A nova investida publicitária do governo provocou desconforto — tanto na esquerda quanto na direita — por motivos distintos.
A direita porque alegou que o governo estaria provocando os EUA. A esquerda porque considerou o slogan excludente.
O incômodo, a meu ver, prova a eficácia da ação, mostrando um início promissor do novo ministro da Comunicação. Muitas outras atitudes de membros do governo mudaram, inclusive o presidente Lula, que está de volta aos holofotes, com todos dando nome aos bois nas críticas à oposição.
Aqui, gostaria de sublinhar que o objetivo da atual campanha é atingir o outro lado, não com provocações, mas usando a mesma linguagem à qual esse público foi habituado para entender mensagens, até então, restritas à comunicação da direita. Agora não. O incômodo mostrou que a campanha atingiu o alvo, obrigando-os a romper a estratégia de ignorar e evitando polêmicas que só fortalecem a visibilidade das iniciativas do governo.
A esquerda, portanto, precisa entender que não foi o alvo dessa campanha. Nem a linguagem nem a mensagem foram feitas para esse público — como de fato não fizeram sentido para ele.
Porque não era para fazer mesmo, tá ok?
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O estilo da Ata do Copom não é dos melhores, mas a mensagem é clara: mais um aumento de 1% nas maiores taxas de juros do mundo só ocorrerá se o cenário negativo previsto em dezembro se confirmar em março, na próxima reunião do Banco Central.
A atual ata do BC, que explica esse último aumento, não agradou. Não porque confirmou o aumento previsto em dezembro, ainda sob o comando de Campos Neto — na verdade, seria um total de 3%, escalonado entre dezembro, março e maio. O atual mandato de Galípolo parece indicar que essa alta subiu no telhado. O mercado finge que o aumento de março está consolidado e já direciona a discussão para maio, mantendo uma aparência de preocupação constante.
Está escrito: se mantidas as condições.
Quais?
O principal motivo da histeria no fim do ano foi um suposto descalabro fiscal, que não só não ocorreu, como a previsão fiscal de dois anos atrás foi confirmada. O discurso alarmista do presidente anterior do Banco Central foi substituído pelo silêncio sóbrio do atual, que mantém a seriedade indispensável para uma função tão sensível quanto a de dirigir o banco dos bancos, responsável pela guarda e saúde da economia inflacionária dentro dos parâmetros definidos pelo Conselho Monetário Nacional.
Sobriedade, seriedade, responsabilidade, compromisso. Tudo o que faltava na condução do Banco Central agora não falta mais. E para quem sabe ler, o dólar já não viaja mais para as estrelas.
Reafirmo minha percepção sobre o BC em março: não vai subir mais 1%.
Por quê? Porque o terrorismo retórico acabou, o dólar está caindo, a safra é generosa, os preços dos alimentos estão diminuindo e a previsão de chuvas está mais equilibrada.
Os sinais de queda da inflação, em uma atividade econômica restrita pela sequência de notícias falsas, já apareceram. Espero uma recuperação no segundo semestre, com um Banco Central mais honesto em seus compromissos.
Aqui e ali, os intérpretes da ata do Copom concordam com essa previsão, mas fingem que não, apenas para manter a pressão constante.
Não afirmo que não haverá aumento da Selic em março, mas percebo que será menor que os 1% contratados pelo antigo comandante, já aposentado de seu papel alarmista.
É isso. Aguardar para ver.
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Mal terminou a votação que consagrou os novos líderes da Câmara e do Senado, respectivamente Hugo Motta e Davi Alcolumbre, e Lula recebeu ambos para uma reunião no Palácio do Planalto, em um encontro a três.
Na saída, as declarações de Motta foram de que estaria “100% à disposição”, enquanto Alcolumbre afirmou que apoiaria “a agenda do governo”.
Considerando que, dois anos atrás, na reeleição do presidente Lira, o discurso praticamente de posse foi de que votariam para implantar o semipresidencialismo, transformando Lula na “rainha da Inglaterra” brasileira…
Considerando que as principais votações na Câmara e no Senado já ocorreram em 2024, restando agora finalizar a reforma tributária da renda, isentando do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil mensais…
Considerando a pesquisa da Quaest desta segunda-feira, que coloca Lula liderando todos os cenários para a presidência em 2026, mesmo em um momento de ataques e recém-retornando de licença para tratar as consequências de sua queda, incluindo uma cirurgia…
Penso que 2025 amanhece animado. A economia segue forte, as praias estavam lotados, agora as ruas de fevereiro também estão… Concluo que o mundo não acabou e que o Brasil segue seu caminho.
