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Blog do Franco

  • Dilma, Dama dos BRICS.

    outubro 24th, 2024

    A reunião dos BRICS, que termina hoje, começou com o encontro público entre o presidente russo, Vladimir Putin, e a presidente do Banco dos BRICS, Dilma Rousseff. A sinalização foi claríssima, e os elogios foram muito além dos protocolos na sequência, com declarações de apoio à continuidade de Dilma à frente da instituição com um renovado mandato — o atual vence em abril de 2025. Isso não deixa dúvidas sobre as intenções do anfitrião da atual rodada do encontro deste grupo de países, cada vez mais relevante.

    Embora claras, essas intenções atendem a múltiplos interesses. O primeiro é coroar o trabalho de Dilma, agradar o presidente Lula, que ainda está um pouco distante do grupo, e preservar a atual direção do banco, que busca implantar um novo canal de pagamentos entre os países sem o uso do dólar. Além disso, é importante assegurar a continuidade dos crescentes financiamentos do banco e, quem sabe, superar as severas restrições impostas pelos bloqueios dos EUA ao acesso da Rússia a crédito mundial.

    Ouvi dizer que Dilma não tem interesse em continuar, preferindo passar seus próximos anos no Brasil, mais próxima da família. Dilma tem 75 anos e pode escolher seu caminho, mas também pode acabar aceitando um novo mandato. Veremos.

    A entrada de 13 novos membros está encaminhada, dependendo de reuniões e acordos futuros que estão em andamento.

    A Venezuela ficou de fora, por enquanto, assim como a Nicarágua. A ambos são atribuídos vetos do Brasil, embora não explícitos. Isso confirma a nova postura da política externa brasileira, muito, mas muito mais pragmática e pró-Ocidente.

    Essa escolha externa acompanha, a meu ver, o cenário interno, com o atual governo cada vez mais social-democrata e menos à esquerda. Lula parece estar conduzindo uma transição que considero inevitável para o futuro do PT, dada a ausência de seu grande líder.

    Sim, isso é um tema para outra ocasião, mas o bloco está em movimento.

    Quanto ao pragmatismo que envolve a atual relação com os EUA, muito amistosa, essa relação depende da eleição americana e de como o futuro presidente dos EUA enxergará o Brasil. As opções, que atualmente parecem distintas, podem não ser tão diferentes depois de resolvido o pleito. Isso depende deles e de nós. Vejo Lula se acomodando para enfrentar qualquer resultado que venha do norte. Nenhuma aresta, nenhum conflito, tudo em paz e diálogo, até acima da média histórica. Há um enorme cuidado entre as duas partes, vale notar. Que continue assim, apesar do risco de um governo Trump. Difícil? Pode até ser, mas não impossível.

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  • Chutou a porta ou foi convidado?

    outubro 23rd, 2024

    Estamos falando da surpresa com a presença do presidente Nicolás Maduro na reunião dos BRICS, que acontece na Rússia. Nosso presidente não pôde comparecer presencialmente e combinou com seus pares de participar por videoconferência da reunião principal, agendada para a madrugada no Brasil – o que provocou alegria em Putin – momento em que serão decididos os países que vão ingressar no grupo, mesmo que a partir de agora com um status reduzido em relação aos atuais membros.

    Na lista dos 13 novos países membros, entraram Cuba e Colômbia, enquanto Venezuela e Nicaragua ficaram de fora. Isso não foi por acaso, já que foram bloqueadas pela diplomacia brasileira, que a princípio não o fazia de forma explícita.

    Sobre as novas atitudes do governo brasileiro em relação a antigos parceiros do continente, como Venezuela e Nicaragua, a mudança tem sido notável, e a especulação sobre os motivos começa a provocar na mídia mundial tentativas de explicação, que, a meu ver, ainda não obtiveram sucesso.

    Até porque, internamente, pouco se tem falado sobre o tema, enquanto a mudança de atitude vai ficando cada vez mais explícita, culminando com a retirada do embaixador brasileiro da Nicaragua e o não reconhecimento do resultado eleitoral na Venezuela. Os motivos ainda não estão totalmente compreendidos nem aqui e muito menos no exterior.

    No entanto, começa a se delinear uma visão pragmática das relações bilaterais brasileiras, com maior proximidade dos EUA. É preciso reconhecer a mudança , ao menos nos EUA de Biden e Kamala, que com Trump, se for o caso no futuro, a situação me parece ainda mais incerta.

