Enquanto confessa seus crimes em cada entrevista que concedeu, tenta justificar os quatro anos de planejamento golpista realizados em conjunto com todo o comando das Forças Armadas e milhares de militares da reserva e da ativa. Durante esse período, expandiu privilégios, dobrando vencimentos nas repartições federais, e incentivou o acúmulo de armas, praticamente legalizando o fornecimento para milícias e criminosos — traficantes e marginais inclusos.
Era um combo planejado para sustentar o golpe que os covardes nunca tiveram coragem de executar. Exatamente porque são oportunistas e divididos entre militares golpistas e os que se consideram “democratas” e “legalistas”. Mesmo assim, não deixaram de prevaricar, mantendo o silêncio antes e depois do fracasso do governo civil-militar de Bolsonaro.
Agora competem entre si para ver quem delata primeiro, tenham certeza. Mauro Cid está longe de ser o único. O próprio chefe seria o primeiro a entregar todos, se houvesse alguém acima dele nessa hierarquia de bandidagem para delatar.
Mas ficamos no alerta do chefe fracassado que simbolizamos: ele vai fugir para alguma embaixada.
Vamos ver quem o acompanha. Desconfio que ninguém.
Uma última palavra antes do aguardo dos três meses para a denúncia do PGR e dos seis meses para o STF julgar e condenar a tropa de golpistas.
Esse último general preso, considerado um dos mais radicais do grupo, era um oficial das Forças Armadas. Um profissional da guerra que passou o auge de sua vida preparando e articulando um golpe contra o Brasil. O país que o formou — Deus sabe como — paga seus excelentes soldos e, em troca, recebe traição desmedida e fria. Urdia-se a morte de um presidente, e a possibilidade de uma guerra civil fratricida era aceita e até esperada.
Esse tipo de oficial ainda se esconde nas entranhas de nossas Forças Armadas. Quantos outros estão amoitados, na espreita, esperando e conspirando contra nós? Quantos mais planejam nos atacar?
Um deles, inclusive, ocupa o cargo de chefe atual da Escola Superior de Guerra. Ele desabafou na internet, demonstrando desejo de continuar com a trama golpista. São tantos que é impossível contar.
Fica registrado o nome do general preso, traidor da pátria. E saibam que, entre os 37 indiciados no relatório da PGR ainda desconhecido, já há oficiais procurando a Justiça para delatar seus comparsas. Até nisso somos agraciados, pois enfrentamos covardes.
Uma mudança virá, certamente. Chega de “pintores de meio-fio” sendo promovidos, ataques a democracia e a paz social. Chega dessa gente.
A tese de que coexistem dois exércitos distintos na caserna é a desculpa que o Ministro da Defesa, Múcio, tenta emplacar, sendo pego no contrapé pelas prisões de generais e altos comandos estratégicos, acusados de crimes relacionados ao planejamento de assassinato contra o presidente e o vice, além de uma tentativa de explodir um ministro do STF. Agora, surgem também dezenas de indiciados pela PF, acusados de tentativa de golpe de Estado — ou seja, acusados de trair a pátria. Entre eles o ex-Presidente – um militar – e o vice de sua chapa – outro militar.
Múcio tenta dizer que, apesar do constrangimento das prisões, é bom esclarecer o episódio para que a culpa não recaia sobre toda a instituição.
Já houve um tempo em que o Brasil produzia militares patriotas e legalistas, mas a ditadura de 21 anos se encarregou de excluir todos eles, enquanto preparava as futuras gerações para serem exatamente isso que estamos vendo hoje.
O desgoverno Bolsonaro funcionava com milhares de militares, que acumulavam salários civis, com seu vice sendo um general e vários ministros, entre os piores, oriundos da caserna. Não se propôs um bolsonarismo sem militares. A dúvida é quem influenciou quem: se Bolsonaro na caserna, ou a caserna em Bolsonaro. O fato é que um não existia sem o outro. Mas um veio de antes e pretendia continuar relevante, indispensável, e parte de toda essa trama macabra. Se conseguissem derrubar o governo eleito, tudo bem. No caso de falha, o plano B era a GLO com Lula no poder: o exército nas ruas para conter os protestos e o novo governo manietado. Se esse não fosse o plano A, não sabemos.
