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Blog do Franco

  • Feitiço contra o Feiticeiro.

    setembro 16th, 2024

    A corrida pela prefeitura de São Paulo parecia estar longe de empolgar, a sem grandes acontecimentos que mereçam destaque até agora. A presença de Guilherme Boulos no segundo turno parece bastante provável, mas ganhar a eleição é outra história.

    Recentemente, a entrada do “coach da lama” chacoalhou a campanha do atual prefeito, Ricardo Nunes, um bolsonarista envergonhado, forçando-o a se reaproximar do ex-presidente Bolsonaro para tentar conter a migração de votos para o coach. Aparentemente, Nunes conseguiu frear essa sangria, mas a ação traz grandes riscos, uma vez que também atrai a rejeição de Bolsonaro, especialmente na capital paulista, onde Lula venceu em 2022.

    Enquanto o coach perderia para Boulos em um eventual segundo turno, Nunes, por outro lado, não enfrentaria o mesmo problema, mantendo uma vantagem sobre o candidato do PSOL. Mesmo assim, torcer pela presença do coach no segundo turno seria demais, e a disputa principal parece mesmo caminhar para um embate entre Nunes e Boulos.

    De um lado, a rejeição de Boulos indica derrota nas pesquisas atuais. No entanto, a reaproximação de Nunes com Bolsonaro pode acabar embaralhando o cenário, o que ainda não se concretizou. Por enquanto, não há grandes reviravoltas na corrida eleitoral.

    O que chamou a atenção foi o incidente envolvendo José Luiz Datena, que deu uma “cadeirada” no coach lamaçal durante o debate entre os candidatos na TV Cultura, ontem à noite. O coach, tentando capitalizar o ataque, correu para o hospital de ambulância, espalhou boatos sobre fraturas e até tentou lembrar o episódio da facada no ex-presidente. No entanto, logo recuou, percebendo que a estratégia não foi bem recebida.

    Quanto a Datena, que havia demonstrado hesitação e até emocionado-se em entrevistas anteriores, agora parece revitalizado, animado e afirmando que faria tudo de novo se necessário. Resta saber o quanto esse episódio irá impactar sua trajetória na disputa e em quem ele pode crescer, já que estamos vivendo tempos bastante peculiares.

    Vamos ver como esses eventos vão se desdobrar e se irão, de fato, modificar o cenário das eleições municipais de São Paulo.

  • Passada a Boiada, o Caos.

    setembro 16th, 2024

    A frase do ex-ministro do Meio Ambiente, Salles, sugerindo, em uma reunião ministerial cuja gravação vazou, que momentos de debates acirrados no Brasil deveriam ser aproveitados para aprovação de leis de liberação de desmatamentos e invasão de terras indígenas ou de diminuição de reservas federais de preservação de matas, ficou famosa na expressão ” passar a boiada”.

    E as consequências estamos vendo em formato de cinzas e desespero.

    No dia desse comício, que ilustra o Post, onde o ex-presidente anunciava publicamente sua intenção de desmantelar toda a proteção ambiental existente no Brasil, momentos antes afirmou já ter anulado 5.000 decretos ambientais no maior “liberou geral” da nossa história. Talvez o número seja exagerado, mas a decisão de fazê-lo, custasse o que custasse, estava tomada e era exigida nas decisões do executivo e de todo o seu desgoverno.

    Também nos estados e municípios, o negacionismo ambiental, associado às oportunidades econômicas de posse de terras e economia burra no trato das lavouras, propiciou um ambiente de desprezo às normas de manejo do solo consagradas, de revezamentos nas queimadas, e na análise técnica antecipada das ações. Entramos no “vale-tudo” da política ambiental, e os resultados estão aí.

    Em hipótese nenhuma podemos esquecer dos atuais prefeitos e governadores negacionistas, muitos ainda reeleitos do tempo do fascista, que continuam reproduzindo em seus domínios a omissão criminosa do ex-chefe.

    O modelo de destruição, se não for combatido e mudado imediatamente, nos levará a uma situação terrível, e o que vivenciamos hoje é apenas uma amostra.

    Ninguém pode dizer que, uma vez arrombada a porteira, não haveríamos de ter consequências, mas elas estão superando, e muito, as piores previsões, e uma resposta precisa ser dada.

    A criação da Autoridade Climática, novamente proposta pelo governo, está na mesa da urgência, porque entrega ao executivo instrumentos eficazes para combater o negacionismo de governadores e prefeitos, assumindo a autoridade necessária no enfrentamento das omissões.

