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Blog do Franco

  • Porque hoje é sexta-feira!

    outubro 4th, 2024

    Mas não é uma qualquer, se é que existe uma. Estamos na véspera das eleições municipais, e as decisões, muitas vezes apressadas e impensadas, afetam cada vez mais nossas vidas.

    A escolha do presidente anterior revelou-se uma fatalidade histórica. Ninguém sabia que logo depois enfrentaríamos uma pandemia mortal terrível, e ficaríamos dependentes das iniciativas de um incapaz, negacionista, cercado por alucinados religiosos e militares medíocres. Foi uma escolha trágica, que custou a vida de muitos e o atraso de todos.

    Muitos dos atuais prefeitos, alguns tentando a reeleição, foram eleitos na onda negacionista, invadindo hospitais e desprezando vacinas. Faziam chacota com as vacinas chinesas. A verdade é que a maioria esconde o passado inflamado e faz cara de paisagem, tentando ocultar sua origem política e a escada do fascismo que usaram para ascender. Alguns ainda permanecem na mesma linha, prometendo combater o aborto ou proibir drogas, mentindo e sugerindo que o poder municipal tem alcance sobre essas pautas. E seguem em disputas importantes, sem nenhuma proposta, nenhum projeto, nada para ninguém além de seus grupos de interesse pessoal e restrito.

    Mas há também um retorno no ar: câmaras destruídas podem começar a repor vereadores comprometidos, antenados, capazes de preparar mudanças futuras. Acredito nisso. Em muitos lugares, o movimento de voto útil em andamento vai barrar muitas figuras conhecidas do fascismo e impedir que outras entrem no barco da política institucional. Claro que, aqui e ali, muitos seguirão infernizando, e isso não é privilégio nosso, mas do mundo em que vivemos e seus desafios.

    Mas hoje é sexta-feira, e um ambiente relaxado sugerido pelo poeta nos serve, favorece e inspira.

    A luta é contra os fascistas. Depois, vamos juntando os cacos e seguimos.

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  • Otoridade Monetária.

    outubro 3rd, 2024

    O intragável Campos Neto, pinçado da tesouraria do Santander para a presidência do Banco Central, onde, com gosto, denodo e entusiasmo, obedecia a todas as diretrizes do antigo regime, sem dar um pio, resolveu seguir na falação desenfreada, sem sentido, sem propósito, sem razão. E vem superando-se em cretinice a cada nova rodada de impropérios.

    Ontem, assumiu uma posição reveladora ao afirmar que a taxa de juros no Brasil tem que ser mais alta do que em outros países. E foi isso que esse sujeito passou os últimos dois anos fazendo, sem nenhuma razão objetiva — seja por inflação crescente ou um falso descontrole orçamentário. Repare que, a cada mês, a desculpa mudava. Ele seguiu alimentando, ora a especulação, ora a própria taxa de juros, sempre no sentido inverso da realidade e contrário às decisões do governo eleito e seu programa de crescimento econômico.

    Ou seja, em sua verborragia intolerável, o tesoureiro assume sua disfunção publicamente, mas faltou explicar seus motivos.

    E é isso que eu faço aqui.

    Há tempos — tanto que nem sei dizer quando começou — que nossas empresas, todas, vivem mais da tesouraria e da aplicação financeira do que dos resultados de suas atividades. Ou seja, até uma empresa de prestação de serviços de saúde, uma escola privada, uma fábrica de sabão, ganha mais aplicando dinheiro nos maiores juros do mundo do que em suas atividades próprias.

    Isso nos leva a imaginar como e quanto faturam bancos e financeiras em suas atividades. Essas sim ganham em cima da movimentação de dinheiro na economia.

