr na última hora e não implementar as decisões anunciadas. Ou, se preferir, cumprir as ameaças.

    O prazo de 1º de agosto não seria o primeiro. A rigor, praticamente nos últimos meses, todos os meses desde a posse, não tem feito outra coisa senão ameaçar. Tanto seus cidadãos — os que discordam e são em
    números crescentes — quanto os demais, em todas as partes do mundo.

    O Brasil entra na lista onde estão todos e, embora por motivos aparentemente distintos, falsos e equivocados, ofensivos, não vejo diferença no objetivo final: impor interesses à força e prevalecer, talvez reviver, o comércio internacional francamente favorável — custe o que custar. Muitas, senão todas, as guerras são travadas por esse motivo. Não há nenhuma outra denominação para a atual, além de ser mais uma guerra do tipo comercial. E as promessas da OTAN de gastar 5% do PIB de cada um de seus membros em armas é a base material da retomada da indústria norte-americana, conhecida pelo complexo industrial-militar. Se existe semelhança com alguém, me permitam: foi assim que Hitler tornou a destruída Alemanha do final da Primeira Guerra em uma pujante Alemanha industrial, poderosa. E rápido — e com as consequências conhecidas. E não faltam perseguições internas para mobilizar os furiosos, os inimigos externos para manter o fôlego preso, as razões de promessas do MAGA. Não falta nem a saudação do braço direito ao alto, como cada dia um aqui e outro ali se orgulha em exibir.

    Para nós, o que importa é atravessar até o dia 1º de agosto esgotando todos os canais de diálogo, até agora absolutamente obstruídos. A pressão por acordos parte de todos os atingidos, dentro e fora dos EUA, e anúncios de acertos ainda não confirmados pululam na imprensa diariamente. Além disso, todos preparam retaliações e reciprocidade de tarifas — o mínimo a se fazer nesses casos. E tudo, lembremos, uma vez efetivado, quem paga é o consumidor norte-americano, que vê inflação e depressão econômica batendo à porta.

    Chegando o dia 1º de agosto e confirmadas as sanções, as oportunidades de negociação em bloco deverão surgir, evitando a estratégia de Trump de isolar cada um para negociar separadamente.

    Até lá, seguir nas tratativas e buscar alternativas. Nossa economia é diversa e relativamente fechada, dá pra superar a afronta com determinação. A questão política envolvida não se resolve, porque aí não tem negociação e deve seguir escalando até a eleição de 2026. Mas os desafios internos de Trump são crescentes, sua popularidade cai rapidamente e eles também têm eleição de renovação do Congresso em 2026, com a perspectiva de perder a maioria mínima que possuem. Além de escândalos terríveis em que seu nome está envolvido e que podem trazer uma derrocada infame e definida.

    São essas as possibilidades, e não sabemos onde vamos, por enquanto.

    Nossa sorte, repito, é termos nosso timoneiro afiado e lúcido, nos conduzindo.

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  • Fiapo de verdade e um novelo de mentiras.

    julho 20th, 2025

    Estamos ainda sem saber até onde vão os desafios econômicos e políticos a serem enfrentados nos próximos meses, provocados por esse ataque sem precedentes — até por ser aberto e público — dos EUA contra o Brasil.

    Se em um primeiro momento o governo Lula capitaliza simpatias e apoios internos e o bolsonarismo afunda na arrogância e antipatriótica missão que assumiram em prol da autoanistia, todo o cuidado deve ser tomado para que essa disputa não escale para uma guerra e os prejuízos inevitáveis caiam, no momento seguinte, na conta do governo.

    Explico.

    As ações de resposta devem ser avaliadas dentro do nosso interesse maior. Por exemplo, de que nos adianta devolver tarifas lineares de 50%, sem critério e desleixo, como fazem conosco? Afinal, não seriam os consumidores de cada país quem vai pagar essa tarifa? No sentido do aumento de custos e inflação. A Embraer, nossa principal empresa de exportação, usa em seus aviões 45% de produtos da indústria norte-americana. E, nesse caso — e em tantos outros —, que sentido há em taxar nossos próprios interesses comerciais? O que tento dizer é que, no final, na ponta, quem vai pagar a tarifa é o consumidor, e selecionar a quem tarifar é um exercício impossível por privilegiar alguns e não outros.

    Nada fazer, nada retaliar?

    Sinceramente, não sei. Esperar o dia 1º de agosto é a única coisa que consigo enxergar, porque não somente o Brasil, mas todos os países do mundo enfrentam suas respectivas tarifas, e os problemas espalhados e acumulados no mundo inteiro certamente propiciarão oportunidades e interesses novos e urgentes, que podem e deverão ser aproveitados.

