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Blog do Franco

  • Tsunami de vento.

    fevereiro 17th, 2025

    O problema dessas crises inventadas em sequência — ou seja, uma atrás da outra e por motivos frequentemente opostos — é que, apesar dos estragos passageiros nos índices de aprovação do governo e até na imagem do presidente Lula, elas são efêmeras, e o vento as leva.

    São anunciadas como catástrofes irreparáveis, definitivas. Dizem isso todas as vezes, independentemente da gravidade das alegações. Mas nada disso é verdade, porque são problemas normais de qualquer administração, sujeita a variações de humor da opinião pública em função de uma questão ou outra. Coisas corriqueiras e normais para quem governa um país gigante, diverso e que tem praticamente toda a mídia corporativa na oposição desde sempre.

    O motivo é de classe: os proprietários dessa mídia pertencem à elite rica do país — semi-analfabeta, apesar dos inúmeros títulos; sem cultura, apesar de tantas viagens e contatos mundo afora; racista e fascista assumida, como podemos verificar cotidianamente.

    E mesmo assim seguimos, porque, se somos um dos países mais desiguais do mundo, alguém foi responsável por essa realidade tão dura. Sabemos que 500 anos de história nas mãos de colonizadores e, depois, de saqueadores e racistas no comando não seriam revertidos em um passe de mágica por alguns anos de transformações e vitórias eleitorais de um partido popular e seu líder.

    Mas seguimos na luta, porque ela vale a pena e dá resultados, mesmo convivendo com aqueles que não têm propostas nem votos para mudar o quadro por meios democráticos, e com aqueles que combatem sem trégua o projeto de inclusão social — sem guerra e dentro do regime democrático de uma nação tão sofrida e desigual.

    Já expliquei a questão da queda na desaprovação, que é natural na virada para a segunda metade do mandato. Mostrei como o afastamento do presidente Lula, devido à queda que sofreu, impactou sua presença e proporcionou à oposição na mídia a oportunidade de atacar, usando a mentira da portaria da Receita Federal sobre o Pix. Agora, tento demonstrar como tudo isso é pouco diante da tarefa maior e que, aos poucos, a aprovação voltará, porque o trabalho nunca parou. Os resultados seguem crescendo e sendo cada vez mais efetivos, e todos sentirão os efeitos — o que não significa que todos admitirão.

    É mais do mesmo: de vez em quando, conseguem um golpe, e a coisa parece balançar. Mas não cai. Não cai porque é forte. E porque há muita, mas muita gente boa, firme e segurando.

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  • Esperando Gonet.

    fevereiro 16th, 2025

    Ao que tudo indica, Gonet chegará para cumprir seu papel no processo de enquadramento histórico dos aspirantes a ditador e seus cúmplices.

    Não é pouca coisa, e o tempo de resposta não foi tão longo, considerando que o inquérito da Polícia Federal ficou pronto no fim do ano passado.

    É fato que as provas e a tentativa de golpe já eram amplamente conhecidas, assim como a participação dos envolvidos. Praticamente todas as tratativas, atentados e ações criminosas foram expostas ao público. Dessa forma, não se espera nenhuma grande novidade na conclusão do trabalho do procurador — apenas a formalização, no papel, de tudo o que já sabemos.

    O pedido de condenação seria de 28 anos.

    É esperar e ver, e essa bobagem de anistia morre antes de nascer.

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  • Queda ( momentânea ) na aprovação .

    fevereiro 15th, 2025

    A Queda de Aprovação e as Razões por Trás dos Números

    Antes de tudo, é importante não negar os fatos nem desqualificar pesquisas. O mais produtivo é entender as razões da queda de aprovação do governo.

    A própria pesquisa destaca a confusão em torno da fiscalização de movimentações acima de R$ 5 mil no Pix como um dos fatores que levaram à atual desaprovação recorde. Vale lembrar que, na época, Lula ainda se recuperava das sequelas da queda, da cirurgia e das semanas de limitações — sobretudo de fala, o que dificultou uma resposta rápida às fake news sobre a portaria do Pix. Talvez, com uma comunicação mais ativa naquele momento, a queda na aprovação pudesse ter sido evitada ou ao menos minimizada.

