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Blog do Franco

  • O Partido Militar.

    maio 9th, 2023

    O Capitão Bolsonaro é uma espécie de precursor de um estilo sindicalista com prática subversiva no interior da Forças Armadas, um estilo provocador, violento e sabotador, como seria esperado de alguém com sua visão de mundo e treinamento militar.

    Mas que reinvidicava aumento de salários e melhores condições de trabalho para si e seus companheiros de caserna.

    E isso durante a ditadura militar, que acabou por expulsa-lo das forças, num processo que não consigo entender, diante das graves acusações no conceito militar que sofreu e da punição e afastamento com salários e posto preservados..

    Parece aquela punição para juízes ladrões, aposentam com direito a salário integral proporcional e nenhuma outra sanção.

    Nesse aspecto, então, da vida pregressa do ex presidente , podemos dizer que de fato o subestimamos, sua atuação tresloucada ameaçando explodir bombas por aí, como protesto nas suas reinvidicações, mostrava uma pessoa disposta a tudo e com determinação.

    Depois dele, já deputado federal eleito, outros seguiram na sua cartilha de promoção de terrorismo em campanhas salariais, sobretudo no interior das Polícias Militares espalhadas em todos os estados, praticamente todos os governadores enfrentaram greves ilegais de policiais militares, a seu tempo verdadeiras rebeliões e levantes armados.

    Passados os movimentos grevistas das polícias e acordados os novos termos salariais, geralmente acompanhado de inquéritos de lideranças cometendo excessos, seguiam nas assembléias estaduais as negociações de anistias, invariavelmente passando sem problema.

    Mas os líderes dessas rebeliões não passam desapercebidos, tornados heróis, ou sindicalistas fardados com serviços prestados, aproveitavam a fama e lançavam-se em eleições legislativas estaduais e federais, muitos com sucesso.

    Essa a fórmula, consagrada em décadas de práticas e sempre com resultados em anistias e novas lideranças políticas.

    O exército, por sua vez, manteve-se relativamente quieto nesses anos todos, eventualmente alguém da caserna arriscava uma candidatura, mas não era nem de longe páreo para os policiais militares.

    Depois do golpe na Dilma e na prisão de Lula, a presença do exército começou a se fazer sentir,.com recados ao STF, ao Congresso, reintroduzindo a presença militar nas questões civis .

    No velho estilo ameaçador.

    Nesse ponto chegamos à vitória eleitoral do capitão.

    Se no curto mandato do golpista Temer o partido militar começou a mostras as mangas , no governo do capitão assumiu com ele o governo.

    E foi parceiro de ideias, planos , projetos e feitos, numa unidade total do comando das forças armadas e o governo do capitão.

    Que foi um desastre ferroviário em todos os sentidos, repetindo a administração desastrosa dos militares durante o período ditatorial.

    Essa a história.

    Quanto a dar um golpe, no estilo 1964, com tropas e tanques nas ruas, após a derrota nas urnas para Lula, eu tenho muitas dúvidas.

    Mesmo com esses vazamentos de hoje, de alguns assessores do ex planejando em conversas gravadas de celulares, derrubar um governo recém eleito antes de tomar posse.

    Dos envolvidos até agora, nenhum pode ser levado a sério por irrelevantes.

    Quem poderia mesmo ameaçar, não digo conseguir, mas ameaçar, um general com tropas por exemplo, não apareceu nenhum até o momento.

    Quanto ao Anderson que está preso e acusado de facilitar as invasões da Praça dos Três Poderes, o objetivo dele me pareceu obter uma GLO e reforçar a presença militar no novo governo que mal assumira.

    Talvez mais a frente tentariam alguma coisa se sucesso tivessem.

    Lula não caiu na conversa, não chamou a GLO, Garantia da Lei e da Ordem com tropas militares nas ruas, e conseguiu com a ajuda do STF controlar a situação.

    Que segue em processos e depois condenações.

