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Blog do Franco

  • Números acomodados.

    dezembro 28th, 2024

    O cenário atual da economia brasileira parece estar entrando em uma fase de acomodação. Embora nem todos os indicadores sejam positivos, há sinais consistentes de equilíbrio em diversas áreas.

    O preço do dólar, por exemplo, continua alto e deve permanecer assim, embora com uma leve tendência de queda. Concordo com a previsão do Focus – algo raro – de que o dólar alcance R$ 6 em 2025. Apesar disso, a inflação está desacelerando, e o impacto negativo do câmbio elevado sobre os preços tem sido gradualmente amortecido. Adicionalmente, o crescimento no nível de empregos e os reajustes salariais seguem um ritmo que acompanha esse movimento geral de estabilização.

    Esse é o caminho natural da economia à medida que supera grandes desafios: a tendência é buscar equilíbrio, desde que as condições essenciais de investimento e as acomodações obtidas até agora sejam mantidas.

    Há, porém, elementos externos que merecem atenção. Entre eles, destaca-se a perspectiva de políticas instáveis vindas do próximo presidente dos EUA, que historicamente provoca impactos significativos nos mercados globais. Muito do que vimos em relação à alta de juros e à valorização do dólar nos últimos meses foi uma antecipação ao cenário que está por vir. Economias ao redor do mundo têm desvalorizado suas moedas, aguardando novas subidas nos juros americanos.

    No Brasil, as projeções para 2024 são animadoras, com expectativas de crescimento do PIB em 3,5%, inflação ligeiramente acima da meta, e o cumprimento do déficit fiscal previsto no arcabouço. Esses números representam conquistas importantes que certos setores insistem em ignorar ou desqualificar para forjar crises inexistentes – e, quem sabe, até criá-las. Contudo, como sempre, a realidade numérica tende a se impor.

    Costumo desafiar os críticos com dados concretos. Pergunto: em qual área específica os números atuais estão piores do que os de uma década atrás? A resposta é sempre evasiva ou inexistente. Não à toa, qualquer comparação histórica acaba recaindo nos anos de 2013 e 2014, já que a década subsequente foi marcada por retrocessos imensos, fruto das mesmas políticas defendidas por economistas de crises, analistas do caos, e políticos de quartéis e igrejas, alheios às necessidades reais do país. Sem propostas consistentes ou argumentos sólidos, restam a eles somente falácias e desinformação.

    Por fim, é essencial observar o que está acontecendo na Argentina. Mesmo após tantos sacrifícios, os recursos acumulados no final do ano retornam a condições próximas às de um ano atrás, com pouca ou nenhuma melhora. O resultado? Mais dívida, mais empréstimos do FMI e um povo que enfrenta dificuldades cada vez maiores. O diagnóstico sobre a necessidade de ajustar a balança comercial e buscar superávits em dólares está correto, mas os métodos são totalmente equivocados, conduzindo o país para o declínio.

    Se olhassem para os vizinhos, aprenderiam como ajustar suas economias. No entanto, optam por fazer tudo ao contrário, colhendo os resultados esperados de políticas mal orientadas. O que nos resta é observar até onde isso irá.

  • Decisão de Dino fragiliza o governo?

    dezembro 27th, 2024

    O curioso nas especulações sobre quem fragiliza quem, nos cálculos sobre os efeitos políticos da decisão do ministro Dino de suspender o pagamento de emendas com base na regra básica de transparência, é como a análise muitas vezes se desvia da questão central.

    A primeira observação relevante é que o governo Lula já havia cumprido sua parte nos acordos ao liberar as emendas acordadas. A decisão de sustá-las surge no momento de questionar: por que o Legislativo insiste em manter sigilo sobre bilhões de reais de recursos públicos? Esse é um problema real, impossível de defender, que levanta todo tipo de desconfiança.

    A ideia de que essa decisão fragilizaria a relação entre Executivo e Legislativo, apontada por alguns analistas, foca nas possíveis tensões políticas em vez de direcionar atenção ao cerne da questão: a necessidade de uma gestão transparente dos recursos.

