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Blog do Franco

  • A valsa da Unasul.

    maio 30th, 2023

    Quem viaja pela Europa passa de um pais para outro sem perceber, pode ser de ônibus ou carro, os países estão totalmente interligados.

    E isso apesar de obstáculos geográficos importantes, cordilheiras, rios, vales, nada impede a integração.

    Nem o histórico de animosidades e guerras.

    Nós aqui na América Latina somos desligados uns dos outros, quanto ao Brasil e suas fronteiras com praticamente todos os demais países do continente, as ligações ou são precárias e poucas, ou nem existem.

    Temos os mesmo desafios geográficos, enormes distâncias, pantanal, florestas, rios e cordilheira, não tivemos tantas guerras entre nós, nenhuma recente, mesmo assim permanecemos desconectados.

    A UNASUL surgiu nesse contexto, num certo momento da história quando uma certa afinidade ideológica prevaleceu e alinhou expectativas de maior unidade, o modelo de união europeia parecia um ideal a seguir.

    Nada disso prosseguiu, a vida da Unasul foi atribulada, a desunião prevaleceu e os abismos ideológicos entre os governos nas renovações eleitorais em seus países praticamente dizimou a ideia.

    Lula esta tentando recriar o grupo, diversos países retornam e a afinidade ideológica anterior não existe mais, os 11 presidentes que estarão reunidos não são mais convergentes nesse aspecto.

    O que torna essa iniciativa em novidade e que pode, exatamente porque procura agir pragmaticamente e somando interesses, prosperar.

    A frente ampla Lulista no campo internacional pode trazer uma boa novidade.

  • O BC e a reeleição perdida.

    maio 30th, 2023

    O ativismo do atual presidente do Banco Central, Campo Neto, herança do ex presidente derrotado e herança da autonomia da autarquia imposta pelo mercado, ativismo que nos obriga a ouvir e ver praticamente todos os dias a presença desse senhor distribuindo conselhos e fazendo a defesa de sua nefasta política dos maiores juros do mundo.

    Mas não foi sempre assim.

    E, tirando suas opiniões nos grupos de whatsapp e que vazaram, com animadas manifestações de apoio a reeleição do derrotado, além de análises furadas de pesquisas de opinião – também pra isso ele não serve – e otimismo quanto a vitória eleitoral de seu grupo político – que foi derrotado – a verdade é que essa disposição de expor seu pensamento não foi comum no passado recente.

    Pior, a atuação do Banco Central sob o seu comando também não agiu para cumprir uma tarefa básica da rotina de fiscalização dos bancos, deixando que a Caixa Econômica Federal servisse de instrumento privilegiado para a descarada compra de votos.

    E depois da mudança de governo e toda essa presença midiática forçada para segurar sua política nefasta dos maiores juros do mundo, Campos Neto e seu Banco Central continuou omisso quanto ao derrame de dinheiro que promoveram na CEF e que deixou um rombo ainda por ser melhor revelado, mas que superam R$ 10 bilhões.

    A CEF no desespero bolsonarista da reeleição, decidiu emprestar dinheiro sem lastro e sem critérios, a torto e a direita, literalmente, e agora os números da inadimplência beiram 80% e esse dinheiro esta perdido.

    O Banco Central e Campos Neto além de participarem do esforço da reeleição, ignorou a fiscalização dos Bancos públicos e privados que seria a principal obrigação funcional e nem depois desses meses todos revelou esse desastre na CEF, quem fez a denúncia foi o Jornal Folha de São Paulo.

    Quanto a essa questão dos juros, porque parece inexplicável que um ativista engajado da reeleição deixasse esses números chegarem a níveis tão altos, e fica a dúvida porque Campos Neto seguiu nessa loucura e aumentou tanto os juros.

    E lembro dos discursos de Guedes, que no segundo ano do desgoverno anterior dizia que havia chegado a hora dos juros baixos e do dólar alto, pretendia com isso um programa de ingresso de investimentos externos no Brasil, que nunca conseguiu.

    Mas o BC fez seu jogo e os juros foram abaixados a pouco mais de 2%, números inéditos.

    Com o fracasso da iniciativa e com a inflação das commodities e do combustível atrelados ao preço do dólar ameaçando a reeleição, a política do desgoverno mudou e o aumento dos juros passou a ser prioridade, para a baile da única e verdadeira Valsa Brasileira, sobem os juros e abaixam o dólar e vice versa.

