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Blog do Franco

  • É hora.

    julho 2nd, 2025

    Na esteira da confusão com as alíquotas do IOF, parece que todos decidiram tirar os coelhos das cartolas e a coisa anda muito diferente. O governo entendeu o recado do Centrão, na direção da disputa eleitoral antecipada, e embarcou na canoa com proposta de agenda ousada, totalmente indesejada pelo Centrão por vários motivos.

    Primeiro porque reinaugura a fase “nós contra eles”, o PT sai da defensiva e passa a defender bandeiras importantes e factíveis. Depois, porque o Centrão tem trauma de quando chegamos nessa fase da disputa: quando Lula saca o “nós contra eles”, a coisa não costuma correr bem para eles.

    No Congresso, os bombeiros trabalharam bem nos últimos dias e, discretamente, a rotina começa a voltar. Ontem, tanto Senado quanto Câmara aprovaram projetos sem fazer barulho ou causar confusão. Alcolumbre reconheceu o direito do Executivo buscar justiça no STF e batalhar por suas prerrogativas. Motta, se fica em silêncio, é porque concorda e prefere ainda esperar. Todos têm algumas pautas para entregar: isenção do IR até 5 mil e regulamentação da Tributária. O pano de fundo do julgamento permanece. Num certo sentido, o Centrão se assanhou com a queda de popularidade e impedimento próximo do Bolsonaro e pode ter tentado colocar as mangas de fora — sem sucesso. Nem a imprensa acreditou e segue investindo no candidato bolsonarista, de preferência o Tarcísio, de SP.

    Não podemos nos prender na retórica da bancada bolsonarista e muito menos no programa liberal derrotado. Ambos estão tentando emplacar teses contra as verdadeiras reformas. Ao indicar suas próprias bandeiras, claramente e na direção correta, o governo incendiou a militância, que reage com empenho, abandonando a defensiva e acreditando nas novas possibilidades abertas.

    Como a economia vai se ajustando, podemos ver os resultados reais e positivos começando a fazer parte da rotina de todos nós, com inflação de alimentos mais baixa, combustíveis, a vida retornando a níveis melhores — no lazer, nos negócios, na esperança. Se faltava uma razão para investir no futuro, não falta mais. As propostas podem ser alcançadas, e o Centrão, quando voltar, abandonará suas ilusões. Parte volta para o barco para sobreviver, e os acordos para a eleição deslancham, diminuindo a pressão no Congresso.

    E emendas saindo para cada um fazer suas campanhas… é o jeito.

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  • BBBs: Bancos, Bilionários e Bets.

    julho 1st, 2025

    Renovamos as siglas. Os antigos BBBs — aquelas bancadas Bíblia, Boi e Bancos, temáticas e que diziam controlar o Congresso Nacional e voltaram a ser chamadas de centrão — ainda com a falsa pretensão de mandar no Brasil — foram atualizadas.

    Mas vamos ao início.

    O governo decidiu aumentar alíquotas de IOF para evitar cortes no orçamento e manter a trajetória fiscal programada desde 2023, resumindo as várias novas diretrizes. Nosso Congresso, enquanto decidia acumular salários de si mesmos de outras fontes e aumentava o número de deputados sem necessidade — a decisão do STF foi para atualizar a representatividade proporcional da casa, segundo o crescimento populacional, sem necessariamente incluir outros, senão redistribuir: aumenta ali e diminui aqui. E, exatamente para não diminuir aqui, eles aumentaram ali e acolá. Mas, na sequência do aumento de gastos nas decisões, decidiram também não aceitar a mudança das alíquotas propostas pelo governo, alegando evitar aumento de impostos — e derrubaram a medida, dando início à campanha eleitoral.

    Sim, porque estamos tratando disso: o centrão, que nem candidato oficial tem, resolveu antecipar o discurso eleitoral na base da contenção de gastos e proibição de aumento de impostos. Para tanto, exorbitou de suas atribuições e ilegalmente cancelou a decisão do governo.

    Que, por sua vez, compreendeu com o que estava tratando e promete reagir, não somente recorrendo ao STF para recompor suas prerrogativas, como também ir a público disputar a questão fundamental sobre quem paga e quem não paga imposto no Brasil — onde há um mundo de distorções históricas que podem ser melhor equacionadas e que nossa classe política nunca quis. Como fazem agora ao proteger Bancos, Bilionários e Bets – os novos BBBs.

    E também aceitou o convite do Congresso para o debate e recebeu de bandeja um tema árido, mas propício e — até aqui, após iniciativas de vários ministros, com destaque para Haddad — parece comandar as ações e incomoda com o carimbo nos defensores de bilionários.

