Inevitável especularmos sobre as razões visíveis e invisíveis que motivaram o pedido de aposentadoria antecipada do ministro Barroso no STF.
Me inclino a imaginar que ficou desconfortável com o fracasso da Lava Jato, o retorno triunfal de sua vítima inocente, Lula da Silva, e precisou engolir a presença decisiva do petista para enfrentar golpistas e fascistas.
Barroso, a propósito, sempre preferiu decisões e programas muito mais afeitos ao gosto de um liberal de quatro costados – seu caso – do que de um sindicalista que defende trabalhadores e direitos trabalhistas.
No fracasso da Lava Jato — lembrando que Barroso se esbaldou juntamente com Fachin na sustentação daquelas decisões fraudadas — e na sequência da vitória de Lula, a verdade é que o pavão perdeu seu lastro e o lustro: só falava para as paredes e precisou engolir o sucesso das políticas públicas e a defesa da democracia do presidente Lula.
E foi ficando cada vez mais apagado e sem influência, o que, para ele, é insuportável.
Não fará falta nenhuma e abre a vaga para gente muito mais capaz, com ideias e posições muito mais relevantes e progressistas.
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Na medida em que vamos nos aproximando das eleições, ou os próprios partidos, imprensa e governo se agitam em votações no Congresso e disputas sobre especulações de candidaturas, formação de alianças e a condenação de Bolsonaro, a população reage e vai igualmente buscando posição, que se reflete nas pesquisas.
Sempre me reservo nas análises eleitorais quando ainda falta mais de um ano para a eleição, por conta do desinteresse da maioria em definir preferências antecipadamente, como nunca cansa de repetir Marcos Coimbra. E se a cada rodada a preferência pela reeleição de Lula vai se configurando, para mim não é surpresa, e minha aposta segue na vitória em primeiro turno.
Até porque nem adversário ele tem, e os nomes que circulam por aí são os mais fracos que ele enfrentou na vida.
Na verdade, seu adversário sempre foi o antipetismo, mas ele chegou próximo de uma vitória em primeiro turno uma vez e pode estar muito mais próximo em 2026.
De uns tempos para cá, tudo que acontece em torno das decisões do governo e do Congresso precisa ser analisado e entendido por esse prisma. Cada um vai procurar limpar seus compromissos, sejam eles quais forem, para se reapresentarem sem pendências com seus respectivos eleitores e renovar compromissos e promessas. E, por parte do Executivo, após a aprovação da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, estão surgindo novas ideias, como o fim da jornada 6×1 e a gratuidade do transporte coletivo, que mais parecem plataformas eleitorais para depois de 2026 e servem para não deixar a oposição pautar o debate.
Até porque ideias não são exatamente o forte dessa gente.
Caminhamos para um período de definições de candidaturas e alianças, e as pesquisas servem para firmar convicções e apostas, e cada vez mais a força do presidente Lula vai se fazendo sentir e influenciar decisões.
O objetivo do post é esse: estimular a leitura de todos os fatos na direção da eleição e dos eleitores.
E tudo fica claro.
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“Câmara derruba MP de Lula que previa tributação de títulos de renda fixa e aumentava a taxação sobre bets. Governo estima rombo de R$ 42 bilhões no Orçamento do ano que vem.”
“MP 1303 não cria novos impostos, ela cumpre o compromisso do presidente Lula de tributar o andar de cima: bancos, juros sobre capital próprio, fintechs e as bets que movimentam fortunas. A proposta enfrenta os privilégios dos super-ricos e fecha brechas usadas por quem lucra sem contribuir com o país.”
“Ficou claro que a pequena parcela muito rica do país não admite que seus privilégios sejam tocados. Não querem pagar impostos como a maioria dos cidadãos. E não querem que o governo tenha recursos para investir em políticas para a população.”
Os três parágrafos anteriores foram recolhidos das redes sociais, aleatoriamente, deixando clara uma posição contrária e consciente do que aconteceu na Câmara ontem à noite, com a recusa da oposição em votar a MP do governo que taxava os BBBs — Bets, Bancos e Bilionários — fazendo com que a validade da MP perdesse valor.
