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Blog do Franco

  • Pressão sobre Biden: Efeitos da Idade na Reeleição e a Posição da Imprensa.

    julho 4th, 2024

    A capa da The Economist é mais uma de outras importantes publicações e editoriais de jornais pressionando o presidente Biden a desistir de sua reeleição.

    Os apelos não são sutis, sobretudo quando se trata da cadeira mais poderosa do mundo, mesmo nesse mundo mais diverso e complexo, com outras superpotências ameaçando cada vez mais a supremacia norte-americana.

    Quem acompanha a campanha nos EUA não tem dúvidas de que a idade pesou para Biden, como ele próprio reconhece.

    Até aqui, ele conseguiu segurar as críticas e apelos; uma reunião de emergência com governadores do partido Democrata convocada acabou por endossar a corrida pela reeleição, até onde sabemos.

    O problema, a meu ver, é olhar para os próximos quatro anos e imaginar onde a senilidade de Biden vai estar. Uma resposta honesta não encontra saída senão fazer coro pela desistência aqui e agora.

    Que Biden insiste em negar.

    Não dá pra cravar o fim da história, talvez substituir um presidente na campanha de reeleição não seja uma tarefa possível. Biden falou em uma semana para uma decisão, melhor, convencimento.

    No que nos diz respeito, eu penso que para nós tanto faz Biden ou Trump, talvez em alguns aspectos Trump seja até mais pragmático, com relação a guerras sobretudo, que ele condena. O massacre palestino, que nunca foi guerra, encontra em ambos nenhuma saída; a guerra na Ucrânia Trump prometeu encerrar rapidamente. Sim, o fascismo cresce, bolsonaristas se assanham, mas tudo continua dependendo de nós mesmos; com Biden ou Trump, a resposta está aqui dentro.

    Mas o post não é pra falar só dos EUA; o que me motivou a escrever este foi reparar no início do mesmo movimento etarista dos EUA aqui, com a imprensa brasileira bradando as bandeiras da idade avançada do Lula, mirando 2026 e o embate da reeleição. Repare. O próprio ex-presidente começou a falar em loucura.

    Ninguém diga que eu não avisei: não vai colar.

    Quando chegarmos lá eu explico, mas acho que vocês mesmos vão saber.

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  • Milei vs. Lula: Retórica Agressiva e Impacto Social na Argentina

    julho 4th, 2024

    O desastre é tão disseminado que não cabe em uma imagem. Fica aí registrado o estado da Argentina, com tendência de piorar em todas as áreas destacadas.

    Nenhuma novidade: planos de recessão seguidos de desastres sociais e econômicos são velhos conhecidos.

    A retórica descontrolada e agressiva do Milei, seguida de ofensas e ataques sem sentido dirigidas ao presidente Lula, é parte desse show. E se voltarmos alguns meses, era o nosso próprio maluquinho que ocupava a presidência quem proferia ofensas aos argentinos, quando governados pelo peronismo.

    Dizia que era ruim, que a Argentina não crescia, que a inflação subia etc. e tal.

    Trocaram por esse doidão e tudo foi para o espaço; em questão de meses a situação degringolou e, como sabemos, vai continuar ladeira abaixo.

    É interessante observar os que dizem que não, que elogiam as medidas, que apoiam o desmonte liberal e fascista no vizinho. Sim, eles fazem isso lá e fazem aqui também, e os resultados são sempre os mostrados nos quadros que ilustram o post. Números que representam vidas, empregos, sonhos e perspectivas indo embora.

    Mas percebo uma ligeira mudança nos planos na Argentina: algum reajuste de salários e pensões, retomada de obras públicas abandonadas, tentativas de diálogo com a oposição. Talvez repitam o que aconteceu no Brasil: terceirizam o governo para ao menos alguma coisa funcionar e seguem na patifaria, na galhofa e na palhaçada, tentando sobreviver politicamente. Não vai dar certo; na próxima rodada vão perder e sumir do mapa. Exatamente o que está acontecendo por aqui.

    E, se não abaixarem a bola, o Brasil promete providências duras com relação aos ataques . No que tem meu maior apoio.