    E o BC entrou novamente no jogo e elevou os juros para a lua.

    Por isso chegamos nesses números absurdos, porque o Banco Central do Campos atuou o tempo todo em sintonia com as decisões do desgoverno derrotado e diminuiu e aumentou os juros, em números extremados e em curtíssimo prazo, mostrando seu empenho na tarefa.

    Tudo o que não faz hoje, ao contrário, procura reafirmar políticas derrotadas na eleição, alega isenção e decisão técnica, que é uma mentira , e no fundo procura mesmo é boicotar o atual governo.

    E nem para fiscalizar os bancos e atuação criminosa e contrária as práticas honestas e equilibradas, servia.

    Não servia para nada e agora serve para atrapalhar.

  • Caindo de Maduro.

    maio 29th, 2023

    O presidente Venezuelano está no Brasil, segundo acabou de dizer fazem cinco anos que os dois países não conversam.

    Durante décadas o bicho papão latino americano era Cuba e seus comunistas revolucionários, esse papel foi cedido nos últimos anos a Venezuela de Hugo Chaves.

    Ditaduras, não tem eleição, etc, tem esses argumentos, mas não dá pra julgar processos históricos de outros países adotando fórmulas de outros, cada um deve ter sua história e seus processos internos respeitados .

    Não tem um melhor do que o outro, um mais avançado do que o outro, são comparações entre processos distintos, incomparáveis portanto.

    Mas conto uma história, muito particular, penso .

    Os EUA após a tomada do poder na Venezuela por Hugo Chaves passou a fazer o país de fantasma primordial nas Américas, como sugeri, e tome sanções, cercos, boicotes e tentativas de golpes e assassinatos.

    Na mesma base que fizeram com Cuba e com os mesmos resultados nulos.

    Assim foi com a Venezuela, mas o petróleo venezuelano os EUA continuaram a consumir até….que o Brasil descobriu o presal, o nosso presal provocou uma mudança e radicalizou o cerco econômico dos EUA na Venezuela, exatamente porque nosso petróleo poderia suprir a eventual falta do petróleo venezuelano .

    Esse cerco provocou graves carências na vida do povo venezuelano, nesse país tão pouco industrializado e sem divisas após os embargos, que chegaram a confiscar ouro e dinheiro depositado em bancos em países ocidentais .

    A sorte da Venezuela seguia assim até….que a guerra Ucrânia e Rússia começou, e ai a necessidade prioritária de boicote passou a ser o petróleo russo e onde buscar suprir essa nova carência mundial?

    Exatamente, na Venezuela que agora está negociando termos de trocas comerciais mais brandas com os EUA e demais países desenvolvidos.

    O que mudou na Venezuela para essa mudança acontecer?

    Nada, mudou a oferta de petróleo no mundo, reduzido com a guerra.

    E democracia, eleições, liberdade etc?

    Fica para depois, parece, quando a oferta de petróleo normalizar, talvez.

    Então é isso, nosso Lula não entra nessas narrativas mirabolantes e hipócritas dos países desenvolvidos, respeita a história de cada país e sua autonomia, enquanto trabalha pela promoção de paz e do progresso comum.

    Nessas histórias só cai quem não é Maduro.

    Literalmente.

  • Presidencialismo de coalizão não morreu.

    maio 29th, 2023

    Algumas palavras sobre esse tremor da semana passada, nessa relação Parlamento e Executivo, porque ficamos na dúvida sobre a natureza dos ataques e seus desdobramentos futuros.

    Não dá pra simplificar estarmos lidando com uma disputa de orçamento, é isso mas é mais que isso.

    E embora pareça agudizar nos tempos atuais, essa tensão tem sido frequente na relação entre os poderes legislativo e executivo no pós 1988 com a promulgação da Constituição.

    Antes não tínhamos, era uma ditadura militar.

    Não vamos nos ocupar do passado, só o presente já nos oferece material suficiente de reflexão.

    E onde estamos?

    Disputando o poder, respondo.

    Nossa eleição foi muito disputada, o ambiente da disputa está espelhado nos tribunais e CPMI , a influência das novas mídias e como elas favorecem um discurso de ódio e preconceitos, fascista, esta por ser melhor compreendido, mas já é fenômeno mundial.