    É evidente que há insatisfação no Congresso, especialmente entre os parlamentares habituados às “emendas livres.” No entanto, a resolução dessa prática nociva — além de extremamente cara ao país — só pode vir da aplicação rigorosa da lei. E é exatamente aí que o ministro Dino atua, sem receios.

    A decisão agora é clara: cumprir a lei e alinhar os interesses e recursos de maneira que some esforços em vez de dividir. No curto prazo, isso pode trazer dificuldades no asfalto, mas é uma mudança fundamental que beneficia escolas, postos de saúde e demais serviços essenciais que ganham prioridade nesse novo cenário.

    O Executivo, como o grande articulador nacional, tem a chance de ver seus planos abrangentes ganharem maior adesão, enquanto deputados e senadores ávidos por influência precisarão adaptar suas ações a práticas mais alinhadas com o interesse público.

    Embora momentos de tensão estejam garantidos, não há um impacto estrutural negativo significativo a se esperar. Esse período, marcado pela troca iminente dos presidentes das casas legislativas e pelo ambiente de intensas negociações, representa uma oportunidade valiosa para redefinir práticas em benefício do país.

    Já as críticas e ameaças — com a velha retórica alarmista — seguem o padrão de sempre: muito barulho sem substância. Apesar de tóxicas, são inócuas, inertes e apenas sinalizam a resistência de setores que tentam manter privilégios questionáveis.

    Nesta sexta-feira, a Câmara deve recorrer da decisão do ministro Dino, alegando que todos os critérios legais foram cumpridos e que as emendas deveriam ser liberadas. Será interessante acompanhar o desenrolar desse capítulo. Entretanto, é pouco provável que o recurso prospere, e assim a novela continua com congressistas pressionados e recorrendo às ameaças rotineiras.

    Em tempo: câmara recorreu e Dino respondeu perguntando o que não tem resposta.

  • Ninguém passa recibo.

    dezembro 20th, 2024

    Essa parece ser a condição e a decisão atual do governo em suas relações institucionais, considerando o Congresso e sua peculiar maneira de enfrentar os desafios do país, sua interação com o Banco Central e ambas as diretorias — a que está de saída e a que assumirá em breve. Isso inclui também suas avaliações de cenário em meio a um escandaloso ataque especulativo contra a nossa moeda.

    Sem dúvida, a aprovação do pacote na última hora e de forma apressada não deixa um saldo ruim, pois atende às expectativas de forma básica. Onde o Congresso realmente se faz presente é na preservação dos privilégios, tanto próprios quanto daqueles que já possuem muito. Porém, quando se trata de cortes no salário mínimo ou no Benefício de Prestação Continuada (BPC), não hesitam em agir.

    Sobre o BPC, o que se propõe, e com razão, é evitar a falta de critérios, já que o benefício cresce de maneira descontrolada. O salário mínimo, por sua vez, foi o primeiro a ser indexado a nova ancora fiscal. E é previsível que saúde e educação, com indexadores de despesas distintos, também sejam ajustados às mesmas regras em algum momento.

    O grande desafio permanece no enfrentamento das maiores distorções, especialmente no Poder Judiciário, como os salários acima do teto constitucional, que continuam praticamente intocados. Apesar de algumas travas aprovadas, já há sinais claros de que podem ser facilmente contornadas.

    Fica evidente que haverá uma nova rodada de ajustes em um momento futuro, abrangendo temas como os indexadores, as concessões tributárias e os super salários — onde estão concentradas algumas das mais flagrantes desigualdades. Felizmente, a preservação de ganhos importantes trouxe racionalidade aos cortes efetuados até aqui. Avançar sobre as distorções de forma lógica e justa será, cedo ou tarde, inevitável.

    Nas relações institucionais, o cenário atual é reflexo de escolhas passadas, herdadas e ainda em vigor. Este Congresso, turbinado financeiramente, foi moldado pelo ex-presidente para sua sobrevivência política e para manter sua conhecida inércia, delegando amplamente o orçamento. O Banco Central, independente desde Temer, causou danos até aqui, e a “pantomima” necessária para agradar o mercado ainda se desenrola. Vamos observar quanto tempo isso se sustenta, e se é apenas um espetáculo temporário ou, de fato, o novo normal.