A possibilidade de uma nova MP sobre o tema, com mudanças aqui e ali, é grande, uma vez que recusa de votar não é rejeição, abrindo portas para retorno obedecendo normas regimentais.
Deve ser por aí a decisão do governo sobre a questão, que envolve 17 bilhões de reais para 2025 e 30 bilhões para 2026, mantendo o equilíbrio fiscal e seguindo na busca de maior justiça tributária, obrigando quem não paga ou paga pouco a contribuir mais.
As falas de colocar povo na rua me pareceram exageradas e nem deveriam ser banalizadas a essa altura do campeonato, mas mostram o que de fato esteve por trás do ocorrido, porque a oposição mira o governo de olho nas eleições.
O título que usei remete-se ao placar final da votação — 250 x 200, aproximadamente — mostrando que, apesar de perder numericamente, o governo vem crescendo em apoios dentro do Congresso e dividindo cada vez mais a oposição, que segue sem candidato para disputar em 2026 e sem programa.
Passa a valer a sobrevivência política de cada um dos congressistas, como temos muitas vezes observado.
O cuidado tem sido tanto para não desagradar eleitores que ninguém quis deixar registrado o nome no feito de ontem. Tanto os deputados quanto Tarcísio de Freitas tentaram, com manobras, evitar aparecer protegendo ricos e sonegadores. Tarcísio negou participação, mas todos sabem que mente, e o centrão manobrou para evitar a votação aberta da matéria, votando a retirada da pauta e assim deixando a medida sem validade por ser o último dia para apreciação.
O governo sentiu o bom momento, nas circunstâncias que tentei explicitar, e reage de forma distinta das outras vezes, apontando culpados e interesses, e aceitando a briga intempestiva do pleito eleitoral.
De certa forma, a principal vitrine do ano — a isenção do IR para quem ganha até 5 mil mensais — está garantida, e daqui em diante tudo é lucro e vale carimbar interesses, porque ano que vem vai valer ouro saber quem é quem.
Por isso, alguns fogem e outros se atiram.
E o recado é que cada vez mais o governo impõe suas pautas e, quem sabe, consegue fazer bancada mais favorável numericamente no ano que vem?
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O título é evidentemente uma provocação, mas, como toda boa, tem um fundo de verdade.
O telefonema entre Lula e Trump de ontem pegou, novamente, o mundo de surpresa. Os relatos de apreços mútuos prosseguiram e cobriram o bolsonarismo de indelével derrota.
Se insistem na votação de anistia é porque não têm nada mais a fazer, senão tumultuar, cada vez com menor sucesso. E a Câmara seguir na pauta da dosimetria parece mais tentar virar de vez a página — não sem antes pescar votos no bolsonarismo.
Telefonemas entre presidentes não acontecem para resolver nada, mas para início de relacionamentos futuros ou conclusão de algum acordo. A verdadeira disputa acontece entre ministros e secretários, embaixadores, até chegar a algum termo — ou nenhum, a ver.
A indicação do nazista Rubio para seguir nas tratativas com o Brasil foi comemorada pelos bolsonaristas, que, por sinal, foram deixados totalmente no escuro — antes, durante e provavelmente depois do telefonema. Mas a comemoração não faz o menor sentido, porque, segundo avaliação do governo brasileiro, Rubio vai fazer o que Trump definir, não o contrário.
A aproximação entre Lula e Trump, entretanto, revela outro personagem que dizem ser o rival de Rubio nas decisões de Trump: Richard Grenell, que seria o rival interno de Rubio e responsável pela aproximação com o Brasil.
Mais pragmático e menos ideológico que Rubio, dizem atuar também para negociar com a Venezuela o fim de sanções e o encaminhamento de acordos.
O que, se for verdade — e parece ser —, apesar da escolha de Rubio para seguir nas tratativas com o Brasil, o fato é que os vazamentos e as influências nunca acontecem por acaso e podem indicar que Trump percebe seu isolamento e começa a se deslocar para o mundo real, com menos ideologia no comércio, ao menos.
A ver.
Em todo caso, ficamos avisados das possibilidades e aguardamos o desfecho.
Além de tudo, o assunto anistia, prisão e Bolsonaro não entrou na conversa entre os dois presidentes — até onde sabemos. E sabemos que Lula, além do fim das tarifas, incluiu o fim das sanções de autoridades brasileiras nas conversas.