    Na Espanha a direita, ainda não a extrema direita, mas a direita ganhou a eleição municipal.

    E por aqui podemos dizer o mesmo, que a direita ganhou a eleição das Câmaras federais e estaduais, de onde deriva todo esse problema na relação institucional.

    O projeto do executivo derrotado, a essa altura, passaria por aprofundar o regime autoritário, impondo limites aos demais poderes e aprovando regras de liberalização total, atropelando todas as iniciativas civilizadas conquistadas até aqui.

    Uma horda de bárbaros estaria no governo invadindo os demais poderes sem respeitar regras nem limites, esse o cenário imaginado.

    Flavio Dino imagina-se em um exílio nessa hipótese.

    Não aconteceu, mas o parceiro da empreitada está inteirinho na Câmara meio desorientado ainda e disputando a herança do bolsonarismo soçobrante. E para isso precisam manter aquela fama de mau.

    Os terços da divisão interna da Câmara não tem limites definidos, na votação do novo Arcabouço Fiscal o PSOL votou contra e parte do PL votou a favor.

    E a convivência promete ser essa daqui para a frente, melhorando ou piorando na mesma proporção do êxito ou fracasso do governo, seguindo a tendência de sua popularidade.

    Me lembro quando o PT ganhou suas primeira Prefeituras, Vitória no ES, depois BH em Minas, as primeiras medidas eram para repor perdas salariais do funcionalismo municipal, defasados em 30,40 até 50%, e essas iniciativas heroicas comprometeram as administrações seriamente, no caso de BH ainda teve sobrevida, Vitória amargou um fracasso.

    Então, quero dizer, que nem toda disputa política é definitiva , nenhuma decisão é totalmente acertada, ninguém tem o monopólio das soluções.

    Na Câmara, em que pese o conservadorismo, tem muita sabedoria acumulada e por lá no meio de 513 deputados a coisa pega pra todo lado, vale a pena então discutir e encontrar caminhos.

    O perde e ganha nem sempre é certo, nem sempre é evidente, precisa de um tempo para amadurecer.

    E são apostas, algumas mais fundamentadas e corretas, outras armadilhas, outras negociatas, outras obstáculos que deliberadamente inventam.

    Por isso a nossa escolha no presidente Lula, ninguém como ele domina a arte da negociação e de abertura de caminhos e sua arte ultrapassa nossas fronteiras.

    Essa a minha aposta, acreditar e acompanhar essas negociações esticando um pouco o olhar, de fato o presidencialismo de coalizão não morreu, mas querem mata-lo e isso não é bom.

    De jeito nenhum.

  • Climatempo.

    maio 29th, 2023

    A semana cheia pode servir de termômetro e medir a temperatura dos embates e decisões aguardadas para os próximos dias.

    Tancredo dizia que política é como uma nuvem no céu, cada vez que você olha ela esta numa posição diferente.

    E isso fora as chuvas e trovoadas.

    Temos as CPMI CPI e votações de convocações, temos a votação do marco legal das terras indígenas no STF e na Câmara, temos as MPs relatadas de forma a contrariar o governo, temos a indicação de novo ministro do STF, e cada um desses fatos confirmados ou não provocam desdobramentos em direções opostas.

    Temos importante encontro de presidentes Latinos Americanos, Maduro incluído, que deve ferver a agenda lotada, nesse esforço do presidente Lula de integração externa comercial e política e que exerce influência difícil de medir por enquanto, ou seja, mantem a nuvem em movimento.

    Mas um tema que preocupa e que inicialmente deixou o governo desnorteado, foi o relator propor mudanças na MP que organizou a administração do novo governo, alterarando decisões anteriores e em pleno funcionamento.

    E propôs mudanças no meio ambiente, Abin e demarcação de terras indígenas , todas essas modificações alterando organograma existente sem nenhum motivo declarado, quase uma provocação de fato.

    Inicialmente o governo aparentou aceitar a nova redação, aos poucos e sobretudo por conta da reação de Marina contra as mudanças propostas, a temperatura do inconformismo aumentou.

    E segue aumentando, e quem agora permanece em silêncio é a Câmara e os promotores das mudanças pretendidas.