    A questão que preocupa, porém, e inaugura um novo foco de tensão para o futuro, é o ataque especulativo contra o real. É provável que esse ataque tenha se fortalecido devido à omissão do Banco Central, o que parece ter sido decisivo. Talvez essa omissão seja uma característica específica do bolsonarista que está de saída, mas também existe o temor de que isso reflita uma mudança estrutural de comportamento do Banco Central daqui em diante.

    E ficamos focados no ajuste fiscal, enquanto a Reforma Tributária foi concluída e aprovada.

    Em todos os casos, faça como o governo e sorria .

  • U$ 200 bi e vida que segue.

    dezembro 19th, 2024

    O ex-ministro Guido Mantega — o mais longevo e vitorioso ministro da economia da nossa sofrida história — foi questionado, em entrevista ao 247, sobre como enfrentar a escalada especulativa do dólar. Sua resposta foi intrigante: ele afirmou que não diria como, mas sugeriu que analisássemos as medidas adotadas durante seu período como ministro para combater esse tipo de especulação.

    Isso nos leva de volta a 2009. No ano anterior, a bolha imobiliária nos EUA havia estourado, desencadeando uma crise global que resultou na desvalorização de 20% do real naquele período. Curiosamente, a desvalorização atual é de proporção semelhante. É verdade que muitas moedas ao redor do mundo também estão se desvalorizando, mas, no caso do Brasil, a queda é mais acentuada. A meu ver, isso ocorre em parte como uma antecipação ao possível impacto da volta de Donald Trump à presidência dos EUA, com o mercado mundial precificando o cenário de valorização do dólar.

    Já discutimos diversas vezes as características únicas do mercado de câmbio brasileiro. Aqui, a moeda apresenta grande volatilidade: sobe exageradamente em determinados momentos, para depois cair na mesma intensidade. Essa dinâmica é um prato cheio para a especulação desenfreada, especialmente no mercado futuro.

    Atualmente, sem um Banco Central que enfrente os ataques especulativos, resta-nos aguardar janeiro, quando o BC poderá, esperamos, atuar em coordenação com os Ministérios da Fazenda e da Economia para defender os interesses nacionais e conter a especulação sobre o dólar.

    Mantega não detalhou o que fez em 2009, mas enfatizou que tal ação só foi possível graças à atuação conjunta com o Banco Central.

    E o que foi que ele fez, afinal?

    Em resposta a uma pergunta sobre a modesta oferta de US$ 3 bilhões que o BC fará nesta quinta-feira para tentar conter a especulação, Mantega ironizou e relembrou que, em 2009, para enfrentar um cenário semelhante, a decisão foi destinar US$ 200 bilhões às operações cambiais. Esse movimento foi suficiente para impor prejuízos significativos aos especuladores e estabilizar o real. O resultado? Anos de crescimento econômico sustentado, que marcaram o maior e mais inclusivo período de expansão social e econômica da história do Brasil.

    Fica a dica.

  • Ataque especulativo contra o Real.

    dezembro 19th, 2024

    Robin Brooks, economista-chefe do Goldman Sachs, muito ativo no X (antigo Twitter), reconheceu que o Brasil está enfrentando um ataque especulativo contra sua moeda.

    Os motivos apresentados por ele, no entanto, são bastante questionáveis. Brooks atribui o ataque à tentativa do governo de limitar a política monetária do Banco Central, que tem mantido sucessivos aumentos na taxa de juros.

    Não pretendo entrar nesse mérito, até porque, por aqui, ninguém tem relacionado o câmbio elevado diretamente a uma suposta interferência do governo na autonomia do Banco Central. Para ser honesto, até gostaria que essa relação fosse verdade — mas, infelizmente, não é.

    As avaliações sobre o real desvalorizado são múltiplas: descontrole fiscal, alta inflação, e outros fatores de menor relevância. Porém, o fato central permanece: nem Brooks, nem analistas internos, tampouco especuladores chegam a um consenso sobre as razões para a disparada do dólar. A única unanimidade parece ser o interesse em prolongar o ataque especulativo para maximizar ganhos. Quanto mais variáveis entram no jogo, melhor para eles.