    De maneira geral, governos costumam enfrentar maior insatisfação no meio do mandato. Os primeiros meses são dedicados a ajustes que, muitas vezes, desagradam setores da sociedade, mas que preparam terreno para resultados melhores nos anos seguintes. O próprio governo tem repetido que 2025 será o ano de colher os frutos. O início de ano, no entanto, veio acompanhado de juros elevados e preços altos dos alimentos, fatores que naturalmente geram insatisfação e justificam o aumento das críticas.

    A tendência, no entanto, é de recuperação. Com Lula retomando a presença diária no debate público, reforçando os feitos da gestão e anunciando novas iniciativas, além de uma publicidade mais assertiva para enfrentar a oposição, os índices de aprovação devem reagir.

    Até porque, analisando a fundo, não há motivos reais para uma queda tão brusca.

    É claro que um governo não precisa rebater a oposição a todo momento, mas quando as críticas atingem um ponto sensível — como agora —, responder se torna imperativo. E os resultados dessa reação não devem demorar a aparecer.

    Além disso, vale notar que a pesquisa negativa contrasta com outra divulgada há poucos dias, na qual Lula vencia todos os adversários em todos os cenários eleitorais para eleição de presidente.

    O povo pode estar insatisfeito, mas também sabe fazer suas escolhas.

    📊 Dados da pesquisa:

    • Ótimo/bom: 24% (-11)
    • Regular: 32% (+3)
    • Ruim/péssimo: 41% (+7)
    • NS/NR: 2% (+1)

    Mesmo com a queda, 56% ainda avaliam o governo como regular ou positivo. Ou seja, o cenário não é tão ruim quanto parece..

    “Quando você ganha as eleições, no primeiro ano ninguém te cobra nada. No segundo ano, você começa a ter uma expectativa: ‘Ele não está entregando? Não vai entregar?’ O terceiro é o melhor para prefeito, governador e presidente. É o caso de 2025”. (Lula)

  • Petróleo na margem equatorial.

    fevereiro 14th, 2025

    O janeiro mais quente da história e algumas reflexões

    O novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, está cobrando do presidente Lula uma solução para liberar a licença que permitirá a exploração de petróleo na margem equatorial, no litoral norte do Brasil. A resposta de Lula não foi divulgada, mas sua intenção todos conhecemos.

    Essa intenção não é explorar sem cuidados ou sem critérios rigorosos de segurança ambiental. Ainda assim, as críticas da esquerda são numerosas e precisam ser respondidas com clareza.

    A questão ambiental e o aquecimento global são realidades que afetam a todos. Quem não tem recursos sofre ainda mais. É preciso nos situar nesse contexto e observar o discurso dos países ricos, que exigem de nós o que eles mesmos não cumpriram e provavelmente não cumprirão.

    São eles que emitem 90% dos gases poluentes, não nós. Nossa tarefa de preservar as florestas tem sido amplamente debatida, com diversas propostas apresentadas. Vale lembrar que cerca de 20 milhões de brasileiros vivem na Amazônia. Se o mundo está preocupado com a floresta, é fundamental reconhecer que são essas pessoas que a preservam e delas vivem. Com apoio eficaz, suas vidas podem ser equilibradas tanto ecológica quanto economicamente.

    Essa tem sido a tentativa do Brasil, agora ainda mais urgente diante das políticas ambientais desastrosas de líderes como Donald Trump.

    A discussão sobre a exploração na margem equatorial envolve várias questões. Sabemos que, a partir de 2030, o pré-sal começará a declinar, reduzindo nossas reservas. A nova fronteira de exploração pode garantir nosso suprimento de petróleo e ainda permitir exportações para sustentar o superávit comercial, indispensável ao progresso do país.

