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Blog do Franco

  • Após a farsa a tragédia.

    junho 10th, 2018

    Pesquisa após pesquisa, de diferentes institutos e métodos, repetem o cenário com Lula vitorioso.

    À medida que avançamos os dias aproximando das eleições a dramaticidade da situação transborda dos acordos e alianças para as ruas, na decisão que cada um de nós terá que tomar brevemente.

    Os partidos políticos e seus candidatos já vivem esse turbilhão, na necessidade de formarem suas estratégias, escolherem candidatos, formarem maioria, somar tempo de televisão, firmarem compromissos, tudo isso dentro dessa incerteza que não é menor, ao contrário, gigantesca.

    A presença do ex presidente decide a eleição em muitos estados, elege deputados e senadores, faz e desfaz maiorias, estabiliza alianças.

    A tentativa do PSDB e Mdb de formarem uma aliança viável explodiu com o fracasso miserável do desgoverno Temer, levando os principais nomes desses partidos para fora das principais disputas.

    Mas o grande drama permanece na definição da presidência, que no nosso sistema de poder significa muito, muita mais do que seria desejável.

    Enquanto não conseguimos impor uma sociedade mais participativa e influente, dependemos da escolha coletiva nas eleições, sobretudo presidenciais.

    E aí nosso drama me parece quase certo, mesmo na hipótese de elegermos um candidato escolhido por Lula.

    A hipótese de sua ausência indica que caminhamos inexorável para uma grande farsa.

    Farsa que, sabemos, antecede uma tragédia.

  • O porco de Herodes, o Grande.

    junho 9th, 2018

    Herodes era um Idumeu de nascença que foi alçado a rei dos judeus por sua aliança com os romanos.

    Na verdade, o nome correto para a posição do monarca era de rei-cliente, pois entre suas atribuições principais figurava o fornecimento de mercadorias e ouro a Roma, em troca da sua coroa.

    O exército romano garantia a paz e a segurança das rotas comerciais e das cidades.

    Um grande exército ficava de prontidão em Damasco , tinha como símbolo de seu estandarte um porco, cuja imagem servia como desafio ao povo da Judéia e seus líderes religiosos que orientavam a dieta prescrita do Pentateuco, sobretudo o Levítico, que expressamente proibia o consumo da carne de origem suína, porcos, entre outras dezenas de proibições.

    Herodes foi o grande rei da Judéia, o maior, mais rico e poderoso de todos os tempos, infinitamente superior a David e Salomão, e também de Acab outro grande construtor e administrador, marido da maldita Jezabel.

    Construiu seu templo, o terceiro templo , na capital Jerusalém na obra que durou cerca de 50 anos.

    Uma passagem dos evangelhos sugere que Jesus e o templo teriam a mesma idade, cerca de 50 anos, mas não te conto em que passagem.

    Herodes, a exemplo dos Reis de todos os tempos e lugares, construía suas alianças com casamentos, no seu caso, múltiplos, onde sedimentava o seu poder.

    E de onde as mais terríveis ameaças surgiam.

    Por conta de uma possível conspiração envolvendo uma de suas mulheres e dois de seus filhos, não teve dúvidas em resolver a questão assassinando os dois filhos.

    Esse episódio histórico parece ter servido de pano de fundo para o outro que contam os evangelhos, da matança dos primogênitos da Judéia supostamente na tentativa de eliminar o rival Jesus. Essa matança não consta das narrativas dos romanos da mesma época e nem dos da Judéia, diferente do assassinato dos seus filhos que ficou registrada nas crônicas dos romanos.

    Por conta desse episódio uma piada circulava por Roma : é melhor nascer como um porco do que um filho de Rei, na corte de Herodes.

  • Looping.

    junho 8th, 2018

    A nossa vizinha Argentina a essa altura já esgotou suas reservas em dólares e conseguiu US50 bi emprestados com o Fundo Monetário Internacional, permitindo aos investidores estrangeiros saírem do seu mercado com garantia de recebimento.

    É para isso que servem esses empréstimos, estabilizar o mercado e abrindo caminho para uma saída com a menor turbulência possível, uma espécie de retirada estratégica deixando os escombros para os derrotados de sempre nessas guerras econômicas.

    Os ajustes nessas horas ajustam os ajustes anteriores, preparando o país para os ajustes futuros.

    Cada nova rodada desses ajustes agravam a situação anterior, reequilibrando a economia em arranjos cada vez mais instáveis, num looping decrescente infernal, até a derrocada definitiva.