    O problema é que qualquer saída ou solução demanda tempo. Nosso caso é diferente dos demais países porque o componente político fala mais alto e bloqueia o diálogo. E os EUA não mostram o menor interesse, até aqui, em negociar.

    Por tudo isso, e porque estamos lidando com chacais que estão destruindo seus interesses mesmo dentro de seu próprio país — e fazer pior, e muito mais, com os de fora não faz diferença para eles —, não convém escalar e aumentar os problemas. Um esclarecimento sobre isso pode ser dado à nossa população, para todos entenderem que o custo de adquirir nossos produtos quem paga é o povo dos EUA. Não repetir o erro internamente, aumentando os nossos; buscar e insistir na negociação; ir aos tribunais internacionais; acionar a Justiça contra os promotores desse ataque, inclusive ajuizar ações cíveis de indenização por prejuízos econômicos, além dos processos penais; promover e incluir outros países atingidos e forçar negociações multilaterais — a estratégia dos EUA é cindir os blocos e negociar individualmente, onde sua força maior prevalece.

    Então, percebe-se que temos muitos caminhos a descobrir, se a porta da negociação se fechar. E é importante frisar que precisamos de um interlocutor interessado do lado oposto para negociar. Se no caso não temos com quem conversar, o assunto está resolvido, custe o que custar, e seguimos com a vida.

    Por fim, uma observação: a impunidade dos crimes do regime militar de 64 abriu o caminho para a tentativa do bolsonarismo. Que estejamos fechando essa porta, custe o que custar.

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  • O bolsonarismo acabou, voltam os conservadores.

    julho 17th, 2025

    Sim, como movimento político com força para disputar e vencer eleição para presidente no Brasil, acabou. Mas a direita, até reacesa depois do bolsonarismo, trumpismo e coisas do tipo, permanece. E estão em busca de novos rostos para se apresentarem em 2026. A presença antes certa de um sobrenome Bolsonaro, como titular ou vice na chapa, me parece descartada. Mesmo Tarcísio, que sempre desconfiei de sua disposição de deixar uma reeleição encaminhada em SP— mas a essa altura também ameaçada — por uma aventura improvável contra Lula, me parece definitivamente fora da disputa, e os extremistas estão sem um nome para apresentar. O que significa que a cabeça da chapa vai se deslocar para o centro, com a extrema-direita apoiando um nome tipo Ratinho, Caiado ou até Leite. Não penso em Zema, no máximo vice de alguém.

    O momento político segue animado, com o governo cada vez mais disposto a colocar as cartas na mesa, vetando o aumento do número de deputados que havia sido aprovado a toque de caixa, como fizeram ontem de madrugada ao aprovar o PL da devastação, que ainda recebeu vários jabutis e que será provavelmente vetado no futuro próximo.

    Além do veto ao aumento de deputados, o governo obteve do STF o retorno da incidência de novas tarifas do IOF, conforme previsto. Tudo não passava de iniciativas eleitoreiras do centrão, levantando a bandeira da contenção de gastos e contra o aumento do que eles chamam de impostos. Preferem cortar no salário mínimo, na saúde e na aposentadoria. Mas não têm como fazer isso a um ano das eleições e tentaram emplacar um discurso. Foram contra-atacados pela reação do programa social e de desenvolvimento e perderam o rumo, com a aprovação do governo crescendo e as bandeiras eleitorais conhecidas e vitoriosas a caminho de mais uma reafirmação nas urnas. Quero ver alguém defender corte de gastos na campanha ano que vem.

    Se não bastassem as disputas internas, agora enfrentamos o tarifaço dos EUA, e sem nenhuma dúvida o ambiente em constante rearranjo vai ser fundamental para superar esse enorme desafio. Seguramente, como em 2008 na crise dos bancos dos EUA, o presidente Lula é o homem certo na hora certa para enfrentar mais esse tsunami.

    Não temos por parte dos EUA nenhuma sinalização para acordo ou flexibilização da decisão a partir de 1º de agosto, apesar da mobilização do empresariado e do governo no sentido de buscar solução. Se preparar para o pior é o mais sensato, apesar da fama de Trump de correr da raia na última hora. Não devemos contar com isso. O alvo é grande, e a aposta para os EUA é relativamente pequena ao nos atacar visando os BRICS.

    Certamente, a ferida de morte do bolsonarismo permite vislumbrar uma disputa mais equilibrada também no Congresso, com a chance de eleger quadros políticos mais qualificados e afastar o PL bolsonarista das maiorias. Continua cedo para saber, mas a movimentação das candidaturas segue firme, e a disposição das forças progressistas de recuperar protagonismo com números — e não somente com gogó — parece começar a fazer sentido. A popularidade do governo é fundamental nesse jogo e todos, todos sabem disso.