    Mas ninguém se esqueça que a proposta de criação da Autoridade Climática não é nova, e já foi recusada uma vez no congresso de ruralistas. Ela volta agora em meio às cinzas e ao caos, em urgente e necessária hora, e não deve ser novamente negada ao Brasil o direito de combater crimes ambientais com a força e urgência necessárias.

    ( Desde anunciou que ia PASSAR A BOIADA, Ricardo Salles editou 721 medidas contra a preservação ambiental, sendo 76 reformas institucionais; 36 medidas de desestatização; 36 revisões de regras; 34 de flexibilização; 22 de desregulação e 20 revogações.

    E em 2020 o ex-presidente em discurso na ONU culpou indígenas e caboclos pelas queimadas de então .)

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  • Os mesmos de sempre.

    setembro 15th, 2024

    O famigerado O Globo anda dizendo que o crescimento do emprego no Brasil atual é mérito da reforma trabalhista do Temer. Que, a seu tempo, e sem a decisão firme e destemida do Lula e seu governo em investir, investir e investir, a tal reforma só provocou precarização, desemprego e miséria.

    Não é a primeira vez que ouço sandices ideológicas mentirosas do tal grupo. Quando Lula assumiu seu primeiro governo, tudo de bom no início era atribuído ao Plano Real e a FHC. Com o passar dos anos e o continuado sucesso, passaram a atribuir à sorte e à exportação de commodities durante o boom de preços internacionais.

    Repare que, na época da eleição do Lula, o Plano Real já havia falido, o Brasil estava sem um tostão de reservas em dólares, tudo consumido na paridade forçada cambial e com os juros nas alturas, paralisando totalmente a atividade econômica. Mas o sucesso posterior era atribuído a FHC, até que as commodities assumissem o mérito.

    Lembre-se de que, na época, o Brasil não tinha pré-sal, o preço das commodities, comparado com o período da pandemia, era menor, e, mesmo assim, Temer e Bolsonaro só colheram fracassos. Talvez porque não investissem no país, não criaram nada e só vendiam o que outros anteriores construíram. E pensam assim fazer um país se desenvolver.

    Agora, O Globo, percebendo o rumo definido e positivo da nossa economia, com Lula propondo e executando tudo ao contrário do que o jornal acredita e prega, quando os resultados “surpreendentes” começam a ficar impossíveis de esconder ou omitir, porque passam a ser reais nas vidas das pessoas, recomeçam a inventar mentiras e disfarçar a realidade, a única coisa em que são eficazes.

    Lembro-me de como era comum, na época da Dilma, pessoas atribuírem seu relativo sucesso econômico a iniciativas próprias — sim, claro, insubstituíveis. Mas por que todos afundaram nos períodos posteriores, sobretudo nos governos Temer e Bolsonaro, e agora retomam gradativamente seus méritos econômicos e sociais? Porque a economia é uma moeda de duas faces, e ambas — iniciativa própria e condições econômicas — são necessárias para melhor prosperar.

    Tamanha cretinice reiterada tem endereço: o debate das eleições municipais. Teses desse calibre, sem nenhum fundamento, servem de argumento diante da falta de algo para justificar a realidade do crescimento do PIB, impossível de esconder a essa altura.

    O ano de crescimento nem é 2024, porque ainda estamos crescendo sob uma base anterior comprimida, por pandemia e pela incompetência do ex-presidente e sua tropa de indigentes. Espere 2025 e os próximos anos e faça seus planos e execute, porque até 2030 eu vejo progresso; depois, só Deus sabe.

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  • Municipais decisivas.

    setembro 14th, 2024

    A presidência do Senado do senador Alcolumbre, favorito para assumir a em janeiro, subiu no telhado. A ideia de que a política é como as nuvens, em constante modificação, passa a valer para a sucessão de Pacheco, após atingir o candidato de Lira.

    De fato, Lira está mais perdido em sua própria sucessão, e parece mesmo condenado a ser atropelado pelo governo daqui em diante, embora o nome do próximo presidente da Câmara ainda seja difícil de prever.

    No Senado, o mesmo mal que afeta Lira chegou: o vírus do bolsonarismo não agrada ao governo, e os acenos de Alcolumbre às pautas dos fascistas começaram a ser combatidos, embora ainda discretamente.

    O pós-eleição municipal ganhou relevância, o que não deveria surpreender, já que a política vive de votos, e os escolhidos serão os que conduzirão o futuro até 2026, quando a porca torce o rabo.