    O que mudou para o Lula atual em relação aos EUA, sem dúvida, foi a atitude proativa de Biden no enfrentamento das ameaças golpistas do bolsonarismo civil e militar, com os EUA fazendo nossas Forças Armadas recuarem dos riscos de uma aventura. Mesmo sem sabermos os detalhes, o reconhecimento imediato da vitória de Lula pelos EUA de Biden sem dúvida desestimulou qualquer tentativa de golpe e botou os militares na defensiva. No mínimo.

    O quanto isso afeta as decisões atuais do presidente Lula? Os fatos relacionados aos acontecimentos na Venezuela e Nicaragua e a reação inédita do Brasil falam por si, embora ainda não tenhamos total conhecimento dos fundamentos dessa nova posição e do que ela pode significar para o futuro.

    Enquanto ainda tateamos , Maduro resolveu aparecer na reunião dos BRICS na Rússia, onde parecia certo o ingresso da Venezuela no grupo, algo que ele anunciou várias vezes e que, sem dúvida, tiraria seu país do isolamento decorrente da falta de reconhecimento de sua vitória eleitoral.

    Com a ausência de Lula, é difícil não imaginar que a presença de Maduro tenha sido combinada com o anfitrião da vez, a Rússia de Putin, o que nos faz pensar sobre o que estão tentando. Seria uma jogada para forçar o ingresso da Venezuela nos BRICS? Uma tentativa de abrir diálogo? Uma compensação para Maduro, em vista do duro revés proporcionado pelo Brasil? Ainda não sabemos. O que é razoável imaginar é que Maduro não deve sair de mãos abanando; no mínimo, ele conseguirá as fotos que tanto precisa para exibir ao seu público interno.

    O encontro dos BRICS vai até quinta-feira e vamos aguardar mais acontecimentos.

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  • Nos EUA, embolou.

    outubro 22nd, 2024

    Se nas pesquisas nacionais Kamala mantém 3% de vantagem, no colégio eleitoral a situação nos EUA — a jaboticaba dos EUA — está empatada, com uma leve vantagem para Trump.

    O que está claro é que as eleições nos EUA estão cada vez mais desorganizadas, inseguras, instáveis, desonestas, antidemocráticas e, agora, dominadas pela ilegalidade. Ou a compra declarada de votos, com o sorteio de eleitores inscritos, oferecendo US$ 1 milhão por semana, realizada pelo fascista Elon Musk — principal apoiador de Trump — tem outro nome? Parece coisa do Brasil dos coronéis, com o famoso “voto de cabresto”, onde se prometia uma parte antes das eleições e o restante depois, caso o candidato fosse eleito. Inacreditável.

    O eleitorado de Kamala parece desanimar no momento, enquanto Trump avança nos estados decisivos. Mesmo com um cenário de empate, ele pode ser considerado o favorito no dia de hoje. Há quem diga que existe um voto envergonhado a favor de Trump, mas, entre a equipe de campanha de Kamala, ninguém perde o ânimo, e todos continuam firmes na tentativa de retomar a liderança.

    Falta pouco, o empate parece consolidado, e, na hipótese de Kamala vencer, a confusão estará armada e retornará com força. É verdade que Trump já não dispõe mais das forças institucionais que tentou usar na eleição anterior, mas sua determinação em contestar e rejeitar os resultados dobrou.

    Isso nos dá a certeza de que haverá muita confusão, especialmente nas semanas de apuração.

    Fica a dúvida se a ONU, a Comunidade Europeia e até mesmo o Brasil reconhecerão a vitória do vencedor diante das atuais condições de compra ilegal de votos. Sem falar na tentativa de golpe no fim do mandato do Trump, que, a meu ver, deveriam impedi-lo de tentar agora livremente uma nova oportunidade.Pelo menos, deveríamos exigir e verificar as atas de votação.

    Ou não?

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  • Cumprir a meta fiscal e seguir em frente.

    outubro 22nd, 2024

    Nada mais improdutivo do que rediscutir as bases em que foram assentados os limites do Arcabouço Fiscal e os prêmios e castigos estabelecidos no cumprimento ou não das metas.

    Relembrando que, para 2024, o limite de déficit é de 0,25% do PIB, e estamos agora, em outubro, segundo Haddad, com um déficit de 1%.

