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Blog do Franco

  • A luta continua.

    julho 17th, 2018

    Quem já viveu um pouco mais sabe das dificuldades que estamos enfrentando, embora com características próprias.

    A verdade é que descobrimos dessa vez que não basta avançar e dai acreditar que ficamos livres das sombras do passado.

    Parece que cada geração é chamada para exorcizar seus próprios demônios.

    Muito desses ectoplasmas zumbis deixaram suas moradas e tentam a luz do dia impor a exclusão e o privilégio utilizando para isso os meios necessários.

    Estamos, sim, em uma escalada de imposturas e o golpe não foi o ápice, senão o início mesmo desses tempos absurdos.

    Enquanto ainda tratam de imobilizar as nossas possibilidades de reação, declaram, entre outras coisas, que o fim de nossas escolas públicas precisará de muito gas para acontecer.

    (E anunciou-de que após 20 anos de quedas continuas, a mortalidade infantil cresceu 5%.)

    Sabem que, uma vez instalados, poderão manter a força posições de afronta às necessidades de nosso país.

    A falta de senso e oportunidade nossa, aliada à alienação e o monopólio da opinião, permite manter um número de brasileiros inertes, entorpecidos, sofrendo isolados a crise que a todos empobrece, e mesmo assim conseguem manter através da falsa informação,um sentimento generalizado de incapacidade e culpa individualizado.

    Pensar coletivamente é a saída geral, enquanto tratamos de sobreviver no varejo.

    Essa é mais uma luta, sabemos, e como todas não é preciso que o seu significado seja outro além de lutar por justiça e pelo que é certo.

    E que pertença a todos e a todos inclua.

    Assim fazendo, lutamos bem.

  • Muitas dúvidas e algumas certezas ( poucas) .

    julho 16th, 2018

    Agrava-se o cenário econômico no Brasil, números extraordinários de inadimplência, contas de pessoas física negativas etc.

    Além dos demais aspectos conhecidos de emprego e renda decrescentes.

    O que chamamos de círculo negativo, onde um aspecto alimenta o outro e afundamos todos.

    As pesquisas de investimento futuro continuam a mostrar quadro desalentado, confirmando a percepção geral de declínio.

    Nesse quadro delicado a esperança de mudanças com a próxima eleição fica igualmente nebuloso, com os principais candidatos incapazes de atrair simpatia, também por falta de idéias e propostas.

    A impressão geral é que alguma coisa está faltando.

    De fato, falta decidir em que circunstâncias se dará a participação do candidato do PT e o nome que concorrerá.

    A estratégia muitas vezes elogiada aqui permanece, acertadamente, e asfixia o ambiente raro de oxigênio que o nome de Lula toma dos demais.

    Não fosse assim estaríamos discutindo o sexo dos anjos e a som das trombetas do apocalipse, entre outras platitudes inúteis para verdadeiramente superarmos a terrível adversidade.

    Ao negar a naturalidade com que tentariam comportar-se com a ausência do candidato petista, mantém as coligações tensionadas e incertas, e força uma percepção que tudo pode ser diferente.

    Também esse último habeas corpus deixou no ar a possibilidade de um deus ex-machina surgir.

    Enquanto a resposta simples e óbvia continua fora do alcance e a saída igualmente distante, nos resta repetir o que já todos sabemos, aguardando o pior igualmente conhecido e, até aqui, certo.

  • A tática .

    julho 13th, 2018

    Me imagino em uma cidade do interior, digamos MG, numa dessas dezenas que existem lá, com 20, 30, 40 mil habitantes.

    E eu agora sou um fiscal da receita federal, rigoroso, e para iniciar meu trabalho de investigação abandono os escritórios e computadores e sento em um banco qualquer da praça central da cidade.

    Aquela praça, da igreja matriz.

    E passa um carrão, e outro, mais outro, anoto as placas, descubro o nome e endereço do proprietário, vou até suas casas, e a partir daí verifico suas respectivas declarações de renda.

    Método infalível.

    Da mesma simplória maneira vasculho a vida dos políticos, o que faziam antes, como comportaram-se nos mandatos, o que fazem quando não os exercem.

    A ideia geral é que ninguém honesto enriquece na vida pública.

    Infalível.