    E ganham muito. Demais. Completamente fora da realidade. E isso em um mercado quase monopolizado, com pouquíssimas opções de bancos no nosso mercado. Ou seja, para eles o monopólio serve; para eles, a concorrência com bancos estrangeiros não serve. Verdade que, recentemente, a concorrência aumentou, com o aparecimento de fintechs, bancos digitais e cartões de crédito, mas que — saiba — tratam seus funcionários não como bancários, mas como digitadores, atendentes de call center, fazendo isso para não pagar os acordos salariais dos sindicatos dos bancos, nem cumprir com a evolução da carreira dos bancários, que têm uma história de lutas sindicais importantes. Resumindo: são ainda piores que os bancos tradicionais e precisam de enquadramento, que é mais uma das responsabilidades que o atual Banco Central não cumpre.

    Esse janeiro que não chega logo para nos livrarmos deste encosto no Banco Central… E o próximo presidente, Galipolo, que avalizou quase todas as presepadas da atual diretoria e concordou — até com explicações e argumentos — com todas as loucuras do Campos Neto. Ao assumir suas intenções maléficas, Campos Neto joga o boboca do Galipolo no fogo, que é quem vai precisar se explicar daqui pra frente.

    Coragem, menino, vai precisar.

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  • A hora do Voto útil.

    outubro 3rd, 2024

    Quem vai com raiva, frustração e ressentimento para a cabine de votação, imaginando protestar contra tudo o que está aí, geralmente o faz sem antes dar uma olhada no espelho. Não é difícil perceber o quanto a existência de um inimigo – real ou imaginário – agrega grupos heterogêneos e direciona a rejeição. Tudo é relativizado; importa mais derrotar do que vencer.

    Além das questões psicológicas, temos as objetivas e práticas. Esta é aquela semana em que a reflexão sobre a viabilidade de nossas preferências bate forte e nos exige uma decisão.

    O tempo urge.

    E, por motivos diversos – às vezes porque o candidato se dividiu, não comunicou bem, era realmente ruim ou pouco conhecido –, nossa escolha do coração não vingou. Agora, uma ou outra opção aceitável pode impedir um desastre maior.

    Sim, estou falando do doloroso voto útil, aquele que a gente vota e sai correndo.

    Chegou a hora. Há lugares em que a tomada de decisão nesse sentido é exigida, mas não vou sugerir nada. Porque o voto consciente já percebeu e não precisa de orientação – talvez de consolo.

    Vida que segue. Feliz é quem tem candidatos viáveis na disputa, quem consegue fazer uma escolha com boas chances de vitória.

    Aos demais, resta seguir em paz e evitar o mal maior.

    Antes de nós, quando nem sequer havia eleição de fato, muito menos pesquisas de opinião, existia o sentimento de “perder o voto” se o escolhido não vencesse. Ou seja, ninguém gosta de perder. A responsabilidade hoje é muito maior, porque sabemos bem o que esperar da urna – salvo as surpresas –, o que nos exige cuidado para não deixar passar justamente aqueles indesejados.

  • 51% aprovam e 45% desaprovam.

    outubro 2nd, 2024

    Embora a variação da aprovação do Presidente Lula oscile dentro da margem de erro, não deixa de surpreender a dificuldade em conquistar números melhores, sobretudo considerando a tendência de repetir seus governos anteriores, quando números próximos de 85% de aprovação eram corriqueiros.

    O que aconteceu?

    Se Lula pouco mudou e sua administração renova suas façanhas econômicas anteriores, onde está o problema?

    Sem dúvida, uma parte importante da opinião pública segue envenenada pelas acusações da operação Lava Jato. Mesmo com aqueles falsos justiceiros desmoralizados e a operação contando seus últimos dias inglórios, as consequências de tantos anos de ataques causaram um estrago de difícil reversão.

    Aos poucos, a aprovação vem melhorando. Comparado ao ex-presidente, em franca decadência e perto da prisão, a aprovação de Lula pode até ser considerada razoável. Os primeiros anos de governo são difíceis, com tantas coisas para arrumar, e sem perder de vista o seu programa, ele vem abrindo caminho em um país dividido, com um Congresso oposicionista no início e uma imprensa da pior espécie possível. Ele vai indo.

