
Ainda não vimos a Estrela da Morte, então seguimos analisando a economia.
Na ilustração publicada no Post, podemos observar que China, Canadá e México são os principais exportadores para os EUA. Ainda não conhecemos o superávit comercial exato, mas fica evidente por que esses países estão no centro das ameaças de tarifas de 25%.
No caso da China, falaram em tarifas de 10%, pois a situação é mais delicada. Parece haver um interesse maior em aproveitar oportunidades para reverter déficits do que em fazer ameaças diretas. Isso se justifica, entre outros fatores, pela interdependência comercial. Por exemplo, a China é um dos principais compradores de produtos primários do Brasil, que são concorrentes diretos de bens produzidos pelos EUA. Sim, há uma competição econômica direta entre Brasil e EUA no setor agroindustrial, e o Brasil leva vantagem em grande parte graças à sua forte relação comercial com a China. O que os EUA aparentam pretender corrigir, ou tentar.
Até aqui, não vemos grandes problemas nos campos onde nossas economias colidem, exceto por um aspecto delicado: a proposta dos BRICS de abandonar o dólar como moeda de referência. Essa é uma mudança que o império definitivamente não deseja — e lutará para impedir. Claro, estamos falando de um processo que leva tempo, mas é importante perceber que o movimento está em andamento.
O que se vê no governo Trump parece ser uma condução sem direção clara. Houve expectativa de que ele, em um segundo mandato, poderia entender melhor os mecanismos do poder e aprender a usá-los com mais eficiência. No entanto, o cenário atual é de desordem, com uma liderança incoerente e objetivos pouco definidos.
Até agora, as principais ações recaíram sobre perseguições a imigrantes e retrocessos ambientais. Quanto às prometidas tarifas, caso sejam implementadas, poderão gerar aumento na inflação interna dos EUA. E há indícios de que até mesmo a Europa poderá reagir às suas decisões econômicas erráticas. Contudo, vale observar que, até o momento, muito se prometeu e pouco se concretizou.
Permita-me uma reflexão: o fracasso econômico dos EUA sob a liderança de Trump não seria bom para o mundo. Seria mais saudável que ele encontrasse um caminho para impulsionar a economia americana, mesmo que com base em gastos militares e incentivos à indústria bélica. O sucesso na reindustrialização de seu país, ainda que improvável, poderia trazer estabilidade.
O perigo está no que pode vir daqui a dois anos, quando um líder de 80 anos, enfrentando sucessivos fracassos, possa recorrer a medidas extremas. Melhor nem antecipar cenários sombrios, mas seguir atentos para entender o que o futuro reserva.
Um império, afinal, é coisa séria. Sua sobrevivência depende de sua capacidade de servir ao seu povo. Que assim seja, com o mundo em paz.
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