    E, o que fazem quando não estão em cargo eletivo ou nomeado, importa sobremaneira.

    Quanto ao fiscal do interior, o que sei disso é que aqueles que deveriam ser fiscalizados o contratam na época propicia para que ele, digamos, “faça” as suas declarações de renda.

    Quanto aos políticos, ex professores, ex presidente, ex governador, ex deputado prefeito senador , ex neto, ex filho desse ou daquele, ex qualquer coisa, que não recebeu uma herança altíssima, não ganhou na loteria e nem é ou foi empresário rico, não tem jeito.

    É ladrao.

    E, concluindo, entre o Lula e o FHC, qual dos dois você acha que roubou?

    Qual dos dois é milionário?

    A revista Carta Capital dessa semana pode te ajudar a descobrir.

  • O impedimento de Crivella.

    julho 13th, 2018

    Hoje ocorreu uma pequena batalha na cidade do Rio de Janeiro, na CAmara de vereadores onde foi discutida a possibilidade do impedimento do prefeito Crivella.

    O resultado já conhecido foi a vitória do prefeito, apesar dos verdadeiros absurdos que ele praticou ao oferecer facilidades a um grupo de evangélicos numa reunião que foi gravada e exposta ao público.

    A reprimenda a atitudes como essa, políticas e administrativas, são plenamente justificadas, mas o remédio extremo de afastar o prefeito do seu mandato é exagerado e afronta o desejo do eleitorado majoritário que o elegeu.

    A banalização dessa atitude extremada não pode ser permitida, embora a defesa das reiteraras presepadas de alguns seja uma tarefa mais do que ingrata.

    O psol ficou nervoso e cobrou do Pt posição contra o atual prefeito, em mais uma prova dessa infantil vontade do pequeno partido em resolver um problema criando um outro ainda maior.

    O Brasil precisa de muitas coisas, muitas mudanças, muita atitude corajosa, mas uma das primeiras e mais urgentes passa por respeitar a vontade da maioria, acreditar que na democracia poderemos colher os melhores frutos.

    Sem golpes, contra golpes, viradas de mesa, impedimentos, seletividade.

    A partir daí, todo o resto vai entrar no caminho melhor.

    Até, se for o caso, para impedir prefeitos incompententes de continuar cometendo erros grosseiros como foi esse do Cruvella.

  • A indispensável assembléia .

    julho 12th, 2018

    A atuação do ministério público brasileiro desde muito tempo parece a de um partido político.

    Age com interesses, protegendo uns e perseguindo outros.

    Esses interesses aparentemente misteriosos confundem a correta avaliação das pessoas, porque estão encobertos por uma aparente obrigação funcional e justificados na legislação.

    A questão da seletividade é subjetiva, quando comparada a uma ação fria amparada na letra, no que está escrito, nos códigos penais etc.

    Se existe alguém qualificado para isso, interpretar, seriam esses os juízes concursados e os promotores os responsáveis para fazê-lo.

    No fundo dessa questão central estão escondidas, e retornamos a elas, visões distintas da vida, da sociedade, de escolhas motivadas e conscientes que todos fazemos, inclusive esses agentes públicos encarregados da aplicação das leis.

    Mais importante do que a correta aplicação da lei é exigido, deles e de nós, uns para impor e os demais para obedecer.

    Claro que antes de impor a qualquer um de nós uma obrigação qualquer, do agente público responsável exige-se dele anterior e indispensável submissão às mesmas leis que fornecem a legitimidade e a força necessária.

    Sem obediência previa desse agente não há que se falar nem esperar obediências às suas decisões.

    Não pode existir uma lei flexível, manipulável, seletiva, sob pena de não existir mais lei alguma.

    O que estamos assistindo no nosso país é isso, um desmonte da legitimidade das instituições, que ao decidirem ignorar a regra perdem a sua legitimidade e colocam todos à deriva, dependentes e sujeitos às vontades da força, do improviso e de certos interesses.

    Evidente que as consequências são terríveis, e a maior delas é a consequente luta por restabelecimento da ordem que não se fará sem um novo pacto, dessa vez transparente e inclusivo.

    O que eu quero dizer é que a maior urgência após a eleição é uma assembléia constituinte para devolver o ordenamento e enquadrar os agentes institucionais em seus devidos lugares.