    Sinto falta também de destacar a opção “Razoável” nas enquetes; faz muita diferença e consegue captar melhor as movimentações na opinião pública com mais precisão. Essa ausência favorece um ambiente de radicalização, onde a nossa imprensa prefere atuar nos últimos tempos. Senão, vejamos, na mesma pesquisa : Positiva: 32% (eram 36%); Negativa: 31% (eram 30%); Regular: 33% (eram 30%) e Não sabem/Não responderam: 4% (eram 4%). Observe como o delocamento dos extremos para “Razoável”, ameniza a avaliação da pesquisa, podendo afirmar que 65% aprovam o governo.

    No fim das contas, a maioria segue aprovando, e essas queimadas recentes, que tentaram jogar no colo de quem faz de tudo para evitá-las e combatê-las, influenciaram negativamente os números atuais.

  • Grau de Investimento.

    outubro 2nd, 2024

    A agência de classificação de risco Moody’s elevou nesta terça-feira (1º) a nota de crédito do Brasil de Ba2 para Ba1, com perspectiva positiva. Agora, o país está a um passo do chamado grau de investimento, um selo de bom pagador concedido pelas agências, que assegura aos investidores um menor risco de calotes.

    Na história, o único período em que o país obteve selo de bom pagador foi entre os anos 2008 e 2015. A entrada ou saída do grau de investimento é definida pelas agências de risco a partir de fatores como o nível das reservas internacionais, cenário fiscal e estabilidade política.

    Alguns fundos de pensão internacionais, de países da Europa ou Estados Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de países que estejam classificados com grau de investimento por agências internacionais.

    Empresas privadas também se beneficiam da classificação, permitindo acesso com menores custos a financiamento internacional.

    Enquanto digladia com o boicote do nosso Banco Central e paga R$880 bilhões de juros nos últimos 12 meses, sem escandalizar a nossa imprensa, confrontada com anúncios dessa natureza que ameniza ou disfarça dividindo louros com as administrações desastradas anteriores e aquelas reformas destruidoras.

    Sempre observo o fato de que os consumidores desse tipo de jornalismo nunca sabe o que acontece no Brasil e muito menos no mundo. Fica perdido sem entender esse tipo de notícia, sem desfrutar do momento perdendo tempo e oportunidades. Pesquisas recentes mostram número imenso de pessoas que conseguem ver a economia do Brasil piorando, apesar de incapazes de citar um único fato nessa direção.

    Então, uma notícia excelente e em boa hora, para enquadrar a realidade e permitir melhor avaliação do eleitor no próximo domingo. Sim, prefeito e vereador tem pouco a ver com economia, mas tudo com a política e o cenário que se abre a caminho de 2026.

  • Reta final

    outubro 1st, 2024

    Vamos observar algumas cidades: BH, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.

    Em BH, a divisão entre Correia e Duda, à esquerda, permitiu que o centro e a extrema direita disputassem a vaga. Embora o número de indecisos esteja muito alto e os resultados das pesquisas sejam contraditórios entre diferentes institutos, em todos eles a divisão da esquerda foi fatal.

    Em Porto Alegre, a divisão pode permitir que o atual e péssimo prefeito vença no primeiro turno. Ao contrário de BH, não vemos tanta discrepância entre as pesquisas, mas a quantidade de levantamentos é pequena e a frequência muito espaçada.

    São Paulo, por outro lado, tem uma pesquisa quase todos os dias, mostrando variações dentro da margem entre os candidatos, que se alternam na liderança dependendo do instituto. Parece-me que Boulos segue na frente, com Marçal e Nunes disputando a outra vaga. Apesar dos pesares, a ida de Marçal ao segundo turno pode significar a vitória de Boulos, ao contrário do cenário em que Nunes avance. A rejeição a Marçal é enorme e crescente.

    No Rio de Janeiro, desde as primeiras sondagens, Paes aparece com chances de vencer no primeiro turno. Esse ainda parece ser o cenário mais provável, mas sem os números altíssimos que surgiram no início da corrida. Se ganhar no primeiro turno, será por uma margem apertada.

