Uma possível consequência do conflito entre Israel e Palestina pode ser o abandono da Ucrânia pelo Ocidente, ou seja, pelos EUA e pela UE.
O ônus de manter o conflito com a Rússia estava sob ameaça devido à impaciência dos Republicanos no Congresso norte-americano com os gastos bilionários. A substituição do presidente da Câmara na semana passada por um possível substituto contrário aos gastos com a guerra na Ucrânia deixou Biden e sua decisão de manter o conflito financeiramente em uma posição difícil.
Agora, com o surgimento da guerra entre o aliado Israel e os Palestinos, certamente a opção de apoio à Ucrânia, sob todos os aspectos, fica comprometida.
Com a atenção voltada para Israel e a dificuldade doméstica de manter o apoio, a administração Biden pode ter uma saída para a crescente oposição que enfrenta e pode usar este grave conflito adicional para sair sem maiores consequências políticas internas.
Nessa hipótese, a Ucrânia fica sem suporte e terá que negociar a paz em uma enorme desvantagem.
O sofrimento dos Palestinos pode encurtar o sofrimento dos Ucranianos e dos Russos.
Vamos ver a posição de Biden, que estava cada vez mais isolado nessa decisão de manter a guerra na Ucrânia.
O conflito em Israel é muito mais fácil de receber apoio da política tradicional americana, bem como da opinião pública, incluindo os Republicanos, e pode ser uma oportunidade para Biden sair do conflito na Ucrânia sem maiores consequências políticas.
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O governo aposta em Kássio, com “K”, para evitar uma catástrofe no mercado de financiamento imobiliário e saneamento.
Vou explicar.
O atual presidente do STF, Barroso, agendou para o próximo dia 18 a retomada do julgamento onde, porque já votou assim, pretende reajustar o saldo da poupança no FGTS indexados à taxa de reajuste geral de poupança . Essa tese de reajustar pelo índice geral de poupança é antiga e consolidada nos tribunais, pois na prática não significa um acréscimo no valor depositado, uma vez que apenas mantém o seu valor quando ajustado pela inflação oficial.
No entanto, o FGTS, criado em 1966, tem uma função específica de financiar imóveis a um custo mais baixo e obras de saneamento de prefeituras e estados, com a mesma finalidade de reduzir custos.
De fato, os saldos do FGTS são reajustados com valores inferiores aos da poupança, sendo 3% do FGTS contra 6% da poupança, aproximadamente.
Pode parecer injusto, mas não é.
O montante bilionário acumulado, quando bem utilizado, e os milhões de financiamentos imobiliários ao longo das décadas e incontáveis obras de saneamento em todo o Brasil, provam que foi bem empregado.
Agora, décadas depois, Barroso imagina trazer justiça ao Brasil, sem considerar as consequências de uma decisão que pode custar estimados R$ 250 bilhões no curto prazo e desencadear inúmeros processos na justiça de revisão de contratos.
Tudo isso parece ser característico do comportamento inconsequente que Barroso demonstra continuamente.
O revisor da matéria a ser votada é Kássio, com “K”, e existem informações de que ele pode discordar do voto inicial de Barroso e abrir a divergência para evitar a catástrofe.
Isso parece ser mais uma ironia do destino e nos mostra que a diversidade de opinião, muito mais do que atrapalhar, é fundamental.
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A história precisa voltar aos tempos bíblicos, quando ocorreu a destruição do Templo de Herodes, chamado de Terceiro Templo, e a destruição da cidade de Jerusalém pelos Romanos, no ano 135 da nossa era. E aqui começa a primeira falácia sobre o povo judeu que vivia na então Judéia, não apenas em Jerusalém. Várias outras cidades da região conhecidas da antiguidade mencionadas na Bíblia não foram alvo da fúria dos Romanos, que se concentrou principalmente no Templo de Herodes e na cidade de Jerusalém. Não houve nenhuma deportação maciça; não aconteceu uma expulsão em massa, os Romanos não transportaram os judeus em carroças e espalharam pelo mundo, como descreve a narrativa da diáspora após a guerra. Na sua maioria, eles permaneceram nas cidades não destruídas, e a vida na Judeia continuou.
Para os Romanos, aquela região não se chamava Judeia, mas Palestina. E assim permaneceu desde então.
Saltando 2 mil anos de história, que obviamente não podem ser simplesmente ignorados, os palestinos e seus descendentes continuaram a viver em suas terras, assim como os judeus que permaneceram na região nos séculos abordados aqui. A região passou majoritariamente para o domínio muçulmano durante os séculos de conquistas e reconquistas, até chegarmos ao final da Segunda Guerra Mundial.