A proximidade da prisão de Bolsonaro será o teste dessas conversações: se os EUA e Trump insistem em interferir e usar tarifas como ataques ao Brasil, ou se vão — como estamos fazendo — virar de vez essa página e deixar a Justiça cuidar dos criminosos e seus crimes.
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Primeiro vamos colocar as coisas no seu devido lugar. Quando um time ia enfrentar o Santos do Pelé ou a Seleção Brasileira de 1970, a maior preocupação não era a grama, nem a torcida e muito menos o uniforme. Sabia que ia enfrentar os melhores e que a probabilidade era de perder.
Esse é o pensamento da direita brasileira para 2026: sabe que vai perder.
Não adianta os jornais e analistas insistirem que as estratégias da direita erraram aqui e ali, e com os erros o governo recupera seus índices de aprovação — a propósito, crescentes. Na verdade, eles tentam de todas as maneiras superar um adversário superior e arriscam tudo, no que o governo aproveita não porque erraram os adversários, mas porque o governo acerta nas respostas e na condução dos desafios.
Dito isso, vamos observar como andam as movimentações dos adversários nessa ótica — de quem sabe que vai perder porque enfrenta o melhor.
O nome óbvio seria o governador de SP, Tarcísio de Freitas, que, segundo dizem, aguarda ser ungido pelo chefe Bolsonaro para disputar a presidência. E aí começam os dilemas. A estratégia do Bolsonaro copia a de Lula em 2018, e aqui temos uma primeira questão: o PT perdeu feio em 2018 com essa estratégia de inscrever Lula, impedido de concorrer; protelou até receber a negativa oficial do TSE e só depois definiu pela candidatura de Haddad. Foi para perder e perdeu. Então Bolsonaro imita essa estratégia por qual razão? Porque ela manteve Lula protagonista no cenário político e ele não deixou de ser relevante, mesmo nas mais adversas das condições. Então Bolsonaro não quer somente insistir na impossível candidatura, mas no legado — e aí ele sabe que Lula obteve a vitória.
O caso dele é distinto, mas a aposta segue a mesma.
Voltamos ao dilema de Tarcísio: se ele sabe que vai perder se disputar com Lula, e sabe que é favorito para reeleição em SP, o ganho para disputar — e mesmo assim perder para Lula — só faz sentido para ele se fosse para garantir o legado e o comando da direita sem Bolsonaro no futuro. O sacrifício de agora teria que compensar para frente, assumindo a liderança da direita oposicionista brasileira. E vai? Os filhos e mesmo Bolsonaro vão permitir? A resposta claramente é negativa.
O que se impõe a Tarcísio, e daí a sua dúvida, é: para que me serve esse sacrifício?
Para nada, falemos abertamente.
A fragmentação e as brigas internas nos partidos do Centrão, batendo cabeças e cada vez mais divididos nas definições para a disputa em 2026, são a mostra de que sabem estar enfrentando adversário superior, com quem a derrota é quase certa — e não adianta ignorar a realidade. Trata-se da própria sobrevivência política de grupos e indivíduos, eles também mestres na arte da política. De MG para cima, quem se opor ao presidente Lula está correndo sérios riscos de perder a eleição. De MG para baixo, vamos ter disputas duras em quase todos os estados. Esse é o cenário.
Disse aqui em outro post que queria ver Lula eleito no primeiro turno, na sua última disputa. Seria um reconhecimento à sua história — e existe grande probabilidade de acontecer, pela primeira vez para ele.
Agora estão falando na chapa Tarcísio e algum Bolsonaro de vice — falam de Flávio, de Eduardo e de Michelle. Ou seja, qualquer um.
Por um lado, se pretende puxar os votos com o sobrenome, mas — e aí está o ponto — assegurar o legado para a família, mesmo com a derrota. O que, como apontamos, não interessa a Tarcísio.
Para ele, o melhor é assegurar sua reeleição em SP, que também vai cambaleando a cada indecisão dele, e tentar depois em 2030, depois que Pelé aposentou e Tostão lidera a seleção. O que, mais pra frente falaremos, também não é pouca coisa, de jeito nenhum. Mas não enfrentará mais o Pelé — e então a coisa pode mudar.