    Para 2024, o teto do limite é de 2,5% de crescimento real da despesa. No entanto, se o montante ampliado da despesa, calculado dessa forma, for maior que 70% do crescimento real da receita primária efetivamente realizada em 2024, a diferença será debitada do limite para o exercício de 2025. Caso o resultado primário fique abaixo do limite mínimo da banda, o crescimento das despesas para o ano seguinte cai de 70% para 50% do crescimento da receita. Essa mudança, no entanto, só valerá a partir de 2025.

    Então, estamos na véspera de fechar o ano com um déficit de 1% ou 0,25%, dependendo mais de segurar despesas do que de aumentar a arrecadação, nessa altura do campeonato. E apesar de seguidos recordes na arrecadação, que acabamos de repetir em setembro.

    E, observe, precisamos segurar cerca de R$5 bilhões agora, cumprindo a meta do Arcabouço, para liberar cerca de R$ 50 bilhões a mais em 2025.

    É importante destacar que, em 2024, asseguramos um crescimento de mais de 3% do PIB, talvez um pouco mais. Assim, podemos afirmar que o ano de 2024 está ganho, e a prioridade é assegurar o mesmo crescimento em 2025. Os R$ 100 bilhões a mais serão imprescindíveis para essa nova conquista.

    Tudo certo e explicado, mas agora falta saber onde será feito o corte. E não pode ser na despesa obrigatória; os juros astronômicos e em crescimento por conta do Banco Central nem entram no cálculo do déficit primário, por conveniência do financismo e vergonha nossa.

    Esses são os fatos. O anúncio ficou para depois das eleições, por motivos óbvios, e a faca vai para cima do BPC e do seguro-desemprego, aparentemente.

    Pode até ser que haja gordura aí para queimar — até acho que tem. Mas é preciso reconhecer que só estamos conseguindo cortar do lado mais fraco, enquanto se anuncia imposto de renda para bilionários no futuro.

    É isso. As eleições municipais não afetaram a correlação de forças, mas fizeram o Centrão sonhar, o que não ajuda em nada na promoção de justiça fiscal e social no Brasil.

    Reclamar pode, só não pode esconder ou ignorar a realidade.

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  • A guerra no Banco central.

    outubro 21st, 2024

    Vou começar comentando um texto que circula em sites especializados em economia e finanças, onde o autor prevê Gabriel Galípolo na presidência do Banco Central mantendo a atual política contracionista. Isso porque o mandato dele só dura quatro anos, e, depois, ele vai precisar seguir sua carreira. Se ele se queimar com o mercado e não cumprir o “script” de manter os mais altos juros do mundo, terá dificuldades em sua trajetória profissional, explica o sujeito.

    Uma ameaça mais explícita do que essa, desconheço.

    Mas vale o registro.

    De fato, no novo Banco Central, travar-se-á a grande batalha dos próximos dois anos. Não há ajuste fiscal que dê jeito para segurar a trajetória da dívida pública pagando os mais altos juros do mundo. Enquanto o governo revisa o BPC, corta investimentos e praticamente paralisa o orçamento para cumprir sua meta — não sem um objetivo, que explico em outro post — economizando, nesse esforço tremendo, uns R$ 25 bilhões, uma queda de 0,25% na taxa Selic realiza o mesmo trabalho sem nenhum esforço adicional ou maiores consequências.

    Ou, melhor dizendo, com uma importante consequência: o câmbio.

    Não é segurando o investimento com juros altos que o boicote do atual Banco Central tem afetado o programa do governo. Sim, os juros atrasam investimentos, mas, a curto prazo, serviriam para segurar o câmbio, ajudando no combate à inflação.

    Mas o câmbio está totalmente descontrolado. Não está explosivo, pois não há nenhum motivo para isso, mas está estranhamente volátil, com variações bruscas e alto demais para o estágio atual da nossa economia, mesmo com ingressos de moeda estrangeira sobrando e não faltando.

    O mal maior do atual Banco Central, além da Selic, é deixar o mercado financeiro manipular os juros futuros de forma livre, puxando as taxas atuais para valores irreais e especulativos, prejudicando o combate à inflação, que o BC deveria promover, não boicotar.

    A nomeação de Galípolo ameaça esse jogo especulativo alucinado. Ao menos, espera-se maior racionalidade de Galípolo em relação ao BC atual, o que provoca calafrios e obriga os arautos do financismo a ameaçarem publicamente, sem nenhum receio, o futuro presidente do BC.