    Evidente que não é bom esse tipo de disputa. Se era inevitável daqui a alguns meses, na esfera da eleição, antecipar foi a maneira da oposição de atrapalhar e ganhar espaço enquanto define seu candidato.

    Como teremos até setembro a atenção total no julgamento dos golpistas, a manobra eleitoral pode ficar meio escondida e favorecer o diálogo. As pautas do ano ainda pendentes são a isenção do IR para quem ganha até 5 mil e a regulamentação da reforma tributária. Penso que ambas assumem caráter suprapartidário, e todos podem tirar suas casquinhas eleitorais com a aprovação. Paralisar o Legislativo não interessa no momento. Talvez a insegurança da oposição quanto à disputa esteja no fundo do atual estresse.

    Mas mostra o que veremos no próximo ano: uma acirrada e paralisante disputa pelo poder. Mas, quando chegarmos lá, conversamos.

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  • Definhando.

    junho 30th, 2025

    E ontem, na Paulista, foram 12 mil testemunhas.

    Entenda, não estou dizendo que a direita acabou, mas esse movimento meio amalucado chamado bolsonarismo.

    A sequência foi fatal: perder a eleição no exercício do mandato, fracassar ao tentar dar um golpe de Estado, responder processo por roubo de joias e, na iminência de condenação pesada — com todos os seus principais líderes — pelo golpe fracassado. Agora a disputa por sua herança, porque quem tem dois neurônios tem pressa em apontar um nome, sem melindrar o futuro condenado. A indefinição, nas vésperas das campanhas — que a direita tenta antecipar exatamente para forçar a definição do nome — é fatal para a disputa, sem considerar o crescente sucesso das políticas econômicas do atual governo, colocando a cada dia mais brasileiros empregados e mais crescimento geral do país.

    Os governadores presentes o fazem somente para angariar simpatias próprias e, a contar com o visto ontem, nem devem retornar nos próximos, se próximo houver.

    Não tem uma única estatística atual da nossa economia sem ultrapassar os desgovernos passados, e estamos ultrapassando índices de 2013, quando derrubaram Dilma e inauguraram essa era de terror e derrota geral.

    E, quanto ao ato de ontem, nem o Nikolas, nem Michele compareceram, no mínimo escancarando mais uma das múltiplas divisões potenciais no movimento declinante

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  • De volta para o futuro.( 2013 PIB 2,2%, desemprego 6%, inflação 5,9% e Selic 7,5%)

    junho 27th, 2025

    Em 2025 estamos com inflação de 5,2%, desemprego de 6,2% e PIB 2,4%…só a Selic a 15%….e vai cair mais rápido do que imaginado e com a ajuda dos EUA. ( depois explico)

    E mais não digo.

  • Só Lula derruba inflação, distribui renda e faz o Brasil crescer…tudo ao mesmo tempo!

    junho 27th, 2025

    Hoje temos dois índices divulgados. O IGP-M de junho, com previsão de queda de 1,02%, caiu 1,67%. E, mais tarde, o CAGED de maio, que deve empurrar o desemprego para baixo, de 6,6% em abril para 6,4%. E ontem o Banco Central reviu o crescimento do PIB de 1,9% para 2,1%, ainda abaixo da previsão da Fazenda, de 2,4%. E Lula falando acima de 3%.

    Observe o conjunto dos índices. Lembre que a renda média cresce, acima da renda dos empresários, configurando um quadro de melhor distribuição da renda. O histórico do Brasil nessa área é de apostar no crescimento do bolo para depois dividir — com o problema de que essa divisão nunca acontecia. Ao oposto, a renda se concentrava cada vez mais.

    Não vou me alongar. Convido à reflexão e à atenção no movimento de lenta, mas constante, prosperidade — não temos por que não usar a palavra — que vem aos pouquinhos: 1% ali, depois mais 2%, cai 1%, depois sobe novamente, e vai compondo, com o passar dos anos e acompanhado de muito esforço e luta, um crescimento consolidado e relativamente espalhado na sociedade.

    Todos ganham, uns mais, outros menos — como sempre foi. Mas todos ganharem, ou terem a oportunidade de fazê-lo, não acontece toda hora.

    Vida que segue.

    PS.: saiu taxa desemprego e caiu para 6,2%…a caminho do pleno emprego.

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  • A razão da disputa.

    junho 26th, 2025

    É curioso que, a essa altura do campeonato, insistam em apostar contra a condução econômica do governo Lula, porque o roteiro é conhecido e seguido à risca.

