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Blog do Franco

  • Escala 6 x 1 e a pauta da esquerda .

    novembro 13th, 2024

    Esse regime de trabalho é comum, sobretudo, no comércio e no varejo. Somente nesse segmento, são mais de 19 milhões de trabalhadores empregados em lojas, supermercados e shoppings que permanecem abertos praticamente todos os dias.

    O trabalho sem dia de descanso é uma das consequências do enfraquecimento dos sindicatos e da reforma trabalhista, realizada em contramão ao que ocorre no restante do mundo, promovida pelo golpe e aprofundada no governo bolsonarista.

    Alckmin — quem diria — se mostrou a favor da tendência mundial de reduzir a carga de trabalho, seja para um regime de quatro dias com três de descanso (4×3), ou ainda no tradicional 5×2, mas certamente não no 6×1. E ele tem toda a razão.

    Nosso país apresenta índices de desemprego relativamente baixos, pouco mais de 6%, mas o número de subempregos e de pessoas subutilizadas ultrapassa 50 milhões. Ou seja, reformas que reduzam o tempo de trabalho não irão pressionar o mercado, mas sim corrigir a distorção nos índices de desemprego. Com essa reforma, mais pessoas poderiam trabalhar um pouco mais, atendendo à necessidade e disponibilidade de muitos.

    Não acredito que essa reforma passe agora, mas vamos acompanhar. É uma pauta valiosa para o médio prazo e pode, de forma indireta, valorizar a luta sindical com uma causa tão relevante e atual.

    Com o avanço tecnológico e a crescente precarização do trabalhador, cuidar do emprego será a pauta principal na sequência da reconstrução nacional, uma vez equilibrado o orçamento e com a queda dos juros. O pequeno e médio empregador que utiliza o regime 6×1 precisará de ajuda para redimensionar seu negócio. Enquanto nos preparamos para essa mudança necessária, esses empregadores devem aproveitar para crescer junto com a economia nacional, que, com um PIB anual de 3% ao ano, acumula e realoca investimentos do povo.

    É um roteiro poderoso que se delineia, devendo ser seguido e conquistado pela esquerda, pelos sindicatos e sobretudo os trabalhadores.

    A proposta parece tirar a esquerda da defensiva.

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  • Tesoura Afiada.

    novembro 12th, 2024

    Ninguém pode ignorar a importância do debate que está sendo travado neste momento, sobretudo dentro do maior partido de esquerda do nosso país, o Partido dos Trabalhadores.

    Não vou reprisar os embates que envolveram ministros, deputados, senadores e a presidenta Gleisi, todos disputando o teor do corte que foi anunciado, mas ainda não inteiramente revelado.

    Este anúncio, que não deve passar desta semana, promete ser, sem dúvida, muito relevante.

    Inúmeras vezes procuramos mostrar a importância do cumprimento das metas fiscais, no mesmo sentido da redução da taxa absurda de juros no Brasil. O mercado futuro de dólar age de forma coordenada em ataques especulativos perigosos, como estamos vendo acontecer. Nenhuma razão objetiva justifica isso, e, somado à omissão criminosa do atual Banco Central, coloca a questão do câmbio em posição de provocar problemas na inflação, alimentando um ciclo de más notícias que se retroalimenta e arrisca as conquistas dos dois primeiros anos do governo. Sem falar no risco que isso representa para os dois próximos anos, decisivos em termos eleitorais.

    Estamos naquele exato momento em que, apesar de todas as conquistas e retomadas, o governo precisa se reposicionar para avançar.

    Se conseguir, de fato, incluir no pacote a ser anunciado uma série de práticas antigas e prejudiciais, eliminando desvios de finalidade, despesas mal formuladas e outras que já nem deveriam existir, o esforço para reduzir gastos excedentes e desnecessários deve ser, então, valorizado.

    Mas, como ainda não sabemos exatamente o que virá, e devido às queixas de grupos progressistas e até mesmo do PT, é de se esperar que alguns cortes dolorosos também ocorram, atraindo críticas e resistências.

    Administrar não é apenas fazer o que se quer; é também realizar o que é necessário.

    Lamentaria ver cortes que afetem as camadas mais vulneráveis e prefiro aguardar para avaliar o que se está tentando obter.

    Além da economia, é claro, objetivos futuros e alternativas serão buscados, o que nos permitirá compreender melhor a decisão.

    Muitas vezes lamentamos ver que a preferência de cortes recai sobre os mais necessitados. Mesmo que algumas falhas ocorram em certos benefícios sociais e apoios aos mais frágeis, o dinheiro está indo para quem mais precisa. Corrigir esses pontos é razoável, mas sabemos que há outros lugares em que o resultado favorece camadas sociais privilegiadas e onde não se consegue mexer.