Dizem que seguimos nesse dilema até o fim do ano, mas o prazo de inscrição dos candidatos é abril e, depois, se o Jair mantiver a estratégia, vamos até o meio do ano que vem na indecisão dos nomes.
Esse é o cenário desenhado, onde a conhecida resistência ao PT assegura 30% dos votos a qualquer opositor — insuficiente para evitar a vitória do petista.
Para as bancadas da direita, esses 30% asseguram a eleição ou reeleição da maioria deles, sobretudo os caciques; daí o fato de não abrirem mão de um cabeça de chave, seja quem for — e sabendo que vai perder. E temos alguns nomes de governadores prontos para o papel, porque não têm mais nada a perder, sem a possibilidade pessoal de reeleição para terceiros mandatos: Caiado, Ratinho, Leite e Zema. Um rol de futuros derrotados, mas dispostos a assumir a oposição ao futuro governo Lula mirando 2030.
Acho que mostrei as razões das dúvidas dos personagens e objetivos. Agora é aguardar para confirmar com os fatos quem vem para o sacrifício, quem disputa legados e quem arrisca tudo para ver o que sobra.
Eu continuo apostando na vitória no primeiro turno do Lula e crescimento das bancadas progressistas.
O grande adversário é o partido da internet, que vai jogar sujo como nunca jogou, e o adversário de sempre, o PIG, que vai tentar emplacar um novo mensalão, uma Lava Jato etc, porque tempo para inventar um novo caçador de marajás eles não têm mais.
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Não é um tema onde eu pretendo ensinar alguma coisa, mas destacar alguns aspectos enquanto vamos aprendendo.
O fato é que estamos diante de um novo desafio na forma de fazer política, que não é exatamente inédito nem em formato desconhecido, mas que vem acontecendo de forma instantânea e de alcance inimaginável por conta das redes sociais e do WhatsApp.
E não por acaso foi primeiro aproveitado pelos fascistas e extremistas de direita; é só agora que, no mundo inteiro, os progressistas e as esquerdas começam a batalhar para enfrentar a disputa.
Sim, porque disputar a atenção e impor a narrativa — não perca essa palavra — é uma batalha que ultrapassa países distintos, desenvolvidos e não desenvolvidos, com maioria de pessoas cultas e outras não, todos enfrentando o desafio da disputa política nas redes.
Há quem aponte a existência de um Partido da Internet, que despeja versões absurdas, mentiras deslavadas e ataques pessoais caluniosos e difamantes em escala industrial, e semeia, do pânico e do caos, seus lucros. Mais: ao promover o estado geral de sobressaltos e alarme, sem nenhum motivo real, tem como método manter parte das comunidades excitadas ao ponto de serem incapazes de lidar com a realidade — estado mental e social estudado e conhecido — onde elas se tornam o que chamamos de gado, abandonando a razão em troca do estado de permanente alerta falso, no qual o fascismo mantém sua influência acima de todas as realidades objetivas.
Deixei abaixo um link de um trecho de livro que explica bem esse mecanismo, que não é novo.
Mas o Partido da Internet, que, sim, é a novidade, faz uso desses mecanismos também a seu favor, não somente contra adversários. Quando consegue emplacar uma das infinitas realidades paralelas e teses tresloucadas que inundam as redes todos os dias — daí os robôs e os gabinetes do ódio — a elas se agarram e mantêm acesa a chama da discórdia e da pressão até onde conseguem, até que uma nova surja, e assim por diante.
Qualquer discurso de Trump é assim, qualquer fala atual do bolsonarismo é assim.
E da resposta das redes ao novo apelo definem-se ações e projetos — daí o improviso e tudo malfeito, para prolongar os efeitos e surfar nas ondas.
Evidente que isso é destruição, onde eles também se aproveitam.
Mas, quando assim agem, passam por cima das instâncias partidárias, suas lideranças, sua burocracia, sem respeito hierárquico ou qualquer coisa semelhante.
Sim, existe o chefe, mas a maneira como agem não permite nem ao chefe controlar tudo que acontece. O exemplo do filho Eduardo nos EUA, agindo até contra a vontade do pai em alguns aspectos, abertamente, nos mostra isso.