O presidente do partido Republicanos, Marcos Pereira, abriu o jogo em entrevista quando confirmou decisão majoritária para que Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, opte por concorrer à reeleição e não para enfrentar o presidente Lula em 2026.
Tarcísio é o principal nome da oposição para a disputa e sua decisão – a meu ver definitiva – deixa a direita órfã de nomes competitivos para ganhar a presidência.
Para disputar, puxar votos e segurar bancada numérica, aí é outra história e por isso testam nomes de Eduardo e Michelle, ambos de sobrenome Bolsonaro, e, imaginam, é o suficiente para entregar o mínimo necessário.
Está claro que ganhar não vai, se o próprio Bolsonaro, com a caneta na mão, pereceu, sem a caneta e a utilização criminosa das instituições e dos recursos públicos, tudo ilegalmente, suas chances são ainda menores.
Mas a direita não tem outro nome, mas tem sobrenome para puxar os votos e manter presença parlamentar suficiente para esperar 2030, quando sem Lula certamente o nome do Tarcísio terá mais presença nacional e a vitrine do governo de SP no currículo para tentar conseguir vencer.
A imprensa nacional e os donos dos dinheiros seguem na saga da busca pelo centro, a terceira via que supostamente existiu durante o mandato de FHC. Na impossibilidade de achar, com o centro político esvaziado e sem perspectivas, ficam perdidos enquanto iniciam o ano forçando a mão para cima do governo porque na dúvida são sempre contra. O alvo é sempre planejado no curto prazo, dessa vez a sonhada reforma ministerial, pensando no médio e longo prazo o fracasso do governo.
Estamos nessa desde 2002 e ainda não aprenderam que o centro democrático no Brasil é Lula e o PT.
Então ficamos avisados: não teremos Tarcísio candidato ao planalto em 2026, mas teremos um Bolsonaro para perder.
Aliás, acabou de sair pesquisa confirmando o cenário….para desespero de muitos.
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Estamos todos cientes da imposição de tarifas de 25% sobre produtos importados pelos EUA do México e Canadá, e 10% sobre os chineses. A escolha dos três países não foi por acaso: são os três com quem os EUA têm os maiores déficits comerciais. O Brasil, nessa questão, está “ok” com um empate entre importação e exportação em US$ 40 bilhões anuais, com saldo zero quase redondo.
As tarifas começam a valer em 10 dias, mas sobre os produtos canadenses parece incidir somente sobre combustíveis. Mesmo assim, o Canadá já retrucou com uma lista de produtos norte-americanos e, internamente, a população parece reagir e inicia boicote de produtos dos EUA.
A taxação dos produtos mexicanos foi linear, e o presidente mexicano fez apelos por diálogo e prometeu anunciar um inquérito, que chamou de “Plano B”, hoje de manhã.
Sobre os produtos chineses, a resposta vem através de processo na OMC, cada vez mais esvaziada.
As ameaças sobre os BRICS, se continuarem no processo de substituição do dólar, e sobre a zona do euro foram repetidas recentemente, e os mercados estão abrindo nessa segunda-feira em queda e o dólar em alta, refletindo o ciclo anterior, mas deixado de lado porque ninguém acreditava nos discursos e os mercados começavam a voltar ao normal.
Já se falam em queda de 3 a 4% nos PIBs de México e Canadá, mas, condenada a guerra comercial, a queda tende a se espalhar, sem ainda previsão.
Portanto, as notícias nesta manhã de segunda-feira não são as melhores e vamos ver como o mercado no Brasil vai reagir, sobretudo o dólar, que vinha em trajetória de queda.
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Segundo avaliação do atual líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães, a possibilidade de Hugo Mota vencer a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados é de 100%.
E ele não está sendo otimista.
Essa é a realidade pós-impeachment de Dilma, pós-governo golpista de Temer e pós-desgoverno fascista/preguiçoso de Bolsonaro: todo cuidado nas escolhas é pouco.