    No Nordeste, a notícia é que a centro-esquerda, o PT e aliados começaram a reagir e a assumir a liderança.

    Estamos quase lá e, de maneira geral, mesmo sem conquistar o Executivo, os números dos candidatos de centro-esquerda, somados, parecem indicar uma recuperação importante. A meu ver, esse é o objetivo do momento.

    Na Folha de SP de hoje. “Há quatro anos, o PT saiu das urnas com 183 prefeitos, pior desempenho desde 1996, mas cresceu por meio de migrações partidárias após a eleição de Lula, chegando 286 prefeitos. A legenda não definiu uma meta, mas quer “um resultado bem melhor” comparado a 2020, afirma Humberto Costa (PT-PE), coordenador do Grupo de Tática Eleitoral do PT.

    Ao todo, o PT lançou 29.912 candidatos a prefeito, vice e vereador nessas eleições, das quais 4.594 disputaram as eleições de 2020 em outras legendas. Os que disputaram apenas o pleito de 2022 e migraram para a sigla foram 64, totalizando 4.658 nos dois anos. No cômputo geral, a maioria dos novos integrantes veio do PSD (470), PP (468) e PDT (458).”

  • A revolta das cadeiras e os EUA .

    setembro 30th, 2024
    Protesto com cadeiras em SP.

    Na reta final das eleições municipais, a expectativa é de derrota do extremismo. Hoje, a Folha trouxe uma reportagem com um resumo das maiores cidades brasileiras, aquelas com mais de 200 mil eleitores e previsão de segundo turno. A reportagem estima uma vitória parcial do bolsonarismo em 20 cidades e de candidatos apoiados por Lula em 11. Se estiverem corretos, restam mais de 80 cidades a serem divididas entre partidos de centro. Isso confirma a impressão inicial que observamos, e podemos destacar o PSD de Kassab como o atual MDB de outros tempos, um partido “bonde” onde cabem todos e cada um segue por si só.

    Esse cenário sugere um pós-eleitoral em que há espaço para todos saírem relativamente satisfeitos, e os próximos dois anos do governo Lula não deverão sofrer grandes abalos. Pelo menos por aqui. A seguir, teremos a eleição dos novos presidentes das casas legislativas, que costumam provocar maiores tremores do que as eleições municipais. Mas falaremos sobre isso depois.

    Nos EUA, a democrata Kamala Harris segue na frente. Trump recuperou um pouco do terreno perdido, embolando a reta final da disputa. Os melhores analistas, no entanto, continuam apostando na vitória democrata, o que, segundo o próprio Trump, encerraria sua carreira política.

    O fascismo, que veio para ficar, ainda não consegue reunir forças em países que governou recentemente, mostrando sua incompetência administrativa, causada pelo total desinteresse pela coisa pública. Trata-se de uma frente de interesses específicos, excludentes, composta por liberais exacerbados e fixados em costumes conservadores para angariar votos. É uma receita que funcionou por um tempo, mas aparentemente está em declínio. Manter tanta gente furiosa por tanto tempo é algo difícil, e eventualmente essa força vai se dissipando.

    Aqui no Brasil, algo semelhante está acontecendo. Embora a extrema direita ainda consiga eleger candidatos, ela já não tem aquele discurso alucinado de antes. Vive de alguns espasmos delirantes para sacudir os mais radicais, mas claramente acena para o centro político para sobreviver. Continua no jogo, mas sem a eficácia anterior. Uma última observação é que o fascismo como força politica está normalizado no Brasil e no mundo, por força das mídias novas e a da velha imprensa, e passa a ser adversário a ser sempre combatido.

    Alguns até tentaram ultrapassar a retórica extremada do bolsonarismo, mas acabaram desmoralizados por cadeiradas. A sobrevivência desse tipo de discurso parece ameaçada.

    Vamos aos votos.

  • Prévia eleitoral.

    setembro 29th, 2024

    Neste imenso país, é difícil, senão impossível, prever resultados eleitorais antecipados, sobretudo em 5.569 municípios.