Havia um precedente imaginário proveniente da política britânica no final do século XIX e início do século XX, quando um Lorde Inglês, Balfour, escreveu uma carta em 1917 sugerindo aos judeus indesejáveis que queriam morar na Inglaterra que fossem para a Palestina, que era vista, segundo os ensinamentos bíblicos, como a sua casa. Essa ideia não ganhou força até o final da Segunda Guerra Mundial, quando apenas alguns judeus concordaram com a ideia de Lord Balfour. Alguns judeus pobres e miseráveis aceitaram a oferta, em parte porque incluía doação de terras e apoio para a mudança. Essas terras eram compradas dos legítimos donos, que eram os palestinos.
No final da Segunda Guerra Mundial, os impérios, incluindo o britânico, enfraquecidos pela guerra, não tinham mais a força para manter suas colônias pelo mundo. Não por acaso, a Índia conquistou a independência da Inglaterra nessa época. Na Palestina, os colonos judeus se revoltaram contra o colonizador britânico, que controlava a região na época. Antes disso, a Palestina fazia parte do Império Otomano, que foi destruído na Primeira Guerra Mundial.
Além da oportunidade de independência, milhares, senão milhões, de judeus pobres e perseguidos pelo nazismo vagavam pela Europa sem um lugar para chamar de lar, com suas propriedades e famílias destruídas pelo horror nazista. Daí surgiu a ideia de realocar esse grande contingente de pessoas para algum lugar. A Europa de então, assim como a de hoje, tinha aversão a refugiados e migrações.
Resumindo, grupos de refugiados judeus da Alemanha e também da Rússia, onde viviam muitos judeus, foram deslocados para a Palestina e foram recebidos com resistência pelos moradores locais, que não tinham escolha senão aceitar a chegada, embora sempre resistissem a ela.
Desde então, com a ajuda do Ocidente, que estabeleceu um estado nacional no Oriente Médio, principalmente os únicos produtores de petróleo naquela época, os israelenses expandiram seu território na terra palestina, que foi ignorada e desprezada pelo Ocidente.
O componente religioso desempenhou um papel fundamental na criação do Estado de Israel, apesar dos interesses geopolíticos. Não é possível discutir essa questão atualmente sem considerar esse componente. Apesar de o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, do Partido Sionista Likud, ser secular, ele recorre frequentemente ao direito divino para justificar a posse da terra e sua expansão. Além disso, ocidentais, especialmente cristãos religiosos, apoiam essa ideia. Não podemos esquecer que Jerusalém é uma região central para o cristianismo, além de ser um local importante para os judeus, pois ambos esperam a vinda do messias, que decidirá o destino do mundo.
Isso é algo a se considerar.
Quem sofre com o abandono e a destruição são os palestinos, exatamente os moradores da região há séculos, e agora seus descendentes são forçados a acreditar que a terra nunca foi deles.
Seria mais ou menos como os Celtas retomando o domínio da Inglaterra, os Guarani do Brasil ou os Apaches dos EUA. Uma tese absurda, mas é isso.
Não estou justificando a violência, as mortes ou as guerras. Elas precisam parar em todos os lugares.
Mas elas acontecem por algum motivo, e no caso sério da Palestina, a mistura de apocalipse, messias, petróleo e política, deu nisso.
E, meus caros e caras, a racionalidade está longe, e a manipulação religiosa está entre as mais poderosas do mundo e tomou conta de tudo.
Pobre povo palestino, preso em uma guerra sem exército, sem país e sem esperança.
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Não param as andanças do Presidente Pacheco do Senado para promover mudanças no STF.
Não que não sejam necessárias, não que a pauta anunciada pelo atual presidente da corte, o ministro Barroso, não suscite reflexão.
O que é bem-vindo, digo eu.
Barroso é um pavão perigoso; ainda neste mês vai votar o reajuste das contas do FGTS e, prevalecendo sua posição de reajustar os saldos pelo valor da poupança, desmonta uma das principais, senão a principal, fonte barata de financiamento imobiliário e de obras de saneamento ambiental no Brasil.
Coisas assim estão na mira do Juiz supremo, que interferem na vida do país sem a menor cerimônia e sem passar por uma discussão eleitoral e aprovação prévia.
Não que os nossos políticos façam lá muito diferente; eles, ao menos, podemos supostamente não reeleger.
Mas a questão do Senado e sua atual disposição, como já afirmei, passa por projetos pessoais do Pachecão, e na falta do que fazer com as pautas esvaziadas.
