Rio de Janeiro é palco das maiores atrocidades contra o pobre, porque, além dos abusos cotidianos, ocorrem operações criminosas das autoridades empenhadas não em combater o crime, mas em usar o crime como vitrine eleitoral.
Todos nós conhecemos os nomes dos políticos envolvidos com a prática, que ocorre há décadas e se reproduz por sua eficácia a favor dos interessados.
Começa pela cobertura midiática completamente incapaz de informar: não dizem nada sobre a operação, além de parvos detalhes triviais, tentando legitimar uma ação desastrosa como planejada. Não sabemos quantos dos supostos 100 mandados de prisão foram cumpridos, nem quem são as dezenas de presos.
E os mortos? Eram os procurados? Tinham passagem no crime? Por que morreram?
Imagine uma operação policial para prender 100 pessoas perigosas de uma só vez no meio de uma pequena cidade. Se isso faz algum sentido. Por que não usar a inteligência, como dizem ter sido organizada a operação, para prender aos poucos os bandidos? Qual a lógica de declarar guerra no meio de uma comunidade desarmada?
O saldo até aqui foi pífio: 200 quilos de maconha e um número de fuzis inferior ao encontrado na mansão vizinha ao Bolsonaro, no condomínio Vivendas da Barra.
O que se pretende é dragar o governo federal para uma disputa em um formato onde todos perdem, inaugurando a campanha eleitoral no Rio de Janeiro.
O discurso da defesa dos bandidos e dos direitos humanos está armado de forma dramática e aponta para a mais desleal e violenta eleição de todos os tempos.
A direita, sem candidato e sem bandeira, sem a economia em pleno funcionamento para criticar, elegeu a segurança e o controle fiscal como discurso para a disputa. E começaram do único jeito que sabem: matando.
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Poderíamos especular sobre as razões da mudança repentina de entendimento do Ministro Fux, que, depois de julgar e condenar centenas de invasores da Praça dos Três Poderes no fatídico 08/01, muda completamente de posição, anula tudo o que afirmara semanas antes e passa a relativizar e inocentar. Julga Bolsonaro e demais golpistas como meros especuladores de golpes e inocentes de todas as demais acusações — que incluíam, inclusive, a trama para matar um ministro da Corte que ele diz representar.
E depois pede para sair da Primeira Turma de ministros do STF, onde participou de quase todos os julgamentos dos golpistas, e vai para a Segunda Turma do STF, para se juntar a Nunes Marques, André Mendonça, Fachin e Gilmar Mendes.
Pois bem, se não podemos conhecer o foro íntimo do ministro, tampouco suas intenções para essa mudança, vamos analisar as consequências.
Primeiro, o seu previsível alinhamento com os dois indicados de Bolsonaro, Nunes Marques e André Mendonça, no que diria respeito aos interesses — digamos — excepcionais dos fascistas. Mas, como os processos dos golpistas ficam na turma atual, e os recursos futuros idem, não muda nada.
Em matéria penal, habeas corpus e garantias do gênero, Fux concede menos do que Marques e Mendonça, sendo o mais rigoroso de todos os ministros nessas questões.
E confirmou isso: mandou os bagrinhos do 08/01 para as grades. Se solta os mandantes, confirma seu — digamos — alinhamento com uma parte da nossa Justiça que só prende ladrão de galinha e solta fazendeiros. Um ministro que olha a capa do processo antes de julgar, o que, aliás, confirmou recentemente ao dizer que o juiz deve julgar atendendo ao clamor popular. Não se sabe de onde ele tirou essa “lei”, mas foi o que disse.
Uma preocupação surgiu com relação a um processo que está com Fux, sobre o recurso da inelegibilidade de Bolsonaro. O sorteio caiu em Zanin, que declinou alegando ter participado do julgamento anterior como advogado. E aí existem alguns aspectos a serem decididos: se o processo acompanha Fux como relator ou se fica na turma, já que ela se pronunciou para fazer a troca de Zanin por ele.