    Quem discute esse tema precisa apresentar alternativas viáveis. É fácil discursar em auditórios climatizados, cercados por todo o conforto moderno — conforto do qual ninguém está disposto a abrir mão. Aviões, satélites, internet, energia elétrica e água encanada são parte da vida contemporânea. Impossível impor mudanças de comportamento aos países desenvolvidos que realmente façam diferença global.

    É claro que a mentalidade poluidora e irresponsável de antes está sendo superada, graças ao esforço de ambientalistas e à dura realidade que confronta até os mais cínicos. Mas onde fracassam as políticas ambientais, fracassa também o desenvolvimento, já que ninguém está disposto a abrir mão do conforto atual sem alternativas energéticas viáveis.

    Enquanto não há soluções globais para substituir o petróleo de forma sustentável, a disputa por novas frentes de exploração segue intensa. O Brasil continua avançando graças ao seu esforço e investimento.

    As propostas de substituição das matrizes energéticas estão em discussão no mundo todo. Algumas conquistas já foram alcançadas, mas a um custo elevado. O petróleo ainda pode sustentar a transição energética no médio prazo. Estamos longe de uma substituição plena.

    Até lá, lutar por um mundo livre de petróleo é uma pauta legítima e merece respeito. Contudo, até que isso aconteça — se é que acontecerá —, o petróleo seguirá como a principal fonte de energia global. O Brasil precisa continuar explorando essa fonte para o bem de seu povo, enquanto todos lutam por um mundo menos poluído.

    Os países mais poluidores devem fazer sua parte, assumindo a responsabilidade pelos danos que causam, em vez de empurrar o fardo para os mais pobres.

    E não podemos aceitar que governos irresponsáveis destruam tudo em nome do lucro e sigam sendo aplaudidos sem constrangimento. Até porque foram eleitos… ou apesar disso.

    No fim das contas, a licença solicitada agora seria apenas para verificar se há petróleo e se a exploração é viável.

  • Sinais.

    fevereiro 13th, 2025

    Quem me acompanha aqui sabe do interesse com que sigo os sinais da economia, as decisões e suas implicações, os desdobramentos e consequências.

    Durante os últimos dois anos, o bolsonarista ex-presidente do Banco Central fez de tudo para criar as condições em que sua fala e sua atuação diante da autoridade monetária causassem danos ao país, com a intenção, nunca escondida, de atrapalhar o desempenho econômico do presidente Lula e sua equipe.

    Não foram poucos os momentos de embates e disputas, tendo a taxa de juros no centro das discussões, e a maneira rasteira como seu comportamento belicoso e falsamente desinteressado conduziu o final de 2024 para provocar crises, finalmente conseguindo, com o discurso de problemas fiscais e ajuda da insegurança global com as ameaças de Trump .

    O saldo de sua atuação são R$ 1 trilhão de serviços da dívida a serem pagos em 2025, e a tal crise fiscal só tem motivo exatamente nos maiores juros do mundo, que pagamos sem nenhuma razão para isso.

    Agora, o discurso vai sendo ajustado com a nova diretoria do Bacen, embora, penso, lentamente demais, porque usam a metáfora do transatlântico que não pode ser conduzida aos sobressaltos… depende, porque, se avistar um iceberg, é bom desviar rápido, do jeito que for possível, para evitar o pior.

    Estamos à véspera de mais um aumento programado da taxa Selic, em março, dentro do rumo traçado pelo bolsonarista e até agora sendo mantido por uma presidência do Banco Central que parece não ter entendido ainda a urgência e a responsabilidade que carrega.

    Seguir acumulando juros não é a resposta para o Brasil.

    Acho que eles sabem muito mais do que nós a esse respeito, e estão preparando um pouso suave…

    Mas não só as taxas inflacionárias começam a cair, como a atividade econômica também.

    Consequência inevitável dos maiores juros do mundo, que anulam qualquer ímpeto de investimento e provocam a maior concentração de renda do mundo, como se já não fôssemos campeões mundiais nessa modalidade.