    O que temos afirmado é que, de maneira geral, a expectativa do campo progressista é recuperar o terreno perdido para a extrema-direita, não obter hegemonia.

    Até aqui, podemos arriscar prever um relativo sucesso nessa empreitada, com a extrema-direita ou dividida, ou mesmo derrotada nos principais confrontos.

    É certo que a direita tradicional pode até recuperar mais espaço, reproduzindo a divisão anterior ao golpe que derrubou Dilma. Repare como esse evento é um divisor de águas, como ainda estamos vivendo um pós-golpe e tentando retroceder ao período anterior. Em todos os aspectos, insisto, nos índices econômicos, a referência nunca é o período de 2014 até 2023/2024. Foram dez anos de retrocessos, estatisticamente perdidos. Somente daqui em diante, retomando as políticas vigentes daquela época, vamos recuperar empregos, renda, inclusão social e crescimento econômico, após uma década perdida.

    Na política, segue a mesma lógica: a tendência de recuperação gradativa do espaço pelos progressivos e o recuo da extrema-direita.

    Ela (a extrema-direita) não deixa de existir porque nunca deixou de existir, apenas estava acuada, rosnando. Encontrou força e espaço para retornar com o desatino do golpe que derrubou Dilma e com a nova força das mídias sociais, capazes de fomentar o ódio e os medos que alimentam esse tipo de política. Ainda estamos aprendendo a lidar com essa terrível novidade.

    De certo modo, o desgaste do ex-mito e o cansaço das pautas extremistas estão deixando estas eleições municipais com mais cara de eleições municipais, quando as discussões giram em torno das realidades locais, com as grandes questões nacionais em segundo plano. Isso não é ruim, perceba. É importante saber lidar com a vida real das pessoas em suas localidades. Confundir grandes questões nacionais com coleta de lixo, asfalto nas ruas, iluminação e segurança nos bairros não costuma resultar em algo positivo. E isso vale para todos os lados.

    Claro que tudo entra no debate, mas alguns temas e nomes permanecem específicos e assim devem continuar.

    O resultado geral teremos na próxima semana, e poderemos avaliar melhor os cenários, mas sem cair na velha armadilha de misturar, sem maiores cuidados, os resultados eleitorais municipais com projeções para o cenário nacional. Costuma ser uma colcha de retalhos indecifrável, e agora provavelmente será o mesmo.

    E, também, isso é um sinal de melhora: sem hospitais para invadir, sem novas bandeiras de escandalosa repercussão e com um discurso já desgastado, a extrema-direita deve ganhar espaço em pequenas localidades, mas perder nas grandes.

    Sim, o centro deve sair vencedor.

  • Falso Xamã dos juros.

    setembro 28th, 2024
    Foto por Leonardo Capitanio em Pexels.com

    Na Carta Capital desta semana – cuja leitura recomendo – Gonzaga Belluzzo escreve um artigo sobre a natureza do cálculo da taxa de juros Selic praticado no Brasil. Ele não estendeu, a meu ver, a análise para outros países, embora cite James Galbraith em um contexto temporal distinto.

    Não vou reproduzir o artigo, mas o resumo está na citação: “Para o economista James Galbraith, o regime de metas de inflação não passa de xamanismo.” Por extensão, Belluzzo critica a política de juros que pretende impor disciplina.

    Belluzzo explica que o regime de metas de inflação funciona como uma espécie de “xamã indutor”, criador de um futuro que se impõe com decisões presentes.

    No entanto, ele deixou de abordar a elevação dos juros nos bancos centrais de outros países, que estão de fato enfrentando problemas relacionados à demanda, dificuldades logísticas e o aumento nos preços de commodities provocados pela COVID-19. É importante lembrar que esses países aumentaram seus juros, não exatamente para combater a inflação de custo, mas para lidar com a inflação resultante da expansão monetária necessária para manter as economias líquidas durante as quarentenas, além de financiar despesas públicas excepcionais emitindo títulos atrativos, evitando assim uma crise ainda maior. Movimento que agora invertem, todos reduzindo juros atualmente.