A possibilidade de o processo da inelegibilidade seguir com Fux para a outra turma levantou preocupações — por motivos óbvios. Porque seria inocentado com os votos dos três contra Fachin e Gilmar, os demais da Segunda Turma do STF.
Sim, se lá chegar, esse será o provável desfecho do recurso e a consequente anulação da inelegibilidade.
Se não fosse mais um detalhe: os embargos infringentes — recurso para tentar mudar decisões que o STF só acata quando o resultado da turma for 3×2, ou seja, quando há divisão na decisão. Nesse caso, segundo o Regimento Interno, o embargo deve ser analisado pela outra turma.
Sim, isso mesmo.
Não vamos nos alongar no texto. O importante a destacar é que, mesmo na hipótese de Fux levar consigo o processo da inelegibilidade, ainda que derrubem na turma a condenação de Bolsonaro, se o placar provável de 3×2 ocorrer, com os dois prováveis votos contrários de Fachin e Gilmar, o processo seria devolvido à outra turma, e a anulação da inelegibilidade seria anulada.
Verdade que nada disso serve para Bolsonaro, porque sua condenação criminal já o mantém inelegível muito além dos efeitos das decisões da Lei da Ficha Limpa.
Mas é bom saber que, nessas idas e vindas, as brechas estão fechadas.
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O resultado eleitoral favorável ao partido governista La Libertad Avanza (LLA) é surpreendente — as pesquisas lhe davam 35%, mas obteve cerca de 40% dos votos — e deixa o governo Milei mais à vontade para seguir promovendo destruição, embora ainda precise de alianças para formar maiorias.
Três fatos, a princípio, explicariam o resultado: a maior abstenção de eleitores da história (34%) , o apoio financeiro prometido pelos EUA na véspera e a vitória parcial do governo Milei contra o descontrole inflacionário.
A abstenção histórica situa o pleito em um ambiente de descrença e desesperança do povo, e explica o fato de a maioria que compareceu ter decidido se agarrar na boia salvadora disponível: as promessas de dólares dos EUA e queda continua da inflação.
Convém observar no resultado: quando a maioria decide manter certas apostas porque ainda não se deu por vencida e, no caso, o pragmatismo necessário para a sobrevivência.
Como quem diz: se você nos trouxe até aqui, vamos ver onde isso vai dar — e garanta a promessa de resgate financeiro e o fim do aumento do custo de vida.
O que se fez foi ganhar tempo, num acordo precário entre 25% (66% de comparecimento para 40% de votos no partido do governo) dos eleitores, longe da maioria, mas decidido entre aqueles dispostos a aprofundar o modelo.
A lição que fica é que, sem uma opção clara, resta à maioria seguir sobrevivendo das promessas supostamente visíveis.
O resultado é trágico, não só para a Argentina como para a América Latina.
Mas foi, no momento, a saída possível para enfrentar a desvalorização da moeda — estimada em 12% nos próximos dias — que traria de volta a inflação e a falta de recursos para cumprir os próximos compromissos externos.
Se agarraram na boia mais próxima, que lhes sirva ao menos por enquanto.
Porque o mais provável é que tenham se agarrado na âncora.
Ps.: descubro agora dois pontos sobre a eleição : primeiro que pesquisas apontavam votação de 37% para o grupo de Milei ( chegaram a 41), não sendo portanto uma vitória inesperada. E segundo, a direita Argentina mantém em
seguidas eleições patamares de 40% nas preferências,
“A feira no bairro de Villa Fiorito, onde Diego Maradona nasceu em Buenos Aires, não para de crescer, como reflexo da crise econômica argentina. Moradores vendem pertences pessoais e mercadorias em mantas estendidas no chão para sobreviver, formando uma cena de mais de 20 quarteirões de comércio informal às vésperas das eleições legislativas.”
É uma imagem que retorna na tragédia argentina, porque nos recorda os corralitos de 2001 e o ocaso econômico do país, que desde então viveu de espasmos sem jamais superar essa chaga.
O que equivale às nossas filas de osso do desgoverno anterior. Porque destruir é tarefa ligeira, empobrecer é imediato; progredir e desenvolver, construir e distribuir, debelar a fome, são tarefas árduas e demoradas.