  • O debate aconteceu em 2022 e Lula ganhou.

    julho 3rd, 2024

    Não há bate-boca na praça entre Lula e um quase ex-presidente do Banco Central.

    O que temos é a disputa entre o presidente da República, eleito com um projeto que defende os interesses do crescimento econômico sustentável do país, e um bolsonarista assumido, que está boicotando, com a ajuda do mercado e da imprensa oligárquica, a política monetária neste momento específico, quando todas as moedas no mundo perdem valor em relação ao dólar devido à necessidade interna de financiar a dívida dos EUA. E nós perdemos ainda mais valor, exatamente porque não temos quem nos defenda do ataque especulativo contra a nossa moeda. Pior ainda, quem deveria providenciar os meios para amenizar os efeitos ruins da subida momentânea do dólar faz o contrário e estimula a especulação.

    Senão, vejamos:

    Está tudo no Google, basta uma pesquisa. Em 2019, Paulo Guedes anunciava a política monetária de juros baixos e câmbio alto, para baratear as empresas e a mão de obra , assim aumentando o investimento externo no Brasil, segundo ele. O que não aconteceu porque faltou coragem para investir naquele Brasil de Guedes/Bolsonaro. Mas o BC de então entrou no jogo e os juros foram para 2% até o fim de 2021, e a inflação foi a 10%, sem que o BC esboçasse incômodo. Quem deu o grito foi Paulo Guedes, invertendo a matriz porque a inflação alta ameaçava a reeleição do chefe. E o que fez o BC? Subiu os juros de 2% para mais de 13%, atendendo ao apelo desesperado do chefe.

    Atente que a questão não é subir ou descer juros em função disso ou daquilo, mas a resposta coordenada do BC, do Campos Neto, aos ditames do governo Bolsonaro, com quem atuava afinadíssimo. Exatamente o oposto do que faz hoje, inventando mil desculpas e mil motivos para ignorar a necessidade de diminuir juros para uma inflação atual de 4% e segurar a cotação do dólar em pleno ataque especulativo.

    Faltam seis meses de agonia. O governo pode aumentar o IOF para encarecer a aposta dos especuladores, mas negou que o faria.

    Em resumo, o bolsonarista do Banco Central concorda e aceita trabalhar em conjunto com o programa de governo dos fascistas, mesmo com o programa derrotado, e a atual orientação na direção contrária ele boicota, despreza, critica e trabalha contra.

    Tem meses que trato do assunto, cada vez piora a situação e alguma coisa precisa acontecer para amenizar o estrago.

  • 30 Anos do Plano Real: Sucesso e Controvérsias na Economia Brasileira

    julho 2nd, 2024

    Sem outra realização para mostrar, de um partido moribundo e atualmente apoiando fascistas, mas contando com uma mídia fiel e parceira de todas as aventuras fracassadas, o PSDB comemora os 30 anos do Plano Real, que supostamente acabou com a inflação para sempre no Brasil.

    O “para sempre” é evidentemente uma provocação minha, a Argentina aqui ao lado não me deixa mentir.

    E nossos vizinhos servem para sabermos exatamente, ou muito proximamente, onde estaríamos se, depois de quebrar o Brasil duas vezes e sobreviver à custa de recessão e empréstimos do FMI, como faz a Argentina atualmente, o Brasil não fosse governado pelo PT e Lula/Dilma e seus vieses nacionalista e desenvolvimentista. Tudo o que o PSDB e seu Plano Real nunca foram e continuam não sendo.

    Um aspecto do Plano Real que desaparece das comemorações e que me parece o mais relevante – mais até do que a URV, que nunca entendi para que servia – é a participação decisiva e impositiva do FMI e do Banco Mundial, a meu ver os verdadeiros autores do Plano.

    Se não, vejamos.

