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Blog do Franco

  • Democracia, essa mania de esquerdista.

    maio 15th, 2018

    O normal na nossa história política, verdade seja dita, é mais ou menos esse monstrengo que aí está.

    Cacetada nos movimentos de protestos e luta por direitos, criminilização de líderes e, até, assassinatos.

    Quem sempre deu valor ao acesso ao poder através de eleições livres foram os do centro, quando convinha, e os da esquerda.

    E, a chegada ao poder de representante de sindicatos é coisa inédita não só por essas bandas, como é fato raríssimo em qualquer lugar.

    De 1964 para cá, após os 21 anos da ditadura, já passamos por eleição para presidente sem direito à reeleição, mudamos o mandato de quatro para cinco anos ainda sem reeleição,depois mandato de quatro anos com reeleição.

    Todas essas mudanças visavam impedir a eleição do candidato do Partido dos Trabalhadores.

    Então, com exceção de Lula e Dilma, todos mudaram as regras para eleição e mandatos presidenciais, através de emendas à Constituição.

    E,essas mudanças aconteceram durante esse breve período  após a ditadura e a após o início de vigência da Constituição de 1988.

    O apreço diminuto por regras fixas eleitorais e constitucionais retornou com o golpe que derrubou Dilma.

    Enquanto um vencedor óbvio não se define a orgia constitucional vigora,na verdade orgias hermenêuticas, no cenário vigente atual onde o neo ativismo do judiciário dá as cartas, até que a rodada seguinte defina quem vai mandar.

    Enquanto nos degladiamos em tons crescentes, o tempo passa e o sofrimento aumenta, desorganizando a economia e e as vidas das pessoas.

    Alguém disse que nossos sonhos estão acorrentados.

    Em Curitiba, acrescento.

     

  • A minha bolha.

    maio 15th, 2018

    A sociedade sempre foi dividida em bolhas.

    Até ontem eu entendia a divisão como mera escala de renda, com extratos definidos a partir do dinheiro ou patrimônio que a pessoa ou a família dispunham.

    A obra do Jessé de Souza explicitou uma impressão que ultrapassavam meu entendimento, ancorada numa impressão pessoal obtida na convivência em espaços públicos, lazer ou cultura, estudo, pratica esportes etc , que tão importante quando a renda era a bagagem do indivíduo, seu patrimônio invisível.

    Que a obra explica bem.

    Esse patrimônio invisível supera o outro, o que é visível em dinheiro e cor de pele, porque excetuando a perspectiva das pessoas grosseiras e racistas,coisas assim, funciona com sutis gestos e escolhas bem delimitadas e rigorosamente praticadas.

    Leia o livro para saber melhor, chama A Elite do Atraso.

    Faço essas observações porque por escolhas eu sempre vivi rompido com meu extrato, minha classe, e sempre preferi o olhar daqueles que fazem avançar a história.

    Minha juventude foi na ditadura e desde cedo entendi que viver dentro desse sistema e reproduzi-lo me traria imensa tristeza e dor.

    E foi, porque nem sempre me foi permitido escolher e precisei seguir o curso de profissão e trabalho duro para sustentar a família.

    Foram 35 anos de trabalho, com todos os altos e baixos que a profissão de engenheiro autônomo exige nesse nosso mundo e no nosso Brasil particularmente.

    Não posso abandonar o exercício dessa profissão, que ainda aprecio, mas decidi seguir paralelamente com uma outra vocação: escrever.

    De início consultei velhos e novos amigos e amigas, que entre educados e solidários me estimulam a tentar.

    E vou fazer isso.

    Não prometo nada, sobretudo para mim mesmo, mas vou teimar nessa tarefa até porque faço com alegria e interesse.

    Convido que me acompanhem, vou devagar porque pretendo seguir firme e tentar ir o mais longe possível.

    E contarei com a ajuda de vocês,uma jornada dessa natureza solitária não faz sentido algum.

    Acho que terá algum valor, veremos.

    Juntos?