E no próximo fim de semana teremos as eleições de meio de mandato no país vizinho, e todas as previsões apontam para derrota acachapante do atual governo, que precisou abandonar promessas e partir para a chantagem com apoio dos EUA e o dinheiro salvador.
Essas, que estão perdidas, ainda dependem de confirmar o tamanho da derrota. Como o partido mesmo de Milei tem pouca representação, somente uma votação abaixo de 35% será considerada uma derrota. Não sei de onde tiram isso, provavelmente para minimizar a vergonha.
Para parte de alguns ministros, nem foi preciso esperar resultados e votação: pediram o boné e pularam fora do barco — dizem que batendo portas —, e a reforma ministerial anunciada pelo próprio presidente, para depois das eleições, foi antecipada, porque o governo se desmancha na véspera, e os remendos da pós-eleição não apontam para soluções.
Como sempre sempre a palavra está com o eleitor, e aguardamos sua decisão.
Até semana que vem saberemos se os corralitos permanecem ou se o vento da mudança começou a soprar, mais uma vez, para os hermanos.
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Duas coisas começam a pipocar no noticiário: Lula vai ganhar no primeiro turno e a inflação em 2025 termina o ano em 4,5%, dentro do limite da meta.
A primeira está muito cedo para sabermos, falta um ano para confirmar. Embora, no momento, eu esteja convencido de que a atual trajetória de popularidade vai levar o presidente à vitória no primeiro turno, não tem como saber a essa altura — ficamos combinados.
A segunda estamos a pouco mais de 60 dias para confirmar, porque a trajetória igualmente indica queda em direção ao teto da meta de 4,5% anual e recorde no pós-Plano Real da menor inflação acumulada nos três primeiros anos de um governo brasileiro.
Portanto, não estamos tratando de algo banal.
Iniciamos o ano no “Deus nos acuda” em termos inflacionários. Uma sequência de bons golpes dos adversários e algumas decisões precipitadas e mal comunicadas — lembram da taxação do PIX? — foram aproveitadas pela oposição política e midiática para encaixar jabs certeiros e provocar uma reação no mercado, levando a alta do dólar e dos juros, que caminhavam em números muito bons até então.
A consequência foi uma nova presidência do BC, que ao assumir precisou jogar as taxas na lua e segurar as apostas contra o real — o que, aos poucos, foi se ajustando — e contou com um Trump cada vez mais descontrolado, provocando a baixa do dólar no mundo. Somados os dois fatos, o dólar no Brasil foi caindo de R$6,3 para os atuais R$5,4, e a inflação de alimentos, atrelada a preços de commodities, se acomodou. Com ela, a popularidade do presidente foi se recuperando também, no que muitos analistas afirmam ser, atualmente, o melhor momento de todas as presidências, atuais e anteriores, do Lula, mesmo com a popularidade abaixo das anteriores por vários motivos, um deles o atual momento conflagrado mundialmente.
O que igualmente não é trivial.
Neste próximo domingo, provavelmente, teremos a primeira reunião presencial entre Lula e Trump, para negociarem as tarifas, e há quem diga que teremos boas novidades com queda na cobrança arbitrária cometida até aqui. Superada com muita paciência e sabedoria, reconhecida pelo mundo e internamente.
Com isso, podemos estar encaminhando um novo momento para nossa economia. Ainda pendente está essa questão dos juros muito altos, segurando o crescimento que todos entendem ser surpreendente nas circunstâncias de restrição monetária atual.
Feito isso, provavelmente, a partir de janeiro próximo, estamos dando a partida para mais uma reeleição e um período de prosperidade — sem esquecer que a frente da Margem Equatorial garante o equilíbrio futuro da balança comercial. E, se cumpridas as promessas de transição energética (que estão a pleno vapor, procure se informar), o Brasil de antes do golpe da Dilma está de volta, e esse intervalo de sombras e empobrecimento está definitivamente superado: voltamos a uma trajetória interrompida rumo a um país de classe média.
Dentro da nossa realidade, mas de classe média em todos os sentidos.
