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Blog do Franco

  • E 2024?

    dezembro 14th, 2023

    Haddad estimou o crescimento do PIB de 2024 em 3%. Não vi ninguém otimista assim, e gostei.

    Nosso ministro, que conhece o ofício, tenta influenciar os corações e as mentes. Me parece correto na previsão.

    Nossa Petrobras vai investir R$100 bilhões por ano, o PAC e as obras anunciadas, Minha Casa Minha Vida na frente, Bolsa Família e o déficit de 2% do PIB em 2023, para desespero do Mercado, vão levar nossa economia nas costas. PAC prevê investir R$1,7 trilhão.

    O congresso está reunido agora, decidindo a LDO, com os congressistas avançando no orçamento como previsto, mas, sinceramente, inevitável algum acordo aí, para manter a maioria a favor. E o momento é decisivo, porque faltam votar alguns projetos de arrecadação e a reforma tributária. Acabaram de derrubar os vetos na desoneração, prorrogando até 2027, e daqui a pouco o marco temporal também deve ser derrubado em seu veto. Ambas as matérias serão judicializadas e o congresso joga muito para a plateia aqui.

    Enquanto a Argentina derrete, e medidas de repressão serão anunciadas ainda hoje, por aqui a conversa é outra, apesar do conta-gotas intolerável do BC e sua queda de juros lenta para atrapalhar. O PIB do terceiro trimestre foi 0,1 e precisamos recuperar alguma coisa nesse último trimestre, para arrancar em 2024 do jeito que o ministro acredita.

    A base salarial cresce, o setor de serviços apesar disso ainda patina e aqui precisamos recuperar a dinâmica, o que pode ser obtido com os investimentos públicos prometidos.

    Uma fila de governadores e prefeitos em Brasília para buscar seus cheques e para executar as obras do PAC, a construção civil não cresceu nada em 2023, e 2024 vai ser importante observar o impulso do PAC.

    Mais à frente faremos o rescaldo do ano no congresso e na economia, mas dá para adiantar que não foi ruim, muito acima das expectativas e sem dúvida no rumo certo.

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  • Motosserra desdentada II .

    dezembro 13th, 2023

    O plano Milei, como suspeitávamos, é uma versão piorada do plano Collor.

    Desvaloriza fortemente o câmbio, espera atrair investidores estrangeiros que não aparecerão, libera os preços de tudo, elevando a inflação às alturas, para depois cair rapidamente, mantendo a média, mas dando a falsa impressão de melhoria. Libera importações totais, destruindo a indústria nacional e agravando a questão das divisas que eles não possuem.

    Sobre aposentadorias e venda das estatais, especialmente as reservas de gás em Vaca Murta, nada foi dito, mas uma bomba atômica parece estar a caminho.

    Nenhuma menção ao aumento dos juros; agem como se o déficit e o financiamento da dívida pública estivessem resolvidos. Mas já sabemos que estão pedindo dinheiro à China de forma urgente.

    Déjà vu total, tive o mesmo sentimento ao assistir Zélia Cardoso anunciando o plano Collor, que era muito mais ousado que esse de Milei e que, devido à sua opacidade, não segurou por nem seis meses.

    “Faltam Plata”, gritava o candidato da motosserra, que pretendia dolarizar a economia sem dólares e fechar o Banco Central. Amanhã de manhã, eles estarão reunidos para combinar como administrar o desastre que estão prestes a causar.

    Outra grande questão não anunciada é o pagamento do décimo terceiro salário do funcionalismo e os reajustes salariais futuros.

    Em resumo, parece ser a mesma improvisação da época Collor, e os resultados, nesse caso, parecem ser conhecidos e desastrosos.

    E, cá entre nós, sabe o que faltou mesmo? Um plano! Porque até agora, o sujeito que endividou o país há 4 anos, o Ministro Caputo, retornou com o discurso de que existe uma dívida e precisamos pagar. Com inflação, desemprego, concentração de renda no setor exportador e nos fornecedores privados de água, luz e transporte. E, de inovador e libertário, não tem nada. Parece um velho plano dos anos 80, nada de dolarizar, nada de fechar o banco central, congela o câmbio e cria impostos novos sem mexer nos velhos. Ou seja, não funciona. Em seis meses, vão improvisar outro para se segurar até cair de podre.

  • Dilma.

    dezembro 12th, 2023

    A foto ilustra uma jovem diante de seus algozes, que escondem o rosto, cientes do crime que cometem.