    Em todo caso, o futuro de Bolsonaro na cadeia e sua ausência na disputa de 2026 condicionam o presente. Se confirmada a tendência de recuperação das esquerdas nas municipais, isso embaralha a disputa futura, o que costuma provocar reações mais equilibradas e menos riscos extremos no presente.

    Já observamos que pautas como a anistia para golpistas não passam de temas eleitorais, que morrem após as eleições municipais. A preocupação maior fica mesmo para 2026, quando o fascismo tentará aumentar suas bancadas no Senado, algo que ainda é imprevisível.

    Até lá, a prioridade será o crescimento econômico, salários, renda e desenvolvimento, com um novo presidente no Banco Central e uma política monetária mais realista, liberando o crescimento do país.

    A receita está definida, resta saber o que o nosso povo deseja e pretende.

    As eleições municipais ganharam relevância, pois a mesmice dos extremistas parece minguar. Se essa tendência se confirmar nas urnas em outubro, a situação poderá mudar para melhor.

  • PIB de 3,2% em 2024.

    setembro 14th, 2024

    A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda elevou sua projeção para o crescimento econômico do Brasil em 2024 para 3,2%, ante a estimativa anterior de 2,5%, prevendo também um nível mais alto de inflação nos próximos meses, segundo boletim divulgado nesta sexta-feira.

    Partimos de uma previsão inicial de 1,7% e, a cada revisão, continuamos a subir. Em 2023, por exemplo, começamos com uma estimativa de 0,8% e chegamos a 2,9%, “surpreendendo”.

    Perceba que, ao alimentarem expectativas sempre na direção oposta à realidade, os agentes econômicos liberais e fascistas seguem a rotina de boicotar o crescimento econômico. O fato incontestável da queda da inflação em agosto — deflação — não foi suficiente para evitar um provável aumento dos juros na próxima semana. Vale mais a intenção de evitar o sucesso do governo. E, quando esses mesmos liberais assumem o controle, dirigem seus comentários no sentido oposto. Quem se esquece da afirmação de que “Guedes está na direção correta”? Ou da recente defesa de Milei, que, apesar de estar mais sumido ultimamente, já que o fracasso é difícil de esconder, também foi colocado nessa mesma “direção correta”?

    Em todo caso, para concluir o programa econômico do governo neste ano, falta aprovar na Câmara a regulamentação da reforma tributária, que ficou para o pós municipais. E, no próximo ano, teremos a parte mais complicada: realizar a reforma tributária sobre a renda, incluindo a promessa de isentar quem ganha até R$ 5 mil.

    Alguns rumores sobre uma nova revisão na previdência já começam a circular. Pela primeira vez, fala-se em incluir os militares e as pensões vitalícias das filhas. O envelhecimento da população é, de fato, uma questão delicada, que merece uma avaliação criteriosa e permanente.

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  • Jogando para a torcida

    setembro 13th, 2024

    No cenário atual das movimentações políticas, tanto em relação às pautas bolsonaristas quanto à dinâmica dentro do Congresso, a tentativa de impeachment de ministros do STF, como Alexandre de Moraes, e a proposta de anistia para golpistas parecem ser mais estratégias para atrair atenção e reforçar a base de apoio nas eleições municipais, especialmente em cidades menores. Essas táticas jogam com o antipetismo e tentam reconquistar um espaço perdido com a falta de liderança e direção clara no campo da extrema-direita.

    O esforço concentrado do Congresso trouxe algumas vitórias importantes para o governo, como a reoneração da folha de pagamento, uma pauta que muitos julgavam perdida. Contudo, a questão da transparência das emendas parlamentares e a regulamentação da reforma tributária acabaram adiadas, refletindo as tensões nas sucessões para a presidência das casas legislativas, principalmente na Câmara, onde o cenário ainda está incerto e acredito que um terceiro e ainda desconhecido nome vai levar a presidência.

    A fragmentação no campo bolsonarista, sem liderança definida e com pautas cada vez menos mobilizadoras, revela a perda de foco e de uma agenda concreta. A aposta no antipetismo como última bandeira de resistência pode render frutos eleitorais em algumas regiões, mas parece insuficiente para uma recuperação política mais ampla, especialmente sem um projeto de poder claro. A tendência é que esses movimentos sejam mais simbólicos e destinados a manter a relevância mínima em um cenário político em constante mudança.