    A disposição do governo de enfrentar a situação é outra, deixando a solução para esse impasse em suspense, a judicialização também esta no horizonte sem que me pareça a solução ideal.

    Todas as outras demandas da agenda prometem mexer com a temperatura e com a nuvem da política que deverá se mover freneticamente durante a semana.

    Por isso manter o horizonte livre e observar, muitas e importantes lições serão aprendidas.

    Dessa vez não vou arriscar uma opinião, temos muitas e diferentes camadas sobrepostas e somente depois de descascar algumas será possível saber para onde os ventos e a nuvem caminham.

    ( Cá entre nós : governo e Câmara entram em acordo, Marina recupera as atribuições e Guajajara perde, mas faz acordo com Dino e mantém a influência na demarcação de terras . Alguns anéis vão, ficam outros e os dedos intactos e lembremos que tudo depois vai para o Senado que está por se provar. )

  • Baile de Máscaras

    maio 28th, 2023

    Parecem haver dúvidas quanto ao momento vivido entre as relações do Congresso com o executivo, com o governo Lula especificamente , quando na mesma semana em que aprova a tão aguardada nova Âncora Fiscal com votação expressiva, recebe contra si aprovação de urgência de projeto que pretende reorganizar a administração do governo em áreas sensíveis como meio ambiente e Abin.

    Vale observar que essa ideia de votar urgência, evitando passar pelas comissões da casa, esta cada vez mais banalizada e se por um lado reforça a presidência da casa legislativa, enfraquece a atividade individual parlamentar. Esse tipo de atalho parece agradar todo mundo, mas não é assim, acumula tensões que podem desaguar mais a frente.

    Enquanto o jogo inicia, segundo palavras do presidente comentando essa iniciativa do congresso contra seu arranjo administrativo, no sentido de disputa entre poderes, fica a pergunta do que exatamente estão disputando.

    A primeira e evidente resposta seria o orçamento, quanto e para quem os bilhões do orçamento seriam encaminhados, e, sobretudo, por quem.

    Ai entre aquela história de emendas secretas de decisão da mesa da Câmara, concentrada no presidente Lira. Esse ponto está superado por decisão do STF, restando a Câmara avançar sobre o orçamento de forma institucional e transparente.

    E quem liberaria os recursos, porque o Ministro Padilha a principio ficou encarregado da função e o parlamento não quer engolir essa atribuição retirada e a quer de volta.

    Mas essa disputa por recursos é a primeira camada do jogo.

    Dos 513 deputados federais, agora dizem que o governo consegue além dos 130 de sua base original eleitos, mais 60 de partidos distintos fidelizados, totalizando 190. O partido do ex presidente, que já esta dividido também, mas vá lá, não esta em nenhuma federação e segue solitário, mais próximo de PP e Novo na oposição. Somados dariam uns 150. Então de 513 temos 190 de um lado e 150 de outro, sobrando 173.

    Que seriam aquele propensos a votar seguindo orientação do Centrão e do chefe Lira.

    Observe que nenhum desses blocos, 190, 150 e 173, tem sozinho número para aprovar nada, nem maioria simples de metade mais um que seriam 258 votos e muito menos mudança constitucional 342. E o governo tem mais de 171 votos que seriam os necessários para barrar tentativas de impeachment.

    A situação sugere que o Centrão e o governo não trabalham para paralisar o pais, a oposição é a oposição.

    O que o Centrão e Lira querem é manter a agenda conservadora ativa, porque dependem dela para a disputa com a oposição, porque não são aliados e disputam os votos do mesmo eleitor, basicamente, excluindo os extremistas.

    O governo corre em raia eleitoral distinta, e trabalha para atrair parte dos votos que não teve na eleição, das camadas médias da sociedade.

    O jogo da política não é o jogo do dinheiro, esse vem depois, o verdadeiro jogo é o do poder.

    Assisti atentamente ontem o Programa da TV247 Forças do Brasil, com o jornalista Mario Vitor Santos entrevistando o Ministro da Justiça Flávio Dino.