  • Largada.

    maio 15th, 2018

    O resultado da pesquisa divulgada ontem, mesmo com a ressalva de não atribuir a ela veracidade incontestável, inaugurou a corrida eleitoral.

    O quadro confirma a situação dramática da estratégia do empate que a prisão e a decisão de Lula em permanecer na disputa provocou.

    Vitorioso com folga em todos os cenários de segundo turno,com possibilidade de vencer ainda no primeiro turno.

    Até aí, tudo sabido.

    A questão em aberto será o que a possibilidade de vitória move no interior do judiciário golpista e cego a essa manifesta decisão da maioria dos brasileiros.

    Até agora a resposta negativa mantém o Brasil de joelhos e projeta um futuro de mais um governo ilegítimo e crise continuada.

    No mínimo.

    Não é ainda razoável ter outra expectativa, por enquanto.

    Mas a verdade é que nosso grande Lula mantém no horizonte elevadas expectativas, e a esperança não morreu.

  • É hoje.

    maio 15th, 2018

    Todo o nervosismo dos últimos dias convergem para o dia de hoje, quando vencem obrigações no valor de 600 bilhões de pesos, que o governo Argentino paga ou rola renovando os títulos.

    Um calote é improvável, mas esse tipo de situação pode provocar atitudes imprevisíveis e deixar todas as cartas sobre a mesa faz parte do roteiro desses desmascarar

    Sobretudo no país do tango.

    É esperar algumas horas mais e saber.

    De certo o valor de 25 pesos por 2 dólar ontem, desvalorização vexaminosa e recorde de 7%.

    Aqui no Brasil equivaleria a uma delação da JBS.

    O governo Macri teria que enfrentar reeleição no próximo ano mas parece que seu governo terminou.

    Daqui pra frente é ladeira a baixo.

    O vizinho Brasil segue com redobrada desconfiança e só não afunda junto por conta das reservas em dólar acumuladas vocês sabem quando.

  • 35 anos .

    maio 14th, 2018

    O Desenvolvimento do nosso país sempre  dependeu das empresas públicas, nosso capitalismo sempre foi incapaz de acumular o suficiente para financiar seu crescimento. Os recursos públicos foram entre nós, mais que preponderantes, praticamente exclusivos nessa tarefa.

    Esse modelo, mais do que de desenvolvimento, mas de subsistência, sustentou a rapina do estado até a ponto de teses identificarem no pratrimonialismo a razão de ser da existência desse estado em simbiose com sua classe dirigente, privada e estatal.

    Sem discordar da tese, porque todos conhecem famílias poderosas e numerosas onde os sobrenomes se confundem com as instituições públicas, mas aprendi na leitura do livro recente do Jessé Souza, que o cimento dessa simbiose é o preconceito e o racismo, nessa aliança vitoriosa no caso brasileiro da eterna guerra dos ricos contra os pobres.

    De toda sorte, esse modelo de subdesenvolvimento ruiu no final da década de 70, iniciando o período de pouco mais de vinte anos de empobrecimento do país.

    Combatido unicamente pelo estado, através de emissão e déficits crescentes que culminaram nos níveis inacreditáveis de 82% de inflação em um único mês.

    Depois de sofrermos toda sorte de experiências em planos mirabolantes de combate à inflação, todos eles sob orientação rigorosa dos bancos internacionais, sobretudo o Banco Mundial e o Fmi, a inflação foi controlada com o suporte no câmbio-déficit-inflação, utilizado em toda a América latina com sucesso.

    Era a época da abertura econômica entre os países, arranjo que sustentou o crescimento das grandes economias e permitiu a China acumular forças para tornar-se o gigante de agora.

    Essas histórias são longas e precisei ao menos dessa introdução para afirmar algumas coisas mais.

    Naturalmente o caminho que o país seguia nos traria o seguinte cenário para os dias de hoje : não mais existiriam bancos públicos, nem previdência, nem sus, nem universidades federais, nem Petrobras, etc.

