” FERNANDO HADDAD
Administrador de pressões internas e externas
por MÍRIAM LEITÃO. PÁGINAS 14 a 16″
Com direito a uma chamada de capa discreta, mas bem posicionada, e autoria de prata da casa, o ministro Haddad apareceu em três páginas do jornal O Globo na edição nobre de domingo.
O texto, de neutro para favorável, com algumas pitadas de veneno para Lula e o PT, surpreende até pelo tamanho. Não me lembro de ter visto algo semelhante, até porque não sou leitor do jornal e fico com a repercussão para minhas avaliações.
E até teve alguma repercussão, do tamanho da decadência dos jornais, apesar da surpresa.
Novidade não teve: algumas notas biográficas, muitos assessores e pouco Haddad, alguma economia vista de quem senta do lado de lá. Dessa vez, sem forçar a barra.
Qual o propósito?
Quanto a isso, não tem mistério. Na semana em que a economia foi bombardeada e o mantra único de crítica acionado, mirando o presidente gastador, destacar a imagem do ministro preocupado com o equilíbrio fiscal e falando em desindexar salário mínimo de aposentadorias e mexer nos mínimos de gasto constitucionais — música aos ouvidos do rentismo — foi uma ação previsível dos arautos do financismo.
Pouco ou nada se fala dos juros, o Banco Central não aparece, o bolsonarista Campos Neto passa ao largo.
Sobra Haddad e a tentativa de mostrar ao ministro que, por esse caminho, rosas e homenagens são alcançadas.
Não tenho nenhuma expectativa quanto ao sucesso da empreitada global, até porque Haddad age por convicção, mira o orçamento e os instrumentos de que dispõe, age conforme os limites do cargo.
Quem foge do figurino e até se coloca acima dele tem outro cargo e outro nome: Lula. E aqui vale a pena lembrar de Meirelles no comando do BC durante os dois primeiros mandatos de Lula, quando conquistou o título de melhor economista e melhor BC do mundo. E depois, ao lado do golpista Temer, mostrou quem era de fato sem a orientação de Lula ao lado: o condutor do desastre chamado “Ponte para o Futuro”, que dispensa comentários.
Haddad, nesse aspecto, não tem como fugir da comparação, até porque a tal matéria do jornal procurou destacar aspectos técnicos inerentes ao cargo de ministro da Fazenda, fingindo desconhecer a orientação política do governo eleito e do programa vencedor. Nada de ajuste em cima do pobre, ao menos enquanto não esgotadas as outras matérias de natureza fiscal e orçamentária, incluindo o bilhão de subsídios e desonerações, que a Globo utiliza durante décadas enquanto cobra rigor de todos os demais.
A favor de Haddad, o fato de que ele não colabora diretamente com a matéria, que cita fontes e mais fontes, sem a palavra direta do ministro.
E esse canto de sereia já foi muito mais eficaz, quando repercutia e provocava reações, inclusive de invejosos.
Parece que passa ao largo, ninguém dá muita bola, fica o registro, eles fazem lá o de sempre, todo mundo sabe e o jogo segue conforme estabelecido.
Brizola deixou por escrito: quando a Globo vai por um lado, o melhor é seguir na direção contrária. Pode ainda ser, mas aparentemente o jornal não faz ideia para onde vai e, nesse caso, seguimos sem nenhuma mudança de direção.
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