    Tanto Faria Lima quanto a imprensa — e a oposição e parte do Centrão oportunista — viram na virada do ano a oportunidade de retomar a iniciativa que foram perdendo ao longo de 2024, com a queda de popularidade seguindo o alto custo dos alimentos e a fake news da cobrança de tarifas no Pix.

    O dia de ontem vai ficar marcado como uma nova virada nas relações entre o Congresso, majoritariamente conservador, e as tentativas do governo de equilibrar o fiscal a partir de receitas sobre a renda dos mais ricos, em vez de corte de despesas na renda dos mais pobres e nos investimentos sociais.

    Pode ter sido um dia de virada no comportamento apaziguador do governo. Quem não lembra do Arthur Lira rosnando “dia sim e no outro também”? Onde estão as apostas de fracasso no primeiro ano, no segundo e agora no terceiro? A esperança da oposição e o discurso estavam armados para bater na inflação e no custo dos alimentos — e parece que estão indo para o brejo, com as seguidas quedas da inflação, sobretudo nos preços dos alimentos.

    Sim, eles continuam altos, mas estão em queda — e podemos sentir isso nas compras e nas estatísticas.

    O que sobrou para o Congresso seria defender a renda dos ricos? Porque é isso que estão fazendo, alegando evitar aumentos de tributos. Mas bastou um dia do governo apontando o dedo para essa posição assumida ontem, e os líderes partidários já estão chiando com a nova postura do governo e tentando fugir do carimbo de defensores dos ricos.

    Ontem mesmo, nos poucos debates na Câmara durante a votação que derrubou o decreto do IOF, líderes partidários reclamavam das notícias que estavam lendo na imprensa — porque nem mesmo ela tem como esconder o que estavam fazendo.

    Haddad segue firme na busca da receita do IOF. Tem três alternativas para acertar suas contas: judicializar, buscar outras fontes de receita ou cortar em todos, inclusive nas emendas. E prefere judicializar — e ganhar no STF, se for essa a decisão.

    O Congresso, que aparentemente tomou uma atitude de confronto, saiu menor e na defensiva, porque não colou o discurso de não aceitar aumento de impostos. Está claro que não aceita aumento de impostos para quem não paga e não quer pagar — que são os mais ricos. E agora vamos disputar essa agenda, porque ela é indefensável. E o governo, na medida em que a inflação segue caindo e os índices de popularidade se ajustam — até porque isso vale mesmo é no dia da eleição —, a coisa vai mudando de água para vinho.

    Aliás, exatamente como estava caminhando, até esse tropeço que aparenta ser passageiro.

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  • A batalha do IOF

    junho 26th, 2025

    Uma breve retrospectiva:

    • Anunciando a necessidade de ajustes para cumprir a meta fiscal de déficit zero no ano, Haddad fez cortes na despesa em 30 bilhões e mais um pacote de novas alíquotas de IOF, sem muita negociação com o Congresso e para arrecadar mais 20 bilhões.
    • A gritaria veio pesada, mas muitas horas de negociação foram gastas, incluindo o presidente Lula, quando a possibilidade de acordo foi anunciada, com ressalvas.
    • Haddad chegou a comparecer na Câmara para debater o novo pacote em uma sessão tumultuada que obrigou o ministro a se retirar antes do fim, e depois disso não quis mais papo com ninguém do Congresso, tirou uns dias de férias e só defendeu suas medidas na imprensa.
    • Ontem à noite, sem prévia comunicação e sem debates, Câmara e Senado rejeitam o pacote de medidas do IOF.

    O roteiro dos últimos dias me lembrou a discussão da desoneração da folha de pagamento de pessoal de alguns setores, com o Congresso defendendo e o governo tentando acabar com a prática. Na ocasião, o governo não aceitou a derrota e conseguiu reverter em parte o prejuízo, sem levar o debate para a opinião pública, tentou e resolveu com argumentos fiscais.

    Dessa vez não agiu assim e foi para a praça pública mostrar os interesses que estão em jogo e de onde e quem paga a conta do sustento da máquina pública.

    O Congresso deu a partida, invocando o corte de gastos. E isso no mesmo dia em que autoriza mais vagas para deputados e acúmulo de salários e aposentadorias dos congressistas. O governo não recuou, mostrando que o discurso de cortes de gastos, na verdade, esconde a proteção dos ricos e investidores do mercado financeiro, em detrimento de aposentados e do salário mínimo, o verdadeiro alvo quando falam em corte de gastos. Além da desvinculação dos gastos de educação e saúde, que eu não descarto, mas que precisaria ser debatida de maneira oposta da prática usual e deve ser deixada mais para o próximo mandato do presidente Lula — embora ninguém admita e nem deveria por agora.