    Agora é verificar se o Congresso, depois do veto do Lula e da decisão do STF, vai tentar alguma coisa além de aprovar ontem o PL da devastação. Acho que ficam nisso e seguem para as férias, para avaliar e lamber feridas.

    E depois veremos.

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  • Pressão total. Para quê?

    julho 16th, 2025

    Ontem tivemos mais duas notícias vindas dos EUA contra nós, brasileiros. Uma do chefe da OTAN, repetindo as falas do presidente Trump sobre a Rússia e o prazo de 50 dias para fim da guerra com a Ucrânia. Ironizou a ameaça, sugerindo ao Brasil ligar para Putin pedindo o fim da guerra, senão nosso país teria sérias consequências. Ameaçou os BRICS abertamente.

    A outra péssima notícia veio na esteira daquela carta desadoforada do próprio Trump, sobre uma investigação relacionada a seção 301, que de fato foi aberta ontem, quando farão uma devassa em vários aspectos da nossa relação comercial. E isso porque somos deficitários em bilhões — imagine se não fôssemos.

    Em todo o caso, a questão Bolsonaro está completamente ultrapassada por esses novos anúncios. Sobre ele, Trump até lembrou, em entrevista, que ele é apenas um conhecido, e não um amigo. E recolocou a situação nos termos de interesse real de todo esse imbróglio: atacar os BRICS.

    E por que o Brasil?

    Porque, dos principais participantes do grupo, o Brasil é o mais frágil, não tem bombas atômicas e interage menos, com menores riscos comerciais para os EUA.

    De nossa parte, é importante seguir os roteiros de reação traçados, fazer os comitês se pronunciarem e comunicarem suas considerações, usar a diplomacia e esgotar todos os recursos para amenizar os danos da decisão de tarifas de 50% sobre os produtos exportados para os EUA.

    Feito isso, é vida que segue — e pagar o preço.

    E, se os BRICS são o alvo do nosso drama, que sejam parte da nossa solução. Vejo na Índia, com quem temos pouco comércio, a saída. Não exatamente nos produtos que os EUA compram, mas sim em muitos outros, recompondo a balança comercial nos números atuais.

    Tudo leva um tempo, e muitos problemas estão contratados, se vingar a tarifa.

    Com Trump, tudo pode acontecer: voltar atrás ou dar mais prazo para negociar.

    Mas o mal está feito. A exemplo de demais países, devemos encarar os EUA como parceiro não confiável e apostar cada vez menos fichas na relação com eles — em todos os aspectos.

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  • Culpado.

    julho 15th, 2025

    Como previsto, e usando os últimos minutos do dia para liberar, tomamos conhecimento das acusações da PGR a Bolsonaro e sua gangue.

    As previsões de condenações abaixo de 20 anos estão afastadas. Os crimes somados podem chegar a 43 anos de cadeia para o ex-presidente.

    Prazo para mais uma manifestação da defesa será aberto, e depois veremos a decisão final de Moraes, seguida de recurso à turma e o final para os próximos meses.

    Tudo sem surpresa, sem traumas ou reações internas. O maior temor seria mais uma loucura de militares em defesa de seus pares, mas nem sombra disso no horizonte.

    Ao contrário. O Superior Tribunal Militar manifestou apoio ao STF publicamente, quando o ministro Barroso respondeu aos ataques dos EUA de Trump ao tribunal e ao processo contra Bolsonaro.

    Mauro Cid está incluído na peça acusatória apenas com redução de 1/3 da pena. Na verdade, seu maior acordo visava preservar a família — o pai e a esposa — porque ambos estavam envolvidos na trama das vendas de joias nos EUA e não aparecem em nenhum processo.

    O bolsonarismo, em seu ocaso, tenta levar junto parte dos empregos e do mercado brasileiro, mantendo sua fúria destruidora.

    Há quem observe que, durante a pandemia, a recusa de vacinar e cumprir regras de quarentena era justificada pelo bolsonarismo como necessidade de preservar os mercados e os negócios. Mas, para salvarem a si mesmos, eles aceitam destruir tudo — sobretudo os mercados e os negócios. Quem ainda ouve esses cretinos?

    Mais: criminosos.

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  • O Parecer Final da PGR.

    julho 14th, 2025

    Contando até com o último dia do prazo legal, este dia 14 de julho, o PGR Gonet apresenta hoje o Parecer Final sobre os crimes cometidos e as penas correspondentes para o chamado núcleo 1 da trama golpista fracassada.

    As penas pedidas ainda serão conhecidas. Vi estimativas entre 20 e 30 anos, e confesso que achei 20 pouco, se comparado com as penas de 17 anos dos abobados que invadiram e depredaram os prédios na Praça dos Três Poderes, em Brasília, no fatídico 08/01.