    Não renovo votos de confiança, mas aguardo, preocupado, as decisões futuras do novo Banco Central. Como afirmei no post anterior, se a decisão de março confirmar mais 1% de aumento na Selic, pode estar definindo um ano medíocre de crescimento na economia e a decisão do governo de priorizar 2026.

    Não tenho resposta para isso, mas espero que estejam certos.

  • Apaga tudo! (?)

    fevereiro 13th, 2025

    Ontem, escrevi mais um post reafirmando minha convicção de que a elevação da taxa Selic em março seria menor que 1%.

    Mas o presidente do Banco Central, Galipolo, concedeu uma entrevista onde praticamente cravou esse aumento, deixando sinais de que ainda mais elevações podem estar a caminho.

    Não dá para brigar com os fatos. É meu dever tentar acompanhar, com honestidade, aquilo que vejo e leio. Nesse caso, a decisão de Galipolo — e provavelmente de toda a atual diretoria do Banco Central — deve mesmo seguir o rumo já sinalizado na última ata, embora eu tenha tentado encontrar ali sinais de alguma alternativa.

    Em minha defesa, reafirmo minha visão: a atividade econômica está desacelerando, o dólar continua em queda, e as promessas de uma safra melhor, com impactos positivos nos custos de produção de alimentos, seguem conforme anunciei.

    Contudo, economistas — e aqui incluo o Banco Central — não se convenceram da queda do IPCA em janeiro. Isso porque o índice foi puxado para baixo por uma redução acentuada e sazonal no custo da energia elétrica, enquanto quase todas as demais atividades seguem rodando em níveis considerados elevados. Para eles, a previsão de uma taxa anual de 6% em junho continua sendo a principal aposta.

    Ok, não adianta dar murros em pontas de faca ou brigar com os números.

    O que nos preocupa agora é a desaceleração da atividade econômica. Tivemos dois meses seguidos de queda no setor de serviços — o mais importante para a composição do PIB. Se fevereiro repetir um número negativo, podemos entrar em recessão técnica no setor, com três meses consecutivos de retração.

    Na mesma fala em que reafirma a necessidade de juros mais altos no curto prazo, Galipolo também admite que a atividade econômica começou a ceder, o que seria o efeito desejado para conter a inflação.

    Ok, vamos aguardar os números e seguir perseverando na necessidade de rever essa política de juros tão altos, que está comprometendo o crescimento econômico e o futuro do atual governo.

    Fazer prognósticos de sacrifícios agora, com a promessa de alívio em 2026, ano eleitoral, é um risco grande. E não deveria ser assim. Vale lembrar que foi o próprio Haddad quem reduziu a meta de inflação de 3,5% para 3%, impondo sacrifícios talvez excessivos.

    A ver. Quem sabe os números de fevereiro tragam uma surpresa positiva, e o Copom se veja obrigado a calibrar melhor a Selic?

    Eu ainda aposto nisso, apesar das esperanças momentaneamente despedaçadas.

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  • Inflação de janeiro.

    fevereiro 12th, 2025

    O IBGE divulgou o IPCA de 0,16% em janeiro, o mais baixo para o mês na série histórica do Real desde 1994.

    Esse número extraordinário suscitou debates sobre o comportamento futuro da inflação no Brasil. Pelas informações que observei de fontes que considero sérias e honestas, parece haver um consenso de que continuamos em tendência de alta, com uma possível máxima próxima de 6% em junho.

    Até onde consigo enxergar, vejo a questão de modo oposto. Com o dólar em queda, o petróleo estável, a energia elétrica com bandeira verde, a safra prevista superior à do ano passado e a atividade econômica relativamente estável, acredito que não estamos em um ciclo de alta inflacionária, mas sim em um momento de estabilidade.

    Prever o comportamento do setor de serviços — responsável por grande parte do PIB e, por consequência, dos números da inflação — não é simples. O mais viável é observar os dados passados, buscar tendências e, a partir disso, arriscar previsões.( saiu agora o índice de dezembro e aponta queda de 0,5%, após queda de 0,9% em novembro)

    Por essa razão, imagino um cenário diferente. Tento captar o momento atual, e não me prender apenas ao passado. O que vejo é equilíbrio e até uma possível tendência de queda, jamais de aumento.