    Toda a América Latina padecia do mesmo mal, inflação alta e gastos públicos sem lastro, de uma época em que fomos todos governados por ditadores incompetentes que endividaram todos os países e, para manter as contas em dia, imprimiam dinheiro sem controle orçamentário correspondente, provocando a inflação. O que o FMI e o Banco Mundial fizeram, a grosso modo, e com todos os países sob sua influência, Brasil incluído, foi acabar com a farra monetária, trazendo critérios e controles na emissão desenfreada de moeda. O verdadeiro Plano deveria chamar Lei de Responsabilidade Fiscal. O custo seria recessão, fome, desemprego e venda de empresas públicas, que substituiriam a falta de recursos para o funcionamento do estado com queda de arrecadação da crise geral que provocavam.

    De novo, observe o que acontece na Argentina, ninguém fala na queda da arrecadação, que deve ser dramática, mas falam toda hora de novos empréstimos do FMI, da China, e da necessidade de vender as últimas estatais e recursos minerais que sobraram por lá. É exatamente o que aconteceu aqui, e que estaríamos novamente enfrentando não fosse o Lula e o PT.

    Porque dos 30 anos que dizem comemorar, a metade passamos sob administração do PT, fazendo o oposto do que os arautos da mídia sugerem e os políticos do PSDB defendem até hoje. E, sem contar que o primeiro mandato do FHC, em pleno vigor do Plano Real, já deixava a economia quebrada, precisando de empréstimos bilionários do FMI, com a ajuda do governo Clinton de então, para garantir a sobrevida do Plano e a reeleição do FHC. Mas que acabou por comprometer seu segundo mandato e passamos 4 anos de governo com o Brasil se arrastando, com o povo na miséria, na fome e no desemprego. Dessa época conhecemos os homens e mulheres calango, que comiam lagartixa para sobreviver.

    Ainda hoje li o ex-ministro Malan dizendo que para completar o Plano Real falta fazer o ajuste fiscal no Brasil. Não, ministro, falta muito mais, falta vender a Petrobras e entregar o pré-sal, vender os bancos públicos e o BNDES, privatizar o BC, gastar as reservas em nada, manter os juros em 20% reais ao ano e desempregar uns milhões para tudo ficar do jeito que vocês pensam. Sem Bolsa Família, sem salário mínimo e sem aposentadoria, que a essa altura nas mãos de gente como você não valeriam mais nada. Sem saúde e sem educação, evidente.

    Poderia ficar aqui o dia inteiro comemorando os 30 anos do Plano Real, mas acho que deu pra entender aonde estaríamos nas mãos dessa turma, que soubemos trocar na hora certa e atualmente ninguém quer saber deles.

    Olho na Argentina, repito, o Plano Real está lá agora, vivíssimo, acabando com a inflação e com o país.

  • Direita democrática ainda existe?

    julho 2nd, 2024

    À luz dos resultados das últimas eleições, estamos vendo a extrema-direita engolindo a direita e o centro democrático, exatamente porque não vê diferença programática e os extremistas estão conseguindo mobilizar os desinteressados na política, ressentidos e fascistas que estavam quietos.

    O aumento na participação nas eleições mostra exatamente isso: onde os extremistas estão ganhando espaço, mais pessoas têm comparecido para votar. Talvez motivados pelo temor dos fascistas, algum contingente de democratas desanimados encontrou motivação para comparecer e votar, mas não me parece ainda a reação proporcional e necessária para conter o avanço.

    No Brasil, o que chamamos de centro não é centro e nem democrático. É uma massa de interesses que pode se ajustar a qualquer cenário, como tem feito. Mas são eles que perdem espaço para os fascistas, enquanto a esquerda se mantém no seu lugar e ligeiramente recupera espaço. Falando do Brasil, quem está sem perspectiva é o PSDB, acho que o PSB também. O Centrão não trata de perspectivas, mas de sobrevivência, e vai rodando em todos os matizes indefinidamente.

    Por aqui, as pautas de direita estão esgotadas. Na véspera da eleição municipal, o presidente Lula começou com entrevistas regionais e diárias e anulou as aparições dos adversários, que estão travados na questão do aborto e, até o momento, sem conseguir emplacar novidades, apesar de insistirem, ou por causa disso.