A posição do ex-ministro do Exército, de ameaçar Bolsonaro com prisão ao ouvir o chamado ao golpe, nunca foi confirmada. Mas surgiu agora uma versão de que os “kids pretos” planejavam derrubar o chefe para assim arrastar as tropas para o golpe. O que também nunca aconteceu. É uma outra versão, em que os militares derrubam até Bolsonaro, assumindo a ditadura com Braga Neto à frente. Curioso que, entre todas as possibilidades aventadas — todas criminosas — a única que pareceu incomodar Braga Neto a ponto de negá-la foi essa última, do golpe dentro do golpe liderado por ele.
Múcio vai enrolando o quanto pode, provavelmente pisando em ovos e cercado de criminosos. Dois dos oficiais presos na operação que prendeu o general que liderava o planejamento dos assassinatos estavam atuando na segurança de presidentes estrangeiros no G20. O policial federal preso, não sei onde estava lotado, mas seus colegas articulam uma vaquinha para ele pagar advogados.
Uma última observação é sobre os assassinatos planejados. Enquanto queriam explodir o ministro Moraes, do STF, Lula e Alckmin seriam envenenados. Por que a diferença na estratégia assassina?
A única razão que me ocorreu foi a história, sim, os livros de história sugerem que nossos militares não matam presidentes abertamente. O que nos leva às mortes de Goulart e Juscelino, ambas em plena saúde e repentinas. Sim, Juscelino foi um acidente — ou não?
Há até quem lembre a morte daquele Bebiano, logo após o rompimento com os milicianos. Seja como for, não se tinha uma prova de conspiração militar tão importante como as que estamos vendo, e, como método de envenenamento e provocações de mortes súbitas, eram cogitadas entre os criminosos fardados comprovadamente.
Mesmo o esforço do ministro Múcio, a essa altura, é patético. O caldo entornou, veio à praça e estão todos nus. O mínimo é extinguir coisas medonhas como os “kids pretos” e começar a preparar, o mais brevemente possível, profundas mudanças na formação dos militares brasileiros.
A questão dos cortes de gastos, que antes já exigia a presença dos militares para acabar com certos privilégios absurdos, não é nem de longe a única questão na mesa. E eles querem chiar, apesar de tudo, mas dessa vez me parece que vão ter que engolir.
Mas não basta. Nem de longe. Mas que seja um começo.
Acima, ilustrando o post, observe atentamente a chamada do Estadão para leitura da coluna do rapaz aí.
Segundo afirma, nenhum dinheiro é gasto pelo governo para cobrir os quase R$ 800 bilhões em juros só em 2024, por conta da louca escalada patrocinada pelo bolsonarista em vias de extinção que controla nosso desafortunado Banco Central.
O que acontece, nos ensina, é que os juros são cobertos com emissão de mais títulos, numa espiral infinita, onde penso entender o argumento do genial economista, crescente de mais dívidas e juros, que nunca serão resgatados, mas rolados eternamente. Se entendi.
Sensacional: a dívida pública, mesmo ultrapassando o PIB muitas vezes, pode seguir crescendo indefinidamente porque o governo nunca vai precisar pagar.
Não é uma descoberta desconcertante?
Penso ser essa a maior besteira em matéria econômica que li na minha vida.
Cartas para a redação.
Atualização : Um querido leitor me chamou a atenção para a natureza da dívida pública : “ não se paga, refinancia”. E que a isso o autor tenha tentado explicar. Entendo, concordo, mas meu ponto é que em última instância a dívida é supostamente paga. Se num primeiro momento a avaliação recai sobre a capacidade de rolagem, essa capacidade não é ilimitada. E quem paga, se pagar, quando pagar, são os nossos impostos.
Agora é o momento de olhar para frente e fazer a pergunta:
Quem mais sabia dos planos de assassinar o presidente e o vice eleitos? De explodir um ministro do STF?