    Agora, precisamos aguardar os próximos levantamentos para termos certeza. A preocupação é grande porque, mantidos os números de janeiro, aumenta a possibilidade de não haver um novo reajuste de 1% na taxa Selic em março. Essa reunião será decisiva para os rumos da atividade econômica no primeiro semestre. Uma sinalização de juros menores ou de altas mais moderadas é fundamental para estimular o investimento e manter o crescimento do PIB, salvando o segundo semestre, que é crucial para que o país siga no melhor caminho.

    Por enquanto, seguimos aguardando. E mantenho minha previsão: em março, não veremos um aumento de 1% na Selic, como muitos ainda apontam.

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  • Hugo Motta Caçando likes.

    fevereiro 8th, 2025

    O recém-eleito presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, agitou os ânimos na noite de sexta-feira ao conceder declarações, no mínimo, cretinas.

    Disse que o vandalismo de 8 de janeiro não foi um ato golpista, defendeu o semipresidencialismo e ainda achou exagerado o período de oito anos de inelegibilidade para os condenados pela Lei da Ficha Limpa.

    Um combo digno de Arthur Lira, cuja água certamente bebeu.

    Mas, sendo essa a origem da contaminação, pergunto: qual dessas propostas mirabolantes o recém-apeado titular do cargo conseguiu aprovar?

    Nenhuma.

    Exatamente o mesmo número de sucessos que o atual presidente da Câmara deve conquistar com essas pautas.

    Por que insistem nessas propostas afrontosas? A quem servem? Ou melhor, a quem interessam?

    A eles mesmos. É puro espetáculo para manter a retórica escandalosa e chamar atenção. Satisfaz a necessidade de sacudir os ânimos: uns no ataque, outros na defesa, e todos cumprindo seus papéis.

    Na prática, nada.

    Qual o sentido de juntar anistia a golpistas com semipresidencialismo? Primeiro, salva o pescoço dos golpistas; depois, corta fora. Tira a expectativa futura das disputas presidenciais? Anula os puxadores de votos nas eleições federais? E os governos estaduais, como ficariam? Um Executivo federal sem poder, mas com governadores estaduais fortalecidos?

    Pior: seria possível eleger um primeiro-ministro com, digamos, 200 mil votos? Quanto tempo duraria um arranjo mambembe desse tipo no Brasil? Nem uma semana.

    Ou seja, tudo não passa de show. Uma tentativa de parecerem mais fortes do que realmente são.

    Aliás, bem ao estilo Trump, que agora se lança como quem pretende governar o mundo, quando mal e porcamente tenta mandar no país que o elegeu.

    O estranho é entrarmos nessas discussões como se essa turma falasse sério.

    Nada disso. Eles não podem e não vão impor mudanças desse tipo, simplesmente porque não deixaremos. Ponto final.

    E se for o caso, um processo por crime de responsabilidade logo de cara cairia bem para confrontar presidentes de poder que não levam o cargo a sério. Talvez nem cheguemos a isso, mas vale mostrar que não é refresco para ninguém — nem para eles, nem para nós.

    Um pouco mais de seriedade deve ser cobrada, para garantir.

    Mais massa crítica e menos sustinhos da nossa parte.

  • Réquiem.

    fevereiro 7th, 2025

    Mais alguns dias e teremos o anúncio do fim do PSDB, partido nascido de uma dissidência autodenominada moderna e social-democrata, oriunda do MDB da época da ditadura militar, que agora retorna ao ninho. Ou não, caso opte pelo PSD de Kassab.

    A trajetória do partido está umbilicalmente ligada à Rede Globo, marcando a passagem desta de arauto da ditadura para símbolo de uma transição democrática “por cima”, sem a menor consideração pelas mazelas ou pelo reconhecimento do passado. O PSDB foi usado pela Globo e também a usou para sobreviver e eleger presidentes e governadores. A crise do partido nasce de uma absoluta falta de personalidade e de rumos claros entre seus líderes, que nunca conseguiram assimilar as derrotas para Lula e o PT — culminando na emblemática vitória de Dilma sobre Aécio, que jogou o partido no golpismo e preparou sua derrocada.