    Afinal, ali estavam só os bobos. Quem patrocinou, preparou, financiou, instigou e tramou tudo naquele dia estava bem longe.

    O dia que, além de enquadrar golpistas civis, inclui militares das mais altas patentes, em movimento inédito da nossa história, tão açoitada e violentada pelas Forças Armadas.

    E, acrescentando ao cenário por si dramático e relevante, temos agora que reafirmar nossa independência e soberania diante de tiranos igualmente alucinados que tentam, de fora, influenciar, ameaçando a decisão que a PGR encaminha hoje — e cuja sequência, nas próximas semanas, sela o destino de toda a trupe golpista.

    Não estou entre aqueles que aceitam a tese do golpe fracassado por falta de apoio dos EUA. Mesmo agora, mesmo num momento distinto, o apoio dos EUA atual não moveu uma só peça no cenário — nem civil, nem militar. Ao contrário, uniu o país, a exemplo de outros, quando se veem ameaçados por uma potência perigosa, porém decadente.

    As próximas semanas são importantes no sentido do fortalecimento da posição do governo e do enfraquecimento do bolsonarismo golpista, inclusive como força política.

    Quanto aos EUA, se prepara para hoje mais uma manifestação contrária — dessa vez incluindo o Brasil, China e Índia como apoiadores da Rússia —, e outras medidas comerciais restritivas devem ser anunciadas. O alvo sempre foram os BRICS, não se enganem. Bolsonaro é um boneco vazio para ser manipulado, e nada mais. E nem para isso servirá em breve.

    Não teremos tempos fáceis à frente, mas serão tempos importantes para definir as próximas décadas. Assim como em 2008, na crise bancária que arrasou o mundo — e não a nós —, temos a sorte de ter Lula no comando do leme.

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  • “Don’t cry for me, USA.”

    julho 13th, 2025

    Evidente que um certo tipo de expressão patriótica que andava por aí — tipo a Câmara de vereadores de Uberlândia cantar o hino dos EUA em uma sessão, anexar a bandeira dos EUA no perfil, ir para manifestações abraçado à bandeira dos EUA, defender Trump e suas políticas comerciais alucinadas e, finalmente, reproduzir aqui seu desprezo pelas instituições democráticas, inclusive depredar prédios de poderes constitucionais — está abolido e morto aqui no Brasil.

    Fica a ressalva de que a bandeira de Israel ainda parece sobreviver, mas por motivos distintos, e ainda não temos certeza, porque fazia dupla com a dos EUA e triunfavam pelas mesmas mãos, agora cambaleantes.

    A decisão de Trump em taxar o Brasil em 50% sobre seus produtos exportados para o mercado norte-americano — e estamos falando de aço, petróleo, carne, café e suco de laranja — atinge em cheio o setor do agronegócio, formador da base de apoio e sustento do fascismo brasileiro. Que fica sem chão e defesa da familícia e de seus projetos obscuros que empesteavam o cenário político nacional.

    Os extremistas já estavam à deriva sem a presença do chefe da gangue em 2026, com a familícia persistindo na tese da anistia para sustentar o discurso e evitar ainda mais dispersão da base, visando a eleição de bancada onde sonhavam reverter as condenações e mandar no Executivo.

    O que parecia um sonho de verão, porque enfrentavam um governo competente e capaz, que recuperava gradativamente seus índices de aprovação — antes desse ataque que sofreu de Trump —, e que liderava as sondagens para 2026. Veja, nunca se imaginou uma vitória arrasadora; em todo o mundo acontecem disputas acirradas nas eleições, e aqui não se previa nada distinto.

    Mas agora a coisa pode ter mudado, e uma vitória no primeiro turno não pode ser descartada. O que só saberemos na apuração.

    Até lá, é preciso perceber e acompanhar até onde vai a derrocada dos extremistas e quem ainda terá coragem de assumir as teses fascistas, claramente em declínio de apoio. Um certo constrangimento — a caminho de ser vergonha, com consequente abandono — me parece o mais provável.

    E, encerrando, a tese de que Biden e seu governo foram os maiores responsáveis por evitar a quartelada em 2022 me parece infundada. Em nenhum dos testemunhos e das tratativas do grupo golpista aparece entre eles sequer uma citação a favor ou contra a posição dos EUA. Nem uma única menção ou apreciação, consideração, observação, nota, referência, temor, preocupação — absolutamente nada sobre os EUA apareceu nos áudios, conversas, tratativas, reuniões, diálogos, conspirações etc. Nada. Então, para mim, está claro que não teve nenhuma influência no fracasso do golpe.

    Quanto à nossa bandeira e nossos símbolos, estão trocando de mãos. E o patriotismo volta a ter seu significado verdadeiro.

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