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Esse chamado que reproduzi no título, de campanhas eleitorais, tem história, e foi o principal mote do período em que PT e PSDB disputavam a preferência. Se bem me recordo, quando Lula lançou pela primeira vez essa chamada, não perdeu mais.
A partir do bolsonarismo podemos perceber uma mudança no centro da disputa: sai o “nós contra eles” e entra um discurso mais ideológico, mais por parte da direita do que do PT, que só agora começa a retrucar na mesma direção.
Uma questão que precisamos assentar quando lidamos com eleições é o quanto o acerto das estratégias é importante. No cenário brasileiro, a grosso modo, um terço é de esquerda, um terço de direita e o terço restante fica no meio — quem decide eleições é o eleitor do centro.
O período que compreendeu o mensalão, a Lava Jato e o golpe na Dilma, em sequência, deixou o centro inteiramente nas mãos dos extremistas de direita, afastando o eleitor não só do PT, mas também dos partidos do centro e dos discursos acomodados e fingidos desses grupos.
O povo queria outra coisa — mais, digamos, vigor e confrontos.
Nesse momento em que estamos nos encaminhando para a disputa eleitoral, o que estamos assistindo é uma mudança de atitude do governo, muito mais agressiva e contundente, mais propositiva e retórica, onde a tendência vai ser esvaziar novamente o centro político e chamar para uma reação a direita furiosa.
Imagino que a estratégia tenha seu fundamento e objetivos bem definidos: escolher o adversário e não deixar o centro respirar. Podemos ver a tentativa do PSDB de retornar, com uma velhíssima guarda saindo para disputas de cargos importantes. Ao subir o tom, o governo quer fechar a porta definitivamente para o centro crescer — quem sabe conquistar os votos desses grupos, isolar a direita bolsonarista e ganhar a eleição no primeiro turno, fazendo mais bancadas.
Ao escolher o bolsonarismo como adversário, o governo mira um aspecto definitivo da sua disputa com essa gente: eles perdem.
Sim. Eles perdem.
Em breve retrospecto, e sem irmos muito longe, desde o início do ano Lula escolheu Gleisi como ministra e Lindbergh como líder de bancada, mostrando aí os primeiros sinais da guinada que se avizinhava ou se desejava. E agora nomeia para ministro Guilherme Boulos, para definitivamente apontar um rumo claro a ser apresentado nas disputas.
Que não me entendam mal: a disputa em 2026 será duríssima, provavelmente a mais dura de todos os tempos, nos aspectos de informação e disputas de narrativas, inundação de mentiras e influência perigosíssima das mídias sociais bombadas por IAs.
Mas a chance maior é ganhar em primeiro turno exatamente por essas características que tentei apontar. Isolando a direita e bloqueando o crescimento do centro, o governo tenta liquidar o assunto de início e começar o quarto e último mandato de Lula com mais e melhores armas de governabilidade.
Vamos seguir acompanhando as posições e confirmar se essa mudança de atitude é definitiva — o que eu penso que sim.
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“A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), Ticiana Alvares, afirmou que o debate sobre a exploração da Margem Equatorial precisa ir além da questão ambiental e se concentrar no uso estratégico da riqueza nacional. Em entrevista ao programa TV GGN 20h, exibido na noite desta segunda-feira (20) no YouTube, Ticiana destacou que a pergunta central não é “liberar ou não liberar” a Petrobras para atuar na região, mas sim “para que aumentar a exploração de óleo e gás no Brasil”.
Saiu a tão esperada licença para a pesquisa que a Petrobras precisa fazer e apurar o tamanho das reservas de petróleo existentes na Margem Equatorial, litoral do Amapá, a 500 km da foz do Rio Amazonas.
Na verdade, “Foz do Amazonas” não se refere à foz imediata do rio Amazonas — aquela desembocadura visível entre o Amapá e o Pará — mas sim a uma província geológica chamada Bacia da Foz do Amazonas, delimitada por critérios geológicos e sedimentares, e não apenas geográficos.