    Aqui no Brasil, não tivemos nada disso. Durante a pandemia, nosso governo manteve-se inerte, não financiou quase nada, só comprou vacinas após a CPI e concedeu o auxílio de R$ 600 a contragosto. O Banco Central subia e baixava juros conforme as necessidades de manipulação do câmbio, tentando atrair investimento externo, o que acabou em fracasso. Como explicamos em outras ocasiões.

    Esse mesmo Banco Central, que antes agia de acordo com a política econômica do governo anterior, agora parece abraçar o “xamanismo” de boicote, antevendo um futuro com inflação alta e crescente que não se reflete na realidade. Mesmo que os fatos não confirmem suas previsões, o BC muda o foco e ataca a política fiscal, com o apoio da imprensa financeira. De um lado, temos quem busca lucro com aplicações financeiras, e do outro, quem deseja boicotar o atual governo e o crescimento econômico.

    Em entrevistas nos EUA, durante a reunião da ONU, Lula lembrou das previsões de mercado e do Banco Central sobre o crescimento do PIB em 2023, que estavam completamente erradas. Previram 0,8%, enquanto o resultado real foi de 2,9%. E, ao que tudo indica, vão errar novamente em 2024, possivelmente em mais de 100%. No entanto, para definir a taxa de juros com base em análises futuras – aí entra o “xamanismo de resultados” – o BC mantém uma atitude arrogante e terrivelmente prejudicial, custando bilhões, quando deveria agir com extrema prudência.

    Estamos todos aguardando janeiro, quando, ao que tudo indica, uma mudança na direção do Banco Central poderá finalmente trazer algum alívio na cobrança de juros.

    Sei não… para não dizer que duvido.

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  • Na ONU, sem tirar os sapatos.

    setembro 27th, 2024

    O que nós, brasileiros, estamos começando a perceber, ainda que sem entender inteiramente, é como, aos poucos, a agenda internacional vai entrando em nossas vidas.

    E o quanto isso incomoda os acometidos pela incurável “síndrome de vira-lata”, sobretudo aqueles que entendem política externa como sendo apenas Washington, Nova York, Paris e nada mais.

    A história da integração latino-americana reflete-se em nossa indiferença quanto aos destinos dos nossos vizinhos de continente. Questões geográficas e distâncias também contribuem, já que nossa presença física entre os países que fazem fronteira conosco é irrisória, mas isso não explica tudo. Assim como entre os povos do continente africano, a política colonial de “dividir para conquistar”, fomentando falsas rivalidades ou até ódios, é fundamental.

    Nós, brasileiros, sempre nos imaginamos rivais dos argentinos, recebendo reciprocidade. Dos chilenos, bolivianos e venezuelanos, nada sabíamos. O Uruguai era sinônimo de churrasco, e o Paraguai, de muamba. E nada mais. Do resto do mundo nem preciso falar, com exceção da Europa e dos turistas ricos que poderiam passear por lá, mas sem saber nada além das fofocas sobre os antigos monarcas.

    Assim vivíamos até o operário assumir e nos mostrar um mundo diferente, desafiador e convidativo. Para comércio, viagens, parcerias, erros e acertos. O que não existe mais é a indiferença, pois agora também nos procuram e querem saber de nós.

    A primeira investida de Lula no Conselho de Segurança da ONU foi, internamente, tratada como piada, assim como praticamente todas as iniciativas do operário. De lá para cá, a história mostra quem tinha razão, pois agora quem pede nossa entrada são potências mundiais e membros do atual conselho. E quem nos impede são aqueles que sempre tentaram frear nosso crescimento.

    A diferença é que agora tudo é debatido, não sussurrado. Estamos em todos os lugares, opinando, influenciando, negociando e, cada vez mais, assumindo protagonismo com palavras e gestos. Sim, alguns equivocados.

    De repente, o mundo está diante de nós, e estamos apenas começando.

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