
Depois daquele fiasco de quartelada que assistimos ao vivo na Bolívia, me pergunto quantos golpes ridículos, improvisados e improváveis teriam sido evitados se estivéssemos assistindo a tudo ao vivo, como ontem, e reagido antes do fato consumado.
Então, o desastre do Grande Irmão, previsto por Orwell em sua visão do futuro, como quase tudo nesta vida, e de acordo com a música que diz que o homem “constrói e destrói coisas belas” o tempo todo, muitas vezes contrário até ao interesse e intenção, o desastre da vigilância constante e total, não é somente negativo; também o mal está exposto.
Acho que os golpes de Estado, daqui para frente cercados de celulares e câmeras conectados com o mundo online, estão enterrados. Sobraram todos os demais tipos, que ainda, e por muito tempo ainda, continuarão a desgraçar povos inteiros.
Mas não é hora de lamentar. O olho onipresente do Grande Irmão veio em socorro dos homens e mulheres de coragem, e o inesperado e feliz auxílio da luz das câmeras filmando me pareceu decisivo para o desmonte da quartelada.
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