    Ainda assim, estamos confiantes, pois o rumo geral do governo é correto, o melhor. Quando algo não sai como queremos, isso não deve ser motivo de desespero ou desânimo. Se falta alguma coisa para conseguirmos controlar o dólar, se os juros estabelecidos pelo nosso Banco Central continuam terrivelmente equivocados, é nesse debate e na correção dos rumos decisivos que devemos colocar nossa força.

    E, sem a presença do capital privado, o governo sozinho não vai carregar o país para sempre. Algum sinal precisa ser dado, demonstrando a disposição de cumprir as metas fiscais estabelecidas. A disposição de honrar acordos deve ser absoluta. E, na sequência, seguir com a política de investimentos, pois só assim vamos em frente e, quem sabe, retomar o fôlego.

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  • Venezuela e a página virada.

    novembro 11th, 2024

    Lula concedeu uma entrevista à Rede TV no último domingo e deixou claro que a questão venezuelana está resolvida para ele; virou a página. Ele afirmou não ser seu direito questionar a decisão da suprema corte de nenhum país e que agora o problema de Maduro é exclusivamente dos venezuelanos.

    O resultado das eleições nos EUA parece ser o sinal para Lula encerrar o capítulo com a Venezuela. Fica a questão da entrada nos BRICS ainda mal resolvida, e veremos até quando, mas o mal-estar em relação ao não reconhecimento da vitória eleitoral de Maduro parece superado — ao menos no que depende do governo brasileiro.

    Mantenho a ideia de que a eleição de Trump enfraqueceu Maduro, e parece que Lula deu sinais de que não está disposto a apoiar mais interferências no país vizinho, tantas vezes mencionadas repetidamente por Trump durante sua campanha.

    De fato, Lula parecia manter uma posição de concordância com Biden, que agora não existe mais, e já deixou claro, para quem quiser ouvir, que o alinhamento, se é que existia, acabou.

    Melhor assim, pois certamente a nova administração dos EUA vem com força contra a Venezuela. Nem mesmo a guerra foi descartada.

    Daqui para frente, vamos aguardar as ações do novo governo dos EUA, que certamente prepara decisões ousadas para o mundo, particularmente para a Venezuela — que não é nem frágil, nem indefesa, tornando o cenário, qualquer que venha a ser, perigoso.

    Ficar de fora desse problema foi a melhor decisão para o momento. Se os EUA querem falar coma Venezuela, que falem por sua conta e risco.

    E Maduro respondeu : “Presidente Nicolás Maduro: Me parece muy bien, estoy de acuerdo con Lula, cada país debe buscar la manera que resolver sus asuntos, sus problemas. Brasil con sus instituciones soberanas y Venezuela con sus instituciones también soberanas. Ha sido una reflexión sabia de Lula. Punto a favor de Lula”.

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  • IPCA a 4,76%, ultrapassou a meta.

    novembro 9th, 2024

    Preocupa, mas considerando que os preços foram afetados pelas secas, pelo aumento da conta de luz e que ambos os fatores estão presentes em parte para novembro e, a princípio, ausentes em dezembro, acho possível esperar uma redução nos números para cumprir o teto – a meta de 3% + 1,5% no limite.

    O que não entra nas análises diretamente, e me parece um fator preponderante, é o câmbio. Com os preços das commodities alimentícias atrelados à moeda internacional, a subida extraordinária de outubro contamina todos os preços, inclusive de combustíveis, afetando em cascata toda a cadeia de custos e preços dos alimentos.

    E, pior, o aumento dos juros, que estão entre os mais altos do mundo, não tem surtido efeito na redução do câmbio, como costumava ocorrer no passado. Assim, temos outras considerações sobre essa questão a observar.

    A primeira é que, durante o mandato do ex-presidente, o Banco Central, sob o comando de Campos Neto, interveio no câmbio 127 vezes. Nos dois primeiros anos de Lula, apenas duas vezes. Isso já basta para perceber a intenção do contador do Santander infiltrado no governo. E, lembremos, as reservas internacionais, que estavam em queda de US$ 50 bilhões nas mãos dos ex-administradores do caos, já foram recuperadas no atual mandato e aumentaram em mais de US$ 27 bilhões no total atual. Ou seja, parcimônia no uso de reservas em dólar para segurar a especulação criminosa é sinal de omissão e nada além disso.