O governo adiantou bem a sua vida no legislativo e agora espera colher frutos para um retorno em outras aprovações, mas que devem ficar para o ano que vem, se não ficarem para 2025 mesmo.
Os projetos que avançam no Senado não são ruins, a princípio, de limitar decisões monocráticas de repercussão geral, de fato a ideia procede e pode ser discutida. A outra que avança é dar um mandato de 15 anos para os próximos ministros escolhidos e idade mínima de 50 anos para o ingresso.
Tudo razoável.
Parece que Pacheco avança mesmo com a pauta e promete votação para o mês, o que está começando a surgir como barreira para as pretensões dos senadores é uma má vontade da Câmara em apoiar as iniciativas.
Há quem diga que não apoia para devolver o desinteresse do Senado em aprovar a minirreforma eleitoral aprovada na Câmara. Pode ser, mas pode ser também porque Pacheco só faz mesmo jogo de cena, e Lira e seus deputados não querem participar do teatro.
Em todo caso, dificilmente os projetos, que têm sim mérito e relevância, e mereceriam tratamento adequado, não andam pelos motivos mais torpes.
A cara do nosso legislativo.
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A sequência de governos progressistas e nacionalistas, que ocorreu de 1950 até 1964, durante um período de grandes mudanças no Brasil, incluindo industrialização e urbanização, transformou o país em uma potência que parecia destinada a prosperar nos anos seguintes.
Assim como aconteceu com o governo de Dilma Rousseff, em um período de grande crescimento e prosperidade, um golpe foi dado, e o poder foi assumido por aqueles que buscavam direcionar o desenvolvimento de acordo com seus próprios interesses.
De fato, por um tempo, o Brasil continuou a crescer, embalado nos anos anteriores, mas, assim como vimos recentemente, a direção desse crescimento começou a favorecer apenas algumas classes sociais, resultando em uma concentração de renda cada vez mais intensa, em todos os aspectos. O chamado “milagre brasileiro” era uma festa dos ricos e para os ricos, com a classe média aproveitando as sobras.
O mapa do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) acima mostra claramente do que estamos falando: como um Brasil rico e próspero foi incapaz de melhorar a qualidade de vida de toda a sua população e como os militares têm um histórico de fracasso na administração do governo. Quando assumem o poder, tudo ao seu redor piora. Tudo! Quando afastados, tudo melhora. Tudo!
O grande desafio que enfrentamos atualmente é manter o crescimento econômico de forma equitativa, melhorando a vida de todos os brasileiros.
Oportunistas buscam o poder não por meio de eleições, como vimos no fenômeno pós Bolsonaro. Isso pode ser recente e possivelmente efêmero, mas é impulsionado por circunstâncias especiais de manipulação desenfreada. Embora as condições para isso permaneçam as mesmas, talvez estejamos começando a entender algo para enfrentar desafios futuros.
Não é apenas no Brasil; o mundo está lidando com o ressurgimento do fascismo, explorando os males e medos da sociedade para ganhar poder.
Estamos novamente em um ciclo de maior proteção à vida e de aproveitamento de oportunidades, no Brasil. Vamos ver se saberemos realmente aproveitar essas oportunidades.
O leão do fascismo ruge à porta, e é melhor mantê-lo trancado e trabalhar muito para afastar o perigo de seu retorno.
Para isso, é urgente melhorar e consolidar as conquistas sociais e a qualidade de vida para o maior número possível de pessoas.
Mãos à obra.
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Alegando a necessidade de mecanismos que permitam maiores garantias para os empréstimos bancários, para que os juros operem com números civilizados e abandonem a agiotagem histórica, aprovaram no Congresso um mecanismo de dupla hipoteca perigosíssimo.
Isso significa que você pode dar seu imóvel em garantia para mais de um credor, o que foi o mecanismo usado nos EUA para alimentar a bolha imobiliária que durou por lá duas décadas e provocou a crise mundial de 2008 quando estourou.
Aqui no Brasil, evitamos consequências maiores em 2008 exatamente porque não era permitida a dupla hipoteca em imóveis, o que limita substancialmente o mercado de crédito e não permite alimentar o circuito de valorização artificial mediante especulação com créditos.
Primeiro, porque em algum momento o empréstimo terá que ser pago, segundo que nesse ambiente de especulação carregado, volátil por natureza e de reações defensivas instantâneas, um soluço provoca quedas de valor imediatas e deixa o mutuário sem condição de quitar dívidas muito superiores ao bem dado em garantia.
Naturalmente, o credor afunda junto, sendo esse o motivo da crise americana de 2008, que se espalhou para o mundo.