    Até essa improvável confusão no câmbio, que pouco tem a ver com as entrevistas diárias e muito com especulação e juros altos nos EUA, não demoveu Lula de suas entrevistas, que devem ser observadas sob o objetivo de ocupar e estressar a pauta, como tantas vezes fizeram conosco antes e com resultados eleitorais importantes. Talvez, no momento, o veneno aja na direção contrária. Não deixa de ser veneno, mas administrado na dosagem certa pode até ser um remédio.

  • Minha visão do Plano Real.

    julho 1st, 2024

    Sem outra realização para mostrar, de um partido moribundo e atualmente apoiando fascistas, mas contando com uma mídia fiel e parceira de todas as aventuras fracassadas, o PSDB comemora os 30 anos do Plano Real, que supostamente acabou com a inflação para sempre no Brasil.

    O “para sempre” é evidentemente uma provocação minha, a Argentina aqui ao lado não me deixa mentir.

    E nossos vizinhos servem para sabermos exatamente, ou muito proximamente, onde estaríamos se, depois de quebrar o Brasil duas vezes e sobreviver à custa de recessão e empréstimos do FMI, como faz a Argentina atualmente, o Brasil não fosse governado pelo PT e Lula/Dilma e seus vieses nacionalista e desenvolvimentista. Tudo o que o PSDB e seu Plano Real nunca foram e continuam não sendo.

    Um aspecto do Plano Real que desaparece das comemorações e que me parece o mais relevante – mais até do que a URV, que nunca entendi para que servia – é a participação decisiva e impositiva do FMI e do Banco Mundial, a meu ver os verdadeiros autores do Plano.

    Se não, vejamos.

    Toda a América Latina padecia do mesmo mal, inflação alta e gastos públicos sem lastro, de uma época em que fomos todos governados por ditadores incompetentes que endividaram todos os países e, para manter as contas em dia, imprimiam dinheiro sem controle orçamentário correspondente, provocando a inflação. O que o FMI e o Banco Mundial fizeram, a grosso modo, e com todos os países sob sua influência, Brasil incluído, foi acabar com a farra monetária, trazendo critérios e controles na emissão desenfreada de moeda. O verdadeiro Plano deveria chamar Lei de Responsabilidade Fiscal. O custo seria recessão, fome, desemprego e venda de empresas públicas, que substituiriam a falta de recursos para o funcionamento do estado com queda de arrecadação da crise geral que provocavam.

    De novo, observe o que acontece na Argentina, ninguém fala na queda da arrecadação, que deve ser dramática, mas falam toda hora de novos empréstimos do FMI, da China, e da necessidade de vender as últimas estatais e recursos minerais que sobraram por lá. É exatamente o que aconteceu aqui, e que estaríamos novamente enfrentando não fosse o Lula e o PT.

    Porque dos 30 anos que dizem comemorar, a metade passamos sob administração do PT, fazendo o oposto do que os arautos da mídia sugerem e os políticos do PSDB defendem até hoje. E, sem contar que o primeiro mandato do FHC, em pleno vigor do Plano Real, já deixava a economia quebrada, precisando de empréstimos bilionários do FMI, com a ajuda do governo Clinton de então, para garantir a sobrevida do Plano e a reeleição do FHC. Mas que acabou por comprometer seu segundo mandato e passamos 4 anos de governo com o Brasil se arrastando, com o povo na miséria, na fome e no desemprego. Dessa época conhecemos os homens e mulheres calango, que comiam lagartixa para sobreviver.

    Ainda hoje li o ex-ministro Malan dizendo que para completar o Plano Real falta fazer o ajuste fiscal no Brasil. Não, ministro, falta muito mais, falta vender a Petrobras e entregar o pré-sal, vender os bancos públicos e o BNDES, privatizar o BC, gastar as reservas em nada, manter os juros em 20% reais ao ano e desempregar uns milhões para tudo ficar do jeito que vocês pensam. Sem Bolsa Família, sem salário mínimo e sem aposentadoria, que a essa altura nas mãos de gente como você não valeriam mais nada. Sem saúde e sem educação, evidente.

    Poderia ficar aqui o dia inteiro comemorando os 30 anos do Plano Real, mas acho que deu pra entender aonde estaríamos nas mãos dessa turma, que soubemos trocar na hora certa e atualmente ninguém quer saber deles.