    Outro problema grave que tratamos aqui é o volume de apostas no dólar futuro no Brasil, que supera em dezenas de vezes o capital investido na bolsa, provocando reações combinadas com a manipulação bilionária do câmbio no presente, aumentando dólar sem motivo, sem que o Banco Central tome alguma providência para contê-las. Por isso, esses volumes imensos de dinheiro em apostas futuras inibem o uso conhecido de aumento de juros para conter a alta do dólar no presente. Ou seja, aumentar juros não funciona mais para segurar o câmbio e muito menos para combater a inflação de demanda, que, por hora e há muitos anos, está ausente em nosso Brasil.

    Inflação por secas, aumento de combustíveis e tarifa de energia na bandeira vermelha – nada disso é combatido com aumento de juros, o que torna a ação suicida do Banco Central atual um caso de atentado planejado contra as finanças públicas, com o aplauso da mídia corporativa, dos bancos e dos investidores. Essa é uma aposta de décadas, que concentra renda e torna inútil qualquer tentativa de conter o aumento da dívida pública com cortes no orçamento. Se em alguma dívida cuja trajetória de crescimento nos ameaça de alguma maneira, a resposta está no aumento da dívida pública devido à elevação da taxa Selic; cada 1% significa mais R$ 50 bilhões de dívida. Note que, após várias reuniões e discussões entre ministérios do governo, o corte previsto para ser divulgado não passa – dizem – de R$ 15 bilhões. Se abaixarem 0,25% na Selic, a mágica da economia está feita.

    Onde está a discussão?

    Em quem ganha e quem perde, porque investidores e mercados querem tudo para eles e nada para nós. E só temos nosso Lula para nos defender.

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  • Mais 60 dias.

    novembro 8th, 2024

    O inquérito da Polícia Federal que apura as responsabilidades pela tentativa de golpe do dia 8 de janeiro foi prorrogado por mais 60 dias pelo ministro Moraes. A previsão inicial era para novembro, mas descobertas recentes – e gravíssimas – forçaram mais um adiamento, em uma investigação que a cada dia revela o alcance da trama do grupo palaciano anterior e os planos alucinados de todos eles, sonhando com o poder sobretudo para enterrar os crimes cometidos e escapar da prisão.

    Algo que, a essa altura, parece impossível.

    Não estou entre os que não acreditam na condenação do ex-presidente e sua tropa de milicianos, e ninguém pode dizer que os crimes cometidos não estavam evidentes. A questão é que os detalhes das operações criminosas, que vão sendo revelados, mostram que eles não tinham limites e passaram o tempo no governo tramando golpes, sem qualquer compromisso com o país. Enquanto o Congresso de Arthur Lira gastava o orçamento, os ministros participavam de esquemas e tramas, o presidente chefiava a turba, e o Brasil e seu povo que se virassem.

    Ainda vou entender o que se passa na cabeça de quem elege um presidente com essas características. Os EUA acabam de fazê-lo, e a Argentina também está afundando com a escolha anterior. Estamos nos recuperando do desastre, mas muita gente ainda persiste no erro, sem dar sinais de mudança.

    O que provocou mais um adiamento foi a descoberta de arquivos apagados nos celulares de Mauro Cid – sim, ele mesmo – onde dossiês detalhavam o tipo de segurança disponível para o presidente Lula e para o próprio ministro Moraes, incluindo armamentos disponíveis para a defesa de ambos, diante da possibilidade de confronto durante um plano de sequestro. Sim, o plano incluía o sequestro do presidente eleito e do ministro do STF. Quem lideraria a ação e com qual objetivo talvez ainda saibamos.

    Considerando que Mauro Cid dispunha do plano, no mínimo tinha conhecimento e o aceitava, podemos imaginar quem seriam os autores do sequestro. E, sem nenhuma dúvida, é plausível supor que muitos deles ainda estejam por aí, vivendo suas vidas e planejando ou fugir, ou aprofundar suas ações.

    Ainda não sabemos exatamente o que barrou essa gente – se foi a covardia, os EUA, a rápida reação mundial em reconhecer a eleição de Lula, a união institucional contra a tentativa de golpe ou a incompetência dos autores, sem uma proposta viável para assegurar o futuro de tamanha afronta. Talvez uma soma de tudo isso. O fato é que não conseguiram seguir adiante, e agora ou conseguimos encarcerar essa gente, ou eles voltarão com força dobrada.

    Enquanto isso, está lá o maluco do Norte, fazendo os planos mais alucinados para mostrar até onde podem chegar.

    Mais 60 dias. Espero que seja o fim de verdade. Continuo confiando que sim, ainda mais diante de mais essa gravíssima descoberta.