    A trajetória da ex-presidenta não foi construída de fora para dentro; ela conquistou seus espaços dentro das máquinas partidárias através do exercício de cargos técnicos e desafiadores. Ela não começou como petista, sendo inicialmente uma brizolista do Rio Grande do Sul, apesar de ser mineira de nascimento.

    Após um longo e tenebroso inverno, que dispensa explicitação, foi reconhecida pelo Conselho Federal de Economia como Economista de 2023. Depois de nomeada Presidenta do Banco dos BRICS, tornando-se uma figura de destaque mundial.

    É importante lembrar que o primeiro mandato de Dilma foi notável, pois ela sucedeu Lula durante a crise do Mensalão, que atingiu os principais nomes do PT da época, com José Dirceu e Genoino à frente. O segundo mandato, marcado pela Lava Jato, enfrentou uma crise política que ninguém foi capaz de superar. Dilma e sua administração foram vítimas de um complô que envolveu o STF, generais e seu vice-presidente, o Congresso, a mídia venal e o traidor Temer.

    Além disso, houve as pautas-bomba no congresso e o PSDB de Aécio Neves não reconhecendo a derrota, iniciando o processo de golpe desde a reeleição. O segundo mandato de Dilma não se concretizou, e desde então, os índices sociais e econômicos do Brasil decaíram, com aumento de moradores de rua, inflação, desemprego, PIB e distribuição de renda. A Petrobras e o pré-sal foram quase destruídos, sendo moeda de troca para o golpe de Temer e do congresso.

    O atual governo de Lula é uma continuidade do governo Dilma. O primeiro ano foi dedicado à retomada de políticas públicas descontinuadas, orçamento, valorização do emprego, compra de conteúdo nacional, investimentos na Petrobras e muito mais, como o programa “Minha Casa Minha Vida”.

    Não é por acaso que sentimos os ventos favoráveis agora. Enquanto aqueles que chegaram ao poder por golpes e mentiras tentam explicar sua incompetência atribuindo sorte ou falando de reformas que serão desfeitas, o sucesso atual é resultado de um governo consistente.

    Não há muitas novidades no atual mandato do presidente Lula, talvez um foco mais forte na questão ambiental e uma hipotética transição energética, além de uma nova matriz industrial ainda a ser construída.

    É a sequência atual de um governo vitorioso, liderado por uma personalidade forte e inflexível, incapaz de ceder a tipos como Eduardo Cunha e o atual Lira. Lula e seu governo precisam manter-se firmes para continuar transformando o Brasil.

    O futuro depende de nós, na escolha de pessoas decentes para ocupar cargos eletivos. O próximo ano marca o início dessa renovação, onde renovamos as expectativas de escolhas melhores. As atuais câmaras municipais estão cheias de indivíduos que precisamos afastar do poder.

  • Passar a régua.

    dezembro 11th, 2023
    Foto por Kindel Media em Pexels.com

    Estamos quase no fim do ano, e as férias no Congresso estão prestes a começar. Há algumas pendências importantes na pauta, sem mencionar a aprovação final da reforma tributária. Ainda falta votar em alguns projetos para garantir a arrecadação no próximo ano.

    Existe, sim, uma disputa interna no governo em relação ao déficit para 2024, já que o valor estimado depende das votações em andamento. Concordo que antecipar um número antes de concluir a etapa no Legislativo é precipitado.

    Não que eu ignore a relevância, mas por estratégia de negociação. Os congressistas querem seus bilhões para as emendas, lembrando que no próximo ano teremos eleições municipais. O governo, por sua vez, coloca tudo na cesta da arrecadação, porque é importante garantir o dinheiro para investimentos.

    Muitas vezes afirmei que entendo a necessidade de compor com o Congresso, inclusive em relação às emendas, desde que não sejam secretas, como eles gostam, e ameaçam querer retornar. Comprar votos com dinheiro transparente e rastreável não é um mau negócio.

    Como se tivéssemos outra opção.

    Não tem, e a vida segue. Sempre alertamos para a necessidade de bancadas progressistas em número suficiente, e a cada legislação a situação piora. Então não adianta chorar, o governo precisa fazer as coisas andarem, mesmo à força, e, evidentemente, impondo limites éticos necessários e mínimos na questão. O que ultrapassar isso é assunto para a polícia e a justiça.

    Esta semana é muito importante, ainda temos a LDO e as coisas estão agitadas. Mais à frente, faremos uma avaliação e veremos como ficamos.