Quem mais sabia?
Responder a essa questão é fundamental para que a sociedade possa encaminhar propostas para o futuro, organizar o presente e, se necessário, resistir.
Vamos por partes.
Está claro que as Forças Armadas sabiam do golpe. Havia uma ala que trabalhava para que ele acontecesse, da forma e com as consequências que estamos descobrindo. Outra ala, talvez majoritária, sabe como emparedar governos em benefício próprio. Mesmo ciente da movimentação golpista, não agiu, deixando “o barco correr” para ver onde iria parar.
O barco afundou.
E levou consigo parte da ala golpista. Mas os oportunistas que permaneceram, no mínimo, prevaricaram e jogaram no lixo sua única missão constitucional: preservar a pátria sem traí-la.
Agora estamos com essa encrenca nas mãos. Apesar do discurso de “separar o joio do trigo” nas Forças Armadas, o que temos, na prática, é joio e trigo estragado. Sabendo disso, como nunca antes na nossa história, será necessário negociar uma transição para mudar as Forças Armadas. Se não imediatamente, então por meio de um processo transparente e politicamente negociado.
Na minha visão, isso começaria com a imposição de pedágios rigorosos para que militares participem da vida pública. Se desejam fazer política, que escolham uma profissão longe dos quartéis.
Outras questões precisam ser levantadas sobre quem tinha conhecimento dos planos golpistas, especialmente os de assassinatos do presidente Lula, do vice Alckmin e do ministro Moraes.
Primeiramente, as consequências das mortes planejadas levariam Arthur Lira, presidente da Câmara e bolsonarista assumido, ao poder. No entanto, Lira foi um dos primeiros a abandonar o barco em 08/01, ajudando a conter a onda golpista. Ele sabia?
E quanto ao atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, militar de carreira e ex-ministro de Bolsonaro? Ele sabia?
O vice-presidente e general Mourão? O presidente bolsonarista do Banco Central, Campos Neto? Os congressistas da ala radical do bolsonarismo? E os filhos de Bolsonaro?
Uma conspiração desse porte não é feita por poucos. Certamente, esta também não foi.
Todos os envolvidos são traidores da pátria e devem ser tratados como tal.
Cada indiciado é um fio que, ao ser puxado, traz consigo um novelo. Essa história se desenrola indefinidamente, tornando sua condução perigosa e delicada. Apesar de estarmos nas mãos do nosso melhor, a verdade é que a lama vai manchar grupos e pessoas que ainda tentam manter as aparências e se distanciar das consequências.
Está claro que os dois anos de investigação foram conduzidos com toda a calma do mundo. Mas, ao chegar o momento de apontar os culpados, o processo acelera, balança, e pode, eventualmente, sair de controle — algo que não podemos permitir.
Acredito que mais alguns meses serão necessários para a conclusão do que estamos assistindo. O ambiente é pesado, mas as instituições continuam funcionando.
Do ponto de vista político, haverá tentativas de reação, mas sem sucesso significativo. No entanto, o equilíbrio interno do Congresso, especialmente na Câmara, foi abalado. Vamos observar como as coisas evoluem nas próximas semanas. A sucessão chega em boa hora, e Lira pode se retirar do palco para se preservar. Ou seria para se esconder?
Quanto à reforma tributária, como o texto já está no Senado, acredito que será concluído.
Sobre os militares, não podemos perder a oportunidade histórica de reforçar a soberania civil. E, desta vez, sem anistia. É por aí que começa o acerto de contas.
De poucas semanas para cá, nosso consultor especial em política externa, Celso Amorim, apareceu em uma entrevista mencionando “sinergias” com a China, enquanto a adesão do Brasil à Rota da Seda desapareceu do vocabulário diplomático. Dias depois, quem utilizou a mesma palavra, “sinergias”, foi o embaixador chinês. Agora, com o encontro entre Lula e Xi Jinping na reunião do G20, no Rio de Janeiro, o próprio presidente chinês repetiu o termo.