    Sem o que não teremos solução para a crise e nem governo viável.

  • A disputa importa.

    julho 12th, 2018

    Os candidatos à presidência que continuariam a obra em andamento e mesmo outros que manteriam uma sequência ideológica autoritária, estão absolutamente anulados e parece que assim permanecerão.

    O candidato fascista com seus 15% também estancou e na impossibilidade de formar alianças fica com 8 segundos de tempo de propaganda gratuita na TV, muito pouco pra avalanche de críticas e ataques que receberá dos seus adversários.

    Marina que insiste em permanecer no vácuo não engana mais e Ciro apesar de acenar pra todos os lados também não soma apoios importantes.

    O quadro permanece com Lula na frente, totalmente isolado na sua liderança, com chances reais e crescentes de levar no primeiro turno, mas provavelmente impedido de concorrer.

    O nome que ele ungir deverá ter no mínimo chances de passar no primeiro turno.

    Agora eu penso em uma outra situação, deveras preocupante.

    A ausência de probabilidades de vitória do campo golpista e do possível fracasso geral das candidaturas de direita abre espaço para manobras perigosas.

    De uns dias para cá um certo silêncio dos apoios aos candidatos do golpe, e também a tremenda repercussão favorável à Lula nesse último domingo, parece que deu um choque de realidade duríssimo ao grupo político e econômico que deu e sustenta o golpe.

    Eles não tem nenhuma viabilidade eleitoral,e pior, diminuem.

    E isso é perigoso.

    Na falta de saídas essa turma vai tentar forçar uma, do jeito que for, na forma que for, fazendo o que necessario for.

    Não faltam idéias e disposição.

    Nos próximos dias e semanas o resto de nossa democracia enfrentará seus maiores desafios das últimas décadas.

    Em hipótese alguma irão oferecer a derrota gratuitamente, um preço alto deveremos ainda pagar, e digo além do custo que representa Lula preso.

    Porque o que fizeram ainda não foi o suficiente para garantir a sequência do golpe.

    Breve descobriremos.

  • Nudez .

    julho 11th, 2018

    Muitas e variadas imagens e metáforas foram usadas para tentar explicar o terrível fato ocorrido neste último domingo.

    A partir da decisão de conceder o Habeas Corpus que libertaria o presidente Lula, uma batalha de vergonha entre membros do judiciário, executivo e polícia federal, iniciou.

    O que restou visível aos olhos perplexos foi a nudez, escandalosa e obscena da justiça brasileira.

    O velho adágio ensina que das mentes dos juízes ninguém sabe o que sairá.

    Também compara, com precisão, juízes com fraldas.

    Mas, no caso, nem as fraldas sobraram para encobrir a visão terrível da parcialidade e da injustiça.

    Também outra história conta do rei achado nu por uma inocente criança, ainda ignorante das artes das hipocritas falas dos adultos.

    Só ela disse o que restava evidente e exposto, a nudez do rei, arrogantemente desfilando sua pompa de estupidez.

    E da covardia da sua audiência.

    Mas nem todos estão calados, e diante de tamanha e pornografica injustiça ousou um desembargador anunciar o óbvio : vocês estão nus.

    Foi o que bastou para uma insana e frenética ação, ainda no intuito de impor as aparências e o desequilíbrio.

    Conseguiram.

    Só não conseguem é evitar o fato da nudez, agora conhecida e notada por muito mais pessoas, aqui e lá.

    Lá e aqui.

  • A opção que restou.

    julho 10th, 2018

    Com o fim da contribuição sindical obrigatória aprovada recentemente na reforma trabalhista do desgoverno de plantão, os sindicatos brasileiros passaram a enfrentar uma crise inédita.

    A CUT defende o fim dessa obrigação a muitos anos, mas dentro de regras negociadas e um período de transição.

    Nada disso foi feito e a falta de recursos e mesmo o fechamento de sindicatos deve ser o resultado provável desse desmonte.

    Por conta disso a CUT decidiu vender sua sede nacional, localizada em SP.

    Para bem situar o momento de nossa crise o candidato para comprar o prédio da CUT foi o Valdomiro Santiago, fundador e proprietário da Igreja do poder de Deus.

    O valor divulgado foi de R% 40 milhões.