    O novo Chefe do GSI que trabalhou no mesmo cargo com Dilma, mas era do Alto comando na época do impeachment e durante todo o mandato do capitão Bolsonaro, assume palpitando ser contrário ao projeto que manda para a reserva Militares candidatos, eleitos ou não, e o ministro das forças o civil Múcio respondeu que se for para a política que fique por lá.

    Vamos ver quem vence essa parada, esse projeto pode por um freio nessa prática de escalar nas crises militares posições políticas civis; seria bom que esse projeto vingasse.

    A propósito do atual comandante do exército, foi no batalhão dele que Bolsonaro se lançou a primeira vez a presidente, que era uma piada na época .

    E deu no que deu.

    Braga Neto, Mourão, Etchegoyen e Heleno, principalmente, Pazzuelos e outros correndo por fora, qual a contribuição deles todos nos eventos desafortunados dos últimos anos? Onde estão e o que fazem atualmente? As investigações vão atingi-los?

    O partido militar perdeu a eleição, e se não planejava um golpe clássico, certamente planejava penetrar a administração central permanentemente, exercendo os milhares de cargos e ministérios indefinidamente, usando ou o espantalho do capitão ou de qualquer um outro que consiga chegar lá novamente.

    Como um autêntico partido político ocupa os cargos nas vitória e espera e se prepara para as próximas quando derrotado.

    Estão por aí.

  • A conta política da crise da Covid.

    maio 8th, 2023

    Repare como todos os governos nacionais que passaram por essa crise da Covid, agora encarada como endêmica, estão perdendo eleições, inclusive no Brasil, e perdendo até em escolhas de constituintes como acaba de acontecer no Chile.

    Até o eterno presidente Turco Erdogan periga nas eleições em seu pais nas próximas semanas. No caso do Erdogan estamos diante de uma espécie de prova dos nove da tese.

    Diferente até do comportamento do eleitorado após a crise econômica de 2008, quando os efeitos negativos da quebra dos bancos nos EUA atingiram todo o mundo por anos, ainda hoje.

    Talvez a pouca compreensão da natureza das crises provocou esse comportamento, quando preferiram desaprovar administrações e decisões da crise do Covid, e em muitos casos enfrentada com seriedade, diferente do que ocorreu no Brasil, crise essa de natureza imprevisível e inédita para nossa geração.

    Parece existir uma necessidade inconsciente de virar a página.

    Diferente da crise de 2008, quando a responsabilidade pelas pedaladas no mercado acionário americano e mundial tinham nome, endereço e já havia embolsado o lucro.

    Com a conivência de seus respectivos governos e da mídia especializada, que não foram tão duramente cobrados.

  • As Bancadas Temáticas e o novo Congresso.

    maio 8th, 2023

    A presença de bancadas temáticas organizadas para proteger interesses de grupo de poder específicos, as famosas bancadas da bala, do boi e da Bíblia, não é uma força tradicional da distribuição de poder no parlamento brasileiro. Por certo interesses de alguns grupos eventualmente podem colidir com a orientação coletiva normal da liderança dos partidos, em certas votações, e essas individualidades eram ou enquadradas ou até expulsos dos quadros partidários.

    No período da crise que culminou no afastamento da Presidenta Dilma, sem crime de responsabilidade, muito se falou da existência e atuação dessas bancadas temáticas, num sinal inequívoco da desorganização partidária estimulada pela disputa de poder instalado na guerra hibrida interna e externa em andamento.

    Após a posse do golpista Temer essas bancadas temáticas, sempre as principais bala, boi e Bíblia, passaram por um período de acomodação, reforçando o caráter artificial de sua organicidade, de servir de elemento desestabilizador do funcionamento saudável dos partidos.

    No momento seguinte com a vitória de Bolsonaro, parecia que tomariam o parlamento de roldão estimulados pelo discurso de negação da política do presidente eleito, discurso a feição daqueles pretendentes a impor pautas setoriais.