Portanto, sinergia é a palavra da vez.
A Rota da Seda, que despertava preocupações dos EUA — especialmente às vésperas da prometida guerra comercial, que alguns já afirmam que nem ocorrerá — não é mais mencionada. Essa mudança reflete a decisão estratégica do governo Lula de evitar confrontos com os complexos Estados Unidos de Trump, enquanto mantém acordos com o gigante asiático.
Foi o que vimos no G20.
Os presidentes Lula e Xi Jinping assinaram uma série de acordos abrangendo áreas como agricultura, comércio, investimentos, infraestrutura, indústria, energia, mineração, finanças, ciência e tecnologia, comunicações, desenvolvimento sustentável, turismo, esportes, saúde, educação e cultura.
Desde 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2023, o comércio bilateral atingiu o recorde histórico de US$ 157 bilhões, conforme ressaltou o presidente Lula durante a visita de Estado de Xi Jinping, que também celebrou os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países. No encontro, Brasil e China assinaram 37 acordos de cooperação.
Assim seguimos, de sinergia em sinergia, mantendo a seda e prosseguindo na rota.
Observe na foto que ilustra o post: Lula se aproxima muito mais de Xi do que Xi dele. É assim que nosso presidente conduz sua política externa — com aproximação e objetivos claros.
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A Polícia Federal divulgou o inquérito de 221 páginas, no qual descreveu com detalhes uma trama que envolvia vigilância, seguida de sequestro e assassinato, possivelmente violento e com uso de armamento pesado de uso exclusivo das Forças Armadas, contra o ministro Alexandre de Moraes. Também foi relatado o plano de envenenamento do presidente Lula e do vice-presidente Alckmin, seguido de um caos que seria controlado por um “gabinete de crise” para restabelecer a “legalidade e estabilidade institucional”, conforme trecho da investigação.
Trata-se da ilegalidade promovida por eles mesmos.
O parágrafo acima descreve o “plano” atribuído a parte do comando das Forças Armadas, ao ex-presidente Bolsonaro e a seus seguidores.
Diversas outras demonstrações de indigência intelectual, ética, moral e de formação profissional de péssima qualidade são encontradas nos vazamentos da operação Contragolpe, que resultou na prisão de generais e outros militares.
Em outro momento, o general extremista — apontado como um dos mais radicais e preso na operação — conversa com Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente, e faz sugestões para convencer Bolsonaro a executar o plano golpista, argumentando que o tempo estava acabando. No entanto, também se queixava de que o TSE monitorava os acampamentos nas portas dos quartéis, o que intimidava e dificultava suas ações. Ou seja, o “todo-poderoso” general mal conseguia lidar com um oficial de justiça.
É verdade que nada soa mais ridículo do que um plano fracassado para derrubar um presidente. Sob essa perspectiva, todas as falas e planejamentos que nunca saíram do papel beiram o ridículo. Mas e se tivessem conseguido?
Mais importante: por que não tentaram de fato?
Minha opinião é que não tentaram porque são covardes. São pusilânimes e preguiçosos, e uma tomada de poder nessas circunstâncias acabaria gerando imenso trabalho para eles. Além disso, colocaria em risco as décadas de privilégios que lhes garantiram altos salários enquanto nada faziam.
Hoje, as Forças Armadas são odiadas pela esquerda (por serem golpistas) e pela direita (por não serem golpistas o suficiente). Raramente estiveram tão fragilizadas politicamente.
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, tenta estabelecer uma distinção — que, a meu ver, é inexistente — entre o grupo golpista, que ele diz ser minoritário, e o grosso da tropa. Já tratamos desse tema várias vezes, e minha avaliação sobre o papel das Forças Armadas neste e em outros episódios da vida nacional permanece a mesma. O golpe, propriamente dito, parecia mais uma ideia do grupo palaciano, aparentemente minoritário, e talvez tenha sido usado pelo grupo majoritário como ferramenta para espalhar o terror. Assim, as Forças Armadas tentaram manter a imagem de legalistas enquanto preservam todos os privilégios de sua carreira, que, em seu conteúdo e em sua história, são majoritariamente inúteis.