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  • As falsas armas dos falsos barões autoassinalados.

    julho 1st, 2024

    As bancadas reacionárias do nosso Congresso – e são muitas – vão insistir na pauta moralista, punitivista e conservadora até a eleição de 2026. No mínimo, o provável é que sigam assim indefinidamente.

    Cabe aos incomodados reagirem.

    Não quero parecer indiferente e nem minimizar os males e retrocessos – e sofrimentos – que essa gente e essas iniciativas promovem.

    A crua constatação tem que estar firme em nossas atitudes, conscientes de que é o que restou para aquele enorme contingente de políticos tentar emplacar, porque nada além disso têm para mostrar e nem lhes interessa. Só querem poluir a pauta e aparecer para aquele eleitor igual ou pior que eles próprios.

    Que também são aos montes.

    Num certo sentido, assim fazendo, a turma dos conservadores encontra espaço para não atrapalhar e às vezes até ajudar o governo a seguir aprovando suas pautas econômicas, claro que o orçamento liberando emendas bilionárias tem que seguir nesse contexto.

    Quando isso vai acabar? Depende de quando vamos conseguir eleger bancadas decentes e numerosas suficientes para cuidar do bem comum com honestidade de propósitos e bons projetos, e não essa turba de cretinos.

    Até lá, todos nós que somos atacados em direitos básicos com reformas conservadoras absurdas precisamos reagir à altura, cobrando do governo a parte dele, que as últimas semanas mostraram que precisa partir da sociedade a iniciativa para em seguida obter apoio do governo.

    Em todos os lugares do mundo, o que mais se vê é gente na rua, exigindo, cobrando e protestando. A onda conservadora obtém maioria, mas não pode, por conta disso, impor pautas ao bel-prazer. A única forma de segurar a atual onda conservadora é o protesto organizado e a exposição das ideias absurdas que promovem. Nem sempre funciona, mas no mínimo fica o aprendizado dos mecanismos de decisão na sociedade e os cuidados e iniciativas mais eficazes de contrapô-los.

    Nem preciso citar o quanto estamos precisando disso. Mas a reação contra o PL do estuprador mostrou o caminho.

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  • Dólar : 3 anos em 30.

    junho 30th, 2024

    Desde seu início, os BRICS aventavam a ideia de substituir o dólar como moeda de referência nas trocas comerciais internas do grupo por suas próprias moedas. Alguns anos se passaram, e a ideia sempre voltava nos anúncios dos objetivos. Algumas trocas entre pares de integrantes aconteciam, mas nada ainda efetivo. Parece que o anúncio da entrada da Arábia Saudita no bloco mexeu com uma base de estabilidade fundamental do dólar: o petróleo saudita, esse sim o lastro que manteve a hegemonia norte-americana – além dos marines, por certo.

    O petrodólar, lastro moderno da referência monetária mundial, vai acabar, segundo afirma o reino saudita. Enquanto os BRICS vão se desfazendo dos títulos dos EUA e o déficit público interno alcança números extravagantes, trazendo suspeitas quanto à capacidade de financiamento futuro, o FED chuta a bola dos juros para o alto e transfere, momentaneamente, sua crise interna para os emergentes.

    Até quando?

    Até que cada um possa coletivamente organizar seus fluxos de moeda comercial, suportar a flutuação dos mercados financeiros internos e substituir, mesmo que parcialmente, o dólar como referência comercial.

    O que seria uma quimera passou a ter um prazo anunciado: 3 anos.

    Os BRICS assumiram o prazo de 3 anos para concluir a substituição completa do dólar entre suas trocas comerciais.

    E contando.

    Enquanto o dia não chega, o assunto está no debate presidencial entre os dois candidatos, Biden e Trump, com o segundo ameaçando retaliar quem propuser abandonar o dólar comercialmente. O atual presidente nada manifestou, até o momento.

    Enquanto não chega, os EUA enxugam o mercado mundial de dólar na sua lareira com seus juros reais altíssimos para seus padrões e começam a aparecer na contabilidade números proporcionais de pagamento de dívida pública de países emergentes. Ou seja, um trilhão de dólares em serviço da dívida pública já foi e está longe de acabar a farra financeira.