    O acidente de percurso se chamou Lula e PT, que nesses últimos anos deram um rumo diferente ao nosso desenvolvimento, mas tem agora sua obra em processo de acelerado desmonte.

    Por assim dizer, voltamos no nosso normal  de subdesenvolvidos sem nenhuma expectativa além da subsistência, nesse modelo de concentração brutal de renda nosso velho conhecido.

    Agora, entretanto, agravado e sem os recursos estatais dizimados e em processo de privatização E abandono do capitalismo nacional que restava , vendido a preço vil para estrangeiros.

    Desse arranjo não é difícil prever que o futuro será de choro e ranger de dentes.

    Infelizmente.

     

     

  • Pesquisas.

    maio 14th, 2018

    PMDB e PSDB valem hoje, somados, metade do Bolsonaro que pariram
    – Fernando Brito

    A razão do golpe não deve ser buscada no prometido sucesso econômico, elas ultrapassam as nossas fronteiras e são em última instância a garantia e a coragem de que revestiram-se Aecio, Temer e cia.

    As falas do general e ministro do exército na véspera da decisão do habeas corpus de Lula no STF e outra recente, onde atribui ao estado de São Paulo e sua notável parceria entre empresários e forças armadas – palavras do general – como a base necessária para liderar o norte e nordeste brasileiro ao desenvolvimento, mostram o denodo de quem despreza a vontade popular .

    Todas esses aparentemente desencontrados fatos, uns poucos anos à frente e melhor saberemos sobre isso, a desvantagem de conspirar com os EUA é até um dia eles entregam todos.

    Estamos lidando com uma restauração da política oligárquica paulista em aliança com os norte americanos.

    Um relativo desempenho econômico, todavia, é imprescindível para essa turma.

    A se acreditar nos levantamentos de vários e distintos institutos de pesquisa eleitoral, teremos no segundo turno um petista contra o bolsonaro.

    Discordo daqueles que acreditam na fácil desconstrução do candidato da extrema direita, sua base entre evangélicos e jovens do sexo masculino me parece estável para mantê-lo nos números atuais.

    Parece que o problema está no centro, sem candidaturas viáveis, sem espaços nas duas pontas para avançar.

    Já expliquei porque concordo com a estratégia do PT em manter a candidatura Lula, seu nome garante protagonismo do partido dos trabalhadores e dificilmente algum nome indicado por Lula não passa ao segundo turno, na hipótese de ele próprio for mesmo impedido.

    O MDb com Temer e seu governo é uma espécie de âncora eleitoral daqui em diante e a aceleração dos problemas macroeconômicos na Argentina parecem prenúncio para os nossos.

    Com o tempo aprendemos a fazer leituras e prognósticos razoáveis sobre eleições e essas me parecem caminhar mais uma vez para polarização, só que entre PT e Bolsonaro, que substitui o PSDB.

    Outro engano é imaginar que os eleitores do psdb não irão votar em bolsonaro, eles o farão com gosto, porque muitos votam também contra o PT.

    Daqui até as eleições o tempo voa e alguma coisa ainda pode mudar, alguma coisa, muita não.

  • Europa.

    maio 14th, 2018

    Parece que os europeus, ao menos os alemães, estão se dando conta que todas as bombas desse mundo terão que, antes de chegar a algum outro destino, voar sobre suas cabeças.

    As pressões sobre o Irã, após abandonados todos os tratados sobre uso nuclear por parte dos americanos, parecem servir também para os europeus que ameaçarem tentar manter os acordos em pé.

    O jogo duro americano não é feito às escondidas, em conversas reservadas, é jogado às claras, usando a opinião pública mantida sempre em stress.

    Essa mesma tática arruinou os países do médio oriente, pressionam a Venezuela, tentam o mesmo na Rússia que até aqui resiste, na Turquia e no Brasil.

    Chamam de doutrina do choque, que consiste em executar o maior e mais desconcertante número de decisões destrutivas de uma só vez, desnorteando a oposição que eventualmente surgiria.