Não sei se algo positivo será extraído do trauma atual. O grupo golpista foi desmantelado, começando pelo ajudante de ordens Mauro Cid, cuja delação falsa levará a anulação de benefícios e a seu retorno à prisão. Os demais integrantes do grupo palaciano seguem o mesmo destino. Vale notar que, com o bolsonarismo cada vez mais isolado, ninguém parece lamentar suas quedas.
O maior perigo, contudo, é deixar essa gente solta. Dois dos militares presos nesta operação estavam no G20, integrando a equipe de segurança dos presidentes mundiais. Enquanto esse grupo — e seus líderes, antigos e novos — não for completamente afastado, não teremos sossego nem segurança. A presença contínua desses “filhotes” da ditadura, inspirados por torturadores e assassinos do passado, é prova disso.
Por fim, vale lembrar a classificação dada por oficiais chineses ao Exército Brasileiro como “o pior do mundo”, após contatos entre as forças. E isso porque eles ainda não sabem da missa a metade.
O ex-chefe do Comando Especial de Goiânia, considerado a elite do Exército e responsável pela segurança da capital federal, o general de brigada Mário Fernandes (na reserva), foi preso na manhã de hoje.
Os alvos dos mandados de prisão são o general Mario Fernandes, o tenente-coronel Helio Ferreira Lima, os majores Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo, além do policial federal Wladimir Matos Soares. A PF apurou que alguns dos alvos da operação de hoje participaram da organização de uma reunião entre kids pretos para planejar as ações golpistas, em 12 de novembro de 2022.
TODOS os kids pretos golpistas fizeram curso com o exército americano em Fort Benning nos EUA.
O general Mário encerrou o mandato anterior como assessor especial da presidência da república ( em minúsculo ) e, atualmente, estava lotado no gabinete do deputado Pazzuelo, aquele general ex-ministro da saúde de Bolsonaro.
Que eu me lembre, é o primeiro general preso em décadas.
Essa prisão parece inaugurar uma temporada de detenções espetaculares, culminando possivelmente com a do ex-presidente Bolsonaro, apontado como o chefe de todos os golpistas.
O tal general Mário simplesmente tramava sequestrar o presidente Lula, o vice-presidente Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Não sei dizer se a mente obscura do general é fruto de alguma loucura — algo que poucos gostam de invocar nesse tipo de caso —, de megalomania ou de algo ainda mais grave.
O fato é que, até agora, não vimos sinal de loucura. O general se escondeu no gabinete de um parlamentar, mas acabou sendo encontrado.
Espero que joguem a chave da cela no rio mais profundo.
Por fim, é importante lembrar que são todos Kids Pretos.
Atualização : Não era sequestro, mas assassinato. Traidores da pátria.
Peço desculpas pela referência ao excelente filme argentino, mas não pude evitar a lembrança ao ver as imagens apagadas do encontro de Lula com Milei. Ambos estavam de cara fechada, destoando das dezenas de cumprimentos calorosos entre os chefes de Estado presentes no encontro do G20.
Nossa imprensa passou a semana dizendo que a Argentina boicotaria, atrapalharia ou vetaria as propostas do Brasil para o encontro. No entanto, não só isso não aconteceu — o que seria impossível — como a Argentina ainda assinou os acordos. Embora tenha dito que não concordava, assinou.
Aparentemente, a ida do presidente francês, Emmanuel Macron, à Argentina na véspera do G20 teve esse propósito: convencer Milei a assinar. Macron não saiu de mãos vazias, já que a França aproveitou para, pela décima vez, reafirmar sua oposição ao acordo entre Mercosul e União Europeia. Eu, que sempre fui contra esse acordo, começo a me inclinar a apoiá-lo diante da insistente resistência francesa.
Na verdade, foi a França que usou a Argentina em mais essa rodada de negação. Contudo, a oportunidade dada a Milei de discordar de algo certamente deve ter pesado na cabeça do presidente argentino.