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  • Foi a economia, estúpido!

    novembro 7th, 2024

    De todas as explicações sobre a derrota de Kamala — lembrando que Trump também foi derrotado em sua tentativa de reeleição —, a única que parece fazer sentido é a que envolve a economia. E isso nos serve de alerta. Os EUA também saíram da pandemia com inflação elevada, aumentaram os juros e recentemente estabilizaram os números inflacionários em patamares aceitáveis. Contudo, mantiveram os salários achatados em um cenário de pleno emprego e crescimento do PIB que não foi compartilhado com a maioria, mas acumulado pelas camadas sociais mais privilegiadas. É exatamente o que está acontecendo conosco: estamos recuperando empregos, com a vantagem da formalização, mas, apesar disso, a massa salarial, que cresce em função do aumento no número de trabalhadores empregados, não tem se traduzido em aumento real de salários, que permanecem defasados em relação à acumulação, especialmente devido aos juros abusivos pagos a rentistas. O nível de preços, assim como nos EUA, que não subiu demais, também não caiu; estabilizado em patamares altos, impede o consumo das famílias, especialmente no que se refere ao preço elevado dos alimentos.

    Agora, estamos discutindo cortes no orçamento, que têm gerado desconforto generalizado, dentro e fora do governo, enquanto alguns aproveitam a oportunidade para sugerir a desvinculação das aposentadorias do salário mínimo — uma proposta que enfraquece não só a aposentadoria, mas também o propósito de se ter um valor de referência para o salário mínimo no país.

    Ainda não sabemos exatamente o que está por vir, mas acredito que em breve conheceremos o teor completo das medidas, que são necessárias para acomodar pressões e “fazer o jogo do mercado”, sem se render totalmente a ele. A questão do orçamento é passível de revisão; o país não terá uma solução para seus problemas sem crescimento econômico. A indução do Estado é capaz de romper a letargia de nosso empresariado, e, no próximo ano, a questão dos juros se tornará crucial para a resolução de nossos desafios; caso contrário, não conseguiremos sair da armadilha imposta por Campos Neto e seus seguidores.

    Remediar e atravessar turbulências faz parte do trabalho, assim como superar armadilhas. Vencê-las é o desafio dos próximos dois anos, pois, se não o fizermos, a extrema direita estará pronta para voltar — e voltar para causar o dobro de estragos.

    Que o exemplo dos EUA nos sirva de lição para evitarmos repetir os mesmos erros econômicos, falsamente resolvidos, que levaram Biden e Kamala a derrota.

    ” Eu conheço bem o discurso do mercado , a gana especulativa do mercado (…) Nós não podemos mais jogar , toda vez que você tem que cortar alguma coisa, em cima do ombro das pessoas mais necessitadas ” ( Luiz Inácio Lula da Silva)

    ” A campanha de Bill Clinton acertou em cheio quando cunhou, em 1992, a famosa frase: “É a economia, estúpido”. Isso porque a economia tem sido consistentemente classificada entre as principais –se não a principal –questões durante e depois das eleições.”

    ” Bernie Sanders: ‘nos EUA, o Partido Democrata abandonou a classe trabalhadora e depois foi abandonado por ela’ ”

  • Até 2030, sem discussão.

    novembro 6th, 2024

    Uma lição importante da eleição nos EUA é que, daqui para frente, a questão da idade do presidente Lula na disputa de 2026 não deve mais ser motivo de discussão. A troca de Biden por Kamala mostrou-se um desastre, e isso ficou evidente agora. Não que no Brasil não tivéssemos antecedentes: a substituição de Lula por Haddad, mesmo em circunstâncias distintas das ocorridas nos EUA, levou ao mesmo resultado de derrota.

    É claro que a decisão sobre disputar ou não em 2026 cabe ao nosso Lula. Com seus 81 anos, será ele quem nos dirá o que fazer. Porém, vale notar que Trump, com 78 anos, terminará o mandato que acaba de vencer com 82, destacando como a longevidade humana é uma realidade, ainda mais em um cenário onde o eleitorado também está envelhecendo.

    Outro ponto importante é que Trump não demonstra, e nem parece querer, nem de longe, o vigor físico de Lula – sem falar no intelectual. Ele frequentemente aparenta cansaço, fadiga e aborrecimento, enquanto nosso Lula mantém uma disposição alegre, sempre em movimento, valorizando exercícios físicos e uma boa alimentação.

    Portanto, estamos acordados: Lula é nosso candidato, e qualquer mudança nessa indicação dependerá apenas dele. Que ele siga fazendo um bom governo, revogando-se as disposições em contrário.