    Nesse momento quando o edifício de vidro desfaz-se no ar, os responsáveis pelos anos de ganhos estratosféricos com juros dessas dívidas crescentes já estão longe, com seus dólares nos bolsos.

    É quando os governos desses países quebrados repassam o mico para seu mercado doméstico com inflação e juros descontrolados e moratórias das dívidas públicas em moeda nacional.

    Esse roteiro já está passando ao vivo e a cores na Argentina e em pré temporada no Brasil, com volatilidade provocada pelo aumento dos juros nos EUA, a inevitável valorização do dólar aqui no país, a queima das reservas para levar o câmbio a níveis artificiais e assim até esgotarem por completo os bilhões guardados nos governos de Lula e Dilma.

    Com reservas suficientes para manterem o jogo por alguns meses, concluírem o atual estágio de liquidação nacional e a emergência futura de um novo governo em vias da insolvência.

    É isso aí.

  • As reservas do Brasil.

    junho 8th, 2018

    Nosso presidente do Banco Central garante na entrevista no telejornal tranquilidade aos brasileiros quanto à taxa de câmbio, afirmando que nossas reservas em dólar são mais do que suficientes para enfrentar esse momento de turbulência.

    Turbulência provocada por uma expectativa de aumento das taxas de juros nos EUA, em um movimento de deslocamento dos especuladores em todo o mundo, movimento de retorno dessas fortunas aplicadas em países chamados emergentes – alguns, como nós, submergentes – para reaplicar nos títulos americanos.

    O movimento desse retorno provoca valorização da moeda americana e sua falta no interior,por excesso de demanda ,dos países com pouca reserva para bancar a procura.

    O que é um mecanismo simples, previsível e conhecido, acaba por desorganizar a economia de um país que não conseguir suprir essa demanda interna por dólares, casos da Argentina e Turquia por esses dias.

    A Argentina assinou ontem um empréstimo de US$ 50 bi, para tentar conter o que chamamos de ataque especulativo do Peso Argentino, dessas fortunas fugindo de lá.

    Esse empréstimo representa o maior já concretizado na história do país, exibindo o tamanho da encrenca em que se meteram os irmãos vizinhos.

    Aqui, no nosso Brasil varonil, uma única coisa não permitiu, até agora, um ataque espelativo semelhante contra a nossa moeda – a desvalorização da nossa moeda esses dias ainda é quase nada diante desses ataques – por conta dos US$ 380 bi que os governos Lula e Dilma nos deixaram depositamos nos cofres.

    E, lembro, quando esse acúmulo totalmente inédito na história do nosso sempre endividado país, foi sendo formado nos governos do Lula e Dilma, não foram poucas as críticas desses aí que agora se socorrem dessa reserva para salvarem, total e completamento, os pescoços.

    Sem esse dinheiro, estaríamos a essa altura falidos.

    O Banco Central administra essa demanda por dólares através de mecanismos de contratos de vendas futuras, a dificuldade crescente de conter a valorização do dólar, entretanto, sugere que a venda à vista da moeda americana deverá começar a acontecer nos próximos dias.

    Assim fazendo a contenção por atendimento dessa demanda produzirá certamente controle no câmbio, às custas, como dissemos, da queima de recursos guardados.

    Evidente que esses recursos não são infinitos, suficientes, suponho, para esperar a posse do novo presidente.

    Que espero que seja o nosso Lula.

  • Diálogos.

    junho 7th, 2018

    Meu amigo inglês falava um português perfeito, professor de história em Cambridge e vindo de uma cultura oral, tinha enorme facilidade de aprender línguas.

    Embora nascido em Londres, era de família russa de onde dizia herdar esse dom de facilmente aprender o português, ou uma outra qualquer,eventualmente, ele dizia que os ingleses mesmos , da ilha, eram incapazes de aprender bem uma língua estrangeira. Não posso dizer até onde isso seria uma verdade, enfim, o fato era que ele falava e entendia a nossa língua.

    Isso, entretanto, até ele me conhecer e passar a participar de conversas entre mineiros, que em silêncios e frases soltas, aparentemente perdidas no nada, desconexadas, em frases sutis, alguns olhares e expressões fisionômicas e do corpo, resolvíamos nossas questões.

    Quando em dado momento eu sentenciava definitivo que o assunto estava resolvido e poderíamos encerrar a discussão, meu amigo se desesperava, com as mãos na cabeça me olhava atônico e perguntava o que havia sido resolvido porque ele não ouviu nenhuma conversa e era impossível que alguma coisa foi dita ou entendida naquela hora.

    Muito menos resolvida.

    Eu e todos sorriamos complacentes e eu prometia a ele que depois eu explicava.