    Conhecemos a história: mesmo a máquina impressora de dinheiro mais poderosa da história tem limites, e estamos próximos de saber qual seria.

    De nossa parte, e estou propondo modestamente há algum tempo, devemos congelar nosso câmbio e abandonar essa política de flutuação imediatamente. E trabalhar para sua completa substituição nas trocas comerciais externas o mais célere possível. Claro que teremos percalços e idas e vindas, fora as ameaças de Trump se eleito. Mas é o caminho, e não estamos sozinhos, muito pelo contrário.

  • Festa no APÊ.

    junho 29th, 2024

    É constrangedor invocar a lembrança dessa música horrorosa e seu intérprete de quinta categoria, mas ela  serve para expressar com a devida baixaria o momento do nosso Banco Central, seu presidente e a atuação festiva e criminosa na condução do desequilíbrio no câmbio atualmente.

    Enquanto Campos Neto faz – me perdoem – seu bunda lelê na praça, divertindo a patuleia de cretinos, uma outra espécie de vampiros especializados em detectar fragilidades atua para movimentar o câmbio e extrair do ataque especulativo ganhos extraordinários .

    Sobre isso penso que atingiram seus objetivos e como os limites foram ultrapassados e a brincadeira começou a incomodar geral, é provável que saiam correndo nos próximos dias e semanas, embolsando o lucro.

    São muitos, ou seriam, os cuidados que o nosso Banco Central poderia tomar, como nos exemplos anteriores de décadas de disputas cambiais no Brasil. A omissão recente é a escolha criminosa do atual mandatário, encarregado de constranger o governo que não o quer e vai dele se livrar, assim que for possível .

    A escolha imutável do presidente Lula em cumprir regras, acordos, tratados, contratos e mandatos, não lhe permitiu chutar esse bandido meses atrás. Tentou enquadrar o meliante  sem nenhum sucesso.

    Pois bem, os números do câmbio atingiram valores de venda, como os operadores das telas gostam de dizer!; a omissão ajudou e a hora é de sair correndo com o dinheiro, antes que a coisa vire de lado.

    Virou, espera e verás.

    Mais seis meses e adeus Campos Neto e a festa no BC, cheia de gente estranha e esquisita, mas capaz e preparada para levar nosso dinheiro embora .

    Chega.

  • Complicou.

    junho 29th, 2024

    Quando Donald Trump recebeu o veredito de condenação por fraude fiscal – unânime – a expectativa, sustentada por pesquisas de opinião, apontava uma queda de votos de 10%, suficiente para uma derrota na próxima eleição, sobretudo com os dois candidatos tão próximos em todas as dezenas de pesquisas diárias sobre intenção de votos divulgadas. Até se pode dizer que houve uma queda relativa de Trump, em algumas pesquisas invertendo a liderança com Biden, sem, no entanto, definir a eleição com segurança.

    Ontem assistimos a um desastre com o debate entre os dois: desastre total, entre um candidato limitado pela idade e com extrema dificuldade de interação e o outro, o conhecido sociopata mentiroso.

    E as pesquisas pós-debate mostraram uma queda importante de Biden e um pânico divulgado no Partido Democrata sobre o resultado do pleito futuro.

    O desastre entre ambos foi de tal monta que o fascista saiu do debate como alguém que convenceu, mesmo sem dizer uma frase aproveitável.

    Há rumores de substituição da candidatura de Biden, rumores que Biden muito tentou negar com seguidas aparições no dia seguinte, até reconhecendo suas limitações, mas tentando compensar sua fragilidade com sua estatura pessoal e compromissos históricos.

    Está difícil imaginar que alguém possa sustentar um presidente que claramente se debilitou fisicamente nos últimos quatro anos, sem saber o que o futuro pode lhe reservar, porque os anos continuam, inexoráveis.

    O problema é como convencer Biden a desistir, coisa que ele negou com todas suas forças, mas o tempo, literalmente, corre contra ele e sua candidatura.

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