    Ficamos assim.

    Na próxima rodada de negociações da sua categoria profissional, não vai adiantar esperar resposta ou iniciativa de seu sindicato.

    Em compensação, reze.

    A vontade.

    E muito!

  • Estado democrático de direito.

    julho 10th, 2018

    Eu procuro sempre sintetizar minhas idéias, torná-las o mais simples possível, mesmo a compreensão de assuntos complexos, até porque minha especialização é a engenharia e todo o resto aprendi sozinho e estou sujeito a entender tudo superficialmente.

    Por isso, modestamente, arranho uma coisa ali e outra aqui.

    Por exemplo, economia.

    Brasileiro que viveu durante o período da hiperinflação precisou entender os mecanismos básicos da economia para sobreviver, e assim fiz.

    Não só as pessoas, diga-se, já por volta de 2006 eu descobri, in loco, que para compensar um cheque na mesma praça em Londres você precisaria esperar 7 dias úteis, o que no Brasil bastavam 24 horas.

    Esse circo do domingo, promovido pelo judiciário classista, parcial e incompetente, ensinou uma lição importante para todos nós, além dos adjetivos que empreguei.

    Ensinou que a validade da lei, de uma decisão da justiça depende de sua eficácia, depende das pessoas, todas, as envolvidas profissionalmente e as que sofrem a ação sobre suas vidas, respondam a uma obrigação que a lei impõem. As pessoas precisam saber, por bem ou por mal, que uma decisão será cumprida, custe o que custar.

    Sem fazer demagogia ou reflexões sobre os efeitos da ação da justica, que só age sobre os pobres etc, aprendemos que uma lei que serve para mandar prender deveria servir para mandar soltar.

    Como disse logo no início, simples assim.

    Nós brasileiros estamos descobrindo que uma lei diferente tem sido praticada, que tem mão única e só serve para punir, sem eficácia quando chamada a corrigir injustiças ou cumprir ordens diferentes.

    Assim, concluo, daqui a pouco vamos todos entender, entender e assumir, que tal tipo de uso e aplicação dessa lei não nos serve e precisa ser mudada.

    Esse dia vai chegar, na verdade, até domingo estava muito mais distante.

  • A morte dos shopping centers.

    julho 10th, 2018

    Já de muitos anos o anúncio do fim dos negócios dos shopping centers circula nos países do primeiro mundo.

    Um número desconhecido desses monumentos já fechou, nos EUA sobretodos.

    A imagem que eu tenho da Europa latina é a de cidades dominadas por pequenos comércios, pequenos restaurantes, pequenos centros comerciais, e os grades atacadistas funcionam por lá como os nossos centros de distribuição, afastados das regiões populosas, em zonas industriais.

    Não sei se ainda permanece esse modelo por lá, talvez um meio termo, mas não sei mais.

    Nos EUA, entretanto, vale tudo, e as grandes lojas atacadistas, os malls, as franquias, foram engolindo os pequenos comércios, muitas vezes familiares, e os shopping centers eram a jóia da coroa americana, embora seu perfeito funcionamento dependesse das lojas gigantes, os âncoras, como são chamadas.

    A crise agora atingiu esses gigantes, a crise da internet, da compra on-line, e, parece, feriu de morte.

    Os principais investidores dos shoppings nos EUA já falam abertamente em abandonar esse modelo de negócios.

    Aqui no Brasil eu vejo de outra forma.

    Mesmo a tendência insuperável e invencível do comércio eletrônico não terá forças, ao menos até onde se pode enxergar nesse momento, em destruir os shopping brasileiros.

    Primeiro é bom lembrar que por aqui a moda dos shoppings custou a pegar, claro que por falta de consumidores, e os primeiros sucessos foram colhidos por uma peculiaridade dos países pobres : a violência urbana, os assaltos.

    Por aqui esses bunkers sempre foram encarados como zona de exclusão, de privilégios, seguros.

    Nesses termos irresistível.

    Por conta dessa capacidade de permanecerem relativamente isolados do caos que já está, com tendências de agravar sobremaneira, a existência dos shoppings me parece assegurada.

    Asim nasceram por aqui e assim deverão sobreviver, e enquanto os efeitos das crises mais se fazem visíveis, melhor para eles.

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