    Veremos o que veremos.

    Mas não coloco minha mão no fogo, quero ver o resultado e crer.

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  • Semana dos Brics

    outubro 21st, 2024

    “Neste encontro, que será o primeiro com a participação dos novos membros, os chefes de Estado devem debater pautas como a entrada de “países parceiros”, a crise no Oriente Médio e a cooperação política e financeira entre as nações do bloco, conforme informações do Itamaraty. A presidência do Brasil, que deveria ocorrer em 2024, foi adiada em um ano devido ao comando do país no G20, também realizado neste ano. Em 2024, a presidência ficou a cargo da Rússia, e o Brasil retomará o comando em 2025.” ( Fonte : Brasil247)

    Naquele que seria o maior encontro do Sul Global das últimas décadas, segundo alguns, o nosso presidente terá que participar por videoconferência, porque sofreu um acidente doméstico que o impediu de comparecer fisicamente.

    Outros temas importantes, já anunciados, também são aguardados com expectativa. Um deles trata do novo sistema mundial de pagamentos em substituição ao SWIFT dos EUA entre os membros do BRICS, com a consequente liquidação em moedas nacionais, eliminando a mediação do dólar. Além disso, discute-se o ingresso da Venezuela como membro parceiro.

    Dilma participará como presidente do banco do grupo, que, sob sua gestão, recebeu cuidados especiais. A atualização dos programas e investimentos realizados revela, com destacada importância, o estágio de crescente integração.

    O BRICS não é uma OTAN, não é um bloco econômico autônomo, nem uma ONU paralela, mas sim a voz do Sul Global, que cresce e caminha para conquistar protagonismo no mundo real, ainda em busca de um espaço proporcional nas decisões mundiais.

    O Brasil, sob o governo de Lula, faz sua parte no processo de integração. As recentes dificuldades com Venezuela e Argentina impediram o restabelecimento de uma maior integração em nosso continente, mas isso pode ser compensado com o fortalecimento dos BRICS, o que parece ser o caminho a curto prazo.

    Lamentamos a ausência de Lula. Ele estaria à vontade no encontro, e certamente sua falta será sentida.

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  • Desvendando o labirinto.

    outubro 19th, 2024

    Todos os dias me deparo com as previsões derrotistas de chamados companheiros, analistas, quintas colunas e opositores. E o quanto eles têm convergido nas opiniões sobre o resultado do primeiro turno das eleições municipais. Enquanto o objetivo do governo e da federação foi ampliar a base e conter o fascismo — relativamente bem-sucedido e com esperanças de resultados semelhantes no segundo turno —, o que se vê é que tudo que não está na conta exclusiva da federação PT-PSOL-PCdoB é considerado derrota. Mesmo que o vitorioso seja alguém da base de sustentação e o partido tenha votado 90% das vezes com as teses do governo, sobretudo nas mais importantes.

    Quem está mal das pernas e com dificuldades é exatamente quem foi o alvo principal da aliança contra o fascismo: os fascistas. Ainda não temos um balanço final, mas, como afirmei, o que se espera é que eles não consigam muitas vitórias, enquanto o centro, em alianças, segue obtendo os resultados mais importantes.

    Alguns levantamentos numéricos, como um que mostra a falta de vínculo entre vitórias municipais e nacionais, outro que observa a mínima relação entre votos municipais e deputados federais eleitos, e uma última análise que dividiu o número de votos de cada partido pelo número respectivo de candidatos, indicam que esse resultado praticamente não variou nas últimas três eleições municipais. Somado à questão do número de votos no PT — 8,9 milhões, sem lançar candidatos em São Paulo e Salvador, o que traria uns 3,5 milhões a mais para esse total —, esse cenário seria considerado um grande aumento no número de votos totais do partido. Isso, segundo alguns, me leva a manter minha avaliação de que são vários os vitoriosos e alguns derrotados nas eleições municipais, com pouca ou nenhuma vinculação com as questões nacionais, e que a estratégia do PT foi razoável, ao contrário do que muitos veem como fracasso.

    Além disso, temos o candidato francamente favorito para 2030, que vem fazendo um excelente governo e engrenando para dois anos finais de performance equilibrada, mantendo o crescimento sustentável.

    O resto é “oba-oba” de quem sempre enxerga o copo meio vazio e prefere viver de prognósticos pessimistas, por alguma razão que me escapa.