    Considerando que muitos dos atuais Prefeitos foram eleitos negando vacinas, negando pandemia e invadindo hospitais para aparecer, é fato a atual entressafra de presepadas e o vazio de tais lideranças.

    Em todo o caso, em poucas semanas teremos o quadro completo.

  • Ativismo Eleitoral Passivo.

    setembro 12th, 2024

    A definição de omissão como “ativismo eleitoral passivo” realmente capta uma realidade frustrante do sistema jurídico-político atual. Quando o Procurador-Geral da República (PGR) Augusto Aras, ou o seu sucessor, Antonio Gonet, optam por não agir contra os principais articuladores do golpe e financiadores do caos, que se vê é uma forma de prevaricação, um crime que, por definição, é a omissão deliberada de agir em casos onde há obrigação.

    Somente os “bobocas” de 08 de janeiro foram rapidamente processados e condenados, enquanto os verdadeiros líderes permanecem ilesos, refletindo um sistema onde a justiça não é aplicada de forma equitativa. Essa demora, proposital, sugere que se trata mais de um cálculo político do que de uma inércia institucional. Trata-se de evitar responsabilizar grandes figuras que ainda têm poder ou influência no cenário nacional.

    O impacto desse “ativismo passivo” é devastador. Deixa brechas para que figuras poderosas continuem a agir impunemente, reforça a sensação de impunidade entre as elites, e desmoraliza as instituições que deveriam garantir a justiça para todos. Quando as ações ficam limitadas a punir os executores de ordens, enquanto os mandantes ficam livres, o sistema carcerário continua abarrotado de “ladrões de galinha”, enquanto os grandes responsáveis pelos verdadeiros crimes contra o país seguem a atuar politicamente, sem temor de represálias.

    Essa inação proposital do Ministério Público e da PGR, especialmente em um contexto pré-eleitoral, prejudica a democracia. É essencial que todos os envolvidos, inclusive os políticos, militares e financiadores, sejam responsabilizados de forma justa e sem favoritismos, para garantir a credibilidade das instituições e evitar que a democracia se torne refém de interesses obscuros.

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  • Só pode cortar o dinheiro do pobre?

    setembro 12th, 2024

    Agora, quem levanta a questão dos reajustes do BPC — que é aquela aposentadoria de um salário mínimo destinada a quem nunca conseguiu contribuir para a previdência ao longo da vida — é Simone Tebet, do Ministério do Planejamento.

    Quem primeiro abordou o tema foi o próprio Haddad, destacando a falta de critério do desgoverno anterior, que, por interesses eleitorais passageiros, provocou a explosão na concessão do benefício.

    Após isso, começaram a revisar os benefícios, resultando em uma economia de bilhões.

    Ninguém pode ser contra enquadramentos legais e revisões quando elas são justas, mas é sempre lamentável ver o foco recaindo prioritariamente sobre os mais pobres.

    Penso que, se uma revisão é necessária, que seja feita. Mas antes disso, seria justo revisar onde realmente se esvai a maior parte do dinheiro do orçamento, dividindo de maneira mais equitativa a carga dos ajustes e buscando o equilíbrio orçamentário.

    Ao refletirmos sobre isso, não podemos esquecer que uma queda de 0,25% na taxa Selic equivale à economia de um ano inteiro com a revisão do BPC. O cuidado e o zelo com as taxas de juros não recebem o mesmo tratamento dispensado a outros itens do orçamento, como as obras do PAC, que são cortadas em nome do cumprimento de metas fiscais, mas que, diante da rolagem da dívida pública, parecem valores irrisórios. A dívida pública, além de injusta, desequilibra a riqueza no Brasil, agraciando especuladores com bilhões, enquanto oferece migalhas aos demais.

    Sei que o governo sempre lutou contra as taxas exorbitantes impostas pelo Banco Central e seu atual presidente bolsonarista. Lula, pessoalmente, enfrentou o boicote, e Haddad nunca deixou de cobrar responsabilidade do fascista que preside o banco. Em determinado momento, parecia até que haviam conseguido pressionar o militante, mas ele, em sua reta final, conseguiu se manter firme e agora ameaça uma nova rodada de aumentos na Selic, com a primeira prevista para a próxima semana.

    Por menor que seja o aumento anunciado, nos custará, a partir da próxima semana, pelo menos R$ 25 bilhões — ou o equivalente a uma revisão anual do BPC que afeta os mais pobres.