    De minha parte, fico satisfeito pelo simples reconhecimento, vindo de um grande banqueiro, da verdadeira natureza do que enfrentamos: um ataque especulativo. O cenário é, de fato, favorável para isso: o atual presidente do Banco Central, prestes a sair, parece inerte diante da especulação criminosa, enquanto seu sucessor ainda não assumiu e tampouco explicitou suas intenções.

    Haddad apareceu hoje para tentar tranquilizar o mercado. Segundo ele, a pressão exagerada sobre o câmbio deverá se corrigir em breve. Concordo que Haddad conhece o novo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e que o governo tem recursos para frear essa situação quando decidir agir. Esperemos que o momento certo esteja próximo.

  • Imposto Zero na cesta básica.

    dezembro 18th, 2024

    Aprovada ontem à noite a primeira parte da reforma tributária, resta agora a votação sobre renda e patrimônio, prevista para 2025.

    Observe, na ilustração, o mapa de votação por partidos políticos e note como praticamente todos votaram a favor. Essa dinâmica tem sido a regra nos últimos dois anos, e antes de Lula assumir a Presidência, quando medidas importantes já eram aprovadas em meio ao caos evidente do desgoverno anterior.

    Um levantamento simples das aprovações na Câmara e no Senado revela um padrão: inicialmente, há negativas categóricas, seguidas de negociações e da liberação de emendas, culminando em votações favoráveis ao governo. Sobre as emendas, tema que já comentamos aqui, se há suspeitas de compra de votos, é papel do Ministério Público Federal e da Polícia Federal investigar possíveis desvios ou irregularidades. Ao governo, cabe assegurar transparência, algo que o STF tem ajudado a garantir.

    A grande inovação da reforma tributária está na distribuição de renda, incorporada à medida. O cashback na cesta básica é uma verdadeira revolução no custo da alimentação. A tarifa zero representa uma conquista histórica, equiparável ao reajuste do salário mínimo ou à criação do 13º salário — um marco que será lembrado por gerações.

    Essa medida, no entanto, não deve ser encarada como trivial ou algo que “caiu do céu”. Da mesma forma, a isenção de impostos para quem ganha até R$ 5.000 em 2025, combinada com a tributação progressiva sobre altos salários, também marcará uma transformação significativa na estrutura fiscal.

    Essas mudanças são passos fundamentais para a história da justiça tributária no Brasil.

  • Dólar a R$6,1724.

    dezembro 17th, 2024

    Atingimos o que os jornais insistem em repetir como o maior valor do dólar desde o Plano Real. Em post anterior, expliquei a sandice de comparar cotações sem considerar a atualização inflacionária. O dólar, ajustado ao longo do tempo, já chegou a valer mais de R$ 8,40. Ainda assim, persistem nessa cretinice para estimular o pessimismo.

    De fato, a pregação do bolsonarista Campos Neto, somada à mudança na presidência dos EUA e às ameaças de tarifas astronômicas no comércio global — que devem provocar inflação e aumento de juros por lá —, têm causado turbulência . Basta olhar para a Alemanha, França e Canadá, onde, por motivos distintos, mas todos relacionados a incertezas, os governos têm balançado.

    Por aqui, na ausência de crises, inventam. A tal “crise fiscal” simplesmente não existe: o arcabouço fiscal previsto para 2024 será cumprido, e as projeções para 2025 e 2026 seguem a mesma trajetória. O que está sendo usado como justificativa é a dívida bruta, que se retroalimenta com aumentos consecutivos de juros.

    O fim de ano, como sabemos, é sempre marcado por envio de bilhões para as matrizes, manobras para esconder patrimônio do fisco e especulações típicas do período pré-férias. Como o atual Banco Central é parte do problema, e não da solução, continuamos reféns dessa instabilidade.

    Com a chegada de janeiro, a passividade do BC — algo sobre o qual já manifestei — parece cada vez menos provável. A aposta contra o real se torna uma ameaça real e, mesmo a contragosto, alguma ação precisará ser tomada.