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  • Mi Buenos Aires querido.

    dezembro 10th, 2023
    Foto por Sabrina Ibarra em Pexels.com

    Hoje marca o início da derrocada da Argentina, e assim como era previsível em nosso caso com Bolsonaro, agora chegou a vez dos hermanos.

    Não é má vontade, observe que alguém pode pensar que, como Milei ainda não implementou suas principais medidas e elas ainda não foram anunciadas, como é possível prever o futuro negativo?

    A resposta está sempre em quem suportará o custo do ajuste. Ao conhecermos o alvo dos decretos que virão, o destino da maioria é conhecido de antemão, assim como os resultados.

    Inflação com estagnação econômica, paralisação de obras públicas, congelamento de aposentadorias e salários, retenção de repasses às províncias, liberação de preços administrados e dolarização. Mesmo que esta última não ocorra de maneira geral, por falta absoluta de meios econômicos, ela passa a ser a baliza do mercado, mais do que já é, e engessa o país em moeda estrangeira escassa.

    O roteiro não apresenta nenhuma novidade – inflação, congelamento de salários e liberação de preços. É a cartilha neoliberal na veia, repetida tantas vezes com o ajuste feito às custas do sacrifício da população e resultados medíocres, mas favoráveis ao capital financeiro.

    Faltou mencionar a privatização, a mentira para justificar a entrada de algum capital inicial para sustentar o novo governo. Isso cria expectativas e eventualmente algum investidor estrangeiro pode ingressar, trazendo algum alívio. No entanto, isso se transforma em remessas diárias de lucros e dividendos para fora do país, agravando ainda mais a falta de divisas para o comércio exterior no médio e longo prazo.

    O problema da balança comercial na Argentina é o desequilíbrio entre entrada e saída de dólares, falta de divisas, o financiamento do consumo da classe média e alta, acostumados com produtos de qualidade do mundo, perpetuando um modelo produtor de farinha e carne para consumir caviar.

    A descoberta de gás no país poderia amenizar e até resolver o desequilíbrio da balança comercial, se houvesse tempo para maturar os investimentos e começar a produzir e lucrar. No entanto, agora é mais provável vender tudo e assistir aos lucros deixarem o país, com migalhas para os pobres nativos.

    Esse é o modelo colonial com resultados conhecidos. Não há aposta em prever o fracasso disso. Além das medidas pirotécnicas que o novo governo precisa adotar para ganhar algum tempo até os jovens argentinos, a maioria do eleitorado de Milei, entenderem que não receberão em dólares daqui para frente, como alguns pensavam, mas sim em moeda cada vez mais desvalorizada, exatamente como as mentiras da campanha acusavam o governo anterior de promover, sem explicar as causas e buscar alguma saída em que todos paguem igualmente o custo do necessário ajuste.

    Vamos ver por quanto tempo essa situação perdura. Um ano, dois? Não vai além disso.

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  • E a reforma tributária?

    dezembro 9th, 2023

    O ano está chegando ao fim, e se não podemos nos queixar, a verdade é que a colheita ainda está por ser feita.

    Imagine uma casa abandonada, que, para permitir uma nova ocupação, carece de reforma. É necessário fazer funcionar o que já funcionava e foi estragado. Nem estamos falando ainda de novas construções, mas de reformas.

    Uma das principais, que se consolidará nos próximos anos, mas tem expectativa de curto prazo, é a reforma tributária. Aprovada na Câmara e modificada no Senado, agora está em fase de negociação para evitar o “ping-pong” e retornar ao Senado por falta de acordo.

    Temos também a LDO que precisa ser concluída este ano para ter efeito no próximo, como manda a lei. O relator, após muitas idas e vindas, parece encaminhar uma peça costurada entre governo e legislativo, inclusive dinheiro turbinado para emendas dos deputados.

    No entanto, a reforma tributária ainda precisa de luz verde. O histórico de todas as anteriores recomenda cuidado, e, na fase final, quando muitas das ideias iniciais estão sendo alteradas, requer muita atenção para evitar cair na vala comum do impasse.

    Alguns governadores estão aumentando as alíquotas de ICMS preventivamente, o que, a meu ver, prejudica suas populações num movimento defensivo não muito claro. Isso ocorre exatamente porque a hora de ajustar a lei é agora, não de boicotar o que ainda nem existe.