    O que concluímos é que estamos diante dos programas de governo que serão debatidos na próxima eleição. Enquanto uns falam em cortar gastos para defender os ricos, o outro lado vai falar em cobrar dos ricos para preservar as despesas sociais e os investimentos.

    E o eleitor que escolha o vencedor.

    Outra semelhança que vejo nesse debate é com o segundo mandato da presidente Dilma, quando empacou e passou a ser atacada pelo Congresso exatamente quando o conflito distributivo chegou nesse ponto de avançar sobre a renda dos mais ricos ou recuar e cortar dos mais pobres. Na ocasião sabemos quem venceu: derrubaram a Dilma e passaram a promover mais uma rodada de concentração de renda e empobrecimento. E estamos no mesmo ponto com duas diferenças: o presidente Lula no comando e um certo aprendizado de parte do andar de cima sobre o custo alto de golpes que derrubam presidentes e depois elegem fascistas.

    E repito: o eleitor então vai decidir quem leva o orçamento, para onde e para quem. 2026 começou.

    É bom observar que ontem foram aprovados R$ 15 bilhões do fundo do pré-sal para o Minha Casa Minha Vida e o consignado para empregados do setor privado, que pode injetar mais R$ 20 bilhões na economia, no mínimo. Então nem tudo foi ruim, o sentido da coisa é o debate distributivo e quem paga, não esqueça disso. A máquina não para, de onde sai o dinheiro é a questão.

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  • Aviso aos empregadores.

    junho 25th, 2025

    Ocasionalmente, ouvimos um grande empresário atribuir a falta de mão de obra aos programas sociais do governo. Recentemente, um deles afirmou que o brasileiro está viciado em Bolsa Família e ficou preguiçoso.

    Alguém retrucou, acertadamente, que preguiçoso é quem vive com R$ 1 trilhão de juros das aplicações financeiras.

    A fala mostra que dinheiro e inteligência podem ser parcerias distintas, porque o rapaz ignora todos os estudos e estatísticas para fazer uma afirmação que é tudo, menos verdade.

    Talvez seja o velho preconceito de classe, mas para mim é um fenômeno melhor, que mostra o quanto o Brasil se aproxima do pleno emprego e como isso afeta a distribuição de renda de forma objetiva e direta. Porque obriga o empregador a pagar melhor para conseguir repor sua mão de obra, e a choradeira não passa disso: aumentam os custos com a mão de obra.

    É curioso como o empresariado do Brasil convive com inflação e aumento de custos naturalmente, inclusive quando o dólar dispara e tudo acompanha. E até sabe, na ponta da língua, explicar e justificar esse tipo de situação, porque associa a maior despesa com aumento do dólar sem drama, compreendendo a dificuldade internacional.

    E com seus custos financeiros, que são altíssimos, muito acima da média mundial, convivem harmoniosamente.

    Mas quando se trata de aumento de custo da mão de obra ou sua escassez — sempre na sequência dos governos do Lula e seu empenho nesse sentido, e vemos os resultados práticos —, a choradeira é de inconformidade e quase revolta, porque assim prefere, do que entender ser esse o caminho para o crescimento geral da economia e a melhor distribuição de renda no mais injusto dos países do mundo.

    Não vejo nenhuma novidade, como afirmei, somente a repetição do padrão dos governos Lula anteriores e da confirmação do acerto das políticas públicas.

    Para o chorão, um aviso: pode ficar tranquilo e aproveitar a onda que está apenas começando. E eu sei que, para você, é incômodo conviver em um país mais equilibrado, com ruas cheias de carros novos, aeroporto lotado, etc. E, apesar desse tipo de gente e ideias, conseguimos avançar.

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  • “Carry vs fiscal noise has been a battle won by carry”

    junho 24th, 2025

    Traduzindo : “O carrego venceu a batalha contra o ruído fiscal.”

    Ou, que as altas taxas de juros venceram a disputa sobre os riscos de descontrole fiscal no Brasil. E o dólar vem caindo, trazendo a inflação.

    E temos várias razões: algumas passam pelo interesse dos aplicadores nos ganhos astronômicos, outras no discurso exagerado de um descontrole fiscal inexistente, mas constante na análise da mídia oposicionista brasileira, em campanha aberta contra Lula; a posição firme do governo e do ministro Haddad sobre quem paga e quem não paga imposto no Brasil e como superar esse fato de injustiça tributária histórica.