E como alguns dos mais proeminentes nomes do bolsonarismo se movem a favor de outras candidaturas além do chefe impedido, também.
Os partidos progressistas começam a entender e reagir à altura, mas demoraram exatamente porque suas estruturas internas e a maneira como funciona a política — não vou usar a palavra “tradicional”, talvez “convencional” seja melhor — não permitem reagir na velocidade dos fascistas. Mas, aos poucos, a estrutura começa a se organizar e reagir, nos termos impostos pelos meios atuais, sem uso do mesmo conteúdo falsificado.
Até porque a massificação das mentiras cobra um preço, e quem se deixa levar acaba exausto de tanto absurdo, no pouco de boa informação que consegue ultrapassar as bolhas, revelando verdades incontestáveis.
Até onde vamos, não se sabe. Na próxima eleição ainda teremos áudios e vídeos fabricados com vozes e rostos criados por IA, com possibilidades ilimitadas de manipulação.
Ou alguma proteção se promove sobre isso, mesmo parcial, ou teremos a mais suja campanha eleitoral de todas.
Não quero dizer que vamos ser derrotados — acho que vamos ganhar —, mas o que vem por aí vai ser um enorme desafio.
Fique com o link sobre a propaganda fascista e como ela age sobre as pessoas — um tema que Adorno já denunciava há mais de meio século e que, hoje, ganha contornos digitais assustadoramente precisos.
Quando o governo atual consegue emplacar um projeto que faz diferença na vida das pessoas — o que, supostamente, todos os projetos dos administradores públicos deveriam mirar — percebemos o fosso onde operam aquelas pessoas e seus respectivos aparelhos de informação, que de tudo fazem para embaralhar os fatos e confundir, disfarçar e até distorcer de tal maneira a impedir o conhecimento da verdade.
Essa aprovação da isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais por mês é mais um exemplo.
A desinformação passa por amenizar o feito, atribuir a personagens laterais, menores, atualizar o valor para parecer pouco o resultado, nomear pessoas sabidamente contrárias à aprovação e, por último, chamar a decisão de populista.
Assim como, para os canalhas, o apelo ao patriotismo é seu último refúgio, para quem despreza o povo e um mínimo de distribuição de riqueza, tudo que se faz nessa direção não passa de populismo ou eleitoreira.
São feitos da mesma sopa de privilégios, mesquinharia e falta de um espelho em casa.
E seguem sem nenhuma proposta para transformar ou melhorar qualquer coisa que não seus próprios interesses.
Por isso são chamados de conservadores: porque querem conservar tudo como está, já que, para eles, está ótimo e não precisa mudar nada.
Ao contrário.
Contra esses estamos todos nós, progressistas. Transformadores das realidades, e buscando, no país mais desigual do mundo — sempre é necessário lembrar — um pouco mais de dignidade para a maioria.
A questão do Imposto de Renda praticamente cobrado no salário mínimo é só mais um exemplo da administração iníqua da riqueza e do trabalho da maioria. Porque se impõem custos a salários mínimos enquanto se poupam os salários milionários.
Onde isso faz sentido? E qual seria o motivo de passar um governo, e outro, e outro, sem nunca enfrentar o óbvio disparate de manter a base da arrecadação nas camadas inferiores da sociedade?
Porque, senão, os ricos vão embora?
Para onde, se lá fora a tributação é muito maior?
Como, se a riqueza vem do trabalho de terceiros e não do próprio? Como convém ao capitalismo.
É sempre bom relembrar algumas coisas.
Porque não é somente uma revolução, nem uma guerra,
também disposição e trabalho para convencer de como compartilhar melhor a riqueza promove o bem-estar de todos — inclusive de quem não aceita as transformações.
Nosso Brasil é o país mais injusto do mundo, com a renda concentrada no topo. Assim fomos nascidos, mas não vamos permanecer assim para sempre.
Esse é o rumo do sucesso: não só privilegiar quem tudo tem, não só promover quem tudo pode, não só acolher quem tudo consegue.
Não é por menos que se explicam as razões do sucesso e do acerto desses governos “populistas” do Lula e do PT, que na verdade são a verdadeira social-democracia brasileira.