    Vida que segue, e vamos ao segundo turno.

  • Ajustes, sempre os ajustes.

    outubro 17th, 2024

    Os dados para a avaliação dos cenários chegam primeiro ao governo, certo, para que ele faça seus cálculos econômicos e políticos. Exatamente como a Prefeitura de São Paulo deveria fazer: manter a poda das árvores em dia, atender aos chamados dos moradores e, assim, evitar quedas em série, com as consequências que vemos atualmente. A condução econômica — e política — é semelhante; ao conhecer a realidade das contas e os compromissos futuros, ajustes são sempre necessários, embora nem sempre bem-vindos.

    É curioso que a discussão sobre corte no orçamento aconteça entre turnos eleitorais, com disputas apertadas ainda indefinidas. Talvez alguém tenha certeza de que as decisões nacionais influenciam pouco as eleições municipais, mas isso ainda surpreende. De qualquer forma, o debate está em andamento, a lista de ajustes está sendo preparada e não deve ser divulgada antes do segundo turno. Porém, ninguém será pego desprevenido. Os números são altos: cortes de 50 bilhões para cumprir o arcabouço fiscal. Lembrando que, em caso de descumprimento neste ano, o próximo será prejudicado. E talvez esse seja o cálculo, já que o crescimento de 2024 está assegurado, próximo de 3,5% do PIB. O ideal é pensar no futuro, mantendo o nível, corrigindo onde e quando for possível, sacrificando o mínimo necessário.

    Não devemos duvidar das intenções, mas é preocupante saber da necessidade de ajustes. Onde o “facão” vai atuar? A margem de manobra é sempre limitada, e os mais fracos costumam pagar mais.

    E onde a situação está realmente fora de controle: os juros do Banco Central, ainda com influência do bolsonarismo, continuam atuando contra nós. Felizmente, uma solução já está programada para janeiro. Depois disso, veremos para onde seguimos.

    Por um lado, as desconfianças são grandes quanto à capacidade de derrubar as maiores taxas de juros do mundo e de interromper a transferência de 800 bilhões para os bolsos dos ricos e especuladores, a maioria deles parasitas. Essa questão também está em pauta, e até a ideia, aventada no início do atual governo e depois descartada, de aumentar a meta de inflação de 3% para 4%, voltou a ser discutida. Já concordei com esse aumento no passado e reforço meu apoio. Sim, é possível que a indexação de custos aumente ao acompanhar uma meta mais ampla, mas aposto na economia de bilhões, pois, assim, abrimos espaço para uma queda significativa da Selic, o que compensaria o risco. Há grandes nomes defendendo a ideia, e desta vez eu apenas acompanho.

    Então, aguardemos o anúncio do ajuste. Ninguém vai gostar, mas devemos lembrar que 2024 já está praticamente ganho, e os olhos estão voltados para 2025 e, principalmente, 2026.

    Atualização : saiu agora IGPM-10 e IPC, ambos altos. Mais um incentivo para “agir”.

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  • Impasse no acordo das emendas mostra grave situação.

    outubro 16th, 2024

    A impossibilidade do Legislativo em cumprir a determinação do STF para abrir a autoria e o destino das emendas parlamentares passadas, apesar de reiterados e adiados pedidos, culminou com o bloqueio de novas liberações até o cumprimento total da decisão. Isso revela um quadro de grave situação, provavelmente com deputados e senadores incapazes de cumprir o mandato sem, digamos, produzir provas contra si mesmos em eventuais delitos e crimes. Temos desconfianças, mas faltam as provas que eles se recusam a fornecer.

    E eles devem ter suas razões.

    Após várias reuniões, tratativas, prazos, adiamentos e negociações, a questão simplesmente não avança. E Dino continua bloqueando novas liberações, o que tem provocado a ira dos congressistas.

    Lira, que enrolou o quanto pôde, chegou a soltar a “matilha” na CCJ para ameaçar o STF com a PEC “do fim do mundo”, que visava manietar o tribunal. Depois desistiu, mas voltou à carga com a cantilena de intervenção do STF no Poder Legislativo, algo que é frequentemente invocado, mas sem resultados práticos.

    A verdade é que não querem, ou não podem, dar a necessária publicidade e transparência aos atos passados.