    Na semana, o legislativo vai trabalhar no que não trabalhou nas últimas semanas. Fora o embate que pretendia derrubar o novo decreto de armas, retornando ao status anterior e felizmente derrotado, a agenda do poder ficou restrita aos bastidores, e nesta semana começaremos a ver o que estava sendo gestado.

    Lula queixou-se ontem na grande plenária do PT que está mais difícil governar agora, precisando ceder mais para manter o controle das pautas. De fato, parecemos ter saído de uma guerra e ainda estamos recuperando os feridos. O futuro parece mostrar que vamos nessa por mais tempo ainda, talvez até 2026, pelo menos. Em todo caso, como derrotamos o fascismo com a caneta na mão, pode ser mais fácil, em tese, repetir a dose em 2026. Temos 2024 no caminho, mas eu não gosto de imaginar a disputa municipal como uma prévia nacional. Falaremos mais adiante sobre as eleições municipais.

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  • Moro.

    dezembro 8th, 2023

    Não podemos deixar passar o julgamento da prestação de contas da campanha do ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, sem comentar.

    Desde o início, fica evidente, mais uma vez, a enorme dificuldade que o cretino tem para lidar com dinheiro alheio, uma tendência irresistível de se apropriar o invade. Ele também repete, dos seus anos como juiz, a balbúrdia administrativa, misturando e tentando esconder dinheiro e luxos, sempre confundindo o privado com o público.

    Lembram que ele iniciou a campanha como candidato à presidência? Dali emendou para senador e misturou a prestação de contas de uma campanha na outra, e agora não consegue explicar. Seu advogado disse em audiência que explicam 98%, mas, como sabemos, o diabo mora nos detalhes.

    Agora, segundo dizem, terá sua vaga de senador cassada, e a única coisa interessante sobre essa triste figura será a disputa por sua vaga, que trataremos em uma outra oportunidade.

    O julgamento no TRE do Paraná será apenas em janeiro, e depois haverá recurso ao TSE, em prazo a ser determinado.

    Ele merece. E depois virão as demais ações da Lava Jato, sobre dinheiro e obras de arte desaparecidas, fundação com dinheiro bilionário da Petrobras e muitos problemas para o ex-juiz.

    Ele merece.

  • Falsa bandeira.

    dezembro 7th, 2023

    A presença de militantes do Hezbollah no Brasil foi desmentida ontem no inquérito da PF, e os dois libaneses presos foram liberados. Um deles era um pagodeiro.

    A encenação começou no dia 08/11 na CNN e, no mesmo dia, jornais de Israel repercutiram a prisão da dupla, que foram monitorados e tiveram prisão preventiva decretada por causa de uma colaboração do Mossad com a nossa PF.

    Quem e como se deu essa colaboração são assuntos a serem investigados agora que confirmamos a patranha do Mossad, interessado em constranger o Brasil de Lula, publicamente contrário ao genocídio em Gaza e à época presidente rotativo do Conselho de Segurança da ONU, onde tentava aprovar um cessar-fogo humanitário.

    O jogo da guerra é esse; sabemos que a verdade é sempre a primeira vítima nos conflitos. O que surpreende é nosso envolvimento desta vez, com o Brasil jogando pesado na arena internacional sempre a favor da paz e da preservação ambiental, e agora liderando a transição energética para uma economia sustentável.

    As grandes potências lucram com as guerras, enquanto a maior parte do mundo continua com baixo crescimento econômico; os EUA mostram números cada vez melhores do PIB, reconstruindo sua indústria enquanto destroem as economias alheias.

    E não é de hoje; o surgimento do império norte-americano se deu após o fim da Segunda Guerra Mundial e, de lá para cá, assim se mantém, entre invasões e bombas.

    O contraste do Brasil atual com o Brasil do ano passado, quando se trata de disputas internacionais, mostra uma distância abissal. Enquanto o ex-presidente se recusava a se envolver e assumir problemas internos – e nem mesmo uma pandemia conseguiu movê-lo de sua inércia criminosa – o atual não só tenta contribuir com tudo que acontece internamente, mas também busca disputar a pauta internacional.

    E, em ambos os casos, com resultados positivos e renovado respeito.

    Uma das maiores economias do mundo, com uma das maiores populações e um dos maiores territórios, não pode se esconder de seu destino: um gigante pela própria natureza.

    O complexo de vira-lata é coisa de fascista, dominado pela frustração e fracassos, capaz apenas de se expressar através do ódio e da violência.