    Minha primeira reação foi de preocupação como a relação entre Congresso e governo foi descrita por Dino, de quase antagônicos, adversários, de solução distante. Essa foi a avaliação, mas na medida que avançava a conversa e os adjetivos usados para descrever essa relação surgiam, e confesso que achei pesados, fui percebendo que o tal jogo ao qual Lula se referiu estava sendo jogado ali pelo ministro, ia amontoando mais e mais obstáculos que o Congresso criava e impedia o governo de avançar, destacando a agenda ambiental, e a cada adjetivo empilhava maior carga no legislativo da responsabilidade na agenda muito importante, valorizada e popular, tanto interna quanto externamente: a ambiental.

    Acaso o Congresso assume uma posição de boicotar a agenda ambiental do pais? Assume exterminar os índios e tomar as suas terras?

    Duvido.

    Fizeram um movimento para capturar a agenda do governo mas esqueceram que iriam enfrentar reação.

    Ela veio e os deputados estão calados, meio sem saber qual rumo tomar.

    Quem parir o Bebê de Rosemary vai ter que embalar.

    Por enquanto o governo mandou avisar que o filho é teu, Câmara dos Deputados.

    Que o embale…..

  • Dez anos passados.

    maio 27th, 2023

    Estava me preparando para escrever sobre as jornadas de junho, aquelas que pretendiam reduzir as passagens de ônibus em São Paulo em 20 centavos.

    Mas adianto algumas reflexões.

    Eu decidi entrar nas redes sociais em 2013 exatamente para enfrentar o que me parecia artificial e equivocado naquelas imensas manifestações, apesar de perceber o perigo dos protestos, não era possível imaginar que descambariam para o fascismo abertamente.

    Todos os sinais estavam lá, nos protestos de todos os equívocos, na ausência dissimulada de líderes, os interesses falsamente difusos, a influência externa omitida, as bandeiras escamoteando a condenação da política .

    Para atender um pedido de um amigo li recentemente em uma sentada um livro que compilou todas as matérias da época de forma acrítica, passando por impeachment e depois eleição do Bolsonaro e revivi toda aquela história.

    Um martírio relembrar tanta mentira e manipulação por parte da mídia, engajada em destruir o governo.

    Percebi como ainda estamos em 2013, reconstruindo caminhos que muitos ingenuamente ajudaram a destruir, comandados por várias mãos e vários interesses, que acabaram capturados inteiramente pela extrema direita.

    2013 era uma mentira, de uma geração que vivia num país em crescimento, e que julgavam esse crescimento espontâneo, seguro, e as muitas carências deveriam ser imediatamente superadas, segundo um padrão Fifa, usando o campeonato mundial de futebol de vitrine.

    A Lavajato não existiria sem 2013, mesmo sendo cria do Mensalão e nos dias que correm temos que ouvir desculpas do ministro do STF Tofolli pedir desculpas ao ex presidente do PT José Genoino, desculpas porque o condenou sabendo da sua inocência.

    Bolsonarismo também não existiria sem 2013 .

    Por pouco não arruinaram o Brasil de vez, nessas discussões de hoje sobre meio ambiente, índios, petróleo, progresso e desenvolvimento industrial, se reeleitos os derrotados nas urnas recentemente, sobraria o que dessas pautas?

    Nada.

    Exatamente o que foi plantado naquelas manifestações, incentivadas por uma mídia engajada na derrota do governo da época, oposição perplexa com a derrota eleitoral, com os países desenvolvidos temendo o progresso dos Brics e do G20.

    A cobiça no pre sal recém descoberto

    Um alinhamento de interesses contrários aos nossos, que persiste.

    Perceba como 2013 não acabou, repito, estamos ainda as voltas com aos mesmos desafios, meio que o tempo parou para nós enquanto o mundo todo continuou.

    Mas é verdade que os jovens da época estão 10 anos mais velhos, e passaram a conhecer um Brasil histórico, no sentido das mazelas constantes da fome, desemprego e miséria, que todas as gerações anteriores conheciam e podem agora compreender como nada nesse mundo é natural ou acontece espontaneamente, como as manifestações pareciam sugerir.

    Estamos longe da saída desse labirinto de 2013, o mundo conheceu as guerras hibridas , as guerras coloridas , as fake news, a manipulação da informação agora entregue individualizada e de acordo com os maiores temores do freguês, que apavora, paralisa e oferece falsas soluções.

    Pode ate ser que 2013 dure para sempre, coisa que pessoalmente duvido, enquanto observo 85% da população jovem do Brasil acima dos 17 anos desistindo de estudar, de ler e de se informar.