    E ainda estamos com a guerra entre Irã e Israel, aguardando para saber se o cessar-fogo vai prevalecer – eu penso que sim – e o preço do petróleo volta aos patamares anteriores, aliviando a economia mundial e os riscos inflacionários.

    O fato é que, pagando um custo altíssimo, nosso BC fechou a porta para mais elevações de juros no momento interno exato, e o acirramento dos conflitos deixou dúvidas se conseguiria sustentar a posição assumida, depois de seguidas elevações da taxa Selic. Se deixasse a decisão para um pouco mais à frente, não teria conseguido, e parece que o fim da guerra confirma o acerto da posição.

    Agora é esperar a trajetória da inflação, declinante, que mantenha trajetória de queda e confirme os prognósticos de chegar em dezembro abaixo de 5% ao ano, sem comprometer o crescimento do PIB – ainda incerto, mas provavelmente superior a 2% – e que pode surpreender, como tem ocorrido nos últimos anos, e Lula insiste em afirmar sua previsão de 3% para cima.

    O fim da guerra, se confirmado, entre Irã e Israel, é uma boa notícia.

    Falta o fim do flagelo palestino, ainda sem data ou previsão.

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  • Sem cair nas armadilhas.

    junho 19th, 2025

    Lula reage a acusações de fazer governo neoliberal: ‘quem governa não faz o que quer; faz o que pode’

    “Me considero um cidadão de esquerda, mas muito realista. Quem grita ‘100% ou nada’ vai ficar com nada”, afirma o presidente

    Dos 60 vetos incluídos na pauta do Congresso para análise, conseguiram examinar 34 e derrubaram 12 deles. Nada de fim do mundo. Alguns vetos relevantes caíram, como o que evitava o uso extravagante de geração de energia a diesel, o que vai provocar aumento de gastos na produção e, consequentemente, um aumento na conta de luz. O governo já avisou que vem uma nova MP específica sobre o tema — e vamos ver quem vai aparecer às claras defendendo aumento de tarifa.

    No mais, ficou no ar a ameaça de derrubar a MP do IOF. Por enquanto, apenas o pedido de urgência foi aprovado, e a matéria entrou na fila junto com mais outras mil.

    Ou seja: repetimos mais uma vez o ensaio geral da rebelião congressual que, de tempos em tempos, retorna. Considerando que o calendário eleitoral está se aproximando, a oposição ainda não tem um candidato preferido e o seu nome mais forte segue próximo da cadeia, o clima pesado na política nacional parece garantido pelos próximos meses.

    Para completar, o PT está às vésperas da escolha do novo presidente partidário. A disputa está aberta, com vários candidatos apresentando propostas distintas — e esquenta ainda mais o ambiente político.

    O aumento de mais 0,25% na Selic, com o anúncio de que o ciclo de alta acabou por aqui, também acirra os ânimos, sobretudo na esquerda. Mas os efeitos já começam a aparecer: o dólar em queda, a inflação dos alimentos recuando, e tudo isso sem afetar o crescimento do ano. Porque este, salvo algum evento extraordinário, já está garantido no mínimo em 2%. No mínimo. Lula fala em 3,5% e, quando ele fala, é porque tem razões.

    Depois dessa decisão do Congresso — derrubando vetos e seguindo com ameaças —, todos agora partem para a pausa das festas juninas e do recesso. Mas o governo parece decidido a ocupar o espaço político e comunicacional. Está tomando posição para informar a população sobre o que está acontecendo e tem munição para conduzir uma campanha interessante de esclarecimento sobre o verdadeiro debate em jogo: quem paga imposto para sustentar o desenvolvimento e o cuidado com as pessoas no Brasil?

    A velha disputa de sempre — e que, até aqui, estamos perdendo de lavada. Mas Lula e seu governo querem disputar esse jogo.

    Além da nova MP que deve devolver a conta de luz mais barata, e da campanha já em curso nas redes sociais sobre quem paga e quem não paga impostos no Brasil, falta — a meu ver — retomar a pauta do Congresso com os temas realmente relevantes.

    Além da medida que isenta de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, temos a regulamentação da reforma tributária, que ficou parada no primeiro semestre e é um tema que interessa a todos.

    Questões como a liberação de emendas parlamentares também devem encontrar solução. Esse é um trunfo importante, a ser sempre usado nas crises, para azeitar os conflitos. Se estão à venda — e repito sempre — vamos comprar e fazer o que tem que ser feito.

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