    De fato assim pretendeu funcionar o parlamento no início do desgoverno Bolsonaro, o chefe por si mesmo uma lástima ambulante estimulou e arrastou consigo as bandeiras temáticas dos grupos e logrou por fim desorganizar o funcionamento do Congresso que nunca foi lá essas coisas.

    Com o orçamento secreto das emendas obrigatórias, o governo Bolsonaro reagrupou suas tropa dispersas em discussões privadas, conseguindo aprovar seus projetos no legislativo.

    Dessa forma que os partidos chegaram para esse novo mandato, relativamente reagrupados por bilhões em interesses, comandados pelos presidentes Lira e Pacheco e acostumados por essa distribuição indiscriminada de recursos.

    Mas o resultado da eleição foi outro.

    E aos poucos o orçamento secreto deixou de existir, os encaminhamentos de emendas passou para outras mãos, o reagrupamento dos partidos na novidade das federações alinhavando parcerias impensáveis e tudo isso ainda em período de testes.

    Estamos nos aproximando das grandes votações, Arcabouço Fiscal ,Reforma tributária e alguns Medidas Provisórias.

    E já neste período que antecede essas votações, no aquecimento, algumas menções as bancadas temáticas ressurgem no horizonte. Na votação da PL 2630 novamente ouvimos as opiniões desses auto intitulados porta vozes temáticos, em simbiose indispensável com aquela mídia Chacrinha, que não veio para explicar nada senão para confundir.

    Nesse processo de formação das federações, na novidade do arranjo e durante a lua de mel de partidos com visões distintas em acomodação, voltar a falar em bancadas temáticas e voltar a dar voz e ouvidos a essa turma só serve para tumultuar e dividir novamente os partidos, agora federações.

    Não vão parar, servem para certos propósitos.

    Ficar de olho.

  • Chutando o balde.

    maio 8th, 2023

    Um Presidente pode muito, mas não pode tudo.

    Esse sábio ditado quase descreve essa disputa do governo , e sobre todos do Presidente, na disputa com o Banco Central e sua política de juros.

    Quase, porque nesse caso o presidente pode tudo.

    Pode aumentar a meta de inflação, através dos votos de Haddad e Tebet na decisão do Conselho Nacional que decide o tema, pode negociar no Senado a substituição do Campos Neto por insuficiência e pode até acabar com essa independência do Banco Central com a concordância do Senado.

    Enquanto não decide o que vai fazer, porque ele vai, detona o Campos Neto por onde passa e cada vez sobe um tom.

    Dessa vez além do tom, chutou a canela do Campos Neto, chamou de impatriota, equivocado dono da verdade , indicado pelo governo derrotado e a quem ainda serve e mostrou que sua paciência esgotou e não vai mais admitir esse crime contra o Brasil.

    Campos Neto e todos os demais interessados no dilema perceberam o duro recado, estão silenciosos agora, sabem que não foi igual aos avisos anteriores, Lula, como escrevi acima no título, resolveu chutar também o balde e entornou.

    Não tem retorno, talvez a melhor imagem fale do leite derramado e não dá água.

    De todo modo não tem volta e nem choro, pode acreditar.

    Agora vai.

  • ÊXODO.

    maio 7th, 2023

    O número de brasileiros morando no exterior atingiu recorde de 2,1% da população, segundo levantamentos recentes, comparando com 2018 esse êxodo cresceu 20%.

    Um contingente imenso de pessoas e que experimentou um crescimento extraordinário a partir de um certo momento.

    2018.

    – Quebraram a minha espinha e fiquei um pouco manco, uma das minhas perna esquecida abaixo do joelho e ambos os pés. Ainda fico de pé, não me quebraram o âmago, e posso andar exibindo minhas feridas e a minha integridade.

    – Sim, chorei de tristeza, abandonei eventualmente, carrego uma dor verdadeira que insiste em marcar sua presença, mas sigo sereno mantendo as lutas e a dor.