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O nome é Deputado Paulinho da Força, escolhido relator do projeto de anistia dos golpistas. O sobrenome político ‘Força’ veio de sua história como dirigente do sindicato criado pelos patrões, a Força Sindical, para rivalizar com a CUT do Lula. Paulinho é um pelego da antiga, acostumado a fazer o trabalho sujo dos patrões.
Mas, dessa vez, subiu na escada e por lá ficou, porque a esquerda não quer nem ouvir falar em anistia ou dosimetria de penas, e a extrema-direita quer uma anistia ampla, geral e irrestrita — nada além de liberar todos os golpistas do passado e, segundo o projeto, incluindo os do futuro.
E, então, ninguém quer saber de negociar meio-termo com o Paulinho, que se viu pendurado na brocha, porque tiraram a escada por onde subiu.
O apelido nos mostra a que ponto chegou o infeliz na sua tentativa de costurar apoios para aprovar o que começou como anistia, passou a dosimetria e terminou em zombaria.
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Aprovado por aclamação o projeto de lei que isenta quem ganha até 5 mil reais por mês do pagamento de imposto de renda.
Os 3 destaques acolhidos pelo relator Lira foram mais para deixar uma marca própria, e os demais 93 destaques, de tudo quanto havia, foram devidamente ignorados.
O fato de todos os deputados concordarem com a aprovação diz muito sobre o momento em que vivemos. Não valia o risco de desagradar, como tantas vezes fazem questão, numa matéria tão poderosa e ainda mais sabendo que iam perder de lavada.
Até os empedernidos deputados do Partido Novo (o que há de mais velho no Brasil) se viram obrigados a acompanhar a avalanche, sob o risco de ficarem expostos a um ano das eleições.
Sem dúvida, a pressão da aprovação da matéria no Senado, por iniciativa de Renan Calheiros, rival alagoano de Lira, mexeu com o tabuleiro ao ameaçar tirar da Câmara o mérito da aprovação.
A ida seguinte ao Senado é protocolar e rapidamente o assunto estará resolvido.
Sabedores de que nem atualizar a tabela do IR tipos como FHC, Temer, Collor e o inominável nunca conseguiram fazer, o tamanho da conquista está por ser conhecido, mas é extraordinário, por significar, na prática, a conquista de um décimo quarto salário.
Também a cobrança de Imposto de Renda sobre dividendos e lucros, nunca realizada, mesmo com alíquotas modestas de 10%, é outro marco de justiça tributária que somente um governo do povo e para o povo — o verdadeiro sentido da democracia — é capaz de fazer.
Não foi pouco o que aconteceu ontem.
E a estratégia de chamar Arthur Lira para relatar e deixar para votar na data mais próxima das eleições que a legislação permitia — porque imposto precisa ser votado em um ano para passar a valer somente no próximo — deixa o rastro de mestres da política.
O caminho de 2026, que já parecia pavimentado, toma a partir de agora ares de formalidade. Quem sabe Lula consegue se despedir de seu último mandato com uma vitória no primeiro turno?
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Ontem, a desvalorização do peso argentino em 6% e o governo vendendo dólares desabaladamente para segurar o câmbio provocaram, no fim da tarde, a viagem do presidente Milei para os EUA, onde pretende que as promessas por mais dinheiro se efetivem antes das eleições e do provável desastre.
Na província de Buenos Aires, onde o atual governo perdeu nas municipais semanas atrás, as pesquisas para a eleição nacional em outubro agora mostram o mesmo cenário de enorme vantagem da oposição, com 14% de diferença.
Confirmadas as pesquisas, a maioria parlamentar do governo Milei virará pó.
Quanto à desabalada carreira aos EUA em súplicas por mais empréstimos, me faz recordar a reeleição de FHC no Brasil quando, igualmente quebrado como a Argentina de Milei, recorreu a Clinton, garantiu o câmbio congelado até vencer e depois desvalorizou — e nunca mais conseguiu fazer nada que prestasse no governo.
Nem isso Milei parece obter, além de promessas. A Argentina é o maior devedor mundial do FMI; há quem diga que nunca vai conseguir pagar o empréstimo e esperar mais socorro na véspera de uma derrota eleitoral que parece certa é improvável.
Nessa altura, os EUA devem estar conversando com os próximos ocupantes da Casa Rosada.
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