    E nem era exatamente esse o exército que protestou naquele ano, era mais escolarizado, urbano, com enormes expectativas mas sem discernimento suficiente para encarar o engano em que jogaram nossos sonhos.

    Agora estamos piores, a negação da política é a política levado a seu extremo, entenda quando o atual presidente da Câmara diz que não aceitarão retrocessos ideológicos, ele está se referindo a ideologia dos outros, a dele deve prevalecer.

    E segundo ele e gentes como ele, o bom seria um Bolsonarismo sem Bolsonaro, um Lulismo sem Lula, para o Lirismo com Lira mandar e desmandar livremente, abraçado aos maiores juros do mundo e um mercado funcionando para 50% da população.

    Mirando o progresso, 2013 acertou no atraso.

    Que sirva de lição e que seja superado breve.

  • CPMI e CPIs

    maio 26th, 2023

    Duas comissões de inquéritos estão iniciadas, a CPMI Câmara e Senado sobre o dia 08/01 e a CPI da Câmara do MST.

    Sobre ambas ainda pesam desconfianças quanto a sequencia, se permanecem como iniciaram, e não duram muito, ou se valerá a máxima, que ocorre raramente, de que sabemos como CPI começa mas não como termina.

    Por dever de minhas novas atribuições auto impingidas, acompanho com má vontade parte das repercussões, assistir ao vivo é insuportável, e em que pese o risco de embarcar em roteiro de terceiros, o que dá pra saber até agora, e penso seguirá assim, é um monte de gente ocupada em disputar espaço para aparecer, o que para políticos é uma obrigação também, mas muito pouco disponíveis para de fato apurar o que quer que seja.

    Semana que vem vamos saber quem serão os primeiros depoentes em ambas comissões, a do MST que nem tem um motivo específico para a sua existência promete atirar para tudo quanto é lado, nesse caso pode eventualmente acertar em alguma coisa, o mais provável é que não.

    A CPMI do dia 08/01 tem farto material disponível apurado no STF, com centenas de inquéritos abertos, investigações da PF em andamento e progredindo em direção a mandante, e por essa razão não foi a princípio encampada pelo governo, meio que obrigado a entrar nessa briga por insistência da oposição.

    Que por sua vez parecia mais querer blefar do que encarar de fato a CPMI.

    Tudo águas passadas, a CPMI está instalada e apesar de aparentemente iniciar com rumo e alvo, investigar o que aconteceu dia 08/01, é provável que seja atropelada pelas investigações do judiciário e vá perdendo substância gradativamente.

    O que não quer dizer que as máquinas de lacração e likes vão diminuir, nada mais longe disso, nos dias que correm e com tendência de acirramento cada vez maior, um deputado e senador pode usar a tribuna de uma plenário vazio, uma fachada de prédio público, um hospital, uma avenida etc, para fazer seu proselitismo vazio e muitas vezes falso.

    Imagina em um plenário cheio de gente furiosa, onde palco melhor que esse?

    Ali estão candidaturas a prefeituras, muitas vezes adversários diretos medindo forças antecipadamente, outros e outras que surgem inesperadamente.

    Para isso estão servindo cada vez mais essas comissões , e cada vez menos interessam.

    Não espero nada dessas comissões, tenho afirmado isso repetidamente, espero da justiça resultados quanto ao dia 08/01, inclusive dos mandantes e financiadores.

    Quanto a CPI do MST, a quinta contra o movimento nos últimos 20 anos, aguardo o mesmo resultado das anteriores, nenhum, e esquecimento como ocorreu com as anteriores.

  • Alinhando as expectativas.

    maio 25th, 2023

    Ainda precoce para qualquer certeza, o momento atual mostra alinhamento de expectativas quanto ao desempenho da economia no horizonte visível.

    Os efeitos devastadores da Pandemia, além de vidas perdidas desnecessariamente e da inapetência administrativa do grupo político derrotado na eleição, deixou sequelas no desempenho econômico exatamente porque as expectativas futuras ficaram imprevisíveis.

    Para quem pretende investir, esse é o pior cenário.

    Naturalmente, com a reabertura do comércio, dos serviços e da demanda consequente, seria esperada uma rápida recuperação do crescimento em todo o mundo.