    – Sou ambos.

    – Todos sabem de 2018, não fomos os únicos atropelados nas guerras hibridas dos países desenvolvidos, a força descomunal da destruição chegou varrendo a esperança, parte de toda alegria, retornou o medo, assim assaltaram o poder, desfazendo nossas novas conquistas, cancelando os projetos e abandonando nosso povo a própria sorte.

    – Mandaram um recado para o mundo, que é inútil acreditar e ter esperança, é inútil trabalhar pelo bem comum, para que esqueçamos essas bobagens e as deixemos encarceradas nas masmorras de Curitiba.

    – Ninguém entendeu melhor esse recado que nós mesmos, que sofremos as dores do parto das nossas esperanças e quando as vimos ceifadas em pleno alvorecer.

    – Ninguém pode acusar meu povo de covardia, enfrentamos com todas as forças esse mal perverso e poderoso, disseminado por técnicas de psicologia de massas de maneira descomunal, inédita e criminosa. O povo lutou nas suas dores, vai continuar lutando, mas portas e janela se abrem e fecham em todas as direções e para muitos, excelentes e dispostos, decidem por encarar novos desafios.

    – Fazem por si, pelos filhos, por um futuro melhor.

    – Enquanto isso e junto a tantos que partiram, ficamos igualmente partidos, um pouco do nosso coração e da nossa história vai embora com esses tantos, e não vamos chorar nossas dores sozinhos, seguimos juntos até onde a memória se perde e as vidas misturadas somam outros significados.

    – Mas estamos aqui, todos nós, alguns na despedida e outros refazendo caminhos destruídos, contando com a possibilidade de um mundo melhor para todos.

    – Reconstruindo a esperança, juntos.

  • A maior Fake News do mundo.

    maio 6th, 2023

    As velhas bancas de revistas e jornais em Londres, ainda no início desse século e antes da decadência acelerada da imprensa impressa, deixava exposta uma miríade de distintas publicações, várias revistas e tablóides concorrendo entre si pela atenção do público, entre elas e em grande maioria, e destacadas, a presença da família real britânica.

    Que não era apresentada com belas tintas não, o conteúdo das capas e das reportagens eram os escândalos da família e seu entorno e fofocas e mais fofocas.

    Hoje mesmo, nesse dia de coroação do rei Charles, li pesquisas garantindo que mais de 50% dos britânicos apoiam a existência de sua monarquia.

    O que a princípio espantaria, não fosse esse, segundo os tabloides e revistas de então, e os blogs e mídia digital atual, a diversão preferida dos moradores da ilha.

    Uma espécie de Big Brother medieval.

    Não duvide disso, uma ferramenta poderosa de distração de massas como essa monarquia britânica ainda está por existir.

    Regiamente pagos, como convém, quase sempre fantasiados nas ocasiões oficiais, fornecem material interminável para o gosto meio duvidoso dos ingleses.

    Traduzindo em linguagem atual, trata-se de uma Fake News monumental, de uma realeza sem poder real e cujo simbolismo equivale a uma benção na catedral.

    Que por sinal está acontecendo hoje.

    Aqui os tempos se misturam, assim como antes, e hoje também, a existência de uma tradição falida políticamente ainda pode servir de cortina para uma país que foi o maior colonizador da história e que vê, ao vivo e a cores, os símbolos de seu antigo poder numa cerimônia carnavalesca.

    Bem feito.

  • Vale quanto pesa.

    maio 6th, 2023
    Foto por Ketut Subiyanto em Pexels.com

    A primeira vez que ouvi falar em compra de voto de deputado para aprovar alguma coisa na Câmara, foi na emenda para reeleição do Fernando Henrique Cardoso, na época R$ 200 mil por voto.

    Uma pechincha.

    Depois dessa passei a observar esse escambo com relativa atenção, mas não era ainda um acontecimento rotineiro da relação entre os poderes .