    Eu defendo a adoção de uma banda cambial atrelada ao superávit comercial, nos moldes da banda da inflação. Isso permitiria uma volatilidade razoável e previsibilidade, além de desestimular a especulação. A banda inflacionária depende de decisão do Conselho Monetário Nacional, que, pelo visto, não tomará nenhuma atitude tão cedo. No entanto, deveria agir rapidamente para que 2025 comece com os pés no chão.

    Vai gerar confusão? Vai. Mas, se deixarmos o dólar… livre como está, a confusão vem ainda maior em inflação e desinvestimento. Que, aliás, já começaram.

  • Furando a bolha.

    dezembro 16th, 2024

    Eu costumo dizer — e não estou brincando — que a última vez que assisti a um programa jornalístico na Rede Globo foi quando meu pai comprou uma TV colorida, e os únicos programas que passavam a cores eram a dança no início do Fantástico e o Jornal Nacional. Depois disso, nunca mais.

    Mas ontem, nosso Lula deu uma entrevista ao Fantástico, logo após receber alta do hospital, e, sem dúvida, fez muito bem.

    Estamos naquela fase em que é necessário falar para todos, porque todos precisam ter a oportunidade de ouvir, perguntar e receber as respostas. Como na grande mídia o presidente e seu governo quase não aparecem — ou, quando aparecem, é de forma depreciativa ou negativa —, uma oportunidade de falar e ser ouvido é sempre bem-vinda.

    É evidente que nem Lula quer, nem a grande mídia deseja, fazer do chamado PIG o principal canal de comunicação. Mas a saída do hospital foi uma daquelas raras ocasiões em que um momento de solidariedade, mesmo que relativo, diante do susto e da rápida recuperação, abriu espaço para o diálogo.

    A intenção primeira era se mostrar inteiro, recuperado e pronto para o trabalho.

    Quem viu, viu. Quem aproveitou, aproveitou.

    A repercussão indica que Lula conseguiu furar a bolha dos adversários e transmitiu sua mensagem de maneira positiva, como costuma fazer.

    Muita gente, de diferentes lados, pode até se incomodar com o episódio. Porém, a trégua proporcionada por essa delicada ocasião deveria, talvez, servir de lição a todos.

    Vida que segue, e cada um retoma o seu caminho.

  • A luta continua

    dezembro 15th, 2024

    A prisão de um general de quatro estrelas marca uma etapa inédita na história do Brasil. Pela primeira vez, golpistas e fascistas antidemocráticos, que utilizam o aparato público, especialmente dentro das Forças Armadas, estão sendo responsabilizados por seus crimes.

    Estamos falando de séculos de crimes acumulados e de uma omissão histórica das instituições no combate a essa mentalidade autoritária. Não há precedentes para o que está acontecendo hoje. Este momento inaugura a soberania institucional e democrática contra o autoritarismo e a traição, mascarados sob o manto de um falso patriotismo.

    O “verde e amarelo” dessa gente tornou-se o símbolo visível da violência, do entreguismo, da covardia e da afronta institucional.

    O que aconteceu hoje não é uma vingança, mas uma afirmação de que o Brasil está enfrentando, enfim, essa presença nociva em nossa sociedade. Este é o início de um esforço histórico para aprofundar o momento atual, responsabilizando todos os demais envolvidos nessas tramas sombrias. Se ainda não estamos virando a página, demos hoje um passo decisivo nessa direção.

    Há, no entanto, muito mais a ser feito. Há mais pessoas envolvidas, mais conspirações a serem expostas, e é essencial garantir apoio e vigilância para que todos paguem por seus crimes.

    É preciso que o Congresso apoie as decisões da Justiça e que o governo mantenha seu respaldo às instituições. Somente assim poderemos fortalecer a democracia, afirmar nossa soberania e trilhar o caminho para uma sociedade mais justa e comprometida com os valores democráticos.

  • Nós, os melhores — bons e honestos.

    dezembro 13th, 2024

    A reação do campo progressista diante do aumento da taxa Selic no último Copom, sob a gestão do bolsonarista Campos Neto — exasperada, furiosa e vingativa —, trouxe-me algumas reflexões.