    Acho que ele espera até hoje por essas explicações.

    Mais uma dessas diferenças culturais que me aconteceu foi quando eu estava em Lisboa e precisava encontrar uma direção para pegar taxi ou metrô para ir ao aeroporto, quando vi um guarda uniformizado na rua não tive dúvidas e perguntei : – eu gostaria de ir para o aeroporto?!

    O guarda espantado deu de ombros e respondeu : – pois vá!

  • Para que vou descer.

    junho 7th, 2018

    Assim como você, dependo da conjuntura para sobreviver, a vida ensina que ninguém é uma ilha.

    Por mais que a gente queira.

    Então, por hábito e necessidade acompanho com interesse , e uma lupa, os sinais da economia brasileira, tentando descobrir pra onde caminhamos.

    Já a algum tempo anuncio o descalabro do desgoverno e a esta altura o desastre, além de percebido por todos, a todos ameaça.

    Me permitam ainda algumas coisas que precisam ser ditas, não para evitar o que já é inevitável, mas prevenir.

    A previsão para o crescimento do pib para o ano já está abaixo de 1%, o dólar acima de 5 e a subida dos juros é inevitável com a inflação do dólar.

    Fora a fuga de capitais.

    Da política falo em todos os meus outros textos e os poupo nesse.

    Barbas de molho, muita solidariedade e coletivos para aguentar o tranco.

    Agir junto, paciência e amor.

    Ouvir mais, muito mais, agir com prudência e sem correr riscos além dos imprescindíveis.

    Paz!

    Desejo te encontrar do outro lado, faremos a dura travessia.

    É o que o tempo vai exigir de cada um de nós.

  • Fake dói.

    junho 6th, 2018

    De volta a minas, nas movimentadas ruas de belzonte, ouvindo os sotaques do interior que é essa grande metrópole.

    Belzonte não passa de uma roça, dizem.

    Me lembrei quando me mudei para cá em 1974 , vindo de Curitiba onde passei a minha infância.

    A mudança foi repentina, por urgência do pai que precisava assumir cargo no banco do estado. Por conta da necessidade a mudança foi no meio do ano e a chegada na nova escola foi um acontecimento na minha vida.

    Sai do Colégio Senhor Bom Jesus de Curitiba, administrado pela família Arns, e fui parar no Instituto de Educação, escola estadual.

    De lá tenho as melhores recordações, aliás, de todas as escolas onde estudei.

    Mas meu primeiro dia me reservou um choque que ainda recordo vivamente, acontecido assim que entramos na sala e nos dirigimos às carteiras, procurei me ajeitar rápido e o mais discreto possível quando fui fulminado pelo colega do banco da frente, me encarou sorrindo e educadamente pediu : – arreda a sua carteira pra lá um pouquinho!

    E eu, imóvel, pensando o que esse menino me pediu para fazer?

    O que diabos poderia significar tal palavra, arreda?

    Em seguida descobri o significado do singelo pedido e desde então guardei para arreda o título da palavra mais feia da língua portuguesa.

    Em, minas, além da palavra mais feia, e me perdoem os simpáticos moradores, está localizada a cidade mais feia do mundo : Manhuaçu.

    Mas outro dia eu explico porque eu acho.

  • Um elefante chamado Confins.

    junho 5th, 2018

    O aeroporto que serve a grande Belo Horizonte fica situado na cidade de Confins, a uns 35 km do centro da capital mineira.

    Foi construído na época da ditadura militar e durante décadas ficou conhecido por ser um elefante branco, distante e completamente abandonado e vazio.

    Assim permaneceu até que Lula transformasse o trambolho em uma rodoviária, daquelas lotadas, e uma ampliação precisou ser feita, tornando o elefante em um aeroporto extraordinário, moderno, vibrante, cheio de gente.

    Isso, evidente, foi a alguns anos atrás, e eu que acabo de chegar em BH me deparo com cenas da minha juventude e reencontro o velho elefante branco.

    Vazio, tristinho, inseguro quanto ao seu futuro, aguardando na sombra um destino que julgava esquecido.

    O velho elefante reencontrou sua sina, de vagar solitário nas montanhas de minas.

    O Brasil é isso aí minha gente, e voltou .

    Para ficar?

  • Os ricos do norte não movem moinhos.

    junho 4th, 2018

    A maioria dos gringos que vieram ao Brasil e tiveram o desprazer de cruzar comigo ouviram a minha pergunta predileta e fatal : vocês têm noção que a riqueza de vocês é o motivo da miséria do resto do mundo?

    Evidente que estou dialogando com europeus e norte americanos.