    Alguém explica que essa inclinação do parlamento por avançar no orçamento da união vem da dubiedade da nossa constituição, meio que pensada para funcionar num regime parlamentarista que não vingou, barrado no plebiscito antes da sua promulgação.

    O fato é que o parlamento de lá para cá, desde a nova Constituição, vem amadurecendo seu apetite e esquemas, lícidos e ilícidos, aprimorados ao requinte nesses últimos anos de continuadas crises.

    O advento Michel Temer, precedido do cataclisma Cunha, inaugurou o assalto, em todos os sentidos, do orçamento pelo legislativo, Câmara e Senado.

    A sequência atual, que vem da administração anterior, de Arthur Lira e Pacheco, esse segundo discretamente, escalou níveis inéditos e capturou, em vários sentidos, o orçamento.

    Estamos falando em R$ 50 bilhões de Reais anuais.

    O governo Lula depois de assumir e aceitar compor a maioria reelegendo a dupla Lira e Pacheco, foi aos poucos reassumindo o controle do erário, negociando liberar emendas retidas no governo passado nas regras anteriores e delegando ao Ministro Padilha a responsabilidade na negociação da liberação de dinheiro para as emendas futuras.

    Não digo que isso funcionou, nem que não.

    O Ministro tem sido solícito nas conversas educadas que trava, testemunham os envolvidos nessas tratativas, mas a boca torta acostumada ao cachimbo tem dificuldade de tragar cigarro de palha.

    O que provoca ruídos, digamos assim.

    Muito negativo nessa imposição é também a aplicação paroquial dos recursos, um investimento relevante direcionado para algum efeito duradouro as vezes perde para pequenas obras distribuídas Brasil afora, na soma dos valores pulverizados temos números próximos ou iguais ao total disponível para os grandes investimentos.

    Essa história conhecida, com roteiro decorado por gerações de líderes partidários e governantes, acaba sempre na mesa da partilha , quando a divisão do bolo relativamente equilibrada permite aos projetos e interesses de quem governa prosperar, como por exemplo a discussão sobre a nova âncora fiscal já no Congresso para apreciação e promessas de rápida aprovação.

    E, entre nós, está errado por completo essa pratica?

    Talvez nem seja essa a questão, de um julgamento geral sobre a pratica em si, porque se mistura alhos e bugalhos, incentiva a política miúda e pouco transparente, passível de corrupção e desvios, e é tudo verdade, mas inda é o que funciona e dá ao governo as condições de caminhar.

    E não percebo na questão crise entre governo e sua base, ou base mal consolidada, no fundo, fora a base ideológica de uns 130 deputados, os demais, excluídos os quase 100 de ideologia contrária, são a base do governo móvel, digamos assim, que vai funcionar na base dessa troca e que prevejo ser acionada, até pelo custo, nas grandes questões.

    Entendo que esse congresso vai dificultar pontos relativamente menores da pauta exatamente para negociar a aprovação dos grandes interesses do governo.

    O que precisa funcionar nesse ambiente é a fiscalização, a polícia, os organismos de controle, não é um problema do executivo somente e falando francamente.

    E até que algum presidente consiga a vitória eleitoral e a maioria parlamentar, vai ser assim a relação entre os poderes legislativo dividido e o executivo.

    Quanto a quando que algum presidente eleito vai conseguir eliminar a prática, vale o dito por Ulysses Guimarães, nosso velho timoneiro da política : não reclame da ruindade do nosso parlamento atual, espere o próximo porque vai ser ainda pior.

    Tem sido assim e depois tratamos desse assunto.

  • De novo sobre a CPMI, a PL 2630 e a novidade no STF.

    maio 5th, 2023

    Mesmo após a aprovação da urgência para a análise do PL 2630, aquele sobre as Fake news, não avançamos porque o PL foi retirado da pauta da Câmara sob temores de derrota na votação.