As negociações que garantiram essa ampla vantagem deixaram pistas a serem observadas nos próximos meses. E não são difíceis de identificar — basta analisar a composição da nova Mesa Diretora, os presidentes das comissões e os acordos feitos. Já se sabe que o PL terá dois cargos e o PT também, conforme o tamanho de suas bancadas, algo que Lira ignorou em sua gestão.
Resta saber como Hugo Mota lidará com a tentativa de levar ao plenário a ilegal anistia dos vândalos golpistas de 08/01, já que tanto o PL quanto o PT mencionaram o tema — obviamente em sentidos opostos — e ambos votam fechados com Mota. Guimarães enfatiza a importância da firmeza na defesa da democracia nas composições em andamento.
No Senado, Alcolumbre volta à presidência.
Mas a PF já ronda os calcanhares do senador, e ele pode enfrentar problemas mais adiante. Não na eleição — essa está garantida. São os tempos em que vivemos.
Era diferente antes?
O que se espera da Câmara e do Senado é mais do mesmo, sem soluções de curto ou longo prazo.
Mas, como a pauta do governo já foi bastante esgotada, restando apenas a segunda parte da reforma fiscal — a parte referente à renda —, esse será o grande assunto por meses, ocupando os parlamentares. Enquanto isso, a ala bolsonarista segue sem rumo e sem líder, tentando criar um nome competitivo para 2026.
No mais, a briga será pela liberação de emendas, com a sombra de Dino nos calcanhares do Congresso e a questão da transparência, que, a meu ver, é inegociável. Algum acordo virá, certamente em termos mais aceitáveis, reduzindo a pulverização dos recursos. É o que se tentará.
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O presidente Lula inaugurou um novo formato de comunicação, mais próximo do estilo do ex-presidente mexicano López Obrador – mantido por sua sucessora, Claudia – de conceder coletivas frequentes, ou, no nosso caso, de vez em quando.
Foi o que aconteceu na coletiva de ontem, quando Lula fez um rápido pronunciamento e, em seguida, respondeu com seu usual bom humor às perguntas dos jornalistas de todas as matizes presentes.
Segundo o novo ministro das Comunicações, o publicitário Sidônio, Lula é um “ motor de conteúdo”.
É preciso destacar dois pontos.
Primeiro, ainda não há uma avaliação precisa sobre o impacto da ausência física do presidente no dia a dia – consequência da sua queda e das limitações que enfrentou – na redução de sua popularidade. Tivemos o episódio das fake news sobre o Pix, e, sem a voz do presidente para responder de imediato, as mentiras ganharam proporções muito maiores.
Segundo, a eficácia desse tipo de ação ficou evidente. Ontem, não se falou de outra coisa. As respostas de Lula preencheram todas as pautas e colocaram cada comentário e pergunta no seu devido contexto. Quando questionado sobre a declaração de Kassab de que ele não venceria uma eleição se ela ocorresse hoje, respondeu que, como a eleição não é hoje, não há motivo para preocupação. Sobre o déficit fiscal, foi direto: “Não há déficit, porque foi zero” – exatamente como Haddad anunciou ao longo do ano, apesar da descrença de muitos.
Quanto à candidatura em 2026, Lula disse que ainda é cedo para definir, mas, ao longo das respostas, deixou escapar sinais sobre com quem quer contar, de que maneira e como se sente jovial, “com 30 anos e cada vez mais bonito”.
Ele não estabeleceu uma agenda fixa para os próximos encontros, apenas informou que serão mais frequentes. No México, Obrador fazia isso quase diariamente. No Brasil, talvez isso fosse um exagero – mas, quanto mais, melhor.
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Este, entretanto, é para esquecer, pois o aumento de 1% já estava previsto e a atual diretoria do Banco Central acabou de assumir, sem tempo hábil para alinhar expectativas e desenhar seus próprios cenários.
No entanto, para quem sabe ler nas entrelinhas, algumas pistas foram deixadas, indicando uma possível mudança futura. Isso significa que os juros podem subir menos do que o previsto na armadilha deixada pelo ex-presidente do BC, Campos Neto.
A sutil mudança nas palavras incluiu a possibilidade de “avaliar”, em vez de simplesmente “comunicar” que os juros subirão.