O tamanho das reservas e a qualidade do produto a ser extraído irão informar a viabilidade da exploração.
Coisa que ninguém duvida, uma vez que o vizinho Guiana está nadando em petróleo e dólares.
Quando discutimos a prudência de seguir explorando petróleo no Brasil, é importante salientarmos dois aspectos diretos e um indireto.
Primeiro, a inexistência de substituto para o petróleo na atual conjuntura mundial; e segundo, o compromisso da Petrobras de usar os recursos apurados na exploração para modernizar e promover a nossa transição energética.
Por fim, o fato de estarmos lidando com um governo comprometido com metas climáticas, comprometido em cumprir a transição e — importante ressaltar —, sendo um governo vencedor de eleições e mantendo seus compromissos, evita que a riqueza caia nas mãos de governos sem compromisso e, além de tudo, que vão vender tudo para quem, sem nenhuma cerimônia, vai espremer o limão até a última gota, sem deixar rastros, levar a riqueza embora e deixar a desolação e a transição para energias limpas no Brasil como um sonho de uma noite de verão.
Ou não?
Não é no mundo ideal que vivemos, mas no possível.
Cinco meses de pesquisas e cinco anos para a operação comercial iniciar.
Vou voltar ao assunto mais uma e derradeira vez, com uma metáfora futebolística para tentar me fazer entender.
Imagine que você controla o ataque do time adversário e o meio de campo, joga avançado, marca a saída de bola e não deixa espaço. Apesar de jogar à frente, ocupa bem os espaços, com organização, inteligência e atenção a tudo que acontece dentro e fora do campo. O time adversário recua, tenta chutões para a frente e, ainda assim, não consegue sair do cerco.
Quando o jogo está desenhado assim, a chance de vitória para quem controla o jogo é muito maior do que a de derrota. Pode acontecer o contrário, claro — o futebol tem seus imprevistos —, mas o favorito costuma ser quem domina o jogo.
Encerrada a metáfora futebolística, vamos ao panorama social, econômico e político do Brasil.
O governo assumiu sob ameaça de um congresso hostil, em franca minoria e até sob risco de mudança de regime. Por diversas vezes, o então presidente da Câmara, Arthur Lira, acenou com a ideia de impor ao presidente Lula o chamado semipresidencialismo — um arranjo em que todas as obrigações ficam com o Executivo e todas as decisões e verbas, com o Legislativo. E sem o recurso típico dos países parlamentaristas de dissolver o parlamento e convocar novas eleições. Um verdadeiro maná para eternizar o comando do Congresso sobre a República. E há ministro influente do STF que apoia essa ideia.
Foi assim que começamos 2023: com tudo contra.
Sim, Lula conseguiu aprovar um orçamento que lhe deu fôlego para tocar o primeiro ano de governo. Mas, nas circunstâncias herdadas, a sobrevivência econômica e orçamentária parecia armada para explodir — como também se viu na atuação do Banco Central de Campos Neto.
Não é preciso repetir tudo o que se passou até aqui, basta lembrar de onde partimos e como o governo arrumou sua defesa. Voltando ao futebol: organizou o meio de campo, dominou os espaços e o jogo e, finalmente, agora, passou a atacar.
Exigir fidelidade e preparar alianças para 2026 são os movimentos centrais deste momento. Gerarão atritos, disputas pesadas, mas mostram claramente em que ponto do jogo estamos.
O placar pode ainda não refletir tudo o que aconteceu até agora — o jogo não acabou e segue até as eleições do ano que vem.
Mas atribuir ao erro do adversário o bom andamento do jogo, insistir que as vitórias do governo são obra do acaso, de “presentes” de Trump ou de Eduardo Bolsonaro, ou que o Congresso, ao dar tiros no pé, ajuda o governo por acidente, é ignorar a estratégia e a inteligência bem planejada e executada até aqui, nos mínimos detalhes.
Economia, saúde, educação, inflação, crescimento, equilíbrio fiscal e orçamentário — tudo ou nas máximas históricas, ou dentro do equilíbrio planejado com antecedência — não são obra da sorte.