    Lembro-me da época em que Collor propôs a abertura comercial do mercado brasileiro à concorrência externa. Lembro-me de ir ao supermercado e encontrar vassouras importadas, das mais simples e mixurucas. Foi um choque, um sinal de que estávamos encrencados. E, de fato, foi um desastre. Mas hoje, quando Lula assina e promove um acordo de livre comércio com a União Europeia, sob severas críticas da esquerda, pergunto-me: será que Collor estava completamente errado? Talvez ele tenha exagerado na dose, talvez tenha agido sem planejamento e critérios. Talvez a época fosse inadequada. O resultado foi desastroso, mas a ideia, em si, nem tanto.

    Depois, vieram os tucanos, com FHC e as privatizações: aeroportos, telefonia, estradas. Algo que o presidente Lula ainda faz e que Dilma também realizou, mas que, na era FHC, parecia uma loucura para nós.

    Então, o que condenamos foi a desonestidade nas privatizações tucanas? Elas foram mal feitas? Hoje estão melhores? Que setores o Estado precisa manter sob seu controle? Há um debate sério sobre isso? Não parece haver mais limites para essas decisões, mas sim uma curva de aprendizado, com controles maiores e problemas recorrentes, como corrupção.

    Concordo que avançamos muito em concessões, contratos e controles. Porém, a ideia central das privatizações veio da época tucana e, hoje, parece ser amplamente aceita. Ou será que não?

    (Alckmim agora é bom? Antes não era?)

    Será que falta correlação de forças ? Creio que não. A ideia de um Estado inchado, sobre tudo e todos, parece ter ficado para trás. Hoje, buscamos preservar setores estratégicos, que mudam ao longo do tempo, enquanto seguimos em frente. Que as polícias e os juízes façam sua parte, que os consumidores se organizem e que os políticos sejam supervisionados. Assim funciona uma democracia moderna.

    Nosso maior desafio talvez esteja na comparação com países que não escolhem seus líderes periodicamente, como China e Rússia, o que lhes permite planejar suas políticas a médio e longo prazo. Enquanto isso, em democracias liberais como a nossa, governantes revezam-se entre fazer e desfazer. Mesmo assim, prefiro continuar em uma democracia, mas precisamos evitar esse pêndulo que vai de um extremo ao outro — é um atraso de vida.

    Onde quero chegar?

    No aumento dos juros e na reação do campo progressista. Não se trata de estarmos sempre certos, honestos e infalíveis, ignorando ou criminalizando opiniões divergentes. Estamos deixando de ouvir os outros.

    Foi o boicote o único motivo da subida astronômica dos juros? Só isso basta para quebrar a política econômica do atual governo, mesmo sabendo que, em breve, a direção do Banco Central será inteiramente indicada pelo atual governo? A nova diretoria desfará tudo que Campos Neto e sua gestão fizeram? A resposta é não. Não desfará.

    Além disso, o aumento de 1% na Selic, previsto para janeiro, vai acontecer . Aposto. O previsto para março está recomendado, mas não garantido, dependendo de análises mais adiante.

    Se continuarmos surdos ao debate, a frustração com a nova diretoria do Banco Central será inevitável. E, por extensão, com Haddad e Lula também.

    Precisamos entender as razões por trás das medidas duras, sejam elas do BC ou das políticas de contenção orçamentária para cumprir o arcabouço fiscal. É essencial compreender os mecanismos econômicos, superar os limites, enfrentar dificuldades e evitar armadilhas. Fazer o Brasil crescer com soberania, inclusão e distribuição de renda. Esse é o diferencial. Essas são as propostas. Como fazer isso? Varia de tempos em tempos, e ninguém detém o monopólio da verdade, da honestidade ou da razão.

    Quanto aos juros, aguardo as decisões de Trump, que podem agitar o mercado mundial e valorizar o dólar. Para nós, considerando a trajetória em que estávamos, isso seria desastroso sem as medidas preventivas agora.

    Uma pausa estratégica para acumular energia é, neste momento, a decisão mais acertada.

    Sem histeria. Em algumas semanas, saberemos para onde seguir.

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