    Percebo que o tema do Banco Central e da taxa de juros continuará presente no meu blog, e a mudança na presidência em janeiro não promete trazer um cenário muito diferente do atual. Vamos ver.

    Por fim, em relação à questão de aumentar a idade mínima para a concessão do benefício, acredito que seja algo a ser discutido, e não tenho uma resposta pronta. Sabemos que a média de idade da população está aumentando. Minha dúvida é se esse estudo sobre o envelhecimento da população leva em consideração aspectos relacionados à classe social, pois os candidatos a receber o BPC podem não estar incluídos nessa média.

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  • Cenário pronto para subida de mais juros Selic.

    setembro 10th, 2024

    O cenário para mais uma alta dos maiores juros do mundo está pronto. Mesmo na contramão do resto do planeta, os últimos moicanos do fascismo, aboletados no Banco Central do Brasil, preparam seu “canto do cisne” – não para morrer, mas para nos arrastar para uma agonia sufocante de juros.

    A pancada do anúncio do índice negativo de inflação em agosto parece ter efeito zero. Essa turma não lida com a realidade, mas com seus próprios modelos teóricos, cuidadosamente desenvolvidos para lesar o patrimônio público em bilhões. Repito: bilhões.

    O boboca do Galípolo, até aqui apenas um boboca, anda dizendo que vai se ausentar da reunião do Copom no próximo dia 17. Alega uma desculpa que nem vale a pena repetir, de tão insossa. Temo sinceramente que o escolhido para assumir o Banco Central do Brasil nos próximos anos não passe de um insosso, que nos custará os olhos da cara.

    Sua atuação até o momento na direção do BC, salvo uma discordância meia boca com Campos Neto meses atrás – que foi tratada como um escândalo – serviu apenas para Galípolo enfiar a cabeça na areia, no estilo avestruz.

    Se isso lhe serviu para conquistar a tão almejada indicação, espero que não. Nem de longe acredito nessa conversa de que ele e os diretores indicados pela atual administração estão apenas esperando as futuras nomeações para formarem maioria no colegiado. Já discutimos exaustivamente essa bobagem. Isso seria o mesmo que dizer que, a partir de janeiro, darão um “cavalo de pau” na política monetária do BC.

    Eu sei que pagar bilhões em juros da dívida pública, que mais parecem agiotagem, é o pedágio cobrado para que um governo progressista possa governar em paz. Banqueiros e outros aproveitadores – e são muitos – enchem os bolsos e deixam Lula e o PT governarem. Eu sei disso.

    Acredito muito em um presidente do Banco Central mais proativo, como Campos Neto, mas com a motivação correta, voltada para o interesse do Brasil e não de uma pequena porção de especuladores.

    Seria pedir demais?

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  • Deflação de -0,02% em Agosto. E agora, BC?

    setembro 10th, 2024

    A deflação registrada pelo IPCA em agosto, com queda de 0,02%, surpreendeu, vindo abaixo das expectativas do mercado e mostrando uma desaceleração em relação à alta de 0,38% em julho. Esse recuo foi impulsionado principalmente pela diminuição nos preços dos grupos de habitação (-0,51%) e alimentação e bebidas (-0,44%).

    Esses números indicam que a inflação no Brasil está sob controle, com uma alta acumulada de 2,85% no ano e uma redução do acumulado em 12 meses, que passou de 4,50% para 4,24%. Esse cenário pode contribuir para uma melhora na percepção da economia, favorecendo tanto o poder de compra da população quanto a política econômica do governo.

    A deflação em grupos importantes como habitação e alimentos sugere que fatores internos, como o aumento da oferta e a estabilização dos custos de energia e combustíveis, estão contribuindo para um alívio nos preços. No entanto, o governo deve continuar monitorando esses movimentos para evitar uma volta abrupta da inflação em setores críticos.

    Esse desempenho positivo também pode influenciar as decisões futuras sobre a política monetária, já que a inflação controlada dá mais espaço para o Banco Central retomar sua trajetória de redução das taxas de juros, impulsionando o crescimento econômico de forma mais sustentável, e não aumentar, como sugerem 10 entre 10 bancos, corretoras, agiotas e especuladores.

    Dia 17 próximo teremos Copom, e o discurso da tropa de boicotes do Campos Neto está completamente desautorizada a partir do índice de hoje, além da tendência mundial de redução das taxas de juros.

    E a história de que Galipolo não vai participar do colegiado do Copom para se preservar, esperemos ser uma piada. De muito mal gosto.

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