    A guerra na Ucrânia além de provocar aumento dos combustíveis na Europa prolongou a desorganização do mercado exportador, que vivia gargalos e altos custos, somando a tudo queda de oferta e especulação, muita especulação.

    Interessante ignorarmos a força dos especuladores em momentos de crises e dúvidas , é nessa hora que ganham mais dinheiro.

    Existe a máxima do banqueiro que ensina a comprar na bolsa enquanto o sangue corre pelas ruas.

    Isso não mudou, e ganhou velocidade em tempo real.

    Lentamente os mercados retornam, a Europa vai para o verão e menores gastos com aquecimento permitindo um refresco, mas os problemas de crescimento, ou falta, dos europeus tem outras razões profundas limitadoras, em todo o caso a tendência deles é no mínimo estabilizar.

    China segue seu rumo para maior economia mundial, os emergentes e produtores de commodities de maneira geral vão recuperando estabilidade, preço tinham mas faltava desafogar e normalizar o comércio.

    O Brasil saiu do desastre do desgoverno, com sua economia abalada e sem rumo, vender alimento para o mundo enquanto seu povo passa fome não pode ser considerada uma opção a ser continuada.

    A inflação vai cedendo, medidas de equilíbrio de preços administrados estão tomadas e vigiadas, bolsa família assegurada, política de aumento de salário mínimo, retomada das obras paralisadas, minha casa minha vida etc.

    Novas obras do PAC, o programa de crescimento que volta breve, parece que novo nome será escolhido, enquanto falamos o governo faz seguidas reuniões com todo os governadores e as obras de todos eles estão sendo anotadas e serão realizadas segundo prioridades definidas pelos próprios governadores.

    Marina estará amanha no planalto com lula e demais ministros conversando sobre licença do novo pré sal, que fará do Brasil o quarto exportador mundial de petróleo do mundo.

    O consumidor mostra crescente interesse, segundo pesquisas qualitativas começam a apontar, empresários estrangeiros retornam gradualmente a investir, falta ainda resultado na indústria o que não é trivial dado a concorrência gigante no mundo com sobra para aumento de produção, e o governo está elaborando para estimular a indústria, além de voltar a comprar produto interno, estuda subsídios para o setor próximo do empregado na agricultura.

    Por isso estimulo a compra de carro com redução de impostos, como anunciado hoje, para iniciar.

    Falta resolver a questão crucial dos juros, esse resquício do ex que ainda insiste em assombrar o crescimento do pais, nesse ponto falta ainda um tranco pra valer no discípulo do genocida para ele deixar o posto no BC.

    Tudo aqui está no horizonte próximo, como dito, crescimento de 2% do PIB já parece modesto e estamos ainda no primeiro semestre, podemos atingir 2,5% e isso seria excelente dadas as condições.

    Vida segue.

  • Nas próximas eleições.

    maio 25th, 2023

    As reações de desespero, a meu ver sem nenhuma razão, do chamado campo progressista diante do ativismo tratorista do atual Congresso, mais a Câmara que Senado, ao menos por enquanto, chega a ser melancólico.

    E as reações estão na base de vamos nos preparar para as próximas eleições.

    Sempre é bom estar se preparando para as próximas eleições, não há dúvidas quanto a isso, é uma boa e necessária iniciativa.

    Mas até lá, penso, que agir pragmaticamente é a melhor coisa a fazer, até porque pragmatismo é isso, fazer o possível dentro das circunstâncias adversas, e não acho que estamos assim como expliquei em posts anteriores.

    O fato da Câmara iniciar uma blitz contra as pautas ambientais terá a sua resposta, certamente, e um meio termo será negociado, assim funcionam pesos e contra pesos na democracia.

    Esse certo pavor entre os progressistas revela um pendor autoritário que quer impor pautas nesse pais continental, sem ouvir as partes interessadas, exatamente como faz a direita conservadora.

    Não é assim que funciona, por isso dá muito trabalho ser um democrata.

    Há que remar, reagir contra os retrocessos e trabalhar pelo futuro, sem negociar cada interesse e cada projeto, diligente e cuidadosamente, não vai, ou vai assim do jeito que está indo, e penso que vamos assim até o fim, com momentos de maior facilidade dependendo de bons resultados na economia e do crescimento da popularidade do nosso presidente.

    Quanto ao Congresso, penso sempre na máxima do Dr. Ulisses.

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