    Os verdadeiros sociais-democratas no Brasil seriam o PDT de Brizola, um partido mais desorganizado e muito dependente da figura do próprio Brizola, e o PT. Apesar de igualmente muito ligado a Lula, o PT soube conviver com dissidências e tendências internas que oxigenam o partido. O que faltou para Brizola sobra em Lula: a capacidade de assimilar essas divergências. Não que Brizola não soubesse agregar, mas ele o fazia de fora, sem tolerância para quem o contestasse internamente.

    O PSDB se afastou cada vez mais das ruas, das pautas e até da realidade, mantendo sua interlocução centrada na mídia — especialmente na Globo. Agora, parece que seu tempo chegou ao fim.

    A Globo também não é mais a mesma e já não consegue mais falar sozinha. Há outros concorrentes, muitos ainda piores, fomentando a extrema-direita, enquanto canais progressistas combatem as mentiras, mostrando a realidade e limitando o alcance das manipulações tradicionais — algo que foi fatal para o PSDB.

    Essas manipulações, antes sutis, hoje se tornaram extremadas e deslavadas. Não que o PSDB não tivesse apetite por esse tipo de prática — o caso do “atentado” com a bolinha de papel contra Serra foi um precursor das fake news —, mas o partido encontrou o extremo ocupado e perdeu, de vez, seu rumo.

    Não deixa saudades.

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  • 25 propostas de Haddad para 2025.

    fevereiro 5th, 2025

    Eis abaixo as 25 medidas da agenda econômica do governo Lula para 2025 e 2026:

    Política fiscal e justiça tributária

    • Fortalecimento do arcabouço fiscal, para assegurar expansão sustentável do PIB, desemprego e inflação baixos e estabilidade da dívida;
    • Início da implantação da reforma tributária sobre o consumo;
    • Regulamentação (projeto de lei complementar 108 de 2024) da reforma tributária: Lei de Gestão e Administração do IBS, Fundos e Imposto Seletivo;
    • Reforma tributária sobre a renda com isenção para quem ganha até R$ 5 mil e tributação sobre milionários;
    • Limitação dos supersalários;
    • Reforma da previdência dos militares;
    • Projeto de lei da conformidade tributária e aduaneira, com valorização do bom contribuinte e responsabilização do devedor contumaz

    Ambiente de negócios

    • Nova Lei de Falências;
    • Fortalecimento da proteção a investidores no mercado de capitais;
    • Consolidação legal das infraestruturas do mercado financeiro;
    • Resolução bancária;
    • Mercado de crédito: execução extrajudicial, consignado do E-Social, uso de pagamentos eletrônicos como garantia para empresas e ampliação de garantias em operações de crédito (open asset);
    • Regulamentação econômica das big techs;
    • Modernização do marco legal de preços de medicamentos;
    • Pé-de-Meia: permissão ao aluno investir em poupança ou títulos do Tesouro;
    • Modernização do regime de concessão e permissões de prestação de serviços públicos e das parcerias público-privadas.

    Plano de Transformação Ecológica

    • Nova emissão de títulos sustentáveis, trazendo recursos ao Fundo Clima;
    • Avanço na implantação do mercado de carbono (governança e decreto regulamentador);
    • Novos leilões do EcoInvest;
    • Compra pública com conteúdo nacional e programa de desafios tecnológicos para a transformação ecológica;
    • Estruturação do Fundo Internacional de Florestas;
    • Conclusão da taxonomia sustentável brasileira;
    • Política de atração de datacenter e marco legal da inteligência artificial;
    • Plano Safra e Renovagro: aprimoramento dos critérios de sustentabilidade;
    • Concluir o índice de investimento sustentável nas BIP (Plataformas de Investimentos para a Transformação Ecológica no Brasil).

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