    E dois outros relevantes temas corriam paralelo a discussão suscitada pelo PL 2630, a investigação do STF do ataque e tentativa de golpe em 08/01 e a instalação da CPMI no Congresso para investigar os fatos daquele janeiro 8.

    A investigação do STF corre rapidamente, agora turbinada na prisão do Cid e sua gang, além de avançar sobre o chefão de todos e o maior beneficiário das arruaças e tentativas de subversão, o ex presidente. Observe que essa investigação que resultou nessa ação de ontem, não trata de tentativa de golpe mas de falsificação de documentos oficiais, no caso carteira de vacinação. Não trata diretamente, mas não pensa em outra coisa, porque o STF come a refeição quente pelas bordas, como convém.

    E a instalação da CPMI que seria uma iniciativa da minoria, no caso a oposição ao governo, nasceu da insistência deles em distorcer os fato do dia 08/01 e viabilizada por conta do vazamento do vídeo do general do GSI dentro do Palácio nos momentos seguintes a invasão, coisa que ninguém sabia e nem foi comunicado; tudo isso resultando na demissão do general e na necessária reação da base do governo em aderir aos desejos da oposição e encarar a CPMI.

    Quem me acompanha sabe minha opinião de que essa CPMI não sairia, o entusiasmo da oposição baseada na distorções do vídeo manipulado não durou muito e aos poucos estão pulando fora de indicar membros para efetivo inicio da CPMI, levantam questões de ordem atrasando os trabalhos e agora enfrentam essa iniciativa renovada do STF sobre os líderes do desejado golpe. Eles também sabem que carteira de vacina não é o objetivo dessas investidas do STF.

    Renan Calheiros, o sempre escolhido para relatar comissões importantes, ensaia uma retirada da disputa pelo posto, alegando irrelevância e perda de credibilidade rápida já de início na CPMI, impregnada de lacradores disfarçados de deputados buscando likes e sem nenhum compromisso com investigação. Quem conhece Renan ensina que se você estiver em uma situação difícil e precisar de escapar, fique de olho no Senador, se ele pular da janela pode pular atrás que o pouso esta assegurado.

    Não bastasse a pouca disposição do Congresso para essa CPMI, agora o STF acelerando parece sepultar as chances de lacração e resta sair de lado sem chamar muito a atenção.

    E o PL 2630?

    Esse também subiu de vez no telhado com a anunciada liberação do Ministro Toffoli para a análise do STF de uma ação que busca criminalizar conteúdo divulgado nas plataformas, na verdade não penso ser criminalizar conteúdo senão aplicar a lei neles, como na vida comum acontece.

    Esses temas, correlatos, formam uma cadeia de ações e reações das tentativas de golpe culminando com o 08/01. No mínimo pegam carona nos lamentáveis fatos.

    Observe que todos se encaminham para o STF, que não por acaso vai aos poucos afastando a política da apuração desse crime do dia 08, a meu ver como convém, apesar da aparente excepcionalidade da investigação criminal conduzida na suprema corte , que deve ser evitada.

    Mas não nesse caso, também o STF foi alvo preferencial dos ataques e reagir é sua prerrogativa e obrigação.

    O PL 2630, penso, não deveria fazer parte desse rol de decisões a cargo do STF, perdeu-se uma oportunidade de regulamentar esse tema, oportunidade ao menos momentaneamente perdida na gordura do texto do relator Orlando.

    Deve volta em alguma outra oportunidade.

  • A Vaca Fardada.

    maio 5th, 2023

    Começamos ontem o dia agitados com a notícia das prisões dos principais auxiliares direto do ex presidente, que por sua vez teve também a casa visitada pela PF.

    E na tarde do mesmo dia os vazamentos dos conteúdos dos celulares estavam na imprensa, principalmente os do Cid, que parecia estar em todos os lugares ao mesmo tempo e em todos cometendo crimes.

    Segundo nos foi dito, transcritos e lidos os diálogos de áudios dos celulares apreendidos, da turma dos 6 auxiliares presos, a gang do entorno do ex presidente não pensava e não falava em outra coisa além de tramar um golpe de estado após a confirmação da derrota do segundo turno.