A consequência aqui no Brasil nos próximos anos virá com uma inicial valorização dos imóveis e aumento dos negócios. Os juros das operações devem, de fato, cair num primeiro momento. E entramos num ciclo de novos empréstimos e novas hipotecas, até que a bolha imobiliária nacional exploda daqui a alguns anos.
Há quem diga que tudo na economia, no fundo, é uma bolha. Algumas duram mais e outras menos, e todas um dia se acabam de um jeito ou de outro. É uma forma crua e cínica de entender os ciclos econômicos sem pesar consequências.
Fica o aviso: muito cuidado com o mecanismo e saiba que estamos para entrar num momento de valorização de imóveis atípico, muito perigoso e de duração incerta.
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O comércio de plasma humano é uma forma delicada de descrever a atividade de compra e venda de sangue humano.
Somente em um país de miseráveis e insensíveis, essa prática comercial poderia prosperar, explorando pessoas necessitadas, frágeis e pobres em detrimento de interesses comerciais dos mais sórdidos que uma sociedade é capaz de produzir.
Durante a época da ditadura militar, que ocorreu entre 1962 e durou 21 anos, essa prática era livre e autorizada, e quiosques ficavam nas principais praças das capitais coletando sangue de pessoas famintas que doavam em troca de alguns trocados. Era comum ver pessoas desmaiadas próximas a esses locais de coleta de sangue, exauridas em suas últimas forças pela necessidade.
A Constituição de 1988 acabou com essa prática, e o retorno da ideia nos tempos atuais não é mero acaso. O momento de “salve-se-quem-puder” e “vale tudo”, reavivado pelo fascismo, não poderia ignorar a prática desumana como símbolo de sua vitória contra a sociedade.
Aprovado na CCJ do Senado, na comissão que tem promovido loucuras recentemente, espero que não prospere no plenário.
Prefiro continuar lidando com vampiros simbólicos do que com reais.
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Nossos valorosos Senadores, na falta absoluta do que fazer e sem a mínima noção do que poderia ser bom, útil e melhor para a população, seus eleitores, continuam inventando pautas para provocar o STF e agradar a ala fascista entre seus pares.
Como em toda maluquice, essa também tem método. Alcolumbre aprovou na CCJ limites de decisões monocráticas da corte suprema – que poderiam e deveriam ser melhor discutidos, porque há algum mérito – em tempo recorde de 40 segundos. Se não foi ainda aquela outra ideia – essa sim bem anti democrática – de revisar decisões não unânimes, no contexto e na forma que aprovaram, mais uma afronta ao STF.
Uma outra discussão sobre a duração de mandatos de Ministros do STF estava tentando entrar na pauta – o que também não é uma ideia para descartar sem uma melhor apreciação – parece que sucumbe diante da reação dos atuais ministros do STF, que sobre as outras iniciativas nada comentaram.
O consenso na corte é que tudo isso aí é uma briga por votos entre candidatos a presidente do senado no ano que vem. Alcolumbre pediu até apoio do ex-presidente para sua candidatura, e isso explica suas iniciativas recentes. Pacheco, que pretende fazer o sucessor, além de manter seu nome em evidência visando o governo de Minas em 2025, também mostra as garras e promove pautas afrontosas ao judiciário, como a recente votação relâmpago do marco temporal.
Aquela outra iniciativa de revisar decisões do STF não vingou, como previsto, até para provocar era exagero. E todas essas outras, no fundo, têm mérito e deveriam ser melhor apreciadas, coisa rara no atual cenário legislativo, movido por rompantes ou iniciativas do executivo.
Como o executivo segue aprovando seus projetos de interesse, sobretudo as pautas econômicas, e como alguns resultados parciais positivos indicam que o rumo está correto, sobraram para os deputados e senadores as discussões menores, reacionárias, regressivas e polêmicas. A polêmica é o combustível da mediocridade para atrair a atenção e angariar votos e prestígio.
É o mundo novo, não só da política. Estamos todos, uns mais outros menos, envolvidos nessa nova rotina.
Que não é necessariamente ruim, bem aproveitada.
Vida que segue.
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Enquanto debatemos a crescente necessidade de abandonar o dólar como moeda nas transações comerciais entre países, o Brasil e a China concluíram a primeira operação entre as duas nações utilizando suas próprias moedas locais.
Apesar de ainda não ser algo de grande magnitude, trata-se apenas de uma operação de venda de celulose com a participação de um banco comercial de médio porte chinês.