    Já conheci um namorado americano de uma amiga que chegou ao Brasil com 30 pares de tênis; nesse caso dinheiro e idiotice somados.

    Geralmente a reação dos gringos diante da minha pergunta é de constrangimento, a maioria entende minha pergunta.

    Talvez esse mecanismo de defesa de consciência que desenvolvemos para viver nesse mundo – nós ignorando a miséria interna e suas causas, eles ignorando a miséria externa – no fundo funcionem igual para todos.

    É provável, afastar esses incômodos da mente nos ajudam a viver.

    O mesmo saque que fazemos no nosso país em forma de acúmulo de capital financeiro, juros altíssimos para os poucos que tem dinheiro para aplicar, imposto só para os assalariados, salário de fone, proteção legal ao patrão, fora o racismo, misóginia e violência contra os pobres.

    No front externo somos vítimas desses mesmo males, mais os saques das riquezas naturais, por parte das potências mundiais.

    Mesmo sendo a nossa economia uma das maiores e mais diversificadas e importantes do mundo, nossa influência é muito pequena e frequentemente ignorada.

    E, cá entre nós, num momento como o que estamos vivendo, é preciso concordar com os gringos e ignorar essa turma aí é o certo a fazer.

    Concluo com uma observação sobre a reforma de ensino em andamento, nos moldes americanos e ingleses, que retiram matérias como história, geografia, filosofia das obrigatórias , passando a repetir padrão anglo saxão de formar idiotas.

    Sim, meus amigos, o nível dos estudantes americanos e ingleses é de idiotas, especializados, mas idiotas.

    Ou você acha que estamos assistindo o aparecimento de jovens defendendo que o nosso planeta é plano por acaso?

    Não é só um fenômeno religioso,tem uma base de programada e planejada ignorância aí.

    E do pior tipo, a ignorância dos arrogante.

    Nos roubar e ainda nos culpam por sermos pobres.

    Teriam razão?

    Afinal, nada fazemos para nos livrarmos deles.

  • Guerra?

    junho 4th, 2018

    Alguns prenúncios soturnos e prognósticos idem assombram nosso Brasil varonil na véspera de decisivas eleições.

    Nenhum clamor popular é esperado e enquanto caminhamos aparentemente como gado para as urnas, algo estranho parece tremer sob os nossos pés.

    Claro está que mesmo um movimento difuso, de motivações embaralhadas, sem lideranças, e talvez por isso mesmo, encontre apoio quando propõem-se a enfrentar o descalabro da carestia e o abandono geral a própria sorte.

    O que não parece encontrar apoio, ao contrário, é o exercício da política e os políticos sobretudo.

    Só consigo enxergar apoio a novatos, tímidos e limitados a grupos de alguma espécie de atuação,de movimentos e de resto o marasmo , desencanto e apatia.

    Os resultados das eleições de ontem não podem deixar nenhuma dúvida, quando mais de 50% dos cidadãos preferem não escolher ninguém, a encrenca futura é líquida e certa.

    Não bastam comparações com países da Europa e EUA, os europeus convivem com grandes abstenções por conta da flexibilidade do parlamentarismo de minoria e nos EUA ninguém liga pra eleger democrata ou republicano, pois não distinguem mais um do outro.

    Não quero dizer que defendo o parlamentarismo, longe disso, com esse Congresso aí a nossa esperança reside apenas na vitória de um candidato forte à presidência, jamais nesses parlamentares de fancaria.

    O que nos remete a uma provável crise no futuro breve, digamos, dois anos.

    O tempo, após as próximas eleições, para a certeza da certeza da incapacidade do próximo presidente de superar a crise ficar novamente claro, e as esperanças novamente ruirem.

    Como é provável develegermos um candidato a presidente daqui a alguns meses, com soma de votos brancos, nulos e abstenções próximos a 50%, o futuro presidente não passará de um
    Pato manco e incapaz de superar os enormes desafios.

    A provável ausência de Lula sela esse destino, mesmo com vitória de um indicado por ele, penso.

    Não por outro motivo, concluo, tanto esforço foi e é feito para afastá-lo do retorno ao poder, fazem para enfraquecer a força do diálogo, inviabilizar a via política, reforçar a aposta no imponderavel e no caos.

    Meus amigos e amigas, é isso, nosso futuro será um caos, teremos que enfrentar essa travessia inevitável.

    Se sairemos dela, se mais fortes ou mais fracos, se vivos ou mortos, o futuro dirá.

    Já não existe mais espaço para evitar, contudo, esse embate.

    Pois que venha, boa sorte a todos nós.

    Vamos precisar.

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