    E citam veementes apelos e crescentes pressões exercidas sobre ninguém menos que o general Freire Gomes, então chefe do exército nacional.

    Ficou mostrado como nossas forças armadas conviviam com esse tipo de conspiração em seu interior, não que não soubéssemos, mas choca quando confrontamos a realidade.

    Sobre o que foi encontrado no celular do Cid, sempre ele, vale a observação dos líderes do PL,o partido governista, comentando sobre o fato : ” pior coisa que existe é um burro com iniciativa”.

    Sobre o general Freire me lembrei do General do Golpe de 64, Olimpio Mourão Filho, saindo com tanques e tropas pelas estradas do Brasil no dia errado, primeiro de abril, data não recomendada pelos manuais de golpes da época. Olimpio, em todo o caso, conhecido pela alcunha de vaca fardada, desconhecia certamente esse manual, livros e coisas semelhantes não faziam parte de seu costumeiro arsenal.

    Estamos nessa situação, as entranhas do governo anterior começam a aparecer, cada enxadada é uma minhoca, puxa um fio e vem um novelo, do iceberg só vemos a parte flutuante, a capivara só conhecemos o tamanho depois de puxada.

    Certamente o assunto é sério e mereceria uma reflexão profunda e certamente alguém fará.

    Nessa manhã dessa sexta feira preferi olhar para essa gente e sorrir.

  • Escalada da guerra.

    maio 4th, 2023

    Somos pobres mortais tentando decifrar as informações das frentes de batalhas, esse conflito entre Ucrânia/Otan e a Rússia não fogem em absoluto dessa realidade.

    Nesse mundo em que cada passo pode ser contado, cada palavra e gesto registrado e toda conversa gravada, além dos acontecimentos coletivos testemunhado online e ao vivo para quem quiser assistir, e apesar disso, talvez nunca antes a mentira fosse tão descarada como agora.

    Talvez por isso mesmo, se é tudo possível de registro, tudo é passível de manipulação.

    E cada informação precisa ser vista com desconfiança.

    Você pode dizer que isso não mudou e sempre foi assim.

    É e não é, porque agora mesmo o que você ouve e vê ao vivo pode estar te enganando.

    Ontem, por exemplo, assistimos filmagens do ataque de dois drones ao Kremlin, sede do governo Russo e local de trabalho do presidente Putin, que seria o alvo desse ataque prontamente rechaçado com a destruição dos dois drones.

    O governo Russo distribuiu as imagens gravadas da destruição e culpou a Ucrânia do atentado, que , observe, escala os movimentos da guerra, sendo verdade ou mentira.

    O Otan nega, a Ucrânia nega.

    Perceba, no fundo tanto faz, alguém pretendeu acirrar o conflito e esta feito.

    Agora a Rússia promete vingança, dizia que ate aqui o presidente Ucraniano não era alvo mas agora é.

    E eles não costumam ter pressa.

    Segue o conflito entre os dois países, a próxima reunião do G7 na semana deve tratar do problema e aos poucos vamos nos acostumando com a guerra que disputa nossa atenção com inúmeros outros assuntos.

    Sobre a paz ninguém fala, ninguém excluído ai nosso Presidente Lula que trata esse assunto com a mesma frequência que critica a taxa de juros praticada no Brasil pelo Banco Central bolsonarista do Campos Neto.

    Pode parecer que não, porque a informação segue caminhos estranhos e tortuosos para avançar, a verdade então nem se fala, há até quem diga que não existe verdade. Mas a verdade é que essa disposição do nosso presidente tem sim encontrado eco nos círculos internacionais relevantes, onde o Brasil é visto como um ator independente e isento, assim capaz de agir em todas as frentes envolvidas no conflito, diretamente ou não, servindo de ponte entre todos eles para iniciar o necessário diálogo para o fim do conflito.

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