Aqueles que viajam de trem pela Europa ou de ônibus percebem que podem cruzar fronteiras de diversos países com facilidade, graças a uma rede eficiente de pontes, viadutos, estradas e diversas opções de transporte terrestre, que incluem trajetos com milhares de anos de história, outros centenários, e alguns modernos ou em constante renovação.
Ao compararmos essa realidade com a da América Latina, fica evidente o quão desfavorável é a nossa situação. A integração na América Latina é tão insuficiente quanto nossas relações comerciais e culturais. Basta observar que, para chegarmos ao Paraguai, contamos apenas com uma ponte de acesso, e o mesmo se aplica à Argentina, onde temos apenas um acesso viário.
Além disso, não possuímos uma ligação direta com o Oceano Pacífico, o que poderia facilitar o escoamento de nossa produção. Parece que agora estamos caminhando em direção a essa ligação por meio do Chile, um projeto que servirá para integrar Argentina, Brasil, Paraguai e Chile. No entanto, esse projeto ainda não está concluído e é de grande importância.
É importante perceber como a soberania e o desenvolvimento de um país dependem dessas integrações e trocas comerciais. Isso começa com acordos em casa e com os vizinhos, o que gera oportunidades para o comércio internacional, fortalece as fontes financeiras e abre horizontes amplos.
A razão pela qual essas iniciativas não foram implementadas anteriormente está ligada ao passado colonial e às imposições sobre nossas economias e as de nossos vizinhos, frequentemente intermediadas por interesses que não servem aos nossos.
Isso está diretamente relacionado à troca entre o Brasil e a China, sem a necessidade da intermediação do dólar, pois representa um passo importante em direção à autonomia nas relações comerciais e à quebra de padrões que historicamente nos limitaram.
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Dois eventos destacaram o momento da vida nacional com riqueza de detalhes.
A entrevista do Presidente do Banco Central, Campos Neto, ao comparar o ex-presidente com o atual Presidente do Brasil, e a greve do metrô de São Paulo de ontem.
Na entrevista após sua reunião com Lula, Campos Neto enfatizou que o Presidente atual demonstra muita paciência e disposição para ouvir, comparando-o com o ex-presidente. Ele mencionou como se preparava para suas reuniões com o ex-presidente, sabendo que tinha apenas 3 minutos para expressar suas ideias, porque após esses poucos minutos o ex-presidente se dispersava e a conversa morria antes mesmo de começar.
Isso é notável, considerando que ele era responsável pela política de juros no Brasil, o que custa R$ 700 bilhões por ano. Esse é o preço de suas decisões, algo que o ex-mandatário não demonstrava interesse em compreender. Isso mostra, se alguém ainda precisar de um exemplo nesse ponto, o quão profundamente estávamos enterrados em uma vala inacessível.
O segundo momento esclarecedor e revelador ocorreu durante a greve do Metrô de São Paulo ontem, que durou apenas um dia e já foi encerrada. O atual governador, Tarcísio, aproveitou uma entrevista concorrida para afirmar que o Metrô estava em greve, mas as linhas privatizadas estavam funcionando perfeitamente, o que, segundo ele, demonstrava a validade da escolha de continuar com as privatizações.
No entanto, assim que o governador terminou sua entrevista, a linha 9 à qual ele se referia parou de funcionar devido a uma falha elétrica no sistema. Curiosamente, essa foi a 51ª vez no ano que essa linha específica apresentou problemas, um número cinco vezes maior do que as falhas nas outras linhas que ainda são estatais no metrô paulista. E a tal linha 9 continua com defeito nessa manhã de quarta, enquanto as que estavam em greve ontem, trabalham normalmente. O argumento agora é que pode ter havido uma sabotagem. Mas a dúvida então é se as outras 50 falhas foram sabotagem também.
A maioria dos meios de comunicação tradicionais apoiou as declarações do governador e condenou a paralisação, que ocorreu em protesto contra as futuras privatizações anunciadas. Um dos argumentos comuns entre os analistas desses meios foi que o atual governador foi eleito com um mandato conhecido e aprovado, que inclui privatizações.
No entanto, é importante ressaltar que, nas eleições para a cidade de São Paulo, o vencedor foi Haddad, com mais de 10% de vantagem, enquanto perdeu a eleição para o governo paulista devido aos votos do interior. O interior não possui metrô, e os comentaristas esqueceram de mencionar que os moradores da capital estavam pagando o preço das escolhas políticas que não afetavam diretamente o interior.
A vida segue, e o drama nacional tem muitos elementos de tragédia, mas quando observado de perto, a comédia muitas vezes se sobressai.
Não deixa de ser um consolo.
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