    Vamos ver como isso se desenrola: Lira está no fim do mandato, a sucessão está à porta, e seu candidato está mal das pernas. A questão mais negociada com os fascistas gira em torno da votação da anistia aos golpistas – algo improvável e, em todo caso, inconstitucional. Isso atrapalha seus planos de pressão, e o tempo não corre a seu favor.

    Vamos ver onde isso vai parar. Penso que, em casos assim, não há como contornar indefinidamente, e alguma solução acabará surgindo. E dificilmente isso ocorrerá sem que alguns dos mais afoitos sejam pegos para a degola.

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  • Buscando os culpados do apagão. No lugar errado.

    outubro 16th, 2024
    Mapa SP. Em vermelho locais de pedido de poda não atendido.

    O que seria uma coisa óbvia e direta – buscar na omissão da prefeitura as falhas de cobrança e a falta de uma rotina eficaz no trato com o distribuidor de energia na maior capital do Brasil – se transformou em um exercício de yoga, daqueles bem avançados, onde o mestre atinge um nível de contorcionismo circense. Com a ajuda do TCU e do ministro Nardes, foi possível incluir o Ministério de Minas e Energia, a ANEEL (essa sim) e, indiretamente, o governo federal no rol dos culpados . Só faltou incluir o Lula.

    Nardes é uma figura carimbada, mas mostrou uma ousadia extrema ao proteger o atual prefeito na véspera do segundo turno. Ele foi figura central na avaliação das manobras contábeis do governo Dilma, que chamou de pedaladas, e que resultaram no que todos vimos. Aguardamos uma resposta urgente do ministro, no mínimo, ‘desancando’ esse operador da direita, incumbido de ocultar os responsáveis e evitar danos eleitorais, talvez já impossíveis a essa altura. Não sei se suficientes para derrubar o atual prefeito, como os galhos da cidade foram derrubados, mas certamente haverá uma rachadura, diminuindo a enorme vantagem sobre o oponente Guilherme Boulos. Daí a urgência da correria e a insensatez das falas de Nunes.

    O modelo tarifário nacional foi feito para proteger os interesses privados e garantir segurança para o investidor que compra estatais, como é o caso de São Paulo neste exato momento. A distribuidora compra a energia a preço fixo, sem produzi-la, sendo apenas intermediária. A tarifa é fixa na compra e a tarifa ao consumidor é altamente controlada, o que sobra para aumentar os lucros é a redução da mão de obra e a limitação da manutenção. Com isso, os lucros são turbinados, enquanto a cidade fica à mercê de qualquer evento. No caso, uma ventania que derrubou árvores sem poda, galhos sem poda, equipamentos sem manutenção e trocas programadas. O desastre não foi por acaso.

    Enfim, o que Nardes tenta fazer é ocultar responsabilidade pelas nomeações na agência reguladora ANEEL, todas feitas no desgoverno anterior. E ele vai além, tentando responsabilizar a privatização, contra a qual o governo anterior sempre se posicionou, sobretudo em relação à água e à energia elétrica. Ele inova espetacularmente ao tentar isentar o município e seu prefeito da responsabilidade direta e intransferível de cuidar bem dos interesses básicos da população na cidade. Fornecimento de energia e água, recentemente privatizada, não interessam às pessoas que vivem em São Paulo? Elas podem viver sem esses serviços? O atual prefeito teria coragem de perguntar aos moradores da sua cidade o que eles estão achando do ocorrido?

    Quanto a Nardes, suas atitudes não são de hoje. Além de ter sido filiado, no passado, ao partido da ditadura, a Arena, ele tem um mandato fixo e irremovível. No entanto, passar por mais essa situação sem uma resposta contundente e definitiva do governo é inadmissível.

    Por fim, a informação de que a poda é responsabilidade da prefeitura, que, além de realizar o serviço para outras finalidades, é quem indica à distribuidora de energia os locais onde o serviço é requisitado pelos moradores do município. Na imagem que ilustra o post, em vermelho, estão os locais onde a poda solicitada não foi realizada. Observe que, nas regiões periféricas de São Paulo, onde a ventania causou mais estragos, a falta de energia ainda não foi resolvida, passadas mais de 74 horas do evento. Não por acaso.

    Ficamos no aguardo da resposta do governo ao Nardes e do povo de São Paulo ao prefeito Nunes. Enquanto isso, nossa gloriosa imprensa cobre reuniões entre o governador e o prefeito de São Paulo, indignados, na companhia do indefectível Nardes,

    É isso. Cai quem quer.

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