    Ontem à noite, a bancada da bala tentou derrubar o decreto do governo que regulamentou e restringiu o acesso criminoso às armas, que prevaleceu no desgoverno anterior. Foram derrotados, e é um sinal de que a bancada do governo, aos trancos e barrancos, está civilizando as pautas no Congresso. O desejo de paz vale aqui e lá fora.

  • Confusão à vista.

    dezembro 6th, 2023

    Acima, o novo mapa da Venezuela incorporando 70% do atual território da Guiana, região chamada de Esequiba, foi divulgado em cerimônia oficial por Maduro após um plebiscito francamente majoritário aprovar a sua incorporação.

    É um território contestado, uma espécie de Malvinas, também roubado décadas atrás pelos mesmos ingleses que eram a força colonial do século XIX, substituída atualmente pelos EUA. Estes, por sua vez, cedem espaço para chineses e russos na nova reconfiguração hegemônica militar mundial.

    Talvez esse rearranjo tenha aberto uma janela para que disputas adormecidas tomassem impulso para uma rodada de acertos de contas. Temos a Rússia com a Ucrânia, Israel com a Palestina, e agora essa situação entre Venezuela e Guiana. Sem falar nas intermináveis guerras coloniais na África, que ninguém entende direito quem é quem e por que há brigas e disputas.

    Aqui, as coisas estão fervendo. Maduro diz querer resolver no diálogo, afasta a intermediação das instituições internacionais (e alguém aceita?), e testa o Brasil de Lula nesse imbróglio, na sua capacidade de negociador e agora na porta de casa.

    Uma situação muito ruim, inesperada e surpreendente. Exatamente os requisitos atuais indispensáveis para os interesses aflorarem e transbordarem.

    Vem confusão aí, mas faço uma ressalva: eu nunca acerto previsão de conflitos e guerras. Todas as anteriores, achava que iam resolver no diálogo e errei. Agora, prevejo um conflito armado entre Guiana e Venezuela, talvez com os EUA envolvidos, apesar de significar uma terceira frente de guerra, somando Ucrânia e Israel. Tomara que eu mantenha meu padrão e erre mais uma vez.

    Tomara.

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  • Caça fantasmas.

    dezembro 6th, 2023

    Em uma das inúmeras declarações feitas na Alemanha, durante a última viagem do governo, que parece ter sido animadora, o ministro Paulo Pimenta comentou sobre um acordo com a pasta alemã similar a sua, para combater as fake news, robôs e desnazificar o país, onde os alemães são especialistas.

    Também mencionou a regulamentação das redes, citando Canadá e Austrália, países que efetivamente regulamentam o uso da internet, mas incluíram a remuneração de conteúdo jornalístico compartilhado. Isso pode vir a ser uma decisão que limita o crescimento das mídias alternativas e independentes, concentrando ainda mais as receitas. Além disso, a recente decisão do STF criou confusão ao propor uma lei que atinge veículos de imprensa que divulgam entrevistas cujo conteúdo pode ser legalmente questionado. Aqui também, os meios de mídia alternativos serão os mais afetados.

    De fato, precisamos aprender a desnazificar a divulgação de ideias e mensagens no Brasil, mas sem reconhecer e enfrentar os maiores responsáveis pela promoção dessas ideias e os maiores beneficiários, tudo não passará de uma tratativa ingênua.

    Lembro-me de José Dirceu, o poderoso ministro da Casa Civil do primeiro governo Lula, e seu provável sucessor, que ajudou mais de uma vez a endividada Rede Globo, imaginando talvez algum tratamento equilibrado no jornalismo da empresa. Nem precisamos lembrar o que se passou depois.

    Também fiquei surpreso ao ouvir Genoino recentemente, presidente do PT na mesma época de ouro de Dirceu, dizer que foi seduzido pela sua imagem reproduzida nas telas da televisão, nas tantas vezes em que era procurado para dar seus pareceres e opiniões. Também a ele é desolador lembrar qual tratamento lhe foi dado na cobertura jornalística da imprensa.

    Então, Ministro Pimenta, mãos à obra, vamos desnazificar o Brasil. Sugiro começar do começo, pois muito antes das fakes assumirem o comando, um certo tipo de jornalismo fazia o mesmo trabalho buscando os mesmos resultados. E, ao contrário de muitas das fakes e dos robôs, tem nome, endereço e rosto conhecido. Só não enfrenta se não quiser ou não tiver condições para isso. Ou, ousando dizer, faltar coragem. O fato é que sem isso, ou pior ainda, estimular a concentração de recursos, a situação não muda.

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