Circula a informação de que Milei planeja pedir 20 bilhões de dólares aos EUA — diretamente a Trump — para iniciar o processo de dolarização da economia argentina. Com o câmbio atual, supervalorizado, qualquer congelamento da situação paritária seria mais um golpe mortal na economia do país.
Ontem, surpreendentemente, divulgaram a carta com os acordos dessa etapa do G20 antes do encerramento do evento, algo incomum. Essa antecipação certamente diz muito.
O Brasil se fortalece no cenário internacional enquanto aguarda o retorno de Trump ao poder.
Vida que segue.
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Se não fosse uma política fragorosamente derrotada na recente eleição nos EUA, essa decisão de Biden poderia ter o potencial de nos levar ao uso de armas nucleares novamente, dessa vez na Europa. Isso sem mencionar o alerta de Putin, feito meses atrás, de que o uso de mísseis de longo alcance seria considerado uma declaração de guerra da OTAN contra a Rússia.
O que Biden tenta fazer no apagar das luzes de sua administração é provocar o acirramento da guerra entre Ucrânia e Rússia, que já está moribunda em função das declarações do futuro presidente Trump. Ele reafirmou, após ser eleito, que vai encerrar esse conflito.
Curioso também foi o encontro com o presidente chinês Xi Jinping, na véspera do G20, onde Biden fez um movimento de aproximação com a China. No entanto, essa tentativa não deve encontrar acolhida na política de Trump.
Trump, por sua vez, busca se aproximar da Rússia, enfraquecer a aliança entre Rússia e China – promovida pela política agressiva dos democratas – e iniciar sua guerra comercial na Ásia, esperando contar com a neutralidade russa.
O Brasil também se vê em meio a essa confusão. Para negociar tarifas com os EUA – que Trump já avisou que pretende aumentar significativamente – a China pode optar por trocar o Brasil pelos EUA como fornecedor de alimentos, como carnes e grãos, o que poderia prejudicar a corrente de comércio brasileira. Por isso, Lula tenta fechar um acordo com a Europa para manter abertas importantes rotas comerciais.
Assim, uma sequência de traições em tratados firmados nos últimos anos, incluindo os BRICS, deixa todos em expectativa quanto às decisões de Trump que ainda estão por vir.
Por fim, a resposta de Putin às agressões da Ucrânia com mísseis de longo alcance pode mudar de tom. As ameaças de retaliação nuclear foram feitas durante o governo Biden, que apoia a Ucrânia sem prazo definido. Com Trump assumindo em dois meses e prometendo alterar o curso da guerra, Putin pode optar por pisar no freio – dependendo da gravidade do ataque – para evitar a escalada do conflito e apostar em uma resolução com Trump no poder.
Esse seria o melhor cenário.
Faço a ressalva de que, quando se trata de assuntos de guerra, costumo errar, porque prefiro pensar no fim dos conflitos e na paz. E erro sempre.
Espero não errar desta vez, mas…
A propósito, o tema das guerras foi propositalmente excluído do G20, para abrir espaço para discutir a fome.
Para conhecimento : Presidente Lula teve 11 reuniões bilaterais nesse domingo, véspera do G20. O presidente encontrou com as autoridades no Forte de Copacabana.
Segue a lista completa de reuniões 👇🏽
10h30 – reunião com o presidente da República da África do Sul, Cyril Ramaphosa;
11h20 – reunião com o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim;
12h10 – reunião com a primeira-ministra da República Italiana, Giorgia Meloni;
14h15 – audiência com o Príncipe Herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan;
15h00 – reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen;
15h50 – reunião com o presidente da República Socialista do Vietnã, Pham Minh Chinh;
16h40 – reunião com o presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço;
17h30 – reunião com o presidente da República da Türkiye, Recep Tayyip Erdoğan;
18h20 – reunião com o presidente da República Árabe do Egito, Abdel Fattah El-Sisi;
19h30 – reunião com o presidente da República Francesa, Emmanuel Macron;
20h20 – reunião com o presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Luis Arce.
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