Quando o gol sai porque o zagueiro acuado erra, o passe é cortado e o contra-ataque decide a partida, o fato principal não é o erro, mas o acerto da estratégia como um todo, a maneira como o time jogou até construir a vitória.
O torcedor do time derrotado pode destacar o erro, mas isso não muda a natureza dos acontecimentos nem o mérito de quem venceu.
Se o governo decidiu atacar — demitir falsos aliados, premiar quem sustentou o programa até aqui e tirar espaços dos adversários — é porque acredita em sua força e quer chegar à vitória.
Lamentar por isso? Penso que não.
Riscos sempre existirão; fazem parte do jogo e da vida. Mas saber a hora de agir é condição para vencer.
Que assim seja.
E, cá entre nós, governo Lula não joga para humilhar adversários ou coisas tais, joga para ganhar de 2×0, manter a dignidade de todos e vencer.
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Dois fatos eu guardo da época da eleição em 2024 que elegeu milei presidente.
Primeiro uma senhora subindo no ônibus e lhe perguntam se sabe que milei iria acabar com os subsídios das passagens ( de fato, aumentaram 10x) e ela confirmou que sabia e mesma assim votaria nele.
Um segundo fato de um rapaz que ganhava, digamos, 1500 pesos ( na verdade muito mais por conta da inflação ) e com q vitória de milei, segundo sonhava, seus 1500 pesos seriam convertidos em 1500 dólares. Hoje esses 1500 pesos valem 1 dólar e mesmo assim com câmbio oficial, totalmente defasado . Deveriam estar em 2000 pesos por dólar, o que deve acontecer tão logo passar a eleição de outubro .
Os EUA tentam segurar a onda, para evitar o naufrágio na eleição, a essa altura absolutamente certo. E não estão conseguindo, basta pingar dólar e a população vai lá e compra, porque sabe que passadas a eleição estão garantidos com a desvalorização inevitável.
De sexta : Hoje, o Banco Central argentino elevou o dólar oficial de 1.430 para 1.475 pesos, mesmo após a intervenção norte-americana. As taxas de juros de curto prazo dispararam para 157%, numa tentativa de conter a fuga de capitais, o que, paradoxalmente, drena ainda mais pesos do sistema financeiro. ( UOl)
O governo aproveitou a derrota da MP dos BBBs para promover um inventário de suas escolhas políticas visando 2026.
Me parece ser a eleição mais antecipada das últimas décadas, se não a mais de todas.
O ajuste de cargos, tão falado e que anda devagarzinho, acomodando interesses, parece seguir nesse conta-gotas — e imagino que se conclua, digamos, após o resultado eleitoral do próximo ano. Por agora, ajustam-se expectativas e, depois das eleições, a realidade e o pragmatismo se impõem.
Curioso como essa dança das cadeiras dos cargos, até agora, não mexeu com os ministros. Outra novidade.
Mas estamos além de cargos e alianças: também o discurso anda sendo ajustado — mais social, mais ecologia, mais distribuição de renda e mais taxação de ricos e milionários. E não é discurso eleitoral somente, mas o caminho para uma base de sustentação maior, mais orgânica e impositiva.
No que depende do eleitor confirmar se é isso mesmo que ele quer, além de eleger nosso Lula.
É interessante como o eleitor faz esse movimento de eleger um partido e dividir o poder no bolo de escolhas no Congresso. Tem uma sabedoria aí na decisão. Por isso, a relutância em entregar a chave e todo o conteúdo para uma só mão ou partido. Tudo bem — vamos pensar, então, que o partido do presidente precisa de uma fatia maior nesse bolo para melhorar a disputa e solucionar alguns problemas decorrentes de tantas parcelas de poder envolvidas e tantos interesses em disputa.
Quem sabe?
Outra possibilidade é que Lula e sua ministra Gleisi saíram irritados com a derrota da MP e andam reagindo com parte fígado e parte raciocínio. Nesse caso, e sabemos que são humanos, melhor ir com calma e fazer o trabalho com mais paciência ainda.
Não é fácil, mas a única forma de lidar com tantas variáveis.
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