  • 8 e 80.

    novembro 6th, 2024

    A vitória de Trump, que se desenha, é incontestável. Os norte-americanos aprofundaram a escolha em um extremista criminoso já conhecido. Na primeira vez, ainda se podia argumentar que era um desconhecido.

    Mesmo com sociedades tão divididas, onde as definições de vitória se dão por pequenas diferenças, alguém precisa vencer e acaba levando quase tudo no final.

    Quase tudo, pois o poder não é algo absoluto; ele vem acompanhado de disputas e se espalha em instâncias por vezes inacessíveis. Sim, é possível tentar impor políticas específicas, mas isso custa muito trabalho e investimentos. E tempo.

    O que Trump simboliza para nós é a direita bolsonarista, o desastre recente que experimentamos. O que ele significa para os seus compatriotas, porém, me parece distinto. A começar pela renovação da promessa de fim das guerras, que foi uma das poucas coisas que ele reafirmou em seu discurso de vitória. Isso não é pouca coisa para os EUA e seu povo, como podemos imaginar. Também não é pouca coisa para nós.

    Além disso, a retórica bolsonarista se fortalece, embora sem chances de comoção suficiente para reverter condenações e destinos de golpistas fracassados. Vamos todos virar essa página, inclusive eles, e o cenário futuro permanece na decisão do presidente Lula de tentar a reeleição ou não. O obstáculo da idade permanece – não para os próximos dois anos, certamente, mas para além disso. E vamos tratar muito desse tema daqui em diante.

    Agora é esperar o que vem do norte, entendendo que temos muito o que pensar, e a expectativa não é das melhores. O freio de mão na política externa brasileira parecia puxado diante da preocupação com uma vitória de Trump, que agora é realidade. Em certo sentido, estamos posicionados para evitar, desde o início, crises envolvendo os países vizinhos, no que diz respeito à visão dos EUA sobre as questões atuais da Venezuela. Não imagino que tenha sido por acaso a decisão brasileira quanto a reconhecer a vitória de Maduro e o impedir de entrada nos Brics.

    No mais, vida que segue.

  • Empatados.

    novembro 5th, 2024

    No final, vou deixar os argumentos do principal analista de eleições nos EUA que conheço.

    Ele explica que os candidatos estão empatados nos principais colégios eleitorais, aqueles famosos sete estados que, de vez em quando, votam no democrata ou no republicano e decidem a eleição por lá.

    Se nem os principais analistas conseguem opinar, quem somos nós? Nos resta torcer e observar a trajetória de Kamala, que precisou entrar na corrida em grande desvantagem, conseguiu reverter o favoritismo, e, embora Trump tenha mostrado recuperação, Kamala parece ter reagido na reta final. Para mim, ela é a favorita para vencer.

    Mas talvez isso seja apenas torcida.

    Fique com a explicação de Nate e torça. É verdade que Kamala não muda muito para nós, e pouco influencia o mundo. Trump, por outro lado, representa a extrema-direita no poder e empodera o que há de pior. Aqui também, embora o impacto seja questionável, já que Bolsonaro se aproxima de uma condenação.

    O link prometido :

    https://www.natesilver.net/p/a-random-number-generator-determined

  • Morde e Assopra.

    novembro 4th, 2024

    O velho dueto nunca deve ser abandonado.

    Enquanto trabalha para promover cortes no orçamento, visando evitar o crescimento da dívida pública, o governo aproveita o momento relativamente favorável, com crescimento de 3%, inflação no limite da meta e negociações em andamento nas casas legislativas e, sobretudo, no Banco Central. Após uma eleição municipal complicada, a hora é de aproveitar a metade do mandato e “sujar as mãos” ao cortar excessos – e até mesmo sacrificar algumas partes importantes – para se preparar para os dois últimos e decisivos anos.

    Mordeu.

    Mas também assopra, pois a nova regra para liberação dos bilhões em emendas parlamentares ainda busca consenso, sendo que a vigilância e as exigências do STF são incontornáveis e favorecem a responsabilidade. Além disso, há notícias de que a nova LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) também está sendo revisada, e que a liberação desses recursos, incluindo as emendas parlamentares, estará condicionada a projetos do Executivo, evitando assim a pulverização de bilhões em obras pontuais, como reformas de praças ou asfaltamento de acesso ao sítio do prefeito.

    Por enquanto, tudo ainda está no papel, mas, se uma coisa realmente está atrelada à outra, o “morde e assopra” reaparece em grande estilo.

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