    Maquiavel já ensinava que o mal deveria ser todo feito de uma só vez, enquanto o bem aos poucos.

    Parece que na atual quadra dos acontecimentos só leram a primeira parte dos manuais do espertíssimo conselheiro dos Reis da idade média.

  • Mortalidade infantil.

    maio 14th, 2018

    A divulgação do índice de 2016 de aumento de 11% nos óbitos de crianças com 1 a 4 anos, óbitos evitáveis, objeto exclusivo dessa pesquisa, nos coloca na situação de alerta total quanto ao tipo de país que estamos construindo e para quê.

    Para quem já sabemos.

    Os números divulgados empilham vidas desperdiçadas que se somam ao escândaloso índice de assassinatos dos pretos dos pobres.

    E das putas e travestis. A média de vida dos travestis no Brasil é de 35 anos.

    A guerra mais mortífera do mundo é aqui no Brasil. Dos ricos e remediados contra os pobres.

    Anexei acima o gráfico das mortes evitáveis para análise, não deixam dúvidas da fragilidade social em que vivemos os brasileiros e como tragicamente nos afetam os rumos de nossa economia e a ação interessada ou de abandono dos governos.

    Quando divulgados os números acima, os pesquisadores já adiantam que os de 2017 serão piores.

    Então, da nossa consciência adormecida no costume com o convívio da miséria, mesmo no soluço dos últimos anos que mostraram que poderíamos ser e fazer diferente, escolhemos não ser e não fazer.

    Preferimos dizer que cuidamos das nossas vidas.

    Mas não é isso que fazemos, sujamos nossas mãos de sangue enquanto insistimos em dizê-las limpas.

    A pergunta permanece : até quando?

  • Uber.

    maio 14th, 2018

    Ninguém simboliza melhor esse modelo econômico excludente do que a plataforma do Uber.

    A relação de trabalho e de exploração é levada ao extremo, porque finge transferir o poder de decisão laboral ao empregado.

    A garimpagem global permite que em qualquer tempo e lugar as crises cíclicas forneçam a mão de obra infinita para manutenção do sistema.

    A regulamentação dos países e cidades também não oferecem ameaça, sujeitas a pressões das necessidades dos próprios explorados em busca de uma oportunidade qualquer de trabalho e ganho.

    O trabalho precário que o mundo nunca conseguiu superar, alimentado em estimados 2 bilhões de pessoas disponíveis , superexcedente de necessitados e carentes de renda mínima que seja.

    O mecanismo injusto que mantém funcionando sistemas econômicos de governos de faz de conta e as ilusões da prosperidade que nunca chegam, ainda mais uma vez ou outra serão desafiados até que se resolvam essas pendências, ou continue a girar essa roda em sua eterna imutabilidade.

    Até lá, ou até nunca, os modelos do precário, do injusto, do provisório, governam esse mundo.

  • Ilusões perdidas.

    maio 14th, 2018

    Você já ouviu falar do curalito, que funcionava na Argentina?

    Pesquise.

    As previsões de crescimento da economia brasileira estão se dissolvendo em areia, com a dura realidade do desemprego e a incapacidade de retomada de crescimento.

    O banco Itaú estimou em 2% o crescimento do pib esse ano , até ontem eram 3%.

    Alguém ouviu falar de consumo nesse dia das mães?

    Falamos de tudo um pouco mas quem observa a paisagem leva um choque: para onde vamos?

    Não é difícil prever, porque é como um filme de tempo passado que julgava-mos esquecido e distante.

    O nosso esforço de vidas foram gastas na tentativa de exorcizar esses mesmos demônios que insistem em atazanar as gerações de brasileiros.

    Como nada está e nem vai ser feito para mudar esses destino conhecido, que cada vez mais nos espera, sem fatalismos e sem ilusões, porque assim desejam os que nos mandam.

    E nós, nem só incapazes, mas concordando.

    O curalito é aqui, nesse imenso bananal de bananas de pijamas.

    Espere e verás.

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