É um pouco desconfortável ficar nesse jogo de palavras, mas, nesse mundo de espetáculos, é bom estarmos preparados para esse tipo de estratégia – inclusive onde menos seria recomendável.
Ainda assim, deixaram a porta aberta para uma mudança. Se a atual trajetória de queda do dólar se mantiver, o preço do petróleo continuar caindo e a previsão de uma safra mais abundante em 2025 se confirmar, reduzindo o custo dos alimentos, sem dúvidas teremos uma postura mais branda do Banco Central já em março. E, na terceira reunião, em maio, as condições estarão dadas para iniciar a tão esperada redução da taxa de juros, permitindo que o Brasil volte a crescer.
É um cenário ideal? Sim, reconheço. Mas é importante notar que, diariamente, o novo Banco Central tem ofertado dólares ao mercado – algo que faltou no passado para evitar que chegássemos a um patamar tão desfavorável no câmbio. E essa é exatamente a medida necessária para quem pretende reverter essa situação.
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Nesta semana, homenageamos as vítimas do Holocausto judeu provocado pelos nazistas da Alemanha, relembrando os 80 anos da libertação do terrível campo de concentração de Auschwitz, na Polônia.
Alguns aspectos atuais merecem atenção.
Primeiro, todas as principais lideranças mundiais se reuniram no local para esse importante encontro – mas sem a presença dos russos, justamente aqueles que derrotaram os nazistas, libertaram os prisioneiros sobreviventes de Auschwitz e, na sequência, chegaram a Berlim, onde encontraram Hitler morto. A ausência da Rússia é um sintoma claro dos tempos atuais, agravado por imagens perturbadoras, como a projeção de Elon Musk nas paredes de uma das antigas fábricas do campo, repetindo o gesto de saudação nazista. Isso simboliza o espírito ou a intenção de alguns neste tempo conturbado.
Agora, Trump anuncia a criação de um campo de concentração em Guantánamo para 30 mil prisioneiros, revivendo práticas há muito banidas da história moderna. Um novo fascismo norte-americano parece se desenhar, para o desespero de todos nós.
Até onde querem chegar?
Até onde puderem.
Certamente irão longe, mas não o suficiente. Acreditem.
Uma crescente e irresistível reação começa a surgir logo nos primeiros momentos desse novo autoritarismo. A Europa, que conhece bem essa ameaça, já desperta, com a Dinamarca liderando um posicionamento conjunto contra as investidas de Trump na Groenlândia. Na América Latina, a resistência também cresce: Petro na Colômbia, Claudia no México e Lula no Brasil trabalham para fortalecer a união regional – com exceção da Argentina, onde Milei segue com seu espetáculo vazio.
Até agora, nada de útil ou efetivo surgiu do novo governo Trump. Apenas agressões contra imigrantes – e até isso soa como bravata arrogante, criminosa e contraproducente para os próprios interesses dos EUA.
Isso não vai durar. Ele usará a retórica para negociar.
Sabemos que a doutrina do choque do fascismo funciona assim: anunciam o apocalipse para depois impor medidas menos agressivas – mas igualmente nocivas – como se fossem concessões. Não enganam mais ninguém. Vencem na base da mentira, até que a perna curta se revele.
Até lá, será um período difícil, sofrido, talvez até terrível – como foi a condução da pandemia pelo nosso próprio fascista, Bolsonaro. Mas passará. Para quem sobrevive, passará. Para as vítimas, o único consolo será o julgamento da história.
E ele virá. Como veio para os nazistas.
Porque, como mostra a foto que ilustra este post, sem a nossa cumplicidade, eles não conseguem nada.
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Supondo que existam 10 milhões de imigrantes ilegais nos EUA, conforme estimativas divulgadas, e considerando a atual meta de deportação diária de 1.500 pessoas – imposta pelo tirano que ocupa o trono –, seriam necessários 6.666 dias para concluir essa missão de “expurgo” dos chamados invasores.
Ou seja, Trump conseguiu superar até a simbologia da Besta do Apocalipse de João. Precisaram acrescentar mais um “6” para ele. Fica a dica.
Até agora, suas duas principais políticas anunciadas são: investir bilhões em inteligência artificial e deportar imigrantes. Em outras palavras, duas furadas. A primeira, os chineses já dominaram. A segunda, além de politicamente questionável, é matematicamente impossível de cumprir.
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